'·.¸.ღ Lady Mine ღ.¸.·'
ღ
.
ღ
\Capítulo Vinte e Oito\
ღ
A tranquilidade veio como se fosse um sonho.
Com a cabeça deitada no peito de Sesshoumaru ela se sentia mais em paz do que nunca. Nada que presenciara e vivera antes lhe trouxera tanta tranquilidade. Desejou que a noite não acabasse. Não queria voltar para casa. Não queria romper o abraço e afastar-se dele. Sentia-se protegida. E gostou de saber daquilo, mesmo que boa parte tudo aquilo fosse transmitido por seu filho.
Sorriu levemente, ouvindo a melodia mudar a reconhecendo imediatamente, e deixando-se ser guiada por ele.
"Carpe diem"
Aproveite. Viva o hoje e não se preocupe com o amanhã. Uma filosofia ou um estilo de vida que ela jamais pensara em seguir antes. Uma filosofia que a fazia pensar em sua vida, naquele momento. Afinal, a última coisa que andava fazendo, era aproveitar sua vida.
Ali, nos braços do homem a quem estava ligada até seu último suspiro, decidiu que estava na hora de fazer exatamente aquilo. Seguir a sugestão da filosofia que dava nome melodia que ter sido escolhida propositalmente. Não para dar vantagens a ele. Não, afinal um homem com Sesshoumaru não necessitava dessa vantagem. Ele mesmo construía suas vantagens. Mas para fazê-la acordar e aproveitar as chances que a vida, mesmo que por meio e em meio a dor, lhe dava.
Ela, a vida, lhe mostrara que seus sentimentos por Inuyasha não passava de uma confusão. Repentinamente seus olhos e ouvidos passaram a ver e a ouvir o cunhado de forma diferente. Agora, apenas conseguia se ver diante de um irmão. De mãos dadas ao seu melhor amigo, e aquele que seria capaz de qualquer coisa por ela.
O problema é que ela tinha medo do que essa descoberta podia realmente significar. Por isso a empurrava para escanteio.
A vida lhe mostrava que, apesar de ser conhecido por sua frieza e comportamento calculista, Sesshoumaru cuidaria dela. Ele a protegeria e a trataria com cortesia e delicadeza. Daria-lhe tudo o que necessitasse. Não apenas a ela, mas ao filho que iriam ter.
O problema era que ela se agarrara ao medo, não de ser ferida fisicamente, mas de acabar se afundando em algo que não existia. Criar a fantasia de que Sesshoumaru gostava dela como um marido deveria gostar de sua mulher, quando na verdade, ele apenas a suportava por não haver volta para seu erro.
Ayame estaria certa? Sesshoumaru apenas se esconderia atrás de uma máscara? Sesshoumaru realmente chegaria a amá-la depois de algum tempo? Era-lhe permitido acreditar nisto? Crer que era certo estar nos braços dele, aceitando seus carinhos – provavelmente meticulosamente programados?
Como tudo podia ser tão certo e ao mesmo tempo tão escandalosamente errado?
Fechou os olhos com força e virou o rosto para o outro lado, ainda o deixando deitado no peito de Sesshoumaru. Um gesto para disfarçar a vontade de sacudir a cabeça e tentar colocar seus pensamentos no lugar. Estava confusa e as ideias estavam começando a soar incoerentes.
Em segundos, pegou-se sentindo o cheiro dele. Um perfume próprio que apenas lhe trouxe mais tranquilidade.
A melodia tornou a mudar, e sorriu. Estava feliz em saber, que mesmo detestando dançar, Sesshoumaru não se separara dela e muito menos realizara qualquer gesto que indicasse impaciência e desejo de acabar com tudo. Não queria deixar a pista de dança ainda, mesmo que suas pernas estivessem cansadas.
A mão de Sesshoumaru deslizou por suas costas e, por pouco, não a fez estremecer. Um toque suave.
"Lute para ser feliz…"
Izayoi lhe dissera antes de deixar a mansão para ir morar com Sesshoumaru. Pedira-lhe para ser feliz. E se, seu destino era ficar com Sesshoumaru para sempre, para ser feliz, teria de aceitá-lo. Acomodou melhor a cabeça no ombro dele e sorriu.
Fechou a mão ao redor do tecido da roupa de Sesshoumaru. Aceitá-lo parecia ser o caminho certo para sua felicidade. Deixar-se levar e acabar perdoando de forma definitiva o homem que a violara e engravidara.
