Disclaimer: Naruto não me pertence.
Areia
A mulher se ergueu na frente de todos aqueles olhos. Sua postura era altiva e seu olhar, severo. Ninguém ousaria dizer que a suave e doce mulher que havia chegado dez meses antes era a mesma que agora os fitava de tal forma. Qualquer um que tivesse convivido com o ser angelical que teve direito a uma forma física para dar a luz a linhagem de herdeiros do clã abençoado por Kami para trazer luz ao mundo diria que a mulher que ali estava era uma impostora. Mas a realidade era outra. A realidade era dura e assustadora. A realidade era que o clã que tanto se orgulhava de descender de anjos e humanos escolhidos por Kami havia enfurecido não um anjo qualquer, mas aquela que era responsável tanto pela preservação da inocência das crianças e mulheres quanto a fúria gerada quando a inocência lhes é roubada de forma violenta e cruel. Esse era o cargo da anja que os humanos batizaram de Hyuuga Hime e ela sabia quando assumir seu papel.
Haviam ido contra os conselhos dela. Haviam traído-a e ousaram se sentir mais espertos. Mas o pior, o que a fez rachar o exterior calmo e submisso dela, foi quando o homem no qual ela teve de entregar parte da própria inocência para gerar um herdeiro anunciou seus planos para o futuro da criança.
Hime fechou os olhos e suspirou. A raiva tentava cega-la e ela não sabia quanto tempo duraria até seu autocontrole acabar. Entre os seus irmãos, seu nome era outro, mas Kami permitiu que a pureza do próprio nome fosse mantida ao não ser mencionada pelo humanos. Então restou a ela viver por vários meses atendendo pelo nome de Hime e sendo jogada de um lugar para outro. Engravidar em si não havia sido um grande problema, porém ter que ver Shukaku escondida por todo esse tempo deixava um gosto agridoce na boca e saber que ainda veria seu filho, mas não poderia se mostrar como mãe dele ou cria-lo como uma mãe esmagava seu coração.
Logo vieram os planos e com eles ela decidiu que interferiria para manter a ordem no clã e garantir a segurança do filho que tivera e de todos aqueles que viriam a partir dele. Porém as idéias de Hideki divergiam das dela, ele, como líder do clã, quis apagar a voz dela e limitar suas opiniões. Ele quis transformar o filho numa máquina de sucesso na expansão do clã e aquisição de poder e renome. Ele quis destruir a inocência da criança ainda na primeira infância para poder gerar um líder frio e analítico, um homem sem coração e reinado pela razão. Mas se esqueceu que o filho dele saíra dela, se esqueceu que não sabia qual o papel desempenhado por ela de onde vinha; se esqueceu que, embora fosse parte do acordo deixar a criança com o clã e a anja partir, ela ainda era mãe e tinha direito de proteger o filho.
Shukaku a fitou de seu lugar na areia. Ele podia ver o céu se fechar acima deles e o brilho acinzentado que ela emanava e se perguntou por um momento se a amada estava perdendo seu posto como anjo devido à fúria.
- Hime? - tentou chamar, mas ela ignorou - o.
Ele viu um raio descer e atingi-la e quase gritou de medo, mas percebeu que a luz que descia do céu a envolvia. O cabelo azulado se tornou branco e os olhos adquiriram um tom avermelhado.
- A partir de hoje, cem anos se passarão. Cem anos de glórias e guerras. De fartura e fome. Daqui cem anos um dos líderes Hyuuga terá uma filha primogênita, seus olhos conterão o mesmo tom arroxeado que os meus, sua pele será alva e seu cabelo escuro se destacará no mar de mechas castanhas do clã. Ela será mais poderosa que qualquer um de vocês, mas terá uma alma tão pura que vocês não conseguirão destruir como desejam fazer com meu filho. Ela trará consigo a mudança para o clã e carregará a morte e o medo ao seu redor sem perceber. Será a causa da morte do próprio pai e de seu irmão ou irmã. Vocês devem temê-la, povo de poucas virtudes, pois ela carrega em si a minha fúria e a fúria de meus irmãos. Assim como devem temer aquele que lhe será prometido. O garoto que carregará em si a alma de meu amado.
- Ouçam bem, homens e mulheres que aqui estão, pois só lhes direi uma vez:
- Quando a garota nascer todos vão começar a tentar quebra-la e um único homem conseguirá fazê - lo. A morte e o medo que a farão companhia vão ganhar forças e uma tempestade de sangue vai se formar. A maior e mais terrível guerra que esse mundo conhecerá brotará dela, porque vocês não saberão lidar com a menina e o mundo irá suja-la com suas imundices. A guerra virá porque essa garota será a própria guerra. Quem estiver ao seu lado ganhará as batalhas. Quem estiver contra ela... Perderá a própria alma. E digo mais!
As pessoas fitaram a forma física da anja começar a derreter e tentaram não entrar em pânico com a cena e com o que lhes era dito. Hideki fitou-a com descaso puro no olhar. Sua postura altiva sem oscilar.
