Disclaimer: Infelizmente TWILIGHT não me pertence, mas essa fanfic sim. Por favor, respeitem!

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Capítulo vinte e oito – Propósito

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"Os homens prudentes sabem sempre tirar proveito dos atos a que a necessidade os constrangeu."

- Maquiavel -

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A Senadora encarou o seu marido, completamente atordoada. Ela sabia que o retorno de Edward a DC, era questão de dias, mas ela jamais esperou que ele estaria ali, naquele apartamento que ele dera a ela outrora como o lugar em que se encontravam, quando ele ainda era casado com Tanya Denali, e que ela só mantera porque sabia que o casamento deles sempre tivera um prazo de validade. Edward, por sua vez, a encarava com aqueles intensos olhos esmeraldinos com um leve sorriso torto em seu rosto.

Sua filha Elizabeth, em contrapartida, parecia pular em seus próprios calcanhares, ela estava extremamente feliz em ter seu pai e mãe na mesma sala, algo que ela nunca lembrou de ter visto, apesar das poucas fotografias que tinham sobre esses momentos.

- Edward. – disse com um fio de voz. Na esperança de clarear seu tom, coçou a garganta com uma leve tossida. – O que você faz aqui? – pediu com um a voz grossa.

- Eu voltei para casa. – falou com simplicidade, caminhando até onde ela e a filha estavam. – Voltei para minha família. Como você pediu. – delicadamente ele depositou um beijo na bochecha da esposa, que fez a filha do casal sorrir amplamente.

A morena arregalou os olhos surpresa com a colocação e gesto do marido.

- Oh... er... humm... isso é bom. – balbuciou, dando um passo para trás para se afastar da presença inebriante do homem. – Elizabeth, porque você não pega a sua agenda da escola para a mamãe dar uma olhada. – pediu amorosamente para a filha, mas sem tirar os olhos de Edward.

- Claro mamãe! – exclamou brilhantemente e saiu correndo para seu quarto.

- Eu não esperava encontrá-lo aqui Edward. – disse ainda no seu lugar. – Por que não foi para sua casa? No Chateau des Reves? – perguntou acusatoriamente.

Edward arqueou sua sobrancelha surpreso.

- Mas minha filha e esposa estão aqui, porque eu iria para lá? – replicou exasperado.

- Seus filhos estão lá. – pontuou a morena. – Se você quiser que Elizabeth vá com você para lá, eu posso arrumar as coisas dela e depois envio o resto.

Nesse momento a pequena Elizabeth voltou correndo para a sala carregando sua agenda, como sua mãe havia solicitado. Após entregar a mulher, a menina correu para os braços do pai, que em um movimento fluido a pegou no colo.

- Eu pensei em irmos jantar. – disse o homem com seu sorriso torto. – Fiz reservas para nós 3 no Fiola.

- Yay! Eu amo o "Friola", vovô Carlisle e vovó Esme me levaram lá esses dias! – exclamou a menina se contorcendo no colo do pai.

- É mesmo? – perguntou divertido. – O que você comeu enquanto esteve lá?

- Hum... polenta com carninha e um macarrão... tagli... "taglitelele"... acho que é esse o nome que a vovó falou, também com carninha e tomei vinho de criança também!

- Olha só que delicia! Esses também são meus pratos favoritos! – riu o pai junto com a menina. – Polentini com ragú, tagliatelle com ragu, acompanhado de um bom vinho soa maravilhoso! Então vamos? – pediu com um sorriso jovial.

- Vou colocar minhas botas e casaco! – gritou a menina animada, saindo do colo do pai.

- Não esqueça de pegar um cachecol e touca, Elizabeth! – lembrou Isabella a filha.

- Você irá se juntar a nós? – questionou Edward enquanto observava a esposa retirar seus sapatos e relógio.

- Não acho uma boa ideia. – interveio. – Mas leve Elizabeth com você, ela está animada para ter o pai com ela.

- O pai e a mãe dela. – rebateu. – Nos poucos minutos que conversei com ela, ela estava extremamente animada com a presença de nós dois.

- Infelizmente ela não pode se acostumar com nós dois. Quanto mais cedo ela se apegar a você, e me esqueça, mais fácil vai ser nossa inevitável separação. – pontuou com a voz trêmula.

- Mas eu quero sua presença! – contrapôs o político. – Quanto melhor vendermos um casal em sintonia, melhor será para a campanha.

- Oh! Claro, a campanha. – disse cansada a Senadora.

- Ou – argumentou com agilidade. – poderíamos ser pela primeira vez em muito tempo um casal normal, sem falar de política, sem o peso de cargos, sem toda a merda que nos ronda, saindo para jantar com a filha em um restaurante especial.

Isabella franziu sua testa surpresa.

- Casal normal? Nós? – bufou divertida. – Isso é uma imensa contradição, nós nunca fomos um casal normal Edward. Tudo que ronda nosso relacionamento é uma bagunça onde a normalidade passa longe.

Ele respirou profundamente, aproximando-se da esposa.

- Isabella... – hesitou. – Bella, por favor. – implorou com aqueles olhos verdes tão intensos e selvagens, cheio de algo que ela não conseguia entender.

Vulnerabilidade?

Cumplicidade?

Necessidade?

Ela não sabia como definir.

- Edward... – começou, dando mais um passo para trás, para aumentar a distância entre ela e o homem. Porém, mais uma vez foi impedida pela filha que vinha correndo para onde os pais estavam, com seu cachecol e touca em mãos.

- Mamãe! – exclamou alarmada. – Por que você tirou os sapatos? Você está tão bonita, não precisa trocar de roupa.

- Elizabeth, eu estou...

- Você tem que ir mamãe! Eu quero você lá comigo! – exclamou a menina com os olhos marejados, percebendo que a mãe iria recusar a ida ao restaurante.

Isabella olhou alarmada para a filha. Ela sempre notara características dela e de Edward em Elizabeth, mas ali naquele pedido cheio de lágrimas da filha ela viu uma mistura perturbadoramente estranha dela e do marido. Era a nauseante.

- Eu... o-ok. – concordou derrotada a mulher, fechando seus olhos para controlar a emoção que parecia lhe tomar.

- Sim! – comemorou a menina pulando em seus calcanhares em felicidade. – Eu vou ter meu papai e minha mamãe juntos pra mim! – disse visivelmente animada com aquilo.

Edward sorriu torto para a mulher e depois para a filha.

- Elizabeth, porque você não busca aquela caixinha preta para a mamãe? – pediu Edward ainda com os olhos fixos na esposa.

- Aquela? – surpreendeu-se a menina. Com o assente do pai saiu correndo em direção ao quarto da mãe.

- Você não precisava me comprar nada, Edward. – ponderou Isabella recolocando o relógio em seu pulso. – Eu não pretendo levar nada dessa vida, depois que eu for embora.

Edward estreitou os olhos admirando a mulher e enterrando suas mãos em seus bolsos.

- Mas eu queria, Bella. – disse mais uma vez se aproximando dela. – Nós estamos começando uma nova fase, e eu quero marcar essa nova fase.

- Fase? – surpreendeu-se a mulher, ainda não entendendo o que o político estava dizendo. Por fim optando por ser evasiva. – Bem... de qualquer maneira tudo ficará para Elizabeth não preciso recusar agora. – replicou cansada dando de ombros, colocando seus sapatos.

- Ou talvez você possa ficar com esse. – justificou, no momento que Elizabeth entrava na sala carregando caixa. – Obrigado filha, vamos dar para a mamãe? – pediu, tirando as mãos dos bolsos e abaixando minimamente para abrir a caixa que ainda estava nas mãos da menina.

Aninhado no veludo negro estava uma gargantilha de ouro branco com um camafeu oval de tamanho médio intrincadamente cravejado com diamantes em um padrão de flores. Edward tirou a jóia e abriu para mostrar para a esposa por dentro.