Seria capaz disto?
# Parei de tocar piano aos doze anos…
Ela era incapaz de dizer quanto tempo se passou, até se permitir respirar novamente. Mas acreditava que minutos correram, afinal, a melodia mudara outra vez, para notas que conhecia perfeitamente bem. Não sabia ao certo por que pronunciara aquelas palavras. Não gostava de falar com ninguém a respeito da época em que tocava, e muito menos dos motivos pelo qual parara de tocar.
Encolheu-se nos braços de Sesshoumaru, e soltou o ar com força pelos lábios. Mesmo depois de quatro anos ainda doía-lhe o peito pensar sobre aquilo.
# Essa era minha melodia preferida. – continuou, uma vez que ele se manteve em silêncio. – Foi a primeira que eu aprendi a tocar.
Fechando os olhos, deixou-se envolver pela música. E em segundos, estava cantando as notas da música para Sesshoumaru. Moveu os braços, deslizando a mão pelo peito dele, e entrelaçou os dedos atrás do pescoço dele. Por alguns instantes pensou que ele iria afastar-se e interromper tudo aquilo. Afinal, estava ficando mais intimo do que ele deveria gostar. Mas isto não aconteceu. E se permitiu sorrir satisfeita.
# É uma melodia difícil. – Sesshoumaru comentou após um tempo.
Sorriu, estranhamente orgulhosa por Sesshoumaru ser capaz de perceber que podia tocar uma música complicada.
# Sim, ela é. – mordeu o lábio.
# Gostaria de ouvir você tocar.
Como todas as vezes que ouviu alguém lhe pedir aqui, ficou tensa, e atrapalhou-se nos passos. Muitas foram as vezes que ouvira seus pais e sua irmã lhe fazerem aquele pedido. Em todos os pedidos, ela fazia um gesto negativo e saía imediatamente de perto deles. Em todas as milhares de vezes, se trancava em seu quarto e tentava não chorar.
Tentou se afastar, mas as mãos firmes deles não lhe deram espaço. Ele não lhe deixaria fugir, e frustrada, apertou-se mais contra ele, desejando que ele mudasse de assunto. Que ele não a pressionasse. Afinal, dissera antes que não tocava mais.
# Não toco mais. – disse em tom defensivo. – Não gosto mais de tocar.
As mãos de Sesshoumaru se moveram em suas costas, e pediu mentalmente para que ele não insistisse naquilo. E ele não insistiu. Aliviada, moveu os pés, e atendendo seu pedido, ele retomou a dança lenta.
# Sabe a história desta música?
Depois de um longo tempo, a voz grave a arrancou do transe. E prestando atenção na nova música, sendo incapaz de identifica-la, fez um gesto negativo com a cabeça.
# O nome dela é Apologize. – Sesshoumaru continuou, a voz soando baixa e sensual extremamente próximo ao seu ouvido. – Foi composta por quando você ainda nem havia nascido. Um apaixonado a escreveu para a mulher que ele dizia amar. Um pedido de desculpas, para os erros que ele cometera para com ela. Um pedido desesperado para que ela o perdoasse. Não…
Ele disse quando ela se moveu, tentando erguer a cabeça para olhá-lo nos olhos. Sem compreender, atendeu ao pedido dele, e voltou a deitar a cabeça no peito dele. Não sabia que ele se interessava por música e muito menos com a história delas.
# Sinta. Apenas sinta as notas. – ele pediu em tom baixo. – Não há a letra, mas apenas as notas mostram todo o sentimento e dor que ele sentia. Ela conta a história de seu sofrimento durante as semanas que se passaram após o rompimento. Da dor excruciante que o consumiu lentamente por dentro ao ver-se sem ela. Você consegue sentir isto? Que ele necessitava dela como o ar ao seu redor?
Lentamente, fez um gesto positivo. Sim, podia sentir toda a emoção contida nas notas escolhidas perfeitamente para aquela melodia. A dor do compositor era evidente. Uma dor impossível de ser mentida.
Nunca acreditaria se alguém lhe dissesse que Sesshoumaru era capaz de compreender os sentimentos em uma nota. Mas ali estava ela, sendo, mais uma vez, surpreendida por ele. Descobrindo-o, apesar de não parecer, sensível a músicas como aquela.