- Vejo uma sombra que se move sobre a areia. - ela continuou - Vejo a cabeleira ruiva tão vermelha quanto as rosas que florescem nas terras ao norte, os pés descalços tão brancos como a neve que lava a montanhas mais altas e os olhos que brilham de forma feroz contra a luz do sol de um tom de verde-água que roubava a cor do mar mais limpo.
- Essa sombra pertencerá ao próximo sombra será o próximo escolhido. O próximo portador do Shukaku, o demônio que vive no deserto.- uma pausa - Quando calmo, um homem para apaixonar-se, para entregar-se sem receios, quando instável alguém para se temer.
- Será tal monstro que seus pai o odiarão. Seus irmãos não ousarão aproximar-se e as outras crianças fugirão com as pernas bambas pelo medo.- ela virou-se e fitou o Ichibi parado e ferido na areia. Seus olhos suavizaram ao fazer contato visual com ele. - Intocável viveria se uma moça não pudesse ama-lo tal e qual ele o é. Amar seu lado humano e seu lado demônio numa intensidade encantadora. De lábios da cor do salmão e olhos de vidro, a garota nascerá tão pura que o contato com o mundo lhe será proibido. Apenas sua pureza salvará o menino-monstro. Vocês sabem quem ela será e não podem tentar afasta-los ou minha fúria se libertará. Deixe-os juntos e hão de ter paz. Separe-os e a morte florescerá.
Então ela andou até o demônio do deserto e o abraçou. Seu rosto se molhou com lágrimas e ele suspirou.
- Até daqui cem anos terrestres, meu amado.
- Vou te esperar, tenha certeza de que vou. Em cem anos viveremos juntos e eu não vou deixar que você parta uma segunda vez.
Ela sorriu.
- Sinto muito por ter que ser dessa forma.
- Se é assim que deve ser, que seja. O importante é que te amo hoje e que sempre te amarei.
Ele se aproximou dela e permitiu-se tocar os lábios dela com os seus. Era uma sensação indescritível para ele e pôde sentir o sorriso suave nela durante o beijo. A luz o envolveu e curou suas feridas. Então ela se afastou em silêncio e andou até a serva que segurava o herdeiro Hyuuga nos braços. O primeiro instinto da serva foi recuar e Hideki gritou para que não entregasse a criança, mas Hime tirou o bebê dos braços da humana e o aninhou no seu.
Abaixou o rosto e beijou a testa da criança que sorriu nos braços maternos.
- Teu pai quer te destruir, filho meu, e pensa que possui todo o direito de fazê-lo. Mas eu digo que você é meu filho, fruto de meu ventre, e que ninguém vai roubar tua inocência. Não serás responsável pelos próprios atos no futuro que te aguarda. Não matarás ou serás cruel por motivo fútil algum, porém serás a máquina que teu pai quer que seja. Até que a primeira herdeira nasça daqui cem anos, você e todos os primogênitos gerados a partir de você não possuirão moral alguma, apenas focarão no que considerarem racionalmente melhor para o clã. Retiro de você e dos teus filhos todo e qualquer rastro de inocência. Isto lhe será devolvido quando falecerem. Você e seu filhos estão condenados a serem imortais até que o próximo na linhagem tenha idade e sabedoria para assumir o clã, então se tornarão mortais e serão enviados diretamente para mim após falecerem. Fruto de meu ventre, você e seus descendentes perderão a mãe sempre prematuramente porque eu lhes espero do outro lado do véu da vida. Uma vida junto ao pai e uma vida junto à mãe é justo. - ela sorriu para o filho e pousou o dedo indicador entre as sobrancelhas da criança. Ao começar a afastar a mão um brilho fraco e esfumaçado ligava mãe e filho. Ela afastou só o suficiente para a ligação se romper e entregou o bebê para a serva.
Com um último olhar furioso ela se virou para Hideki e sorriu.
- Veja teu filho crescer e se tornar o que você tanto deseja. Assista o que você pediu e não reclame quando perceber o monstro que você criou.
'' Você já pensou em qual é a sensação de matar alguém?''
Hinata havia parado e olhado para Neji assustada com a pergunta súbita.
'' O que te fez pensar nisso, Nii-san?''
'' Eu não sou tão puro como pensam. Você sabe disso. Eu tenho essa sensação nas minhas entranhas que... Eu nasci para lutar. Para matar. Nasci um soldado.''
Ela havia fitado o moreno longamente. Na época ela não tinha mais que onze anos. Poucas coisas haviam assustado-a tanto quanto a afirmação do mais velho.
'' Nunca deixe nosso pai ouvir isso de você.'', ela havia sussurrado em resposta.
Pensando de volta naquele tempo, Hinata não pode deixar de notar que ela não havia respondido a pergunta do irmão. Ela não podia admitir em voz alta que por vezes deixou sua mente vagar no terreno perigoso que era a vingança e, consequentemente, no mundo do assassinato. Ela não era tão estúpida quanto pensavam. Por vezes tinha escapado do composto sem ninguém seguindo-a ou reparando sua ausência. Afinal não era tão difícil notarem sua ausência quando não se passava de um fantasma vagando numa área isolada.
