Disclaimer: Harry Potter não me pertence e tudo que vocês reconhecem pertence a J.K. Rowling.

Aviso! Esse capítulo contém uma cena que alguns podem achar perturbadora! Considerem-se avisados!

Chapter Twenty Nine – Consequences

*Consequências

- Quê?

Harry encarou Damien, surpreso e atordoado. Não esperava isso. O menino conseguiu se acalmar o bastante para contar-lhe o que aconteceu.

- Malfoy queria falar comigo. Eu o encontrei no lago e começamos a discutir. Reconheci o anel que estava usando e pensei que ele tinha roubado de você. Tentei pegar de volta e, eu não sei como, mas, de alguma forma, nós dois fomos jogados dentro da sua Penseira.

O olhar de raiva no rosto do rapaz se intensificou e o mais novo continuou.

- Foi um acidente, Harry. A gente nunca quis entrar na sua Penseira. Malfoy tentou sair, mas seja qual for o feitiço que nos jogou lá, estava nos bloqueando. Não conseguimos sair até os efeitos passarem. Estávamos só esperando, eu e Malfoy, e eu não sei como, mas de repente fomos transportados para suas... suas memórias. – Damien parou de falar, um olhar de dor reluziu em seu rosto ao lembrar o que vira do passado do irmão.

- Quais vocês viram? – perguntou Harry, a voz calma e cheia de raiva.

- As primeiras eram de você e… e Voldemort – respondeu Damien calmamente. – Mas em seguida memórias de... de você e... e... – O menino não conseguiu terminar. Lágrimas frescas surgiram em seus olhos e ele desviou o olhar do irmão para afastá-las.

Era evidente quais memórias ele vira por sua reação chorosa. A visão de Damien em tal desespero fez Harry se acalmar quase imediatamente.

- Está tudo bem – disse Harry em uma voz cansada. – Não precisa me contar. Entendo o que deve ter visto.

Damien ergueu o olhar para o mais velho, os olhos avelã vermelhos por conta do choro. Não sabia o que dizer. Eles ficaram em um silêncio constrangedor até o menino reunir coragem para falar.

- Eu não sei como aconteceu. Malfoy disse que todas as suas memórias estavam trancadas. Não sei como conseguimos vê-las. Eu juro, Harry, a gente não queria vê-las, elas apenas meio que apareceram.

Harry finalmente ergueu os olhos e encontrou o olhar dele. Sabia que o irmão estava dizendo a verdade. Trancara todas as memórias antes de entregar o anel a Draco. Eles não podiam tê-las destrancado, mesmo que quisessem. Os olhos esmeraldas do rapaz dispararam para o pingente prateado em torno do pescoço do outro, que notou o olhar e estendeu a mão para sua Layhoo Jisteen, puxando-a para fora das vestes. Viu a espessa névoa verde girar dentro da pedra negra. Olhou para o mais velho, confuso. Com um suspiro, Harry começou a explicar.

- Quando eu te dei a Layhoo Jisteen, eu tive que me certificar de que ninguém pudesse reverter os feitiços de ligação e proteção que eu conjurara nela. Para fazer isso, tive que usar um pouco do meu sangue. – Com o olhar chocado do outro, ele acrescentou depressa: - Foi só uma gota, nada drástico. Acho que a Penseira reconheceu meu sangue e pensou que eu estava dentro. Você deve pensar ou falar certas palavras que fazem as memórias se revelarem.

Damien ponderou sobre aquilo. Fazia sentido. Pouco antes da primeira memória, estivera pensando sobre estar em algum lugar seguro e confortável, como em casa. Foi isso que ativou a memória de Harry na Mansão Riddle. O menino percebeu que para o irmão a Mansão Riddle ainda era sua casa. O conhecimento fez seus olhos queimarem novamente, mas forçou-se a não desabar. Em vez disso, pensou nas outras lembranças. Imaginara que memórias desagradáveis ele armazenara e todas as recordações dos terríveis abusos foram reveladas.

Damien sentiu a vergonha lhe inundar. Por que teve que pensar nos abusos do irmão? Por que imaginou que outras memórias estavam guardadas na Penseira? Se não tivesse pensado, não teria visto todas aquelas coisas terríveis. Baixou a cabeça entre as mãos e tornou a chorar quando a imagem das costas ensanguentadas de Harry ressurgiu. Os machucados profundos e equimoses espalhados pela pele do garotinho de três anos e a forma que ele tinha chorado quando ficou sozinho. Jamais poderia esquecer aquilo.

O rapaz colocou uma mão nas costas dele, fazendo o menino se acalmar e engolir as lágrimas. Ele olhou para o mais velho e sentiu o coração saltar ao vê-lo olhando para ele sem raiva ou frustração.

- Eu sinto muito, Harry! Eu sinto muito – disse em uma voz rouca.

- Não foi culpa sua. Você não queria vê-las – respondeu ele, um pouco severo.

Damien sacudiu a cabeça.

- Eu sinto muito pelo que te aconteceu.

A expressão de Harry mudou e Damien podia ver a máscara familiar se apoderando dele.

- Está tudo bem.

- Não, não está tudo bem! Como pode dizer isso?

- Está tudo no passado. Não há nada que possa fazer para mudar – disse Harry pesadamente.

- Eu sei, mas como pode dizer que está tudo bem? – indagou o menino.

- O que mais eu devo dizer? – indagou o rapaz, e pela primeira vez Damien viu o desamparo nos olhos do irmão. – Não posso conversar sobre isso, pois não há nada para falar. Se eu falar nisso, a única coisa que vai acontecer é a mamãe e o papai se sentirem culpados, o que é idiota, porque eles não fizeram nada. A melhor coisa a fazer é apenas ignorar o que aconteceu e não pensar sobre isso.

- Você consegue ignorar? – perguntou o menino, os olhos fixos no irmão.

O mais velho não disse nada. Damien se aproximou, ajoelhando-se diante dele.

- Harry, eu só vi duas memórias e me afetou tanto que não consigo sequer olhar para o papai. Sei que a pessoa te machucando não era ele, mas ainda me aborreceu o bastante para não querê-lo perto de mim. Eu não entendo como consegue. Como passa todos os dias com ele e a mamãe e não deixa o passado te perseguir? Como consegue lidar com tudo isso sozinho?

- Eu não tenho escolha. Se eu não lidar com isso, vou perder todo mundo, você, a mamãe e o papai. Eu já perdi uma família. Acho que não consigo sobreviver à perda de outra. – As palavras saíram antes que o rapaz pudesse se impedir.

Damien sentiu o peito apertar dolorosamente com as palavras do irmão. Nunca o ouvira falar sobre eles dessa forma.

- Você jamais vai nos perder, Harry. Nunca mais – prometeu calmamente.

Após alguns minutos de silêncio, Damien falou, perguntando o que queria indagar há tanto tempo.

- É sobre isso que você tem pesadelos? Você vê seu passado? Quer dizer, vê o papai e... e... e o abuso... é isso que vê quando dorme? – perguntou sem jeito.

Harry ficou calado por longos minutos. Damien pensou que ele não ia responder até o mais velho falar em voz baixa.

- Às vezes, eu costumava sonhar muito sobre isso quando estava crescendo. Na verdade, foi por isso que ganhei a Penseira. Ela era usada para armazenar todas essas memórias.

- Funcionou?