Estremeceu, quando os dedos de Sesshoumaru acariciaram sua nuca. Mas ao invés de afastar-se em um gesto de defesa, fechou os olhos.
# Na letra ele diz que foi um tolo. Um fraco. Que lhe doía ter agido com agiu. Por tê-la matado de forma indireta. Ele pede perdão. Diz que se ajoelhará diante dela e se humilhará se for necessário. – fez uma pausa rápida. – Junto a essa, ele escreveu outra. Come home… ele a intitulou. – ele continuou, sem deixar de deslizar os dedos pelo pescoço delicado. – Implorou para que ela volta-se para ele. Para a casa onde, ele lembrou, viveram bons momentos.
Sesshoumaru fez silêncio, e ela estreitou os olhos. Impedindo-o de continuar a caricia, e interrompendo a dança, ergueu a cabeça para encara-lo seriamente. Sua mão tocou o peito dele com cuidado. Desta forma, tentou ler e compreender a razão que o levava a contar-lhe aquela história. Porém, não conseguiu ver absolutamente nada.
E, antes que pudesse se dar conta, Kagome já estava se colocando no lugar daquela para quem a música fora feita. Ele estaria lhe contando aquilo por tê-la machucado? Ele gostaria de ouvi-la dizer que o perdoava?
# O que ele fez? – sua voz saiu em um sussurro.
O olhar de Sesshoumaru foi intenso. E algo lhe disse que ele sabia perfeitamente bem o que acontecera entre o cantor e a mulher que ele dizia amar, mas ele não iria lhe dizer uma só palavra àquele respeito.
Kagome mordeu o lábio, controlando sua curiosidade, afinal era exatamente aquilo que ele queria. Fechando os olhos, apoiou a testa no peito de Sesshoumaru, soltando o ar violentamente pelo nariz. A melodia em questão continuava a tocar. – se por ser longa ou por ser ordens de Sesshoumaru, ela não sabia dizer. Abriu os olhos, analisando o chão sob seus pés.
# Ela o perdoou?
# Você acha que ela deveria?
Ela sorriu.
# É difícil achar algo, já que não sei do que se trata. – respondeu num sussurro, sem erguer a cabeça. – E mesmo sabendo do que se trata é difícil julgar se uma pessoa deve ou não perdoar alguém que lhe feriu. – ergueu a cabeça, apenas um pouco para tocar o nariz no peito dele. – Como julgar alguém… como obrigar alguém a perdoar… mesmo com tantas declarações de amor… se, muitas vezes… no lugar da pessoa ferida, você jamais cogitaria a ideia de conceder um perdão? – fechou os olhos com força. – É difícil quando as coisas acontecem com você.
Kagome apoiou o queixo no peito dele. As íris azuis se encontrando com as douradas e firmes.
# E se ele destruiu a alma dela? E se ele transformou seu coração em frangalhos? E se ele destruiu sua esperança? Antes de exigir perdão de uma pessoa… antes de pedir… implorar… se humilhar… Coloque-se no lugar dela. Em tais condições, você seria capaz de perdoá-la? Acreditaria na dor dela, mesmo que estivesse tão descaradamente explicita em uma nota musical? Acreditaria que o fato de ela ajoelhar-se na sua frente, chorando e implorando, é realmente desespero e arrependimento? Veria a verdade brilhar nos olhos sem vida dela… pois a vida dela depende de seu sim?
Houve silêncio. Por alguns milésimos de segundos, o mundo parecia ter parado de girar. E até mesmo o pianista, que fizera um intervalo entre as melodias, para alongar os dedos e refrescar a garganta parecia ter coordenado aquilo para ter um momento de silêncio. E ela foi a primeira a rompê-lo.
# Se alguém destruísse sua alma, Sesshoumaru… - murmurou, e ajeitou a postura de modo que a única ligação física entre eles fossem as mãos que ele mantinha em sua cintura. – Se alguém conseguisse alcançar sua alma e esmagá-la a ponto de ela ser quase impossível de ser restaurada… Você ouviria a música? Se daria ao trabalho de compreender as notas? – deu um passo para trás. Obrigando-o a soltá-la. – Ou fingiria que esta pessoa não existe? Queimaria as cartas? Destruiria as fitas ou CDs que ele lhe enviasse? Mudaria de canal ou sintonizaria em outra rádio todas as vezes que ouvisse nome dela? Evitaria amigos em comum e quando tentassem tocar no nome dela… os mandaria calar a boca?
