Beyblade não pertence
Capítulo anterior: Com as equipas empatadas, o Sr. Dickinson fica com um grave problema em mãos. Não se sabia como resolver o problema até que Ling aparece no estádio, dizendo que iria combater. Apesar de não gostar da ideia, o presidente da BBA aceita. Nicolau vai falar com Ling e conta-lhe resumidamente o passado dos The Demons, mais precisamente de Alexander. A rapariga descobre que o líder dos quatro rapazes já se apaixonara e fora cruelmente traído, daí tornar-se quem era. Mas Nicolau conta-lhe também que Alexander amava-a e pediu-lhe para Ling trazer o seu antigo líder de volta.
Capítulo 28: Luz e Escuridão
"DJ: - Muito bem, beybladers às vossas posições! 3, 2, 1, LET IT RIP!"
Os beyblades caíram ao mesmo tempo no stadium. Eram o oposto um do outro. Preto e branco. Luz e escuridão. Atacavam-se mutuamente, de forma estrondosa. O público vibrava, o Jazzman gritava, mas eles não os ouviam. Estavam absorvidos pelo combate, pelos próprios pensamentos. De vez em quando, os seus olhares cruzavam-se e Ling ainda não conseguia ver o que Nicolau lhe contara com tanta certeza. Agora, perguntava-se se ele não a estava a enganar. Algo lhe dizia que não. Antes que pudesse pensar em alguma coisa, ouviu a voz do seu adversário.
Alexander: - Tenho que admitir: desejei muito tempo por este momento. Quando combateste com o Dimitri, sempre que combatias no campeonato, deixavas-me com uma sensação estranha. Acho que era a vontade de combater contigo.
Ling: - Eu não quero combater contigo. – disse numa voz firme.
Alexander: - Vais abandonar o título com tanta facilidade? – perguntou, com o seu sorriso sarcástico.
Ling: - Ambos sabemos que isto não é pelo título. – respondeu, confiante.
Alexander: - Sim, mas vai dar ao mesmo. – disse muito tranquilo.
Ling: - Tu não queres fazer isto. Tu não és assim.
Alexander: - Não me conheces o suficiente para afirmar isso. – disse, começando a divertir-se com a conversa.
Ling: - Talvez. Mas se me deixasses conhecer, eu de certeza que poderia afirmar isso! – a sua voz saiu quase num súplica. Odiou-se por isso, mas ao mesmo tempo sentiu que estava a fazer a coisa certa. A ajudá-lo.
Alexander: - Se tu merecesses... talvez eu deixasse... – disse, irónico, e gostando cada vez mais do rumo da conversa. Ling soube exactamente o que ele queria e não iria permitir.
Ling: - Vamos acabar com os jogos, Alexander!
Alexander: - Nós estamos num jogo, Ling, e tu é que começaste! Se, naquela noite, tu tivesses sido uma boa menina e não tivesses fugido, já tinha tudo acabado e provavelmente não estarias aqui agora.
Ling: - Tens razão, eu não devia ter fugido. Devia ter ficado e ter-te enfrentado. Ter-te vencido. Assim, as coisas já teriam acabado e eu nunca tinha conhecido aquele maldito homem! – disse, com desdém na voz, olhando de relance para Boris. – Mas tu atacaste-me enquanto eu estava fraca, eu não pensava com razão e tu aproveitaste-te disso!
Alexander: - Tudo parte do plano. – disse, convencido e orgulhoso. – Um plano que já teria acabado se tivesses aceite o meu pedido. Se tivesses esquecido o palerma do Hiwatari e tivesses vindo comigo! – continuou, irritado. O que Alexander dissera fez alguns ouvidos afinarem-se à conversa.
Ling: - É claro que eu não podia ir contigo. Eu amo o Kai e nunca o iria trocar por ti. – aquela afirmação fez algumas exclamações soarem no banco dos BBA Revolution causando a um certo rapaz umas bochechas rosadas. – Mas claro que tu não sabes isso o que é.
Nicolau: - "Ela está a brincar com o fogo..." – pensou, temendo pelo que poderia advertir daquela conversa.
