Doflamingo o olhou decepcionado para Trebol. Aquilo seria o começo de um conflito sério.
– Não posso fazer isso!
– Claro que pode, Doffy! Ela é uma pessoa comum como qualquer outra...
– Ela agora é nossa, é da família! E é meu filho também!
– Doffy! ... – Trebol estendeu a pronúncia do apelido do loiro – já falamos diversas vezes sobre isso, não é?
– Lamento, mas eu não vou fazer isso! Violet não é como Melissa... ela não ama nenhum outro e nem espera um filho de outro. E meu filho!
Trebol coçou a ponta do nariz sempre escorrendo.
– Esse terá meu sangue... não há com o que se preocupar.
– Mas terá o sangue da outra família... que não é nossa aliada, e sim nossos inimigos!
– Mas será criado por nós. Coisa mais fácil pegar criança e criar para ser um membro de nossa família!
– Não vou mais discutir com você... mas se tiver que fazer aquilo... faça logo no início. – Trebol saiu. Doflamingo deu a língua para ele pelas costas, nem se importando com as coisas de fato. Estava contente por Viola e o filho que esperava. Porém, esta não estava tão animada como ele. Sim, pela criança estava contente, mas... como os outros a tratariam depois disso? Ela sabia que era vista como inimiga por ser do Clã Riku que era tão amaldiçoado pelos Donquixotes e pelo povo de Dressrosa.
Doflamingo definitivamente resolveu manter Violet perto de si, no palácio. Durante aquela gravidez, Violet não se apresentaria em sua base em Dressrosa. Mantida perto de si, Doflamingo protegia a sua mulher de qualquer má intenção que viesse de algum dos membros do bando... especialmente Trebol. Era nostálgico aquilo, porém já não causava mais dor. Era até agradável lembrar que um dia Melissa existiu em sua vida, mesmo que ela tenha amado outro homem – justamente Corazon. Esse si, lhe causava mais dor, muito mais dor que ela. Agora, ele teria um filho com ela, que o amava. Mesmo que ela ainda fosse filha daquele ex-rei. Agora, Viola era dele.
Doflamingo foi até seu quarto e, como sempre, encontrou Violet deitada na sua cama – onde ele queria que estivesse a partir do dia que lhe confirmada a gravidez. Violet se levantou e foi até ele e o abraçou, e sendo pega em seguida por ele e posta na cama, onde ele começou a beijá-la por todo o corpo.
– Estou em casa.
– Que bom... mas... não precisa tomar todo seu tempo comigo... sei que tem suas obrigações como rei desse país.
– Heh... por isso mesmo que faço o que quero, Viola... – ele deu um beijo na ponta do nariz dela. Violet ainda estranhava aquela diferença de altura que a fazia sentir como uma criança nos braços de um adulto. Porém, estar com ele lhe dava conforto e sensação de estar protegida.
Enquanto isso, Trebol armava uma cilada para que Violet não chegasse a ter essa criança. Ele se sentia um pouco incomodado apenas por ser um filho do Jovem Mestre, mas via com frieza o lado dele ser descendente daquela família que foi destituída covardemente do reinado de Dressrosa. Ele achava que Violet tinha armado essa situação para que seu sangue vingasse o reinado daquele país em um filho seu com Doflamingo.
– Doffy... está sendo mais bobo que antes! – disse Trebol para si mesmo.
...
Três meses se passaram. Viola ainda nem parecia que estava esperando um filho, mas estava sendo tratada com todo cuidado por Doflamingo e pelas mulheres do bando. Somente Baby 5 e Jora cuidava dela sob as ordens do loiro. Os homens nem se manifestavam em chegar perto dela. Trebol tentava fazer a cabeça de Jora e Baby 5 contra Violet, explicando o que achava da atitude da dançarina.
– Doffy pediu apenas para que a vigiássemos! – disse Baby 5.
– E se ele pediu isso, então devemos cuidar da Violet como se deve. – acrescentou Jora.
E a morena sentia sem usar seu poder de clarividência que tramavam contra ela. Mas nada falou para Doflamingo. Não queria começar intrigas ali, embora soubesse que já estavam começando com ela.
Um dia, ela se encontrava sozinha do jardim, pensativa, quando alguém lhe interrompe esse tempo solitário e íntimo.
– Trebol...
– Violet... sei bem o que planeja. Vingar o antigo governo do sue pai gerando um filho para o rei desse país, assim para poder governar indiretamente Dressrosa...
– Por que está falando isso? – ela se levantou de onde estava sentada, colocando-se diante dele destemidamente.
– Eu não sou tão bobo como Doffy... aliás... não somos tão bobos assim.
