N/A: Eu realmente pensei que nunca atualizaria este Fanfic, mas cá estou com a ESPERANÇA de que alguém ainda acompanhe essa trama ;)

E, finalmente, o penúltimo capítulo!


A cada desilusão, um novo saber

--Por FranHyuuga--

"Morrendo em vida"

Capítulo 28

Cinco horas haviam se passado desde que Hinata desmaiara. Neji mantinha-se sentado ao lado do leito da primogênita, ignorando o cansaço que começava a dominá-lo por completo.

Vê-la daquela forma, adormecida, deixava-o aliviado. Compreendia que as coisas se tornariam ainda mais complicadas assim que a prima acordasse, o que o fazia desejar internamente que ela se mantivesse daquela maneira por mais tempo.

O clã já havia iniciado sua restauração, colocando em sacos pretos os corpos dos shinobis mortos em combate, evitando comentários do quanto tudo aquilo era triste e sem sentido. Era uma pena que, com olhos tão habilidosos, os Hyuuga's fossem tão ironicamente cegos. Não encaravam seus próprios problemas abertamente, deixando-os alcançar um limite perigoso.

Um gemido rouco escapou por entre os lábios de Hinata e os olhos perolados do gênio Hyuuga pousaram sobre ela com expectativa e receio. Lentamente as pálpebras se abriram e o teto branco começou a tornar-se visível para a herdeira. Ela reconheceu seu quarto e suspirou, enquanto as lembranças dolorosas invadiam a mente cansada.

- Hinata-sama... – Neji chamou-a em tom baixo, com medo de assustá-la com sua presença.

O corpo feminino enrijeceu com o tom cálido da voz do primo e Hinata precisou reunir coragem para encará-lo.

"Deixe-o livre... para ser o líder... que é!", as palavras de seu pai, sussurradas ao seu ouvido, retornaram tão vivazes como se ele ainda estivesse ali, com ela. Dizendo-lhe o quanto devia ser forte para deixar Neji seguir seu caminho, para abandoná-lo quando o momento chegasse.

Sem permitir-se olhar Neji, ela sentou-se sobre a cama, sentindo as lágrimas invadirem seus orbes e derramarem por sobre a face de mármore. O pranto dominou-a com fulgor! Uma tristeza tão grande que parecia apertar seu coração, impedindo-o de se libertar das amarras daquelas lembranças. A dor de perder seu pai não se comparava à dor de reconhecer que ele tinha razão em fazê-la prometer o que havia prometido. Ele tinha razão em temer o que seria do clã Hyuuga quando ela se tornasse líder. Uma fraca! Inútil e sensível demais para controlar aquele Conselho atroz com o a autoridade que Neji possuía.

Sentiu braços protetores envolverem seus ombros, puxando-a de encontro ao peito firme e quente de Neji. O jovem sofria ao ver como a primogênita estava abalada. Não havia o que ele pudesse fazer para reduzir sua dor, não haviam palavras para confortá-la. Mas ele poderia mostrar que estava ali, ao seu lado, a qualquer momento que ela desejasse. Hinata deixou-se embalar pelo conforto que sentia nos braços do primo, aconchegando-se ao calor de seu corpo enquanto as lágrimas ainda abandonavam seus orbes. Era terrível sequer considerar que viveria longe daqueles braços acolhedores, longe do carinho das mãos masculinas que deslizavam cálidas em seus cabelos.

Cerrou os olhos recordando-se da face pálida de seu pai no leito de morte, mantendo os perolados fixos nos seus, dizendo de forma silenciosa que ela não poderia esquecer aquela promessa. O sangue rubro sobre os lábios sem cor, os cabelos – sempre tão impecavelmente sedosos – emaranhados sobre o lençol da maca do Hospital e o rosto de traços fortes inexpressivo, como se apenas aguardasse a morte buscá-lo. Hiashi morrera com a certeza de que a filha o obedeceria. Ele morrera com a certeza de que o clã Hyuuga teria Neji como líder principal, sem que o amor da primogênita o atrapalhasse. Ela devia obediência ao seu pai, porque reconhecia que acima da felicidade estava a ordem do clã. Acima dela, a herdeira, estava o reconhecimento do clã Hyuuga como o mais forte de Konoha.

Com todas as forças que conseguiu reunir, Hinata afastou os braços de Neji. Ela não o fitou, porque era cedo demais para ser capaz de fazê-lo. Ela não suportaria ler a confusão nos orbes perolados do primo, observando-a com aquela adorável preocupação. Os movimentos eram contidos e lentos quando ela se levantou, um pouco cambaleante pela fraqueza. Secou as lágrimas com as mãos delicadas e de costas a Neji sua voz soou baixa:

- Saia. – Uma ordem, expressada com certo desespero.

Neji encarou a prima, sem saber se devia obedecê-la. Os cabelos negro-azulados caíam como cascata e os olhos bem treinados do gênio Hyuuga captaram o leve tremor do corpo feminino. Talvez Hinata apenas precisasse de um tempo para se recuperar. Talvez não estivesse pronta para ver ninguém que a fizesse lembrar de tudo o que o clã havia sofrido durante as últimas horas.

- Mandarei alguém trazer algo para você comer. – Afirmou resoluto, sem espaços para discussões. Levantando-se com toda a altivez de seus movimentos, abandonou o quarto, prometendo silenciosamente a si mesmo que mataria quem a fizesse sofrer daquela maneira uma vez mais. Mataria qualquer pessoa – Conselheiro ou não – que maculasse o coração puro de sua prima.


- Hina-nee-chan, você já está pronta? – A voz de Hanabi soou do outro lado da porta.

Hinata encarou-se no espelho de seu quarto, infeliz por ver sua imagem com as vestes negras do luto. Já era um novo dia desde que vira Neji e a primogênita manteve-se no quarto, longe dos comentários sobre seu pai, preocupada com a irmã mais nova que já estava bem, firme e forte, após o golpe que recebera do falecido Hyo.

Diversas vezes no dia anterior ouvia a voz imperiosa de Neji, soando com firmeza enquanto ordenava os demais Hyuuga's durante a restauração do clã. Sentia-se orgulhosa do primo, reconhecendo que devia ser ela quem estivesse lá, ignorando o incômodo aperto no peito para atuar como a líder que em breve seria.

Mas estava realmente difícil manter-se em pé. Sua vontade era de permanecer distante de todos, solitária no casulo de seu quarto, concentrando esforços em esquecer as lembranças dolorosas. Suspirou, observando as olheiras sob os perolados opacos. Caminhou até a porta do quarto e abriu-a, deixando-se envolver por um abraço caloroso de Hanabi.

A irmã sabia quão difícil era para o coração sensível de Hinata aguentar a experiência de ver a morte de seu pai. Hanabi era forte e já sentira o impacto da perda do "poderoso" Hiashi, imaginava que Hinata estivesse sofrendo mais.

- Vamos, Hanabi. – A voz de soprano afirmou e Hanabi sorriu por ouvi-la. Depois de saber da verdade sobre sua mãe, a pequena Hyuuga reconheceu o quanto Hinata era bondosa por continuar amando-a como se fosse, de fato, uma Souke.

