Capítulo XXVIII
Hinata veio correndo em minha direção, começou a dar golpes nos meus pontos vitais de chakra, guiada por seu byakugan. Eu esquivei de todos para que ela não fechasse minha circulação de chakra. Meu treinamento com Tsunade-sama não fora apenas estudar com alguns livros, aperfeiçoei minhas habilidades de esquiva, era totalmente impossível Hinata me acertar qualquer golpe. Eu ainda tinha outra vantagem: eu sabia exatamente onde eram todos meus pontos vitais de chakra, resultado do meu árduo estudo sobre o corpo humano nesses últimos anos.
- Mas que droga, não consigo te acertar!! – Hinata gritava inconformada, se afastando.
- O que foi? Só sabe fazer isso? – eu debochava, abrindo um longo sorriso para provocá-la.
Enquanto ela se contorcia de raiva, essa fora a distração perfeita para que eu me aproximasse e desse um soco em seu estômago. Ela, imediatamente, voou vários metros para trás, batendo suas costas com toda a força na parede, afundando nela.
- Arghh.... – Hinata gemia.
- Está acabado. – Eu dizia batendo minhas mãos uma na outra, limpando-as da poeira.
- Antes de eu ir ajudar o Shino, me responda uma coisa: se você ia matar o Naruto, por que estava tentando beijá-lo?
- Hahaha... – ela tossiu um pouco de sangue. – Você é mesmo muito ingênua.
Eu fiquei olhando com uma expressão confusa para seu corpo todo danificado, afundado na parede.
- Eu sabia o tempo todo que vocês estavam lá. Você acha que conseguiria mesmo se "esconder" de mim daquela forma? Minha visão é de quase 360 graus. – ela dizia com muita dificuldade.
- Eu estava te provocando e, como sabia que você era a covarde que era, iria apenas ficar olhando enquanto eu saboreasse os lábios do Naruto. Depois, eu faria a mesma coisa que Sasuke-sama, deixaria ele inconsciente e o traria para Orochimaru-sama. É uma pena que Sasuke-sama chegou primeiro...
Meus punhos se fecharam novamente, eu estava ardendo em raiva. Cada palavra dela soava como combustível para que meu ódio queimasse cade vez mais.
- O que foi? Ficou nervosinha? Haha... – ela dava gargalhadas, ainda cuspindo sangue.
- Se continuar me provocando, eu irei matá-la. – eu ameaçava rangendo os dentes.
- E quem disse que você pode me matar?
Eu fiquei confusa com suas palavras, ela já estava praticamente morta, só restaria um segundo golpe com chakra para finalizá-la. Olhei novamente para seu rosto, ele estava repleto de pequenos símbolos pretos que se estendiam por todo seu corpo.
- Você também tem o Selo Amaldiçoado... – eu sussurrei com meus olhos arregalados.
Ela se levantou da cratera feita na parede, ficando de pé sem nenhuma dificuldade.
- Meu Selo ainda não está completo para que eu adquira uma nova forma no nível 2, mas já é o bastante para potencializar minhas habilidades, tanto físicas, quanto manipulação de chakra. – ela explicava, de certa forma se gabando.
Quando ela terminou de falar, entrou em sua posição de ataque e desapareceu repentinamente. Antes que desse tempo de eu procurar, ela estava ao meu lado, acertando um golpe em meu estômago. Sua velocidade e sua força eram incríveis. Eu cambaleei para o lado, ela novamente me socou no mesmo lugar, utilizando seu chakra para me perfurar por dentro. Eu vomitei uma quantidade considerável de sangue, enquanto ela novamente se gabava.
- Era só isso que você podia fazer, Sakura-chan? – ela dizia dando um terceiro soco no meu estômago. Eu o recebi sentindo como se uma faca tivesse atravessado minha barriga e alguém a tivesse retirado.