– Afinal... diga o que quer.
– Para o seu bem e do seu papai... desfaça imediatamente dessa criança!
Violet olhou chocada com aquele pedido.
– Nunca! – ela reagiu de imediato – E não me obriga a falar com o Jovem Mestre sobre isso... sabe que ele vai se enfurecer com isso, se souber!
– Ele está em minhas mãos, garota! Pensa bem na sua situação. – ele apontou o cajado de ponta em formato de ás de paus.
– Se ele pedir qualquer coisa, eu faço. Não você!
– Vamos ver se isso vai ficar assim... só lhe aviso que o pior sobrará para você e esse bastardo!
– Meu filho não é bastardo! – ela pôs a mão em seu ventre – E é filho do rei desse país. Parece que você não está respeitando o seu rei! – ela enfatizou a palavra "rei".
– Você é muito cínica, mulher! – ele a segurou pelo braço com força, sacudindo-a.
– Solta-me! – ela tentava tirar seu próprio braço, mas não conseguia.
– Trebol! – Diamante apareceu ali, interferindo.
O homem com o cocar similar de um índio se colocou entre os dois, fazendo Trebol soltá-la com uma piscada de olhos do outro.
– Parece que está havendo algo de errado aqui... – disse ele, olhando para Violet.
– Ele está me mandando abortar o filho do rei!
– Hmmm... nada demais. Também é o filho de uma mulher golpista que quer indiretamente tomar o poder de Dressrosa que antes era daquele Riku para seu neto. E isso é bastante ruim para nós... que não queremos nenhuma ligação com essa família imunda!
Violet sentiu uma raiva tomar conta de si, mas lembrou do que havia prometido para si mesmo: guardar para si qualquer coisa que levasse aquele bando a se desintegrar ou ter o menor dos conflitos; o pior – como o próprio Trebol havia dito – só sobraria para ela.
– Se me dão licença... – Violet saiu daquele meio entre os dois, chorando baixinho até chegar ao quarto de Doffy e terminar seu choro ali, abraçada ao travesseiro dele. Tudo a deixava perturbada, desde o trágico dia em que Dressrosa foi tomada por Doflamingo e bando, até aquela manhã no pátio do palácio.
Estar ali sofrendo pressão por quase todos os lados a deixavam perturbada. Somente se consolava quando Doflamingo estava intimamente com ela. Certa vez, estavam juntos deitados na cama quando ele a flagrou chorando baixinho. Ele virou o rosto dela para si.
– Que houve, Viola?
– Nada demais...
– Como assim? Está chorando assim, do nada! – ele a acolheu em seu colo e abraçou-a, beijando-lhe os longos cabelos – há algo que te aflige?
– ...tenho medo.
– Medo, você? A minha melhor espiã! Não... o medo não combina com você!
– ...eu ainda sou uma mulher... e grávida.
– Mais um motivo para andar de cabeça erguida por gerar um filho meu! – ele começou a beijá-la pelo pescoço, perto do ouvido, fazendo Violet apertar os lábios e cessar as lágrimas.
– ...desculpa...
– Você está muito manhosa com essa gravidez... daqui a pouco vamos jantar e depois, brincar um pouquinho. Logo passa esses efeitos desse seu estado.
Antes desse jantar, Trebol e Diamante tramavam algo sério para Violet. Usando Baby 5 a força para auxiliá-los, eles trocaram o chá que seria servido por um de efeito abortivo. Baby 5 teve que fazer tudo contra sua própria vontade, enquanto pensava em uma maneira de salvar Violet. E assim, teve uma ideia.
– Eu servirei a xícara com a concentração maior desse chá. – ofereceu-se.
– Ótimo! Disfarça essa cara de assustada e vá ajudar as outras criadas a preparar a mesa. –ordenou Diamante.
– Sim... ah, esqueci algo na cozinha, volto já!
Rapidamente, ela fez outro chá e separou-o para servir Violet. Tudo muito bem escondido de Trebol e Diamante.
Assim ela fez durante a janta. Seu coração batia um pouco mais rápido, tinha medo de qualquer suspeita. Mas não queria que Viola perdesse a chance de ter aquele filho, por ser do Jovem Mestre. Todos saborearam o tal chá abortivo – pois não faria efeito algum nos outros –, menos Violet.
Mais um jantar sossegado e silencioso entre os membros da família Donquixote. No final, Baby 5 foi até Violet.
– E então? Como está se sentindo? – perguntou a mais jovem.
– Bem... melhor agora, que comi. Estou com muita fome fora de hora, ultimamente.