- De início, sim. A Penseira fica com a memória verdadeira e embora uma impressão da memória ainda fique com você, ela não vem para o primeiro plano da sua mente, dessa forma não te incomoda. Eu ainda me lembro de tudo, mas não preciso viver com ela. Mas quando fui capturado e levado a Hogwarts, tive que lidar com a mamãe e o papai todos os dias. Comecei a ter pesadelos de novo.

- Como? As memórias ainda estavam dentro da Penseira. Então, por que você foi afetado?

- Provavelmente porque vi muita coisa que me fez lembrar do meu passado. Foi demais e as lembranças que eu tinha, de certa forma, reprimido, ressurgiram novamente – explicou.

Damien pensou sobre aquilo e de repente tudo que acontecera no ano anterior voltou para ele, e ele entendeu as ações do irmão perfeitamente.

- É por isso que nos mudamos de Godric's Hollow? – perguntou o menino após alguns minutos.

Harry olhou sem jeito para ele antes de responder.

- Sim, mas eu não disse nada. Papai e a mamãe que decidiram.

- Eu não te culparia se tivesse dito alguma coisa – respondeu Damien. Lembrava-se de como Harry se recusara a se aproximar da cozinha e do sótão. Agora entendia a razão. – Você ainda tem pesadelo? Quero dizer, com o papai – perguntou, temendo a resposta.

- Eu tive alguns – admitiu ele. Não tinha muita ciência do quanto estava confidenciando a Damien. Parecia certo lhe contar já que vira o que Harry teve que suportar. – Quando tive aquela briga com papai, alguns dias antes da visita de Fudge, eu tinha ido à casa de Remus e devo ter adormecido. Eu sonhei com o papai me machucando.

Harry contou ao irmão sobre o sonho. Contou todos os detalhes, até a forma como os olhos de James ficaram vermelhos e o que lhe dissera. O mais novo ouviu o pesadelo horrível. Mas alguma coisa no sonho não fazia sentido.

- Por que é que ele disse "Muito bem" para você? – perguntou ele.

Harry deu de ombros. Particularmente, não queria discutir aquilo.

- Eu não sei.

Damien ponderou, repassando o sonho em sua mente. Por que Voldemort diria aquilo a Harry?

- Ele te disse isso logo após você perceber que estava sonhando? – indagou. O rapaz assentiu. – Alguma coisa não faz sentido. Por que ele te diria isso? A não ser... – Damien olhou atentamente para o irmão.

- Não pense muito sobre isso, Damy. Foi só um sonho.

- Não, Harry. Acho que há muito mais nesse sonho. Você teve esse sonho logo depois de brigar com papai porque pensou que ele queria te controlar. O pesadelo que teve foi com o papai, só que ele era da forma que você se lembra dele quando era criança. Você estava com medo que ele fosse te machucar, mas então se lembrou que papai nunca ia te machucar intencionalmente. Você lembrou que ele não era como Voldemort. Você disse que assim que descobriu que estava sonhando conseguiu se mexer novamente. Os olhos do papai ficaram vermelhos, permitindo que soubesse que era Voldemort na verdade. E então ele disse "Muito nem". Talvez ele quisesse que você soubesse que papai não era como você se lembrava dele. Que ele nunca te machucaria e que nunca te controlaria como ele fez. Quando descobriu que a pessoa à sua frente não era o papai, ele te parabenizou.

Harry parou o mais novo erguendo a mão.

- Isso faria sentido, mas está se esquecendo de uma coisa – disse ele.

- Do quê?

- Voldemort me odiava. Ele não me mostraria nada além do que pudesse me machucar.

Damien olhou atentamente para Harry. Era a primeira vez que o rapaz falara tão abertamente sobre o bruxo. Mas podia ver que dizer aquelas palavras em voz alta ainda era difícil para ele. E agora, após ver como o irmão crescera com Voldemort, o menino podia entender a razão.

- Ele nem sempre te odiou. Pelo que vi...

- Seja o que for que tenha visto, não foi nada além de engano. Voldemort agiu como se me amasse, apenas para que eu ficasse ao seu lado. Ele nunca se importou comigo.

A voz de Harry tornou-se pouco mais que um sussurro. Damien podia sentir o coração partir. Finalmente entendeu a razão de o irmão ainda estar tão arrasado com tudo. Era porque acreditava que Voldemort nunca se importou com ele. Tudo era fingimento. Devia doer demais saber que alguém que você ama nunca te amou de volta. Mas Damien pensava diferente.

- Não acho que ele fosse um ator tão bom – disse o mais novo baixinho.

Harry ergueu os olhos para ele.

- Quê?

- Em todas as memórias que vi, pode ter sido fingimento, mas, seja como for, eu duvido. Ele gostava de você, Harry. Pude ver. A maneira que te olhava, que falava com você, era diferente. Ele nem sequer parecia o Lorde das Trevas que todos chegaram a temer. Ele realmente parecia, bem, um pai de verdade.

Harry sacudiu a cabeça, pronto para discordar, mas Damien o impediu.

- Por favor, Harry, me deixe terminar. Naquele dia que fui à Mansão Riddle com Malfoy e o Professor Snape, quando te vi, você estava muito mal. Eu me lembro de olhar para Voldemort, e eu nunca vou esquecer a expressão em seu rosto. Ele parecia muito furioso, não com você, mas por você. Ele olhou para os dois Comensais da Morte e eu juro que pensei que fosse matá-los ali mesmo. Era evidente que estava sofrendo com sua condição. Ele ainda não conseguia suportar ver você se machucar.

Isso sempre incomodara Damien, mas até aquele dia ele não compreendia completamente. Mas agora estava claro por que o bruxo parecera tão aborrecido. Ele ainda se importava com Harry, assim como seu irmão, apesar de tudo, ainda se importava com Voldemort.

O rapaz, porém, não parecia convencido.

- Damien, a pessoa que você viu me machucando quando eu tinha apenas dois ou três anos não era apenas um Comensal da Morte qualquer. Era Voldemort. Ele me machucou que eu era só uma criança. Eu estava indefeso e à sua mercê, e ele me machucou repetidamente. Quando eu fiquei mais velho, ele fingiu se importar com meus pesadelos e me deu uma Penseira para que pudesse armazenar as memórias dos abusos. Deve ter sido divertido para ele, causar a dor e fornecer os meios de conforto também – zombou Harry, mas havia um olhar de intensa dor em seus olhos.

Damien não sabia o que dizer. Examinou o chão à sua frente, sem querer encarar o irmão. Certamente tudo que vira hoje não podia ser fingimento? A forma que Voldemort olhara para Harry, o cuidado em sua voz, tudo aquilo não podia ser uma farsa. Mas ele sabia que o mais velho não estava pronto para falar sobre isso. Era doloroso demais, e ele não ia causar nenhum tipo de dor ao irmão. Ele já passara por coisa demais em sua curta vida.

xxx

Harry estava ocupado tentando se manter acordado quando as portas abriram e o próximo grupo de aurores entrou no Salão Principal. Damien, que estava sentado com ele naquela manhã, soltou um grito de animação ao avistá-los. O rapaz virou-se sonolento e viu Remus e Moody em meio aos outros aurores. Remus sorria para ele e Damien. Harry sorriu de volta e tornou a voltar-se para o prato. Então, Remus e Moony estavam com o próximo grupo de aurores que veio para o Clube de Duelos. Ia ser interessante. Teria gostado de vê-los em treinamento, mas foi impedido de ir por sua incapacidade de manter a boca fechada. Se irritou com os péssimos materiais e métodos de ensino dos aurores e foi convidado, não muito gentilmente, a sair. Era melhor assim, convenceu-se. Afinal, não queria ir ao Clube de Duelos. Os exames estavam começando naquela semana, tinha muito com que se ocupar.