Eu estava quase caindo de joelhos, sem forças. Minha visão estava ficando embaçada, meu estômago doendo de tal forma que eu suava frio de tanta dor.
- É uma pena que eu não possa te matar, mas vou te deixar bem perto disso quando eu terminar.
- Juukenhou - Hakke Rokujuuyon Shou – ela dizia, intensificando o potencial do byakugan.
- Ni Shou – pronunciou me acertando dois golpes, em dois pontos vitais de chakra.
- Yon Shou – quatro golpes.
- Hachi Shou – oito golpes.
- Juuroku Shou – dezesseis golpes.
- Sanjuuni Shou – trinta e dois golpes.
- Rokujuuyon Shou – mais trina e dois golpes, totalizando sessenta e quatro golpes.
Quando ela terminou de fechar todos os pontos, se afastou e desativou o byakugan junto do Selo Amaldiçoado. Eu já não sentia o chakra correr em minhas veias, estava quase desmaiando pois meu estômago estava com hemorragia interna. A dor estava insuportável, eu buscava forças para me manter acordada.
- Incrível como recebeu todos os meus golpes em cheio e ainda não desmaiou. Seu estômago deve estar sangrando muito por dentro, eu o perfurei por completo. Droga, Assim fica dificíl levá-la até o aconchego de sua cela, terei mais trabalho com você acordada. – ela fazia uma pose pensativa.
- Eu.... – respirei fundo – ainda não perdi.... – sussurrei.
- Mal consegue falar e ainda acha que pode fazer alguma coisa contra mim? – ela me subestimava.
- Não me faça rir. Você depende muito do chakra para dar aqueles super socos, agora que ele não circula mais... o... o que está fazendo!? – seus olhos se arregalaram.
Enquanto ela tagarelava, abri minha bolsinha com as kunais, peguei uma e comecei a perfurar meus braços.
- Está tentando se matar para que meu plano dê errado?!
Depois de tê-los perfurado, mexi novamente na bolsinha.
- Kanashibari no Jutsu – pronunciei quase que num sussurro, fazendo os selos ainda sentada.
- Pare, se você morrer... – ela tentou andar em minha direção mas foi impedida. – O que está acontecendo!? Não consigo... não consigo me mover....!! – ela tentava se mexer sem sucesso.
Me levantei com muita dificuldade, pressionei meu estômago com uma das minhas mãos, a outra se apoiava nas paredes me ajudando a caminhar lentamente em direção à Hinata. Meus braços escorriam sangue, meu rosto já estava pálido demonstrando o quanto de sangue eu havia perdido durante a luta.
- A única ingênua aqui é você. Enquanto se gabava me subestimando, eu perfurei meus braços, forçando os pontos de chakra a abrirem, liberando a circulação de chakra apenas neles. – eu explicava enquanto tentava chegar nela.
- Depois eu peguei pequenas agulhas, depositei uma pequena parte de chakra nelas e as arremessei contra você, paralisando seu corpo. Você não pôde ver nada disso pois desligou seu byakugan... que ingenuidade.
- Sua... – Hinata rosnava.
- Bom... – eu parei em frente a ela, retirei minha mão da parede e a fechei, concentrando chakra nela. – Acho que finalmente terminamos.
Hinata liberou o Selo Amaldiçoado para tentar conter o dano do meu soco. Eu a soquei uma vez, duas, três... sete vezes. Na oitava, ela não agüentou e caiu inconsciente.
- Não irei te matar, ainda tenho curiosidade em saber o por quê de você trair Konoha. – eu falei mesmo sabendo que ela não estava ouvindo.
Eu caí sentada no chão, meus ferimentos eram graves. O sangue não parava de escorrer, utilizei minhas últimas forças para curar o ferimento em meu estômago.
Capítulo XXX
Eu estava esgotada. Meu último suspiro de chakra fora utilizado para amenizar os danos no meu estômago, para evitar que eu morresse ali, ao lado do corpo inconsciente de Hinata. Também peguei algumas ataduras em minha bolsinha, para estancar o sangue que escorria dos furos que eu mesma havia feito em meus braços.
