Hellooooooooooo, peopleeees!

Como prometido, o primeiro extra da S&L *-*

Eu, particularmente, gostei. Mas eu não tenho direito de dizer isso. SUAHSUAHSUAHU Então, leiam e me digam o que acharam, ok? *-*

Boa leitura.


Secrets & Lies
Extra 1 – O Cullen e a Mestiça

Londres, Inglaterra
Agosto de 1638
01h da manhã

Passos apressados pelas ruas escuras. Um rosto atormentado de medo, uma mente bagunçada com terror. E, de repente, um grito.

– Não, por favor, não!

– Mil perdões, mas é preciso – a voz doce e melodiosa de mulher cessou os lamentos da outra jovem, que perdera a vida, para alimentar uma imortal.

Ao terminar, Elizabeth empurrou o corpo sem vida para dentro de um beco sujo e afastado, sentindo um pouco de repulsa pelo que acabara de fazer.

Elizabeth Cullen era filha de um vampiro e uma humana. Nascera como algo inédito no mundo, que até então desconhecia a possibilidade de reprodução entre as duas espécies tão iguais e tão diferentes. Era metade humana, tinha um coração que batia, e sangue que lhe corria pelas veias. Tinha necessidades humanas, e também precisava de comida humana.

Mas também era metade vampira, o que lhe conferia habilidades e sentidos aguçados, e também a característica sede de sangue. Ela não precisava de sangue tão rapidamente como os vampiros, mas precisava. E os dias em que tinha que caçar, não lhe eram os melhores. De qualquer forma, Elizabeth necessitava de sangue naquela madrugada, e estava quase satisfeita quando ouviu um rosnado à poucos metros de onde estava.

Ela ficou em alerta no mesmo momento. Era a "princesa" do mundo vampiro, filha do vampiro mais poderoso da terra, Sebastian Cullen. Mas sua condição de meia vampira lhe dava algumas desvantagens se ela estivesse em combate.

Mas Elizabeth não precisava se preocupar. O rosnado viera de um movimento de ataque de um conterrâneo seu, Anthony. Um dos braços direitos de seu pai. Elizabeth se sentiu corar. Adorava Anthony. O jeito com que ele se movia com graça e beleza, e como parecia nunca se abalar por nada.

Anthony era um Cullen também, um dos primeiros que o pai de Elizabeth transformara. Sua habilidade extra consistia na hipnose mental de qualquer outra criatura. Isso lhe dava vantagens incríveis que o rei adorava explorar. Anthony era secretamente apaixonado por Elizabeth, desde que ela nascera. Fora um dos únicos que teve contato com a bebê e durante seu crescimento estava lá, como amigo da família e da criança. E quando ela finalmente atingira a maturidade, se tornara uma vampira belíssima – e uma poderosa Cullen, assim como seu pai.

Anthony não ousava dizer a ninguém sobre seu amor incondicional por Elizabeth. Isso poderia trazer problemas para os dois. E ele não queria que o amor de sua existência se encrencasse. Por isso mantinha seus sentimentos para si.

Quando Anthony saíra para caçar naquela noite, não imaginava que encontraria a princesa – seu objeto de adoração – nas mesmas ruas que ele. Era mesmo uma sorte tê-la ali! Ele se aproximou dela sorrindo, limpando discretamente um resquício do sangue de sua última vítima do canto da boca.

– Princesa! – ele a cumprimentou – O que faz aqui?

– O mesmo que você – Elizabeth cumprimentou-o docemente, sorrindo. Seu coração se acelerara e ela sabia que Anthony ouvia.

Pare com isso, ela ordenou a si mesma. Mas, não encontrou forças para obedecer.

– Ora, caçando sozinha? Não vens sempre acompanhada de tua dama de companhia?

– Geralmente, sim – ela admitiu – Hoje preferi vir sozinha. Precisava pensar, me concentrar. E não sou mais uma criança para ter que sair acompanhada sempre.

– Decerto que não – disse Anthony, não evitando passar seus olhos por todo o corpo bem feito e curvilíneo de Elizabeth – Mas, seu pai não ficará zangado?

– Não me importo com isso – disse Elizabeth, virando as costas para Anthony e tomando seu caminho pelas ruas desertas – Ele tem que entender que não sou uma criança. Eu posso me cuidar sozinha.

