Capitulo vinte e oito

Rompendo o inquebrantável

Depois de entrar à mansão Malfoy, Harry achou que iriam ao despacho para falar, mas Lucius tomou o rumo para as escadas as quais começou a subir enquanto Harry permanecia indeciso sem se atrever ao seguir. Apesar de que levava consigo sua varinha e que não tinha notado nada que indicasse perigo, seguia sem se confiar do loiro.

— Desde aí não poderá me escutar, Potter. —murmurou Lucius sem deter-se.

Harry apertou os lábios para não lhe responder por seu sarcasmo, a cada segundo sentia o odiar mais. No entanto, foi atrás dele. Mas outra vez, ao estar em frente à porta do quarto deteve-se de improviso, sua mente transladou-lhe a uns anos atrás, aí mesmo tinha descoberto a traição de Severus, e seu coração sentiu outra vez como se avariava com a lembrança.

Lucius, quem já se encontrava no interior, girou sobre si mesmo para buscar a Harry. Soube de imediato o que estava passando pela mente do mais jovem, e antes de que saísse correndo, lhe tomou do braço lhe obrigando entrar à habitação.

— Me solte! —gritou Harry reagindo para poder libertar-se. — Nunca mais em sua vida volte a pôr uma mão sobre mim!

— Não ache que tenho muitas vontades, Potter. Gosto de morenos, mas não como de você.

Por toda resposta ante a ironia de Lucius, Harry estampou uma bofetada na bochecha do loiro. Este não se imutou, continuou sorrindo ainda que em seus olhos cinzas podia se notar a ira que lhe inspirava Harry.

— Se não fosse porque Severus te ama, te mataria sem o pensar.

— Parece-me perfeito que tenha claro esse ponto em particular… por mais vezes que o tenha manipulado para levar a essa cama, lhe asseguro que jamais voltará a passar.

— Não tenho vindo a discutir contigo… Se me deixo guiar pelo que me faz sentir, agora mesmo te jogava de minha casa, no entanto, Severus sim me interessa e também meu filho, por isso tens que escutar até o final.

— Ah, agora resulta que nos está fazendo um favor. —exclamou sem evitar algo de cinismo. — Até de seu próprio filho esqueceu-se e tem sido feliz destroçando a vida do homem que supostamente ama, eu tenho vindo para fechar um ciclo somente, porque quando saia desta casa, você terá desaparecido por sempre de minha vida… Qualquer coisa que tenha que dizer, já seja para tranquilizar sua consciência ou para supostamente ser benevolente e nos dar a felicidade que sem você jamais poderíamos ter, então fale já e deixe de perder o tempo.

— Antes deverá prometer-me que não transmitirá o ódio que sente por mim, para Ayrton. —pediu tentando não fazer caso do sarcasmo de Harry.

— É óbvio que não me conhece, eu jamais faria algo assim.

— Isso espero.

Lucius tomou ar, caminhou para a cama desabotoando sua túnica para em seguida deixá-la tendida aos pés do colchão enquanto ele se sentava ocupando o lugar mais próximo à cabeceira. Harry desviou a mirada, era justo aí onde lhe descobrisse deitado com Severus, apertou os lábios e seus punhos.

— Toma assento, Potter, a história é algo complicada.

Harry duvidou, mas foi sentar-se em um cadeirão junto à cama. Lucius então sacou sua varinha. Harry pôs-se em guarda, mas o loiro o único que fez foi fechar as cortinas e acender a lareira dando ao lugar um ambiente mais íntimo.

— Severus ama a Ayrton profundamente… —começou Lucius depois de exalar fundo, sua voz parecia firme, mas não tão fria como acostumada, Harry sentiu que pela primeira vez falava com um homem e não com uma máquina. —… O amou desde antes de seu nascimento, mas não foi Severus quem engendrou a meu filho.

Harry jamais se imaginou que Lucius começasse por uma notícia tão impactante. Sentiu suas pulsações acelerar-se desproporcionadamente, inclusive a mão que sustentava ainda sua varinha tremeu tanto que esteve a ponto da soltar. Fazendo esforço para não mostrar seu perturbação, Harry voltou a guardar sua varinha.

— Não… não é filho de Severus? —perguntou escutando sua própria voz trémula.

— Isso disse.

— Então… quem?

— Quirinus… Quirinus Quirrell.

Harry agradeceu estar sentado, pois achou que se desmaiaria ante essa notícia, mesmo assim, seu corpo se desaguando sobre a superfície do móvel, sua respiração era entrecortada, as ideias lhe davam voltadas na cabeça sem nenhuma ordem, não compreendia, se esforçava no fazer, mas tudo o que poderia lhe ocorrer lhe resultava inverossímil.

— Severus sabe isso? —perguntou titubeante.

—Claro que o sabe, Potter. Não é alguém a quem um pudesse lhe atribuir um filho alheio, ele sempre soube a verdade, eu mesmo lhe confessei e aceitou me ajudar.

— Ajudar a que?

Lucius voltou a guardar silêncio, tinha estado toda a noite pensando bem nas palavras com as que confessaria seu passado, mas agora nem sequer tinha ideia de como começar.

— Acho que será melhor que vamos por partes.

