Eu quase não consigo entrar para postar! Como estão galerinha? Tudo em paz? Atrasei? Óbvio, que sim! Bem, já sabem minha agenda mega lotada e minha cabeça distraída! Enviei o cap para a Lara, mas minha beta ainda não me devolveu, portanto, se acharem erros... Eis aí o motivo!^^ Quando ela me devolver, posto a correção.
Espero que ainda tenham vontade de ler, galera! Eu realmente estou na minha desenfreada busca de boas notas!^^ Por isso, tenho que estudar, e acabo demorando em postar!
Eu amei,
Eu amei, ai de mim, muito mais
Do que devia amar.
E chorei,
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar.
–
Foi então,
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você.
Encontrei em você a razão de viver
E de amar em paz.
E não sofrer mais
Nunca mais.
Porque o amor é a coisa mais triste,
Quando se desfaz.
[Vinícius de Moraes - Amor em paz]
...
Rukia se espreguiçou na cama com lentidão. Os cabelos estavam bagunçados, e sua franja atrapalhava sua visão. Tentou se erguer, mas um braço a estava segurando pela cintura e um sorriso surgiu em seu rosto. Ichigo era possessivo até mesmo dormindo.
A noite anterior fora a mais maravilhosa que já havia sentido, desde aqueles últimos dois anos. Ichigo fora tão carinhoso e gentil, que pareciam estar em uma lua de mel, e não em um esconderijo.
A lembrança daquele detalhe a fez franzir o cenho, nervosa. Não queria ficar se escondendo a vida inteira. Suspirou com cansaço. Não havia muitas escolhas naquele momento.
Ichigo se remexeu, inquieto, e puxou a morena para próximo de si, apertando-a em um abraço possessivo e voltou a ficar quieto, para surpresa de Rukia.
"Virei bichinho de estimação, ou travesseiro"? Pensou brincalhona, tentando mais uma vez se soltar do agarre. Ichigo resmungou algo inelegível e despertou com o cenho franzido, sua marca pessoal.
– Pode me dizer por que me acordou tão cedo? – resmungou depois de observar seu relógio de pulso e após encarar a morena.
– Já são quase sete e meia, não pode dizer que é cedo demais! E eu não quis te acordar... Você que não me soltava! – respondeu zangada, juntando as pequenas sobrancelhas numa linha única.
Ichigo riu com a cara emburrada da morena e lhe roubou um selinho rápido. Sem se importar com sua nudez matinal, correu ao banheiro para um banho. Rukia suspirou com a intimidade que haviam adquirido em tão pouco tempo. Algo que ainda não conseguia acreditar.
– Ei, baixinha? Você vem ou vai ficar aí "moscando"? – Ichigo perguntou mostrando apenas a cabeça já com espuma de shampoo.
Rukia assentiu envergonhada e se levantou cobrindo o corpo com o lençol. Não estava tão liberal como o ruivo. Ainda lhe restava à compostura.
Ichigo sorriu com a aparente timidez da morena e aproveitou para irritá-la.
– Ontem a noite estava parecendo uma gata selvagem... E hoje vira uma puritana? Não sabia que estava perto de uma bipolar! – terminou com uma gargalhada.
Rukia se enfureceu com o comentário e sem prévio aviso, deu um pisão no pé do rapaz que gemeu de dor. Entrou no banheiro dando um empurrão para que o ruivo saísse e trancou a porta, com ele para fora. Molhado e nu.
– Ei? Nanica? Abre essa porta! – silêncio atrás da porta – Ora sua... Vai ver o que vou fazer quando você sair daí! – resmungou se encolhendo na porta, com frio.
Pôde escutar a garota cantarolar, impune em seu reduto e sorriu. Finalmente estava fazendo a sua adorável cliente se sentir em paz.
Depois do banho, o casal fez um lanche rápido e comeram em silêncio, aproveitando a companhia um do outro.
– Hoje quero ir ao lago! – comentou animada.
– Claro e eu serei o maldito guia turístico! – falou irônico – Vai sonhando!
– Mas eu pensei que...