– Certamente que pode – Anthony ficou à sua frente, parando sua caminhada – Mas, não quero que se meta em problemas. Se ele perguntar, eu te acompanhei.

Elizabeth piscou confusa. Sabia que Anthony era um grande amigo de seu pai, e sabia que ele cuidara dela durante sua rápida infância. Não via motivos para ele fazer isso agora. Seria outra proteção estúpida? Pensaria ele que ela ainda era nova demais ou qualquer coisa assim? Isso ela não poderia permitir. Queria que ele, mais que todos, a tratasse como a mulher que se tornara.

– Sinto muito, Anthony. Eu sei me cuidar, é sério – ela retomou sua caminhada, falando mais rudemente com ele – Não sou uma criança que todos acham que precisa de cuidados constantes.

– Não me referi à isso, princesa – ele disse, sorrindo, fazendo com que ela voltasse a olhar para ele – Apenas não quero que se meta em problemas com o rei. Ele já vem nervoso há algum tempo, como sabe. É apenas uma história. Eu não vou realmente acompanhá-la... se a senhorita assim o desejar.

Ela sorriu. Então, ele apenas falara aquilo como uma "sugestão". Era bom saber que ele não a via como criança mais.

– Então, não me vê como criança?

Ele riu, alto.

– É claro que não! Que desfortúnio é este que falas! És uma mulher, há muito tempo. Crecestes, alteza – ele se aproximou, falando perigosamente perto demais – Te tornastes uma bela vampira.

– Falas isto de boca pra fora – ela revidou, um pouco arfante e com o coração disparado.

– Não – ele insistiu – Falo porque é verdade.

Ela respirou dificultosamente mais um pouco, até que ele decidiu por fim àquilo.

– Elizabeth... – sussurrou – Quão bela mulher se tornou. Devo admitir que me fascinas.

– Eu? M-mas, podes ter qualquer uma!

– Não quero qualquer uma – ele puxou-a pela cintura com uma mão, levando a outra mão a acariciar o rosto espantado e corado dela – Quero você. E esperei muito para tê-la.

– Não precisa esperar mais – num surto de coragem, ela falou – Eu te quero, Anthony.

– Oh, Elizabeth... – ele sussurrou, tomando os lábios dela nos seus com o fervor e a adoração que ele continha dentro de si há tantos anos.

O amor dividido pelos dois naquele beijo era suficiente para eles. E foi suficiente para o rei Sebastian, quando soube do romance dos dois. De início, os dois não queriam contar. Mas num descuido, Sebastian percebeu o que acontecia. Contrariando as expectativas dos amantes, o rei recebeu com bom grado a notícia. Todos receberam.

Saber que a princesa Cullen estava unindo-se à um Cullen legítimo era mais do que um prazer para todos. Com exceção de um.

George Cullen era apaixonado pela princesa Elizabeth desde que a vira com seus oito anos de idade, em aparência de 19. O fato de ver Anthony – seu rival em confiança com o rei – em um relacionamento sério e duradouro com a princesa, o deixou furioso. E ele não iria deixar isso barato.

Fevereiro de 1639

Vampiros para lá e para cá, a agitação era notavelmente alta entre todos os moradores do Castelo dos Cullen em Londres. Preparativos para o casamento da princesa com o braço direito do rei.

Os noivos aproveitaram a distração dos outros para se afastarem, indo até o lugar preferido deles no Castelo: o jardim dos fundos. Lá, os dois trocavam carícias, suspiros e beijos, enquanto conversavam sobre seus futuros dias como rei e rainha, marido e mulher.

– Anthony, o rei o chama na sala do trono – ouviram a voz pesada e meio aborrecida, atrapalhando-os bem no meio de um beijo.

Anthony rosnou.

– Já vou, George. Obrigado por avisar – apenas o fato de Elizabeth estar ali, e sua consideração fingida por George ser também um Cullen impediram Anthony de avançar nele para decepar-lhe a cabeça.

– Ele diz que é urgente. Pode namorar sua noivinha depois – ele disse, com provocação na voz.

Anthony rosnou e perdeu o controle por poucos segundos, levantando de onde estava com Elizabeth e mostrando os dentes e caninos afiados para George, em afronta.

– Não se atreva a falar dela assim – ele rosnou.

– Querido – Elizabeth interveio – É melhor você ir. Sabe que ele só deseja provocá-lo.