Hanabi se orgulhava de Hinata pelo coração de ouro que possuía. Sendo a filha mais nova de Hiashi, nunca fizera questão de pensar sobre a divisão familiar entre Souke e Bouke até que descobrira que Yumi era sua mãe. Não sabia em que implicava ser um Bouke, mas flagrou-se refletindo sobre isso após a tragédia do clã. Devia ser doloroso pertencer à família ramificada. Hanabi não saberia como viver longe de Hinata, sem poder abraçá-la e sentir-se protegida.

A cerimônia para o enterro de Hiashi, Hyo e os demais Hyuuga's que morreram ao lutar seria realizada no interior do clã, em seu cemitério particular. Quando a herdeira chegou, com a mão delicada envolvida com a de Hanabi, muitos Hyuuga's abriram espaço para que passasse. Alguns a reverenciaram, surpresos por vê-la caminhar com os olhos fixos à frente, sem demonstrar nos traços bonitos a tristeza que a dominava. Os olhos, no entanto, denunciavam o profundo pesar que seu coração carregava.

Hinata estava exercendo um intenso controle interno, ciente de que esta seria a despedida de seu pai. Era um momento importante para todo o clã Hyuuga, pois a partir daquela cerimônia, tendo o caixão do líder Souke escondido sob a terra, haveria o início da preocupação com a próxima autoridade e, especialmente, com os planos da Bouke que agora detinha o poder de extrair o selo amaldiçoado.

Os perolados de Hinata acompanharam os passos vagarosos do monge que se aproximava dos caixões. Suas vestes eram vermelhas e seu rosto envelhecido. A herdeira sentiu alguém parar ao seu lado, mas não ousou dirigir-lhe a atenção. Ela sabia, pelo perfume amadeirado que o vento trazia às suas narinas, que era Neji. Ela sabia que somente ele tomaria aquele lugar de forma tão obstinada, com a postura de um verdadeiro líder à frente de seu povo.

O incenso foi aceso e as homenagens foram concedidas, mas a herdeira parecia não acompanhar. Ela observava fixamente o caixão de seu pai ser depositado na cova, imaginando que devia ser forte como ele era, sentindo que parte de si mesma era enterrada com ele; a parte responsável pela menina doce e meiga, que fazia a todos duvidarem de suas capacidades como a kunoichi que era. Ela permitiu que Hiashi levasse consigo o excesso de sua bondade e o medo que sentia quando precisava encarar uma grande responsabilidade. Parte de si morreu com seu pai. Uma parte que fazia todos a verem como fraca.

A cada quantidade de terra jogada sobre o caixão, Hinata enterrava em si mesma o que não a deixaria crescer. Ela selava uma promessa silenciosa de que nunca mais seria a garota inútil que não foi capaz de proteger seu próprio pai.

Neji a observava com certa preocupação, surpreso com a falta de lágrimas da herdeira. Mas a determinação que parecia emanar dela era ainda mais surpreendente.

Ao fim da cerimônia, os Hyuuga's retornaram aos seus afazeres para restaurar o clã, deixando somente Hanabi, Hinata, Neji, Hitoshi e os demais conselheiros. Eles sabiam o que viria a seguir. A reunião que decidiria o futuro líder Hyuuga e determinaria o que aconteceria com os anos da tradição de selamento dos Bouke's.


Os cabelos rosáceos estavam desalinhados e as mãos do namorado se perdiam sob o vestido que trajava. Era o dia de folga de Sakura e ela o aproveitava ao máximo sentindo o ar faltar aos pulmões enquanto Naruto descia uma trilha de beijos molhados em seu pescoço.

- S-Sakura...chan... – Balbuciava a voz rouca do loiro, ainda confusa pela ousadia da Haruno que fez questão de encontrá-lo logo cedo.

Um gemido feminino escapou pelos lábios rosados e inchados, demonstrando o prazer que sentia ao ter as mãos fortes envolvendo-a ainda mais, como se quisessem tornar o contato mais íntimo e intenso.

- Eu... estou... confuso... – Naruto tentava coordenar os pensamentos enquanto as mãos continuavam a acariciar a pele sedosa da namorada. Ela o envolveu com as pernas, deixando-o ainda mais vidrado com os movimentos sensuais que o estimulavam.

- Continue... sem entender, Naruto! – Sakura ordenou com a voz entrecortada, gemendo contra o ouvido do namorado ao sentir o corpo ser pressionado contra a parede da sala.

Os beijos eram lascivos e molhados, enquanto as mãos demonstravam a impaciência que sentiam em terem as vestes atrapalhando o contato. As mãos femininas tentavam debilmente abrir o zíper da jaqueta alaranjada, mas os lábios não se distanciavam mesmo com a urgência do gesto.

Não era a primeira vez que estavam naquela situação, mas era a primeira que o fariam à luz de uma manhã nublada, na qual Sakura não precisaria trabalhar. Ela arfou quando Naruto agarrou as laterais de sua calcinha e pressionou o quadril fazendo-a sentir sua ereção contra seu ventre... Aquilo a levaria à loucura!

As mãos puxaram o zíper mais uma vez, mas teimosamente ele não se movia. "Maldito zíper!", ela pensava, movendo-se afoita para tirar aquela estúpida jaqueta laranja. O loiro interrompeu o beijo e os olhos azuis fitaram as esmeraldas com malícia enquanto um sorriso genuinamente "Naruto" moldava os lábios masculinos.

- Ne, Sakura-chan, perdeu a prática, dattebayo? – Sakura permitiu-se gravar em memória os traços bonitos do namorado, esforçando-se para não sorrir com aquelas palavras tão travessas. Era fácil deixar-se contagiar pelo bom humor daquele loiro pateta, mesmo que ele a estivesse provocando. Mas, ela era a Sakura afinal. E tinha uma reputação a zelar.

- Eu vou te mostrar que não perdi prática nenhuma! – Ela expressou sensualmente, movendo-se para que ele a largasse no chão. Naruto era um pouco mais alto apenas, o suficiente para que ela pudesse se aproximar e lamber o lóbulo de sua orelha. O corpo masculino retesou com a proximidade e Sakura precisou conter as mãos do namorado para não ser agarrada novamente.

- Mostre! – A voz rouca provocou uma vez mais e a rosada sorriu satisfeita.

Agarrando o zíper com gentileza, ela o puxou agressivamente para baixo, abrindo a jaqueta de forma repentina, tirando-a para que o corpo masculino ficasse somente com a velha camiseta preta. As safiras demonstraram surpresa, mas não houve tempo para outra reação. As mãos aparentemente frágeis empurraram o corpo masculino em direção à cama e o loiro obedeceu deixando-se cair deitado sobre o colchão.

Ela retirou o vestido, lentamente, deixando as longas e bem torneadas pernas expostas aos olhos cobiçosos do loiro. A calcinha rosa deixava-a delicada e Naruto sorriu por sempre tê-la imaginado com aquela cor. Quando o abdômen reto e os seios pequenos foram desprovidos daquela roupa que os incomodava, ela avançou como um felino, sentando-se sobre o quadril do Uzumaki, rebolando um pouco no processo.