Foi assim que numa noite extremamente quente de verão ela conheceu Uchiha Itachi.
Ele cheirava a sangue fresco e seu corpo estava banhado num líquido escuro e seco. Perto dele, meio encoberto pelas sombras haviam outros dois homens.
Hinata sorriu ao lembrar-se daquela noite.
'' Quem é você?'', Itachi perguntara confuso ao ver a menina em seu distrito.
Hinata se encolhera contra o tronco de uma árvore. O cheiro de sangue estava deixando-a com náuseas e ele sentia medo daquelas pessoas desconhecidas. Nunca havia visto alguém com olhos negros como o céu noturno antes. Mas não só isso, havia uma aura circundando-os que gritava perigo. Era denso e poderoso.
Ele deu um passo na direção dela e a menina assustada não pode evitar lançar um pequeno relâmpago na direção dele para se defender. Se sentia um coelho cercado de lobos.
Itachi estreitou os olhos ao ver a pequena chama na grama onde o raio caiu e voltou a fita-la pensativo.
'' Quem é você e o que faz em terras Uchiha?''
Isso atraiu a atenção da menina. 'Uchiha'... Esse nome fez algo se revolver dentro dela. Percebeu de repente que havia algo importante sobre o nome no qual ela deveria se lembrar. O sentimento de medo triplicou quando a realização a atingiu como um balde de água fria.
O cheiro de sangue. O líquido cobrindo os três homens. Os olhos anormalmente negros
Eles eram os Uchihas, um clã que, assim como os Hyuugas descendiam de anjos, havia surgido a partir de demônios.
Se lançou para o lado e tentou correr para longe deles, mas logo estava no chão. Itachi havia imobilizado-a.
'' És surda, muda ou apenas idiota? Responda minha pergunta antes que eu te mate, criança!'' ele falou numa voz calma que contrastava com o conteúdo de suas palavras.
Estranho como depois de certo tempo Itachi se tornou amigo dela, dando refúgio a menina, então com oito ou nove anos, sempre que ela conseguia escapar do Complexo Hyuuga. De algum modo, apesar de ter conhecido o menino coberto em sangue inimigo, depois ela percebeu que a aura dele e de outros membros do clã Uchiha não carregava tanta maldade e impureza quanto ela acreditava. Apesar de descender de uma linhagem quase pura de demônios, Itachi carregava consigo uma das mais puras almas que ela já tinha visto.
Com o tempo ela descobriu que os Uchihas viviam do caos e da guerra. Isso aumentava a densidade da aura deles e tornava seus poderes mais fortes e eficientes. Do mesmo modo que ela conseguia evocar luz no meio da escuridão, eles extraiam trevas do próprio fogo. Era lindo, assustador e letal.
Os Uchihas eram soldados, homens e mulheres, e tinham orgulho de carregar a posição de anjos da morte humanos.
Não demorou muito para descobrirem que ela era um tabu e um fantasma entre os próprios Hyuugas e que não existia para o resto da Vila. Fugaku, pai de Itachi e líder do clã - e um dos homens que ela ela tinha visto naquela fatídica noite de verão- declarou que, contanto que o clã dela não a procurasse e ela não os atacasse ou traísse, sua estadia era bem-vinda. Shisui, que também estava lá com Itachi e Fugaku, trabalhou por anos em cobrir os rastros dela e se assegurar que ninguém soubesse que havia uma Hyuuga andando por entre os Uchihas. Sasuke, irmão mais novo de Itachi, foi o mais arisco no início com a presença dela em sua família, mas depois passou a ignora-la ao perceber que a menina não era nenhuma ameaça.
Com o passar do tempo o clã de olhos negros não mais se incomodava com a presença dos assustados olhos albinos. Pelo contrario, eles resolveram adotá-la secretamente como uma deles. E ser um Uchiha significava carregar a morte em suas mãos.
Foi Itachi quem a introduziu ao pensamento de como seria assassinar alguém.
No escuro da caverna Hinata sorriu.
'' Você já pensou em qual é a sensação de matar alguém?'' Itachi havia perguntado pra ela anos antes de Neji fazer o mesmo questionamento. Antes dele mostrar a ela na pratica o motivo pelo qual ela o vira banhado em sangue quando o conhecera.
- Sim, e agora anseio por isso... - ela murmurou para a escuridão, seus lábios torcidos num sorriso sombrio.
Dois caps num curto período que é pra me manter viva.
Obs.: e porque não sei quando posso postar outro.
BarbaraGava, oi! Sentiu minha falta? Andei meio sumida nas quebradas hahaha A hora do Hiashi-sama tá chegando, tenha calma. Hinata se ferrando é minha marca registrada. A M O S2 Tio Orochi também tem data marcada pra morrer ( pode começar suas apostas sobre quem vai matar quem). Esse mês tenho 20 reais pra terminar agosto -' Sad story. Tem festa pra ir ( 18 anos no vale dos homossexuais) mas falta dinheiro pra pagar o rango na festa. Beijos!