Anthony rosnou de impaciência, mas controlou-se o suficiente para dar um beijo na testa de Elizabeth, antes de sair furiosamente até a sala do trono.

George, por sua vez, se pôs à frente de Elizabeth, quando esta tentava sair do jardim, em direção ao seu quarto.

– George, por favor me permita passar.

– Calma, princesa. Não posso falar com você?

– Então fale logo. Tenho coisas a fazer.

– Não parecem importantes. Se fossem, estaria resolvendo-as, em vez de namorar com o preferidinho aqui.

– O que está insinuando, George? – perguntou a princesa impaciente, fechando os olhos para controlar-se.

George provocava-a, e a Anthony também, desde que os dois assumiram publicamente seu relacionamento. Era irritante e desgastante, e mesmo que nenhum dos dois desse ouvidos aos comentários maldosos ou boatos, ainda assim se irritavam com George.

– Nada, alteza – ele sorriu – Não estou insinuando nada.

– Afinal, o que quer? – ela começava a perder a paciência.

– Apenas saber: o que ele tem que te atrai tanto?

Elizabeth não esperava essa pergunta. Sabia que George a olhava diferente, mas essa pergunta tirara as dúvidas de sua mente.

– Creio que isso importa apenas a mim, George – ela respondeu, secamente.

– Ora, não seja egoísta – ele insistiu – Conte-me. Conte-me o que o bastardo fez para te fisgar.

– Não se atreva a chamá-lo de bastardo! Ele é muito melhor do que você – ela cuspiu as palavras. – E um dos primeiros a serem transformados por meu pai. Não se atreva a falar dele dessa forma! E me deixe em paz!

Elizabeth aproveitou o pequeno espaço que George distraidamente deixara e saiu correndo em direção ao seu quarto, não percebendo que suas palavras deixaram George incrivelmente alterado.

Ele tinha esperanças. Esperanças que ela se rendesse, esperanças que de alguma forma, tudo ruísse entre Anthony e Elizabeth. Mas, ao responder daquele jeito à ele, Elizabeth acabara com as esperanças que George tão tolamente mantinha. Teria que dar um jeito com suas próprias mãos.

E foi pensando nisso que George saiu em disparada pela floresta, sua mente arquitetando seu plano de destruição, e em todos os detalhes do dia em que ele finalmente se vingaria. De Elizabeth, de Anthony, de Sebastian... e de qualquer Cullen que ficasse em seu caminho.

Cinco dias depois

O salão decorado em cores branca e prata cintilava com as luzes altas de velas acesas. Uma enorme multidão, de peles pálidas e corpos de granito. Todos ansiosos, felizes, agitados. O rei Sebastian, vestido alinhadamente, seguia cumprimentando os convidados com sua esposa, com um sorriso radiante no rosto. Todos os cumprimentavam igualmente sorridentes, com o respeito que só ele possuía entre os vampiros do mundo inteiro.

Alguns minutos depois, uma música suave tocada ao piano preencheu o ambiente, e todos endireitaram-se para receber o noivo. Os reis acomodaram-se em seu lugar no altar, enquanto Aro Volturi, amigo íntimo da família, acomodava-se na posição de realizador da cerimônia.

O noivo entrou no recinto com um pequeno sorriso. Estava nervoso e apreensivo. Elizabeth lhe contara sobre o ocorrido com George dias atrás, e como ninguém o via desde então, tinha medo que aquela criatura desprezível fizesse algo que atrapalhasse seu dia especial.

Mas ele não precisava se preocupar. George não agiria naquele dia.

Anthony se posicionou em seu lugar ao lado do rei, e logo a melodia mudou, dando início à entrada de sua noiva.

Elizabeth trajava um belo vestido branco rodado, de mangas compridas. Lhe caía perfeitamente, e o sorriso em seu rosto contrastava com as cores brilhantes de sua maquiagem bem feita.

O casamento prosseguiu sem intercorrências. Os votos simples e tradicionais foram feitos, e alianças de ouro branco foram trocadas entre os noivos. Rapidamente, a recepção tomou seu lugar e os noivos partiram em lua-de-mel por volta das três horas da manhã.

De longe, George apenas observava. Estava furioso com aquele dia feliz para todos. O dia de sua desgraça. O dia em que ele perdera sua única chance de herança ao trono Cullen. Ele saiu da festa que acontecia rápido, planejando executar seu plano assim que os noivos retornassem de viagem.