De um lado uma foto dos dois no dia do seu casamento – aquela era uma das fotos preferidas de Isabella, era a única foto deles realmente espontânea. Eles se olhavam apaixonadamente um no braço do outro. Era até mesmo intrusivo olhar aquela fotografia, porque ela não parecia pertencer a sua vida, mas sim de outra pessoa.

Na outra faceta, estava uma foto de Elizabeth, o que parecia ter sido tirada a pouco tempo, porque ela estava muito similar. Mas ali naquela pequena foto 3x4 ela podia ver muito de si e muito de Edward na menina. Lágrimas brotaram em seus olhos.

- É lindo. – murmurou emocionada.

- Você gostou mamãe? – perguntou na expectativa a menina.

- Sim Elizabeth, eu amei. – respondeu olhando para a filha, antes de encarar o marido. – Obrigada Edward, é único.

- Assim como você. – galanteou, abrindo a corrente para colocar no pescoço da esposa. – Posso? – ela acenou em concordância, tentando conter a emoção que ainda sentia.

- Está parecendo uma rainha. – disse sorrindo a garotinha para a mãe.

- Obrigada, minha princesa. – agradeceu a mãe a filha.

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O jantar foi agradabilíssimo. A pequena família parecia ter uma dinâmica muito fácil e respeitosa. Elizabeth, mesmo com seus nove anos se comportava com uma educação e tranquilidade ímpar. Comendo toda a comida do seu prato, sem fazer qualquer tipo de negação com qualquer alimento.

Isabella e Edward, apesar da presença da filha, conversavam sobre assuntos aleatórios, mas nunca indo aos assuntos: trabalho, a futuras campanhas política ou uma iminente separação. E, por mais que alguns membros do Congresso jantassem no restaurante, e vez ou outra vinham cumprimentar o casal Cullen, nenhuma conversa política foi iniciada.

Elizabeth acabou adormecendo no caminho de retorno ao apartamento em Downtown, pouco depois das onze da noite. Surpreendendo o casal que estava contagiado com a energia da menina.

- Eu me esqueci como eles se desgastam rápido nessa idade. – falou Edward, olhando para a filha pelo retrovisor.

Isabella sorriu.

- Normalmente ela não é assim, na verdade é uma luta diária para ela dormir no horário. – contrapôs a Senadora.

- Ela está feliz por estar conosco hoje.

- Sim. – concordou a mulher. – Mas temos que evitar esses jantares em família, ou ela pode sentir muito quando eu for embora. – explicou.

Edward suspirou pesadamente.

- Na hora que tiver que acontecer, nós vamos lidar com isso. – disse um pouco grosseiramente. Isabella somente acenou em concordância.

Quando chegaram ao apartamento, Isabella pediu que Edward colocasse a filha na cama, enquanto ela verificava se o quarto de hóspedes estava tudo certo, para caso ele quisesse passar a noite ali. Confirmando que estava tudo certo no quarto, a morena seguiu para o seu quarto, fechando a porta quando passou por esta. A morena estava tão exausta que seguiu diretamente para o banheiro para um bom banho para tirar todo o cansaço do dia.

Ela estava completamente distraída, a ponto de até mesmo esquecer que Edward estava na casa – por tanto tempo era só ela e Elizabeth, que colocar um terceiro elemento na equação era inconcebível. Na sua distração, pensando sobre uma votação que teria no dia seguinte no Congresso, ela saiu da suíte com uma toalha enrolada em torno de seu corpo e seus cabelos molhados. Ela estava batendo seus cabelos para dar ondas naturais quando ela viu Edward sentado em sua cama com as roupas que usava durante o jantar, porém sem o blazer de outrora.

- Oh! Edward! – surpreendeu-se a mulher sentindo-se completamente exposta e vulnerável na frente do homem. – O quarto de hóspedes não está tudo certo? Ou você decidiu que vai para sua casa? – perguntou apertando a tolha em seu corpo.

Edward admirou a esposa sem qualquer discrição.

Sua pele branca, suas pernas e braços bem torneados. Os cabelos molhados ligeiramente ondulados e seu rosto, livre de qualquer maquiagem, fazia com que seus intensos olhos castanhos como chocolate brilhassem. Isabella Cullen na sua beleza mais natural, era uma mulher única.

O olhar de ambos estava conectados. O ar estava pesado. O silêncio persistiu. A Senadora sentiu-se intimidada com o silêncio e com o olhar intenso sobre ela, inteiramente consciente que por baixo da toalha ela estava completamente nua.

- Hum... er... eu vou me vestir. – balbuciou, caminhando em direção ao seu closet e tirando uma calcinha e um baby doll, tentando voltar o mais rápido possível para a intimidade do banheiro para se vestir.

- Bella. – Edward disse, a sobressaltando quando estava prestes a fechar a porta, seja com a sua voz profunda, seja com a inesperada proximidade dele.

Seus olhos se conectaram com o do homem. A morena engoliu em seco.

- Edward. – tremeu a mulher, com um fio de voz.

Surpreendentemente o homem a puxou para si, capturando seus lábios em um beijo cheio de necessidade.

Os grossos e grandes dedos do homem se enrolaram nos cabelos úmidos a puxando para si. Isabella gemeu nos lábios de Edward, soltando as roupas que segurava, deixando as cair no chão, envolvendo-se completamente no beijo que partilhavam.

Não era possível mensurar o tempo que demorou para Edward guia-los para a cama, e muito menos para saber quanto tempo demorou para que a toalha que cobria o corpo feminino caísse em um monte no chão. As peças de roupas de Edward pouco a pouco foram retiradas e logo ambos estavam nus sobre a cama, deixando que o desejo voluptuoso que sentiam um pelo outro o consumissem.

Era uma experiência extremamente sensorial, quase onírica.

Os beijos urgentes e necessitados. As mãos deslizando sobre o corpo um do outro. Os apertos de necessidade, desejo, cobiça e avidez. Os gostos um do outro em suas bocas. As lamúrias e os gemidos em seus ouvidos. A pressão dos movimentos dele e das coxas dela em torno de seus quadris. As cócegas que as pontas dos dedos dela faziam na nuca dele. O sussurrar do nome um do outro quando chegaram ao orgasmo. O abraço que partilharam quando caíram no sono, exauridos da emoção do dia e do momento que partilharam.

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Isabella acordou com algo que fazia cócegas em seu pescoço. Demorou alguns segundos para que ela se situasse e visse que era os cabelos de Edward que lhe trazia aquele incomodo. Ela admirou o homem adormecido e mais uma vez, em tão pouco tempo, ela se arrependera de deixar se consumir pelo desejo que sentia por Edward.

O mais delicadamente possível ela saiu da cama e passando rapidamente por seu closet para pegar a roupa que usaria naquele dia, ela seguiu para o banheiro. Por mais que não quisesse demorar, meia hora depois a morena deixou o banheiro vestida para o dia de trabalho. Apesar de torcer internamente para que Edward ainda estivesse dormindo, rapidamente percebeu que ele estava muito acordado e ainda completamente nu em sua cama.

- Bom dia. – ele disse suavemente, enquanto ela colocava algumas joias que estavam sobre a mesa de cabeceira.

- Bom dia. – ela murmurou.

- Dia cheio hoje? – ele questionou.

- Sim, uma seção para votação de um projeto de lei. – explicou dando de ombros.

- Eu irei me encontrar com Carlisle e Jasper mais tarde e com alguns membros do partido, você também estará lá?

- Hummm... – franziu o cenho. – Acho que não. Eu tenho uma reunião com alguns lobistas interessados em apoiar a sua campanha no final da tarde. Eu, Jasper e Carlisle estamos dividindo as funções. – explicou.

- E que horário é essa reunião? – perguntou curioso.

- É... hum... cinco horas. Acho que é no mesmo horário que você irá encontrar com eles e os membros do partido.

Edward estudou a linguagem corporal da esposa que havia terminado de colocar seu relógio.

- Podemos almoçar juntos hoje? – ele perguntou. – Há várias coisas que precisamos discutir.

