Capítulo 28 - POV Bella

Ter Edward perto de mim de novo era sem dúvida uma boa coisa. Ele realmente me acalmou muito mais do que todo mundo que já tinha tentado. E ele só precisou me abraçar.

Pra você ver como são as coisas. Pra fazê-lo se controlar, só precisei falar com ele. E ele me deu esperanças - mesmo que poucas - de que eu ficaria bem, também com simples palavras e um abraço. Pela milésima vez naquela manhã, eu pensei comigo mesma: Nós fomos feitos um pro outro.

Edward estava na sala conversando com Renée, Charlie e Phil, certamente de mitos vampiros ou qualquer coisa assim. Enquanto ele não chegava da caçada, meus pais e meu padrasto encheram Rose e Alice de perguntas. Foi embaraçoso, mas elas responderam com a maior educação tudo que podiam responder. Mamãe era maluca, mas sabia que não se contava uma coisa dessas nem pra melhor amiga. Isso amenizava a situação.

E lendo mentes, como Edward podia ler, ele sabia exatamente o que responder. Falando em ler mentes, esse era o dom que nós não tínhamos falado aos meus pais. O de Jasper acabou saindo sem querer, quando eu pedi a ele que me acalmasse um pouco antes de enfrentar Edward, quando o carro dele estacionou na porta de casa. Aí vieram as perguntas e tivemos que responder. Me desculpei com Jasper e ele não se importou.

Mas o de Edward ninguém se atreveu a falar. Eu disse isso a ele, e ele ia continuar agindo da mesma forma. Ou seja: nada de respostas à perguntas mentais. Ler mentes podia ser uma característica que minha mãe poderia achar muito peculiar. Por peculiar entenda-se: excêntrica. Ela ia surtar se soubesse que meu namorado conseguia ler a mente dela.

Me levantei depois de uma noite de sono tranquila e tomei um banho. Depois de me vestir, desci e encontrei Edward na sala com meus pais.

- Bom dia! - cumprimentei todos alegre. Eu estava me sentindo feliz. Só em ter Edward ali já bastava.

- Bom dia, querida. - mamãe.

- Bom dia, Bells. - papai.

- Bom dia, Bella. - Phil.

- Bom dia, amor. - Edward.

Dei um sorriso bem colgate e sentei no colo de Edward. Ele gostou.

- O sofá é mais confortável. - ele falou, zombando da própria pele dura.

- Você que pensa... - falei e me aconcheguei ainda mais nele.

Minha mãe riu.

- Não adianta Edward. Ela nunca vai achar suas características um defeito. - ela falou. Foi gentil, mãe. Sorri pra ela.

- Não mesmo. - sorri pra ele também.

- Tudo bem, então. Desisto. - ele falou e levantou as mãos em sinal de desistência.

Quando fez isso eu perdi o equilibrio, mas ele rapidamente me pegou de volta.

- Você não muda nunca. - ele disse com o sorriso torto e eu sorri.

Quando ia falar mais, a maldita começou.

- Ah, não! - falei e coloquei a mão na cabeça.

A essa altura, Edward já sabia tudo que podia sobre minha doença, e isso ficou confirmado quando ele disse:

- Dor de cabeça? - assenti e ele pediu a Renée meu remédio.

Ele colocou as mãos frias no lugar onde eu apertava e aliviou um pouco. Só um pouco. Porque a dor mesmo vinha de dentro da cabeça.

Tomei o remédio e deitei no colo dele. Eu não ia largar ele nem que ele mandasse. Não que ele fosse fazer isso.

Na hora do almoço já estava melhor. A dor tinha diminuído muito.

Mas apesar de todos os meus esforços, Edward saiu na hora do almoço.

- Não! - eu ficava choramingando pra ele ficar feito uma criança, mas não sei por que ele não caiu na minha.

- Bella, eu prometo que volto mais tarde. Só vou resolver algumas coisas. Deixa eu ir? - ele falava, com uma voz igualmente manhosa.

O que era totalmente injusto. Quer dizer, a voz dele já era um Deus-nos-acuda normalmente falando. Imaginem vocês como ficava quando ele realmente fazia ela parecer manhosa, dengosa. Argh. Dava até raiva. Eu ficava totalmente sem ação.

- Promete que na hora do jantar vai estar aqui? - falei. Como se ele fosse jantar.

- Chego às seis. Prometo. - ele disse.

Eu aceitei isso. Afinal... seriam... cinco horas sem Edward. Eu tentaria sobreviver.

Ele saiu e eu fiquei me perguntando que "coisas" eram essas que ele precisava resolver... Nem liguei muito, Alice veio logo depois com Rosalie pra me distrair.
Algo me dizia que elas sabiam que "coisas" eram essas que Edward tinha ido resolver, mas não pressionei. Se ele quisesse me dizer, teria dito. O que seria?

Às seis em ponto ele tocou a campanhia. Eu estava completamente exausta e Alice e Rose tinham saído meia hora antes. Cansada demais, não consegui sequer levantar da cama. Nos últimos quatro dias eu tinha esquecido que estava muito, muito doente. Fazer estripolias não estava ajudando. Eu comecei a tentar me levantar, mas aí senti mãos frias empurrando meus ombros.

- Nem pense. Se está tão cansada, é melhor continuar deitada. - Edward falou, enquanto me deitava de novo.

- Desculpa. Eu queria ter ido te receber. Mas tô realmente exausta. - eu falei com um sorrisinho de desculpas.

Ele sorriu e sentou do meu lado.

- Você não tem que pedir desculpas, Bella. Sua mãe me recebe muito bem. - ele me abraçou e eu afundei minha cabeça em seu peito.

- Eu to simplemente um caco. - eu disse e ele começou a passar os dedos pelos meus cabelos.

