Nota da autora: Terceiro e último capítulos de hoje! #triste. Enfim... Desculpem a demora em responder os reviews, prometo que os farei ainda essa semana, apenas esperem meus testes acabarem! Beijos!

Percy's POV

Entramos na escuridão sem fim, indo direto para uma escadaria infinita.

- Então me explica, por que você nunca me disse que cantava? – perguntei para Annabeth, mesmo não sabendo ao certo onde ela estava.

- Porque nunca surgiu oportunidade de o assunto vir à tona, e você nunca me perguntou. – respondeu ela simplesmente, sua voz indicava que estava em algum lugar a minha direita.

-Está me dizendo que não me contou porque eu não perguntei? Então terei que te perguntar sempre para saber sobre a sua vida?

Mesmo não enxergando nada, eu podia adivinhar que ela estava revirando os olhos.

- Não cabeça de Alga, só que era uma informação desnecessária. - disse Annabeth a minha frente - Agora pare de fazer drama e vamos andando, temos um longo caminho a percorrer.

Eu ainda não tinha entendido aquilo muito bem, mas achei melhor não insistir, pois Annabeth estava certa: tínhamos um longo caminho a percorrer.

Annabeth parecia mexer na mochila, tirando de lá algo que demorei a reconhecer no escuro. Até que ela ligou o aparelho e reparei que o que ela segurava era uma lanterna.

Continuamos caminhando, em silêncio por um tempo, até que Bryan resolveu dizer:

- Já que você é tão boa cantora, por que não canta na fogueira do Acampamento?

- Porque os filhos de Apolo sempre lideram as cantorias se você não reparou, e essa não é uma função para uma filha de Athena. –disse Annabeth seguindo a nossa frente.

- Está dizendo que você não canta somente por que essa função não cabe ao seu chalé? – perguntou Bryan que a meu ver, parecia estar enrugando as sobrancelhas.

-Não é por isso, se eu quisesse mesmo cantar, cantaria de qualquer jeito, mas eu não quero. – mesmo estando no escuro pude senti-la corando, e eu não entendi o motivo disso. E achei melhor perguntar a ela quando estivéssemos sozinhos, o que eu esperava que fosse logo.

Após isso continuamos descendo em silêncio, parecia que havia passado muito tempo, até que as escadas acabaram e tínhamos chegado ao Mundo Inferior.

- Chegamos ao Mundo Inferior. – disse eu sem nenhuma animação.

- É, acho que isso não é motivo para se comemorar. – disse Bryan olhando para todos os lados e reparando nos espíritos que passavam por nós.

- Mas será, - disse Annabeth – se conseguirmos sair daqui vivos.

Annabeth olhou atentamente o local onde estávamos, assim me lembrei de que ela nunca tinha entrado no Mundo Inferior por aquela passagem, então analisava cada detalhe que podia.

- Vamos!- disse eu – Temos que chegar ao Palácio de Hades.

Após passarmos pelos Campos de Asfódelos, chegamos ao Jardim de Perséfone. As almas passeavam ao nosso redor.

Annabeth e eu caminhávamos lado a lado, nossas mãos tão próximas que os dedos se tocavam levemente. Bryan caminhava em algum lugar atrás de nós.

- Essas romãs são tão vermelhas, é quase irresistível não comê-las. –disse ele devorando a fruta com o olhar.

-É melhor não fazer isso Bryan, a não ser que queira ficar aqui com Hades e Perséfone eternamente. –disse Annabeth olhando para ele.

- Seria ótimo se ele ficasse aqui de uma vez. – disse num sussurro que somente Annabeth podia ouvir.

Ela me lançou um olhar mortal, mas depois sorriu para mim, apertando minha mão.

- Longe de mim! –disse ele. – Mil vezes enfrentar monstros lá em cima do que ficar aqui eternamente.

Continuamos andando, até repararmos que as Três fúrias sobrevoavam nossas cabeças.

- Veio morrer, meu bem? – perguntou a Fúria que um dia já fora minha professora de Matemática- a Sr.ª Dodds.

-Na verdade, não! – disse eu, já estava cansado desse "meu bem" – No entanto, nós viemos falar com o Senhor dos Mortos.

