Jack e Elizabeth não são meus... de verdade
Espero que gostem e deixem reviews! XDDD
Cap. 29
Will viu no mapa que estavam em cima da Fonte e ordenou que o Holandês Voador fosse para as profundezas. Will estava ignorando – pela primeira vez desde que se tornou capitão – o trabalho de levar as almas dos que morrem no mar para o ouro lado. Isso era grave.
Quando já haviam descido há uma profundidade considerável, o navio foi tragado por uma fenda gigantesca que se abriu ninguém sabe como. Foi incrível, saía uma luz pálida de dentro do buraco. Os homens se assustaram, mas Will estava confiante.
Por fim, quando os marujos pensaram que se perderiam em meio a toda aquela luz que lhes ofuscava os gélidos olhos, o Holandês pareceu parar. A luz ainda era forte, mas a água escoou por algum lugar. Tudo ficou seco de repente. Como se estivessem na superfície.
Quando olharam ao redor, a luz foi diminuindo e pôde-se ver onde estavam.
Era uma caverna cinza, cheia de esqueletos ao redor. O Holandês estava encalhado no meio desses ossos. Era de uma gruta que a luz saía, e os olhos de todos focalizaram o local quase que imediatamente.
Os marujos tremeram de medo do lugar, até Bootstrap Bill estava receoso.
- Fiquem aqui! – Will ordenou. – Vou procurar a ninfa, sozinho!
- Mas Will, meu filho... – Bootstrap estava preocupado. – Você vai precisar de ajuda!
- Eu não vou me perder papai! Eu posso aparecer aqui em um segundo, basta eu querer! Tenho todos os dotes que Davy Jones tinha! – Will disse isso com uma felicidade que nem mesmo ele compreendia.
- Você não havia me dito isso! – Bootstrap olhou Will como se tivesse sido traído. – Pensei que confiava em mim William!
- Eu confio papai! – Will pousou uma mão no ombro do velho marujo. – Eu descobri há pouco tempo! E tinha tantas coisas na cabeça que esqueci de te contar! Desculpe!
- Tome cuidado Will! As ninfas são criaturas traiçoeiras! Não olhe nos olhos dela! Ela vai querer te enfeitiçar!
- Está bem papai! Não se preocupe! – Will desceu do navio e foi caminhando rapidamente em direção à abertura por onde saía a luz.
Os marujos sussurravam entre si:
- O capitão está louco! Obcecado por essa Água da Vida! – disse um marujo, tristonho.
- E eu que pensei que ele fosse diferente de Davy Jones! – disse um velho tripulante.
- Parece que é o destino de quem comanda esse navio! Uma maldição! – disse um outro. – Mas, pensem um pouco: o que se pode esperar de alguém que está semimorto e ainda mais sem coração?!
Os outros ficaram ponderando essas últimas palavras.
Will andou muito, estava numa espécie de corredor, frio, cinza e com um ar que cheirava a morte.
Mas ele não desistia. Andava, andava, andava, e apenas a luz e a força de vontade o guiavam.
Finalmente chegou ao fim do corredor de pedra. E o que viu foi muita água.
Era um rio, um rio que corria de um jeito estranho, pois corria ao contrário, de baixo para cima.
Brotava de um buraco na pedra, e ia subindo as rochas.
A água era de um tom de prata ofuscante! Parecia metal derretido, como os que Will usava na ferraria!
Andando para perto da água, Will sentiu uma presença no local. Um frio tomou conta de todo seu corpo, um medo mortal o fez pensar em correr dali, mas seu objetivo era tão importantemente forte, que ele cravou os pés no chão: não sairia dali sem conseguir o que queria!
Respirando aceleradamente, Will tomou a decisão de chamar por ela.
- Styx! Styx! Styx! – repetia isso aos gritos. – Estou aqui, pois preciso de sua poderosa ajuda! Não me ignore!
Will olhou para todos os lados e apenas uma brisa fria cruzou o lugar, esvoaçando seus longos cabelos escuros.
- Styx! – ele repetiu. – Oferecerei algo em troca! Em troca de um favor seu! E sei que você me aguardava! Não sairei daqui sem falar com você!
- Você não tem nada que eu deseje, jovem Turner! – uma linda mulher de cabelos claros e palidez cadavérica disse, enquanto saía das águas do rio. Ela vestia um manto branco, e seus olhos eram cinza, não tinham pupilas.