Alexander sorriu de canto. Os seus olhos, antes divertidos, mostravam agora um brilho alucinado, demoníaco. Ling assustou-se ao encarar aqueles olhos. Nunca o tinha visto daquela maneira. Tão fora de si, tão irritado. Não sabia o que fazer. Não sabia se deveria tentar acalmá-lo ou ignorá-lo.
Alexander: - Achas que eu não sei isso o que é? O amor? O sentimento mais patético e inútil que existe? – apesar de manter um sorriso, os seus olhos mostravam a raiva guardada em si. – Eu sei bem demais o que isso é. E sabes que mais? Eu preferia esquecer! – com isto, o primeiro ataque de Alexander tocou em Ling fazendo-a recuar um pouco. Um pequeno grito ouviu-se, Ling não esperava o ataque.
- Ling!
Ling: - Eu já te disse: eu não vou combater contigo.
Alexander: - Porquê? Tens medo de mim? Ou tens medo de perder o teu anjinho? – um segundo ataque, mais forte que o primeiro, dirigiu-se a Ling. Um segundo grito ouviu-se.
Ling: - Isto não faz sentido! Tu não devias estar a fazer isto! O que é que ele te ofereceu em troca para estares a fazer isto?
Alexander: - Tu não irias compreender. E eu nem me vou dar ao trabalho de explicar. Já chega de conversas, Ling, vamos combater! Black Knight! – um terceiro ataque, mais forte que os outros dois. Um terceiro grito, mais agudo que os outros, e Ling quase que caiu. Ao recuperar o equilíbrio, sentiu um líquido no seu rosto. Passou a mão pelo sítio dolorido e viu que era sangue. – Desculpa. Nunca se deve ferir um rosto de uma mulher, mas... eu não consegui resistir. – comentou, divertido, ao encarar o olhar irritado dela.
Ling: - Muito bem, já vi que não me queres ouvir. Angel ataca!
Alexander: - Finalmente!
Ataques mais elaborados, mais pensados, mais poderosos eram executados. Ling tentava afastar-se de Alexander, mas ele ia sempre atrás dela, atacando-a, fazendo-a recuar, perder o equilíbrio. Enquanto Alexander se mantinha calmo, Ling estava ofegante, cansada, fraca. Nunca imaginara o quão forte Alexander era. Mudou de estratégia, atacou o beyblade preto sem parar, sem misericórdia, numa tentativa de os colocar em pé de igualdade. Pela primeira vez, desde que o combate começara, vira o rapaz recuar, irritar-se por lhe fazerem frente. Viu-o chamar o seu bit-bicho, Black Knight. Um demónio de armadura negra, cabelos compridos também negros. Os olhos tapados pela armadura e uma foice mais alta que ele nas mãos.
Ling não se sentiu intimidada ao ver o brilho vermelho por entre as brechas da armadura, vindo na sua direcção. Em vez disso, chamou o seu anjo. O lendário anjo da luz, que todos acreditavam ser apenas uma lenda. Angel, de armadura dourada, cabelos compridos e loiros, olhos azuis, asas brancas como uma nuvem, segurando um ceptro dourado na mão direita. Um verdadeiro oposto de Black Knight.
Novamente, ataques intensos eram alcançados, mas Ling não estava a aguentar a pressão. Apesar de ter as suas asas a protegê-la, os ataques de Alexander conseguiam perfurar a sua defesa. Feriam-lhe as asas e a ela. Angel sabia do perigo e tentava manter Black Knight afastado, mas o demónio era mais forte. A cada ataque que Alexander lançava, maior era a sua potência, maior era o impacto no corpo fraco de Ling. Mesmo assim tentava contra-atacar, tentava resistir, mas não era o suficiente.
Alexander: - Tens uma força incrível, nunca pensei. – felicitou, cheio de sarcasmo. – Ling, o combate está perto do fim. Tu não aguentas mais. Apesar do teu anjo ser muito poderoso, tu não tens a resistência necessária para me enfrentar. És fraca e o teu anjo só piora as coisas. Lamento Ling, mas acabou. E eu vou levar o que vim buscar.
Ling olhava o rapaz, assustada. Não podia perder, não podia ficar por ali. Não podia! Tinha de vencer, tinha de resistir, tinha de proteger o Angel. Viu a enorme bola de energia negra formar-se na ponta da foice de Black Knight. Viu a bola de energia vir na sua direcção e ouviu alguma coisa, mas quanto mais a energia se aproximava, mais ela não conseguia ver nem ouvir.