Doflamingo estava perto das duas, observando-as discretamente. E a adolescente abaixou mais a voz, falando em tom de sussurro.
– Cuidado com Trebol e Diamante, estão tramando coisas... – ela parou de falar, despedindo-se dela, que não pode evitar fechar o sorriso ao ouvir aquilo.
– Hein, Violet... vamos descansar um pouco. – disse o loiro, pondo as mãos nos ombros dela.
– ...claro.
E passaram mais uma vez juntos uma noite agradável. Viola havia escapado da cilada de Trebol e Diamante e Doflamingo nem imaginava que isso havia acontecido. Pelo que Baby 5 havia lhe dito rapidamente, Violet só esperava o pior vindo daqueles oficiais. Era arriscado, mas ela estava dividida em guardar para si tudo aquilo e confessar sua insegurança para Doflamingo. Mas naquela noite após aquele jantar, tomou a decisão por completo.
– Doffy... preciso te confessar algo.
– Diga, Viola.
– ...alguns da família não aceitam nosso filho. Não quero intrigas entre nós, mas... temo pelo nosso filho que...
Ela se calou quando ele pôs sua enorme mão sobre a barriga dela.
– Nada vai acontecer, Violet. Confia em mim!
– ... você também sabe... que...
– Sei de tudo que se passa entre nós. Mas lembra-se: eu ainda tenho o controle sobre todos. Deve temer mais a mim que a eles.
Violet engoliu seco, ao mesmo tempo em que recuperava a confiança quando ouvia a voz dele, a firmeza dele como rei de Dressrosa e chefe daquele bando.
...
Com o passar de meses, Doffy resolveu chamar um médico apenas para checar como andava a saúde de Violet e do filho que esperava. Ele já estava ansioso pela chegada do filho e por vê-lo crescer na barriga dela – que não apresentava o volume típico, apesar de já ter se passado seis meses. Violet também achava aquilo incomum, mas tinha certeza de que estava bem apesar disso.
Quando se encontrou sozinha no quarto dele, olhando a janela. Resolveu usar sua habilidade da Akuma no Mi e ver por dentro do corpo. Não era a primeira vez que fazia aquilo; quando estava entrando na adolescência, gostava de observar as mudanças dentro do seu corpo. Olhou seu útero. Não conseguia ver nada dentro. O filho que gerava não era encontrado, era como se estivesse normal. O médico que havia consultado naquela vez não mentiria. E ela passou por todos os sintomas típicos da gravidez, no começo. Será que seu poder não estava funcionando? Viola não acreditava nisso. Então, deixou tudo por conta do doutor que a examinaria no dia seguinte.
Curiosa, resolveu ir até a biblioteca do palácio. Sempre costumava ficar horas lendo (quase) todos os livros desde que aprendeu a ler. Sua irmã mais velha gostava de acompanha-la nas horas de leitura, onde devorava livros e livros. Scarlet adorava ler. Ao entrar na grande biblioteca, encontrou Gladius em um canto, isolado, lendo um livro. Nem a notou quando entrou – ou simplesmente ignorou em olhá-la. Percorreu toda a biblioteca até achar a área dos livros que falam sobre saúde humana. E de pé mesmo, leu um que falava sobre Psicologia e voltava para mulheres grávidas. Alguns livros eram antigos, mas ela ainda não tinha lido em sua vida – aquele era um. Ao ler uma coisa importante que ela precisava saber, ela fechou o livro com os olhos lacrimejantes. Estava chocada com o que tinha lido. Não era possível que o tinha lido. Não com ela...
Ela fechou o livro e saiu dali com ele. Foi até o seu próprio quarto e, deixando o livro sobre a cama, caiu aos choros em cima do colchão.
– Não era possível! ... por quê? – ela reclamava enquanto chorava ao mesmo tempo.
Ela não tinha a total certeza se aquilo que tinha lido era verdade, mas o temor daquilo ser real era maior e mais doloroso.
No dia seguinte, já mais calma, recebeu tranquilamente a visita do médico. Ele a examinou normalmente, porém não falou muitas coisas que só falaria para Doflamingo.
– E então... meu filho está bem aqui dentro? – perguntou Violet, querendo confirmar a certeza de que seu filho estava realmente bem.
– ...você está ótima, Srta. Violet. Agora, quero que apenas descanse. – ele arrumou suas coisas e saiu do quarto. Aquilo já deixou Violet com a pulga atrás da orelha.
Doflamingo foi até o médico, ansioso pelas novidades.
– E então? Como estão os dois?
– Bem... antes, preciso que estejamos a sós.
– Já estamos a sós. – o loiro olhou em volta de si – Pode falar.