Primeiros socorros feitos, hora de partir. Eu tinha em mente o próximo passo: voltar para ajudar Shino e contá-lo a verdade sobre o paradeiro de Naruto, só não sabia como iria fazer isso. Meu corpo estava totalmente machucado, eu mal conseguia me segurar em pé, necessitando de me apoiar nas paredes para continuar andando. Sem falar que já não sobrara nenhum resquício de chakra, ainda estava pensando como iria lutar sem ele. Realmente, tudo seria mais fácil se eu chegasse lá e Shino tivesse derrotado Kabuto, o que é pouco provável. A única certeza que eu tinha, para minha felicidade, era de que Naruto estava a salvo junto de Sasuke-kun, esse era o único motivo que me dava forças para continuar caminhando de volta, mesmo sabendo que minhas chances de dar tudo certo eram quase inexistentes.
O caminho estava parecendo mais longo do que realmente era. A cada passo que eu dava, alguma parte do meu corpo doía, às vezes, todas elas juntas. O suor frio que pingava da minha testa indicava o quão mal eu estava, fiquei surpresa de não estar tendo alucinações. Ou talvez eu estava tendo e não sabia que estava. O fato, era que finalmente estava chegando perto, o corredor estava se alargando, já dava para ver de longe a porta pela qual eu e Hinata passamos.
Chegando mais perto, pude perceber que a sala estava incrivelmente quieta. Quieta até demais. Só podia significar uma coisa: a luta havia terminado. Um leve arrepio correu pelo meu corpo ao tirar essa conclusão. Abri vagarosamente a porta, tomando todo o cuidado para não ser detectada por qualquer um que tivesse sido o vencedor. Respirei fundo e entrei.
Não vi ninguém logo de cara, mas reparei no local em si. Estava todo destruído, as paredes cheias de rachaduras, as estátuas totalmente destruídas, os quadros na mesma situação. Algumas poucas tochas permaneciam acesas, intactas, o que diminuiu, e muito, a visibilidade da sala. Continuei caminhando, com uma certa dificuldade, para descobrir quem tinha vencido a luta, mesmo não enxergando quase nada. Foi quando encontrei um corpo caído no chão, quase inconsciente.
- Shino!! – eu o chamei aflita.
- Sa... Sakur...
- Shino!! O que houve!?
Olhei para seu casaco, estava encharcado de sangue.
- Meu Deus... Você está muito ferido!!! – eu disse, começando a desabotoá-lo.
- Pare... – ele dizia impedindo a minha mão. – Não posso deixar que vej...
- E como vou fazer para tentar te curar?! – eu sentia minha garganta sufocar o choro.
- Está tudo bem... Eu sei que está sem chakra, deixe que os insetos vão dar conta do recado.
Meu rosto transbordava de raiva por não poder fazer nada por ele naquele momento, por me sentir inútil novamente.
- Não faça essa cara... pelo menos não vai ter que enfrentar aquele quatro olhos que faz piadas sem graças. – ele debochava.
Eu o olhei espantada.
- Eu o derrotei, e pode ficar tranqüila que não vai voltar a "renascer das cinzas" como de costume, eu mesmo me certifiquei de que ele estava morto.
Rapidamente, um sorriso brotou no meu rosto, por entre leves lágrimas que escapavam pelos meus olhos.
- Assim que eu quero te ver, Sakura-chan. Sorrindo.
- Seu idiota, mesmo assim não deixa eu te curar só porque tem vergonha de que eu veja o que tem debaixo desse seu casaco...
- Por favor... – ele pedia minha compreensão.
Eu o olhei, desconfiada.
- Bom, tenho que te manter informado sobre algumas coisas.
- Sim, eu já ia te perguntar... quero saber o por quê de você estar aqui, ainda por cima toda machucada desse jeito. O Naruto...
