Suellen – Que bom que está gostando da fic, Kamus e Shurinha terão seus passados revelados, mas não nessa fic e sim na continuação, no capitulo final vai entender o porque. Muito obrigada pelos elogios.

Iodes – Shakinha vai encontrar a mana dele, pode ter certeza e não é imprenssão, vai ter uma continuação, aguarde ainda grandes surpresas para essa fic.

Sophie – Obrigada pela review. Vou fazer o possível para postar rápido, mas meu tempo anda corrido, mas ela já esta caminhando para o final então não deve demorar.

Mabel – Vai ficar de cara quando ver a surpresa, mas vou adiantando, não será boa.

Tenshi– Eu vou ganhar uma fic! o/ Que bom. O passado do Shaka começa a ser desvendado agora, e prepare a historia é mais complexa.

Flor – Choque cultural, um budista e um indiano, será que vai dá certo?

Leo – A historia do Shaka já esta surgindo e vai ficar surpresa sim, mas só será revelado na continuação, mas algo você acertou: tem deuses no meio. Não conto mais senão estraga a surpresa. rsrs

Capitulo 28: Preparativos

O centro de Atenas estava borbulhando de gente, era pleno horário de almoço e as ruas estavam cheias. Aldebaran seguia calado, aquele povo todo o estava deixando irritado.

- Parece que todo mundo resolveu sair. – reclamou.

- Não reclama Ran. Vem ainda falta alguns detalhes.

- Esse negocio de casamento cansa. Vamos onde?

- Cartório.

- É preciso mesmo?

- Para quem queria casar rápido, está reclamando demais.

- Não esta mais aqui quem falou.

- São tantos detalhes. – Clarice consultava a listinha que tinha feito. – ah meu Deus! – parou de repente.

- O que foi??

- Esqueci do vestido, quero dizer, o modelo que eu olhei... – levou a mão ao rosto. – céus...

- O que tem o vestido?

- Depois te explico. – foi pegando o celular. – vá para o cartório e.... – alô.

Saiu de perto dele, voltando segundos mais tarde.

- Vai para o cartório, vou me encontrar com a Rita.

- Por quê?

- Quer que eu case como? Pelada? Vai logo Ran, depois conversamos.

Clarice o beijou saindo em disparada. O taurino a fitava se afastar.

- Zeus.... – murmurou desanimado.

Em outro ponto da cidade, Rosa combinava com o artesão.

- Pode pegar daqui um mês.

- Muito obrigada.

- Não quer que a finalize?

- Eu mesmo faço, sem problema. Obrigada.

Saiu do atelier parando na calçada.

- Preciso comprar os materiais.... – murmurou. – será que a Clarice lembrou de ir a loja do vestido....? – fitava o céu. – deve ter lembrando.

Correu para o ponto de ônibus, ainda tinha muitas coisas a fazer.

Clarice andava apressada pelas ruas, como tinha se esquecido de algo tão trivial? Tinha experimentado um vestido quinze dias atrás, mas ele já estava alugado e nem se preocupou em procurar outro.

- Onde eu estava com a cabeça....

- Pregada no pescoço, felizmente. Se não era capaz de perdê-la.

Parou assustada. Estava tão pensativa que nem notou Rita vindo em sua direção.

- Quer me matar de susto?

- Não. Não posso perder a chance de ver Shura. – sorriu maliciosa.

- Vou fingir que não escutei. Tem certeza que não atrapalho? E sua maquete?

- Lana esta providenciando, não se preocupe. Vamos em qual loja?

- Pensei que me diria... – disse sem graça. – não conheço muito daqui.

- Não alugou o vestido????? – Rita arregalou os olhos.

- Não...

- Sua doida!!!!! – pegou o braço dela saindo correndo. – vai casar daqui um mês e não tem vestido. Doida!!!!!!!

- Onde vamos?!

- Tentar salvar seu casamento.

Não tiveram que esperar muito pelo ônibus.

- Bom enquanto vamos.... – Rita pegou um caderninho. – vamos a lista.

- Eu já tenho.

- A sua não serve. Primeiro, moradia e moveis você já tem.

- Sim.

- Perfeito. – tentou escrever casa para dar um ok. - Documentação no cartório?

- Ran está olhando isso. Passaportes, certidões e essas coisas.

- Beleza. E sua família? E a dele?

- Meu irmão está providenciando as passagens e o passaporte. Devem chegar uns três dias antes e vão ficar lá em casa.

- Bom. O casamento vai ser uma benção, cerimônia tradicional, só com o juiz...

- Pensei em algo simples, um juiz de paz. Serão poucos convidados, minha família, a dele, você, mais duas amigas da faculdade e os amigos dele.

- Eu sei... – suspirou. - aquele maravilhoso do Shura. Lindo, gostoso...

- Chega.

- Marcaram para que horas?

- Se conseguirmos será as cinco.

- Ainda não entendo como deixaram tudo para cima da hora. Aldebaran já tinha anunciado uns quatro meses antes, e só agora a ficha caiu.

- É por que andaram acontecendo algumas coisas, mas isso não vem ao caso, continue a lista.

- Local? Recepção?

- Vai ser num templo atheniense, uma amiga do Ran está cuidando disso. – não poderia mencionar que a amiga era a deusa Atena, pelo menos ainda não. – decoração, coquetel ela está olhando tudo.

- Então só resta o principal.

- O que?

- O VESTIDO!!!

- Ah...