- Eu estarei o dia todo no Congresso ou então no Gabinete, pode ser por volta da uma da tarde? As três eu tenho uma reunião com o Deputado John Makenna, ele quer apoio para a votação de um projeto de verba para a construção de escolas no Missouri.

- Cuidado com Makenna, ele tende a forjar muitos dados para conseguir desviar verbas para suas contas nas Ilhas Canárias. – avisou Edward.

- Sim, eu sei. Conheço o tipo dele. – sorriu apertado.

Um silêncio constrangedor caiu sobre os dois.

- É... hum... eu... eu já vou. – disse a mulher apontando para a porta, claramente incomodada com o olhar do marido. Com um aceno de Edward a morena caminhou para a entrada do quarto, sentindo os olhos dele queimando sobre ela.

Imediatamente Isabella se arrependeu de escolher o vestido preto justo de mangas cumpridas, na altura dos joelhos e, apesar da gola alta, com um zíper prateado no decote que tinha a função de deixar a roupa mais funcional, e ao mesmo tempo mais contemporânea.

Felizmente, para a Senadora, assim que ela deixou seu apartamento ela conseguiu voltar a respirar com mais facilidade.

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A seção no congresso, poderia ser facilmente chamada de enfadonha. A hora passava lentamente enquanto os senadores e deputados discutiam incansavelmente o mesmo tópico do projeto de lei, do qual o presidente já havia sinalizado que qualquer mudança não seria de forma alguma aceita.

Quando a seção acabou, Isabella estava exausta. Ela caminhava esgotada pelos corredores que levavam para seu Gabinete. Sua cabeça doía. E o fato de ter somente ingerido café preto, uma dor se instalava no seu estomago. Ela esperava que sua secretária, Kebi Mostafa já tivesse pedido o seu almoço, antes dela encontrar o deputado Makenna.

Contudo no momento em que adentrou o complexo de salas do seu Gabinete, uma onda de risos encheu seus ouvidos. Curiosa para saber o motivo daquela balburdia, a morena apressou seus passos sendo surpreendida por ninguém menos que Edward ali conversando com seus funcionários. Ela havia se esquecido completamente que o marido viria para almoçar com ela hoje.

Suspirando pesadamente ela vestiu um sorriso que demonstrava a sua felicidade em ter o marido ali em seu Gabinete.

- Edward! Que surpresa querido! – exclamou a Senadora, colocando suas coisas sobre a mesa de sua secretária e caminhando para encontra-lo com um abraço.

- Eu disse que vinha almoçar com você, Bella. – ele galanteou, segurando a mão da esposa quando essa se aproximou.

- Bella? – surpreendeu-se Kebi. – Não sabia que a senhora tinha um apelido Senadora.

- Só eu que posso chama-la assim, senhorita Mostafa. – brincou Edward.

Todos no gabinete riram da frase apaixonada de Edward.

- Kebi, peça para o senhor Newton buscar o nosso almoço no Monocle? Eu quero um Filé Mignon com molho de vinho tinto e uma salada BLT. Edward?

- Para mim pode ser Rib Eye Cowboy Steak com manteiga picante, anéis de cebola crocante e uma salada BLT.

- Eu já vou encomendar e em trinta minutos estará aqui. – ponderou a secretária.

- Obrigada Kebi. – murmurou Isabella já caminhando para a sua sala, com Edward em seus calcanhares. Ao entrarem na sala de Isabella, a morena seguiu para a sua cadeira atrás da mesa, enquanto Edward se encaminhava para o bar, servindo de uma generosa dose de uísque para si e uma dose de licor de avelã para ela.

- Apesar de continuar o mesmo, o Gabinete parece tão diferente com você aqui. – comentou Edward.

Isabella riu minimamente.

- Nada mudou Edward. – contrapôs. – Mudei apenas os funcionários, todas as suas coisas continuam aqui.

- Eu vejo... – concordou reticente. – Mas depois de sete anos longe daqui, tudo parece tão... diferente.

A Senadora fechou seus olhos. Ali estava a sentença que ela estava esperando.

- Por que você está aqui Edward? – ela perguntou abrindo seus olhos, com uma frieza que fez imediatamente o político abandonar todo o ar sedutor que estava emanando.

- Porque, se não me engano, você me prometeu algo Isabella. E por mais que gostaria que você falhasse, isso só prejudicaria a mim mesmo. – disse tirando um cigarro do maço que estava em seu bolso. – Eu sempre quis a presidência, e pela primeira vez na minha vida eu vejo que isso pode acontecer, muito mais do que eu via há sete anos. – ele ascendeu seu cigarro dando uma longa tragada.

- Mas porque você está me cercando Edward? Vindo aqui, ficando na minha casa, quando a sua está lá, em toda sua glória te esperando! – exclamou exasperada.

Edward permaneceu em silêncio, terminando o seu cigarro enquanto encarava a esposa.

- Você não pareceu reclamar ontem a noite enquanto te fodia de estar na sua casa. – disse, estreitando os olhos.

Foi a vez de Isabella tirar um cigarro de sua cartela na gaveta de sua mesa, acendê-lo e dar uma profunda tragada.

- Por quê, Edward? – perguntou acusatoriamente. – É a segunda vez em um mês que você vem até mim para me foder, por quê? Você mesmo disse que tem ódio de mim, que não queria nunca mais me tocar, então por que essa necessidade de me foder? Hein? – incentivou, deixando todo o lado comedido de lado e perguntando o que realmente estava na sua cabeça toda manhã.

Edward riu sem humor, descruzando suas pernas e apoiando seus cotovelos no seu joelho e curvando-se para frente. Seus olhos esmeraldinos brilhavam.

- Porque você é minha esposa. – disse com um sorriso torto. – É meu direito foder a minha esposa a hora que eu quiser. – ela respirou ruidosamente. – No momento que você passou a assinar meu nome, esse tornou-se meu direito: ser um marido viril. Sem contar que você em nenhum momento me parou, não é mesmo Bella? – provocou.

- Corta essa, Edward! – exclamou, levantando-se de sua cadeira e andando pelo Gabinete. – É conhecimento geral que você sempre teve várias amantes, cadê elas agora? Por que não foder elas? E por seis anos? Se todas as histórias são reais uma gama variada de mulheres foi te visitar nos Grandes Lagos, suas orgias eram bem conhecidas, seu pai teve muito trabalho em esconder algumas delas da mídia.

- Isso é ciúmes, esposa? – perguntou com um sorriso divertido.

Isabella bufou.

- Ciúmes? Eu? Por favor, Edward! Já passamos disso há anos!

- Sabe, soa muito como se você estivesse com ciúmes. – rebateu, levantando-se de sua cadeira em toda a sua glória e caminhando para onde a esposa estava. – Se eu não estiver enganado te fodi várias vezes sobre essa mesa – duas longas mãos deslivaram pelo carvalho escuro, caminhando em direção onde a mulher estava. –, não tem saudades Senadora? – provocou sensualmente, enquanto agarrava com uma mão um seio dela com luxuria e a outra ia para debaixo da sua saia e sem qualquer introdução, beliscando seu clitóris.

Imediatamente a morena se derreteu nos braços do homem e esse a curvou sem cerimonias sobre a mesa, enquanto que suas mãos grandes e firmes Edward subia a saia do seu vestido revelando a minúscula peça de lingerie preta que ela usava.

- Eu lembro quando você vinha sem calcinha para o trabalho, lembra querida? – provocou a penetrando sem qualquer cerimônia com dois dedos.

Ela estava completamente excitada, da mesma forma que sua dureza a pressionava por trás.

- Sempre tão pronta para mim. – murmurou ele em seu ouvido.

Isabella gemeu audivelmente, mascarando a batida a porta.

Ao perceber o que parecia um assente para entrar no Gabinete da Senadora Isabella Cullen, Kebi Mostafa foi surpreendida pelo o que parecia um momento extremamente íntimo da sua chefe com o marido.

