Dia 14, parte dois

06:10 AM

Me sentia leve. Parecia que meu corpo não estava deitado em cima daquele saco de dormir naquele chão duro, parecia que eu estava flutuando.

Abri os olhos e vi Edward vestido de branco, com os olhos mais brilhantes do que eu jamais tinha visto.

— Então é assim o céu? — Perguntei a Edward.

Ele abriu um sorriso e assentiu, e então pegou minha mão.

Acordei com a sensação que tinha caído, como se minha alma estivesse vagando por aí e tivesse que voltar as pressas porque eu estava acordando.

Abri os olhos e vi Edward deitado ao meu lado abraçado a mim. Olhei ao redor da barraca e vi Tico todo encolhido de frio, fiz carinho nele, me soltei dos braços de Edward e sentei.

Edward se mexeu, mas não acordou. Abri o zíper da barraca e saí. Comecei a andar em direção ao rio, e quando cheguei lá tomei o máximo de água que consegui.

Lavei o rosto, me espreguicei e voltei até a barraca.

— Bom dia! — Disse a Edward me deitando ao seu lado.

— Bom dia! — Disse ele levantando num pulo e se sentando ao meu lado. — Como você se sente?

— Como se tivesse nascido de novo! — Menti. Eu me sentia péssima, pior até que o dia anterior.

— Que bom amor!

— E sua perna, como está?

— Ótima! — Pela sua cara percebi que ele devia estar mentindo como eu.

Assenti com um sorriso e o abracei.

— Te amo tanto! — Falei lhe dando um beijo no pescoço.

— Você ainda está meio quente... — Disse ele colocando a mão em minha testa.

— Poxa, eu disse que te amo! Seria pedir muito que você dissesse que também me ama?

Edward deu um gargalhada e beijou meus lábios.

— Eu também te amo minha coisa mais linda!

Nos beijamos e voltamos a deitar.

— Sua câmera ainda está funcionando? — Questionou ele.

— Se ela ainda tem pilha? Tem sim, por quê?

— Eu queria fazer uma filmagem.

— Ah, tá legal.

Peguei minha câmera e enquanto apertava o botão pra iniciar a gravação falei "Ação".

— Oi, meu nome é Edward.

— E o meu é Bella! — Me intrometi.

— Nós estamos perdidos há duas semanas em algum lugar entre Forks e Spokane...

— Talvez não. — Interrompi. — Quer dizer, é que eu ouvi o motorista dizendo que estava perdido...

— Bom, de qualquer modo estamos perdidos. — Disse Edward rindo. — Provavelmente nossas caras devem estar medonhas, assim como nossas roupas.

— Faz duas semanas que estamos sem escovar os dentes! — Dei um sorriso pra câmera.

Edward deu uma gargalhada engraçada.

— Mas eu nem ligo! — Disse ele me beijando.

Dei risada e contribui o beijo.

— E sabe de uma coisa? Esses catorze dias foram dias marcantes na minha vida. — Continuou Edward. — Porque foram nesses dias que eu e o amor da minha vida voltamos a ficar juntos!

O abracei e beijei sua bochecha.

— Mas com certeza houveram momentos terríveis também. — Falei.

— Como o momento que estamos vivendo agora.

O rosto de Edward não estava mais com um sorriso estampado.

— Bella está muito doente, e minha perna está quebrada. — Continuou ele. — Por isso estamos gravando esse vídeo, para que se alguma coisa acontecer com a gente...

— Vocês saibam que mesmo perdidos passamos muitos momentos bons. — Completei.

— Eu queria começar agradecendo meus pais, que devem estar muito preocupados comigo. Queria agradecer o carinho que eles me deram...

Percebi que Edward estava segurando o choro, então o interrompi.

— Alice, eu te amo sua baixinha! E espero realmente que você fique bem, assim como o Jasper! Charlie, cuide da Reneé, não deixe que ela surte, okay? Eu amo vocês dois!

— Emmett, que bom que você e a Rose estavam no outro ônibus cara! Vou sentir saudades de vocês dois...

— Eu tenho tanta coisa pra falar, mas agora parece tão difícil colocar em palavras... Eu só... —

Parei a frase na metade. — Você ouviu isso? — Indaguei a Edward.

Ficamos em silencio por alguns segundos.

— Não ouvi nada. — Respondeu Edward confuso. — O que foi?

