Disclaimer: I do not own Relic Hunter – Relic Hunter e suas personagens pertencem a Fireworks Entertainment. Esta fic não possui fins lucrativos.
Summary: Nigel narra a busca de Sidney por uma relíquia que pode mudar o destino, a pedido de um amigo de longa data. O novo rumo dos acontecimentos trazido pela relíquia trará um futuro melhor ou pior para todos?
Caminhos errados
28. Dia número zero (última parte)
...
... Nada...
... Nem sombra, nem luz. Não há sequer escuridão. Apenas a ausência de qualquer coisa, a ausência até de mim mesmo. O que está acontecendo? Há quanto tempo estou assim?
Um som ecoa ao redor. Que estranho, é alguém chorando... Soa muito, muito triste. Esta voz me envolve e é nostálgica; pertence a alguém importante. "Desfaça..." diz ela. "Desfaça o que eu pedi!" Um calor me invade ao ouvir estas palavras, começa em minha mão e espalha-se pelo resto de mim. Esta sensação é boa, lembra-me de como era... existir...
"Desfaça o que eu e Josh causamos!" Implora a voz desesperada, mais uma vez. O calor flui pelo que deve ser o meu corpo e irradia-se ao meu redor: instantaneamente, eu não estou mais no meio do nada. O ambiente que passo a enxergar agora é um cemitério... Eu estou morto? Eu morri? Por isso a mulher à minha frente chora olhando para a lápide no meio das pessoas vestidas de preto?
Está chovendo, ela está de costas para mim, mas eu sei que ela chora. "Eu o quero de volta!" A mulher soluça em meio à chuva. É a mesma voz, é o mesmo desespero. Eu a conheço, eu... a amo.
"Não chore, Syd", meus lábios pronunciam em meio às gotas de chuva e ao perfume leve de jasmim. Estico o braço para tocar de leve no ombro da mulher. Ela para de se mover com o meu toque, mas não olha para mim.
"Desfaça..." Sua voz implora novamente. Um clarão surge de todos os lugares e começa a cegar-me, antes que eu consiga ver os rostos das outras pessoas e ler o nome que está na lápide.
O calor que me tomava começa a diminuir, e sinto-me cansado como há muito tempo não sentia. Não me sentia tão cansado sequer no... tratamento... Qual tratamento? Do que eu estou falando? O que está... acontecendo?...
...
•••
Tudo está escuro. Ao olhar em volta, minha visão demora a acostumar-se com a penumbra. O cheiro de oliveiras invade meus sentidos quando uma brisa toca meu rosto, há também o barulho de um riacho próximo e o céu estrelado acima de mim. A lua cheia surge de trás de uma nuvem, revelando o que estava escondido nas trevas: é o meio de uma floresta. Eu não estou sozinho, há outra pessoa aqui, de pé: é Sydney.
Eu estou com ela... não, eu estou sonhando. Está confuso, ela não me vê, deve ser um sonho. A caçadora parece nervosa e olha à sua volta; em suas mãos está um vaso de cerâmica. Ela segura o pequeno artefato cuidadosamente, trazendo-o mais para perto de si. Aquela era uma relíquia, eu sabia. Mas este objeto deveria estar em uma caverna, não deveria?...
Por entre as árvores e arbustos, algo chama a atenção da mulher. Sydney caminha até os ramos, e adiante parece haver uma pequena claridade; talvez uma fogueira. Ela fita o local por mais um segundo e coloca o vaso debaixo de seu braço, começando a andar em direção à luminosidade. Eu sigo seus passos de alguma forma, ainda anônimo à mulher.
A brisa sopra novamente, e um detalhe que havia me escapado torna-se claro com a luz do luar: há lágrimas no rosto dela, que se secam ao encontrarem o vento fresco. Eu... nunca a havia visto chorar. Por que ela está assim? O que aconteceu com ela?
Sydney abre caminho entre os galhos e alcança uma pequena clareira. Há uma fogueira acesa, cuidadosamente preparada, próxima a uma barraca. A mulher olha em volta, mas não vê ninguém - eu continuo observando-a no sonho como se eu não estivesse ali. Há claridade no interior da tenda azul claro, no entanto, e Sydney aproxima-se mais. Ela para por um instante, encarando ao longe algo cravado ao tronco retorcido de uma oliveira: é uma faca. É a sua faca, sei que ela pertence a Sydney. Este acampamento é familiar...
A morena vira-se bruscamente para a barraca e hesita um instante, mas respira fundo e completa a pequena distância até a entrada. Ela alcança o fecho da abertura da tenda com mãos trêmulas e silenciosamente abre o zíper. Ela ajeita a relíquia debaixo de seu braço e entra...
...Abri os olhos, alguém estava tocando o meu rosto e interrompendo meu sonho. Ajeitei-me sobre o saco de dormir antes que caísse e derrubasse o computador em meu colo. Que sonho estranho! Olhei para o lado, esfregando os olhos: Sydney estava ajoelhada ali. A luz do lampião preso ao centro da barraca, no alto, era fraca, mas o rosto dela estava reluzindo onde só poderiam ser lágrimas. Eram iguais às do sonho. "Syd, o que houve?"