Uma imensa escuridão abateu-se no estádio. O silêncio dominou o local por vários segundos, mas rapidamente voltou ao normal. Assim que a claridade invadiu o estádio, Ling estava caída perto das escadas. As suas asas continuavam sobre o seu corpo. Angel estava igualmente caído, enquanto o beyblade branco e dourado parecia querer parar a qualquer segundo.
Miya: - Ling! – um grito desesperado saiu da boca da mulher. – Meu Deus, o que foi que eu fiz? Eu devia tê-la puxado pelas orelhas e tirá-la daquele estádio. Mas é isso que eu vou fazer!
Sr. Dickinson: - Miya, não! Ela está no meio de um combate, não podes ir ter com ela.
Miya: - Stanley, a minha filha está desmaiada à minha frente e achas que não a vou ajudar? Deves estar louco!
Tyson: - O beyblade dela ainda está a girar. Tecnicamente, ela ainda está em combate, mas se ela se demorar muito a levantar será desclassificada. – explicou, odiando cada palavra que dizia. Ling estava a lutar e tudo porque tinha sido demasiado fraco. Porque tinha perdido. Nunca se iria perdoar por isso.
Miya: - A minha filha... – Stanley abraçou a amiga. Não suportava ver Miya triste, logo ela que era uma pessoa tão alegre. E tudo por um erro seu.
Hilary: - A Ling não vai perder, pois não? – perguntou, preocupada.
Kenny: - O beyblade dela... pode parar a qualquer momento. A energia vital dela está fraca. Ela não consegue aguentar muito mais este tipo de combate. Mesmo que ela se levante, o mais provável é que perca o combate. – disse com o portátil em cima das pernas, num tom cansado e preocupado.
Shiori: - No entanto, o bit-bicho dela possui uma grande energia. Uma energia muito maior que a do Black Knight do Alexander. Se ela conseguisse usar essa energia, ela venceria certamente. – explicou, enquanto olhava para o seu próprio portátil, com a luz do mesmo reflectida nos seus óculos finos. Kenny olhou para ela um pouco surpreso, mas não disse nada.
Ray: - Estás a querer dizer que ela tem uma hipótese, mas não sabe usá-la? – perguntou, tentando perceber.
Shiori: - É mais ou menos isso. – respondeu, fechando o portátil e tirando os óculos.
Haruka: - O bit-bicho dela esconde um enorme poder. Maior do que qualquer poder que já possamos ter visto. Mas ela não sabe usá-lo, não consegue controlá-lo e, mesmo que o fizesse, iria desgastá-la, enfraquecê-la imenso. – disse, num tom conformado, olhando o estádio.
DJ: - Só temos mais cinco minutos de espera. – avisou Jazzman.
Kai: - Espere mais um pouco! – pediu, olhando sério para o DJ. O homem ficou um pouco confuso, sem saber o que dizer. – Ela vai levantar-se. – disse, voltando a sua atenção ao estádio, onde Ling continuava caída.
DJ: - Apenas 10 minutos. – disse, vencido.
No banco dos BBA Revolution, a tensão tomava conta do ar. Estavam todos preocupados. Ling não se mexia, parecia o fim do combate. No entanto, Kai mantinha a esperança acesa. Queria manter. Queria que ela se levantasse, que ela voltasse a ter aquele ar sério e que acabasse com o combate. Mas esses mesmos desejos escondiam desejos mais profundos que ele mesmo desconhecia que tinha.
Os The Demons, apesar de estarem felizes por o combate estar a acabar, não se sentiam bem com a vitória, com o prémio da vitória. Tinhas-lhe sido prometido um sítio para morar, um refúgio do frio, da fome, da miséria. Era um bom prémio, mas perguntavam-se se os fins justificavam os meios. Tinham conseguido sobreviver por vezes de forma pouco honesta. Quando atingiram idade para trabalhar tinham-no feito, mas nunca era o suficiente. Eram sobreviventes e sempre o seriam.
Mas agora que olhavam para trás, não sabiam se aceitar a proposta de Boris tinha sido a melhor opção. Aquele homem parecia mais perigoso do que mostrava ser. Não conheciam o seu passado, não sabiam que tipo de crimes já cometera, mas ter um tecto pelo qual não chovia era muito tentador.