- Calma, ele não está morto. Sasuke-kun o levou para longe de Orochimaru, para protegê-lo.
Shino fez uma cara totalmente de espanto, ele pareceu não entender nada do que eu estava falando, mas continuou ouvindo quieto.
- Hinata está do lado de Orochimaru, ela que nos trouxe para essa emboscada.
- Nossa! – o espanto dele havia se multiplicado. –Agora tudo faz sentido... Mas por que ela nos traiu?
- Eu não sei, eu a deixei inconsciente antes de perguntar. Só sei que ela nos trouxe até aqui para tentar atrair Naruto e Sasuke-kun, para que Orochimaru tomasse posse dos dois. Agora nós temos que sair daqui logo, me avise quando conseguir andar.
- Eu acho que já consigo... pode me ajudar a levantar? Os insetos estão me curando há algum tempo.
Me apoiei na parede e o ajudei a levantar. Shino encontrava-se quase na mesma situação que eu, totalmente esgotado.
- Temos que ser rápidos, antes que Orochimaru perceba que derrotamos seus subordinados. Não estamos em condições de enfrentá-lo agora.
- Certo, vamos voltar.
Nós fomos em direção ao corredor pelo qual viemos, com a maior velocidade que podíamos alcançar. Fomos correndo, as paredes se tornando cada vez mais estreitas, ao passo que íamos voltando. O caminho era o mesmo, a única diferença era que agora voltávamos em dois, não em três.
- Aaaaaaargh! – Shino gritou, caindo de joelhos em seguida. Uma adaga atravessara seu ombro esquerdo.
- Shino!!
Eu o olhei mas, rapidamente, minha atenção fora desviada para a pessoa que estava parada há alguns metros à nossa frente.
- Pensaram que iam invadir a minha casa, matar os meus subordinados e, ainda por cima, escaparem na maior cara de pau? – Orochimaru enlouquecia de fúria.
Me esforcei para tentar concentrar o mínimo de chakra nas mãos mas estava totalmente fora de cogitação. Mesmo que minha vontade de viver e de manter Shino vivo dominasse todos os meus sentimentos, meu corpo não correspondia a tal força de pensamento.
- Pequena Sakura-chan... você não tem idéia do quanto eu quero ver a sua morte. Pouco me importa se preciso de você para atrair Sasuke-kun... eu dou um outro jeito de achá-lo. Agora, eu mesmo irei te matar.
Orochimaru abriu lentamente sua boca, uma espada surgira a partir dela. Meu coração batia desenfreadamente, meu corpo estava imóvel. Eu me sentia como um ratinho em frente à uma enorme cobra, prestes a ser abocanhado. Uma sensação horrível de ser sentida. Ele mirou a espada em meu coração, em seguida, lançou-a.
"Então é assim que irá terminar? Eu cheguei até aqui para que, no final, fosse morta de uma maneira tão... tão... medíocre? Se eu pudesse me mover... Droga!! Não tenho mais de onde tirar forças... meu corpo já está muito cansado, isso não é justo!! Será esse mesmo... o meu fim?" pensei comigo mesma, meus olhos encontravam-se fechados.
- Não desista.
Abri meus olhos, havia uma pessoa na minha frente, de costas para mim. Ela segurou a espada que deveria ter atravessado o meu coração. Seus cabelos eram longos e azuis, seu corpo possuía uma anatomia estranha, diferente. Havia asas em suas costas, um tom de pele escuro, uma voz familiar.
- Agora Naruto!!
- Fuuton Rasengan Shuriken!
"Segure-se firme, vamos sair daqui." Foram as últimas palavras que conseguir escutar da boca dele... Sasuke-kun. Um barulho muito fino e ensurdecedor penetrou em meus ouvidos, confundindo todos os meus outros sentidos.