Nova melodia voltou a tocar, e nenhum dos dois se moveu ou falou. Ambos sabiam que não se tratava apenas da música. E enquanto Sesshoumaru a encarava sem saber as palavras exatas a pronunciar, sabendo que tudo o que ela pronunciara era uma verdade nua e crua, Kagome ansiou pela resposta dele. Ansiou, enquanto continha as lágrimas a almejarem deslizar de seus olhos com a lembrança dolorosa da noite em que ele a atacara, e dos dias que a seguiram.
Chocada, viu a mão de Sesshoumaru se erguer e tocar seu rosto, limpando a lágrima que conseguira escapar. Ainda mais chocada ouviu a pergunta dele ecoar em sua mente.
# Eu destruí sua alma? – ela tentou se afastar, mas a mão dele parecia aprisioná-la, sem muito esforço, no lugar. – Eu transformei seu coração em nada?
Kagome piscou com força quando ele deu um passo a frente. As poças douradas, mesmo que por milésimos de segundos, sendo inundadas por medo. Algo que ela teria deixado passar despercebido, se não estivesse prestando bastante atenção nele.
Mordeu o lábio, sabendo que não havia para onde fugir. Fechou as mãos almejando que a queimação parasse.
No início ela acreditava que sim. Ou ao menos queria isto. Mas sua alma não fora destruída. Tivera sonhos e objetivos minados ou retardados – especialmente pela gravidez – mas aquela, lembrou-se, não seria a primeira vez, que via seus sonhos e objetivos voarem pela janela, para longe de seu alcance.
# No inicio… eu achava que sim. - deito a cabeça para o lado. - Eu queria que fosse assim. Mas… se você houvesse me destruído, Sesshoumaru… - inalou o ar com força, e deixou-se soar o mais fria que pode. – eu não estaria de pé aqui com você. Recusaria-me a ouvir sua voz. Negaria e evitaria qualquer tipo de aproximação… qualquer toque. Ignoraria as leis Youkais. E… provavelmente… apenas remotamente… em algum momento de dor e covardia… teria matado aquele que não tem culpa de nada.
Nenhuma palavra foi dita. Mas, ainda assim, Kagome sentiu como se eles se comunicassem. Queria que ele lhe abraçasse. Entretanto, quando a mão dele deslizou para sua nuca e o Youkai se aproximou deixando evidente o desejo em beijá-la, fraquejou. Puxou o ar pelos lábios e virou o rosto.
# Eu… - pigarreou. – Eu preciso ir… - sua testa se franziu. – ao… hum… banheiro.
E sem dar chance alguma de ele lhe impedir, afastou-se e desapareceu ao atravessar a porta do toilet.
Sim... Eu sei... demorei! E muito.
Mas vai chegando final de ano a vida de professora vai ficando complicada. Povo vai saindo e eu tenho que pegar esses horários que eles vão deixando. Minhas férias? Uma doce ilusão... vou ver se consigo isso. Ninguém merece... daqui a pouco estou me vendo de cabelinhos brancos. Fiz mais dois concursos... um foi um lixo... a prova tava tão fácil que todo mundo se deu bem... e os critérios de eliminação me jogam para escanteio. Vamos esperar pelo próximo. :P
É feriado aqui na PB. Estou aproveitando folga... hehehehe joguei tudo para o espaço e aqui estou eu. ^.^
Espero que tenham gostado do capítulo. Kagome e Sesshy cada vez mais ligados. -
Mais tarde... vou postar MDP. Estou terminando de digitá-lo e vou ver se consigo responder as reviews. ^.^
Agradeço pelas reviews do capítulo 27: Aninha / Nai (O capricho dos Deuses foi minha segunda fic... já tinha terminado e tudo... ia começar a segunda parte quando Inuyasha acabou e me desiludiu. T-T Ela não é UA e continuava de onde o anime havia parado. Bem... eu não me esqueci dela. Já tenh um novo plano para adapta-la ao final legítimo do Anime... mas só vou fazê-lo quando terminar MDP e LM.) / Nami-cham Vampire / Holy Sakura / S / Gheisinha Kinomoto / Gege-ups / Gabriela / Signifi-ca.t /
Obrigada a todas e um beijão para vocês.
Até o próximo capítulo. Que prometo... saíra antes do Natal. É meta... mais um capítulo antes do final do ano. ^^
Beijokas
Até a próxima
Telly Roarke.