Um toque na porta os silenciou. Ichigo olhou o relógio e se lembrou de que era o momento de verificar as informações de Urahara pelo seu segurança. Levantou-se e seguiu rapidamente para abrir a porta.
Rukia seguiu-o com curiosidade. Quando a porta se abriu, Ichigo elevou a sobrancelha, curioso, e Rukia cobriu os lábios com emoção. Lágrimas começaram a descer de seus olhos violáceos.
– Kaien-dono... – sussurrou num lamurio.
Ichigo se voltou a jovem com os olhos arregalados e retornou ao rosto moreno a sua frente. Então aquele era Shiba, o ex-noivo que a abandonara?
– Olá, pequena! – falou simplesmente o visitante.
– Que raios você está fazendo aqui? – Ichigo tentou manter sua voz controlada, mas realmente estava fazendo um esforço muito grande para não partir pra cima do rapaz – Como nos encontrou? – finalizou com o rosto irritado.
Rukia pareceu reagir com as palavras do ruivo e encarou aquele que já não via há tantos anos. Uma conversa silenciosa se iniciou entre os olhares dos dois, deixando Ichigo irritado e sobrando naquele meio.
– ME RESPONDE! – gritou perdendo a calma.
Rukia levou um susto com a atitude agressiva de seu advogado e amante, mas não conseguiu falar nada. Ainda estava absorta em suas próprias lembranças e sentimentos saudosistas.
– Urahara Kisuke me mandou tirar vocês daqui! – o rapaz falou com a voz meio trêmula.
Ele também era acometido de dezenas de sentimentos complexos, como saudades, ternura, felicidade, medo, ansiedade e outros mais que seu coração acelerado não sabia administrar.
Ichigo percebeu o mutismo dos dois e resolveu tomar uma atitude. De forma acelerada, mas com cuidado, empurrou a morena para dentro da sala, tirou a chave e trancou a porta. Rukia reagiu irritada e começou a bater na porta.
– Abre essa porta, Ichigo! ICHIGO? Me ouviu? Oi? ICHIGO? – gritava desesperada.
Kaien tentou avançar, mas foi impedido com o gancho de esquerda que Ichigo lhe desferiu. O rapaz se segurou no murinho em frente à casa para não cair direto no chão. Cuspiu o sangue e tentou não se jogar contra o ruivo para brigar também. Precisavam tirar Rukia dali, antes que eles chegassem.
– FORA! – gritou Ichigo irritado com a calma do rapaz.
– Precisa me ouvir Kurosaki! Precisamos tirar Rukia daqui o quanto antes e...
– Quem garante que você é de confiança? Não confio em você e não vou deixar você se aproximar de Rukia! – interrompeu o rapaz, pegando o Shiba pelo colarinho da camisa.
Kaien encarou o ruivo, esquadrinhando seu olhar de raiva e o avaliando. Parecia ser um bom rapaz, mas era explosivo e teria problemas com isso.
Ichigo bufou irritado por esse comportamento altivo e avaliativo de seu rival e se preparava para socá-lo novamente, quando Kaien resolveu interferir.
– Se você realmente a ama, vai me ouvir! – sentenciou frio, sem deixar de encará-lo.
– ICHIGO? Abre já essa porta! Está me ouvindo? ICHIGO?
Ouviram os gritos de Rukia retornarem, já que ela ficara quieta para tentar escutar o que faziam do lado de fora.
Ichigo soltou o rapaz de forma brusca e socou a parede, para tentar se acalmar.
– Fale – falou autoritário.
Shiba limpou o canto do lábio que sangrava e inspirou fundo.
– Urahara-san me mandou aqui, pois ele tinha certeza que havia algum informante no juizado de Yamamoto. Por isso investigou os funcionários que tiveram acesso a esse endereço e, não demorou muito para entender que o traidor já passou isso para o perseguidor de Rukia – pausou para ver se o ruivo ainda lhe ouvia – Ele está vindo nessa direção, por isso precisamos tirar Rukia daqui! – finalizou e aguardou a resposta do rapaz.
– E por que você? – questionou Ichigo duvidoso e desconfiado.
