Capítulo 29


"Era realmente necessário fazer tanto escândalo?"

O laboratório parou ao grito desumano de Angela, vindo do escritório da Dra. Brennan. Quando Temperance finalmente admitiu para a melhor amiga que os sentimentos de Booth eram bem-vindos, Angela reagiu exatamente como havia previsto.

"Sim! Era mesmo, querida. Não acredito que finalmente está namorando Booth," ela se emocionou.

Temperance rolou os olhos em exasperação. "Você já sabia que estávamos tendo relações sexuais. Não consigo ver como o desenvolvimento disso é significativo."

"Está brincando, certo? Vocês estavam dormindo juntos como uma acomodação. Para você poder engravidar. Logo, com benefícios."

"Benefícios? Não compreendo."

"Você estava dormindo com ele, Bren! Fazendo 'Deus sabe quais tipos' de atos que nem posso dizer," Angela sorriu. "Se isso não é considerado um benefício por tentar engravidar, então, não sei o que é."

Temperance encostou-se e considerou a observação de Angela. "O sexo é bem… incrível." Ela sorriu descontroladamente ao pensamento. "Estou frustrada por ter menstruado de novo. Eu realmente tinha certeza de que tinha engravidado, após tantas ejaculações."

"Não ligue, querida," Angela confortou-a. "Há sempre o mês seguinte. E pense em toda diversão que terá, enquanto estiver tentando."

"Foi o que Booth disse."

"Bren?" Angela sentou-se no sofá.

"Mmn hmm?"

"Agora que vocês estão, tipo, oficializados, você considerou que talvez seja apropriado adiar a idéia de ter um bebê?"

"O que?" Temperance olhou para Angela com suspeita.

"Só enquanto é novidade estar com Booth? Quero dizer, não seria bom simplesmente curtir o que vocês têm, por enquanto?"

"Mas se eu não estivesse planejando ter um filho, por que estabeleceria uma unidade doméstica? Se Booth e eu tivéssemos tido relações sem o prospecto de uma criança, o que seria extremamente improvável, de qualquer maneira," ela acrescentou triste, "então, provavelmente seria mais casual. Antes deste ponto, eu não tinha um relacionamento em potencial para oferecer a Booth."

"Querida," Angela argumentou. "Booth é sua alma gêmea. Com ou sem bebê. Vocês estão destinados a ficar juntos."

"Sim… Mas… Booth deseja a família ideal. Se eu não desejasse uma criança, duvido que ele fosse feliz só comigo."

"De onde está vindo isso, Bren?" A frustração de Angela era evidente. "Ele já te disse que te ama gazilhões de vezes."

Temperance repassou mentalmente, em sua memória quase fotográfica, a mais recente conversa com o pai de Booth. Era difícil negar que as palavras dele atingiram um ponto sensível. "Não é uma medida de quantidade válida," ela protestou, voltando ao mundo real.

Angela luziu para a amiga. "Sabe exatamente o que quero dizer. Então, pare de bancar a idiota."

"Eu não saberia me fazer de idiota. Meu QI é excepcional. E se Booth realmente me via desta forma antes de eu querer ser mãe, por que nunca disse ou fez nada? Seria racional concluir que 'me amar' é um mecanismo de superação que o permitiria ter um filho comigo. E... eu posso aceitar isso. A idéia de um relacionamento com um homem que me conhece bem o suficiente para aceitar quem eu sou é muito atraente, para dizer o mínimo. Booth sugeriu que há alguém para todo mundo. Não sou tão ingênua. Simplesmente, encontrar alguém com quem eu possa estar confortável é sucesso suficiente para criar uma criança."

"Oh, por favor!" Angela falou devagar. "Para alguém com um QI excepcional, você consegue ser bem burra, sabe? Todo mundo já viu como Booth ama você, por tanto tempo quando consigo me lembrar. Você é cega demais para perceber."

"Tenho uma visão quase perfeita," Temperance observou, racionalmente.

"Está se fazendo de difícil de propósito?"

A antropóloga olhou confusa para a artista cada vez mais frustrada.

"Quer saber? Eu tenho… coisas," Angela murmurou, temporariamente derrotada. "Te vejo mais tarde." Deixando Brennan sozinha em sua sala, ela resolveu – de algum modo – convencê-la de que o que ela tinha com Booth era muito perfeito.

Enquanto Temperance via a amiga sair, seu computador apitou, indicando um e-mail novo em sua conta particular. Abrindo a mensagem, ela leu-a intrigada. Uma escavação de seis semanas no Peru, expandindo os achados com os quais ela já estava envolvida. Parecia excepcionalmente atraente, mas seis semanas inteiras? Talvez, Temperance considerou, ela poderia reduzir para três, entre os períodos de ovulação. Ou Booth gostaria de acompanhá-la. Ele foi capaz de ir para a China, afinal. E ele se sentiu mal por ela ter perdido a viagem, na ocasião. Não doeria perguntar a ele mais tarde, ela pensou.

Ela vacilou quando a dor repetidamente atacou seus seios. Isto ficava cada dia mais frustrante. Tocando a parte debaixo do braço, Temperance sentiu o nódulo inchado. Talvez fosse bom ela ir ao médico. Talvez, então ela teria uma resposta para o peso que perdeu nas últimas quatro semanas. E o vômito intermitente que ocorria dia e noite. Além disso, seria problemático quando ela escovasse os dentes e se visse vomitando sangue.

Sim. Uma visita ao seu médico estava muito atrasada.

Temperance olhou de volta ao PC. Havia muitos sites oferecendo um diagnóstico online. Com certeza, não havia problema em conseguir uma idéia do problema em potencial. Rapidamente, ela digitou seus sintomas e esperou por uma resposta.

"Oh!" Sua voz ecoou no escritório vazio. A resposta na tela não era a que ela esperava mesmo.

Isso era sério.

"Você o ama?"

Parada à porta, a pergunta de Angela foi precisa e direto ao ponto. Exatamente do modo como a antropóloga gostava que fosse. No entanto, a resposta que ela recebeu foi menos do que convincente.

"Não compreendo o que é o amor, Angela. Como posso autenticar uma resposta sem saber eu mesma?"

"Esperava por isso. Então, por sorte, vim preparada." Angela indico para Temperance se sentar com ela. "Amar é um verbo, querida. É algo que você faz. E, como disse antes, todos já vimos o quanto Booth ama você, nas coisas que ele diz e faz a seu respeito. E... " Angela se aproximou. "Achamos que vimos as mesmas coisas em você. Mas acho que precisa se perguntar. Você já viu isso?"

Temperance fechou os olhos por um momento e pensou. Muitas situações encheram sua mente, e ela se sentiu fraca. E ela jamais sentiu coisas tão fortes por outra pessoa além de Booth.

Ela o amava. Ela realmente amava Booth.

Se seu diagnóstico online estivesse correto, as coisas mudariam para sempre.

"Por favor, querida." Angela continuou. "Não magoe Booth mais do que já magoou. Porque não é justo com vocês dois."

Magoar Booth simplesmente não era opção para ela. Sob qualquer circunstância. E ela precisava tomar algumas decisões sérias. "Tem razão, Ange. Não quero fazer nada que não vá deixar Booth feliz. Vou embora mais cedo. Há algo que preciso fazer. "

Angela sorriu. "Vá, garota… só lembre que o FBI não gosta de atos de natureza sexual dentro do prédio Hoover."

Temperance forçou um sorriso. Porque, nesta ocasião, bem, Angela não poderia estar mais errada.