A voz rouca gemeu e, então, outra voz grave anunciou:

- A Godaime solicita a presença de Haruno Sakura. – O casal encarou o Anbu sentado na janela e mentalmente agradeceu a Kami pela maldita máscara que ele usava. O recado foi tão breve quanto a presença daquela figura intrometida que ao desaparecer levou o "clima de preliminares" consigo.

- Eu preciso ir, Naruto! – Sakura levantou-se repidamente, visivelmente constrangida pelo flagrante. Aqueles Anbu's não tinham a mínima decência de bater na porta!

- Mas, Sakura-chan!!! É seu dia de folga! – Naruto gritou vendo-a recolocar o vestido e seguindo-a até a porta.

- Somos ninjas, Naruto! – Ela afirmou, resoluta, e voltou-se para ele, dando-lhe um beijo simples sobre os lábios.

Antes que pudesse sair, no entanto, ele a segurou novamente, aprofundando o beijo, surpreendendo-a com o desejo que ele ainda demonstrava.

- Ao menos me fale por que tudo isso! – Ele pediu quando se separaram.

- Ontem à noite você me deixou esperando, lembra? – Ela suspirou. – Eu fiquei orgulhosa quando soube que você ajudou a Shishou, mesmo sem ser chamado.

- Eu pensei que você tinha ficado brava... – A voz era aliviada e os dentes brilhantes foram expostos em um sorriso alegre. Sakura sorriu também.

- Mas na próxima vez que não me avisar, eu te parto em dois! – E um soco foi dado sobre os fios dourados.

Antes que Naruto pudesse dizer qualquer coisa, a porta já havia sido fechada.

- Ela continua a mesma... – Expressou consigo mesmo, feliz por ter quem amava ao seu lado.


- Isso é um insulto! – Tojon, o conselheiro Hyuuga, gritou exaltado. – Hyo morreu para garantir que nosso clã teria um futuro digno e agora... – As palavras foram sumindo enquanto a cólera nos orbes perolados fixaram-se sobre a figura da herdeira. – Agora só podemos contar com uma menina. – Completou desgostoso, dizendo a última palavra como se anunciasse uma desonra.

- Vocês não têm o direito de exigir que a herdeira assuma a liderança somente aos 18 anos. – Retorquiu Hitoshi, a voz severa. – As coisas não são como antes.

- É claro que não são como antes. – Outro conselheiro interviu com a voz inflamada. – Temos inúmeros Bouke's sem o selo amaldiçoado! Quem preservará nossa linhagem?

- Todos preservaremos! – Neji afirmou, a convicção impressa em cada palavra. – Somos tão Hyuuga's quanto vocês.

O silêncio invadiu a sala como um predador atroz. Hinata estava cansada daquelas discussões infundadas. Era claro que ninguém a queria como líder do clã e Neji, o melhor shinobi Hyuuga que havia, era – aos olhos do Conselho – um Bouke. Sem o selo amaldiçoado sua presença os deixava ameaçados.

- Não podemos esquecer a nossa história. – Tojon afirmou. – A família ramificada existe para manter o segredo de nossa Kekkei Genkai nos períodos de grandes guerras no mundo shinobi. Desde que nos fixamos em Konoha, mantivemos a tradição do selamento, mas aparentemente os Bouke's esqueceram sua função.

Uma crítica. Hitoshi remexeu-se sobre o assento, incomodado com o relato histórico de Tojon. Ele estava parcialmente correto. No entanto, esquecia do mais importante:

- Os Bouke's não esqueceram sua função. – A voz suave como uma flauta doce expressou com firmeza e os olhos de todos fitaram a jovem herdeira. – A função foi extinta pela própria história de nosso clã.

- Hinata-sama, eu devo discordar e...

- Eu não terminei, Tojon-san. – Hinata interrompeu, surpresa consigo mesma pela ausência da gagueira. Surpresa com sua própria capacidade. Apesar da postura altiva, era difícil manter os olhos fixos sobre as pérolas agressivas dos conselheiros. – Desde que o clã Hyuuga passou a representar Konoha, não houve necessidade de mantermos nossas tradições tão inflexíveis.

Novamente, o silêncio era opressor. Era fato que a partir do momento em que o clã Hyuuga fixou morada em Konoha, a própria Vila os defenderia. Além de Hyuuga's, eram – acima de tudo – shinobis do País do Fogo.

- E o que esperam que o Conselho faça? – Tojon gritou, espalmando a mão grande sobre a mesa. – Mude todas as nossas regras?

- Nesse momento, queremos apenas que Hinata-sama assuma a liderança e case-se com Neji-sama, como era o desejo de Hyuuga Hiashi. – Hitoshi afirmou com a voz cansada.

- Agora que os Bouke's possuem o segredo do selo amaldiçoado, não há por que Hinata e Neji não se casarem, não é? – Hanabi questionou, ciente de que a pergunta não era tão inocente quanto aparentava.

- Menina insolente, você nem devia estar aqui. – Um conselheiro interviu irritado. – Se Hyo-sama estivesse nesta reunião...

- Hyo está morto! – A voz de Neji era frívola. – E, apesar da idade, Hanabi está certa.

- Você está se divertindo com isso, Neji? – Tojon questionou em tom frio. – Você deseja a liderança para quê? Vai acabar com tudo o que construímos!?

- Ora seu...

- Neji. – Hinata interrompeu e todos a fitaram. – Não é necessário que você esclareça a ninguém nesta sala quais são suas intenções. Meu Otoo-san confiava em você. Ele o elegeu para se casar comigo. – A voz era quase sussurrada, mas as palavras detinham uma convicção inquestionável. – E isso basta.

A dor de Hinata estava fixada nos perolados opacos, mas ela se manteve firme, pronta para defender o último pedido de seu pai.

- Hitoshi-sama está certo. – Ela continuou e lentamente levantou-se da cadeira, disposta a acabar com aquilo. – As coisas mudaram. – Seus olhos fitaram os conselheiros, expressando mudamente que não toleraria ser contestada. – Se Otoo-san estivesse vivo, eu poderia aguardar até os 18 anos. Mas o clã está sem um líder e isso nem o Conselho será capaz de oferecer.

Hinata caminhou até a porta da sala, permanecendo de costas às pessoas reunidas ao redor da mesa. Ela precisava garantir-se como líder do clã Hyuuga se quisesse cumprir a promessa que fez ao seu pai. Ela devia isso a ele.

- Eu sei por que o Conselho duvida de minha capacidade. – A afirmativa surpreendeu a todos e Neji encarou a silhueta feminina da prima, satisfeito com a força que ela demonstrava. – Minhas habilidades como kunoichi nunca agradaram ao meu Otoo-san. – Um sorriso melancólico delineou-se nos lábios da herdeira, mas ninguém podia vê-lo. Ela falava a si mesma, lembrando-se de seu passado. – Aos seus olhos eu sempre fui um fracasso. Mas, eu sou justa e sei reconhecer meus próprios limites. Eu amo meu clã o suficiente para dizer a vocês que vou mantê-lo seguro com minha própria vida. – E lentamente a herdeira virou-se para Neji, fitando-o longamente. – Com a força e sobriedade de Neji, e minha fidelidade ao clã, tenho certeza de que teremos um futuro próspero.