Sasuke-kun me pegou com seu braço direito, abraçando-me de lado. No braço esquerdo, Shino encontrava-se na mesma posição que eu. Sasuke-kun saltou, batendo suas "asas" para que voássemos o mais rápido pelos corredores, em direção à saída, pois uma enorme explosão nos acompanhava.
- Sasuke-kun e o Naruto?!?!
- Descanse um pouco, ele vai ficar bem.
Não sei por quê, mas essas vagas palavras ditas por ele me acalmaram. Mesmo que, junto da explosão, o esconderijo estava desmoronando sobre nós, suas palavras foram como um calmante para mim. Meu corpo já não agüentava mais se manter acordado, funcionando, ele necessitava descansar. E foi o que eu fiz: sem perceber, caí num sono profundo.
...
- Sakura-chan? Já está acordada?
Abri meus olhos lentamente, a luz acesa no teto me deixou cega por alguns segundos. Respondi ainda com a visão embaçada.
- Hã? Onde estou...
Esfreguei um pouco meus olhos, dei uma boa olhada em volta. Paredes brancas, uma janela meio aberta no final da sala, com uma cortina rosa clara cobrindo metade dela, um criado mudo ao lado da cama onde eu estava. Em cima dele, uma única e solitária rosa, incrivelmente vermelha, cor de sangue, descansava num pequeno vaso decorado nas cores azul e branco. Eu estava num local muito familiar: o Hospital de Konoha. Quando me dei conta de tal fato, uma seqüência de imagens, de um passado recente, explodiram em minha mente. O grito sufocado em meu coração, escapou por entre meus lábios.
- Onde está o Naruto!? – gritei, quase histérica.
- Calma Sakura-chan, está tudo bem. Por favor, deite-se. – Chizune tentava me acalmar.
- Quanto tempo eu fiquei desacordada?
- Cerca de quinze horas.
- O quê!? O que aconteceu desde que desmaiei?! E o Shino? Sasuke-kun? Hinata!? Orochi...
- Acalme-se Sakura-chan!
Enquanto Chizune tentava me acalmar, sem muito sucesso, alguém entrara pela porta sem que eu percebesse.
- Sakura-chan? – uma voz doce e tranqüila me chamara.
Ao ouvi-la, uma sensação tranqüilizante percorreu todo meu corpo, dominando-o. Meu coração acelerou automaticamente, meu sangue parecia pulsar mais quente que o normal, minha vontade incessante de querer saber todos os acontecimentos de repente havia desaparecido. Agora, tudo o que eu mais queria, era apenas prestar atenção naquela voz.
- Vou deixá-los à sós. – Chizune sorria, fechando a porta.
Olhei fixamente em seu par de olhos azuis, meu oceano particular favorito. Lágrimas de felicidade e alívio brotaram em meus olhos, tive a sensação de que finalmente o pesadelo havia acabado. Numa reação quase que instantânea, o abracei com todas as minhas forças, ficando de joelhos na cama.
- Naruto... – eu o chamei entre lágrimas.
- Sim?
- Eu te amo! – eu disse, apertando-o ainda mais contra mim.
- Eu também te amo. – ele me respondeu com uma voz satisfeita.
Virei meu rosto para olhá-lo novamente, para comprovar se era mesmo real o fato de ele estar ali, ao meu lado, seguro perto de mim. Ele aproximou seu rosto do meu e tocou seus lábios nos meus, tão delicadamente como se eu fosse quebrar em suas mãos. Eu o correspondi, beijando-o, como se não o visse há mais de anos. Minha maior vontade era de que esse momento durasse para sempre, eu queria estar com ele para sempre. Eu brincava em seus cabelos , bagunçando-os com minhas mãos enfaixadas, enquanto nossas línguas se entrelaçavam, aproveitando cada segundo que me fosse possível. Nos beijávamos com tanta vontade que nossos rostos só se afastaram porque ficamos sem ar. Ele deu leves risadas enquanto recuperávamos o fôlego.