Will tremeu diante da visão, mas não titubeou.
- Porque diz isso?! – ele teria que dar um jeito de conseguir o que queria.
- Porque é a verdade! Você está a meio caminho da morte! Você só existe meu caro, porque um amigo seu abdicou de um sonho para não ver você morrer, ou melhor, para não deixar alguém chorando por você!
Will lembrou de Elizabeth chamando seu nome e Jack o fazendo segurar a faca para que apunhalasse o coração de Dave Jones. A ninfa continuou:
- Você não está vivo nem morto, você apenas continua! O que um zumbi como você poderia oferecer a mim? Huh?!
- A vida de alguém! – ele estreitou os olhos.
- A vida de alguém pertence a esse alguém, não a você! – ela sorriu.
- Mas eu posso fazer com que me pertença!
- Você é mais parecido com Dave do que eu imaginava!
- Eu não sou parecido com ele! Ele era mau, cruel e assassino! –Will se enraivou.
- Mas ele era um bom homem antes de arrancar seu próprio coração! Um bom homem como o que você foi um dia!
- Eu ainda sou um bom homem! – Will disse exasperado com tudo o que saía da boca da ninfa.
- Não benzinho, você ERA um homem! Você agora é o capitão do Holandês Voador, um ser sem raça que em breve será algo próximo dos peixes!
- O quê?!
- Isso está escrito! Você vai ficar como Davy Jones, com a cara de peixe! – Styx riu debochada. Will ficou pasmo. – É o destino Turner! Tudo muda a cada decisão importante! O mundo é feito de decisões! Umas erradas, outras certas, outras incompreensíveis por um tempo, mas... é assim que é!
- E esse discurso todo que você me fez é para dizer que não vai me ajudar?!
- Não! É só para você saber que aconteça o que acontecer, você não pode escapar do seu destino!
- E qual é meu destino? Comandar o Holandês até que alguém apunhale meu coração?
- Eu não sei! Fui proibida de ler na teia! As três bruxas me castigaram!
- Que bruxas?! Que teias?!
- Você não precisa entender dessas coisas! E chega de falatório inútil! Você não tem nada que eu queira! Se é que você veio pedir o que eu estou pensando!
- Eu não vim pedir a vida de volta! – Will disse resoluto, surpreendendo Styx.
- Como assim não veio pedir a vida? Para que diabos você veio até mim?! – ela estava ferozmente irritada, era horrível ficar lá aprisionada pelos próximos 100 anos sem poder interferir em nada e saber que sua irmã, Calypso, estava livre e poderosa novamente, depois de roubar Davy Jones dela e ainda lutar e acabar matando o pobre sofredor. A briga delas por Davy foi a gota d'água para a explosão da rivalidade das duas ninfas mais poderosas das águas.
- O que você veio pedir? – Styx chegou perto de Will e olhou para ele ansiosamente. – Fale criatura, não me faça perder a paciência! – ela esbravejou.
- Eu quero tornar alguém imortal! Com a água!
- O quê?
- Eu sou casado, amo a minha mulher, mas na minha condição, não podemos ficar juntos! Você sabe o que a mulher que pertence ao capitão do Holandês tem que fazer não é?
- Claro! – ela disse e estreitou os olhos. – Mas, querido bobinho, quem disse que essa água torna alguém imortal?!
- Se ela beber regularmente a água desse rio, ela não ficará jovem eternamente?!
- Você é até espertinho sabe! Mas você está errado!
- Porque diz isso?!
- Porque há uma enorme diferença entre juventude e imortalidade, seu idiota! Você quer tornar a moça imortal para que ela te espere para sempre, de dez em dez anos, por toda a eternidade não é mesmo?!
- É claro! – ele disse veemente.
- Isso é impossível para mim! Não posso tornar ninguém imortal! Posso devolver a vida, a juventude e a força, mas imortalidade só quem pode te dar é... – Styx fez careta e disse por entre os dentes, com ódio. - ... Calypso!
- Então você não pode me dar o que quero?! Nem por qualquer coisa que eu possa fazer por você?!
- Você poderia me pedir a sua vida de volta! Ou um meio de consegui-la novamente! Mas imortalidade não! Mas, mesmo assim, você não pode beber dessa água, você esqueceria de tudo! Perderia a memória!