Tojon engoliu em seco, certo de que a menina Hyuuga havia crescido. Seria morte do pai que a fizera se desenvolver assim? Com apenas 16 anos, ela seria realmente capaz de cumprir o que estava dizendo? Os conselheiros o fitavam à procura de instruções sobre como agir diante da revelação da jovem herdeira. Desde a queda do poderoso Hyo, quem assumiu a liderança informal frente ao Conselho era Tojon. E apesar de tudo, ele não desejava que Hiashi ou Hyo morressem. Ele não esperava que tudo chegasse ao limite que chegou!

- Tojon-sama...? – Um dos conselheiros balbuciou, aguardando alguma reação.

- Você está certa disto, Hinata-sama? – Tojon questionou, observando cada resquício de insegurança naquele corpo frágil.

- Eu nunca volto atrás em minha palavra. – E com uma pequena reverência, ela curvou-se. – Este é o meu Nindo [N/A: Jeito ninja].

Neji observou Hinata com admiração. Ela realmente havia se transformado em uma mulher determinada, sem no entanto abandonar a delicadeza de seus gestos. O que o assustava e deixava alerta era a melancolia de seus olhos, era a tristeza que parecia presa neles. E mesmo quando Tojon sorriu minimamente, levantando-se e aceitando a união matrimonial entre a herdeira Souke e o gênio Bouke, aquela tristeza não diminuiu.

- Teremos que agendar outra reunião para estabelecer as novas regras do clã em relação às ramificações primária e secundária. – Tojon determinou, estendendo a mão a Hitoshi em sinal de paz.

- Concordo ser necessário. – O líder Bouke envolveu a mão do conselheiro selando a trégua.

- Há mais uma coisa que venho pedir. – A voz se soprano envolveu o ambiente novamente e olhos recaíram sobre a figura de Hinata. – É meu desejo que este casamento seja realizado o quanto antes.

Neji observou preocupadamente os olhos perolados da prima o evitarem e ele sentiu seu estômago afundar-se no corpo com o sentimento de que havia algo errado. Esse pedido da herdeira significava que ela não havia esquecido seu plano de fuga? Mesmo com seu pai morto e a aceitação do Conselho em relação ao matrimônio, ela ainda mantinha essa ideia fixa?

- Você concorda, Neji-sama? – Hitoshi questionou, fazendo questão de incluí-lo nas decisões sobre o matrimônio.

- Se é o desejo de Hinata-sama... – A voz profunda de Neji afirmou, mas a prima não o fitou.

- Ótimo, realizaremos o casamento daqui a 2 dias, quando o jardim do clã estiver ao menos um pouco habitável. – Tojon concluiu, suspirando. Não tinha total certeza se estava fazendo o que era certo, mas lembrar-se dos shinobis mortos dentro dos domínios do clã o deixava um pouco mais seguro de sua decisão.

Hinata assentiu silenciosamente, saindo apressada da sala assim que a reunião deu-se por encerrada. Ela desejava enclausurar-se novamente, na tentativa de evitar que Neji a analisasse com seus orbes experientes.

Ela não conseguiu fugir como gostaria, sendo impedida por uma mão forte que envolveu seu pulso, puxando-o em um ousado movimento que a aproximou do corpo masculino que a seguia. Em poucos segundos, Hinata estava presa entre os braços de Neji e o mar pálido que eram seus olhos a engolia por inteiro, mirando-a em sua alma, fazendo-a estremecer de medo.

- Precisamos conversar. – A voz dele era urgente.

- N-Não... – Ela balbuciou, odiando-se porque a segurança anteriormente demonstrada parecia nem sequer ter existido. – E-Eu preciso ir.

- Hinata-sama, o que está acontecendo? – Neji pressionou a cintura delgada e um gemido assustado escapou por entre os lábios da herdeira. Ele a fitou longamente antes de aproximar seu rosto da face pálida da prima e inalar a fragrância de rosas que ela exalava.

O corpo frágil fremiu diante da iniciativa e Hinata precisou agitar a cabeça levemente para recuperar a razão que sentia abandoná-la.

- Nii-san... – Ela pediu com a voz fraca. – Solte-me.

Como se envolvido por um momento de lucidez, ele obedeceu a ordem expressa na voz aveludada. O cenho franziu-se com o próprio descontrole. Ele sequer era capaz de aproximar-se de Hinata mantendo sua consciência intacta.

Ao ver a prima voltar-lhe as costas, seguindo com passos curtos e apressados para o quarto, ele exclamou com autoridade:

- Isso não termina aqui, Hinata-sama. – Ela não o encarou, temendo não ser capaz de se distanciar caso ele a envolvesse em seus braços como antes.


A noite veio sorrateira e a herdeira encontrava-se pronta para colocar o primeiro passo de seu plano em andamento. Apanhou a bolsa de tecido leve sobre a cama e seguiu com passos cautelosos até a janela do quarto. A brisa suave invadiu o cômodo quando o vidro foi aberto e Hinata inalou o odor das flores que haviam por perto.

Ela sentiria falta de sua Vila. Sentiria falta da segurança de seu lar. E sentiria falta, como não poderia descrever, de Neji e Hanabi. Somente imaginar-se longe das pessoas a quem amava deixava-a terrivelmente triste e foi necessário encher os pulmões com o ar frio da noite para evitar que estes pensamentos a deprimissem ainda mais.

Saltou sobre o chão de pedras do clã como um felino, satisfeita com o silêncio de seus pés enquanto corria com destino à floresta de Konoha. Estava concentrada em cumprir seu objetivo, mantendo o corpo nas sombras das casas para passar ainda mais despercebida. A roupa negra ajudava-a a embrenhar-se cada vez mais na escuridão, evitando que olhares curiosos de uma ou outra pessoa que passava nas ruas desertas àquela hora a vissem.

Suspirou quando alcançou seu destino: a floresta da morte. Era um local que ninguém frequentava fora do período de Exame Chunnin e Hinata considerou ter sido uma ótima ideia elegê-lo para fazer o que pretendia. Não cessou os passos e com um breve impulso pulou a cerca de arame que envolvia a floresta. Adentrando entre as árvores contorcidas e escuras, envolveu o corpo com os braços como se o gesto pudesse protegê-la dos perigos que rondavam aquela terra. Ativou o doujutsu para enxergar melhor, com receio de ser atingida por alguma armadilha.

Caminhou por alguns minutos, cada vez mais envolvida pela escuridão da floresta, sentindo-a tão fria como nunca. Sons de animais ecoavam, como se anunciassem uma intrusa, e Hinata resolveu correr um pouco para chegar onde desejava. Alcançou o lago que atravessava parte da floresta e engoliu em seco, contendo a vontade de sorrir por finalmente tê-lo encontrado.