- Do que está rindo!?
- Parece que eu não te beijo há séculos!
Uma leve ponta de vergonha passou pelo meu rosto. Ele abriu um sorriso ao ver meu rosto levemente corado, mudei de assunto para que ele não me fizesse ficar ainda mais vermelha.
- O que é isso que você esconde atrás das suas costas desde que passou por aquela porta? – eu tentava disfarçar minha vergonha.
- Um presente. – ele disse esticando o braço para mim.
Olhei atentamente para sua mão, ela segurava uma linda rosa branca. Tão branca como a mais pura neve encontrada no topo da mais alta montanha. Eu a peguei em minhas mãos e senti o aroma doce do seu interior.
- É linda! – exclamei. – Obrigada.
- Que bom que gostou, não sou muito bom em escolher flores. Da última vez eu não fui muito criativo... deixei flores de cerejeira. – ele brincava.
- São as minhas favoritas. Mas também adoro rosas, são igualmente lindas. Ah! Foi você que deixou aquela ali também? – eu apontei para a rosa vermelha cor de sangue.
- Ahh... aquela? Não... foi o Sasuke que deixou.
Meu sorriso se desfez, eu fiquei levemente surpresa.
- Ahh... bem... e, onde ele está? – eu perguntei meio sem jeito.
- Acho melhor te contar a história inteira... sente-se, ela é um pouco grande.
Eu me sentei na cama, Naruto sentou-se ao meu lado, apoiando suas costas na cabeceira e passando seu braço por de trás de mim.
- Me passe a rosa que te dei, vou colocá-la dentro do vaso também, assim ela não murcha tão rápido. – ele debochava.
Fiz uma cara feia pra ele enquanto ele arrumava as duas rosas dentro do mesmo vaso. Era engraçado vê-las juntas, parecia até um pouco simbólico: uma representava o amor e a inocência de Naruto, e a outra, o amor e a vingança de Sasuke-kun. Dois homens importantes para mim, dois amores distintos.
- Então... Sasuke me acordou num local não muito longe daquela cachoeira, me explicou tudo, disse que não iria causar nenhum dano a mim pois isso te deixaria triste. Ele contou que ali era o esconderijo de Orochimaru e que já planejava matá-lo, ele só me seqüestrou pois sabia das intenções de Hinata e ficaria difícil assassinar Orochimaru, tendo-me como refém.
- Eu fiquei muito preocupada, ele fez parecer que ia te levar direto pras garras daquele branquelo.
Naruto deu algumas risadas e logo continuou.
- Foi quando vimos vocês três entrando na caverna. Sasuke ficou sem saber o que fazer pois Hinata tinha você e o Shino em mãos, ela tinha sido muito esperta atraindo vocês. Nós ficamos pensando em alguma maneira de tirar vocês de lá, foi quando contei para ele sobre meu novo jutsu. Logo ele formulou um plano e então invadimos o local.
Naruto fazia carinho em mim, fazendo leves movimentos com sua mão, para cima e para baixo na minha lateral, enquanto explicava toda a história.
- Ele liberou o Selo Amaldiçoado para derrotar Orochimaru, mas quando chegamos até vocês, Shino estava caído e você estava prestes a ser morta. Eu confesso que fiquei com muito medo de te perder... Sasuke disse "mudança de planos, você usa seu jutsu nele que eu resgato aqueles dois, nos encontramos lá fora.".
- É verdade, eu nunca tinha visto aquele jutsu... – comentei.
- Sim, eu aprendi no treinamento que tivemos recentemente. Eu apliquei no Orochimaru, Sasuke levou vocês para fora do esconderijo, ele era o mais apto para isso, com aquele par de asas ele pôde correr mais rápido mesmo levando você e o Shino.
- Mas o esconderijo estava desabando, como você saiu de lá!? – perguntei sem fazer a mínima idéia de como ele tinha escapado.