- Oh! Desculpa. – ela murmurou rapidamente, fechando a porta, arfando com o que parecia ser uma preliminar.

Isabella arregalou imediatamente seus olhos, e com uma força hercúlea afastou-se de Edward, alisando sua roupa.

- O que é isso Edward? – perguntou afetada. O ruivo sorriu enviesado.

- Provando meu ponto. – disse ajeitando sua evidente ereção ao voltar a sua cadeira. – Você é minha esposa, eu posso te foder a hora que eu bem entender.

- Eu... é... – balbuciou a morena trêmula. – Você... eu... é... – ela bufou. – Inacreditável! -exclamou, afastando-se rapidamente do marido e indo ver o que sua secretária queria.

Kebi disse, depois de uma série de desculpas extremamente constrangedoras, que o almoço dos dois havia chegado. Pedindo para ela levar ao Gabinete, a morena retornou para a sala, para encontrar Edward bebendo uma dose de uísque e com um olhar focado em seu celular.

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Após um almoço silencioso, Edward saiu do Gabinete da esposa para ir encontrar o pai e cunhado, enquanto Isabella seguia para a reunião com o deputado John Makenna. Como previa a reunião com o deputado foi na falta de uma palavra melhor: enfadonha. Além de tentar convencê-la que apoiá-lo traria lucros principalmente a campanha à presidência de Edward, que "conforme dizia os rumores", como ele enfatizou, já estava definido Edward Cullen como um dos pré-candidatos do partido democrata.

A morena o ouviu, por quase três horas, o que o homem dizia, e no final, disse que iria estudar sua proposta e daria uma resposta no máximo até a próxima semana. Depois de uma longa reunião com alguns lobistas que estavam interessados em apoiar a campanha de Edward, mas que ainda estavam inseguros se de fato ele seria um nome forte para a concorrência, cabendo a morena um jogo de cintura exaustivo para mostrar que investir na candidatura de Edward era uma boa coisa, ela estava exaurida quando chegou ao seu apartamento, ficando extremamente grata em encontrar somente Elizabeth e a babá.

Nada de Edward, felizmente.

E, infelizmente.

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A reunião de Edward com alguns membros do partido tinha sido, formidável. Todos estavam animados com a perspectiva de tê-lo como pré-candidato, sem contar que o seu histórico nos últimos sete anos – de assumir a culpa, e deixar seu cargo público para ser julgado como um cidadão comum, além de estar livre de qualquer escândalo, onde nem uma multa de transito o recebera, o que ele sabia que devia a isso principalmente ao pai, Carlisle, que mesmo com todas as diferenças entre eles, o protegeu como nunca fez, apagando qualquer rastro de um escândalo, antes mesmo de começa-lo -, era algo que deixava todos ainda mais impressionados.

Bem como o trabalho que Isabella vinha fazendo. Eles eram muito elogiosos a Senadora, dizendo que ela seria uma primeira dama invejada e copiada em todo mundo, pois além de ser bela, era uma mulher preocupada com as causas sociais e com o bem estar político do país, isso segundo eles, era o que se esperava de uma primeira dama nos tempos atuais: uma mulher engajada, com opiniões fortes e com uma postura política invejável.

Durante a longa conversa, Edward dedicou um longo tempo para observar o cunhado Jasper Whitlock. Jasper sempre fora um político ímpar, mesmo com toda sujeirada que rondava o Congresso ele conseguia se manter firme em suas convicções. Inclusive, Edward observara, que ele havia adquirido um novo tipo de segurança. A colocação dele como o articulador do partido democrata para a presidência, era uma atuação que lhe cabia com perfeição. Edward sempre soube que Jasper era um político impressionante, mas ver como o cunhado havia crescido nos últimos seis anos, em que ele esteve longe, graças a sua esposa, fazia o ruivo sentir um tipo de orgulho pela mulher, que claramente não queria a atenção para si, sabendo dividi-la com pessoas que mereciam o mérito.

Talvez isso fosse ao fato dela nunca ter querido ser da política ou ainda do seu remorso por o que ela havia feito a Edward, mas o importante era que Isabella havia conseguido trazer uma prosperidade e limpeza ao nome dos Cullen, que não se via desde quando Carlisle estava na posição de vice-presidente.

Com o fim da reunião, Edward ficou tentado em seguir para o apartamento da esposa e toma-la para si mais uma vez, mas considerando a conversa que eles haviam tido mais cedo, optou por seguir para o Dernier Plaisir, clube pertencente a Emmett McCarty e que ele não visitava desde que deixara DC.

Assim que parou em frente, ao que anteriormente era um dos bordeis mais caros e respeitados, de Washington, ele surpreendeu-se ao ver que o lugar agora parecia ser um clube de Jazz, nomeado de Le Baiser Salé, ou em tradução literal: o beijo salgado. Ele sabia que Emmett havia mudado o nome do clube depois da condenação de Edward, mas ele jamais esperaria encontrar o que encontrou ali.

A aura, anteriormente pertencente ao Dernier Plaisir, havia sido completamente modificada. Era óbvio que as garçonetes eram garotas de programa, mas a discrição e elegância de suas roupas era algo que deixou Edward curioso. Conforme avançava no clube em direção ao bar o ruivo via pequenos detalhes que lembravam da finalidade anterior do clube, mas nada que não tornasse o local respeitável.

Com um sorriso brincando em seus lábios o homem sentou em um banco de frente ao velho amigo que conversava com um cliente, ao ver quem estava ali, Emmett rapidamente encerrou a conversa.

- O-ho! – exclamou. – Bem que o ditado diz: que quem é vivo sempre aparece! – brincou o moreno. – Edward Cullen, quanto tempo!

- Olá Emmett, vejo que você mudou bastante a linha do seu clube nos últimos seis anos. – disse virando-se ligeiramente para apontar toda decoração diferente.

Emmett gargalhou, pegando dois copos e uma garrafa de uísque servindo uma dose generosa para o amigo de longa data e uma para si.

- Sempre é necessário mudar, não é mesmo Edward? Ares novos são sempre revigorantes. – provocou com um leve brinde ao homem.

Edward sorriu enviesado.

- Como tem passado Edward? – questionou. – É verdade os rumores que ouço por aí?

Edward arqueou suas sobrancelhas enquanto tomava o gole de sua bebida.

- Bem, Emmett, voltei para DC, agora permanentemente. – ponderou. – E que rumores que você anda ouvindo? – perguntou.

Emmett fechou seus olhos em fendas estudando o amigo, mas fora a esposa de Emmett Rosalie Hale McCarty, saindo de trás do bar que respondeu à pergunta do ex-Senador.

- Que você será candidato a presidência, e possivelmente nosso futuro presidente. – disse a loira com uma voz fria.

Edward sorriu enviesado em meio a um gole da sua bebida.

- Olá Rosalie, quantos anos não a vejo. – galanteou o ruivo. – Como tem passado? Soube da sua sociedade com Seth, meus parabéns! Os dois melhores advogados de DC trabalhando juntos. Vocês vão dominar a porra dessa cidade.

A loira fechou seus olhos em fendas.

- Obrigada Edward, eu precisava de distância depois dos escândalos envolvendo os Sorentino e Aro Volturi. – expôs a loira, relembrando que há alguns anos foi descoberta a ligação de Aro Volturi com os advogados sócios de Rosalie, os Sorentino. – Trabalhar com Clearwater me fez ficar mais próxima dos meus filhos e do meu marido, algo que sentia falta. – explicou, apertando a mão com seus anéis de casamento no ombro do marido.

- E essa mudança por aqui, acredito que venha desta nova fase? – questionou com um sorriso enviesado.

- Você me conhece Edward, eu queria que Emmett deixasse a prostituição de lado. Por mais que não condene quem a pratique e que ela nos deu um bom fundo fiduciário, estava na hora de fazer as coisas dentro da lei. – ponderou.

Edward acenou em concordância.

- Então? – incentivou Emmett, servindo mais uma dose de uísque para o amigo e para si, e uma taça de vinho branco para a esposa. – É verdade os rumores? Você será candidato à presidência?

