Capítulo Vinte e Oito

Mind The Gap

(Cuidado Com O Vão)

Harry estava sentado à sua mesa, amaldiçoando a quantidade de documentos que não parecia diminuir, e nunca o fizera nos dez anos em que ele era o Chefe do Departamento. Ele começara a levar o trabalho para casa aos sábados para não precisar ficar no escritório até tarde todos os dias. Ele odiava o fato de que isso atrapalhava no tempo que podia passar com Ginny e Lily aos sábados, mas ele conseguia terminar tudo antes do almoço quando acordava cedo o bastante. Nos últimos dias não estava conseguindo se concentrar em seu trabalho. Analisar os arquivos de pessoas que não conseguiam reconhecer uma péssima ideia nem que ela dançasse em sua frente fazia com que Harry analisasse a si mesmo. Autorreflexão nunca fora uma de suas atividades favoritas. Na maior parte do tempo, era como se estivesse cutucando um machucado com um graveto afiado.

Ele era o primeiro a admitir que seu próprio comportamento era a causa de o jantar com Dudley e Aaron ter acabado mal. Analisar tudo o que Dudley falasse ou fizesse com muito ceticismo era um hábito, o qual Harry reconhecia não ter tentado mudar. Harry olhou para a pilha de pergaminhos à sua frente e a deixou de lado, descansando a cabeça sobre a mesa. O som do celular vibrante o fez erguer a cabeça em um pulo, e resmungar algumas palavras que não usava normalmente. Não em voz alta, de todo modo. Ele pegou o celular tão logo ele parou de vibrar.

- Uma ligação perdida. – murmurou. Esperava que não fosse a professora de história de Lily. Ela era uma moça simpática, mas as ligações semanais eram um pouco demais para ele. O celular começou a vibrar novamente, e Harry olhou para a tela. Era Dudley. Hesitou por um momento, antes de abri-lo. Ginny tinha lhe contado o que Dudley tinha dito, sobre as coisas voltarem a ser como antes. – Alô...?

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Dudley correu as mãos pelo cabelo em frustração. Ele e Aaron não dormiam há dias. Ela não parava de chorar. Ela estava seca. Tinha sido alimentada. Tinham feito o truque de andar de um lado para o outro da sala incontáveis vezes. No dia anterior, Dudley tinha dormido na sala de aula, enquanto seus alunos faziam prova. Aaron não se barbeava há três dias e a quantidade de pelo facial que ele era capaz de produzir em tão pouco tempo era impressionante.

- Sarah, por favor, pare de chorar... – Aaron gemeu em exaustão. – Eu te dou um pônei. Eu até de dou a droga do meu carro a essa altura. – parou no meio da sala, balançando Sarah. – Minha mãe sempre disse que eu pagaria por ser uma criança difícil... – observou.

- Vou ligar para Harry. – Dudley disse, pegando seu celular.

- Por que ele? – Aaron perguntou cautelosamente.

- Por que Muriel e Saffron adotaram uma criança de três anos, não um bebê. E Elizabeth vai passar o fim de semana na casa dos sogros em Brighton. Harold é um eremita aos finais de semana e não atende ao telefone se não for a esposa. Além do mais, o filho dele joga futebol aos sábados. Harry é a única pessoa que eu conheço que tem filhos e pode chegar aqui rápido... – Dudley começou a procurar o número de Harry na sua lista de contatos. – E eu estou ficando desesperado. – apertou o botão para discar o número, e olhou para Aaron. – E você também...

- Certo... – Aaron resmungou, voltando a andar pela sala com Sarah.

- Por favor, atende. – Dudley murmurou. – Por favor, atende... – quando o celular de Harry foi para a caixa postal, Dudley respirou fundo e discou novamente.

- Alô? – a voz de Harry estava incerta.

- Harry! Estou tão feliz que você tenha atendido!

O rosto de Harry se contorceu em confusão.

- Certo...