- Cabeça de vento. – deu um pedala nela. – você e a Rosa. Aldebaran já alugou o terno?

Clarice ficou calada.

- Não acredito. – abriu a bolsa pegando o celular. – como pode ser tão tranqüila? Alô.

- Alô.

- Rosa, é a Clarice. Escuta.

A grega explicou rapidamente o problema.

- Pode deixar, vou ver isso hoje. Beijo.

- Outro. – desligou o aparelho. – pronto ela vai olhar isso.

- Onde ela está?

- Disse que está comprando materiais para a maquete.

- Hum...

- Vem, já vamos descer.

Enquanto isso.....

Rosa discou alguns números rapidamente.

- Alô.

- Ran, onde você está?

- No cartório, na fila. – disse irritado. – o que foi?

- Quem mandou casar.

- Se prepara para enfrentar o mesmo.

- Eu sei. Aqui, você e o Mu me encontrem as quatro no shopping Pathernon. Precisamos olhar um terno para vocês.

- Terno? Para que terno?

- Vai casar pelado?? – berrou no aparelho.

- Uma roupa normal.

- É seu casamento!!! As quatro e não se atrasem. Tchau.

Desligou, pensando em ligar para Miro, mas Clarice ainda não tinha comunicado oficialmente para ele.

- É melhor ela contar.

Em outra parte....

Clarice e Rita pararam em frente a uma residência, sendo atendidas por uma senhora.

- Oi Rita.

- Oi senhora Ilma. Desculpe vim sem avisar.

- Entre por favor. – deu passagem as duas.

Foram conduzidas para o fundo, num pequeno cômodo, onde Clarice viu dezenas de panos, moldes, maquinas.

- Tínhamos prova hoje?

- Não. É só semana que vem. O caso é urgente. – puxou a brasileira. – essa é Clarice e é no casamento dela que serei madrinha.

- Parabéns. – felicitou a senhora.

- Obrigada. – olhou para a amiga. - Você já fez o seu vestido?

- Eu não sou como você. – fez cara de deboche. - Senhora Ilma, essa lerda não alugou, não comprou, não experimentou e nem pensou no vestido de casamento.

- Não?

- Não. – Clarice ficou vermelha.

- Meio em cima da hora. – tentou ser simpática.

- Para a senhora ver. – deu um tapinha nela. - Será que não tem jeito de nos ajudar?

- Eu não sei fazer vestido de noiva.

- Não precisa ser um vestido de noiva. – disse Clarice. – quero algo simples, não gosto de muitas coisas.

- Hum... – Ilma pegou um caderno e um lápis e a deu. – desenho o que tem em mente.

- Desenhar?

- É. Só para termos uma idéia.

A brasileira desenhou alguns traços a entregando.

- Bom. – examinou. – vamos a medidas.

X.x.X.x.X.x.X

No santuário, o treino da tarde ocorreu de maneira normal, mas sem as presenças de Afrodite, Miro e Deba.

- O touro saiu cedo. – comentou Aioria.

- Foi tratar do casamento. Com essa confusão toda, esqueceram que a data estava aproximando. – disse Dohko.

- É para quando mesmo? – indagou Shura.

- Vinte e dois de setembro. – disse Saga.

- Um mês.

- Passou depressa. – Aiolos fitou o céu. – quem diria que um de nós vai se casar.

- A elite de Atena está tomando outras responsabilidades. – Kanon brincou. – o seu é quando carneiro?

- Do dia do Deba há um mês.

- Rápido hein? – MM não perdeu a oportunidade.

- O que é rápido? – Aldebaran aproximou com a expressão cansada.

- O tempo. – disse Kamus. – que cara é essa?

- Não queira casar.... estou vindo do cartório, quantos papeis, quanta burocracia....

- E Clarice?

- Está com a Rita. E você , Mu, vem comigo. Precisamos encontrar a Rosa as quatro.

- Para que?

- Olhar o terno.

- Mas...

- Depois me entendo com Shion, vá se arrumar logo. Quero voltar depressa, estou morto.

- Fim dos treinos. – Aioria sentou no chão. – cansei.

- Também acho que devemos parar. – Shaka deu as costas. – já vou indo.

Ficaram olhando para ele sem entender.

- O que.... – murmurou MM.

- Não sei... – Kanon também estava pasmo.

- Encontros de família, casamento, - Shura enumerava. - tudo isso mexeu ate com ele.

- É o que parece. – concordaram.

Mu fitava o amigo se afastar, já entendera os motivos dele.

As horas passaram rapidamente. O ariano e Deba haviam saído para o centro. Clarice ainda não tinha voltado, Miro permanecia em casa, os demais dourados em seu templo e Shaka...

Atena examinava alguns papeis quando ouviu batidas na porta.

- Entre.

- Com licença Atena. – disse o virginiano entrando.

- Sente-se já falo com você.

A deusa voltou a atenção para os papeis, estava com planos de ir ao Japão somente no mês seguinte, mas devido ao casamento teria que antecipar a viagem.

- Pronto. – guardou-os papeis.

- Quero permissão para ir a Índia. – disse sem rodeios.

- Índia?

- Sim. Preciso ir ao templo onde recebi meus primeiros treinamentos.

- Aconteceu algo?

- Não. Só quero resgatar algumas coisas.

Atena entendera suas palavras. Estava feliz por Shaka querer descobrir sobre suas origens.