— Eu juro que ouvi... Um latido...

Edward colocou novamente a mão em minha testa.

— Você está quente de novo Bella!

— Não. Eu estou bem. E eu juro que ouvi um latido!

Ficamos em silencio novamente. Os únicos barulhos que tinham na mata eram os pássaros cantando, o rio ao longe e uns galhos sendo quebrados.

— Tá ouvindo isso? — Cochichei.

Me levantei e abri o zíper da barraca.

Ouvia agora passos rápidos vindo em nossa direção.

Seria um lobo atrás de nós? Quem sabe a mãe daquele filhote que matamos num dos primeiros dias que estávamos perdidos?...

Fiquei olhando para os lados, enquanto Edward se levantava e vinha até mim.

A câmera ainda estava ligada e eu a segurava comigo como se fosse meu terceiro olho. Até que de repente um Beagle apareceu.

— Olha amor, um cachorrinho! — Falei olhando a Edward.

Edward estava com uma expressão vazia me encarando.

— Me diga que você está vendo o cachorro! — Pedi.

Será que eu estava delirando a esse ponto?

Fechei os olhos e os esfreguei com uma das mãos. Depois encarei Edward novamente.

— Ele está lá? — Indaguei.

— Eu estou vendo o cachorro. Mas o que ele está fazendo aqui?

— Deve estar perdido,coitadinho.

— Ele tem coleira e está muito bem cuidado. Deve ser... — Mas ele nem terminou o que estava dizendo, porque o cachorro, que estava meio que em choque ao nos ver, começou a uivar.

— Mas que?... — Estava ainda falando quando ouvi vários passos vindo em nossa direção. De repente quatro homens apareceram.

Provavelmente nossa cara devia estar igual à expressão de espanto que eles estavam fazendo.

— O que vocês?... — Começou a falar um cara que devia ser o mais novo no grupo.

— Hei! Por acaso vocês não estão perdidos há duas semanas? Vocês são da excursão da escola em Forks? É Forks o nome da cidade, não é? — Zombou um deles.

— Isso mesmo! — Falei surpresa ao ser reconhecida. — Onde estamos?

Eles ficaram em silêncio por um segundo.

— Como é? Vocês são de Washington? — Gritou outro ainda. — Puta que pariu! A gente achou o pessoal do ônibus! Mas... Cadê o resto?Eles mo...

— Todos estão bem. — Disse Edward. Ele não tinha certeza, mas a esperança não deixava que ele admitisse que os outros estavam passando por mal bocados. — Nós dois viemos atrás de socorro e os outros estão no ônibus.

— Mas Caracas! Vocês estão muito longe de Forks! E de Spokane também! Vocês nem estão no estado de Washington! — Falou ainda outro.

— Como é? — Indaguei.

— Eu estava brincando quando perguntei se vocês eram da excursão, porque vocês estão em Oregon; estamos cerca de dez milhas da cidade de Summerville!

— Meu Deus! — Exclamou Edward. — E como a gente veio parar aqui?

— E eu é que sei! — Disse um dos homens. — Estou me perguntando a mesma coisa! Vocês estão quase 500 milhas fora da rota!

— Poxa, nem pra eles oferecerem uma recompensa pra achar vocês! — Disse um dos homens, que pelas roupas e pelas armas que seguravam, deviam ser caçadores.

— Mas mesmo assim, será que tinha como dar uma ajuda aqui? — Falou Edward meio de mal humor.

— Claro cara! — Disse um deles nos dando um cantio com água.

— Não quero ser mal agradecida nem nada, mas será que vocês tinham comida por aí? Água não nos faltou, com esse rio aqui do lado.

Um deles então me entregou uma barra de cereal. Tentei comer, mas depois da terceira mordida vomitei tudo que tinha comido.

— Wow! Acho melhor a gente vazar daqui! Olha só o estado dessa garota!

— É que você não viu a perna desse cara! — Disse outro apontando para a perna de Edward.

— Espera. Antes eu posso tirar uma foto de vocês? — Perguntei. Parei de gravar e esperei que eles se juntassem e então tirei a foto dos quatro.

Eles então começaram a nos ajudar a guardar nossas coisas.

—Qual é o nome de vocês? — Perguntei. Tinha que saber o nome dos nossos heróis.

— Meu nome é Michael, esse é o Bryam, esse é o Richard e aquele é o John.