- Você pode vir aqui em casa? Por favor? – Dudley pediu, ia angústia clara em sua voz.

- Para quê? – Harry fez uma careta com o grito particularmente discordante que abafou a resposta de Dudley. – O que foi isso?

- O motivo para eu precisar que você venha aqui... Harry, por favor, estou te implorando. Eu não durmo há três dias...

- Isso é um bebê?

- Sim... – Dudley começou a andar ao lado de Aaron, dando tapinhas nas costas de Sarah. – É uma longa história...

Harry suspirou e afastou o celular do ouvido, olhando-o com um franzir de cenho perplexo.

- Chego aí em meia hora.

- Obrigado. – Dudley disse ofegante.

- É... – Harry encerrou a ligação e deixou o celular de lado. – Ginny! – se levantou da cadeira. – Ginny!

- O quê? – ela respondeu irritadamente. Estava procurando as roupas que não serviam mais em James, um processo bastante lento já que James nunca jogava nada fora.

Harry subiu correndo as escadas.

- Vou sair...

Ginny parou no meio do processo de dobrar uma calça.

- Vai aonde? O clima está horrível hoje.

Harry suspirou.

- Dudley acabou de ligar. Ele precisa de ajuda com alguma coisa.

- E ele ligou para você? – Ginny perguntou duvidosamente.

Harry assentiu.

- Tenho certeza de que eu era a última opção dele. Eu te aviso se for chegar tarde. – foi até o quarto para tirar o pijama gasto.

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Dudley desligou o celular com um suspiro de alívio.

- Ele está vindo. – pegou Sarah de Aaron e começou a andar pela sala, enquanto Aaron afundava em uma poltrona.

- Espero que ele saiba o que fazer. – Aaron gemeu, esfregando as têmporas.

- A essa altura, entre nós três, ele é o expert. – Dudley comentou.

- Suponho que sim...

A campainha tocou, e Aaron se levantou para abrir a porta, revelando um Harry muito confuso.

- Oi... Dudley disse algo sobre um bebê...? – Harry perguntou.

- Sim. – Aaron deu um passo para o lado para Harry entrar no apartamento. – Ele está lá com ela. – avisou Harry, apontando para a sala.

Sentindo-se cada vez mais confuso, Harry seguiu o som de um choro raivoso. Dudley estava andando de um lado para o outro, cuidadosamente dando tapinhas nas costas de um bebê enrolado em um pijama rosa.

- Estou prestes a fazer uma pergunta muito idiota. – Harry avisou. – Mas de quem é esse bebê?

- Nosso. – Dudley olhou para Harry por sobre o ombro. – Nós estamos adotando. Era entre nós e outro casal de... De onde eles eram, Aaron?

- Bloomsbury. – Aaron respondeu.

- Isso. Bloomsbury. – mudou Sarah de ombro. – É uma daquelas coisas em que a mãe conhece alguns casais e decide qual ela quer que adote o bebê. E por algum motivo maluco, ela achou que Aaron e eu seriamos bons nisso. – o choro de Sarah aumentou de volume. – Mas pela última semana temos sido horríveis. – concluiu impotentemente. – Oh, aliás, essa é Sarah. – indicou o bebê com a cabeça.

- E eu estou aqui por quê...?

- Bem, você fez isso antes. – Dudley afirmou. – Nós temos todos aqueles livros idiotas, e todos dizem algo diferente...

- E nós dois estamos prestes a chorar também. – Aaron adicionou.

Harry ergueu os braços para Dudley.

- Posso? – Dudley passou Sarah para os braços esticados de Harry. – Olá, Sarah. – Harry murmurou. – Você está com fome? – Sarah soluçou e começou a choramingar.

- Ela já comeu; está com uma fralda limpa... – Dudley suspirou. – Tentamos aquela coisa de canguru, mas não consegui montar direito.

- Eles jogaram um monte de informações na gente, no hospital. – Aaron admitiu. – Nós a trouxemos para casa no sábado, e segunda ela apenas começou a chorar enquanto está acordada. – correu uma mão pelo rosto.