- " A historia do Dite e do Miro deve ter mexido com ele." Quer ir quando?

- Amanha se possível.

- Um pouco em cima da hora Shaka...bom... dentro de dois dias irei para o Japão, se não se importar, faço uma escala na Índia.

- Tudo bem senhorita, o que for melhor para todos.

- Então fica acertado. Vai permanecer por quanto tempo?

- Três dias no maximo.

X.x.X.x.X.x.X

Rosa tomava um sorvete enquanto aguardava os dois. Já tinha olhado um vestido para usar, mas seria surpresa ate mesmo para Clarice.

Olhava distraída para uma vitrine quando sentiu a visão escurecer. Alguém havia tampado os olhos.

- É bobagem fazer isso. – sorriu. – sei que é você.

- Como sabe? – Mu destampou.

- Conheço a sua mão e a forma como me toca. – o olhou. – oi. – deu um beijo nele.

- Espertinha. – a acariciou.

- Chega disso. – Deba os separou. – vamos comprar rápido. - estava com ciúmes.

A brasileira já tinha ido a lojas e escolhido uma para eles experimentarem.

- Bem vindos, em que posso ajudá-los? – uma vendedora aproximou.

- Ternos.

- Venham comigo.

Foram ate o departamento especifico.

- Ran, para você vai ser um terno palha ou bege.

- Bege? – não gostou muito da cor.

- Vai ficar lindo. – pegou o terno, uma camisa e uma gravata. – vai experimentar.

Entregou tudo a ele, ainda não muito convencido o taurino entrou no provador.

- Quanto a você.... vai com esse cinza.

- Cinza?

- Cinza escuro. Vai experimentar.

Mu também não concordou muito mas obedeceu.

Assim que vestiu, Deba a chamou.

- E aí?

- Ficou lindo!!!!Lindo!!! – batia palmas.

- Ate que não fiquei mal... – olhava-se no espelho, todo sorridente. – eu gostei.

- Vai ser esse então?

- Sim.

- Pode embrulhar. – disse para a vendedora. – vou ver o do Mu.

Dirigiu para outro provador.

- Mu.

- Pode abrir.

A garota abriu um pouco a cortina colocando só a cabeça para dentro.

- Ficou bom?

Ela não disse nada.

- Ficou feio? – não gostou do silencio dela. – fala alguma coisa.

Simplesmente entrou no provador.

- Ro-sa?

- Depois do casamento, vou ter o prazer de tirar cada peça... sorriu de maneira provocante. – bem devagar... – acariciou o dorso dele.

- Aqui não... – estava escarlate e com medo de serem pegos.

- Ficou lindo. – sorriu. – muito lindo. Um verdadeiro príncipe.

- Que bom que gostou.

- Moça. – saiu do trocador. – ele vai ficar com esse.

Depois de tudo comprado voltaram para o santuário.

X.x.X.x.X.x.X

- Venha semana que vem para a primeira prova.

- Sim senhora. Nem sei como agradecer.

- Podendo ajudar.

- Eu venho com ela senhora Ilma.

- Melhor ainda Rita. Deixarei a tarde para vocês.

Despediram e no portão da residência...

- Um problema a menos. – disse Clarice. – não conta para a Rosa o modelo, quero fazer surpresa.

- Minha boca é um tumulo.

- Amanha ou depois eu levo o Miro ate sua casa. Conhecer o par no dia do casamento pega mal.

- Leva o Shura também. – sorriu. – faço ate um bolo para ele.

- Não toma jeito hein? – riu. – vamos?

X.x.X.x.X.x.X

Chegando ao santuário Aldebaran subiu para seu templo, Rosa foi atrás, pois queria saber tudo sobre o vestido da amiga, enquanto a espera preparava o jantar. O taurino estava sentado na cozinha.

- Nunca pensei que desse tanto trabalho. – murmurou o cavaleiro. – uma papelada...

- E olha que vocês tem o mais importante.

- O que?

- A casa. Só isso é meio caminho andado. Não pretendem oficializar a união no Brasil?

- Claro. Depois do seu, vamos todos ao Brasil.

- Do meu o que? – indagou sem entender.

- Mu já marcou a data.

- Marcou?? – levou um susto. – quando?

- Ele não te falou?

- Não!

- Um mês depois do meu.

- Como?? Ele ta doido? Nem me falou!

- Pensei que queria se casar.

- Claro que quero, mas ele nem me disse nada... mal vou recuperar de um, vou entrar em outro? No meu?

- Vai falar isso com ele.

- Cheguei! – Clarice apareceu na porta.

- Seu vestido. – perguntou logo de cara.

- Primeiro: oi Rosa, segundo: não na frente do Ran, terceiro não vou te contar é surpresa.

- Então ta. Vou indo. Já coloquei a primeira água no arroz e o resto está a caminho, ate amanha.

Saiu em disparada. Clarice não entendeu.

- Ela ficou com raiva? – olhou para o noivo. – eu conto.

- Saiu as pressas não por esse motivo, Mu marcou a data e não falou com ela.

- Para quando?

- Dois meses. Por isso ela saiu correndo. Já comprei meu terno.

- Eu quero ver.

- Você não vai contar do seu vestido vai?

- Claro que não.

- Então não falo o meu.

- Ran, o noivo não pode saber sobre o vestido da noiva. É tradição. Só posso falar que é branco.

- Sem graça. E os padrinhos? Quem você escolheu? Ainda não me disse. – a fitou desconfiado.