Harry moveu afirmativamente a cabeça, estava algo assustado do que viria e duvidava em se ficar ao escutar era o correto ou não, não queria saber nada que pudesse pôr em perigo seu casal, muito menos agora que a relação ia melhorando.

— Tudo começou um pouco antes de que entrasse a seu primeiro ano em Hogwarts. Quirell pôs-se em contato comigo por indicações do mesmo Lord.

— Com que intenção?

— A ciência verdadeira não saberia o dizer, mas ordenou que engendrássemos um filho.

— Como vou crer isso?... Voldemort não conseguiria nada com isso.

— Acho que o melhor será que o veja por ti mesmo, vejo que é mais desconfiado do que pensei.

Harry olhou como Lucius abandonava seu cômodo leito, e indo para seu armário, sacou um recipiente que o moreno identificou como uma penseira. Não era de pedra como o de Dumbledore, senão talhado em mármore com incrustações de prata. Devia estar enfeitiçado para diminuir seu peso, pois o loiro sustentou-o sem grande esforço para colocá-lo junto à cama.

— Acerca-te, Potter. —pediu friamente, Harry franziu o cenho, mas obedeceu ainda que fosse relutante, a cada segundo que passava lhe dava mais má espinha tudo isso… que pretendia Lucius? Mostrar-lhe alguma cena indesejável?

Lucius removeu o conteúdo do penseira com sua varinha, tomou bruscamente a Harry pelo braço, e ainda que o garoto quis se soltar, já não teve tempo, se viu imerso junto com o loiro nos pensamentos de Malfoy. Chegaram até um lugar no bosque proibido. De imediato de toparam com uma figura encapuchada portando uma longa camada que lhe cobria por completo. Harry aproveitou para soltar-se do aferre do loiro. Este lhe olhou como se tivesse em frente a si a uma pequena moléstia, no entanto, lhe fez uma senha com a cabeça para que o seguisse.

— A onde vamos? —perguntou Harry a cada vez desejando mais sair daí.

— Esse que vai aí sou eu… verá minha primeira entrevista com Quirrell.

Harry não queria ver de novo a seu ex professor de Defesa contra as Artes Escuras, muito menos sabendo o que levava na cabeça nesse então. Chegaram até um espaço no bosque rodeado por grossos troncos de árvores caídos e alguns matagais. Dentre eles emergiu uma figura igualmente ataviada com uma longa camada com capucha, em sua roupa se podia ver algo prateado reluzindo. Harry conteve um grito de horror ao identificá-la como o sangue de unicórnio… seguramente o mago acabava de cumprir um dos rituais de Voldemort para se manter com vida.

— Alegra-me que tenha vindo. —comentou Quirrell e em sua voz não se escutou o tremor que Harry lhe conhecia, em mudança, seus olhos reluziam estranhamente quando se tirou a capucha e olhou ao loiro.

— Não sei que pretende, Quirrell, não creio no que diz na nota que me envou… simplesmente é impossível.

Quirrell sorriu complacente, acercou-se um pouco mais e lentamente foi desenredando o elaborado turbante. Harry notou um estremecimento no loiro que tinha a seu lado, no entanto, nenhum dos dois apartou a mirada do que passava. Puderam ver ao Malfoy da lembrança empalidecer notavelmente quando o rosto de seu Amo apareceu na nuca do Professor.

De imediato se prostrou ajoelhando-se. Harry quase achou que fazia-o mais para dissimular as náuseas que para mostrar alguma adoração.

— Amo.

— É um prazer ver-te de novo, Lucius. —sibilou Voldemort. — É um de meus seguidores nos que posso confiar… Não temos muito tempo, tão só deve confirmar sua lealdade a seu Senhor.

— Confirmo-a, Amo… sou plenamente seu.

— Então seguirá as indicações de Quirell, eu não posso me manifestar demasiado pelo momento, devo guardar forças para completar meu plano.

— Farei o que me peça, meu Lord.

— Preciso um herdeiro, neste momento minha magia esta intimamente unida à de Quirell, de modo que permitirá que te tome até que fique prendado. É um homem fértil e espero que possa o conseguir cedo.

Harry notava a respiração agitada do loiro quem não se tinha atrevido a levantar a mirada do chão, tão só assentia à cada indicação de seu Senhor. De repente, o Malfoy a seu lado voltou-lhe a tomar do braço para sair do Penseira. Ao regressar ao quarto nenhum dos dois disse nada por uns minutos, ainda tensos por ter tido que voltar a ver a Voldemort.

— Bem… suponhamos que já acho que Ayrton é de Quirell. —disse Harry finalmente depois de sentar-se e recuperar seu fôlego. — Severus esteve dentro desse plano?

— Não diretamente. —respondeu conseguindo recuperar-se de imediato, não ia permitir que Potter fosse mais forte que ele. — Começou a suspeitar pela conduta estranha de Quirell, ele mesmo me confessava durante nossas entrevistas que espero não pretenda te descreva. —Harry fez uma expressão de náuseas, nunca em sua vida quereria se inteirar do que Malfoy e Quirell faziam para engravidar ao loiro.

— Deixe seu sarcasmo para outro momento em que me encontre de melhor humor, continue com sua história e me diga como é que se enredou Severus em tudo isso.

— Regressemos ao penseira.