Harry levantou-se para sair e avistou Draco. O sonserino olhou para ele, mas desviou o olhar depressa. O moreno ainda tinha que falar com ele sobre o incidente da Penseira. Conversara por horas com o irmão naquele dia. Conseguira acalmá-lo o bastante para que não surtasse quando James voltou ao quarto. Explicou o que acontecera e arrependeu-se quase imediatamente ao ver o olhar de dor e culpa no rosto do pai.

James conversara com Damien também e precisou da intervenção de Lily até os dois voltarem ao normal. Mas Harry ainda podia detectar um pouco de resistência por parte do menino, pois o vira olhando para o pai de uma forma engraçada e sacudindo a cabeça em seguida, como que a clareando. Sabia que ele demoraria a esquecer a imagem do pai machucando o irmão mais velho quando criança.

Harry continuou saindo do salão. Ainda encarava Draco ao sair do ambiente e deu de encontro com alguém.

- Ah, desculpa!

Harry parou de falar abruptamente quando viu em quem esbarrara. Ginny segurava a mochila, olhando-o diretamente nos olhos. Fazia quase dois meses que ele a vira de perto. A ruiva olhou intensamente para ele também. Os dois ficaram em um tenso silêncio. A garota abriu a boca para falar e ele escolheu aquele momento para passar por ela, que o observou se afastar apressado.

O rapaz estava tão absorto em se afastar dela, que não percebeu que estava indo na direção errada. A sala de aula de Feitiços era para o outro lado. Parou ao perceber. Mas não ia voltar de jeito nenhum. Não queria se deparar com ela novamente. Sentiu uma agitação desconfortável no estômago ao pensar na garota. Forçou-se a não pensar nela e, mais especificamente, no que sentia por ela. Ia desaparecer. Seus sentimentos amorosos por ela certamente desapareceriam com o tempo. Era o que esperava, de qualquer forma.

Harry percebeu que estava em um corredor do qual não se lembrava. Nunca estivera ali antes. Ficou lá, sentindo-se um idiota, encarando os retratos. Virou-se para refazer seus passos quando uma voz familiar o impediu.

- E aí, Harry, beleza?!

O rapaz se virou e viu Tonks com seu cabelo roxo à sua frente. Sorriu para ela. A visão da mulher sempre lhe fazia sorrir.

- Tonks, que bom te ver – disse ele.

- Na verdade, Harry, o que está fazendo aqui? Não devia estar na aula?

Ele sorriu de lado para ela.

- Eu devia estar na aula, mas onde é que você devia estar agora?

Tonks corou um pouco antes de responder.

- Bom, estou de licença no momento. Pensei que teria um tempo a sós com Remus, mas ele teve que cobrir Jenkins e acabou vindo para o Clube de Duelos. Então, decidi vir junto também. Era isso ou ficar sozinha no apartamento.

Harry parecia surpreso com isso.

- Você e Remus? Eu não sabia que vocês dois estavam namorando.

Tonks corou, fazendo o cabelo roxo ficar vermelho também. Harry riu baixinho com a visão.

- É, bem, a gente, de fato, não contou a ninguém a princípio. Eu sabia que alguns iam julgar por conta da diferença de idade e, bem, você sabe, todo o "problema peludo" dele. Mas agora decidimos parar de nos preocupar tanto com todo mundo. A única coisa que importa é o que sentimos um pelo outro – finalizou com um sorriso.

- Bem, isso é legal – disse Harry, sem saber o que mais dizer.

- Estou feliz que aprova. – Tonks sorriu de forma atrevida.

- Então, o que estava fazendo aqui? Aqui são os aposentos dos aurores que vêm para o Clube de Duelos – disse Tonks.

- Eu me perdi – respondeu ele.

- Bem, já que está aqui e perdeu o começo da aula de qualquer forma, quer dar uma volta? Estou entediada – disse ela com um olhar sincero.

Harry riu.

- Sim, está bem. Não vou aprender nada novo de qualquer forma.

Harry e Tonks rumaram para as portas de entrada. Estava um dia quente e ar fresco era exatamente o que os dois precisavam.

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Ginny entrou no Salão Principal só para ser escoltada de volta. A Professora McGonagall levava Ron para fora também.

- O que está acontecendo? – indagou ela.

- Sua mãe está aqui e deseja falar com vocês dois antes que as aulas comecem. Por favor, cheguem às aulas a tempo – avisou a Professora.

Ron compartilhou um olhar de pânico com a irmã. A mãe deles estava lá, não era coisa boa. Como esperado, quando entraram no pequeno cômodo, viram a formidável Sra. Weasley em pé no meio da sala. Imediatamente, a mulher começou a berrar e gritar com os dois.

- Estou tão envergonhada com vocês dois! Como puderam esconder o fato de que alguém estava tentando drogar Harry?! Como puderam ser tão negligentes?! Esconder uma coisa dessas dos Professores! Espero que tenham percebido que podiam ter causado danos irreparáveis! A vida de Harry estava em jogo e vocês dois brincaram com a segurança dele! Estou tão envergonhada! Como é que vou encarar os Potters? O que devo lhes dizer?!

Ginny e Ron ficaram calados e escutaram as ofensas verbais. Eles mereciam, sabiam disso. Deviam ter se preparado para isso. Sua mãe lhes dissera que faria uma visita no berrador. Assim que a Sra. Weasley terminou de escutar a versão de Ron acerca dos eventos, a porta abriu e Charlie entrou.

- Charlie? O que está fazendo aqui? – perguntou Ron, surpreso ao ver o irmão.

- Estou aqui para fazer um favor ao Professor Dumbledore. Estou ajudando com uma palestra sobre dragões na aula de Trato de Criaturas Mágicas antes de os exames começarem.

Ron escapou depressa da mãe saindo com Charlie, dizendo que precisava falar com ele a sós.

Ginny ficou com a mãe. Assim que os dois irmãos saíram, ela se desmanchou em lágrimas e contou à mãe sobre o que aconteceu entre ela e Harry. A Sra. Weasley estava muito chateada com a filha, mas a visão dela chorando fez a mulher derreter e tomar sua única filha nos braços, deixando-a chorar. A mãe lhe disse coisas reconfortantes para acalmá-la.

A garota chorou até a garganta doer. Ela sentou, encolhida ao lado da mãe, deixando as lágrimas caírem por seu rosto.

- Harry falou com você novamente desde então? – perguntou a Sra. Weasley.

- Não, ele me ignora.

- Ginny, você fez algo terrível com ele. Você traiu a confiança dele. Não o culpo de forma alguma. Se não há confiança alguma em um relacionamento, então não há razão para ele existir. Não vai durar. Você tem que ficar na sua e deixar que ele lide com isso. O coitado já enfrentou decepção o bastante na vida. Você não precisava acrescentar essa.

Ao ver o olhar de desespero da filha, ela rapidamente suavizou.

- Ah, Ginny, tenha fé. Se tiver que ser, Harry voltará para você. Se não, então é algo que vai ter que aceitar.