Retirou a bolsa das costas e colocou-a sob grandes pedras que estavam ao lado do lago, escondendo-a por inteiro. Pousou uma das mãos sobre o peito, respirando um pouco mais aliviada, e sussurrou para si mesma:

- Consegui. – Levantou-se vagarosamente desativando o Byakugan para fitar a paisagem à sua volta. Precisava marcar o local em sua memória, pois em breve teria de ser rápida para chegar até lá.

Poucos segundos se passaram quando a herdeira Souke sentiu uma presença às suas costas. O corpo enrijeceu com a adrenalina e o coração anunciou o medo que circulava em suas veias. Ela desejou com todo o seu ser que não fosse Neji; desejou que ele não a visse ali, cumprindo a primeira etapa de sua fuga.

Lentamente, virou-se para a pessoa que sabia estar observando-a, sentindo as pernas trêmulas pelo receio de que tudo desse errado. E quando seus olhos fitaram o rosto de traços fortes, a respiração pausou pela surpresa. Aquela pessoa nunca a devia ter flagrado!

- Ki-Kiba! – Gaguejou com as pérolas fixas sobre os olhos ferinos que a miravam.

- É tarde para estar na rua, Hina. – A voz rouca alertou e o Inuzuka se aproximou da amiga. Somente neste momento Hinata percebeu que Akamaru o acompanhava.

Ele ficou calado, a postura ereta e a expressão serena que sua face ostentava faziam com que Hinata soubesse, da pior maneira possível, que Kiba já havia concluído o que ela fazia ali. O silêncio era opressor, como se o amigo aguardasse a voz melodiosa implorar para que ele não a denunciasse. Apesar de saber que esta seria sua última intenção.

- E-Eu... estava... é... – A Hyuuga não sabia o que dizer! Maldição, por que ele estava naquele lugar, afinal? Akamaru choramingou quando viu o sofrimento nos orbes perolados e Kiba tomou as mãos femininas entre as suas, notando como era bom sentir o calor de Hinata com aquele gesto tolo.

- Você não quer se casar. – O tom grave anunciou e Hinata expressou um grunhido de descontentamento. Era claro que Kiba estava notavelmente aliviado com a constatação errônea. – E resolveu fugir.

Hinata retirou suas mãos do contato, frustrada com o prazer presente na frase do amigo. Ele não desistira daquele amor platônico e a última coisa que a jovem desejava era mantê-lo preso àquele sentimento que, certamente, o faria sofrer ainda mais. Resolveu mudar de assunto, desejando que ele esquecesse sua louca conclusão.

- O que faz aqui? – Perguntou encarando-o.

- Não consegui dormir depois que eu soube que você realmente se casaria. – A sinceridade era cortante. – Estava andando um pouco quando senti seu cheiro.

Hinata assentiu silenciosamente e fitou o lago calmo ser envolvido pelas sombras das nuvens que escondiam a lua. Kiba notou a melancolia daquelas pérolas e sentiu o ímpeto de intervir! Ele desejava gritar à morena que não estava sozinha; ela o tinha como quisesse... E quando precisasse.

- Você não precisa se casar se não quiser, Hinata! – Ele afirmou resoluto, os olhos selvagens mirando-a com uma opressora proteção. – Não há por que fugir...

- Fi-Fique quieto... – O timbre delicado sussurrou. – Por favor... – Ela implorou desejando não ouvir mais nada. Seu coração doía por sequer pensar que precisava fugir; era necessário para cumprir sua promessa e conceder ao seu clã a oportunidade de ter um bom líder! Kiba não sabia disso. E ela não queria explicar nada que o envolvesse ainda mais em tudo aquilo.

As mãos fortes pousaram sobre os ombros da Hyuuga e Kiba expressou com firmeza:

- Eu vou apoiar você, Hina. – As lágrimas invadiram os orbes perolados. – Confie em mim! – A frase parecia um pedido desesperado.

Ela sentiu seu corpo ser acolhido por aqueles braços protetores, mas não evitou o contato. Apesar de Kiba amá-la de um jeito que ela jamais poderia corresponder, ele sempre seria uma pessoa querida. Alguém com quem poderia contar. Alguém que a acolheria. E era disso que precisava naquele momento... Ela precisava sentir-se menos indigna, menos mentirosa.

Os lábios masculinos pousaram sobre os cabelos índigo, como se os beijassem. Mentalmente ele agradeceu ao poderoso olfato que possuía, porque o cheiro doce de Hinata era simplesmente embriagante.

Aos poucos a Hyuuga distanciou-se do abraço e as pérolas fitaram o rosto confuso do amigo. Ela precisava acabar com aquilo e o faria antes que as coisas saíssem do seu controle; antes que Kiba decidisse denunciá-la quando soubesse que ela não havia mudado de ideia. Em breve, ela seria uma fugitiva.

- Eu vou me casar, Kiba. – Ela afirmou sem rodeios, vendo-o se surpreender com a declaração. – E, então, fugirei de Konoha.

- Por que fará algo que não quer!? Você não precisa fugir! Eu... – A voz masculina soou mais alta e as mãos envolveram os próprios cabelos bagunçando-os mais do que estavam. – Eu não estou entendendo. – Concluiu frustrado, segurando os braços de Hinata com certa pressão.

- Meu clã precisa de um líder, Kiba. – Ela suspirou, franzindo o cenho com vigor. – Neji é o melhor para esta função. Depois que casarmos, ele terá a autoridade formal necessária para agir sozinho... Para quando eu não estiver aqui.

- Não! – Anunciou de forma determinada. – Você não pode!

- E o que você vai fazer? – De repente, Hinata também gritava, mas as lágrimas começavam a escorrer livremente pela face alva. Havia desespero na voz aveludada. – Vai dizer a ele que fugirei!? Vai me denunciar para a Hokage!?

Akamaru encolheu a grande cabeça branca quando notou o furor de seu dono. Os olhos selvagens brilhavam pela raiva contida.

- Eu nunca faria nada que a prejudicasse, Hinata. – A verdade na frase era imperiosa. – Eu amo você.

A Hyuuga baixou os olhos aos próprios pés, triste por ter magoado Kiba. Ele estava certo. A situação já a deixava cega para a lealdade de seus amigos.

- Desculpe... – Pediu com pesar, a voz fraca.

A fúria e a dor abandonaram os olhos brilhantes e com poucos passos Kiba se aproximou novamente da Hyuuga, envolvendo-a entre seus braços como se aquela breve discussão jamais tivesse ocorrido.

- Eu vou com você. – Ele afirmou categórico. – E nem pense em negar, porque não a deixarei partir sozinha.

O corpo feminino fremiu com a afirmativa. Ela sabia que não teria escolhas. Caso Kiba não a acompanhasse, provavelmente não a deixaria partir. Cerrou os olhos sentindo-se deprimida... Se permanecesse em Konoha, seu clã estaria fadado ao fracasso. Se fugisse, Kiba abandonaria seu lar para segui-la.

Eram dois preços muito altos.

E um deles ela, definitivamente, pagaria.