- Rita e Miro. – disse de uma vez, uma hora tinha que contar.

- Quem? – quase caiu da cadeira.

- Miro. Eu gosto dele. E quero ele. É o meu padrinho.

Deba a fitou, tantas pessoas e logo ele, mas fazer o quê? Tinha que acatar.

- Tudo bem.

- Não vai brigar? – estranhou.

- Não. Não tem importância ser ele. Já foi a época que implicava.

- Fico feliz em ouvir isso.

X.x.X.x.X.x.X

Shaka tinha voltado para casa, não muito satisfeito. Queria resolver o mais rápido possível sua situação, mas como não era possível só lhe restava esperar. Tomou um banho, comeu alguma coisa e resolveu deitar. Não estava com sono, mas nem um pouco afim de meditar. Pela primeira vez em anos deixou de meditar a noite.

Deitado fitava o céu aos poucos escurecer.

Deito-me nos canteiros de Krishna

Sonhando com o Dharma* dos deuses.

Envolvo-me em flores lilás e violetas,

Uma aura de luz suave me abençoa.

A voz melodiosa começou a entoar a canção deixada por seus pais, apenas olhara a letra uma vez, mas parecia que sua mente havia guardado a canção. Vinha numa total facilidade como se fosse palavras ditas diariamente.

Os prazeres do sorriso e da alegria me permeiam.

Os odores dos perfumes consciências me iluminam.

Os sons do silêncio pacífico abençoam meu coração.

Sou uma hemácia no sangue do Dharma divino.

- Que ironia. – sorriu. – sou um budista, cantando uma musica indiana, debaixo de um teto da deusa Atena.

O dia seguinte passou de maneira tranqüila para todos. Miro permaneceu em sua casa, Clarice e Rosa foram para a faculdade. Afrodite e Sophia se recuperavam e os demais treinaram.

E com isso mais um dia se findou dando origem a outro.

O santuário já estava todo de pé, as meninas preparavam para mais um dia de aula e os garotos para o treino. Em Rodorio as duas acabaram encontrando com Miro.

- Já voltou? E tão cedo?

- Vim dá uma olhada em vocês. – o escorpião abraçou a morena.

- Foi bom te ver. – disse Clarice. – está meio em cima da hora e talvez o lugar não seja apropriado, mas.... tenho um convite a fazer.

- Sou um rapaz de família, não me aproveito de donzelas comprometidas.

- Engraçadinho. – riu. – você será meu padrinho de casamento.

- Eu? – levou um susto.

- Você e minha amiga Rita.

- E o touro?

- Não se importou.

- Sendo assim claro que aceito, será um prazer!

- Não quer vir conosco? Assim fica conhecendo ela.

- É gata?

- Miro! – exclamaram as duas.

- Brincadeira.

- Como estão todos?

- Bem. Acredita que eles moram numa mansão? São riquíssimos.

- Se saiu bem senhor Pakos.

- Não ligo para isso. O importante é que tenho uma família. Eles...

Começou a narrar tudo que tinha feito enquanto dirigiam-se para a faculdade.

X.x.X.x.X.x.X

O treino começara com Dohko do lado de fora, naquela primeira hora ele apenas faria exercícios físicos. O assunto em pauta era a família do escorpião e a aproximação do casamento de Deba, principalmente esse ultimo que envolvia a todos. Estavam animados, pois esse tipo de cerimônia era inédita para eles. Enchiam de perguntas o taurino que tentava responder pacientemente.

- E os padrinhos? Ela já te falou? – indagou Saga.

- Já. Será Rita e Miro.

- A Rita? – Shura parou de treinar com o canceriano. – que bom.

- A conhece? – Deba estranhou.

- Sim.

- Deixou que o Miro fosse o padrinho? – quem estranhara agora era Kanon.

- Não fiz objeção. Afinal Miro é uma boa pessoa. Cheguei a conclusão que é bobagem implicar.

- Teremos paz então? – disse Kamus.

- O que depender de mim.

- Quem diria... um cavaleiro de ouro vai se casar. – Dohko se aproximava. – os tempos mudaram.

- Ainda bem que mudaram. – disse Aiolos. – Afrodite e sua avó, a família do Deba, a família do Miro.... tomara que continue assim.

Shaka ouvia tudo calado, será que também encontraria o que procurava?

- Para quando é a viagem? – Mu que treinava com ele o indagou.

- Vamos hoje a tarde.

- Viagem? – MM intrometeu. – vai com Atena para o Japão?

- Vou ficar na Índia. – disse sem se importar com a intromissão.

- Índia?

- Resolvi passear.

Estranharam, Shaka nunca foi de deixar o santuário quanto mais a passeio.

- Está tudo bem? – Kamus indagou.

- Sim.

- Claro que não está. – disse o Shura. – você vai passear.

- E o que tem de errado nisso? Não posso?

- Pode....

- Shaka vai procurar pela família dele. – disse o ariano.

- Mu! – o virginiano o repreendeu.

- Falei.

- Isso é verdade? – perguntou Deba curioso.

- É... – respondeu sem muita alternativa. – acho que essa onda de passado me contaminou.

- E tem alguma informação?

- Não Aioria. Só sei meu sobrenome Shaka Hadijahh.

- Boa sorte. – o touro tocou no ombro dele. – espero que tenha a mesma sorte que o Miro.

- Obrigado. – sorriu.

X.x.X.x.X.x.X

Na porta da faculdade Rita aguardava as amigas.