– Bem... a saúde de Violet está até ótima para a fase que está passando. Mas...
– E o bebê? – ele perguntou sério.
– ...não sei por onde começar... talvez por não ter feito um exame mais detalhado antes, não tenha percebido isso.
– Isso o quê?
– ...esse bebê... não existe, Sr. Doflamingo.
Doflamingo ficou confuso e nervoso. Sacudia o médico enquanto o enchia de pergunta.
– Como não existe?! Você mesmo confirmou essa gravidez e agora está falando que não existe?! Trate de me explicar! – exigiu a explicação em tom ameaçador.
– Por favor, Sr. Doflamingo... não me mata, por favor, por favor! Eu vou explicar...
...
A gravidez psicológica é um fenômeno de emocional que dá às mulheres os efeitos idênticos da gravidez – desde os sintomas internos até o desenvolvimento de algumas partes do corpo, como a barriga que cresce -, porém não existe um feto se desenvolvendo no útero da mulher. Isso é muito comum em mulheres que desejam muito uma gravidez ou naquelas que têm um grande receio de engravidar.
O médico explicou tudo calmamente para o loiro, que ouviu tudo meio boquiaberto. Foi isso o que Violet leu no livro e ficou temerosa disso ser verdade. E de fato, era verdade. Uma triste verdade. Ambos queriam esse filho, que também era um vínculo que unia ainda mais os dois.
Após o médico sair com vida, ele foi até ela, que estava no quarto dele. Violet olhou-o séria.
– Doffy... há algo de sério, não é? – perguntou a bela, com o semblante triste.
– ...por que acha isso, Viola? Você sabia de alguma coisa antes?
Violet afirmou com a cabeça que não. E prosseguiu.
– O doutor saiu daqui sem falar nada direito comigo, quando perguntei como estava o nosso filho.
Doflamingo entendeu e sentou-se ao lado dela, na sua enorme cama.
– Você parece abalado... é algo muito sério, Doflamingo?
– Você está bem, Viola... mas o nosso filho... nem sei por onde começar, é uma coisa que jamais imaginava que existia.
– ...o que é?
– Você tem uma coisa chamada gravidez psicológica...
Violet arregalou os olhos. Exatamente o que tinha lido no livro.
– ...e então... esse bebê aí não existe. É isso, Viola... também estou passado com isso. Eu queria esse filho. Eu ainda gosto muito de você, não importa o que aconteceu...
Violet abaixou a cabeça. Ele pegou-a levemente pelas bochechas, fazendo-a olhar para ele.
– Podemos ter outros, Viola... o importante é que você esteja bem!
Ela curvou os lábios num sorriso fechado e conformado.
– É melhor que descanse agora. – disse o loiro, levantando-se.
– ...tudo bem. – concordou Violet.
– Mas não quero vê-la assim tão apática! Durma e descansa bem. Volto depois. – ele deu uns tapinhas leves na coxa dela e deu as costas, saindo.
Encontrando-se sozinha, Violet começou a chorar. O seu coração foi se apertando e lágrimas insistiram em cair. Ela se levantou, indo olhar pela janela e deu de cara com uma vista diferente da que costumava ter da janela do quarto: nuvens escuras se formavam no céu de Dressrosa. Parecia que a chuva cairia forte e impetuosa. Era assim que estava por dentro. Por um lado, a existência desse filho sempre causaria conflitos naquela família. E talvez seu próprio pai não gostasse de saber que ela gerava um filho de quem considerava inimigo. Violet sentia falta do pai, queria tanto falar com ele... mas não podia.
Doflamingo contou o que havia sucedido aos outros, que não reagiram emocionalmente com aquilo. Mas no fundo, uns lamentavam o ocorrido e outros comemoravam secretamente.
...
No fim de semana perto daquele dia horrível, todos os membros do bando tiveram que ir ao Coliseu assistir as lutas dos gladiadores. Violet estava decidida em ver o pai secretamente e contar como estavam as coisas. Deixou todos se distraírem e entrou pelos corredores onde se encontravam os prisioneiros que gladiavam. Viu seu velho pai desgastado, abatido e triste. Viola apertou os lábios para não chorar alto e foi até ele. Chegou perto da grade, em frente a ele, que estava de cabeça baixa.
– Papai...
Riku abriu os olhos. Olhou para quem a chamava, conhecia aquela voz. Olhou sua filha, mais madura e mais bela. Seus olhos lacrimejaram.
– Minha Viola... você sobreviveu... – ele se levantou com dificuldade, indo até ela.
– Papai... desde que fui forçada a trabalhar para eles, não pude ver mais o senhor... vim escondida... preciso muito vê-lo...