– Por que eu seria a última pessoa que poderia ajudar Rukia. Sou completamente fora de suspeita para a família Kuchiki ou por esses supostos perseguidores! – respondeu prontamente.
Ichigo continuou encarando o rapaz de olhos verdes e de repente começou a gargalhar. Kaien não entendeu o motivo e por isso seu rosto mostrou surpresa. Até mesmo Rukia ficou novamente em silêncio para entender por que diabo Ichigo estava rindo.
– Simples assim? Você acha que sou idiota? Que vou acreditar em suas palavras e deixar MINHA RUKIA em suas mãos facilmente? – Ichigo falou taxativo.
Kaien suspirou e se lembrou das recomendações de sua irmã quanto ao jovem advogado. Com calma retirou um pequeno pedaço de papel do bolso e entregou ao ruivo, que mantinha a sobrancelha erguida com a atitude repentina do moreno.
Ichigo pegou o papel e o virou com desdém, mas depois de ler a frase, amassou o recado de Urahara e guardou no bolso do short que usava. Aspirou e inspirou profundamente, esfregando os cabelos rebeldes, com nervosismo. Não gostava daquilo. Não queria aceitar, mas sabia, agora, que o rapaz a sua frente não estava mentindo.
– Então? – perguntou Kaien com curiosidade, já que no papel havia apenas uma frase de Shakespeare escrita nele.
– Tudo bem, Shiba! Mas você não vai chegar perto de Rukia, entendeu? Vou entrar e preparar nossas coisas para sairmos e você – apontou-o nervoso – Espera aqui fora até terminarmos. Entendeu?
Kaien não gostou daquelas palavras possessivas. "Minha Rukia"? "Nossas coisas"? "Afinal, quem ele pensava que era"? Pensou contendo sua ira.
– Ok! – foi tudo o que respondeu.
Ichigo deu meia volta, abriu a porta e Rukia caiu pra frente, mas foi segurada antes de chegar ao chão pelo ruivo. Estava tão distraída pensando no que o ex-noivo falara, que não percebeu quando seu advogado abriu a porta.
– Vamos! Precisamos sair daqui agora! – comentou o rapaz, sem dar tempo a jovem para conversar com o Shiba.
Arrastou a morena até o quarto e não falou mais nenhuma palavra até voltarem com a pequena maleta com os pertences do casal.
Mais uma vez estavam na estrada em direção ao desconhecido. Rukia e Ichigo estavam atrás, no banco de passageiro, enquanto Kaien dirigia em completo silêncio. Tentava manter os olhos na estrada, mas sempre observava o rosto alvo de Rukia pelo retrovisor.
Ichigo, apesar de estar preso com o cinto de segurança, abraçava a morena pelo ombro, encarando os olhos verdes pelo mesmo retrovisor, que o moreno a observava.
O ambiente hostil fazia Rukia não comentar nada. Em seu âmago muitos sentimentos a atordoava. Não sabia bem como reagir a tudo isso.
Sabia que estava nutrindo algo especial por Ichigo e não poderia negar que o estava amando. Mas também não podia esconder que ainda sentia algo especial por seu primeiro amor. E tê-los juntos naquela Range Rover, não ajudava muito.
Suspirou com cansaço. Seu paraíso novamente fora abalado. Sentiu sua mão ser apertada pela calorosa e grande mão de Ichigo. Voltou-se ao rapaz que a observava com um sorriso fraco. Muitos sentimentos foram passados naquelas piscinas amendoadas e seu coração se acalmou um pouco.
Shiba observou aquela cena com uma pontada de dor por dentro. Ele não era o responsável pelo delicado sorriso que se formou naqueles lábios, que um dia fora seu. Sabia que fora o responsável pelo primeiro beijo da garota, sua primeira paixão e amor, mas agora em que se reduzira? Voltou para a estrada, tentando se concentrar. Tentando acalmar aquele coração quebradiço e dolorido.
Percebera, com um terrível atraso, que amava demais aquela mulher.
Espero vcs no próximo capítulo. Mega kissus a todos!
JJ