- Bom dia garotas!

- Bom dia Rita!

- Rita, deixe eu te apresentar seu par. – disse Clarice puxando o escorpião. - Este é Miro. – e voltando para ele. – Miro essa é a Rita.

Cumprimentaram-se com três beijinhos.

- Já não era sem tempo. – disse a grega. – afinal padrinhos que não se conhecem?

- Será um prazer dividir o altar com você.

- Menos Miro. – disse Rosa. – ela já é apaixonada por outro.

- Ele não é melhor do que eu.

- É o Shura. – Clarice deu um sorriso.

- Vocês duas caladas! – Rita corou.

- Hum.. quer dizer que o espanhol já deu as caras...

- Vocês três calados!

- Pode deixar. – o escorpião deu um sorriso nada inocente. – no casamento eu arranjo vocês dois.

- Sério? Quero dizer.... do que está falando?

- Não se faça de boba que você entendeu. Vem, vamos para a aula. – Rosa a puxava. – ate mais tarde Miro.

- Até.

- Tchau Miro.

A manha passou rapidamente e o almoço foi na sétima casa. Em seguida Shaka despediu-se alegando que faria as malas.

Não arrumou muitas coisas, pois a estadia seria breve. O único item que levaria a mais seria a caixa de madeira. Depois de tudo pronto seguiu para Áries onde aguardaria a deusa. Mu estava com ele.

- Se acontecer alguma coisa não hesite em me chamar.

- Não vai acontecer nada, Shaka, não se preocupe.

- Mas fique de sobreaviso.

- Está ansioso.

- Um pouco. Ate pouco tempo não ligava para esse assunto mas os últimos acontecimentos...quero saber de onde vim.

- Dou o total apoio, mas vai com calma.

- Está dizendo para o signo mais racional e precavido que existe. – sorriu.

- Tinha me esquecido disso.

- Boa tarde rapazes.

- Atena. – os dois reverenciaram a deusa que estava com Shion.

- Está pronto Shaka?

- Sim senhorita.

- Então vamos. Tome conta de tudo Shion.

- Sim Atena.

- Façam uma boa viagem.

- Obrigada Mu.

Tatsumi os conduziu ate a limusine.

Os arianos os fitaram se afastar.

- Não pensei que Shaka tivesse a curiosidade de saber sobre seu passado. – disse Shion.

- Essa hora chegaria ate mesmo para ele.

- Será que encontrará algo?

- Creio que sim.

- Você e Aldebaran vão treinar hoje?

- Sim por que?

- O casamento está deixando o touro mais aéreo e você na qualidade de padrinho....

- A qualquer hora ele enfarta. – riu.

VI. Mercúrio, mensageiro

Ouvira falar que teve sorte por chegar naquele dia, nos dias anteriores, a chuva havia castigo toda a região. De posse de sua bagagem, Shaka tomou um táxi indo em direção ao seu antigo lar. Pela janela do transporte, via o transito caótico de animais, pedestres e carros, as cores fortes e vibrantes das vestes e o cheiro característico do local. Pensou que quando voltasse para lá, acharia tudo estranho, mas não, para sua surpresa, todo aquele conjunto de informação lhe trazia certa nostalgia. Era indiano e mesmo se passasse anos sem pisar naquele terra mística, teria os mesmos sentimentos.

O táxi aos poucos foi deixando o caos do centro de Patna, capital do estado de Bihar, uma das maiores cidades da Índia, para ganhar a tranqüilidade do campo. Longe daquela confusão ficara o templo que lhe abrigou nos primeiros anos de vida.

Pediu ao motorista que parasse a certa altura, queria respirar ar fresco e olhar a paisagem ao redor. Estava tão compenetrado na paisagem que rapidamente chegou ao seu destino. Ergueu um pouco o olhar, vendo um templo no alto.

- Tinha me esquecido das escadas.... – deu um meio sorriso, mas não se importou, para quem subia de Áries ate Virgem todos os dias aquilo não era nada.

Calmamente pôs a subir. Podia ver no horizonte a cidade, ela crescera muito desde da ultima vez que a vira, quinze anos atrás, o lugar de seu nascimento, então, deveria está completamente diferente.

Parou no grande portão de madeira, batendo duas vezes no sino que localizava ao lado.

- Sim? – a porta tinha uma pequena janela, de onde Shaka viu um par de olhos.

- Procuro Savami. Diga que é Shakya.

Ele nem teve que esperar muito, o portão foi aberto dando-lhe a visão do pátio interno do templo que se erguia majestosamente a sua frente. Atravessou um pátio, avistando alguns monges que meditavam. Alguns garotos que se preparavam para aquela vida, o fitaram curiosos. Ao contrario de que usava em Virgem, Shaka trajava uma calça jeans e blusa pólo branca.

Foi conduzido ate a porta principal de onde seguiu para um jardim interno. Ficou surpreso por encontrar tudo da mesma forma que deixara, nada tinha saído do lugar, dando a impressão que o tempo parara naquele dia. Sentou num banco perto de um pequeno lago. Lembrava que as vezes passava horas escutando a moinho movido a água trabalhar.

- Vejo que não mudou nada.

Shaka voltou o olhar para onde ouvira a voz. Parado, trajando um sári vermelho, um monge de seus sessenta anos olhava de maneira sorridente para o cavaleiro.

- Mestre Savami. – Shaka o saudou.