Boris: - Estou quase a conseguir. E tudo graças a vocês, rapazes! – disse, com um sorriso um tanto irónico.
Ivan: - Hnf, eu só espero que cumpra a sua promessa. – replicou, irritado. Boris apenas sorriu de canto.
-x-
Ling continuava caída, sem dar um sinal, no entanto ela estava cheia de vida no sítio onde se encontrava. Após o ataque, Ling acordara num sítio cheio de luz, uma espécie de vazio iluminado. A jovem estava sentada e observava cada canto. Não via nada para além de luz. Tentou chamar por alguém, mas não ouvia nada em resposta para além do seu eco. Passou-se tempo que ela não conseguiu definir quanto. Quando tinha desistido, ouviu passas atrás de si. Virou-se, ainda sentada, e não evitou sorrir.
Ling: - Angel... onde é que eu estou?
- Tu desmaiaste. Acho que se pode dizer que estamos na tua mente.
Ling: - Na minha... mente? Espera, eu desmaiei? Então e o combate?
- Tem calma. Ainda não perdeste. Continuamos em jogo, mas dentro de pouco tempo poderás perder.
Ling: - Eu tenho que voltar! Eu não posso perder, tenho que proteger-te! – disse, entrando em pânico.
- E vais voltar. Mas tu estás fraca, não te consegues levantar. Muito menos combater. Estás ferida. – ajoelhou-se em frente da mestra e passou-lhe a mão no rosto, no sítio onde estava o corte mais fundo. – A culpa é minha.
Ling: - Não, não é. – disse, segurando a mão de Angel.
- Eu devia ter-te protegido. Devia ter mantido a minha promessa.
Ling: - Mas é isso que estás a fazer. Não te preocupes tanto. – pediu, continuando a segurar na mão do anjo.
- Mas eu vou proteger-te. Não vou permitir que mais ninguém te magoe. Vou cuidar de ti, vou ajudar-te a vencer. – a sua face, normalmente calma, estava séria. Ling estranhou esse facto.
Ling: - Angel, do que estás a falar?
- Não te preocupes, vai correr tudo bem. Nós vamos vencer, eu juro. – um sorriso já brilhava na sua face enquanto, lentamente, ia separando a sua mão da de Ling.
Ling: - Angel...? – a princípio, não sabia do que o seu anjo poderia estar a falar. Como poderia ajudá-la a vencer se estavam presos naquele sítio? Então a resposta ocorreu-lhe como um flash. – Espera, tu não estás a pensar...? – no mesmo momento em que perguntou, Angel largou-lhe a mão. Mantinha o seu sorriso calmo enquanto o seu corpo começava a desaparecer. – Angel, não! Pára com isso! Angel! – ele ouvia-a, mas não o fazia. Continuava a desaparecer, lentamente. – Angel, isto é uma ordem, PÁRA! – com lágrimas nos olhos, Ling tentou novamente, sem sucesso. Quando só restava a face do doce anjo, ele aproximou-se da mestra e beijou-a levemente na testa.
- Adorei conhecer-te, proteger-te, estar ao teu lado. Foste a minha luz durante este tempo, Ling Akimoto. Obrigado. – sorria continuamente. Um sorriso que nunca vira na face do seu anjo. Ling não continha as lágrimas, nem queria.
Ling: - Pára com isso. Quem... quem é que me vai proteger agora?
- Não te preocupes, já tens quem te proteja. – uma pena vermelha caiu junto de Ling e ela percebeu a quem ele se referia. Lentamente, o rosto também desapareceu e juntou-se a uma bola de energia dourada que pairava no ar. Essa mesma bola entrou no corpo de Ling.
Ling: - ANGEL! – não conseguiu evitar gritar o nome do seu melhor amigo. Tanto pela dor, como pela raiva de ele não a ter obedecido. Gritou, tentando libertar-se daquele sentimento e da energia do anjo que entrava dentro dela. Mas nada disso serviria para a ajudar.
-x-
DJ: - Lamento, mas tenho que... – Jazzman parou de falar ao ver o anjo começar a brilhar e a desfazer-se em pequenas partículas de energia. – O que se passa aqui?