— Não, me diga de frente! —encarou-lhe, odiava ter que os ver juntos.

— Para mim também não é fácil, Potter, e é melhor que veja as coisas tais como foram!

Harry grunhiu, mais de nada lhe serviu porque um segundo mais tarde já se encontrava dentro de outra das lembranças de Lucius. Rapidamente se soltou do braço que o loiro lhe sustentava e olhou a seu redor, estavam em um lugar muito conhecido por ele… a habitação de Severus em Hogwarts.

— Quero sair daqui! —exclamou furioso, não ia poder suportar os olhar a eles aí, se supunha que era seu lar, e lhe doía na alma pensar que aí mesmo Severus e Lucius puderam ter tido algum encontro sexual.

— Só espera um momento.

A porta abriu-se, Harry conteve a respiração ao ver entrar a Severus, e atrás dele vinha o loiro que se notava realmente preocupado enquanto o professor tinha uma expressão de raiva que nunca lhe tinha visto… e nem sequer se comparava ao dia em que Sirius tinha escapado de ser beijado pelo dementador.

— Acha que eu me sinto muito feliz com a situação, Severus?! —lhe recriminou o loiro começando a enfadar-se também. — Ninguém me pediu opinião, tão só me disseram o que tinha que fazer e já, e você é o único que pode me ajudar!

— É que não entendo como o permitiste, Lucius!

— Já te disse que não esteve em minhas mãos, já se quisesse te ver a ti lhe dizendo ao Lord "Não, obrigado, pelo momento não estou interessado em procriar um ramo para que possa criar e o fazer um monstro como você"!

Isso pareceu acalmar a Severus, quem começou a respirar fundo, Harry lhe via tenso, apertava os punhos com impotência. Finalmente o professor foi a ocupar um lugar no cadeirão em frente à lareira. Lucius permaneceu um momento em sua mesma posição, mas depois, já mais acalmado, fez algo que Harry teve vontade de se beliscar para confirmar que não sonhava… Se ajoelhou em frente a seu amigo.

— Ajuda-me. —suplicou debilmente.

Severus olhou aos olhos cinzas, as mãos do loiro encontravam-se em seus joelhos, sujeitou-as com macieza apertando-as entre as suas.

— Não sei como, Lucius. —admitiu pressionado. — Talvez deva lhe dizer a Albus…

— Não! —exclamou quase aterrorizado. — Não, Severus, a ele não!

— Ele conhece bem ao Lord, e tem conhecimentos para o destruir, Potter é ainda demasiado jovem, tenho que lhe dizer para que nos ajude!

— Não!... o único que pode me ajudar é você. Dumbledore quereria sacrificar a meu filho tal como tenta com Potter… por favor, Severus, não o envolva.

— Tentarei encontrar uma solução, prometo.

Os olhos do loiro alumiaram-se com uma esperança, quis fazer algo que Severus impediu colocando uma mão em seu peito, dessa forma conseguiu que não se acercasse. Harry não pôde evitar olhar ao loiro a seu lado, zeloso ao ver que tinha tentado beijar a seu esposo… Ao mesmo tempo lhe orgulhou ver que Severus não lhe permitisse.

Ia questionar isso, quando de novo se sentiu tirado da lembrança sem prévio aviso. De volta no quarto, Harry olhou a Malfoy, tentava estudar sua reação depois desse encontro. O loiro ignorou-lhe e foi sentar-se à beira de sua cama olhando para a lareira acendida.

— Severus encontrou a solução perfeita. —assegurou sem que Harry lhe perguntasse.

— Desde quando ama a Severus?

— Isso não é relevante agora.

— Para mim sim… quero saber desde quando. —insistiu posicionando-se em frente ao loiro. — Porque se amava-o então, não entendo como o envolveu nisso, era um risco extra ao que sempre tinha que se expor, se lhe pediu sua ajuda é porque estava inteirado que era um dobro espião e mesmo assim, não se importou.

— Eu sentia algo especial por Severus. —respondeu depois de dar-se conta que não conseguiria sacar ao moreno de sua curiosidade. — Nossa relação começou durante o colégio, mas foi demasiado breve, ele tinha outras prioridades e jamais sentiu por mim nada que não fosse uma amizade, e se talvez, tão só atração física, não o suficientemente forte para me pedir que não me casasse com Narcisa… ainda que, se tenho de ser sincero, acho que nem ainda que me pedisse o tivesse feito, eu já tinha decidido que meu destino era ser um triunfador e isso eu conseguiria unindo minha fortuna à dos Black. Jamais me passou pela mente que ao Lord se lhe ocorressem outros planos para mim.

— Seguia sendo sempre tão egoísta como agora.

— Assim é, Potter, era egoísta. —reafirmou indiferente à crítica do moreno. — Agora, se me permite, será melhor que continuemos… Está pronto para voltar?

Harry ocultou um estremecimento, aquela era a primeira ocasião que Lucius lhe avisava da viagem a suas lembranças, seguramente não se encontraria com nada agradável. E não se equivocou, foram transladados a um lugar desconhecido, era uma espécie de cabana muito luxuosa no alto de uma montanha, totalmente isolada do mundo. Aí, em uma dos quartos, e pese a estar coberto por cobertas de seda pura, estas se encontravam cobertas por sangue… o sangue de um parto.