Fevereiro de 1640

Roza Cullen andava de um lado para outro dentro de seu aposento, aflita. Sebastian, após uma breve conversa com um de seus guardas, encontrou a esposa em um estado de aflição tão alto que temeu pela resposta da pergunta que faria.

– O que há?

– Sinto que algo grande está para acontecer conosco, Seb – disse Roza, o tom de voz inerte de emoções, mas com um quê de aflição – Não sei ao certo o quê.

– Não se aflija ainda, por favor – disse Sebastian – Vamos apenas nos preocupar com o que acontece agora, ok?

– Sim.

Cerca de horas depois, Sebastian e Roza tiveram uma surpresa. Anthony e Elizabeth estavam voltando de sua lua-de-mel, que durara um ano. Os dois estariam chegando durante a madrugada, e Sebastian ordenou que o Castelo estivesse preparado com uma pequena comemoração à chegada dos dois.

Decerto, durante as primeiras horas da madrugada, Anthony e Elizabeth chegaram ao Castelo, mãos dadas e mentes aflitas. Elizabeth tinha seu coração acelerado. E foi isso que alertou Roza de que seu "pressentimento" de mais cedo, tinha algo a ver com sua filha mestiça.

Após os cumprimentos de todos, Roza puxou Sebastian, Anthony e Elizabeth para seus aposentos no último andar, ordenando aos outros que deixassem-nos em paz e privacidade por alguns momentos.

Elizabeth desconfiava que sua mãe perceberia. Também, pudera, com suas habilidades! Assim que ficaram a sós, Sebastian falou.

– O que há, Roza? – perguntou impaciente – O que sente agora?

Roza ignorou o marido, encarando a filha intensamente.

– O que aconteceu, Lizzie?

O apelido de infância, que apenas sua mãe usava com ela, fez a mestiça chorar. Precisava de sua mãe. Como metade humana, sua sensibilidade aumentada – principalmente pelos novos hormônios – fez com que a garota abraçasse a mãe e chorasse.

Sebastian, então, ficou nervoso. E antes que pudesse soltar algum disparate para Anthony, percebeu que este sofria tanto quanto sua filha. Afinal, o que estava acontecendo?

– O que está acontecendo aqui? – Sebastian rugiu, farto de tantos segredos.

Elizabeth soluçou um pouco mais e soltou sua mãe. Tinha combinado com Anthony que ela própria falaria isso.

– Mãe, pai... Eu não sei como isso aconteceu, pois jurava que meu corpo era incapaz de tal feito. Mas, aconteceu, e estou aqui à procura do apoio e carinho que vocês sempre me deram.

– O que houve, Lizzie? Não nos torture mais, fale logo! – insistiu sua mãe, nervosa.

Então, Elizabeth começou sua narrativa. Disse como a viagem de lua-de-mel tinha se tornado o melhor ano de sua vida. Como ela e Anthony viajaram pelo mundo, sendo recebidos com carinho por outros poucos vampiros que encontravam. Revelou como se sentira bem ao tornar-se um só com ele. E, apesar das caretas de seu pai à isso, ela continuou, terminando sua história.

– Então, há três meses, aconteceu algo completamente inesperado, que só descobrimos na semana passada.

Ela respirou fundo e recuou alguns passos, segurando a mão de Anthony com firmeza enquanto encarava seus pais.

– Mãe, pai... Eu estou grávida.

Londres – 20 de junho de 1640
~16h50~

A notícia da gravidez de Elizabeth fora, pra dizer o mínimo, um choque. Ninguém esperava que a parte humana dela pudesse reproduzir. Mas foi o que aconteceu. Elizabeth estava com três meses de gestação quando voltou à seus pais, aflita e amedrontada.

Os dois receberam com alegria e espanto a notícia, mas não negaram o abrigo que a filha pedia. Pediram os melhores no ramo para tentarem decifrar o que Elizabeth carregava em seu ventre. Tudo em vão. Nem os instrumentos mais modernos poderiam identificar o que se passava dentro da princesa-rainha. Então, só lhes restava esperar que o filho da mestiça e do vampiro nascesse.