Miya olhava para o estádio, atónica. Sabia exactamente o que se passava, mas não queria acreditar. Sempre ouvira que aquela técnica era uma mera lenda. Não se sabia se era realmente verdadeira, porque o anjo continuava vivo. Mesmo perguntando-lhe pessoalmente, ele não respondia. Mas estava a ver, naquele momento, a realização de todas as histórias que ouvira em pequenina.
Kenny: - Isto não pode estar a acontecer. – o rapaz olhava, espantado, para o ecrã do seu portátil.
Shiori: - É impossível... – curiosa, aproximou-se de Kenny para ver as análises dele.
Miharu: - Será que os dois geniozinhos podem dizer-nos o que se está a passar? – pediu, impaciente e preocupada. Shiori olhou a amiga e tirou os óculos.
Shiori: - Miharu, pelo que parece a energia vital da Ling está a aumentar imenso. É como se o bit-bicho dela lhe estivesse a fornecer energia.
Miya: - Ele está a fornecer-lhe energia. – a voz dela soou firme e séria.
Sr. Dickinson: - Miya...
Miya: - Esta é uma técnica lendária na minha família. Dizia-se que, num último estado de poder, o anjo iria fundir-se com o mestre e juntos iriam vencer o combate. Mas esse poder trazia uma derrota para o vencedor. Quando o combate terminasse, o anjo iria desaparecer e nunca mais voltaria à vida.
Hilary: - Como se morresse?
Miya: - Sim, ele morria com o ataque. Mas todos pensávamos que era apenas uma lenda. Afinal de contas, ele está vivo. Mas, ao que parece, ele vai usar esse ataque com a Ling. – lágrimas formaram-se nos olhos da mulher enquanto abraçava-se a Stanley.
Tyson: - Então, no fim do combate...
Kai: - ... ele vai desaparecer. "Ling..."
Angel continuava a desfazer-se. Já restava pouco do seu corpo. As pequenas partículas douradas de energia continuavam a entrar no corpo de Ling, embora a rapariga continuasse imóvel, sem vida.
Boris: - Mas o que raio se está a passar aqui? Como é que eu posso ter aquele anjo se ele está a desaparecer? – ergueu-se do banco, irritado. Será que tudo aquilo por que lutara iria escapar-lhe por entre os dedos por causa de um combate?
Alexander: - O que será que está a acontecer? – via com preocupação as pequenas partículas entrarem no corpo de Ling.
Quando Angel desapareceu por completo, o corpo de Ling brilhou. Ainda de olhos fechados, a jovem pôs-se de pé. Os seus cabelos pretos ganharam uma tonalidade clara, tendo mesmo algumas madeixas loiras. As suas asas, completamente brancas, misturaram-se em tons de dourado. Ao abrir os olhos, fixou-se directamente em Alexander. Os olhos escuros pelos quais o rapaz ansiava tinham sido substituídos por uns olhos vermelhos, frios e cheios de ódio. Na mão direita da jovem, o ceptro que Angel costumava segurar, passou a ser segurado por ela.
Miya: - Eu não acredito... a lenda é verdadeira... – Miya olhava espantada para a transformação da filha.
Tyson: - Sra. Akimoto, o que se passa com a Ling? – perguntou, preocupado, ao ver o estado da amiga.
Miya: - Aquela pessoa não é a minha filha. – disse com tristeza.
Tyson: - Como? Mas e a Ling? Onde é que ela está? – estava a ficar assustado.
Miya: - Ela vai ficar bem. – permitiu-se a um sorriso, numa tentativa de acalmar o rapaz e os outros. Juntou-se a Kai, ficando a uma distância menor do stadium.
Kai: - Pode-me explicar o que se está a passar? – sabia que era inútil, mas queria tentar de qualquer forma. Miya nem olhou para o seu "genro".
Miya: - Angel! – o seu tom de voz era frio e autoritário, como tinha sido sempre com o belo anjo. – O que significa isto? – Ling voltou-se de imediato para trás.
Ling: - Miya-sama! – o tom de voz dela saiu dobrado e grave. Pareciam duas vozes e, ao mesmo tempo, uma. No entanto, era só uma delas que estava consciente.
Miya: - O que pensas que estás a fazer? Achas que ela te vai perdoar?