Harry esfregou a pequena coluna sob sua mão.

- Tem um cobertor aqui por perto? Lily não ficava quieta a não ser que estivesse enrolada a ponto de imobilidade até os seis meses. Ginny e eu ficamos muito bons nisso.

Dudley desapareceu e voltou com um cobertor de flanela. Harry o esticou no sofá e deitou uma Sarah ainda chorosa nele. O enrolou apertadamente ao redor dela, ignorando os olhares surpresos de Dudley e Aaron.

- Você não está sendo um pouco bruto com ela? – Aaron perguntou ansiosamente.

- Você devia ver minha sogra fazer isso. – Harry bufou. – A primeira vez que ela fez isso com Teddy, meu afilhado, eu quase desmaiei. Achei que a cabeça dele ia cair. – terminou de prender o cobertor ao redor de Sarah e a ergueu do sofá. Os choramingos dela estavam ficando mais fracos. – Pronto... Assim é melhor, eh?

Dudley encarou Harry, segurando Sarah.

- Como diabos você fez isso? – deixou escapar.

Harry deu de ombros.

- Bebês sentem a tensão, às vezes. James fazia isso. Chorava por horas com Gin, e quando eu o tirava dela, ele dormia depois de dez minutos. Ela ficou maluca. Convencida de que era uma péssima mãe, por três meses. – Harry olhou para os dois homens desanimados. – Ajudava que eu não tivesse passado o dia todo com ele, como ela passava. – disse apologeticamente. – Não é nada que vocês têm feito ou deixado de fazer. – esfregou as costas de Sarah gentilmente. – Posso ficar com ela, se vocês dois quiserem sair um pouco. Dêem uma volta ou algo assim.

- Eu não sei... – Dudley disse.

- Eu tenho quinze sobrinhos. – Harry disse. – Mais um afilhado, que eu ajudei a criar desde o nascimento. Para não mencionar três filhos. Ela vai ficar bem.

- Seria legal sair por alguns minutos... Olhar para algo além dessas quatro paredes... – Aaron comentou.

- Confie em mim. – Harry disse. – Façam isso agora, enquanto têm a chance.

Dudley olhou para Aaron, que estava implorando silenciosamente com seus olhos escuros e largos.

- Trinta minutos. – disse por fim.

- Feito. – Aaron disse rapidamente, antes que Dudley mudasse de idéia. Observou Harry balançar Sarah por alguns momentos, enquanto Dudley fora procurar um suéter limpo. – Obrigado. Por vir.

- Claro.

Aaron se aproximou um pouco.

- Isso nos faz péssimos pais? – murmurou.

- Não. – Harry ajeitou Sarah levemente. – Você tem de sair ocasionalmente. Ginny e eu costumávamos mandar os nossos para passar um tempo na casa dos pais dela, ocasionalmente. Foi o único jeito de permanecermos sãos.

- Não vamos deixá-la com meus pais. – Dudley disse simplesmente, passando um suéter pela cabeça, enquanto entrava na sala de estar. – Ela não precisa de um complexo antes de ter dois anos. – pegou a mão de Aaron. – Pronto?

- Sim. O quarto de Sarah é no final do corredor. A segunda porta à direita. Há uma cadeira de balanço lá, e algumas mamadeiras na geladeira. – Aaron avisou. Harry assentiu, se acomodando na poltrona com Sarah. – Não vamos demorar.

Eles saíram do apartamento, deixando Harry sozinho com Sarah. Ela piscou confusamente para ele, o que o lembrou da maneira como Al o olhava quando bebê.