A yukata era branca e o tecido de seda deslizava sobre a pele alva com delicadeza. Havia bordados dourados sobre as mangas e na parte inferior, concedendo à veste a elegância necessária para a ocasião. Um laço largo de cetim moldava a cintura e sua cor, também dourada, reluzia sob a fraca luz daquela manhã.

Não havia maquiagem no rosto pálido, tampouco brilho nas pérolas da noiva enquanto ela fitava seu reflexo no espelho. Era apenas uma prévia para o casamento que se realizaria no dia seguinte e Hinata não sentia animação alguma, nem mesmo com os constantes elogios de Hanabi.

- Você está linda, Hina! O Neji vai adorar! – Os braços da pequena se agitavam com euforia, mas Hinata sentia-se cada vez mais triste.

Neji poderia perdoá-la um dia? Ou jamais a quereria ver novamente quando soubesse que fugira? Ela não sabia. As lembranças de sua proximidade com o primo invadiam sua mente de forma dolorosa, mas a pior de todas era definitivamente a voz rouca declarar o que o belo shinobi sentia:

"Hinata... eu... jamais me perdoaria se algo lhe acontecesse! Você... é minha vida! Eu amo você... e agora poderemos permanecer juntos."

Aquelas palavras foram sinceras, ela sentia. Depois que Seikon os atacou, Neji dissera o que estava em seu coração e a imagem do belo rosto masculino, com aqueles orbes perolados fixos sobre si, fazia com que seu coração se apertasse e seu estômago embrulhasse com o nojo de suas próprias intenções.

Céus, como ela poderia dizer sobre o altar que aceitava permanecer ao lado de Neji em quaisquer circunstâncias quando intencionava abandoná-lo!? Aquilo era contra seu caráter! Contra seus sentimentos...

Não. Ela não podia esmorecer. Ela cumpriria a promessa feita ao seu pai, porque ele estava certo. Neji precisava liderar o clã sozinho para haver paz e ordem. Ela devia libertá-lo da ilusão de um amor que não devia existir.

E foi com esta constatação que ela retirou a yukata depois que Hanabi abandonou o quarto. Um longo banho e a comum roupa ninja a deixaram com melhor aspecto quando ela saiu de seu casulo pessoal para averiguar as preparações do casamento.

Se tivesse sorte, sequer encontraria o primo. Ele estava muito ocupado com a restauração do jardim do clã e, especialmente, com os incontáveis papéis burocráticos que os conselheiros insistiam em apresentar ao "futuro líder". Hinata sequer sentiu-se triste quando o Conselho não a chamou para acompanhar as reuniões, porque considerava certo tudo o que faziam desde que Neji fosse incluído.

- Hinata-sama... – A voz grave cortou o ar como uma faca e a Hyuuga precisou se conter para não correr. Neji observou a falta de expressividade da herdeira e preocupado, repetiu: - Hinata-s...

- O que quer? – Ela cortou, tão fria como nunca foi capaz de ser.

Os olhos bem treinados do Bouke analisaram a figura da prima e a preocupação cresceu em grandes proporções com a voz gélida. Ela nunca o tratou mal, mesmo quando tentava evitá-lo. Seria a morte de Hiashi-sama que ainda a afetava? Neji já não sabia o que fazer para ultrapassar a barreira que parecia envolver a prima.

- Em breve você será minha esposa. – Ele começou, incerto se devia continuar. – Gostaria de levá-la para jantar esta noite.

O gênio Hyuuga achava que a herdeira precisava se distanciar da rotina cansativa de acompanhar a restauração do clã. Talvez pudesse mostrar que estava ao seu lado se ela permitisse.

Hinata não o encarou quando o convite foi pronunciado, mas o coração batia descompassado e o rosto – que estava tão pálido pelos últimos acontecimentos – corou com a iniciativa de Neji. Era tão ridículo que ele precisasse apenas se aproximar para que suas pernas perdessem forças e a dor no peito diminuísse, como se o perfume amadeirado a fizesse esquecer suas maiores preocupações.

Ela suspirou, sentindo uma lágrima traiçoeira abandoná-la. Por que chorar diante dele? Por que mostrar-se fraca? Neji tomou uma de suas mãos, entrelaçando seus dedos sem permissão. Os olhos do shinobi não a fitavam, mas ela sabia que ele podia ver qualquer coisa que desejasse.

Devia dizer não ao convite; devia evitar outros momentos prazerosos com o primo, porque em breve seriam somente lembranças dolorosas.

Os lábios moveram-se, prontos para negarem, no entanto as palavras foram outras, denunciando o que desejava:

- E-Eu... aceito.

Neji virou-se de frente para ela, fazendo-a mirar seu rosto de traços tão perfeitamente delineados, fazendo-a esquecer de tudo quando um sorriso satisfeito moldou-se nos lábios que tanto amava.

A mão livre passeou sobre a face corada da Hyuuga em uma carícia tão delicada que a herdeira pensou que Neji tinha medo de quebrá-la.

- Tão linda. – Ele afirmou e Hinata perdeu o ar com o calor que a envolveu tão repentinamente. – Eu ainda farei com que sua dor termine. – Havia seriedade no timbre rouco. – Eu não descansarei até que seus olhos brilhem de novo.

Neji secou a lágrima que havia caído e debruçou-se lentamente até Hinata, aproximando-se mais, deixando-a desarmada diante do poder que os olhos perolados tinham sobre si.

Os lábios se tocaram com leveza, deslizando-se com lentidão. Era uma carícia tão frágil que Hinata inclinou-se inconscientemente até selar um beijo tímido, sentindo Neji sorrir um pouco com a iniciativa desajeitada.

Ele se afastou em tempo de ver os olhos de sua noiva ainda cerrados, os lábios rosados entreabertos, como se o convidasse. Precisou tensionar a mandíbula para não beijá-la novamente, aprofundando a língua na boca que desejava, absorvendo o sabor de Hinata. Ela não estava pronta e não era sua intenção assustá-la.

Quando a Hyuuga abriu os olhos, voltando à realidade, não foi capaz de conter o constrangimento. Mas Neji parecia ignorar sua face rubra, limitando-se a beijar sua mão que ainda estava envolvida com a dele.

- Ao entardecer, nos veremos. – Declarou antes de se afastar com elegância, deixando-a atordoada.

Não foi necessário perdê-lo de vista para se questionar com raiva: "O que eu fiz?". Não devia alimentar o amor que sentia! Não podia deixar as coisas ainda mais difíceis! E agora, o que faria?

Observou Neji indicar uma rachadura sobre a casa de um Bouke a alguns shinobis, ordenando que consertassem. As costas largas do primo estavam eretas e as pessoas o olhavam com admiração. Os cabelos castanhos movimentavam-se com a brisa suave e Hinata sorriu minimamente, sussurrando para si mesma:

- É só um encontro.

Continua...


Olá, povooo! õ/

Quem diria? Oh, meu Jashin, que este Fanfic seria atualizado? *capota*

Realmente, peço MIL E UMA DESCULPAS pelo tempoooo que levou para mais um capítulo! A verdade é que tive novas idéias para Fanfic's e, por fim, deixei esta abandonada por um tempo... *corre das pedradas*

Mas, enfim, chega de "lero" e vamos ao capítulo!!!