O rosto de Lucius encontrava-se coberto de suor, via-se tendo uma enorme dor pese a que não emitia nenhum grito, suportava tudo com estoicismo. Atendendo o parto encontrava-se uma parteira. Harry soube que aquilo devia ser um golpe ao orgulho de um Malfoy, seguramente tivesse podido ser atendido no melhor hospital do mundo muggle, com o melhor medimago experiente em partos masculinos, quiçá lhe realizando uma cesárea para evitar a dor e atender prováveis complicações.

Mas não, em mudança disso, era uma parteira singela, que não parecia ter mais conhecimentos que manter as mãos em guarda para sustentar à criatura que saía. No entanto, o que mais lhe inquietava a Harry, era ver a Severus sentado na cabeceira da cama, limpando a testa do loiro, lhe dando ânimo com algo parecido ao carinho. Sorriam-se, como se fossem um casal de apaixonados esperando a seu primeiro filho… e Harry se perguntou quando tinha mudado isso, a última ocasião Severus não parecia tão partícipe, agora era realmente um pai esperando a chegada do primogênito.

— Assim está melhor? —perguntou Severus colocando uma compressa fria na testa de Malfoy, aproveitando que a mulher se tinha apartado para ir por um balde de água quente.

— Sim… obrigado. —respondeu sorrindo-lhe apesar da dor. — Para valer não terá perigo? Ainda não é tempo de que nasça e essa velha não me dá boa espinha.

— Tudo estará bem, te prometo.

Lucius sorriu confiado e apertou novamente a mão de Severus ao sentir outra vez a dor. Nesse momento a parteira regressou e ao ver que já não faltava muito, se pôs em posição.

— Empurre uma vez mais, senhor. —disse-lhe.

— Estúpida mulher! —exclamou Lucius baixinho, ainda que a única que pareceu não escutar foi a aludida. — Que supõe que tenho estado fazendo as últimas duas horas?

— Não seja ranzinza, que é seu filho o que está por nascer. —respondeu Severus colocando a cabeça de Lucius sobre sua colo. — Anda, eu sei que pode… ou é que não é um Malfoy?

— Um Malfoy também tem terminais nervosos que provocam dor.

— E muito valor também… puxa uma vez mais.

A voz de Severus inundou de forças ao estragado loiro, e depois de voltar a puxar, escutou-se um forte pranto que provocou os sorrisos dos dois homens. Ao ver isso, Harry recordou seu próprio parto, Severus também estava com ele e viu essa mesma expressão quando lhe levou seu filho a seus braços quando acordou da anestesia.

— Parece-se a ti. —comentou Lucius assim que teve a seu filho em braços.

— Como se vai parecer a mim? —disse divertido, acariciando o cabelo loiro do recém nascido. — Está louco, Malfoy.

— Eu sinto que é como seu filho… gosto de pensar desse modo e não na realidade, por favor, Severus, ainda que meu menino tenha outro papel em sua vida… ainda que o Lord o recrute ou me tire, me deixa sentir que é nosso bebê.

— Ninguém te tirará, já verá que vamos conseguir salvar a seu bebê… a nosso bebê. —concluiu sorrindo-lhe ante a alegria do loiro.

Harry conhecia bem a Severus e ao lhe escutar lhe dizer "nosso bebê" sabia que em realidade ele sentia assim, não soube como se sentir ao respeito… estaria apaixonado de Lucius como para ter tal sentimento de propriedade para o menino?

— Isto não era necessário que o visse. —grunhiu girando o rosto quando Severus foi a sustentar ao bebê para o levar junto a seu outro pai.

— E é, quero que note a diferença… ele fez, Potter?

— Não sou estúpido, melhor me explique qual é a intenção de me mostrar o parto.

Lucius sorriu com malícia dantes de sussurrar-lhe um "o saberá a seu tempo" e em seguida levá-lo para outro de suas lembranças. Aqui, encontravam-se novamente na mansão Malfoy, quase não tinha mudado nada nela, mas Severus se notava preocupado e caminhava de um lado a outro enquanto Lucius permanecia sentado em frente à lareira, já não estava grávido, mas não tinham a Ayrton com eles. Harry supôs que então já deviam do ter escondido.

— Não posso o crer. —murmurou Severus levando-se as mãos à cabeça, via-se muito contrariado. — Porque me ocultou isso?

— Não queria te preocupar a mais, pensei que poderia chegar ao evitar. Disse que poderia conseguir que Quirell fracassasse em seus planos com a pedra filosofal.

— Lucius, não quero que me volte a ocultar nada nunca jamais, estamos juntos nisso e nossa vida é a que se encontra em jogo… e agora que falamos de horcruxes tudo se complica.

— Fiz o que o Lord me pediu… agora sei como fazer um, Severus, mas não me disse quando nem como é que quererá que lhe ajude.

— Bem, segue atuando como um súbdito leal… Acho que não temos mais remédio que esperar.