- Olá. Eu sou seu... Uh... Acho que ele é seu pai, não é...? Eu sou o primo dele, Harry. – acariciou a bochecha suave com o dedo. – Ele é um cara bacana, seu pai. Ele e eu costumávamos não nos entender tão bem. Na verdade, não nos entendemos por um bom tempo. Não estamos nos entendendo muito bem agora. – Harry admitiu tristemente. – Não é por nada que ele tenha feito recentemente. Sério, ele tem sido amigável há um bom tempo. E eu não consigo esquecer algo que ele fez há mais de vinte anos. Quão estúpido é isso? – Sarah bocejou largamente. – Certo. Eu concordo. É muito idiota. O 'novo' Dudley não se encaixa na memória que eu tenho dele da minha vida inteira. E eu não quis me dar ao trabalho de tentar. Era mais fácil manter minha distância do que tentar fazer minha parte. – Sarah piscou algumas vezes. – É. Apenas não conte para minha esposa, certo? Normalmente, ela está certa sobre esse tipo de coisa, e ela nunca vai parar de me provocar.

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Ginny cuspiu a pasta de dente na pia, estudando Harry. Ele estivera em um humor pensativo desde que voltara da casa de Dudley.

- Você tem certeza de que está bem? – perguntou pelo que pareceu a centésima vez aquela noite.

Harry estava acomodado na ponta da banheira, a escova na boca.

- Mmm-Hmm. – se inclinou para cuspir a pasta na pia. – Estou bem.

Ginny colocou a escova de dente no copo perto da pia e deu de ombros.

- Se diz. – foi para o quarto e afastou o coberto, subindo na cama. Pegou seu livro e começou a ler, apenas uma fração da sua atenção nas palavras a sua frente. O resto dela seguiu Harry até a cama, onde ele se deitou olhando para o teto.

- Você já pensou em ter outro bebê? – ele perguntou subitamente.

Ginny pulou em surpresa.

- Como é? – seu livro foi ao chão com um thump.

- Outro bebê. – Harry repetiu. – Seria legal ter mais um.

- Você ficou maluco? – Ginny perguntou sarcasticamente. – Não, espere, não responda isso...

- É só uma idéia. – Harry disse defensivamente.

- É uma péssima idéia. – Ginny retorquiu. – Um, Lily vai começar a escola em setembro. Nós teríamos de começar tudo de novo. Dois, estávamos muito mais perto dos trinta do que dos quarenta. Não se lembra de quão cansativo era? E éramos muito mais novos.

- Não era tão ruim. – ele murmurou.

-Bem, vai ser pior agora. Se eu engravidasse agora, quando o bebê nascesse, você teria trinta e nove anos, e eu trinta e oito. Mal conseguimos acompanhar Lily. E com o quão velha estou nos termos de fertilidade, poderia demorar meses. Talvez até anos. E é muito mais perigoso eu ter um bebê agora do que quando tivemos James, Al e Lily. – Harry ainda não parecia convencido. Ginny respirou fundo. Tinha esperado não precisar dizer isso. – E também tem aquele pequeno procedimento que nós fizemos depois que Lily nasceu...

Harry bufou zombeteiramente.

- O que quer dizer com nós? Não me lembro de ver você ser costurada.

- Certo, ótimo. Você. Idiota. – Ginny murmurou.

- O procedimento é reversível. – Harry disse. – Shanti disse.

- Me lembre de falar com Shanti mais tarde... – Ginny massageou as têmporas por alguns minutos. – Por que você quer ter outro filho tão de repente? Achei que você estivesse feliz com o jeito que as coisas estão.

- Eu estou. Eu acho. – Harry se deitou de lado, sua mão descansando na barriga de Ginny. – Dudley e Aaron adotaram um bebê. Bem, estão no processo de adotar. Eles precisaram de ajuda para acalmá-la. O nome dela é Sarah. – disse, olhando para ela. – Ela se acalmou, e eu mandei eles darem uma volta. Eles pareciam ter sido atropelados por um ônibus.

- As coisas estão bem assim, então? – Ginny estava surpresa. – Estou impressionada.

Harry riu.

- É. Eu contei a eles sobre quando Al nasceu; nós parecíamos ter sido atingidos por um trem. – ele se mexeu até Ginny estar deitada sob ele, seu peso sobre seus cotovelos. Abaixou a cabeça para beijá-la.