A garota ainda estava com os olhos bastante vermelhos quando Charlie e Ron voltaram. O mais velho deu uma olhada nela e estava ao seu lado imediatamente.

- Acho que já chega, mãe. Pode parar de repreendê-la agora. Ela está chorando!

A Sra. Weasley olhou feio para o filho.

- Eu não a fiz chorar – protestou. Charlie virou-se para Ginny e sentou ao seu lado, fazendo a mãe se levantar para lhe dar espaço.

- Você está bem? – perguntou ele.

- Sim, estou bem, Charlie – disse Ginny, enxugando o rosto depressa.

- Você não parece bem. Seu rosto está todo vermelho e inchado – disse ele.

- Charlie! – exclamou Ginny.

- Bem, não muito inchado… quero dizer… você está ótima – disse ele sem jeito. Ela desviou o olhar e pegou a mochila para sair. – Ginny, espere! O que houve? Você nunca ficou assim, bem, inchada, antes.

- Não é nada – respondeu ela secamente.

- Tem algo a ver com Potter, não é? – perguntou ele, seu tom ficando duro.

- Deixe Harry fora disso, Charlie! – avisou Ginny.

- Ele fez alguma coisa. Eu sei. Está chateada por conta dele. Me diga, o que houve? – exigiu saber.

- Ele não fez nada comigo – gritou Ginny.

Ron e a Sra. Weasley observavam a discussão pouco à vontade.

- Ginny, o que houve? Posso ver que está muito chateada. O que houve? – perguntou Charlie, a preocupação evidente na voz.

- Harry terminou comigo – respondeu ela após alguns instantes de silêncio.

Charlie parecia atordoado. Era evidente que não esperava isso.

- Ah, hum… sinto muito por isso – disse ele lentamente.

- Ah, tá certo! – disse Ginny, lançando-lhe um olhar de desprezo.

- Não, sério, eu sinto muito. Eu nunca gostei dele, acho que nunca vou gostar, mas eu nunca quis que você se chateasse. Você é minha irmã, e eu quero que seja feliz. Eu sabia que ele ia te machucar, e era por isso que queria que ficasse longe dele – explicou.

- Bom, ele não me machucou. Eu o machuquei! Eu trai a confiança dele, então se alguém é culpado pelo fim do namoro, sou eu, Charlie!

Com isso Ginny saiu enfurecida, deixando um Charlie perplexo para trás.

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Harry entrou nos aposentos e avistou James andando pelo cômodo.

- Aí está você! Onde estava? Estive procurando você por todo canto! – disse o pai, andando depressa até ele.

Harry viu imediatamente que James estava muito animado com alguma coisa. Firmando-se mentalmente, o rapaz adentou mais o quarto.

- Encontrei Tonks e decidi dar uma volta com ela. As aulas só estão fazendo revisões, afinal. – Ele deu de ombros.

- No momento, não me importa se você está matando aula! Vou fingir não ter te ouvido. Venha e se sente, tenho uma ótima notícia! – disse James, levando o filho para dentro do quarto, em direção ao sofá.

Harry sentou-se e encarou o rosto animado do pai.

- Você não devia estar dando aula agora? – indagou.

- Eu não tenho nenhuma aula até depois do almoço – disse James ao sentar-se de frente ao filho.

- O que está acontecendo, pai? Você está começando a me assustar – disse o mais novo, notando o largo sorriso que o outro ostentava.

- Eu queria te falar isso antes, mas não tive chance. Estive fazendo umas pesquisas. Lembro-me de ler sobre um feitiço que permitia o sono por algumas horas. Geralmente é usado para bruxos que sofrem de insônia. Pode funcionar por até quatro horas de uma vez. O único problema é que faz a pessoa cair em um sono muito profundo, e quando o feitiço é conjurado, não pode ser quebrado. Só quando as quatro horas terminarem é que a pessoa acorda de novo.

- Há quanto tempo está pesquisando isso?

- Cerca de três meses, eu queria ter certeza que não tinha nenhum efeito colateral e que não ia complicar as coisas por conta da sua saúde. Eu acabei de receber uma resposta do Professor Harrison, o criador do feitiço. Ele confirmou que era seguro usar em alguém que têm dependência à poção para dormir. Também confirmou que se o feitiço for conjurado em uma mente calma e relaxada, resultará em um sono sem sonho. – James sorriu para o filho, mas sentiu o sorriso deslizar de seu rosto quando o rapaz continuou a olhá-lo em surpresa. Pensara que o filho estaria pulando de alegria com a perspectiva de dormir direito novamente.

- Qual é o problema, Harry? Você não está feliz?

- Não, não é isso. Eu só que... eu não sabia que estava pesquisando algo para me ajudar. Eu só estou... surpreso, eu acho.

- Por quê? – indagou James, confuso.

- Eu não sabia que você seria tão afetado por eu não conseguir dormir – admitiu o rapaz.

James o encarou fixamente.

- Harry, você acha que vê-lo sofrendo e em desconforto não me incomoda? Não incomoda a sua mãe? Acha mesmo que não nos importamos com você?

- Não, não é isso. Eu só... – Ele parou de falar. Não sabia como explicar. – Eu não sabia que você tinha notado minha falta de sono. Sei que se importa, sei mesmo. Mas eu nunca esperei que passasse três meses pesquisando uma forma de me ajudar. Acho que ainda não estou acostumado a ter você e a mamãe cuidando de mim – tentou explicar.

O rosto de James mostrou quão afetado foi pelas palavras do filho. Sua expressão mostrava a mágoa por Harry ainda não reconhecer o quanto o pai se importava com ele.

- Nós nos importamos com você, sempre vamos nos importar, quer se acostume com isso ou não. Harry, sei que os últimos meses têm sido duros, e eu disse um monte de coisas estúpidas para você. Odeio quão horrivelmente agi ao descobrir sobre sua dependência. Eu te disse um monte de coisas das quais me arrependo profundamente.

- E mesmo assim você ainda não pediu desculpas – acrescentou o rapaz com um olhar acusador.

James parou e então percebeu que não se desculpara e que devia tê-lo feito.

- Você está certo. Eu realmente sinto muito por tudo que disse a você – disse ele com sinceridade.

- Tudo bem. Não precisa se desculpar – respondeu Harry serenamente.

Diante do olhar perplexo do pai, o rapaz começou a rir. James viu um sorriso abrir caminho em seu rosto ao som da risada do garoto. Percebeu que fazia tempo que ouvira a risada do filho.

- Bem, voltando ao assunto do feitiço para dormir. Sei que não é muito bom em Oclumência, mas isso deve ser bem mais fácil. Se conseguir esvaziar sua mente e ajustar suas emoções antes de eu conjurar o feitiço a cada noite, terá um sono perfeito e livre de pesadelos – explicou o homem com um sorriso.

- Eu vou tentar, mas realmente odeio Oclumência. Se essa coisa de acalmar a mente for parecida com Oclumência, acho que não conseguirei – respondeu Harry.

- Você consegue aprender qualquer coisa, por que não consegue aprender Oclumência? Se quiser, posso pedir para Dumbledore ajudar... – James parou com o olhar penetrante do filho. Com um suspiro, continuou: - Ele não é seu inimigo, Harry. Ele quer ajudar.