- Eu sei. Essa doença tá acabando com você. - ele disse - E eu vou acabar com ela, prometo.

Ele me beijou na testa e eu só fechei os olhos. Estava cansada demais, até pra pensar.

Minha mãe veio até o quarto e perguntou a Edward, bem baixinho:

- Ela dormiu?

- Não. Mas está quase dormindo.

- Então anime ela um pouco, Edward. Ela precisa comer.

Ela saiu e ele começou a me chamar.

- Bella, você precisa comer, levante.

- Não consigo... - falei, com a voz tão cansada que achei que ele fosse desistir. Grande engano.

Ele me levantou e me deixou sentada. Aí me olhou e falou, com a voz alarmada:

- Bella, você está péssima. Melhor você comer e eu te levo pro hospital.

Nossa, eu estava tão mal assim?

- Hospital? Ah, não. - reclamei.

- Hospital sim. - ele falou bem na hora que minha mãe chegou com uma bandeja de comida.

Quando me viu ela quase derrubou a bandeja. A sorte é que Edward foi mais rápido que isso. Ele pegou a bandeja e não deixou nenhum grão cair. Minha mãe ficou pasma.

- Isso que são reflexos rápidos. - ela falou, sorrindo.

- Tem que servir pra alguma coisa, né? - ele riu.

Depois de me alimentar, Edward me levou ao hospital.

Duas horas depois, estava eu internada. Eu sabia que iam acabar me internando. Eu sentia que meu estado só fazia piorar com o tempo, mas eu realmente não queria ficar aqui. Edward se recusou a me deixar em casa, e me obrigou a me vestir. Quando chegamos, Carlisle estava de plantão e olhou pra mim como quem vê um fantasma e disse:

- Bella, você tem que ser internada imediatamente. - ele falou e começou a procurar minha ficha.

Depois de internada e devidamente instalada no quarto eu pedi um espelho à minha mãe. Um erro, devo dizer. Porque eu me assustei tanto com o que vi, que derrubei o espelho na primeira vez. Ele caiu no colo e eu peguei de novo, pra conferir se aquela era eu mesma. E era.

Eu estava parecendo um zumbi. Estava quase tão pálida como Edward, com olheiras roxas embaixo dos olhos, magra como eu nunca tinha visto. Sério, parecia que minha pele ia rasgar e sucumbir aos ossos. Eu estava com uma aparência cadavérica.

No hospital me deram soro e aqueles coquetéis... de remédios. Me senti melhor um pouco e pedi pra ir pra casa. Carlisle riu e disse que eu só ia sair daqui no mínimo amanhã.

Edward estava sério. Só ficava acompanhando sentado no sofá. Charlie e Phil tinham vindo depois, junto com Renée, pra também ficar comigo. Imaginei o que ele pensava tanto. Ele devia era me transformar logo pra poder acabar com esse sofrimento. O que ele tava esperando?

No outro dia, fui liberada ao meio-dia. Carlisle me disse que não adiantava ficar muito no hospital no meu estado, e que isso tinha sido só pra me fortalecer um pouco. Edward me levou pra casa e quando cheguei encontrei meus pais e meu padrasto lá. Ah, e meus amigos também. Angela, Ben, Mike e Jessica estavam parados na varanda em frente de casa.

Eles tinham sabido sobre minha doença, e tinham vindo aqui a última vez no dia que Edward voltou. Tipo, ainda bem que eles tinham aparecido só a noite, quando Edward já tinha ido caçar. Ninguém contou nada. E eles pareciam nem desconfiar.

Edward parou o carro na entrada e falou:

- Fique aí, eu pego você. Você ainda tá fraca demais pra andar. - ele disse e saiu do carro sem esperar minha resposta.

Eu não o contrariei por dois motivos. Primeiro, ele não ia me ouvir. Segundo, ele estava totalmente certo. Eu não conseguia nem andar direito. Ele deu a volta e me pegou no colo, fechando a porta do carro com o pé. Me levou no colo até a varanda e Mike falou.

- Nossa Bella! O que você anda fazendo garota? Está horrível!!!! - ele disse e Edward se zangou.

- Sai da frente Newton. Ela não pode levar frieza. - ele disse com uma voz que significava que ele queria matar Mike. Mas era verdade. Eu não podia levar frieza, nem sol, nem chuva, nem nada. Tudo isso só piorava meu estado clínico.

Mike fez uma cara de poucos amigos mas logo depois a desfez, saindo da frente. Edward me levou até a sala e me sentou no sofá. Sentou do meu lado logo depois.

- Eu ia perguntar como você está, mas acho que não muito bem, não é Bella? - Angela falou.

- É, Ang. Não muito bem. - falei e tossi um pouco. Minha mãe chegou logo depois com um copo d'água e um comprimido.

Tomei o remédio e ficamos conversando sobre coisas amenas até umas quatro da tarde. Edward não falava nada, mas como eu tinha deitado no colo dele em um certo momento, ele ficou acariciando meus cabelos enqunto me ouvia conversar.

Quando eles foram embora, ele falou.

- Esse Mike é um pé no saco. - ele disse irritado. Eu ri um pouquinho.

- Calma, amor. Eu prefiro você. - sorri.

Ele sorriu de volta.

- E eu ainda não faço idéia do motivo.

- Sabe que nem eu? - falei, brincando.

Nós rimos e ele me levou até o banheiro. Minha mãe me ajudou a tomar banho e quando voltei ao quarto, Edward tinha saído. Foi em casa. Me deitei um pouco e comi. Dormi antes de ver se ele voltou. Estava exausta.

Só que quando levantei, ele estava com um sorriso maravilhoso do meu lado.

- Tenho ótimas notícias. - ele falou com uma alegria visível e um sorriso de tirar o fôlego.