- Por que ele não chamou a mãe dele?

- Qual deles?

- Qualquer um.

Os lábios de Harry correram pelo rosto de Ginny.

- Hmmm. Bem, os pais de Aaron se mudaram para a Austrália há cinco anos. – foi para o pescoço dela. – E nenhum dos dois quer deixar Sarah sozinha com Petúnia.

- Provavelmente uma decisão inteligente. – Ginny concordou.

Harry roçou os lábios nos de Ginny.

- Foi legal ter um bebê por perto...

- Espere alguns anos. – Ginny começou. – Teddy vai te transformar em algum tipo de avô logo, e você pode brincar com um bebê a tarde toda, e depois mandá-lo de volta para casa com os pais dele.

- Por quê? O que você sabe? – Harry se sentou.

- Não mais do que você. – Ginny o assegurou. – É só que ele e Vic são inseparáveis desde o final do quarto ano dela.

- Obrigado, Gin. Achei que tinha conseguido tirar essa imagem da cabeça. – Harry se remexeu em vergonha, lembrando-se da conversa muito desconfortável que tivera com Teddy quando ele fora para casa no feriado de páscoa.

- Achei ter sido o bastante para que Teddy não pensasse em sexo por uns seis anos. – Ginny provocou.

- Podemos apenas esperar. – Harry murmurou. - Mas voltando para Ted e Vic... Não é uma conclusão improvável para aqueles dois.

- Não. Mas está perto. – Ginny puxou Harry sobre si. – Sabe... James está chegando nessa idade.

- Oh, Deus, não me lembre. – Harry gemeu. – Nós dois vamos fazer isso. Quanto mais cedo, melhor.

- Certo. – Ginny sorriu afetadamente. – Por que você está esperando que toda vez que ele sequer pense em transar com alguma garota, ele tenha a imagem mental da mãe dele usando uma banana para ensiná-lo a usar uma camisinha corretamente?

Harry assentiu.

- Eu nem sequer conhecia minha mãe e, honestamente, se ela tivesse feito isso comigo quando eu tinha a idade de James, a noite que você foi para meu apartamento no seu aniversário, eu não teria encostado a mão em você.

- Acho difícil de acreditar nisso. – Ginny disse secamente.

- Bem, certo. Eu teria colocado as mãos em você. – concordou. Começou a enrolar uma mecha do cabelo de Ginny em um dedo. – Você estava certa. – admitiu suavemente. – Sobre Dudley. Eu não queria acreditar que ele tivesse mudando tanto quanto disse. Era mais fácil...

- O que mudou?

Harry suspirou e levou uma das mãos de Ginny aos lábios. Depositou um beijo na palma, antes de responder.

- Vê-lo com Sarah.

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Cuidadosamente, Scorpius desenhou uma linha em seu rosto e começou a pintar um lado com tinta vermelha. Desenhou um 'G' enrolado em um leão na outra bochecha. Era um novo produto das Gemialidades Weasley. O pequeno kit trazia tinta o bastante para uma aplicação, e uma tatuagem temporária do logo do time. A pinta e a tatuagem eram enfeitiçadas para sumir após algumas horas. Até agora eles só produziram para os times de Hogwarts, mas Jacob, Fred e Rose tinham dito que se a resposta fosse boa, seus pais estavam pensando em expandir o produto para incluir os times Britânicos e Irlandeses, e os times nacionais de Inglaterra, Escócia e País de Galês.

Desceu as escadas correndo até o salão comunal e encontrou Sophia, Nicky e Alex com um desenho parecido em seus rostos.

- Vamos. – Sophie disse, puxando sua mão. – Todos os bons lugares estarão ocupados se não formos logo.

- Sophie vai jogar profissionalmente, como a tia Ginny. – Nicky disse alegremente.

- Se ela não for atingida por Balaços demais antes disso.- Alex adicionou, ganhando um empurrão de Sophie.