Edward ponderou sua resposta. Por fim decidiu ir com uma meia verdade.

- É uma possibilidade. Estamos conversando com pessoas do partido, investidores, lobistas para ver se realmente tenho chances. – deu de ombros. – Ainda há muita incerteza devido ao... passado. – Rosalie assentiu com as palavras do político.

- Aquele vídeo e aquele dossiê que Collins publicou foram golpes duros, hein Edward? Por mais que todos sabemos que todos dentro do congresso tenham ossos no armário, os seus foram... fodidos. – falou Rosalie. – Apesar de não ser o pior, depois da sua condenação vários Senadores, deputados e até mesmo um ex-presidente veio me procurar para tentar garantir sua segurança para que algo como o que aconteceu com você não acontecesse com eles. Ouvi coisas, que faz seus crimes serem brincadeira de criança.

Edward bufou uma risada.

- Obrigado, eu acho. – ele bebeu um longo gole da sua bebida. – Mas eu cumpri minha sentença, e por mais que possa ter parecido muito tempo, foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido, deu uma espécie de revigorada. – explicou, concordando com o que Emmett havia dito anteriormente. – Espero que isso seja suficiente para dar segurança a minha campanha, se ela vir acontecer realmente.

O casal McCarthy e Edward, ficaram boas horas conversando sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Apesar de ser prima de Tanya, Rosalie via que o divórcio dela e Edward, apesar de fodido foi a melhor coisa que acontecera aos dois. Na verdade, a loira estava até curiosa para conhecer pessoalmente a atual esposa de Edward, que mesmo após dez anos de casados ela ainda não conhecia.

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Quando deixou o Le Baiser Salé, quase duas da manhã Edward contemplou o que faria. Ele considerou em ir ao apartamento de Isabella e testá-la um pouco, era divertido vê-la ceder ao seu desejo por ele, assim como era sadicamente prazeroso vê-la atordoada por ceder. Ele não tinha mais amantes, seus relacionamentos extraconjugais haviam se findado anos atrás. Até onde ele sabia Leah havia se mudado para a Califórnia, e Heidi, depois do auxílio de Seth para adapta-la a uma vida sem Edward, estava hoje casada com o CEO de uma construtora.

Sem qualquer coisa em sua mente, o político retornou para a sua casa no quadrante Noroeste, lugar que ele apenas havia deixado uma parte de suas coisas desde que voltara a cidade. Por muito tempo Edward achava o Chateu des Reves o melhor lugar da terra para se estar, ali era a sua própria fortaleza. Todas as suas coisas estavam ali, todas as suas vitórias e derrotas foram celebradas naquelas paredes, mas quando adentrou o seu escritório todo revestido de madeira, quase no alvorecer, depois de uma noite insone, ele percebeu que todo o brilho que o lugar tinha havia se esvaído. Ele não queria mais aquela casa, e quase como uma resolução pessoal decidiu-se que venderia aquela propriedade e procuraria outra que daria a satisfação pessoal que precisava.

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Três meses haviam se passado do retorno de Edward a DC, a possibilidade da sua pré-candidatura era enervante. Todas as suas ações eram monitoradas por investidores e pelo próprio partido, apesar do voto de confiança que muitos estavam lhe dando, uma parcela dos membros ainda estava intrigada com o fato de que ele havia mesmo mudado tanto.

Com a venda de sua casa no quadrante noroeste, e a compra de uma nova propriedade, menos ostensiva que a anterior, mas ainda elegante em Barnaby Woods, era um pequeno passo para provar que o Edward Cullen, Senador, que gostava de chamar a atenção para si fora deixado de lado. O fato de sua irmã Alice e Jasper, viverem no mesmo bairro, fortalecia a imagem de homem de família que Edward queria vender. Para provar seu ponto, outra coisa que foi feita, foi a exigência de que Isabella e Elizabeth viessem viver na nova casa.

A Senadora fora resistente no início, mas quando Edward enfim, expôs, que eles ficariam em quartos separados ela acabou cedendo. Desde a conversa franca que haviam tido no Gabinete da morena, no dia seguinte a sua chegada o casal não havia partilhado qualquer tipo de intimidade. Não porque ambos não quisessem, o desejo por mais incompreensível que sentiam um pelo outro, ainda era algo que deixava, principalmente Isabella, incomodada. Com medo de tirá-la do seu foco de promover a sua campanha, Edward simplesmente concordou em se afastar, mesmo que vire e mexe para provoca-la "massagistas", como ele chamava, ia visitar seus aposentos.

Apesar da falta de intimidade caseira, e mais como uma jogada política os dois eram vistos continuadamente juntos, seja em almoços, jantares, bailes beneficentes, bem como as visitas dele a ela no Gabinete eram quase diárias. Mas apesar da troca de olhares, dos sorrisos partilhados e pequenos beijos suaves, nenhum outro contato grandioso foi dado. Tudo era uma grande encenação, e ambos jogavam com perfeição aquele jogo.

A família de Edward, vigiava Isabella com cuidado, principalmente Jane, que por mais que visse a clara redenção da mulher diante de toda a desgraça que trouxera para a vida do pai, ainda não se convencia que a madrasta havia mudado completamente. Desde que soubera, por um breve comentário do pai, que fora Isabella a responsável por escrever o dossiê que James Collins se apropriou, a loira que antes fora calorosa com a mulher, a tratando quase como uma amiga, via em Isabella o próprio mal encarnado, e por mais que a morena estivesse fazendo o possível para dar a Edward o que mais ele desejava, a loira ainda não estava convencida.

E fora com esse não convencimento que ela seguira para o Gabinete que anteriormente pertencera ao pai, para uma conversa com a madrasta numa tarde chuvosa de abril. Jane Cullen, havia conseguido uma boa recomendação de Isabella, e por isso hoje ela era uma das principais repórteres do Washington Times, mas mesmo a gratidão profissional existente, ela ainda não confiava em Isabella, ainda mais com tudo que ela havia descoberto sobre a madrasta nos últimos anos.

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Isabella estava centrada em seu Gabinete lendo um longo memorando enviado pelo Senador do Oregon, Charles Jones, quando a porta do seu Gabinete se abriu num rompante e a voz desesperada de Kebi falava atrás de uma minúscula, mas decidida Jane.

- Senadora, desculpe, mas...

- Tudo bem Kebi. – sorriu a Senadora. – Eu estava aguardando minha enteada. Por favor, não repasse nenhuma ligação para o meu Gabinete. – pediu educadamente.

A secretária somente assentiu e deixou a sala, fechando a porta ao passar.

- Olá Jane. – saudou Isabella, fechando a pasta que lia o memorando o colocando sobre uma pilha, com um sorriso no rosto. – Eu estava me questionando quando seria que teríamos essa conversa.

A loira fechou seus olhos em fenda, em uma fisionomia muito similar à do pai.

- Oh Senadora! Me perdoa fazê-la esperar por tanto tempo! Você como sempre, é um poço de compadecimento e bondade. – alfinetou a mulher, sentando-se em uma cadeira na frente da madrasta. – Para com essa atitude de Madalena arrependida que eu sei tudo o que você fez com meu pai. – cuspiu.

A Senadora suspirou pesadamente.

- Oh, eu sei que você sabe Jane. – concordou a morena. – Mas o que te faz pensar que seu pai já não veio discutir isso comigo? Ou seu avô? – enumerou suavemente. – Jane, Jane, Jane você é inteligente, você acha que eu estaria aqui se todos não soubessem o que eu fiz? Você realmente acha que seu pai deixaria isso barato?

- E você confessa assim seus pecados Isabella? – perguntou a loira visivelmente afetada. – Você sempre foi uma exímia mentirosa, quem diz que não está agora? Você entrou na nossa família com a intenção de acabar com meu pai, o que mudou agora? Qual é a sua próxima jogada? Brincar de primeira dama e depois com uma puxada de tapete ser presidente?