Qualquer mudança em Elizabeth era motivo para aglomeração. Já que ninguém sabia como a gravidez se desenvolveria, qualquer sinal era motivo de preocupação. Isso a deixava nervosa, e ela tentava de todas as formas manter o mínimo de pessoas perto dela.

– Dá pra me deixarem sozinha por um minuto? Preciso ir ao banheiro, de novo – ela insistiu.

– Tudo bem, mas qualquer coisa, chame-nos! – disse Anthony, um pouco aflito.

– Estaremos do lado de fora do quarto, querida – disse Roza, sua mãe.

Ela acenou e revirou os olhos, e foi até o banheiro de seu quarto para encontrar privacidade. Lá, fechou a porta levemente e encarou-se no grande espelho. Seu corpo era quase o mesmo de um ano atrás. Com exceção da barriga inchada e arredondada que a deixava igualzinha à uma humana comum, tudo estava exatamente do mesmo jeito.

Mas Elizabeth se sentia estranha. Algo a incomodava, mas ela não sabia o quê.

Colocou uma mão sobre sua barriga, sorrindo ao sentir o chute forte que o bebê dentro dela dava, em reconhecimento ao carinho da mãe. Como ela já o amava! Não importava como ele nascesse, ou o que ele fosse, ela já o amava, incondicionalmente.

O bebê continou mexendo-se dentro de sua barriga, enquanto ela sentava-se lentamente para fazer suas necessidades biológicas, que não lhe largavam um só dia desde que a gravidez começara. Estavam sendo sete longos meses.

Ela notou que o bebê se mexera ainda mais quando se sentou, mas não levou isso como algo importante. Não até que a forte dor tomou conta dela, fazendo-a arfar ao perder o fôlego.

Levantou-se o mais rápido que pode, e arregalou os olhos ao ver aquela imensidão de líquido transparente saindo de si, bem do meio de suas pernas. Sentindo um pequeno desespero tomar conta de si, ela gritou por socorro.

~30 minutos depois~

– MAMÃE, PARE DE GRITAR! – Elizabeth gritou, enfurecida com os berros que a mãe dava para os outros vampiros que estavam no quarto.

– Elizabeth, não fale assim comigo! – Roza ralhou.

– Majestade, com todo respeito – disse uma vampira que os ajudava – A princesa está sob muita pressão nesse momento. Não é de grande ajuda que a estressemos ainda mais.

– Obrigada – disse Elizabeth, num curto momento de sanidade entre as fortes contrações que queriam tirar seu filho de dentro de si.

Ela gritou novamente, mais forte dessa vez. Anthony e Sebastian observavam a cena um pouco distantes, expulsos do perímetro ao terem, mais de uma vez, estressado Elizabeth com suas preocupações constantes.

Desde que a bolsa estourara, Elizabeth gritava e urrava de dor, as contrações do trabalho de parto exaurindo todas as suas forças. E com meia hora depois que tudo tinha começado, ela não aguentava mais. Precisava que seu bebê nascesse, e rápido.

– Não está adiantando – ela choramingou, após empurrar com toda sua força mais uma vez, sem obter resultado algum – Ele não vem.

– Princesa, a bolsa já estourou. Esse é o sinal do iminente nascimento. O bebê tem que vir.

– MAS NÃO ESTÁ VINDO! – ela berrou – Algo o prendeu, eu sinto isso.

Sem aguentar ficar de braços cruzados, Anthony deu alguns passos à frente.

– Façam alguma coisa! – ele falou – Isso já demorou tempo demais!

Elizabeth sentiu um fisgar dentro do ventre, algo alarmante, que a deixou desesperada. Ela não sabia como, mas seu filho que nem nascera, estava morrendo.

– TIREM MEU FILHO DAÍ! – ela gritou, assim que se deu conta – NÃO IMPORTA COMO, APENAS TIREM-NO DAÍ!

A vampira no controle do parto, Ethel, mandou que lhe trouxessem um objeto cortante, que usou para abrir um pouco mais a dilatação da mestiça. Parecia um parto normal de humanos, com o perigo iminente e complicação da gravidez vampira de Roza.

Elizabeth gritou, e precisou ser contida quando Ethel largou o objeto e foi mais além, colocando suas mãos à sua frente, para pegar o bebê.

– Princesa, por favor, quando eu pedir, faça força. – ela instruiu.

– O que for preciso – Elizabeth arfou – Só tire meu filho daí!