Peguei meu bloquinho de anotações e escrevi seus nomes e as suas características.

Michael, o mais velho de cabelos grisalhos, Bryam que era ruivo, Richard, o mais Novo, e John, um cara muito alto.

— Por que você está anotando nossos nomes? — Perguntou Richard, o mais novo.

— Ah, é que eu pretendo escrever um livro sobre esses dias que ficamos perdidos. Mas se vocês quiserem que eu não revelem seus nomes, tudo bem...

— Não! Que isso! Eu só fiquei curioso.

— E aquela foto que você tirou, também vai pro seu livro? — Perguntou Bryam.

— Vai sim! — Respondi. — Ah! Qual é o nome desse cachorro lindo? — Questionei.

— Max.

— Max! Que lindo! — Tirei uma foto do cachorro, depois tirei uma outra foto de Edward ao meu lado guardando suas coisas enquanto os homens guardavam a barraca.

— E vocês são? — Perguntou John.

— Eu me chamo Edward e essa é a Bella.

— Prazer. Hei, tem um esquilo dentro da barraca de vocês!

— Ah! É o Tico, a gente vai o levar com a gente. — Falei pegando Tico no colo.

Edward me encarou e levantou uma sobrancelha; sua cara estava dizendo "vamos é?". Dei um sorriso e ele sorriu de volta assentindo.

Assim que guardamos tudo saímos andando seguindo a direção que os caçadores nos indicavam.

Richard e Michael estavam levando nossas mochilas, e Bryam e John ajudavam Edward a andar.

Era incrível como num segundo tudo estava voltando aos seus devidos lugares. Nunca tinha pensado nessa possibilidade de caçadores nos encontrarem, sempre imaginava nosso salvamento feito por helicópteros, ou coisa do tipo. Mas como isso poderia acontecer se estávamos a mais de quinhentas milhas fora da rota?

Que feliz coincidência quatro caçadores cruzarem nosso caminho! Graças a Deus eles tinham um cachorro, porque senão eles poderiam ter passado dois metros de nós e não nos termos visto.

Max sim era nosso herói!

Enquanto caminhava ficava pensando como seria reencontrar minha mãe, meu pai, Rose e Alice, Emmett, Jasper... Tanta gente querida que eu estava morrendo de saudade!

E como seria a reação deles? Reneé ia desmaiar, claro, ela sempre desmaia pra tudo! Charlie ia ligeiramente surtar, Rose também!

Ainda estava pensando em como seria voltar pra casa quando minha vista escureceu. Coloquei as mãos na cabeça e parei de andar, sentia como se fosse desmaiar a qualquer segundo.

— Bella, você está bem? — Indagou Edward vindo até mim.

— Estou tonta...

Richard e Michael, que estavam levando as mochilas, começaram a me ajudar a continuar andando.

— Aguenta firme garota, nosso jipe está a menos de vinte minutos daqui. — Disse Richard.

— Tão perto assim? — Questionou Edward.

— Tão perto assim. Se vocês andassem mais um pouquinho tinham achado a estrada. Se bem que vocês não estão em condições de andar nem um metro. — Richard estava certo, nós íamos acabar morrendo a duas milhas da estrada, isso sim.

Aqueles vinte minutos de caminhada pareceram uma eternidade pra mim, e quando enfim chegamos até o jipe quase desmaiei de felicidade.

Andamos por uma estrada de terra mais uns vinte minutos, até que chegamos a um hospital.

— Richard, por favor. Você faria um imenso favor pra mim? — Perguntei.

— Claro, é só falar.

— Ligue pra esse numero aqui. — Escrevi o numero de casa numa folha. — Fale com o Charlie, meu pai, se minha mãe atender fale que precisa falar com o Charlie, ouviu? Só com o Charlie.

— Okay... Se você não quer que eu fale com sua mãe, tudo bem...

— Não, não é isso... É que ela vai passar mal. Liga pro Charlie e fala que a Isabella Swan e o Edward Cullen foram achados, e diga a nossa localização. — Escrevi meu nome e de Edward no papel. — Diga que o ônibus da excursão não deve estar muito longe de onde fomos encontrados. Você faz isso por mim?

— Claro, claro, agora mesmo!

— Muito. Obrigada. Mesmo!

Quando pensei que não estavam me levando de maca pra algum lugar, e de repente tudo ficou escuro.