O rapaz apenas sacudiu a cabeça. O homem podia ver o ódio em seus olhos. Não entendia por que o filho odiava tanto Dumbledore, especialmente depois de tudo que aconteceu no ano anterior. O diretor era a razão de Harry estar ali sentando e não em uma cela em Azkaban. Mas não disse isso ao filho. Essa não era a maneira de convencê-lo.

- Você não terá que aprender Oclumência, mas tem que aprender a esvaziar a mente e colocá-la em estado de calma, do contrário ficará preso por quatro horas em seus pesadelos. – James não esperava ver a cor fugir do rosto do mais novo com aquelas palavras. De repente, sentiu-se muito culpado por dizer aquilo. – Desculpa, eu nunca quis... o que eu quis dizer foi que é importante que esvazie sua mente, do contrário o feitiço para dormir fará você dormir, mas não impedirá nenhum pesadelo.

Harry acenou rigidamente com a cabeça e desviou o olhar. James podia ter se batido. Acabara de estragar tudo de novo.

- Quando é que você vai conjurar o feitiço? – perguntou o filho após alguns instantes de silêncio.

- Quando você estiver pronto. Achei que poderia praticar esvaziar sua mente primeiro, e quando se sentir confortável poderíamos tentar o feitiço – respondeu James.

Harry parecia ponderar.

- E você tem certeza que me daria quatro horas? – perguntou o jovem. O homem assentiu com a cabeça. – Isso parece bom demais para ser verdade. Quatro horas de sono por noite seria brilhante – disse com um sorriso.

Se James não fosse esperto o bastante, pensaria que o filho estava sendo sarcástico. Seu coração quase partiu com a visão do rapaz animado com apenas quatro horas de sono. Esforçando-se para firmar a voz, ele falou:

- Eu estava pensando em conjurar o feitiço duas vezes por noite. Isso te daria uma boa noite de sono.

Harry ergueu os olhos para James, o olhar de surpresa em seus olhos novamente.

- Você não precisa interromper seu sono por mim. Quatro horas são mais que o suficiente – disse depressa, mas o pai sacudiu a cabeça.

- Não é você quem decide isso. Eu conjuro o feitiço, então sou eu quem decide quantas vezes vou conjurá-lo – disse ao se levantar. Caminhou até sua mesa para apanhar o livro detalhando o feitiço e mostrar a Harry. Virou-se para encarar o rapaz, um sorriso no rosto, e acrescentou: - E, além disso, eu perdi as noites de sono interrompido para cuidar de você quando era um bebê. Acho que é hora de compensar isso.

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O treinamento para acalmar a mente não saiu como planejado para Harry. O rapaz estava frustrado com tudo acontecendo de uma vez. Os exames começavam dentro de dois dias, e ele não dormira nem um pouco. Não conseguia relaxar de forma alguma. Toda vez que fechava os olhos via Voldemort. Em sua opinião, o treino para acalmar a mente era a mesma coisa que Oclumência. Estava dando tudo de si no treino, mas não importava o quanto se esforçasse, não conseguia esvaziar a mente.

- Harry, por favor, deixe Dumbledore te ajudar – insistiu James.

- Não! Eu não quero ele perto de mim. Que dirá da minha mente – retrucou ele.

- Ele pode te ajudar, eu sei que pode. Ele é brilhante de Ligilimência e Oclumência. Ao menos converse com ele sobre isso. Ele pode te dar um empurrão na direção certa – argumentou James.

- Me deixe em paz, pai. Estou tentando estudar – disse Harry, erguendo o livro de Transfiguração.

James virou-se tristemente para seus papéis, que estavam espalhados por toda a mesa. Queria desesperadamente ajudar o filho. Mas não era como se ele mesmo pudesse falar com Dumbledore, não é? Assim que esse pensamento lhe ocorreu, viu Lily entrar no cômodo. Ela trocou um rápido olá com Harry, antes de entrar no pequeno quarto. Gesticulou para o esposo segui-la. Ao entrarem, virou-se para ele, um olhar sério no rosto.

- Algum progresso? – perguntou ela. James sacudiu a cabeça.

- Não, ele não consegue controlar essa coisa de acalmar a mente de forma alguma. Acho que é a primeira vez que o vejo falhar em alguma coisa. Lily, ele é terrível nisso.

A ruiva mordeu o lábio, preocupada.

- O que devemos fazer? – indagou ela.

- Eu não sei. Além de Dumbledore, não conheço ninguém que possa ajudar.

- Não consigo ver Harry dando ouvidos a Dumbledore. Temos que descobrir outra forma – disse Lily.

Os dois passaram os dois dias que se seguiram tentando descobrir como ajudar Harry a relaxar e acalmar a mente. Honestamente falando, era muito semelhante à Oclumência e era algo difícil de aprender, então não culpavam o filho por ser tão terrível naquilo. Foi na manhã do primeiro exame dele, Transfiguração, que a solução apareceu.

Sirius e Tonks entraram nos aposentos de James, que estava só com Lily no quarto, já que Harry saíra para tomar café.

- Ei, Pontas, Lily, como vocês estão essa manhã? – perguntou o amigo ao entrar.

- Sirius? O que está fazendo aqui? – indagou James, surpreso por ver o melhor amigo.

- Eu vim ver como vocês estavam. As coisas têm estado terrivelmente quietas, e achei que ninguém sentiria minha falta se eu viesse ver como vocês estão – respondeu o moreno ao sentar-se no sofá.

- Diga a verdade a ele, seu vira-lata – provocou Tonks ao sentar-se ao lado do primo.

- Que verdade? O que está acontecendo? – perguntou Lily, intrigada com o sorriso que Tonks ostentava.

- Almofadinhas? O que está havendo? – perguntou James, sentando-se ao lado dele.

- Ah, está bem. Eu vim porque, bem, acabei de ser promovido – disse ele, mal conseguindo esconder o sorriso.

- Ah, uau, Sirius, estou muito feliz por você – disse Lily, envolvendo-o em um abraço imediatamente. James também sorria como louco com a notícia.

- A melhor notícia que ouvi em muito tempo, cara. Estou orgulhoso de você – disse ele, apertando sua mão e batendo em suas costas.

- Essa não é a melhor parte. Continue, conte a melhor parte a eles – incitou Tonks.

Sirius lançou-lhe um olhar fingido, que desapareceu ao se virar para James e Lily.

- Bem, a primeira tarefa que me foi dada é a de... – Ele tossiu e falou em uma voz oficial, soando como Percy Weasley. – Realizar uma avaliação oficial sobre o sucesso do projeto do Clube de Duelos na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

- Você é um Inquisidor!? – questionou James, quase se engasgando com a palavra.

- Sim, ele é! – riu Tonks, curtindo cada momento daquilo.

Sirius riu e lançou um olhar de fingidas desculpas ao amigo.

- Eles te fizeram um Inquisidor! Estão malucos? – perguntou Lily, espantada com o Ministério.

- Não, não estão malucos, é o Ministério – riu James.

- Falando sério, por que eles te dariam uma função como essa? Eles sabem que você não é maduro o bastante para essa atribuição! – exclamou Lily.

- Nossa, valeu pelo voto de confiança em mim. Vou me lembrar disso – disse Sirius à ruiva. Ele virou-se para James e riu, lembrando a Lily de todas as vezes que ele e James estavam prestes a fazer uma traquinagem. – Advinha quem eu tenho que avaliar primeiro? Olho-Tonto Moody!