Que, aliás, É O PENÚLTIMO!!!

*Música de fundo: ALELUIA! ALELUIA!*

Sim, o próximo capítulo será o ÚLTIMO!

E preciso desabafar... ToT

Céus, respondi a cada review com dor no coração... Que saudades sentirei de vocês!


Ok, chega de drama... *funga* ... Vamos ao que interessa!!! =)

PEEEERGUNTAS:

Alguém ainda lê este Fanfic? O.O

O que acharam deste capítulo!? *-*

O que esperam no próximo capítulo!?

O próximo será, FINALMENTE, a resolução de tudo (eu acho, rs) ... Com hentai! Yeh!


E, claaaaro, que PRECISO DIZER UMA COISA:

Se não fossem pelos reviews que recebi, este Fanfic de fato teria morrido. U.U

PORTANTO, POVO, MUITO OBRIGADA A:

Mary Pérola (minha irmãzinha!!! *-*): Ouw, linda!! É muito bom vê-la por aqui!!! Mesmo depois de taaaanto tempo, sua frase continua real: "tirou essa Fic do túmulo!", rsrs... Acabo de ressuscitá-la! E cá estou, looouca para saber se te agradou!!! Porque, nossa, todas as vezes que vc me diz o quanto gosta desta história fico imaginando se conseguirei manter esse "status" com vc... =O Espero que sim! Porque vc merece ler o que gosta!!! Beijo carinhoso, de quem te adora!

Maria Lua: Está em choque, flor!? O.O A Tsunade realmente sofreu com a morte do Hiashi... rs. Mas faz parte da vida não ser capaz de ajudar as pessoas, por mais que tentemos. Algumas vezes, as coisas chegam a um ponto insustentável, né? Eu sinto muitíssimo, Lua-flor-chan, por ter deixado esse Fanfic de lado há tanto tempo... O.O E espero que vc ainda esteja acompanhando, dizendo-me se gostou! =) Beijo de quem espera pela sua avaliação! 8D

Pequena Pérola *-*: Pérola-floooor! *abraça* Algum dia, Jashin terá que abençoá-la! U.U ... Simplesmente porque vc me põe para cima, mulher! Vc sempre acompanha meus capítulos-super-podres com toda a alegria... *-* Nossa, isso é impagável! E, claaaaro, que sempre capta TUDO! rs.... A sua frase: "Hiashi é um idiota e nem em leito de morte fica quieto ou para de estragar a vida da Hinata ..." estava SIM muito correta! rs. E eu espero que isso não a deixe (tão) frustrada como imagino, rs. Marca meu MSN, Pérola!!! ( (arroba) hotmail (ponto) com) Quero manter contato, hein? *-* Beijo carinhoso, flor! De quem te quer muito bem! =)

Marcy!!: Meeeeu Anjo de Asas Negras!!! Te amo! =D Eu ri muito com seu review, sabia? Mas isso, caraca, não é novidade nenhuma para vc, né? Hahaha... Por vc, todos os personagens deste Fic iriam para o inferno, flor! E é essa sombra "negra" que a torna ainda mais especial, haha... Porque por detrás dela eu sei que tem uma meiga "menina" louca por um romance entre Neji e Hinata, rs... *leva pedrada* É sério, flor... Eu sempre vejo sua bondade por detrás de suas palavras! E por isso eu te adoro! =) Mas, chega de encher sua bola porque eu sei que vc vai me xingar até meus olhos se cansarem de ler palavras de baixo calão só porque demorei uma %&ˆ$# de tempo para postar! =P Ok, vc terá razão, rsrs. Claro que a morte do Hiashi e o fato da Hina fugir com o Kiba (oh, my God) não reduzirá em nada sua fúria, né? rs. E PQP!!!! Como é que vc acertou!? O.O ... "ate ano q vem quando vc postar novamente"... Eu quis chorar quando vi! Hahaha, certo... vc me conhece mesmo, né, minha amiga-babá-de-crianças-obcecadas-por-Internet! rs. Te quero muito bem, flor!!! Beijo no coração!

Hyuga Francine (flor!): Minha xará... Eu só te vejo por aqui!!! E quando o Fic acabar (no próximo capítulo!) o que será de nossas conversar por review? T.T Marca meu MSN, flor!!! ( (arroba) hotmail (ponto) com) Quero manter contato, hein? *-* Espero te ver mais vezes!!! E que esteja curtindo o Fic!! Beijo carinhosoooo...

Yasu Ika (Flor que me anima!): Minha linda!!! Quando notei que este era o penúltimo capítulo e li seu review... Nossa... vc não sabe o que senti!!! Caraca, vou sentir muita falta de seus comentários tão queridos, flor! Obrigada pelo carinho de sempre!!! Claro que este Fic vai até o fim repleto de dificuldades para este casal, rs... Então, pode me xingar à vontade, mas não consigo imaginá-los simplesmente juntos sem lutar um pelo outro! *-* Agora, sabe o que me emociona em vc...? A forma gentil como vc busca me animar...! Sabe que sempre considerei este Fic uma porcaria? E sempre me surpreendia com os comentários alegres de pessoas tão legais quanto vc... E, então, depois de longos meses, minha inspiração voltou e resolvi concluir de vez esta trama antes que "ninguém mais se interesse em ler", rs... E eis que releio sua review... E encontro algo que me tocou: "E pode deixar que sempre vai ter alguem pra ler a fic(eu garanto que sempre vou ler),demore o tempo que demorar..." T.T Sua boba, me fez ficar super emocionada! Obrigada meeeesmo, por cada palavra amiga! Vc com certeza me fez notar que vale a pena escrever, apenas para colocar um sorriso no seu rosto!!! Que Kami te dê em dobro! =) Beijinho carinhoso, de alguém feliz por te conhecer! =*

Anaile-chan (Alegria-girl!): Me diz, flor? Qual é a receita? rsrs. Nossa, sua review me deixou tão motivada!!! Adorei mesmo e me empolguei junto com vc nessa sua alegria toda! rs. Sabe que o mundo precisa de pessoas assim? Que se divertem ao acompanhar uma história (que nem é tão boa, rs) e são capazes de sonhar longe! =) Vc me cativa, flor! *-* E, claro, depois de tanto tempo eu sei que vc vai me xingar, rs... mas receberei de bom grado as pedras, especialmente porque são suas, hein? rs. Bem, neste cap. tivemos NejiHina, como vc queria! ;) Mas saiba que não esqueci seu pedido: "Faz o Jiraya levantar o animo da Tsunade... tadinha dela, fiquei realmente deprimida pela coitada da Godaime..." – No próximo cap. eu atenderei, porque adoooro JiraTsu! *-* E nunca escrevi uma cena sequer deste casal, rs. Flor, espero que continue acompanhando, porque tê-la por aqui é uma honra! Um abraço apertado! ;)

Frazinha õ.õ: Oi, linda!!! Que fofa a sua review!!! Como vc é atenciosa por colocar cada pedacinho da história que vc curtiu, rs... *-* Obrigada por esse carinho (que eu não mereço T-T). Beeeem, concordo que tardou para que o Hiashi morresse Ò.Ó Mas, puxa vida, bem que a Tsunade poderia ter dado uma surra nele pelo que fez antes ficar desesperada para curá-lo, rs. E, siiiim, ameeei a ideia de fazer o Neji matar o Hiashi caso ele não tivesse morrido!! Kkkkk... realmente, quando ele souber o que a Hina prometeu, nossa, será uma cena e tanto (eu garanto, rs). Mas eu queria ver vc na história para matar o Hyo como disse que faria se ele já não fosse morto, hahaha, seria algo interessante de acompanhar! Linda, obrigada pelo carinho meeeesmo!!! Saiba que sentirei falta de pessoas como vc que me mandam reviews tão grandes e cheios de significados, rs. Espero que goste deste novo capítulo! E que veja que a Fic foi atualizada desta vez, hahaha... Beijo, flor!!!!