Lucius assentiu, pôs-se de pé para aproximar-se para o moreno. Suavemente rondou-lhe pela cintura abraçando-lhe e repousando sua cabeça no ombro do outro homem. Nesta ocasião Severus não se retirou, lhe rodeou com seus braços dantes de usar seu rosto para buscar o do atraente magnata. O coração de Harry se amassando quando viu os dois pares de lábios a ponto de se unir, e foi agora ele quem puxou a Lucius para sair dessa lembrança. Mas o loiro desfez-se do braço e ignorou ao moreno quem saiu só.

Para Lucius era impossível separar os olhos da cena, de ver a Severus despindo-lhe e beijando a cada parte de sua pele… naqueles dias eram gloriosos para ele, ainda Harry Potter não existia no coração do professor e suas caricias podiam levar ao céu em um segundo. Podia sentir seu entreperna excitando-se ao presenciar a mão de Severus adentrando-se dentro de sua calça para apertar sua masculinidade. Ouviu seus próprios gemidos quando ao final se viu e quase voltou a se sentir invadido… aquela tinha sido a primeira vez de seu trato, um trato ao que Severus chegou convencido de que estava fazendo o melhor, e de que jamais teria que sacrificar nada… após tudo, não tinha esperanças de encontrar a ninguém que lhe amasse mais que Lucius Malfoy.

Ao sair do penseira, olhou a Harry esperando com o cenho franzido, os braços cruzados e umas quantas coisas rompidas em sua habitação.

— Desfrutaste-o? —refutou zeloso ao notar as bochechas turbadas do loiro.

— Como não tem uma ideia.

Harry bufou, não soube como se conteve para não usar sua varinha contra ele, decidiu recordar que ainda tinha muitas coisas que tinha que saber, de modo que respirou fundo para continuar.

— Horcruxe? —perguntou tentando esquecer da cena romântica. — Fez algum horcruxe que não conheça?

Não podia lhe negar, tinha medo, recordava as vezes que tinha doído sua cicatriz quando supostamente Voldemort já estava morto, e a só possibilidade de que tivesse pelo mundo outro troço da alma de seu inimigo lhe provocava um oco no estômago.

— Assim é. —aceitou Lucius sentando-se novamente em sua cama. — Será melhor que isso te conte pessoalmente, Potter, é algo impactante ver como sucedeu e não quisesse ter que o ver de novo.

— Então fale.

Lucius respirou fundo, Harry tinha voltado a sentar-se em frente a ele disposto a lhe escutar com atenção ainda que o que estivesse por escutar fosse a aberração que lutava por não imaginar.

— Como escutou, o Lord me ordenou aprender a fazer um, ele não tinha força para o realizar ainda que o propósito é que o horcruxe fosse seu, não meu. —assegurou voltando a tomar ar, Harry notou que realmente lhe era difícil recordar esse momento de modo que não lhe interrompeu pese a que tinha muitas interrogantes em mente. — Tudo sucedeu no mesmo dia em que te enfrentaste a Quirell. O Lord tinha muitas esperanças de fazer da pedra filosofal, e ao não o conseguir, me fez chamar de imediato.

—Dumbledore não se deu conta, estava demasiado ocupado em te ajudar depois de perder o conhecimento. O senhor Escuro abandonou o corpo morto de Quirell e ocupou o meu.

Harry gemeu horrorizado, não se tivesse imaginado isso, qualquer coisa menos isso. Lucius tremia de suas mãos, e quis dissimula-lo apertando a teia de sua calça, mas mesmo assim, seus olhos mostravam a angústia da lembrança.

— Estava muito débil… —prosseguiu o loiro. —… ele usou toda minha força para que, com sua própria magia, lhe ajudasse a formar o horcruxe, não queria perder mais tempo nem energia do necessária. Assassinou a Quirrell através de mim, e graças a isso conseguiu o horcruxe.

— Eu… eu pensei que o depositaria em mim. Severus e eu tínhamos falado ao respeito e pensamos que esse era seu plano, ter de seu lado a seu vassalo leal que cuidaria sua alma e lhe alimentaria, mas não foi assim… Nos equivocamos e tem sido um erro que sempre me reprovarei.

— Não… não te usou a ti? —perguntou Harry titubeante, atuando-lhe pela primeira vez em sua vida.

— Para minha desgraça, não, eu tivesse podido suportar isso, não a realidade que chegou inesperadamente. —respondeu Lucius, sua voz escutava-se avariada. — A horcruxe que fez foi meu filho, foi Ayrton.

Harry sentiu que tudo se apagava a seu redor, de repente o único que foi a sua mente foi Anthony, a ocasião em que sua magia foi drenada em um ato que ele pensou era uma travessura algo maldosa… agora sabia que foi algo mais que isso, teve tanto medo pelo que pôde lhe ter passado a seu filho que teve que se conter de não sair correndo ao buscar para estreita-lo com seus braços e não o soltar nunca.

— Não julgue a meu filho. —pediu Lucius crendo saber o motivo da palidez do moreno. — O que tem estado fazendo ultimamente…

— Ultimamente? —interrompeu lhe furioso. — Desde quando não estarão passando coisas que vocês têm ocultado?!

— Nunca! —afirmou igualmente furioso. — Meu filho é um garoto de bons sentimentos, mas há circunstâncias agora que o mudaram muito, e por isso mesmo tenho decidido pedir sua ajuda! Ainda que morra-me de frustração, acho que é o único que pode o conseguir!