- Vejo como os tempos passaram rapidamente, já é um homem e não mais aquele menino assustado.

- Amadureci.

- Venha, vamos tomar um chá enquanto conversamos.

Savami o conduziu, ate uma sala, sentados na posição tradicional, Shaka o serviu e ao mestre.

- Como vai sua missão?

- Estamos em paz agora. Atena enfrentou muitos deuses, mas a Terra agora está em harmonia.

- E você?

- Também estou em paz. – Shaka não o fitou.

- Não é o que parece. – disse. – estou feliz por voltar a vê-lo, mas não veio de tão longe apenas para isso.

- Não se menospreze mestre.

- A questão não é essa Shakya. Te conheço há muitos anos e mesmo sendo o homem mais próximo de Deus, não consegue me enganar.

O cavaleiro pegou sua mala e com todo cuidado retirou sua caixa de madeira. Savami ficou surpreso ao vê-la.

- A conserva?

- É o único elo do meu passado.

- Veio por isso. – depositou a xícara na bandeja. – imaginei que um dia fosse acontecer.

- Tentei continuar na ignorância sobre isso, afinal aprendi a não me apegar as coisas humanas, contudo nesses últimos dias essa duvida tem me torturado a mente. – abriu os olhos.

Savami à fita-los lembrou da primeira vez que os viu. Shaka mal tinha um mês de vida.

- Alguns companheiros, julgavam o passado enterrado, mas ele surgiu mais vivo do que nunca. Historias tão comoventes... também quero sentir isso.

- Compreendo. O que quer saber?

Foi pego de surpresa, não imaginava que ele falaria tão abertamente.

- Naquele dia que me entregou isso, disse que não poderia quebrar os votos que fizera. É sinal que sabe de alguma coisa.

- Não mentirei que conheci seus pais, contudo fora rapidamente que nomes, sequer sei. Lembro que nasceu no interior de Sonepur, do outro lado do Ganga, ao norte. (n/a: Ganga, maneira local de dizer Ganges.) Seu nome vem de uma tradição familiar, parece que os ancestrais de seu pai eram da antiga região de Shakya, hoje fronteira entre a Índia e o Nepal.

- Por isso me chama assim? – riu.

- Não exatamente. Shakya é a região que Buda nasceu. Duas razoes diferentes para o mesmo nome. Infelizmente é tudo que sei, na época ainda não era o monge mais velho e não tinha acesso a todas as informações, quanto mais as suas.

- Entendo. – levantou. – meu quarto está desocupado?

- Permanece da maneira que deixou.

- Vou relembrar os velhos tempos. – sorriu.

- Pegue a estrada ate Hajipur depois o trem ate Sonepur, lá virou um centro industrial importante. Pergunte pela família Hadijahh, na vila dos sudras, talvez encontre.

- Sudras?

- Conhece o sistema de castas aqui na Índia. Para eles existem quatro castas, sua família pertence a casta sudra, o que faz de você também um sudra. Esta casta representa os pés de Brahma e são os operários, artesãos e agricultores.

- Sou um sudra....

X.x.X.x.X.x.X

Shati tinha acordado tarde naquele dia, ganhara o dia de folga, depois de dias trabalhando exaustivamente. A Índia virara uma importante rota turística, o que digamos, aumentara em muito seu serviço. Quando levantou não encontrou a avó, ela tinha ido ao mercado. Arrumou a casa e começou o preparo do almoço. Nas primeiras horas da tarde encontraria com as amigas na estação rodoviária para uma breve viagem a cidade vizinha.

A avó não demorou a chegar encontrando tudo pronto.

- Baddi. – tocou os pés da senhora. (n/a: Baddi – avó)

- Já fez tudo? – depositou a mão na cabeça dela.

- Sim, inclusive já almocei, não quero me atrasar.

- Tem que ir mesmo Shati?

- É apenas um passeio Baddi.

- Que os deuses te protejam, a Índia anda muito mudada. – sentou no sofá.

- Os tempos mudaram.

- Perderam-se a tradição Shati. E por falar nela, já andei conversando com um sacerdote, estamos olhando um bom noivo para você.

- Preciso me arrumar. – saiu as pressas.

- Shati.

A indiana entrou no quarto fechando a porta, novamente aquele assunto de casamento.

- Tenho que ganhar tempo. – pensou abrindo o guarda roupa. – muito tempo.

Escolheu uma roupa simples, típica de solteira, uma bata e calça em tom azul e colocou o tradicional bindi. (n/a: enfeite que é colocado no meio da testa) sem esquecer de seu lenço. Olhou se no espelho.

- Dá vontade de pintar. – disse olhando para os cabelos. – ainda vou fazer isso.

Saiu.

- Chegarei antes do anoitecer.

- Assim espero, não é bom uma moça andar a noite por aí.

- Senhora Padna se preocupa demais. – sorriu.

- Prometi a seus pais que tomaria conta de você. E enquanto lorde Shiva me der vida o farei.

- Tike he. Sua bênção.

- Que Ganesha a proteja.

X.x.X.x.X.x.X

Ficou por um bom tempo fitando o quarto, ele continuava o mesmo, mas deixou a nostalgia de lado, para ir em busca de seu objetivo. Trocou de roupa, desta vez usando um traje indiano. Não era monge para andar como tal e nem queria usar roupas ocidentais.

Savami o aguardava no jardim.

- Uma roupa budista seria melhor, mas esta bem vestido.