Isabella sorriu, virando sua cabeça um pouco de lado para admirar a enteada.

- Você e Seth formariam um belo casal. – os olhos de Jane tremeram minimamente. Isabella curvou-se para frente com um sorriso triunfante. – Oh! Vocês são um casal. Quero ver como vocês vão se esconder com seu pai na cidade. Quando ele estava nos confins do Illinois era fácil vocês se encontrarem, mas com ele aqui? Como vocês vão manter a discrição? Vocês parecem tão apaixonados! Quase não conseguem tirar a mão um do outro. – ponderou. – Como será que Edward vai reagir com a filhinha dele com o seu melhor amigo? Alguém que tem o quase o dobro da idade dele, que poderia ser o seu pai?

Jane bufou.

- Isso é uma ameaça? – inquiriu grosseiramente. – Vai contar ao meu pai para cair nas suas boas graças?

- Não. – respondeu com sinceridade a morena, deixando a loira boquiaberta. – Eu sei há anos Jane do seu relacionamento com Seth, infelizmente DC não é uma cidade muito grande, e já topei com vocês em diversos restaurantes nos últimos três anos. Sempre fui discreta porque sei que Seth nunca foi muito com a minha cara, que nunca gostou de mim. – deu de ombros. – Vocês formam um belo casal. – elogiou.

- Você sabe por três anos e não contou nada a ninguém? – questionou levantando de sua cadeira. – Duvido!

- Que interesse eu teria em revelar o caso de vocês? Seu pai já me odeia Jane, não preciso de mais um drama na minha conta, além de que não é minha história para contar. Se tem algo que eu aprendi nesses sete anos, e muito mais desde que assumi esse cargo é que tem coisas que são melhores ficarem escondidas ou bem encobertas.

- Como seus casos sexuais? – provocou.

- Uma mulher tem necessidades Jane. – respondeu indiferente Isabella.

- Mas você é uma mulher casada!

- Sim! E por seis anos meu marido morou a quilômetros de distância e nem eu nem ele queríamos nos ver. Você realmente acha que seu pai foi celibatário todos esses anos? – inquiriu amavelmente. – Você não pode ser tão inocente assim Jane, até onde eu sei você quase presenciou uma das "festinhas" de Edward quando foi visita-lo de surpresa.

- Isso não vem ao caso! – rebateu a loira que se servia de uma dose de uísque. Sua atitude era muito similar a do pai. – Mas você traiu meu pai, você arruinou o nome dele!

- Edward fez muitas coisas sozinho, sem precisar da minha interferência. – pontuou a Senadora. – Mas reconheço que ajudei em muita coisa a derrocada do seu pai, mas acredito que você sabe, que nos últimos anos eu tentei de tudo para reerguer o nome dele, e felizmente consegui sucesso nisso.

- A que custo? – questionou a jornalista mais jovem. – O que você realmente quer em troca?

Isabella lentamente abriu sua gaveta e tirou sua cartela de cigarros e puxou um levando aos seus lábios e tragando a droga lentamente enquanto estudava a filha de seu marido.

- Eu não quero nada em troca Jane. – disse com simplicidade. – Sei que você não vai acreditar em mim, e não a culpo, afinal meu histórico depõe contra mim, mas desde que aquele dossiê viu a cor do sol eu venho tentando me redimir com seu pai. Os burburinhos da sua possível candidatura à presidência começaram comigo, porque sempre soube que era o desejo dele, e desde então eu tenho trabalhado incansavelmente por isso. Conversas com lobistas e empresários, muito do que você ouve das minhas aventuras sexuais são trocas de favores ao apoio a campanha do seu pai, nunca na realidade sinto prazer em me envolver com esses tipos, mas fiz e faço tudo para conseguir o apoio deles para a campanha de Edward.

- Uh, claro, com você é tudo trabalho, nada de prazer. – provocou a loira, bebendo em um gole só sua doce de uísque.

Isabella sorriu com a atitude.

- Assim que acabar a eleição, seja com a vitória do seu pai ou não, eu não estarei mais na vida de vocês Jane. – confessou a Senadora cansada. – Eu e seu pai temos um acordo, e pelo que posso ver ele ainda não contou a Seth que já assinei os papéis do divórcio ou então você já saberia. Enfim, desde dezembro Edward está com a posse deles, todos devidamente assinados e abrindo mão de qualquer direito financeiro e da guarda de Elizabeth.

Jane arregalou seus olhos atordoada.

- Se meu pai ganhar a eleição ele não pode assumir o cargo sem uma primeira dama do lado! Seria suicídio político! Um escândalo! – exclamou. – Por mais que eu não suporte você, convenhamos que você é o melhor tipo de primeira dama que esse país poderia ter, o povo, o Congresso te idolatra! – pontuou cheia de sarcasmo.

A Senadora agradeceu o elogio.

- Mas a decisão já foi tomada Jane, eu e seu pai somos somente um casal de conveniência, muito pior do que era seu pai e sua mãe. Nosso casamento tem data para o final, e se caso ele ganhe a eleição, seu pai não seria um presidente divorciado. Seria um presidente viúvo. – declarou.

- Você vai forjar sua morte? E Elizabeth? – perguntou aturdida a loira. – Não que um tenha um bom exemplo de materno para comparar, mas você é uma mãe impressionante para ela.

- Obrigada, eu acho. – sorriu a morena. – Mas é o melhor para todos. Seu pai deve ter a glória da presidência só para ele, e se eventualmente ele quiser se casar novamente, o caminho estará limpo, sem o peso de uma ex-esposa rondando sua cabeça.

- Isso é ridículo! – exclamou. – Você vai ajudar ele conseguir tudo o que quer, para simplesmente se afastar no momento mais glorioso? Isso não combina com sua personagem!

Isabella riu, enquanto ascendia um novo cigarro.

- E o que combina com meu personagem Jane? – perguntou divertida.

- Não sei, mas definitivamente não isso! – exclamou. – Você simplesmente vai desistir de tudo?

- Acho que Seth deve ter contado a você tudo que Edward sabe a meu respeito. E olha Jane, minha vida sempre foi uma bagunça, uma mentira atrás de outra. O homem que considero meu pai, nunca foi meu pai biológico, minha mãe mentiu para mim uma vida inteira, e provou ser tão baixa quanto eu e meu pai biológico, aquele que acreditei durante anos ser meu tio e padrinho que só queria o meu bem. – ela suspirou pesadamente. – Você conhece a história, eu acabei com a vida do homem que me fez tanto mal...

- Aro Volturi? – questionou a outra sem rodeio, mas precisando da confirmação pela madrasta.

Isabella fechou os olhos, soltando uma respiração irregular. O simples fato de citar do nome de Aro deixava ela inquieta, o tio que ela tanto seguiu que revelou ser seu pai, que a manipulou, provocou a morte do próprio filho para vingar-se da família que ela fazia parte ainda a deixava incomodada, mesmo depois de bons anos.

- Sim. – respondeu curtamente. – Você sabe, eu fiz A-... – ela hesitou. – ele ser preso, e por uma ironia do destino, ou a influência da sua família ele foi assassinado, acabando com todo o horror que ele causou. Eu só cansei de tudo isso. Eu tenho 43 anos, e só agora eu estou sendo eu mesma, sem a influência de ninguém gritando no meu ouvido, sabe o quanto isso é libertador, Jane?

"Há pouco mais de sete anos eu descobri que odiava a pessoa que... que me tornara. Eu não tinha nenhum escrúpulo, usava e abusava de uma falsa humildade, nunca sendo nem perto disso. Eu agia friamente e todos meus passos era calculados, porque eu só tinha uma meta: poder. Você sabe qual é o poder que uma jornalista mais quer Jane?" – questionou duramente, mas de uma maneira muito didática, como se estivessem em uma aula e a loira fosse uma aluna, tomando nota com o mestre.

- Um Pulitzer. – respondeu a outra ainda atordoada com o discurso da madrasta.