- Sasuke me ensinou uma saída diferente, ela ficava um pouco depois de uma sala não muito longe dali, onde tinha um monte de estátuas destruídas. Assim que eu usei o jutsu, saí correndo para escapar antes que tudo desmoronasse. Eu encontrei Hinata inconsciente no chão, levei-a junto comigo.
- É mesmo, onde está aquela traidora!? – eu perguntei com um certo ódio em meu tom de voz.
- Aqui no hospital. Estão curando ela de um jutsu aplicado em sua mente. E claro, da surra que você deu nela. – Naruto piscou pra mim.
Novamente fiz uma cara feia para a brincadeira de mal gosto dele e logo em seguida perguntei.
- Que jutsu era esse?
- Orochimaru a estava controlando, como fez com Sasuke. É um jutsu muito poderoso, os médicos ainda não conseguiram removê-lo. Sasuke conseguiu se libertar sozinho pois ele tem uma vontade muito persistente e um poder muito mais alto do que o de Hinata.
- Ahh... entendi. E o Shino?
- Também está aqui, se recuperando de todos os ferimentos.
- Que bom que tudo acabou bem. – eu sorri.
- Ei! Você ainda não respondeu minha pergunta, cadê o Sasuke? – eu perguntava insistentemente.
- Ah, é mesmo. Ele foi embora assim que teve a certeza de que você estava bem.
- Pra onde?
- Quem sabe. Ele não disse para onde ia. A única coisa que fez foi deixar esta rosa para você. – Naruto apontava para ela com os olhos.
Eu olhei novamente para a rosa. A imagem de Sasuke-kun veio em minha mente. "Obrigada por tudo." Eu o agradeci em meus pensamentos.
- E então, se sente melhor agora? – Naruto perguntou, me abraçando.
- Estou feliz. – murmurei.
- Feliz? Algum motivo em especial?
- Sim. Você está aqui comigo, posso te ver, posso te sentir, posso te beijar, posso te amar. Tudo o que eu queria agora eu tenho de volta.
Olhei atenciosamente seu rosto, ele estava levemente rosado. Era a minha segunda expressão favorita e a mais fofa. Minha primeira expressão favorita, era seu sorriso.
- Sakura-chan... – Naruto me chamava bem baixinho.
- Sim?
- Hmm... – seu rosto ficou um pouco mais vermelho.
- Droga, não sei como fazer! – ele brigou consigo mesmo.
- O que foi?
- É que eu comprei mais uma coisinha pra você... – ele dizia muito sem jeito.
- Hã?
Ele mexeu no bolso da calça, tirando uma pequena caixinha aveludada.
- Não... meu Deus. – meus olhos se arregalaram.
Ele retirou seu braço das minhas costas, eu me sentei mais corretamente na cama. Naruto estendeu a caixinha e a abriu lentamente com a outra mão. Duas alianças de prata apareceram de dentro dela.
- Eu... – ele respirou fundo, seu rosto parecia um tomate de tão vermelho – posso... colocar?
Engoli seco. Não sei qual expressão eu esboçava em meu rosto, meu coração novamente batendo rápido. Fiquei imóvel por alguns instantes.
- ... isso é um não?
De repente, uma felicidade sem tamanho dominou meu coração, um sorriso imenso invadiu meu rosto. Eu estendi a mão direita para que ele colocasse.
Naruto tomou minha mão com muita delicadeza e deslizou o anel por entre meu dedo. Em seguida, ele colocou o dele.
- Anel de compromisso... só você mesmo pra pensar numa coisa dessas depois de tudo o que houve. – eu dava risadas.
- Na verdade, eu comprei já faz algum tempo... só agora criei coragem de entregar...
Seu rosto ainda estava envergonhado quando lhe roubei o segundo beijo depois de quase termos nos perdido para sempre. O beijo que selou o nosso compromisso, e o nosso amor.
- Eu te amo muito, Uzumaki Naruto!