Sakura7 Keiko (Linda!): Own, como é que vc consegue me deixar ainda mais feliz com seus comentários, Keiko-flor!? Adoooorei seus pontos de vista!!! A frase sobre o Neji: "Ele precisa dela!" ficou martelando em meu cérebro... E sabe que percebi que devo enfatizar mais isso? *-* Saiba que atenderei este "pedido" no próximo capítulo! ;) Especialmente a parte que vc disse: "ela pode deixar o Neji livre, mas ele vai querer ficar com ela, e se ele insistir ela não vai resistir", hahaha, CONCORDO! Enfim, Keiko, espero que vc não deseje somente jogar pedras com a demora do cap... porque estarei torcendo para que ele te agrade! Beijo!!!!

Nha T. (OMG!): É vc mesma? O.O... *capota* Oh, my God!!! Vc sabe que sou sua fã, certo? *-*E vê-la por aqui é simplesmente MARA, hahaha. Obrigada pelo carinho de ler e comentar, Nha-flor! Espero que este novo cap. esteja à altura do que merece ;) Beijo sabor amora para vc, linda!

Hyuuga Scarlett *-*: Flor, vou direto concordando: "Falta de tempo é uma merda mesmo...", hahahaha. O pior é quando vc tem um pouco de tempo e não consegue fazer mais nada a não ser descansar, rs. Eita... O.O Confesso que seu review foi certeiro em TUDO! Nossa, como é que vc conseguiu captar toda a essência da trama desta forma? rs. Adorável! "a Hina não tem nada haver com as burradas dele..." --- E apesar de não ter nada a ver com os erros de Hiashi, aff, ela deu um jeito de dizer a si mesma que tem... O.O Fazer o quê? rs. Mata a autora que resolve o problema, rsrs. Espero te ver por aqui, linda! E obrigada de s2 por ter aparecido, mesmo com o pouco tempo que tem... *-* Esse foi um gesto muito fofo da sua parte! Beijo carinhoso...

Hyuuga Bis (Flor querida!): Oi, linda!!! Aposto que vai me dizer de novo: "pensei que vc nao fosse cumprir o 'nosso trato'de nao abandonar a fic e me deixar morrendo", rs... Oh, God! Vc definitivamente merece alguém que não a deixe tão preocupada, né? Obrigada pelo voto de confiança, flor! E saiba que está valendo, porque lembrei de cada pessoa que comentou quando escrevi este novo capítulo, rs. Vc é muito fofa, Bis-chan! Saiba que NUNCA vou esquecer desse seu carinho de sempre! "Achei que tivesse acontecido algo, sei lá, que horror"... *-* Vc se preocupou com o fato de EU estar bem, e não simplesmente com a Fic que não vinha... Que linda! O mundo precisa de mais pessoas como vc, flor-querida! Espero que Deus te dê em dobro, viu? Cuide-se, minha amiga!!! Beijinho carinhoso...

Nara F. C.: Hahaha, obrigada por dizer em poucas palavras que desejava atualização! Cá está, pronto para ser avaliado, hein? Espero te ver de novo!!! Beijos!!! =*

Tomoyo-chan!: To-chan, vc é mesmo muito fofa!!! Hahaha, 27 capítulos realmente é um recorde na minha vida! Mas, adoro LooooongFic's e fico triste quando as histórias que eu gosto acabam... *-* E, céus, VC LEU TUDO EM 2 DIAS!? OMG!!! Eu definitivamente não mereço toda essa atenção e o seu tempo precioso, mas preciso dizer que vc me deixou super feliz com seu review, linda! Seus elogios me deixaram com o ego inflaaaaado... ToT E vindo de vc eu realmente devo ficar, porque te acho muuuuito querida! Bem, espero não te decepcionar com este capítulo agora, flor, porque é o penúltimo. Resolvi encerrar a trama, porque o povo já não agüenta mais aguardar tanto, sabe? E estou tão cheia de idéias novas, rs... Mas saber que vc está acompanhando (mesmo no finalzinho, rs) me deixa super alegre! Obrigada de noooovo pelo carinho!!! Espero que curta o cap. 29! =) Beijoooos!

Jadi *-*: Flor, eu ri com sua review!!! Que dez!!! Seu humor é ótimo!!! "Hiashi se revelou um safado que só pensa em sexo, então mereceu morrer" – Curta e grossa! Hahaha, bem ao meu estilo! Realmente, eu o transformei em um safado de primeira, rs. Obrigada pelo carinho, linda!! E sabe que vc foi a única que curtiu o Neji protetor do cap. anterior? Ou ao menos foi a única que lembrou, hahaha. Espero que continue curtindo, flor!!! Porque adorei vê-la por aqui! ;) Beijoooos!

Jord73 (Flor talentosa!): Minha noooossa! Vc sabe o quanto adoro sua história ItaSaku, não é? *-* Então, imagina como eu fiquei ao vê-la por aqui!? Eu seeeei que estou devendo um review muito merecido no seu Fanfic, rs... Mas, estou realmente sem tempo ultimamente... T-T Bem chega de choramingar!!! Porque a última coisa que vc me fez sentir foi vontade de chorar, rs. Eu sorri como boba quando vi que VOCÊ estava lendo este Fanfic!!! Nossa, que honra!!! *estende tapete vermelho* Bem-vinda, flor! De fato, o meu Hiashi foi ruim a vida toda: "Mas esse Hiashi, hein? Nem à beira da morte deixa de aprontar", por isso concordo com vc!!! Hahaha, como diz uma amiga minha: "Ah, mata a autora que resolve o problema" O.O Eu hein, rs. Espero que continue curtindo!!! E mil perdões pela demora em atualizar... Espero que curta este capítulo tanto quanto eu curti receber um comentário seu! rs. Beijo no coração!

E muito OBRIGADA a quem favoritou e, por alguma razão, não comentou *-*

s2 BeatrizHyuuga; Sweetdreamsaremade; R-chaan; Sora Black s2

...Vocês sabem como sou...

Aceito de coração

!FLORES ou PEDRAS!

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