Os dois homens começaram a rir, fazendo a ruiva revirar os olhos para eles. Tonks ria da expressão dela. Quando se acalmaram, os quatro foram tomar café. Assim que entraram no Salão Principal, viram Harry saindo com o restante do sétimo ano. Eles tinham exame prático naquela manhã, na sala de aula de Transfiguração.

- Harry está bem? Ele parece acabado – disse Sirius, preocupado ao ver o afilhado sair do salão.

Em voz baixa, James contou a ele e a Tonks o que acontecera.

- … e agora que descobrimos que o feitiço para dormir vai ajudá-lo, a falta de habilidades em Oclumência está nos impedindo de usá-lo – concluiu James.

- Ele não aceita ajuda de Dumbledore? – perguntou Sirius.

- Não, eu achei que fosse superar a aversão, mas Harry parece sentir ainda mais desprezo por ele. Ele está precisando desesperadamente descansar e dormir, mas ainda assim não deixa Dumbledore ajudá-lo. Eu não sei o que fazer.

- Eu posso ajudá-lo – ofereceu-se Tonks.

- Sem ofensas, Tonks, mas eu não acho que ele vá te ouvir também – respondeu Lily.

- Não, eu quis dizer que posso ajudá-lo com o problema da Oclumência – explicou a auror.

Os três se viraram para encará-la.

- Você sabe Oclumência? – perguntou Sirius, atordoado com a nova informação.

- Sim, todos os Metamorfomagos têm uma compreensão natural de Oclumência. Por sermos capazes de disfarçar nossa aparência física tão facilmente, não temos dificuldade em disfarçar nossas emoções e bloquear tudo. Temos que acalmar e esvaziar a mente toda vez que mudamos a aparência. Só quando nossas mentes estão vazias podemos imaginar como queremos parecer e então podemos mudar para aquela aparência – explicou.

James olhou espantado para ela, como se ela fosse um presente de Deus.

- Você acha que pode ajudar Harry? – perguntou Lily esperançosa.

- Não vejo por que não. Vale a pena tentar, certo? – perguntou Tonks.

- Com certeza! – respondeu James animado. As coisas finalmente estavam melhorando.

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As primeiras tentativas não foram muito bem. Harry estava achando difícil relaxar com o quarto cheio de gente. James, Sirius, Remus e Tonks estavam todos tentando lhe dar conselhos. Por fim, o rapaz explodiu com eles.

- Já chega! Saíam vocês todos! – gritou ele frustrado.

- Só estamos tentando ajudar – disse Sirius.

- Estão me deixando maluco! Não preciso da ajuda de vocês. Saíam! – gritou novamente.

Naquele instante, Lily entrou no quarto e ouviu o filho gritando com os outros.

- Bem, não estou surpresa! Como diabos Harry deveria relaxar e acalmar a mente quando há tantas pessoas aqui? – Ela virou-se para Remus e Sirius. – Vocês dois podem sair e vir comigo aos meus aposentos. James e Tonks precisam auxiliar Harry...

Ela guiou os dois aurores para fora do cômodo, o que fez Harry suspirar de alívio. A mãe lançou-lhe um sorriso encorajador antes de sair também. A porta se fechou e o aposento ficou em silêncio.

- Ah, finalmente. Paz e sossego – suspirou Harry, voltando a sentar no sofá.

Tonks e James começaram a trabalhar com ele imediatamente. Ela lhe disse todas as maneiras que executava Oclumência. O bom era que ele não precisava realmente executar Oclumência. Tudo que precisava fazer era alcançar o estágio onde sua mente estivesse calma e estabilizada, e suas emoções sob controle. Não precisava erguer escudos mentais e segurá-los lá, já que ninguém penetraria sua mente.

- O.k., Harry. Faça o que eu te disse e deve se acalmar – disse a auror.

- Como é que fazer contagem regressiva vai me deixar mais calmo? – indagou ele, descrente.

- Apenas tente, Harry – disse James, cansado.

O rapaz lançou um olhar engraçado aos dois antes de fechar os olhos e contar de dez para baixo, tentando fechar a mente e relaxar.

- Está se sentindo melhor? – perguntou James após alguns minutos.

- Não – respondeu ele secamente.

- Você não está sequer tentando. Tem que relaxar e descontrair – disse ela.

- Eu estou tentando – disse Harry, imensamente aborrecido. – Não consigo relaxar com você no quarto! – disse a Tonks.

- Quê? Por quê? – perguntou ela.

- Porque não consigo relaxar com pessoas que não conheço no mesmo cômodo – respondeu Harry.

- Mas você me conhece – respondeu ela, um tanto ofendida.

- Sem ofensas, Tonks, mas eu não te conheço assim tão bem para me sentir completamente confortável com você – confessou Harry.

Ela parecia bastante surpresa. Evidentemente achara que era muito mais próxima do rapaz.

- Tonks, obrigado por toda sua ajuda, mas peço que vá embora também – disse James baixinho.

Tonks olhou para ele e Harry, uma expressão de mágoa no rosto, mas saiu sem dizer nada. James trancou a porta antes de se virar para o filho.

- Agora sou só eu e você. Tente agora – incitou o auror.

Harry fechou os olhos e tentou deixar a mente relaxar.

- Imagine-se em casa. Tente imaginar que está em seu quarto, sozinho. Tudo está calmo e sossegado. Tente se imaginar lá – disse James em uma voz suave.

- Damien esta lá? – perguntou Harry com os olhos fechados.

- Sim, provavelmente – respondeu James distraidamente.

- Então, como é que tudo pode estar calmo? – perguntou o rapaz, abrindo os olhos e lançando um sorrisinho ao pai.

- Tente levar isso a sério, Harry – repreendeu o mais velho.

O jovem tornou a fechar os olhos e tentou se imaginar em seu quarto, na Mansão Potter. Podia realmente ver o quarto em sua mente. James continuou falando com uma voz suave, incitando-o a se imaginar vendo e sentindo coisas diversas. Harry não sabia em que ponto começou se acalmar. Sua mente começou a relaxar e a se distrair. Uma a uma, James começou a pedir-lhe para tirar coisas do seu quarto, para que ficasse apenas com um quarto vazio e escuro. O auror sabia que parecia cruel, mas era necessário para a mente ficar vazia e o feitiço poder ser conjurado.

- Agora imagine que não há nada à sua volta. Nada mesmo. Tudo que vê em volta é escuridão e é confortável – disse James, observando-o atentamente.

Podia ver que estava funcionando. Harry relaxara completamente. O auror sabia que o feitiço precisava ser lançado agora, de modo que o estado de calma se prolongaria pela duração do feitiço. Pronunciou suavemente o encantamento e observou a respiração do filho se estabilizar quase instantaneamente. Ficou ao seu lado, apenas observando a rara visão de Harry dormindo pacificamente.

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As coisas melhoraram muito depois daquilo. O feitiço operou milagres em Harry, que começou a se sentir muito melhor. Seu pai manteve a promessa, e conjurava o feitiço duas vezes na noite para permitir-lhe oito horas de sono. Significava que James precisava se levantar após quatro horas de sono para lançá-lo, mas mesmo os protestos do rapaz não o impediram. Sabia quanto sono o filho perdera. Ele precisa se recuperar. O jovem desejava que ele mesmo pudesse conjurar. Infelizmente, aquilo não era possível.