- O quê?! Maldição! – disse Will chateado. Não sabia o que fazer, seus planos e todo o trabalho que teve foram por água abaixo.
Percebendo a confusão que ia dentro dele, Styx resolveu aprontar uma com Calypso, ela usaria Will para destruir os velhos planos de sua odiada irmã.
Styx sabia que Calypso adorava um pirata chamado Jack Sparrow e que o destino dele não era dos mais previsíveis e bons, por isso sua irmã interferia na vida dele, mesmo aprisionada numa forma humana graças a um plano dela com Davy Jones. E também sabia que Will fazia parte desse destino. Sabia da historia quase toda.
As duas eram apaixonadas por Davy Jones.
Styx era mais cruel e maldosa, ao contrário de Calypso, que era justa e divertida, e graças a isso foi confiado a Calypso o segredo da eternidade e livre acesso à teia do destino. Styx teve que se contentar com o rio dos infernos cuja água devolveria a vida a qualquer um e um bando de mortos para guardar. Isso a deu mais ódio do que nunca.
Para completar a briga entre as duas, Davy escolheu Calypso. Ele se disse loucamente apaixonado por ela! Styx se revoltou e interferiu no destino pela primeira vez, por vingança.
Fez Davy pensar que havia sido traído por Calypso, fez Calypso ver que Davy havia a abandonado ao ganhar um navio poderoso, um navio pirata, e os dois amantes quebraram o compromisso e as juras de amor eterno. E esse era só o começo do sofrimento dos amantes amargurados.
Com a decepção, Calypso passou a causar problemas a todos os que navegavam. Dando trabalho a Davy Jones e irritando, matando e ferindo pessoas que nada tinham a ver com seu sofrimento, ela estava fora de qualquer controle. Mais briga entre eles causaram impactos nos mares, Calypso era muito poderosa.
Muitos e muitos anos se passaram. Mais de 200 anos para ser exato.
Davy Jones não envelheceu nem morreu graças à água da Fonte, que Styx lhe dava sempre.
Mas mesmo assim, Davy ainda amava demais Calypso, e influenciado por Styx, arrancou seu próprio coração e o encerrou num baú, o baú do homem morto, para não sofrer de amor.
Pediu a Calypso para que mantivesse o baú em segurança junto a ela, pois estava receoso das verdadeiras intenções de Styx, e ela só aceitou porque queria ter algo para barganhar com ele quando a necessidade surgisse. Mas recomeçaram a se entender. Mal sabia ela o que isso viria a significar no futuro.
Então Styx interferiu mais uma vez no destino quando Calypso intensificou o ataque aos homens do mar porque Davy ficou muitos anos sem visitá-la em Ogígia.
Ajudou – na forma de uma velha bruxa – a Corte da Irmandade Pirata e Davy a aprisionar Calypso em forma de mulher.
Tia Dalma surgiu.
Mas as bruxas descobriram o plano de Styx, que fez tudo isso só para fazer Calypso sofrer e castigaram tanto Styx quanto Davy Jones.
Styx foi aprisionada na Fonte da Juventude depois de se negar a desfazer o mal que causou, Davy Jones foi transformado num pastor de almas que deveria levar todos que morrem no mar a fazer a passagem para o outro mundo, mas Calypso se revoltou ao descobrir o plano dos dois e não aceitou mais guardar o coração de Davy por toda eternidade para ele não sucumbir aos sentimentos ruins que brotam com mais facilidade quando se está sem coração. Ela não estava se importando com nada. As três bruxas lavaram as mãos.
Davy levou e enterrou o coração, rapidamente se tornou cruel e vingativo, deixou de cumprir seu dever, causou terror nos mares.
Calypso ficou sem a maioria de seus poderes e passou a viver isolada numa ilha, esperando para conhecer alguém que seria muito importante para ela: Jack Sparrow.
Calypso esperava poder mudar o destino dele, que era tão importante quanto o seu.
- Acho que tem algo que você pode fazer por mim, para que eu te ajude a ficar com sua amada, Turner! – disse Styx maliciosa.
- O quê? O que eu poderia fazer para ficar com a minha Elizabeth?! – Will disse esperançoso.
- Está disposto a fazer qualquer coisa, contanto que vocês fiquem juntos?!
- É claro! – ele falou alto e com veemência. - Qualquer coisa!
- Me faça um juramento, querido semimorto! – ela sorriu maldosa.