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01:00 PM

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Acordei num salto. Onde estava Edward? Eu nem tinha o visto desde que tinha chegado ao hospital. Será que Richard tinha feito o que eu tinha pedido?E Tico, onde estava?

Olhei pros lados e reconheci a pessoa que estava sentada ao meu lado.

— Mamãe?

Reneé se mexer devagar, e quando me viu sentada praticamente pulou em cima de mim.

— Ahh queridaa! Como é bom te ver! — Reneé mal me viu e começou a chorar loucamente.

— É muito bom te ver também! Onde está o Edward?

— Na sala ao lado, ele está bem. Graças a Deus a perna dele está bem, colocaram o osso no lugar, mas o pobrezinho vai ficar um bom tempo de gesso.

— E o pessoal do ônibus?

— Todos foram achados, e a maioria está bem. Alice está grávida Bella! Meu Deus, ela quase perdeu o bebê, mas os médicos disseram que agora os dois não correm mais perigo de vida, contudo vão passar mais alguns dias na UTI. Jasper está internado, teve hemorragia interna, ele está muito mal, coitadinho.

Senti lágrimas caindo dos olhos.

— Ah! — Continuou Reneé. —Aqueles caçadores que acharam vocês estão lá fora, disseram que iam esperar saber que vocês estavam bem antes de irem. E tem um esquilo com eles que disseram que é seu.

— O Tico! É meu sim. Pode dizer a eles que está tudo bem e ficar com o Tico pra mim? E poderia chamar o papai, por favor?

— Claro querida. — Reneé beijou minha testa e saiu da sala. — Eu volto daqui a cinco minutos!

Uns minutos depois Charlie chegou. Ele não disse nada ao meu ver, simplesmente atravessou a sala e me abraçou.

— Senti muito a sua falta. — Falei a ele.

— Eu também filha. Muita gente sentiu a falta de vocês todos. Aliás, a Rosalie está lá fora implorando pra te ver.

— Ela está aqui? E o Emmett? E onde estamos afinal?

— Ele também está aqui, estamos no hospital de Summerville, Oregon. Mas se tudo der certo você terá alta daqui dois dias junto com Alice, e Edward e Jasper vão ser transferidos pra um hospital de Seattle.

— Ah, isso é muito bom! Quando vou poder vê-los?

— Vou falar com seus médicos e pedir pra que você os veja ainda hoje. Vou chamar a Rosalie agora, tudo bem?

— Tudo bem. E pai... Obrigado por não ter deixado a mamãe surtar.

Charlie deu um meio sorriso e saiu da sala. Cinco minutos depois Rosalie apareceu.

— Bella! Ai que saudade de você! Como você tá?

— To bem Rose, me sentindo muito melhor.

— E como foi estar lá? Meu Deus, eu acho que não sobreviveria um dia no meio do mato!

— Isso é o que você pensa! Quando chega na hora você arranja forças do além pra se manter vivo. Por acaso você viu meu esquilo?

— Vi sim, ele é uma gracinha! Já tem nome?

— Tico.

— Tico? Do Tico e Téco?

— Sim, eu tinha adotado outro esquilo que se chamava Téco... Pena que eu não tenho foto dele... Em falar em foto, Rose, vou te pedir um favor!

— Pode falar...

— Na minha mochila tem minha máquina, tirei algumas fotos da gente enquanto estávamos perdidos. Tinha como você vender algumas, umas três ou quatro, pra algum jornal? E aproveita e já divulga que eu vou escrever um livro sobre o acidente.

— Sério? Que legal! Tem alguns repórteres na porta do hospital, vou falar com eles já!

— Você é a melhor Rose!

— Você que é!

Rose saiu do quarto e dessa vez fiquei sozinha. Mal via a hora de sair logo daquele hospital e ver Edward, Alice e Jasper.

Mal via a hora de ir pra casa.

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Heey! Olha só quem apareceu!

Mil desculpas meninas, eu sumi, eu sei... É que esse final de semestre eu fiquei com muita coisa pra fazer, e não tive tempo nenhum de escrever! Sorry!

Mas cá estou eu atualizando a fic!

Espero que tenham gostado, e não, ESSE NÃO É O ULTIMO CAPÍTULO, mesmo porque ainda tem algumas coisas pra resolver... =D

Por favor me mandem review (super carente de reviews)!

S2

Prometo que postarei o próximo rápido!

Beijoos! :*