- Sou atingida menos que Fred. – retorquiu desdenhosamente. – E consigo mirar o Balaço melhor do que os dois.

- Você não acerta com muita força, entretanto. – Nicky arguiu.

- Não é necessário. – Sophie bufou. – É sobre localização.

- Você tem assistido tênis de novo? – Alex suspirou. – Não é sobre poder, é sobre localização. – imitou.

- Calado. – Sophie sibilou.

- Garotas, garotas, garotas, vocês são todas lindas... – Scorpius murmurou. – Deixem Sophie em paz. Ela é muito boa, sabe.

- Obrigada. – Sophie disse orgulhosamente.

- Oh, claro... – Alex murmurou. – Continue falando coisas assim, e a cabeça dela não vai caber no gorro no inverno.

Scorpius girou os olhos, enquanto subiam as escadas da arquibancada, onde vários grifinórios esperavam o começo do jogo. Protegeu os olhos do fraco sol de abril e estudou os bancos, procurando por um espaço largo o bastante para os quatro. Uma cabeça alegremente decorada de vermelho e dourado chamou sua atenção, e ele começou a acenar energeticamente.

- Teddy! – chamou. – Teddy!

Teddy sorriu e gesticulou para as quatro crianças se sentarem com ele. Colocou seus óculos escuros Trouxa na cabeça quando eles se acomodavam ao seu lado.

- Já decidiu o que vai fazer na páscoa?

- Provavelmente vou ficar aqui. – Scorpius disse com um pequeno dar de ombros. – Posso adiantar os estudos.

- Feriados não são para estudar. Não até seu quinto ano. –Teddy tirou um pequeno cartão do bolso e apertou os olhos para as letras pequenas. – Hmmm. Tenho os turnos da manhã para a semana do feriado. Se quiser, pode ficar comigo.

- Rosie te convenceu a fazer isso? – Scorpius não conseguiu manter a desconfiança fora de sua voz.

- Não. – Teddy voltou a guardar o cartão no bolso de sua calça. – Posso te pegar no trem no sábado à noite, e podemos ficar com a vovó. Ela pode te levar para o almoço de domingo n'A Toca, e posso te buscar lá quanto meu turno acabar. O resto da semana, posso te deixar na casa do Harry e da Ginny durante o dia, e nós podemos jantar com eles. – Teddy olhou para seu primo. – Se quiser.

- Isso é trabalho demais... – Scorpius disse duvidosamente.

- Ou você pode ir para a casa de Harry e Ginny. E eu passo lá para o jantar, durante a semana. Eles não se importam se você ficar lá, cara.

Scorpius soltou o ar.

- Vou pensar.

- Bom o bastante.

A voz do comentarista, um aluno da Sonserina que era bastante imparcial quando se tratava de cobrir os jogos, soou pelo campo ao anunciar o time de Grifinório e Lufa-Lufa, e os atuais pontos da Copa de Quadribol. Os Sonserinos estavam em último lugar. O Apanhador deles era tão ruim, que tinha virado um jogo tentar encontrar o Pomo antes dele. Albus tinha ganhado um bom dinheiro durante a última partida de Sonserina quando conseguia encontrar o pomo em menos de cinco minutos, uma hora inteira antes do apanhador de Sonserina. Era quase assustadora a maneira que ele conseguia localizar o Pomo. E melhor ainda para Fred, que tinha uma aposta com Parker quanto à partida por quatro anos. Fred estava economizando para comprar uma nova vassoura. Todo galeão ajudava.

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Grifinória ganhou rapidamente e a festa no Salão Comunal durou até as primeiras horas da manhã. Apenas terminara quando Neville aparecera e deixara bastante claro que se alguém estivesse no Salão Comunal em dez minutos, essa pessoa enfrentaria um mês de detenção na sala de Poções e na Ala Hospitalar. Os alunos correram para seus dormitórios, sabendo que Neville podia parecer e agir com tranquilidade, mas ele não tolerava quando alunos o desobedeciam. As detenções seriam uma bagunça, já que normalmente consistiam em limpar as coisas do jeito trouxa.