Ling: - Miya-sama... terei que correr esse risco! Vou protegê-la. Foi isso que lhe prometi há dez anos e não vou faltar com a minha palavra. Ela não merece sofrer mais.
Miya: - Sabes que ela vai sofrer por ti, que EU vou sofrer por ti! Como podes fazer isso? – "Ling" virou o rosto e respirou fundo. Aquela tinha sido uma decisão difícil, mas tinha-a tomado e iria levar a sua decisão até ao fim.
Ling: - Será a última vez que ela irá chorar. – olhou para o lado de Miya e viu Kai. Fixou o seu olhar no rapaz por algum tempo, observando-o atentamente. – Kai-sama, venha aqui por favor. – Kai encarou a figura de Ling, desconfiado. No entanto, lá no fundo sabia que não era Ling quem o estava a chamar. Aproximou-se da jovem, em silêncio.
Kai: - O que se passa, Ling? – o seu tom pareceu aborrecido demais a Angel, contudo, aquele seria o tom normal com o qual ele se dirigiria à sua mestra, por isso não disse nada.
Ling: - Kai-sama, peço-lhe que proteja a Ling-sama por mim. Que tome conta dela e que acabe com as lágrimas dela. Ela não merece sofrer mais. Por favor, prometa-me isso. – olhar para uma Ling de olhos vermelhos e cabelos alourados era certamente difícil, mas a situação piorava quando essa mesma Ling lhe pedia para protegê-la em terceira pessoa. Mas Kai sabia que não era com Ling com quem estava a falar. Não era com aquela menina bem-disposta e sorridente, mas sim com o rapaz estranho do jardim da família Akimoto.
Kai: - Eu prometo. – a sua resposta provocara um sorriso na jovem. Contudo, não era o sorriso que Kai conhecia. Era um sorriso triste e cansado. Angel virou-se para o estádio e encarou Alexander. O rapaz parecia assustado aos olhos de Angel, mas, afinal de contas, o que sabia ele sobre os humanos?
Alexander: - Ling...? Não é que eu não goste do teu novo visual, mas estás estranha.
Ling: - Tu! Tu magoaste-a, feriste-a, enganaste-a! Fizeste-a sofrer só por mim! Nunca vou perdoar-te por nada do que lhe fizeste. Ela perdoa-te, mas eu não. Aproveitaste-te da inocência dela, jogaste com os seus sentimentos e ainda querias que ela ficasse contigo? Ela é ingénua, mas nem tanto.
Alexander: - Do que estás a falar? – perguntou, confuso.
Ling: - Está na hora de pagares pelo que fizeste. Está na hora de acabar com este combate!
Girou o ceptro e fê-lo desaparecer. Este converteu-se numa bola de energia, segurada por Angel. O anjo fez a bola de energia crescer nas suas mãos até formar uma gigante. Alexander temia o que poderia passar-se a seguir, mas estava ali para combater e era isso que ia fazer.
Alexander: - Não sei o que se passa, mas eu não me vou rebaixar. Black Knight, contra-ataca!
Ling: - É inútil! O combate vai acabar agora mesmo! Final Justice! – com estas palavras, a imensa bola de energia branca foi lançada em direcção ao seu adversário. Com a luz que se abateu no estádio, foi impossível ver o que acontecia no combate, não sabendo se tinha finalmente terminado ou não.
Continua...
Dimitri: - Meu, é disto que eu estou a falar quando se trata de miúdas! Aquela nova Ling é o máximo! – comentou, com um grande sorriso.
Shiori: - ¬¬'' Dimitri, aquela não era a Ling, era o Angel.
Dimitri: - O.O... (idiota) – Shiori simplesmente vai-se embora, deixando o loiro no seu estado de espanto. Eu aproximo-me do loiro e dou-lhe um golpe com o meu megafone.
Xia: - Dimitri! Acorda, tens que abrir o Cantinho!
Dimitri: - Au! – queixou-se, esfregando o local dorido. – Whatever, mas podias ter avisado que aquilo era um HOMEM!
Xia: - Eu avisei, tu é que não leste. – e vou-me embora com um sorriso triunfante.