- Exato! Eu era obsessiva na história de ganhar um Pulitzer em jornalismo Político, usei todas as armas que estava ao meu alcance para conseguir, ou seja, eu seduzi e manipulei todos que poderiam me ajudar a conquistar isso! Eu me fiz muitas vezes de frágil e inocente, outras de agressiva e insolente, tudo para conquistar o que eu queria. Os donos do Post acreditaram, James Collins acreditou, seu pai acreditou. E o mais importante: eu acreditava ser aquilo que vendia. Para mim não importa os meios, o mais importante era alcançar o que mais queria.

- Bem maquiavélico, hein? – provocou ligeiramente afetada com o discurso. – "Os fins, justificam os meios". – recitou.

- Algo assim. – concordou. – Eu sei que parece que estou desistindo de tudo, mas não, pela primeira vez eu estou sendo eu mesma. Não Isabella Swan que fui antes, ou Isabella Cullen que fui depois, sou algo novo, e por mais absurdo que pareça eu gosto desta pessoa. Pela primeira vez ela parece fazer as coisas de forma correta.

As duas mulheres ficaram em silêncio por longos minutos, apenas se encarando.

- Uau! – exclamou Jane, depois de um bom tempo. – Você quase me convenceu que mudou.

Isabella suspirou pesadamente, abaixando a cabeça derrotada.

- Acredite no que você quiser Jane. Eu estou sendo sincera. – falou mais para si mesma. No fundo ela ouviu os saltos da enteada contra o linóleo e em seguida a porta do gabinete batendo ruidosamente. – Porém, ninguém acredita. – completou para o Gabinete vazio.

Ela apertou seus olhos com a ponta dos dedos, sem se preocupar em manchar sua maquiagem, em seguida fez uma leve massagem em sua têmpora, tentando aliviar uma dor de cabeça que parecia querer consumi-la.

Naquela conversa com a enteada, Isabella teve uma certeza: nada o que ela faria seria suficiente para provar o quanto mudara.

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As prévias do partido democrata, dois meses depois, só provaram aquilo que todos já sabiam: Edward Cullen fora o escolhido para ser o representante do partido na corrida à presidência. Edward tinha o apoio massivo de diversos empresários e políticos, mas o apoio mais primordial vinha principalmente da população, que via nele aquele individuo que cometera erros, mas que soube reconhece-los e principalmente ser aquele que por boa vontade se afastara da política para limpar a sua imagem.

Edward Cullen era uma fênix para muitos. Conseguira se reerguer das cinzas para a glória, para ser um novo homem. Para ser o presidente da nação. Ele era o tipo de candidato que todo o povo estadunidense sempre pedira. Preocupado com a economia, com a educação, com a saúde, com a produção de empregos e de riquezas do país. Ele era aquilo que todos viam como o grande salvador da América.

E o slogan da sua campanha era isso: "O Poder de Escolher Mudar", e este fora tão bem recebido que era entoado pela multidão que o acompanhava em seus comícios e debates, o candidato da oposição com o seu "A América para os Americanos", era fraco e desmotivado, assim como era o seu apoio, que a cada dia caia consideravelmente com suas colocações cheias de preconceito, intolerância e populismo barato.

E mesmo com as inúmeras artimanhas do adversário republicano Royce King para manchar a eleição de Edward, que iam da circulação do vídeo dele assassinando Jacob Black ao dossiê de exposição que James Collins havia publicado anos atrás, e por mais que sempre que esse material vinha a público causasse mal estar e até medo da população por um candidato tão volúvel, Edward sempre se saía como um exímio ser humano, sempre assumindo seus erros, e lembrando que por causa deles ele queria ser aquele que mudaria o país.

Foi uma campanha exaustiva.

Muitas cidades para visitar, muitos debates para participar, muitos comícios e aparições públicas na agenda. Mesmo tendo um cargo no Congresso, Isabella sempre que conseguia acompanhava Edward, e sempre que os dois faziam uma aparição pública, apoiando-se incondicionalmente novos votos eram garantidos a ele.

Eles eram o rosto da família perfeita que todo o país gostaria de ver na Casa Branca. Mesmo os mais céticos, reconheciam que eles eram o que a América precisava para valorizar a maior economia do mundo.

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Todos da família Cullen estavam animados e cheios de expectativa para a eleição que ocorreria nos próximos dias, tanto que no domingo que antecedia a eleição, Alice Whitlock, irmã de Edward, promovera um almoço em sua casa.

Por ela Edward já era o presidente eleito.

- Edward, eu sei! – dizia inabalavelmente durante a sobremesa. – Você será nosso quadragésimo sexto presidente! Eu sei, eu sinto isso! – exclamou.

- Obrigado Alice, mas ainda tem que ver como os deputados irão votar. – ele ponderou comedido. – Nem sempre o voto massivo da população garante a eleição, você sabe disso.

- Edward está certo Alie. É muito cedo para cantar vitória. – interveio Jasper, que apesar de confiante com a vitória do cunhado, não gostava de fazer falsas predileções.

- Jazz! Para! Edward vai ser o presidente. Eu vi, isso acontecer! – afirmou. – Bem, eu vejo isso desde quando comecei a entender que a política era o negócio da nossa família. Mas quando ele e Isabella casaram – a pequena morena pegou a mão da cunhada com as suas. –, eu sempre soube que eles seriam um casal vitorioso. Edward e Isabella, serão muito melhores que os Kennedy, eles sim serão memoráveis!

Jane que estava ao lado de Seth – que ainda não haviam se revelado a Edward, mas estavam planejando para depois da eleição – fechou seus olhos em fendas em direção a madrasta, ainda incerta com o fato de que Isabella iria mesmo forjar a sua morte e se afastar da família, até mesmo Seth acreditava que isso não aconteceria, que por mais que não gostasse da esposa do amigo e cliente, sabia que ela era o tipo de primeira dama que toda América sempre esperou e quis.

- Obrigada Alice. – sorriu Isabella. – Mas se Edward vencer na terça-feira é todo mérito dele. – disse com um sorriso tímido ao marido.

Esme fora quem interveio encerrando a conversa, dizendo que já ouvia muito de política recentemente querendo saber de Angela como estava os preparativos para o casamento dela e de Alec em dezembro.

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A segunda-feira, véspera da eleição, foi um grande clima de expectativa. Isabella que havia tirado alguns dias de licença do Senado, tentava em vão se acalmar passando um tempo com a filha. Edward caminhava pelos jardins da casa ou pelos cômodos claramente ansioso e sempre com o celular na orelha ligando para cada um dos gerentes da sua campanha em seus respectivos estados para saber como estava o clima para o dia seguinte.

Era visível sua inquietação e nervosismo e Isabella tentava a todo custo segurar o seu para não mostrar que estava igual ou pior que o marido.

O jantar entre os três fora silencioso e com uma aura pesada. Até mesmo Elizabeth parecia sem apetite, ansiosa com o que o destino lhe reservava no futuro. Devido a ansiedade da menina, Isabella só conseguira fazê-la dormir perto da uma da madrugada.

A Senadora mesmo estava uma pilha de nervos, um misto de ansiedade e temor para o que aconteceria nos próximos dias. Tanto que antes de retornar aos seus aposentos, foi até a cozinha tomar um chá que havia preparado para ver se conseguia dormir com mais facilidade. Ela ficou extremamente surpresa em não encontrar Edward na sala andando de lá para cá, algo que ele vinha fazendo desde o início da noite.

Com um suspiro resignado ela seguiu para o seu quarto, com seus pensamentos distantes e vagos. Quando entrou, naquele que era o seu quarto, surpreendeu-se com Edward sentado em sua cama, com as roupas que esteve durante todo dia, uma ligeira barba para fazer e com olhos vidrados em ansiedade.

- Edward! – exclamou confusa. – Aconteceu alguma coisa? Você, hum... não sei, precisa de algo? – questionou atordoada.

Seus olhos verdes queimavam nos castanhos dela.