Harry sentiu os exames passarem com muito mais facilidade agora que estava dormindo bem. Sentia-se rejuvenescido, mais feliz e muito mais paciente. Se o último era algo bom ou não, ele não sabia. Viu Charlie Weasley em Hogwarts e ficou surpreso por encontrá-lo ainda lançando olhares em sua direção.

- Qual é o problema dele agora? – perguntou a Damien. Pensara que Charlie ia apenas ignorá-lo agora que não estava mais com Ginny.

- Não faço ideia – respondeu o irmão.

Fora o problema com Ginny, Harry sentia que as coisas finalmente estavam começando a se ajustar. Era incrível o que uma noite de sono podia fazer a ele. Sentia-se muito mais próximo de James desde o feitiço para dormir. Ainda não conseguia acreditar que o pai passara por todo aquele transtorno apenas para que ele pudesse dormir em paz. O auror sentiu o coração ser invadido de alegria pelo filho conseguir relaxar em sua companhia. Sabia que demorava muito para Harry confiar em alguém, e finalmente estava mostrando confiança nele e em Lily.

Mas só na noite anterior ao seu último exame foi que tudo desmoronou.

Assim que Harry acordou no meio da noite, sabia que algo estava errado. Não era o fato de ele ter acordado, que não era tão incomum. Sempre acordava após quatro horas de sono, quando o feitiço acabava. A qualquer instante James viria conjurá-lo novamente.

Mas naquela noite, assim que seus olhos abriram, podia sentir que algo estava terrivelmente errado. Podia sentir nos ossos. Piscou os olhos na escuridão, tentando descobrir por que seu coração batia tão alto no peito. Mas pelo que podia ver, tudo estava no lugar. Tentou se acalmar. Tudo estava bem.

Sentou na cama. Seu pai viria a qualquer instante. Foi assim que sentou que sentiu uma substância grossa e pegajosa colando sua mão nos lençóis da cama. Ergueu a mão esquerda até o rosto, tentando espreitar na escuridão para decifrar de que sua mão estava coberta. Não levou mais que alguns segundos para perceber o que era. Sua mão estava coberta de um sangue quente e pegajoso.

A respiração de Harry ficou presa na garganta ao reconhecer a substância. Sua mão estava sangrando? Como isso aconteceu? Um arrepio lhe percorreu ao sentir todo o lado esquerdo do pijama colar nele. Podia sentir o coração martelar em suas entranhas ao perceber que todo seu lado esquerdo, começando do ombro até o pé, estava coberto de sangue. Não sentia dor alguma, então sabia que o sangue não era seu. Entrou em pânico e ascendeu as luzes sem varinha.

A primeira coisa que viu foi que, de fato, estava coberto de sangue. Não era só uma pequena mancha. Suas roupas estavam completamente encharcadas. Olhou para o lado esquerdo da cama e sentiu o estômago revirar violentamente, já que havia algo com ele embaixo dos lençóis. Sua mão tremeu e ele a estendeu depressa e puxou os lençóis.

A visão fez todo o fôlego lhe abandonar. Harry encarou horrorizado o estrago de sangue na cama. Deitado em uma poça crescente de sangue estava o corpo cortado de Nagini. O enorme corpo da grande serpente estava cortado em dois e empilhado na cama do rapaz. Os olhos sem pálpebras o encaram, a dor da morte ainda presente nas orbes entorpecidas. A boca da cobra estava aberta, suas presas mortais expostas, fazendo parecer que a serpente foi pega em um grito silencioso.

O instinto fez o rapaz se afastar o máximo possível do cadáver de Nagini. Caiu no chão, mas continuou se afastando. Apoiou-se contra a parede e ficou lá, sem conseguir tirar os olhos do corpo ensanguentado da serpente.

James veio sonolento do quarto, esfregando os olhos. Parou abruptamente com a visão de Harry sentando contra a parede, coberto de sangue. Foi o bastante para afastar qualquer sono do auror. Viu o olhar cheio de horror do filho e o seguiu até a cama. Seu estômago revirou com a visão do corpo mutilado de Nagini sobre a cama do rapaz, os lençóis encharcados pingando sangue no chão. Correu até ele e ajoelhou-se ao seu lado em segundos.

- Harry! Ah, Deus! Você está bem?

James agarrou os ombros trêmulos do filho e tentou colocá-lo de pé, mas ele não se mexeu. Parecia que estava alheio à presença do pai. Estava em choque, os olhos cheios de lágrimas fixos em Nagini.

O auror sacou a varinha e mandou um Patrono, um cão prateado notavelmente semelhante a Almofadinhas saltou dela e saiu pela porta e pelo corredor, alcançando Lily antes de dirigir-se a Dumbledore.

Só levou alguns instantes para Lily e Dumbledore alcançarem James. Eles assimilaram a visão horrível de Nagini antes de assistir Harry. Não importava o que dissessem a ele, o rapaz não respondia. Não conseguia tirar os olhos da serpente morta. Era como se estivesse completamente alheio aos outros ao seu redor. Tudo que conseguia ver era a cobra morta coberta de sangue. Nagini, o amado animal de estimação de seu pai.

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- Ele devia ir embora imediatamente – disse James em uma voz rígida.

- O período está quase acabando. Só restam mais duas semanas – argumentou Dumbledore.

- Eu não me importo. Hogwarts não é mais segura, não para Harry – disse o auror amargamente.

- James… - começou Remus.

- Não, Aluado! Eu não quero ouvir. Ele não está seguro aqui! Quem veio ontem à noite e colocou o corpo de Nagini na cama dele, podia facilmente ter cortado a garganta de Harry! Eu não vou arriscar de novo. Vou levar Damien e Harry embora! – concluiu o auror.

O grupo se calou com isso. Dumbledore olhou para os rostos pálidos de James e Lily. Ninguém jamais esqueceria a noite anterior. Harry ainda não pronunciara uma única palavra. Estava com Sirius e Tonks nos aposentos de Remus, ainda se recuperando. Remus, James e Lily estavam no escritório do diretor, falando sobre os eventos horrendos da noite anterior.

- O que eu quero saber é como o corpo foi trazido para cá e por quem? – disse Remus em voz alta.

- É óbvio quem foi. Não pode ser ninguém além do Príncipe Negro! Até agora ele tentou incriminar Harry por todos os ataques e assassinatos, tentou envenená-lo com poção para dormir, causou um grave dano à sua saúde, fez o Ministério duvidar dele, e quando tudo isso não funcionou, ele veio para Hogwarts e plantou aquilo, aquela coisa na cama de Harry enquanto ele dormia! – respondeu James com raiva.

- Por que ele está perseguindo Harry? – indagou Lily.

- Acho que é suficiente dizer que é um Comensal da Morte tentando vingar a morte e a queda de seu Mestre. Nagini não era uma serpente normal. Foi preciso um poder excepcional e astúcia para matá-la. Embora eu diria que a morte de Voldemort deve tê-la enfraquecido, ele era a fonte de seus poderes – explicou Dumbledore.

- Mas se é um Comensal da Morte leal, então por que ele matou o animal de estimação de Voldemort? É claro que não iam querer ferir algo que seu Mestre amou – indagou Lily.