O Gryffindor franziu o cenho, não estava muito conforme com essas palavras. A preocupação aumentava à cada segundo, e não queria nem pensar em Severus e em que lhe tinha ocultado uma informação tão importante sem pensar no risco que corriam todos… que corria Anthony.

— Severus e eu sabíamos que a personalidade de Ayrton poderia ser influenciada pela magia maligna que habitava dentro dele. —prosseguiu Lucius ao cabo de uns segundos em que ambos conseguiram tranquilizar-se. — Ele me ofereceu uma solução, algo que jamais esperei, era demasiado bom para ser verdade, e por suposto que o aceitei.

— Que?

— Minimizar a magia de Quirrell.

— Mas…

— Compreendemos que a intenção de usar a Quirrell era que sua magia alimentasse a do Senhor Escuro, e ao não ser assim, essa magia ficaria opacada. Severus sabia como fazer a um lado a magia de um corpo, é um experiente nas artes escuras, e conseguiu uma poção na que se podia ter tal resultado. A magia de Quirrell ficaria em suspensão em Ayrton, com isso impedíamos que uma força maligna alimentasse a do Lord a qual não podia se manifestar demasiado ao ser muito débil nesse então.

— Não puderam fazer o mesmo com a de Voldemort?

— Severus tentou-o, mas sendo um horcruxe tinha poderes estranhos, não foi possível o fazer, a única opção era lhe tirar sua fonte de força. No entanto, isso não foi suficiente, Ayrton não poderia estabilizar bem sua magia com só uma memória paterna, de modo que tivemos que recorrer a um rito no que a magia de Severus substituiria aquela que ficaria minimizada.

— Isso quer dizer que a magia de Severus mantinha em controle a de Voldemort?

— Exato

— Dessa forma terminou sendo realmente seu pai?

— Assim é… Magicamente falando, Severus e Ayrton são pai e filho, ainda que não levem o mesmo sangue. Durante anos, Severus tem estado tomando filtros para não desestabilizar-se, pois graças a ele e à magia que tem cedido mensalmente a Ayrton, é que meu filho tem podido sobreviver.

— E qual é o rito que tinham que fazer?

Lucius olhou brevemente a Harry, essa era precisamente uma pergunta chave. Não apartou a mirada do moreno, se obrigando a não se mostrar humilhado por ter que pronunciar as seguintes palavras.

— Severus viu-se obrigado a tomar meu corpo, só assim se conseguiria que o rito tivesse sucesso. Minha magia lhe reconheceria e não seria recusada pelo corpo de Ayrton… por isso teve que realizar o rito comigo.

— E imagino-me que você estará muito disposto ao sacrifico verdadeiro? —comentou mordaz enquanto seus verdes olhos refulgiam raiva e ciúmes.

— Ainda que não o creia, assim foi. Eu tinha reais sentimentos por Severus, mas nada comparado com os efeitos do rito.

— Efeitos?

— Supunha-se que atuaria como um filtro de amor, nasceria um afeto para mim que ajudaria a que nossas magias se unissem… mas não soubemos jamais que passou que não sucedeu assim. Severus não teve o efeito, senão eu. E meus sentimentos por ele se intensificaram de tal forma que não só estaria disposto a lhe entregar minha vida, senão minha alma também.

— Seu amor é um feitiço?

— Em parte sim. Eu já estava apaixonado desde antes, era impossível não terminar lhe entregando tudo de mim quando Severus se desvivia por me salvar a mim e a meu filho… Mas é um feitiço ao que não renunciaria, o amo com todas minhas forças, e poderia viver lhe dedicando a cada segundo de minha vida… Quero que seja feliz, e renunciei a conquistar seu carinho desde o mesmo dia em que me confessou que estava se apaixonando de ti.

— Severus disse?

— Me disse inclusive antes que a ti mesmo, Potter. Sempre quis ser sincero comigo e isso lhe agradeço, pois assim evitou me romper a alma… e não é vulgaridade, é simplesmente a verdade, o feitiço o tivesse feito em seguida.

— E suponho que pensa que devo me sentir melhor por isso.

— Vale-me um soberano amendoim como te sintas ao respeito! —exclamou sem poder evitar levantar a voz.

Harry olhou com ódio ao loiro, ia responder-lhe, mas este se pôs de pé caminhando de um lado a outro desesperado.

— É um maldito egoísta, Potter! —continuou bufando com raiva. — Sempre pensando em ti, e ainda não é capaz de compreender o sacrifício que fazia Severus por Ayrton!... Eu o vivi, eu tive que me morder os lábios para não dizer nada quando via que tinha que pensar em ti para excitar-se, tive que aguentar a dor quando fechava os olhos e sem querer pronunciava teu nome ao beijar-me… e tudo o fazia por cumprir uma promessa que me fez antes de ter nada contigo!

Harry não podia comover pelas palavras carregadas de dor e frustração de Malfoy, simplesmente lhe era impossível saber que Severus tinha mantido uma dupla vida com outro homem e não se sentir furioso por isso.

— Será melhor que termine de te contar tudo, o tempo pode terminar em qualquer momento. —prosseguiu Lucius regressando a sua cama, seu rosto já luzia mais tranquilo depois da breve explosão.