- Você. – ele disse com a voz grossa e inflexível, levantando-se de seu lugar e puxando a esposa para os seus braços em um beijo cheio de necessidade, saudade, e algo mais que não era possível explicar.

- Edward... o-o qu-... – tentou questionar a Senadora ao se afastar minimamente do marido, mas rapidamente sendo tomada por ele.

- Eu preciso de você, Bella. – confessou com um gemido, enquanto atacava seu pescoço com a boca e suas mãos ávidas em tirar as peças de roupas dela. – Eu preciso sentir você.

Isabella arregalou seus olhos completamente atordoada com a sentença do marido, mas quando suas mãos grandes apertaram seus seios cobertos por seu sutiã azul, ela sabia que não poderia resistir ao o que ele queria com ela.

Logo todas as peças de roupas que cobriam seus corpos estavam espalhadas no chão, e eles estavam sobre os lençóis brancos deixando-se consumir pelo desejo que estavam sentindo um pelo outro.

Em cada estocada de Edward. Em cada gemido de Isabella. Cada urro de prazer dele. Cada arranhado que ela dava em suas costas. Cada beijo, cada mínimo detalhe era uma promessa, um agradecimento, era algo que nenhum dos dois queria analisar naquele momento.

Era cru, era real, era apaixonado.

E mesmo depois de se renderem aos seus orgasmos eles não se separavam. Ficaram ali, quietos, nos braços um do outro, admirando seus olhos, satisfeitos somente com a presença um do outro. Até que eventualmente a exaustão os vencera e foram levados a sono tranquilo ainda abraçados.

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Isabella não se surpreendeu em acordar nos braços do marido. Na verdade, ela sequer se surpreendeu em vê-lo já acordado nos primeiros raios de sol que penetrava a fina cortina de voal do quarto.

Delicadamente a morena deslizou as pontas de seus dedos pelo rosto do marido, que fechou seus olhos e saboreou o toque suave. Ele por sua vez, deslizou suas mãos serenamente por suas costas, os embalando naquela aura quase mágica.

- Você está nervoso para hoje? – perguntou ela com um sussurro.

- Não. – disse simplesmente. – Independente do resultado, eu não estou nervoso.

- Vai dar tudo certo, você vai conseguir. – ela afirmou com um sorriso entristecido.

Edward suspirou pesadamente, fechando seus olhos e encostando sua testa a da mulher.

- É o fim de um ciclo. – ele murmurou quase que ela não ouviu.

- Sim. – concordou com a voz miúda. – O fim e o começo de tantas coisas.

- É... – ele concordou reticente. – Fim. Começo. – enumerou silenciosamente, afastando-se suas testas.

Os intensos olhos esmeraldinos de Edward analisaram os castanhos de Isabella, sem saber o que procurava neles ou se havia achado ele capturou seus lábios em um beijo urgente e mais uma vez deixaram-se consumir pelo desejo ou pela cumplicidade do momento. Sem se preocuparem com eleições, futuro, fins ou começos do que quer que os esperava fora daquele quarto.

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Foi uma eleição dura.

A tensão reinava na casa de Carlisle e Esme, que gentilmente haviam cedido à residência para que o filho recebesse a notícia – por bem ou por mal. Pois, além de ser uma casa distante da cidade, dava uma privacidade que nem a casa dele ou de Alice lhe davam, pois os portões de entrada ficavam afastados da casa. Apesar da presença de mais de uma dezena de pessoas, todos pareciam olhar ansiosas de Edward para a TV, então para os seus celulares, aguardando o que seria a vitória ou a derrota mais significativa daquela família.

Isabella estava em um canto próximo a Edward – que andava impaciente de um lado para o outro, enterrando seus dedos em seus cabelos e deixando uma confusão de fios cobres e prateados ali –, ela própria queria imitar o comportamento do marido de tão ansiosa que estava, mas sabendo que seu comportamento só prejudicaria ele.

Jane atualizava impacientemente todas as páginas de noticias em seus quatro iPads, desesperada para qualquer mínimo rumor resultado. Seus olhos estavam vidrados e cansados, como se tivesse passado a noite insone.

Seth, permeava atrás de onde Jane estava, tão cansado como qualquer outro na sala, sempre com os olhos atentos as novas atualizações que a namorada buscava nos seus dispositivos.

Alec que estava sentado no grande sofá branco ao lado de Angela, balançava suas pernas ansiosamente, correndo seus dedos por seus cabelos e deixando uma desordem muito similar à do pai.

Esme tentava se distrair com Elizabeth em um jogo, mas nem a mãe de Edward nem sua filha pareciam atentas ao que faziam, sempre lançando olhares para a TV ou então para o homem que aguardava o resultado que mudaria sua vida.

Carlisle conversava entre murmúrios com Jasper, próximo a uma janela, observando a movimentação de jornalistas na entrada de sua propriedade.

Alice tentava desenhar com seus filhos em outro canto, sempre lançando olhares nervosos ao irmão, enquanto mastigava seu lábio inferior em apreensão.

Até os empregados pareciam dividir a ansiedade que os Cullen partilhavam naquele momento, repleto de expectativa. Eles andavam pelos membros da família em um silêncio quase mórbido, sempre lançando olhares para Edward, que estava o ápice da inquietação.

Foram segundos, minutos, horas angustiantes, porém quando, as oito da noite pontualmente, de uma quinta-feira no início de novembro, o telejornal da CNN entoou:

- Já temos um novo presidente do Estados Unidos.

Imediatamente 16 pares de olhos voltaram-se para o televisor, Alec agilmente ergueu o volume do aparelho para ouvir o que o ancora do jornal diria a seguir:

- Edward Cullen, é eleito o 46º presidente.

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Obs.: nos EUA a votação é feita durante a semana, sempre numa terça-feira, por exemplo, no próximo ano a eleição acontecerá no dia 05/11/2020. Lá também não existe urna eletrônica, os votos são "computadorizados", porém o resultado demora alguns dias para sair, não é como aqui no Brasil que três-quatro horas depois da eleição já sabemos quem ganhou. Além de que muitas vezes, são necessárias a recontagem de votos em alguns estados (tipo a Flórida) o que atrasa ainda mais o resultado. Sem contar que o voto popular não conta muito, o que conta são os votos dos deputados distritais, é extremamente complexo o mecanismo eleitoral americano, mas por exemplo, quando o Trump ganhou ele perdeu no quesito votos populares, mas ganhou com a maioria dos deputados. É uma grande roleta russa, não tem como prever o que vai acontecer!

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N/A: Não acredito! Eu consegui! Meu Deus! Depois de 8 anos e alguns meses, finalmente consegui! Foi difícil. Oh! Se foi difícil! Foram longos anos de altos e baixos, só eu sei como foram esses anos, cheios de reviravoltas na minha vida, diga-se de passagem! Mas finalmente cheguei onde queria: o fim, e com o Edward sendo eleito presidente! Ufa! Estou realmente orgulhosa por ter conseguido! Sei que vai chover de gente me perguntando como vai ficar Bella e Edward agora com ele presidente, e digo: CALMA! Isso é para o epílogo, que postarei acredito que logo (próximo domingo?). Sei que ninguém consegue ver os dois tendo um final feliz juntos, mas digo de novo: CALMA! Vai valer a pena! Muitos ficaram surpresos com o fim que planejo! Eu juro!

Enfim, eu só posso agradecer por me aguentarem por 8 anos por aqui, acompanhado, lendo, comentando, aguardando quase que infinitamente em alguns momentos, sem qualquer sinal de vida da minha parte. Espero que tenha valido a pena! Mesmo depois de anos que planejei isso aqui segui quase que metodicamente meu planejamento, e estou feliz com o resultado. Na verdade orgulhosa dele!

Obrigada, obrigada por tudo, vocês são ouro puro, o melhor tipo de pessoas que uma pessoa como eu poderia ter como leitores! Amo cada um de vocês, muito, muito, muito mesmo!

Obrigada, e que venha o epílogo!