Scorpius entrou no banheiro para escovar os dentes. Estava animado pela quantidade de cerveja amanteigada e chocolate. Traços de tinta vermelha ainda estavam presos em seu cabelo, e colocou a cabeça na pia para lavá-lo. Por experiência, sabia que se não fizesse isso, seu travesseiro ficaria coberto de tinta. Por algum motivo, o feitiço para sumir com a tinta não funcionava no cabelo. Voltou para o dormitório, esfregando o cabelo molhado com uma toalha. Subiu na cama e, antes de fechar a cortina, olhou para Al, ainda murmurando sobre o jogo.

- Tem certeza de que seus pais não se importam se eu for passar a páscoa com vocês?

Al estava pulando levemente no colchão.

- É claro que não...

Scorpius pegou seu ursinho gasto e esfregou a orelha dele entre seus dedos.

- Você vai escrever para eles?

- Uh-huh. – Al estava começando a se acalmar perceptivelmente. – Vamos perder o café da manhã. – riu.

- Rosie não. – Sebastian se intrometeu. – Dá para acertar a hora de um relógio com a hora que ela fica com fome. Nunca vi uma garota assim. – disse com admiração. – Minha irmã belisca tudo.

- Sua irmã é estranha. – Anil bocejou. – Eu passei pela mesa de Corvinal um dia, e ela estava contando os pedaços do cereal que ia comer.

-Minha irmã não come nada que tenha um gosto remotamente bom. – Sebastian resmungou. – É como se comesse galhos e mato...

- Certo, pessoal, hora de dormir. – um monitor do sétimo ano colocou a cabeça no quarto do segundo ano. – Não é uma festa do pijama. Não queremos começar a tirar pontos.

- Certo, certo... – Al resmungou, deitando-se. – Nós escrevemos para meus pais pela manhã... Ou quando acordarmos... O que acontecer primeiro... – sua voz morreu quando ele adormeceu.

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Scorpius saiu do trem, pendurando a mochila no ombro, seguindo Al na direção de quem que tinha ido buscá-los na estação.

- Olá, mãe! – James cumprimentou. – Lily não veio com você? – perguntou em surpresa.

- Eu tive que ir editar um artigo para o jornal de amanhã. – Ginny explicou. – Lily está em casa com seu pai.

- Nós vamos aparatar? – Al perguntou com um desgosto. Ele não era um fã de aparatação.

- Não. Trouxe o carro. Posso ser maluca, mas não o bastante para levar todos vocês com aparatação ao mesmo tempo.

- Vou na frente! – James gritou, correndo até a barreira.

- E quantos anos você tem? – Al perguntou zombeteiramente.

James deu de ombros.

- Pelo menos sou alto o bastante para não ser confundido com um nojentinho do primeiro ano, como algumas pessoas que eu conheço. – disse para seu irmão.

Al olhou para o rosto de James.

- O que é isso no seu nariz...?

Os olhos de James se arregalaram.

- O quê? – ergueu a mão para sentir o nariz.

- Ah. Erro meu. É só seu rosto. – Al desviou quando James mirou um tapa na parte de trás de sua cabeça.

- Chega! – Ginny disse exasperadamente. – Scorpius vai na frente, e vocês dois vão ter de ficar felizes em ir no banco de trás. – os guiou pela barreira. – E vocês têm sorte de eu não deixá-los no apartamento de Teddy, tentando sobreviver com a comida dele pela semana!

- Mãe! – James ofegou. – Isso é apenas cruel!

- Vou fazer isso, também. – Ginny atravessou a estação e foi até o carro no estacionamento. Abriu o porta-malas e instruiu os garotos a colocarem suas malas. Ia ser uma semana longa.

Continua...

N/T: Obrigada pelos comentários no capítulo anterior, e comentem o que acharam desse!

Até semana que vem!