— Pois continua e acaba de uma vez.

— Quando o Lord voltou durante a prova dos três magos, quis ver a Ayrton. Felizmente Severus conseguiu convencer-lhe que era melhor o manter oculto, uma arma que ninguém esperava garantia o triunfo. O Senhor Escuro decidiu então que aproveitaria se sentir em boas condições depois de usar seu sangue, e ante nosso horror, fez o inimaginável… seu nono horcruxe.

Harry moveu negativamente a cabeça, era demasiado já. Agora demais tinha outro. Porque Dumbledore confiou-se tanto em que nem Voldemort se atreveria a fazer mais de sete?... tinham cometido um erro demasiado grave.

— Qual é esse outro horcruxe? —questionou cansado.

— Tem em frente a seus olhos.

De um salto Harry pôs-se de pé, olhou ao loiro com náuseas, e sem poder evitá-lo, sacou sua varinha apontando-lhe diretamente ao coração. Lucius não se imutou nem sequer um pouco, tão só se terminou de acomodar sobre sua cama como se se dispusesse a tomar uma cômoda sesta.

— Não se moleste em usar essa varinha comigo… morrerei de todos modos.

— De que está falando?

— Recorda a mudança de Severus durante o parto de Ayrton?... pois bem, nesse então já tínhamos algo mais que nos unia. Eu estava tão temeroso de que meu filho fosse descoberto como ramo de Voldemort que fiz que Severus me fizesse uma promessa. Uma promessa que certificamos um tempo depois, quando Ayrton se converteu em um horcruxe.

— Que promessa?

— A promessa que estou rompendo… guardar silêncio sobre a origem de Ayrton.

— Talvez…?

— Assim é, Potter, foi um juramento inquebrantável.

Harry não soube que dizer, se isso era verdadeiro, Lucius estava lhe rompendo, o qual significava que teria que pagar o preço.

— Quando eu morra, Potter, poderá destruir o horcruxe que habita em mim… Mas antes tem que me prometer que ajudará a meu filho a se libertar do seu. É um bom garoto, o que tem feito é porque desde que você e Severus regressaram já não tem tomado o filtro, de modo que a magia escura de Quirell voltou a tomar força e conseguiu acordar a horcruxe… e com isso, também ao Lord.

— Porque não o toma?

— E pergunta-lo?... Desde que apaixonou-se de ti, Severus viveu tentando criar um filtro novo que não precisasse do rito. Quando voltasse tão só tinha alguns que não eram tão efetivos, mas não queria voltar a te falhar, de modo que meu filho não foi capaz de manejar sua combinação mágica, a mais forte sobressaiu, e deixou que suas emoções negativas lhe dominassem.

— Mas Severus confessou-me que voltou a me enganar.

— Faz pouco desesperou-se, sobretudo depois do sucedido a Anthony, não queria se arriscar a que seu outro filho fosse danado e voltou a recorrer a mim, mas se te faz sentir melhor, às vezes tinha necessidade de um Imperius para que conseguisse cumprir sua parte, não obstante, nessa ocasião nem isso pôde o conseguir, se sentia demasiado mau te traindo e tive que usar também um Obliviate temporário, só assim pôde passar, mas tudo foi inútil… Ayrton não aceitou tomar o filtro… já era demasiado tarde para ele, a alma de meu filho está presa e eu preciso que o ajude a se libertar.

Harry não podia crer o que escutava, se sentia terrível de imaginar a Severus nessa situação, lhe doía saber porquanto tinha passado. Mas não era hora de pensar em seu companheiro, a petição de Lucius lhe mortificava.

— Mas, a única forma é…

— Severus sempre confiou em ti, ele me dizia que conseguiria vencer ao Senhor Tenebroso, eu não lhe cria e por isso quis jogar duplo lhe sendo fiel também a ele!... precisava assegurar-me que meu filho não resultasse uma arma, de um lado ou do outro. Agora quero confiar em ti, Potter… Ajuda a meu Ayrton!

Harry olhou fixamente aos olhos cinzas, nesse momento notou a respiração agitada de Lucius e não era precisamente pela ansiedade que sentia. Uns passos pressurosos escutaram-se pelo corredor, ambos voltearam para a porta no justo momento em que esta se abria e aparecia Severus.

— Demasiado tarde. —comentou Lucius sorrindo-lhe com macieza.

— Que faz aqui? —perguntou Harry olhando a seu esposo que não apartava a mirada do loiro.

— Busquei-te no Ministério… disseram-me que tinha saído com Lucius e vim para aqui de imediato.

Harry não respondeu, Severus evitou lhe olhar diretamente, algo lhe fazia pressentir o que passava e silenciosamente caminhou para a cama, onde notou de cheio a palidez de Lucius.

— Que fez?

— É livre, Severus… já não há promessa que cumprir. Potter tinha que saber para poder ajudar a Ayrton.

— Mas… prometeu também, prometeu que ocultaria o segredo de Ayrton.

A voz do professor sentia-se doída, sentou-se à beira da cama e suavemente acariciou as longas fibras prateadas enquanto Lucius sorria impassivelmente.

— Amo-te… faria o que fosse por ti.

— Podíamos tê-lo solucionado juntos.