- O Senhor Hades não vai querer falar com vocês. –disse a fúria.

No exato momento Nico apareceu no Jardim, usando suas típicas roupas pretas e seus símbolos de caveira.

-Nico! – dissemos Annabeth e eu.

Nico lançou um sorriso rápido para nós.

-Deixe que eu resolva isso Alécto!- disse ele se virando em direção à fúria.

-Acho que isso não cabe ao Senhor. – disse ela. – Essa é uma tarefa minha.

-Já disse que resolvo isso. – repetiu Nico lançando um olhar mortal à Alécto, tal olhar a fez se afastar.

- O Senhor é que sabe. – disse Alécto de má vontade desaparecendo junto com suas outras duas irmãs.

- Você aqui Nico? – perguntei me aproximando dele e o cumprimentando.

- É, eu ainda venho muito aqui Percy. –disse ele enquanto abraçava Annabeth.

Isso era engraçado, eu já ficara meio confuso em relação à amizade de Nico e Annabeth antes, quando eu também era apenas amigo de Annie. Mas agora, já não sentia mais isso, sabia que eram só amigos, já em relação ao Harpper...

- Esse é quem eu acho que é? –perguntou Nico para Annabeth enquanto olhava para Bryan.

Annabeth assentiu.

Nico se dirigiu à Bryan com a mão estendida, a qual Bryan apertou num gesto amigável.

- Prazer Bryan! Eu me chamo Nico Di Angelo, sou um filho de Hades.

Eu não sei dizer se Bryan estava: confuso, espantado, nervoso ou apavorado. Provavelmente, tudo isso junto.

- Como você... – Bryan iria começar a perguntar, mas eu me intrometi.

- Você sabe quem ele é? – perguntei

- As notícias correm rápido Percy, ainda mais quando se trata de um filho de Zeus. Falando em notícias que correm rápido... – falou Nico lançando um olhar divertido para Annabeth e eu- Fiquei sabendo que quebraram as regras do Acampamento ao dormirem juntos no chalé de Poseidon.

Annabeth e eu coramos violentamente, e Bryan não estava entendendo nada.

- Isso não é da sua conta Nico! – disse Annabeth lançando um olhar ameaçador para Nico.

Nico desenhou as palavras Ok com seus lábios.

Mesmo estando extremamente vermelho, resolvi perguntar a ele.

- Apolo falou para todo mundo não foi?

Nico deu de ombros.

- Na verdade, eu fiquei sabendo por meio de alguns espíritos da natureza. Parece que as Náiades espalharam para todo o Acampamento depois que vocês saíram. Mas eu não entendi o que Apolo tem haver com...

Annabeth, que estava na frente com Bryan, se virou e nos olhou ameaçadoramente, um olhar tão perigoso que nos fez engolir em seco.

- Calem essas bocas! – disse ela vagarosamente, seus olhos cinzas parecendo um furacão.

Nico e eu assentimos rapidamente.

-Havia me esquecido do quanto Annabeth podia ser ameaçadora. –sussurrou Nico antes de passar a nossa frente e voltar a ser nosso... "Guia".

- Por favor, devagar, aproveitem que meu pai está num bom ânimo.

- Bom ânimo? – perguntei – Para mim ele sempre fora um mal-humorado que nunca riu.

Todos deram uma risadinha.

- Sem piadinhas Percy. Se vocês querem falar com meu pai sem serem mortos, é melhor não fazerem palhaçada.

Nico se voltou para a porta da Sala do trono de Hades. A porta se abriu de uma vez só e sem ele a tocar.

- Entrem! – berrou Hades de seu trono negro. Se aquilo era bom humor...

Nós quatro entramos na sala do trono lado a lado.

- Vejam se não é meu filho e seus amigos semideuses. – disse Hades revirando os olhos- E que maravilha! Dois deles são filhos de meus irmãos queridos e a outra da adorável Athena, a deusa da sabedoria. Meu dia acaba de ficar perfeito! – a voz de Hades estava cheia de sarcasmo.

É, pelo visto, aquela seria uma longa visita...