Ela não disse nada, apenas recolheu a mão com a qual havia tocado meu rosto e continuou olhando para mim como se estivesse vendo algo inacreditável. Eu larguei o computador. "O que foi? Por que está chorando?" Apoiei uma das mãos no chão da barraca e vi um vaso de cerâmica caído na frente da morena; franzi o cenho. Era exatamente igual ao alabastro com que acabara de sonhar. "Essa é a relíquia? Você me prometeu que não iria resgatá-la sozinha, Syd!" E a encarei gravemente.
Ela se jogou sobre mim abraçando-me com tanta força que chegou a tirar meu fôlego. "Funcionou! Você tinha razão! Josh disse que não funcionaria, mas você acionou o alabastro e eu fiz o pedido! Você está aqui!" Sydney enlaçou-me ao redor do pescoço e afundou o rosto em meu ombro; eu fiquei sem reação por alguns segundos, então ela começou a soluçar. Ela estava chorando! Eu senti suas lágrimas umedecerem a minha camisa.
Pus os braços ao redor da amiga; afaguei suas costas com uma das mãos e pousei de leve a outra sobre sua cabeça. "Tudo bem. Vai ficar tudo bem, Syd. Não chore." Não entendi por que ela estava daquela maneira; ela parecia não conseguir se controlar e me apertou mais e mais contra si. Continuei afagando suas costas tentando acalmá-la. Nunca vira Sydney agir daquela forma.
"Deus, obrigada... obrigada!" Ela repetiu por várias vezes. Continuei sem entender o que se passava com a caçadora, ainda enlaçado por ela. Aos poucos, suas lágrimas diminuíram, e Sydney começou a se afastar bem devagar. Mas ela não tirou os braços de onde estavam, ao redor de meu pescoço.
Eu virei o rosto de leve para encará-la, e a intensidade do seu olhar fez-me paralisar. Eu não pude me mover, apenas admirei algo que nunca havia visto nos olhos da caçadora, intrigado. Nossas faces estavam muito próximas, pois continuávamos abraçados um ao outro, e eu estava hipnotizado pelo seu olhar: ela não estava apenas me olhando, ela me estava enxergando. Ela me via pela primeira vez, não como seu amigo ou assistente, mas como um homem. Ela via Nigel Bailey.
Sydney permaneceu à minha frente e então começou a aproximar o rosto graciosamente. Ela entreabriu os lábios, e dei-me conta do que estava para acontecer: ela iria me beijar. A mulher movimentou um dos braços e pousou a mão em minha nuca, sempre me olhando nos olhos. Eu não protestei e observei-a tão próxima, tão linda. Sydney diminuiu mais ainda a distância e sua boca roçou levemente sobre a minha. Eu fechei os olhos e senti o perfume dela, seus cabelos macios em meus dedos, seus braços ao meu redor. Abri os olhos e avancei em direção a ela, cobrindo a boca de Sydney com a minha. De onde vinha aquilo? Desde quando eu sentia aquela atração incontrolável pela mulher à minha frente? Desde quando ela se aproximava de mim daquela forma e me permitia tomá-la como eu estava fazendo?
Vi Sydney fechar os olhos e entregar-se àquele momento – a mim. Enlacei-a mais forte e apertei-a ao máximo sem interromper o beijo. Eu trouxe uma das mãos para acariciar o rosto dela, e então senti a ponta de meus dedos umedecerem com as novas lágrimas que escorriam pela sua face. Diminuí a intensidade do beijo e abracei-a com carinho, voltando a afagar seus cabelos, até que nos apartamos. "Vai ficar tudo bem, Syd", sussurrei, e continuamos abraçados daquela forma por muito tempo.
Sydney aconchegou-se melhor em meus braços e, depois de vários minutos, pareceu cair em um sono profundo. Comecei a soltá-la para que ela deitasse sobre o saco de dormir, mas Sydney estava agarrada ao tecido de minha camisa e não me libertou. Afastei uma mecha de cabelos dos olhos dela; as lágrimas em seu rosto já haviam secado. Eu a observei por vários instantes. "O que está fazendo comigo, Syd?" Murmurei, passando as costas da mão amavelmente sobre o seu rosto, agora tranquilo. Sydney sorriu, ainda dormindo. Eu suspirei e abracei-a novamente, ajeitando-me sobre o saco de dormir junto dela.
"Noite, Nige." Ela disse baixinho, ajeitando o rosto na curva de meu pescoço.
Sorri. "Boa noite, Syd." Deitei a cabeça e olhei para o lado; vi a relíquia no chão e meu sorriso desapareceu. Aquele era o motivo de estarmos ali: Josh.
•••
Continua
N.A.: Yahoooooooooooooooooo! Nigel is back!
Cris, meu amor! Eu fiquei triste com o capítulo anterior também, sniff, obrigada pelo review lindo! Afilhada do meu coração, te amo!
Neila! Obrigada pelo apoio, minha gatíssima!
Steamboat, love you, my precious!