— Não, já não podíamos deixar passar mais tempo… Ayrton está perdendo a batalha. —comentou começando com dificuldade para respirar. — Não se preocupe por mim, eu me sinto bem, e se tinha que eleger uma forma de morrer, não há melhor que esta… Aqui, nesta cama… e contigo olhando aos olhos.

— Lucius…

— Há algo mais que tens que saber, Potter… e você também, Severus, me perdoa por não te ter dito antes. —agregou Lucius depois de sorrir-lhe ao moreno. — Fiz um feitiço de enlace contigo… tinha muito medo de que apesar de sua promessa quisesses te ir em um dia, e quando me disse que se tinha apaixonado, decidi me assegurar que jamais nos abandonaria nem a mim nem a Ayrton. Não pude conseguir que deixasse de amar a Potter, por isso te deixei ir a seu lado, porque eu confiava em que sempre voltaria a mim, ainda que não fosse por amor.

— Lucius… não devia, eu não te teria abandonado.

— Não o sei, Severus. A cada vez que via esse brilho em seus olhos ao falar dele algo em meu interior me dizia que chegaria o momento em que te cansaria de mim, após tudo não tinha nenhuma obrigação real… o lamento muito.

Harry já não sabia nem que pensar, todas essas ideias davam voltas em sua cabeça tentando as entender, notou que Severus estava algo tenso depois da última confissão de Malfoy, no entanto se conteve de realizar nenhuma reclamação e apertou a mão de Lucius.

— Perdoo-te por isso, mas a meu filho jamais o abandonaria jamais. —disse convencido.

— Obrigado… Agora tem que ir com Ayrton… ele o vai sentir e só você poderá o controlar… te precisa.

— Como te deixar só neste momento?

— É nosso filho o que importa… Vá com ele e lhe cuida muito.

Severus assentiu. Harry preferiu então dar-lhes as costas, não sabia como se despediriam e preferia jamais se inteirar. Continuou em sua mesma posição até que escutou os passos de Severus abandonar a habitação, então voltou a olhar ao loiro.

— Tem muita sorte. —assegurou Lucius sem deixar de olhar a porta fechada.

Não teve resposta por parte do moreno. Lucius sorriu tristemente enquanto convidava-lhe a acercar-se e depois de uns segundos de indecisão, terminou aceitando e foi sentar-se no lugar onde estivesse antes seu esposo.

— Sabe? Quando lhe pedi a Severus que me fizesse a promessa inquebrantável, ele disse que não era necessário, que confiava em que você ia poder libertar ao mundo do Senhor Tenebroso… Nunca lhe vi falar assim de ninguém, e nesse então tão só te via como um menino. Mesmo assim confiava em ti… O mau é que eu não, por isso terminei lhe convencendo de me dar essa palavra de morte e honra.

— Severus disse-te isso nesse então? —perguntou tentando ocultar os batidos de orgulho de seu coração.

— Sim, fez. Enfim… não é a companhia que tivesse querido à hora de minha morte… mas pelo menos não estarei sozinho.

— Precisa algo? —perguntou tentando ser cortês, não se lhe ocorria que mais podia dizer em um momento assim.

— Nada, tão só te pedir que perdoe Severus, mas acho que isso está a mais… se o ama, deve entender o porque o fez.

Harry assentiu e não voltou a pronunciar palavra por alguns minutos. De repente, um arquejo fez que o coração lhe saltasse no peito, olhou a Lucius, já tinha uma sombra cadavérica anunciando sua próxima morte.

— Já não falta muito… —gemeu debilmente. —… quando passe, Potter, então poderá destruir o horcruxe.

O moreno moveu a cabeça afirmativamente. Então os lábios de Lucius abriram-se em uma expressão de dor, mas não brotou nenhum som. Uma sombra escura, foi saindo tenebrosamente de sua boca. Harry retrocedeu preparando-se.

No justo momento em que toda a sombra saiu do loiro, Harry apontou para ela e de um avada, conseguiu a destruir.

— Sente-se bem… ser livre outra vez. —sussurrou Lucius com uma expressão de absoluta paz em seu rosto. —… faz que meu filho… seja livre também.

Harry não teve tempo de responder, Lucius fechou os olhos nesse momento e sua respiração se cortou.

Nesse momento, no salão de Transformações. Ayrton soltava sua varinha, as costas se arqueou notoriamente ao mesmo tempo que um aterrador grito brotava de sua garganta. Mcgonagall olhou-lhe assustada, os demais parceiros do garoto ficaram paralisados ao ver uma luz vermelha brotar do corpo do menino acompanhada por uma força que terminou por arrojar a todos contra as paredes.

A Professora mal atingiu a cobrir aos mais pequenos que tinha perto enquanto impotente, via a alguns de seus alunos ficavam sem sentido sobre o chão, alguns sangrando de feridas provocadas pelos golpes.

O grito de Ayrton era terrível, congelava o sangue e arrepiava a pele… mas nada foi comparado a quando seu gutural som se transformou em umas palavras que davam a impressão de que a morte se cernia ameaçante sobre eles.

— Vou matar-te, Harry Potter!... Te matarei!

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Nota tradutor:

Nossaaaaa

Puta capitulo loucooooo!

Vejo vocês nos próximos capítulos

Ate brve

Fui…