- Quero passar despercebido.

- Como se seus olhos e cabelos permitissem.

Sorriu.

- Não pretendo demorar.

- Procure perto das margens do Ganga.

- Me despeço. – fez a imposição das mãos.

- Tenha sorte. – Savami repetiu o gesto.

E assim a roda da vida, girou.... achando pouco as peripécias pregadas em Mu, Aldebaran, Afrodite e Miro, a bola desta vez era Shaka, as Moiras, estavam se divertindo com os cavaleiros de Atena.

O virginiano, pegou um riquixe, tradicional meio de transporte, triciclo, seguindo em direção a rodoviária. Durante o trajeto tentava entender como carros ,camelos, motos, elefantes se entendiam no transito.

Não teve que esperar muito a condução que o levaria a Sonepur, teve sorte, pois comprara a ultima passagem. Logo embarcou, o ônibus partiu.

Três jovens chegavam ao guichê naquele momento, receberam com pesar que o ônibus partira a poucos minutos tendo que esperar meia hora pelo próximo.

Aguardaram e meia hora depois seguiam para mesma localidade.

Shaka aproveitou a viagem para pensar. As informações que tinha que eram poucas, apesar de achar que seu mestre sabia de mais coisas, pensou em pressioná-lo, mas lembrou do caso do ariano em que Shion escondera a verdade para protegê-lo. Se estava em seu destino descobriria por meio naturais, mesmo que ao final encontrasse apenas pó.

O trajeto não demorou muito descendo a poucas quadras da estação de Hajipur. Ali ficara o centro administrativo do estado de Bihar, era uma cidade muito mais tranqüila se comparado a Patna. Tendo sorte pegou o trem que partiria em poucos minutos em direção a sua cidade natal. A cada instante enchia-se de ansiedade, pois a verdade estava cada vez mais perto.

Desceu na estação central de Sonepur e seguindo orientações do mestre rumou para a zona que ficava a margens do rio Ganges. A medida que se afastava, a paisagem ganhava toques rurais, ate que chegou nas ultimas casas antes do rio. Sabia que ali existia uma vila formada apenas por Sudras, a quarta casta indiana. Fechou os olhos deixando que sua intuição o guiasse para o rumo certo e assim caminhou para a casa que parecia ser a mais velha. De certo ali viviam os anciões e talvez eles poderiam ter informações.

A medida que transitava, chamava a atenção dos moradores. Shaka notou um grupo de garotos que brincavam.

- Namasté. – disse num perfeito hindu. (n/a: saudação que significa o Deus que habita em mim, habita em você)

- Namasté. – respondeu um dos garotos.

- Onde mora a pessoa mais velha daqui?

- Ali. – apontou para a casa, que Shaka desconfiava.

- Obrigado.

Chegando a casa, bateu. Uma velha senhora vestida com um sari branco atendeu.

- Namasté. – Shaka tocou os pés dela, como mandava a tradição.

- Namasté.

- Desculpe interrompe-la, mas a senhora sabe onde vive a família Hadijahh?

- Hadijahh.... – pensou por um tempo. – acho que são uns que moravam mais a margem do Ganga.... eles se mudaram daqui há muitos anos.

Shaka ficou surpreso ao mesmo tempo decepcionado. Então sua família morava ali mesmo, mas se tinham se mudado....

- Não sabe para onde?

- Na época diziam que iam para Mumbai, mas não tenho certeza.

- E mudou a família toda?

- Sim. Não era muito grande. Hadijahh, sua mãe, sua esposa e uma criança. Lembro que a criança era muito bonita, possuía os cabelos claros como os seus. É hindu?

- Sou, não parece mas sou.

- Por acaso é parente?

- Não. Na verdade sou entregador e me pediram para entregar uma correspondência ao chefe da família, acho que perdi a caminhada.

- Eu sinto muito.

- Perdoe-me atrapalhá-la.

- Não se preocupe.

- Adeus.

Afastou-se. Podia-se dizer que estava preparado para ouvir um não, mas não imaginava que sentiria tanto. Não gostava de colocar esperanças em situações como aquela, mas no seu intimo sentia que encontraria suas raízes. Infelizmente tudo que sabia que tivera uma família pequena, não tivera irmãos e que a essa altura estavam a quilômetros de distancia.

Desanimado voltou para trás, contudo resolveu ir ate a margem do rio. Desde a estação ouvira que a vista de Patna daquele ponto era lindíssima ainda mais com o sol se pondo no horizonte. Estava ali mesmo, minutos a mais ou a menos não fariam diferença....

Era o que pensava....

Sentou em meio a areia, o céu estava belíssimo com os raios soares tingindo o rio sagrado. Estava decepcionado, todos tiveram alguma ajuda do destino e de maneira quase mágica encontraram seu passado, mas com ele as coisas não ocorreram assim, talvez por ser o homem mais próximo de Deus, o curso da vida seguia de maneira diferente. Restava-lhe apenas o que sabia fazer de melhor: resignar.

Shati e as amigas tinham chegado a pouco a Sonepur, pediu a elas que seguissem para o mercado pois tinha algo a fazer e que não demoraria.

Escondendo ainda mais o rosto, rumou para antiga vila dos pais, as margens do Ganges. Não demorou muito para chegar, avistando as casas simples e as águas douradas logo a frente. Pensou em ir a sua antiga casa, mas algo lhe chamou a atenção. Não sabia se era miragem, o certo é que vira um homem sentado a margem do rio com seus longos fios loiros. Fitou novamente esfregando os olhos, não era miragem, realmente havia alguém ali.