Dimitri: - ¬¬... - dando uma volta na cadeira, passando a mão pelos cabelos loiros, conseguindo uns gritinhos histéricos das fãs que ele ganhou nesta fic, e que me deixa orgulhosa, e dando o seu sorriso Pepsodent, Dimitri Disniov começa o Cantinho. – Leitoras e leitores, escritoras e escritores sejam todos bem-vindos à 27ª edição do Cantinho da Xia! – o nosso público constituído por antigos convidados, personagens da fic, os nossos leitores e gente desconhecida aplaude com emoção.
Xia: - Olá a todos, minna! Hum, será que me demorei um pouquinho com este capítulo?
Miharu: - Sinceramente, eu acho que sim. O nosso público precisa saber o final o quanto antes!
Xia: - Calma Miharu, também não vamos apressar as coisas. Bom, este capítulo veio mais tarde porque andei em limpezas e em pintura cá em casa e, claro, como a filha mais velha tenho que ajudar.
Ivan: - A Taichou? A limpar? Histórico!
Dimitri: - E merece ser guardado para a eternidade. Por isso é que pedi à Rika para tirar umas fotos.
Xia: - ¬¬...
Ivan: - Di, tu és inteligente!
Dimitri: - Eu sei. – sorriso convencido. – Rika, traz cá as fotos. – a loira hiperactiva vem rapidamente ter com Dimitri.
Rika: - Aqui tem as fotos, chefe. – disse entregando um pacote que diz "Altamente secreto... e cómico xD" a Dimitri.
Ivan: - Chefe? Di, tu és mesmo bom.
Dimitri: - Eu sei. – sorriso convencido – parte II. – Bom, vejam só! A Taichou de esfregona a lavar o chão. Oh, e a limpar o pó ao seu precioso computador. E nesta ela está a tentar aspirar uma aranha! Isto é ouro puro!
Xia: - ¬¬X...
Miharu: (tentando abafar os risos) – Não sabia que tinhas dotes para fada do lar, Taichou.
Xia: - ¬¬ Cala-te... Vamos responder à review da crazy. Bom, rapazes serão sempre rapazes. Eu acho que, se visses a tal rapariga, a matavas! O Alexander certamente agradeceria.
Alexander: - Com toda a certeza. – sorriso demoníaco. De facto, a sua marca registrada.
Xia: - Sim, eles tiveram um passado muito difícil. Um dia gostava de fazer uma fic a tentar recriar o passado deles. Vamos a ver se temos sorte. ;p Os ramos ainda não chegaram? Não me digam que o Harima se escapou e foi levar os ramos à Tenma-chan? Ai, meu Deus. (Harima Kenji e Tsukamoto Tenma, ambos personagens do anime School Rumble). Quanto à tal fic, já a leste. n.n Os outros casais... eu percebi o teu ponto de vista, mas eu não fiz isso na fic para não ficar muito cliché. Acho que seria muito óbvio. No entanto, one-shots separadas são diferentes... pode ser que tenhas sorte. ;p Obrigado pela review e pelo comentário no blog.
Miharu: - Minna, vou trazer aqui uns avisos. No blog das fics da Taichou, ao qual agora acedem clicando em homepage no profile dela, já estão postadas duas das fics que ela andou a falar. Esperamos que as leiam! n.n
Xia: - E agora o preview do próximo capítulo:
Está na hora de recuperar o perdido à muito tempo. Já é tempo de esquecer o passado e criar um novo futuro. Vidas em risco arriscam-se por outras. A desilusão, a tristeza, a culpa. Uma última conversa poderá terminar com tudo? Capítulo 29: Uma última lágrima
Xia: - E aqui está! Foi curtinho, mas é isto que temos por hoje. x) O capítulo de hoje é o antepenúltimo, minna. A fic acabou ao fim de 30 capítulos, por isso agora estamos em contagem decrescente dos momentos finais. E por falar em finais, está na hora de encerrar o Cantinho. Ivan!
Ivan: - Ahahahahahaha! xD Essas fotos... – ele cala-se ao ver a minha cara. – Minna-san! Então o que acharam deste capítulo? Acham que a bebezinha vai vencer ou o vencedor será o grande líder dos The Demons? Só saberão a resposta no próximo capítulo! xD Aquela parte da mudança da miúda foi esquisita, não acham? Digam-nos o que acharam nas vossas reviews e não se esqueçam de visitar o blog da Taichou.
Jinhos minna-san!
Bye, bye!