Anthony passava nervosamente as mãos pelo cabelo enquanto via lágrimas descerem pelo rosto de sua mulher. Se fosse humano, tinha certeza que já teria morrido com parada cardíaca.

– Pronto... Faça força, princesa! – ordenou Ethel, pouco importando-se com seu tom de voz autoritário.

Elizabeth gritou enquanto colocava toda sua força naquele ato. Precisava do seu filho do lado de fora dela – são e salvo.

A força pareceu ajudar, e Ethel sentiu algo duro, gelado e suave, molhado. Do jeito que podia, ela ajudou a princesa puxando o bebê, ao mesmo tempo que esta empurrava. Em alguns segundos, Elizabeth parou de gritar, relaxou na mesa e respirou. Não sentia mais nada.

Ethel, por sua vez, estava momentaneamente paralisada. Segurava em suas mãos, um pequeno bebê, de pele dura e gelada, como a de todos os vampiros, cabelos ruivos como os da mãe, puxando para um tom curioso de bronze que não era nada comum. Tinha os pequenos dentes perfeitamente em ordem, e os pequenos caninos pontudos expostos evidenciavam o que para ela já era óbvio: a mistura da mestiça com o vampiro, tinha formado um vampiro completo.

O bebê se debatia em seu colo, porém não chorava. Sua manifestação sonora eram apenas pequenos rosnados, que se assemelhavam com aqueles dados por filhotinhos de leão. Elizabeth, ao ouvir o som – e o silêncio em que todos se encontravam – virou a cabeça para a vampira que segurava seu bebê.

– Aqui... Deixe-me vê-lo.

Sebastian interrompeu o ato.

– Precisamos saber o que, exatamente, ele é, querida. Prometo que o levaremos a você logo.

Antes que Elizabeth pudesse reclamar, o pequeno foi retirado de suas vistas, e ela respirou fundo, enquanto Ethel a ajudava a se limpar.

~20:00h~

– Querida, acalme-se. Não farão nada ao pequeno – insistia Roza com Elizabeth, que estava deitada teimosamente em sua cama.

– Não creio que farão, mamãe – ela disse – Apenas quero ver meu filho. Só o vi de costas! Isso é um absurdo imperdoável!

– Então, talvez possa nos perdoar agora – disse Sebastian, entrando no quarto de sua filha com um grande sorriso no rosto.

Ele segurava um embrulho, que estava muito impaciente, soltando pequenos rosnados e tentando segurar alguém com suas fortes mãozinhas.

– Oh, papai, traga-o aqui! – Elizabeth ordenou.

Anthony entrou logo atrás, um sorriso de orgulho no rosto.

– Então? – perguntou Roza.

– Ele é um vampiro completo – disse Sebastian, olhando para o pequeno – Tem força e agilidade como um de nós, além das características óbvias de pele. E nós cremos que ele está com sede.

– Certamente – disse Elizabeth impaciente – Ele nasceu há três horas e não se alimentou ainda. Vamos, papai, dê-me meu filho!

Sebastian riu, mas passou o pequeno embrulho inquieto para sua filha.

Elizabeth deixou o fôlego escapar novamente ao vê-lo. Os cabelos da mesma cor do dela. Os pequenos dentes, arreganhados numa expressão meio raivosa. Os caninos pequenos e pontiagudos expostos. A pele branca como marfim, dura, gelada e extremamente macia. O bebê era a coisa mais linda que Elizabeth já vira em toda sua vida. Mas, não fora isso que a fez perder o fôlego. Foram seus olhos.

Os olhos mais vibrantes, intensos e vermelhos que ela já vira.

Olhos expressivos, que mostravam à sua mãe que estava muito, muito irritado. Os olhos vermelhos mais vibrantes e quentes que ela já tivera conhecimento.

– Olá, querido – ela disse com a voz suave. – Foi um tempo difícil até sair de mim, não foi?

O menino apenas fez um bico zangado, acomodado no colo da mãe. Pela primeira vez desde que saíra de seu refúgio pequeno equentinho, tinham colocado-o num lugar confortável.

– Oh, não se preocupe. Mamãe não vai deixar nada lhe incomodar mais.

Ele esticou um dos braços e tocou no rosto dela, em reconhecimento, fazendo-a sorrir.

– Você é a primeira a quem ele toca com tanta vontade – observou Anthony, sorrindo.