– Como eu amaldiçoo essa grade! – ele pegou nas mãos da filha, choroso que nem ela – e Scarlet? Minha netinha? Como estão?
Violet caiu em choros, com a cabeça encostada na grade. Ela apertou as mãos do pai.
– Viola... – pronunciou Riku.
– ...não soube mais delas... – ela não quis falar a verdade. Diamante havia lhe dito que matou as duas e ela achava que isso era verdade – sem saber que a sobrinha ainda estava viva e perdida por aí.
– Entendo... um dia vou reencontrá-las, como reencontrei você... – ele beijou as mãos da filha. Choravam juntos. Alguns prisioneiros olhavam para os dois ali.
– Violet! – uma voz bradou da porta onde estavam os dois.
Pai e filha olharam para onde vinha a voz. Doflamingo ficou furioso ao ver aquilo. Riku ficou irritado em reencontrar aquele homem.
– Seu desgraçado! – Riku exclamou.
– Doflamingo... preciso explicar que...
– Venha já aqui, Violet! – ele foi até ela e puxou-a pelo braço.
Riku segurou firme uma das mãos da filha.
– Deixa minha filha em paz, seu miserável! – exclamou o velho.
– Solta minha mulher agora mesmo! – disse o loiro, mais calmo porém zangado.
– O quê? – Riku ficou incrédulo ao ouvir aquilo.
Doflamingo conseguiu puxar a morena para si e ainda disse umas coisas para ele.
– Quero que saiba de uma coisa... ela agora é uma de nós... e minha! – ele olhou para Violet – fez muito mal em vir para cá, Violet! – ele a chamava agora pelo nome que ela adotou ao entrar para o bando. – ...vamos embora daqui agora!
– Desculpa... por favor. – pediu Violet.
– Em casa resolveremos isso!
Ele a arrastou dali e Riku apenas observava sem poder reagir. Com um soco dado na grade, Riku desabou em um choro intenso. Doflamingo arrastou a morena até seu palácio, aproveitando que os outros estavam lá.
– Você está saído uma perfeita traidora!
– Eu sentia a falta dele... e fiz escondido porque sei que não permitiria que o visse!
– E não permito! Fazendo isso às escondidas, faz-me ter mais dúvidas sobre você. Acha que, pelo fato de ser minha, pode fazer coisas indevidas sem se importar com o que eu penso? Está muito enganada, Violet! – ele gritou a última frase, dando um murro na parede. Violet o olhava assustada.
Doflamingo também estava alterado nesses últimos dias. Com a frustração da gravidez psicológica de Violet, todas as lembranças ruins que o atormentavam haviam voltado e o humor dele estava baixo nesses dias.
– Acho que devemos parar por aqui, Violet. Embora... eu ainda tenha algum sentimento por você.
Ela olhou longamente.
– Não vou te punir como devia... mas uma vez que você fez isso... poderá voltar a fazer. – Doflamingo estava um pouco ofegante e muito furioso. – Mas saiba que a vigilância sobre você voltará a ser mais rigorosa. Poderá voltar para a sua base e viver lá. – ele a expulsava "delicadamente" do palácio, onde ela estava vivendo com ele. – Você me magoou muito hoje. Achei que podia confiar em você.
– Fui apenas ver meu pai, Doflamingo!
– E falar dele sobre o bando, certo? No fundo, você protege seu pai, não é... aliás, eu protejo seu pai... lembra-se bem disso! – ele falou bem sério.
– Doflamingo... eu faço que você quiser... mas por favor, poupa a vida de meu pai. Eu sequer quis contar sobre minha irmã e a filha... nada falei sobre nós, nem do nosso relacionamento...
– Espero que seja verdade isso!
– Apenas quis vê-lo se estava bem... o que confirmei hoje. Aliás, ele se encontra em péssimo estado!
– Pelo menos está vivo, não?
Violet sentiu raiva e quis terminar a conversa ali.
– Não quero mais falar sobre isso.
– Pega suas coisas e volte para a sua base agora! – ordenou o loiro, friamente.
– Tudo bem... – ela se retirou, indo para o seu quarto e arrumando a mala.
Violet voltou para sua base em Dressrosa. Voltaria a ser a dançarina do Una Muchacha En El Baile. Ambos achavam que precisavam de uma distância e um tempo para se recuperar de todo aquele drama. O passado tempestuoso de cada um dos dois voltava a perturbá-los.
E com o passar dos dias, o relacionamento antes caloroso esfriava. Pouco se viam, pouco se falavam.
Um relacionamento que se findava como um belo cálice quebrado.