- Nagini desapareceu pouco depois de Harry voltar à Mansão Riddle para salvar Ginny e Nigel. Pelos relatórios que Severus me forneceu no ano passado, parece que Nagini compartilhava uma conexão com Harry. Meu palpite é que ela discordava da tortura e da sentença de morte de Harry, então Voldemort a mandou embora da Mansão. É por isso que ela não estava lá quando o emboscamos. Seja quem for o Príncipe Negro, ele provavelmente a culpa por abandonar seu Mestre e não estar lá para ajudá-lo na batalha final – explicou o diretor.

James ponderou as palavras de Dumbledore. Percebeu que a reação do filho fazia muito mais sentido. Não foi só a visão grotesca do corpo mutilado em sua cama que o tirara de si. Foi o fato de que a serpente provavelmente era seu animal de estimação, tal qual era de Voldemort. Encontrar o corpo ensanguentado de seu animal na cama não era algo fácil de lidar. Não era de admirar que ele ainda não tivesse pronunciado uma única palavra. Estava em choque. Quando o pai o deixou com Sirius naquela manhã, o rapaz mal registrava o fato de estar com alguém. Ainda não respondia às perguntas de ninguém. Poppy o vira na noite anterior e dissera que ele estava em estado de choque e para lhe dar tempo para aceitar aquilo.

- Por que estamos tão certos de que é um Comensal da Morte? Podia ser qualquer um, talvez até alguém do Ministério – sugeriu Remus.

James sacudiu a cabeça.

- No momento, eu não me importo com quem seja. Eu só quero Harry e Damien de volta à Mansão Potter, onde ficarão seguros.

- Como podemos ter certeza de que ficarão seguros lá? Hogwarts é um dos lugares mais bem protegidos do mundo mágico. Se o suposto Príncipe Negro pode entrar aqui, então como podemos ter certeza que não conseguirá entrar na Mansão? – perguntou Lily, a histeria presente em sua voz.

- Ela está certa, James. Temos que descobrir como essa pessoa entrou em Hogwarts e arriscou plantar o corpo perto de Harry.

- Acho que há um espião em Hogwarts – disse James após alguns instantes.

- Quê? – indagou Remus em choque.

- É a única coisa que faz sentido. Alguém em Hogwarts está de conluio com o Príncipe Negro. Essa pessoa foi quem plantou o folheto da "Poção da Amizade" para chamar a atenção de Dennis Creevey. Essa pessoa provavelmente é responsável por fornecer a Poção Calmante também. Quando Harry deixou Hogwarts e foi para Remus, alguém avisou ao Ministério. A pessoa tinha que estar na escola na época para ver que ele estava ausente. Não pode ter sido uma coincidência o Ministro decidir fazer uma visita naquela ocasião em particular, quando Harry estava ausente. Todos em Hogwarts sabem que Harry está em meus aposentos. Foi por isso que o corpo da serpente foi levado para lá e não para o dormitório da Grifinória. Essa pessoa tinha que saber que Harry estava dormindo no meu quarto e, de alguma forma, tinha que entrar furtivamente para plantar a coisa horrenda ao lado dele. – James parou quando algo de repente lhe ocorreu. Seus olhos avelã se arregalaram em choque e ele virou-se para a esposa. – Lily, a quem você contou sobre o feitiço para dormir? – perguntou ele.

- A ninguém. Eu não contei a ninguém sobre isso – respondeu, parecendo confusa com a pergunta.

James virou-se para o amigo.

- Remus?

- Eu não disse nada a ninguém – respondeu o amigo.

- Acabei de notar uma coisa. Seja quem for esse espião, ele sabia sobre o feitiço para dormir lançado em Harry! É por isso que arriscou entrar nos aposentos. Deve ter se certificado que Harry não ia acordar enquanto ele plantava o corpo. Devia saber que Harry não podia acordar enquanto estava sob o feitiço. Foi descoberto que havia um feitiço Silencio conjurado no quarto, presumivelmente para que eu não ouvisse nada e fosse investigar.

- Mas se não contamos a ninguém sobre isso, então como é que essa informação vazou? Não acho que Harry tenha saído por aí contando a alguém – disse Lily.

- Eu não...

O restante da frase de James foi abafado por um som ensurdecedor.

A sirene estridente encheu o escritório, fazendo Dumbledore e o restante se colocarem de pé rapidamente.

- O que está acontecendo? – perguntou Remus, sacando a varinha.

- O alarme disparou. Alguém executou uma Imperdoável dentro do castelo – disse o diretor, muito pálido.

Os quatro saíram correndo do escritório, Dumbledore à frente. Correram escada abaixo e viram a maioria dos alunos e professores correndo em sua direção, juntando-se a eles. O diretor sussurrou um feitiço e sua varinha girou na direção que deviam seguir. Presumivelmente para onde a Imperdoável foi executada.

James sentiu o coração saltar em pânico quando percebeu que estavam correndo na direção dos aposentos dos aurores. Viu a cor fugir do rosto de Remus ao ver Dumbledore correr na direção de sua porta. Viraram a esquina e pararam. Diante deles estava um Sirius pálido e trêmulo. A varinha ainda em sua mão e o rosto completamente sem cor. Estava sentado do lado de fora da porta dos aposentos de Remus. Havia gritos vindo de dentro do quarto. A voz rouca de Moody foi ouvida entre outras.

James sentiu o coração despencar até o estômago. Uma forte sensação de mau presságio tomou conta dele. Correu até Sirius e agarrou-lhe pelos ombros trêmulos.

- Sirius! Sirius, o que houve?

Dumbledore, seguido pelo restante dos professores de Hogwarts, invadiu o quarto, mas James, Remus e Lily ficaram com o amigo. Não podiam deixá-lo daquele jeito no chão.

Sirius ergueu o olhar para James e seus olhos estavam cheios de lágrimas, um olhar assustado em suas orbes.

- James! – coaxou ele.

- Sirius, o que houve? Ouvimos o alarme disparar. O que houve? Onde está Harry? – perguntou James, sem ousar olhar para dentro do quarto e ver por si mesmo.

- Eu tentei impedi-lo, mas ele… ele não escutou – gaguejou Sirius.

- Quem? – perguntou Lily.

- Harry. Ele simplesmente enlouqueceu. De repente, começou a gritar com Tonks, acusando-a, dizendo que ela era responsável. Ele disse que Tonks sabia sobre o feitiço para dormir e que era a única em quem ele não confiava, que ela estava com o Príncipe Negro. Tonks... ela... ela continuou tentando dizer que ele estava enganado, mas Harry... Harry não escutava. Ele simplesmente enlouqueceu. Parecia estar ficando maluco. Não havia nada que eu pudesse fazer. Eu… eu não pude impedi-lo a tempo. Foi tarde demais. – Sirius enfiou o rosto nas mãos e começou a soluçar, fazendo James sentir que seu coração estava prestes a ser arrancado do peito.

Remus olhou para Sirius com medo nos olhos. Levantou-se ao lado do amigo e invadiu o quarto, deixando James e Lily para trás.

- Sirius, o que houve? – perguntou James, sua voz quebrando, pois parte dele já sabia o que devia ter acontecido.

Sirius ergueu os olhos para James.

- Ele a matou – disse em uma voz pouco mais alta que um sussurro.

- Harry matou Tonks!

N/T: Venho pedir desculpas pela demora! Muitas fics e muitas coisas na vida pessoal rsrs Mas aí está o 29! Espero que gostem! Agradeço muito as reviews, e espero mais delas com o novo capítulo :) Beijos!