Sorriu, pois era raro ver alguém com cabelo tão claro quanto o seu. Julgou ser um turista, hesitou de imediato em aproximar, não era certo uma jovem a sós com um homem sem ser seu marido ou parente, mas a curiosidade falou mais alto indo na direção dele.

Shaka fitava o rio tão distraído que nem notou a aproximação de alguém.

- Good Afthernoon.

O cavaleiro virou-se para onde ouvira a voz. Os dois ficaram surpresos. Shati o encarou espantada, ele era lindo, rosto de feições suaves, a franja caia displicente encobrindo um pouco os olhos claros como os dela, apesar do olhar triste.

Shaka a olhou de cima a baixo, mas parou em seu rosto. Ela tinha uma expressão suave, os olhos tão claros quanto os seus, sem dizer do cabelo. Apesar de usar roupas indianas julgou-a uma turista.

- Desculpe, não falo inglês. – disse em hindi.

- Fala hindi? – indagou surpresa.

- Sou indiano.

- Eu também sou. É a primeira vez que encontro um de cabelos claros.

- Também fiquei surpreso ao vê-la, não é muito comum.

- Herdei esses traços da minha avó. Ela era inglesa. – disse sentando ao lado dele, Shaka nem se importou. – mora aqui?

- Só nasci, passei minha vida toda praticamente na Grécia.

- Veio visitar os parentes.

- De certa forma... – deu um meio sorriso. – mas volto depois de amanha.

- Sua família mora em Patna?

- Mumbai.

- Entendo. Eu gostaria de conhecer a Inglaterra, dizem que é comum encontrar pessoas claras.

- É sim.

Shati tirou o véu que cobria seu cabelo, os fios dourados tremularam suavemente, Shaka os admirou ate ter a atenção chamada pelo celular da moça. Ela conversou rapidamente fechando a cara ao desligar o aparelho.

- Apressadas... murmurou, era as amigas. – eu preciso ir. – levantou. – é uma pena que vai ficar por pouco tempo, Patna tem muitas atrações.

- Quem sabe na próxima vez.

- O meu nome é Shati. – estendeu a mão para depois se arrepender, as imagens com certeza viriam.

- Shaka, prazer. – o virginiano retribuiu o cumprimento.

Ao ter sua mão segurada, Shati ficou pasma, não vira imagem alguma.

- Foi um prazer. – disse ainda atordoada. – adeus Shaka.

- Adeus.

O cavaleiro a acompanhou se afastar, achou estranho, mas quando a viu seu coração deu um pulo, ate seu cosmo reagiu levemente.

- "Estava tão apegado a idéia de família, que ate meus sentidos foram afetados." – pensou voltando a fitar o firmamento.

Enquanto voltava Shati fitava a mão que tinha sido pega por Shaka, aquilo era estranho, era a primeira vez que tocava em alguém e não acontecia nada.

- Estranho....

Ao final da noite as três voltaram para Patna, Shaka tinha chegado ao templo um pouco antes subindo direto para seu quarto.

Estava deitado na cama, fitando o teto.

- Entre. – havia escutado batidas a porta.

- Atrapalho?

- Claro que não. – sentou. – ainda realizam as orações da noite?

- Vim justamente convidá-lo para isso.

- Já vou descer.

- Como foi?

- Mudaram da cidade, estão em Mumbai, pelo menos quem me deu a informação acha, mas podem ter ido para qualquer lugar.

- E o que fará?

- A Índia tem um bilhão de pessoas e só com o sobrenome....

- Volta quando?

- Se puder amanha mesmo.

- Desça assim que puder. – o monge retirou-se.

Shaka voltou a deitar, seus pensamentos foram para a garota que encontrou no Ganges, queria vê-la novamente, conversar mais um pouco, fitar seu rosto tão sereno, mas estava decido a voltar o mais rápido para Athenas.

- Uma pena.... – pensou em seus olhos azuis, já vira alguém com olhar semelhante. – mas quem?

X.x.X.x.X.x.X

- Baddi cheguei!

- Voltou tarde.

- Desculpe, o trem que conduzia a Hajipur atrasou.

- Como foi o passeio? – sentou no sofá.

- Voltei a nossa vila, ela continua a mesma.

- Não sei por que seu pai inventou de mudar para cá. Éramos felizes lá.

- Não havia serviço, vovó. Deveríamos ter ido para Mumbai, como ele queria.

- Baguan Kelie! (n/a: Meu Deus) Ainda bem que lorde Shiva acendeu lamparinas na mente dele. Mumbai está sem tradição.

- Vou tomar um banho. – tirou o lenço.

- O jantar está pronto.

- Não demoro.

A indiana entrou para quarto pensando no indiano que conhecera. Havia algo diferente nele, tinha uma leve sensação de conhecê-lo e seus olhos tão azuis...

- Pena que voltará para a Grécia.

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Continua....

Musica: Krishna Saranan – (Dalton e Andréa)

Dharma- Missão, trabalho

Demorou mas saiu, não me esqueci da Temporits, assim que puder eu posto um capitulo novo. Já descobriram quem é a Shati, a ficha de Shaka ainda não caiu, nem deveria cair, só porque é loira é parente, mas a logo alguns mistérios irão ser desvendados e aí, pimba! Ele mata a charada. Inté.