– Ele sabe que sou a mãe dele, só isso – ela disse, sem tirar os olhos de seu pequeno.

O menino reclamou, e a mãe já sabia o que queria.

– O que foi, meu amor? – ela perguntou – Está com sede, não é?

Ele puxou um pouco o rosto dela para si, fazendo-a perceber que ele realmente tinha força. Demais para um recém-nascido comum. Ela pensou por um momento antes de se decidir.

– Aqui – ela disse, oferecendo seu pulso à boca do bebê – Beba.

Instintivamente, ele sabia o que fazer. Olhou apenas uma vez para os olhos da mãe, e quando viu a confirmação ali, cravou seus dentes no pulso de sua mãe, sugando com vontade seu sangue.

– Incrível! – disse Sebastian – A dieta dele...

– É a mesma que a nossa – completou Anthony – Como eu disse, ele é um vampiro completo.

– Será o mais poderoso de nós, eu sinto isso – disse Sebastian – Nascido vampiro, nunca tendo sido humano, ele terá um poder enorme!

– Ele já tem – sussurrou Elizabeth, encantada em como seu bebê sugava dela, quase com carinho.

Alguns minutos mais encarando o novo membro da família foi o suficiente para que todos se dessem conta de quanto era especial. Quando terminou de sugar o sangue de sua mãe, ele deliberadamente se acomodou melhor em seu colo, e ficou brincando com mechas do cabelo longo e brilhoso de Elizabeth.

– Ora essa, que descuido! – disse Anthony – Não escolhemos o nome dele ainda, querida!

Elizabeth olhou o marido pela primeira vez desde que o bebê entrara no quarto, constatando que ele tinha razão. O bebê ainda não tinha nome.

– Tem razão – sussurrou, olhando para o bebê – Que nome tu queres, meu amor?

O bebê a olhou por um momento antes de continuar brincando com mechas de cabelo dela.

– Certamente, ele precisa ter o nome do pai – disse Sebastian – Era uma tradição em minha família, e já que tive uma filha...

Elizabeth sorriu.

– Anthony é um lindo nome – ela disse olhando para o filho – Mas creio que não o suficiente para ele. Ele é único, especial. Precisa de um nome que traduza isso.

– Tem razão – disse Anthony.

Com um sorriso e uma ideia, Elizabeth inclinou-se, sussurrando muito baixo no ouvido de seu filho. Os outros não entendiam como poderiam ficar sem ouvir, mas foi o que aconteceu.

Quando Elizabeth arrumou sua postura, o garoto sorriu. Um sorriso grande, cheio de dentes e largo. Seus olhos brilharam e ele inclinou-se um pouco mais para a mãe.

Elizabeth riu – Gosta desse nome, meu bem?

Para o espanto dos presentes, o pequeno balançou a cabeça, assentindo. Ele gostava. Ele gostava muito desse nome. Combinava com ele.

– Então será esse – ela disse à ele, e ele sorriu novamente, voltando a brincar com os cachos dela alegremente.

– Então, qual será o nome dele? – perguntou sua mãe.

Elizabeth sorriu, e enquanto olhava para seu pequeno, teve uma visão.

Ele, adulto formado, desposando uma linda vampira de cabelos castanhos e pele alva. Ele estava feliz, apaixonado. Era temido e respeitado. Era mais poderoso do que seu pai Sebastian jamais fora um dia. E seu nome era conhecido, em todas as partes do mundo vampiro.

Seu sorriso ampliou-se, e ela voltou a olhar seus pais.

– Elizabeth, qual será o nome dele? – perguntou Sebastian.

O garoto sorriu satisfeito, ao mesmo tempo que a mãe o apresentava, oficialmente.

– Edward Anthony Cullen.

fim


Entããããão? *pisca os cílios*

Quero reviews, preciso urgentemente saber a reação de vocês com esse extra! UHAHUAUHHAUUAU =D

O que acharam? *-* Edward bebê é uma coisa linda, cute cute, nhac, quem concorda? *babando*

Ok, chega de babar no Edward, HUAUHAHUA =D

E perdoem a nota meio retardada, mas já são 02h da manhã e eu to com sono. HUAHUSUHAUHSUHAUHSAUH

Então, beijinhos, vejo vocês nas reviews! E nos próximos extras. ;)

Kessy