Dois dias depois da folga o trabalho estava de volta. Com um meio sorriso que não disfarçava seu bom humor ainda resultado da ótima folga que tivera, Grissom chegava a onde se encontrava sua equipe toda reunida para dividir os casos e assim que chegou à sala os cumprimentou de um jeito que há tempos não fazia.
_Boa noite crianças!
O termo usado por ele para cumprimenta-los pegou de surpresa aos que eram habituados a serem chamados assim já que tinha um bom tempo que não o ouviam chama-los desse jeito.
_Alguém hoje chegou de ótimo humor não é gente?
_É mesmo! Ate está nos chamando como antes.
_O que uma folga não faz hein?
_O chefinho parece bem melhor depois dessa folga não acham?
O supervisor de certa forma se divertia com os comentários feitos por quase todos seus subordinados exceto Sara que não dissera nada apenas escutava o falatório dos amigos enquanto folheava uma revista.
_Então cara como foi à folga? – Nick perguntou ao chefe
A curiosidade que Grissom viu estampada na cara de seus pupilos foi grande. Sara que estava de cabeça baixa levantou seus olhos de leve da revista assim que Nick perguntou isso só pra ver o que Grissom responderia. O supervisor sabia que se não dissesse nada eles não o deixariam em paz então resumiu sua resposta a duas palavras.
_Melhor impossível!
A resposta foi a mais sincera que poderia dar e diante dela ninguém ousou perguntar mais nada.
_Bom agora deixemos minha folga de lado e vamos ao trabalho. Warrick, você Nick e Greg ficam com um roubo em uma grande galeria de arte e quanto a vocês duas viram comigo, temos um duplo.
_Ah qual é Grissom, enquanto você vai com as duas mulheres eu tenho que ir com os dois pirralhos?
Warrick brincou fazendo todos exceto Nick e Greg rirem.
_Hahaha não vi graça nenhuma nisso Warrick! – Greg falou com uma cara descontente pela brincadeira do amigo.
_Nem eu, o único pirralho aqui é o Greg.
Greg olhou para Nick com uma cara como se quisesse mata-lo ali mesmo pela brincadeira feita e aí que as risadas foram maiores depois disso.
Um clima bom e alegre que teve que ser interrompido por Grissom que chamou a atenção de todos para o trabalho que tinham e assim eles levantaram pra seguirem para suas cenas de crime.
...
_Catherine pela ultima vez entre nesse carro, por favor! - O supervisor insistia pela decima vez.
_Que parte do eu não vou com vocês no mesmo carro que não entendeu?
Eles já estavam naquele impasse há quase cinco minutos. A loira se recusava a ir com Grissom e Sara no carro do supervisor já que na única vez que isso aconteceu quase sofreram um acidente por conta das brigas dos dois e então dessa vez ela não queria passar de novo por aquilo.
Sara que estava de braços cruzados e com o corpo escorado no carro só observava todo aquele cabo de guerra entre Grissom e Cath.
_Dá pra vocês acabarem logo com isso daqui a pouco o Brass liga pra saber por que ainda não chegamos.
A morena já estava quase pegando seu carro e indo sozinha pra cena do crime por conta de toda aquela enrolação dos dois.
_Pela primeira vez vou ter que concorda com a Sara. Cath por favor, vamos entre no carro pra irmos logo.
_Não, já disse que vou no meu carro.
_Pra que? Não tem necessidade de dois carros.
Sara que cansou de esperar tentou algo pra resolver logo aquele impasse todo.
_Olha Cath, entra aí que não vai acontecer nada ok? Grissom e eu vamos nos comportar como dois adultos e não vamos brigar não é? – ela olhou para o chefe esperando que ele confirmasse o que acabou de dizer a loira e foi isso que ele fez.
_Exatamente, agora entra, por favor, Catherine! – Abriu a porta pra amiga.
A loira ficou olhando uns segundos para os dois a sua frente e não estava levando muito a serio aquilo que foi dito. Aqueles dois se comportarem como dois adultos e não brigarem? Isso seria improvável demais, porem iria arriscar pra ver se aquilo podia ser possível mesmo, só esperava chegar viva ao local que eles deveriam estar.
_Ok eu vou, mas se começarem com as picuinhas de vocês, juro que faço vocês dois descerem e irem ate a cena do crime a pé.
Grissom e Sara arregalaram os olhos diante do que ela disse e Catherine quase riu da cara que de espanto que eles fizeram com o aviso dela.
...
_Ora, ora se não é o meu trio preferido, só não digam isso aos outros três. – Brincou o capitão.
_Vieram juntos?
_Sim Jim!
O capitão que não deixava passar uma não resistiu a fazer uma brincadeira com eles.
_Cath querida, é impressão minha ou você não está branca como da outra vez quando veio com esses dois. – ele provocou dando um sorriso cínico para Grissom e Sara.
_Sabe o que é Jim eles se comportaram não brigaram aí o caminho ate aqui foi tranquilo.
_Que progresso! Parece que as coisas estão melhorando não é? – cutucava ainda mais eles.
_Será que podemos cuidar do caso, acho que os mortos devem estar cansados de nos esperarem para analisa-los. – Sara usou de sua ironia pra acabar logo aquela conversa.
_Pois é, Jim pode nos por a par do caso?
Grissom pediu e foi atendido pelo capitão que deixou as brincadeiras de lado e logo assumiu sua postura profissional e começou a passar todas as informações que tinha aos três peritos. Quando ele acabou de falar Grissom delegou as funções de Catherine e Sara enquanto que ele se encarregaria dos corpos e falaria com algumas pessoas pra saber se tinham visto algo. Com as tarefas distribuídas as duas seguiram para a casa onde o crime tinha acontecido enquanto caminhavam em direção a ela Sara comentou com Catherine.
_Eu já te falei que tenho a impressão que conheço o Brass de algum lugar?
_Sim, já conseguiu lembrar-se de onde?
_Que nada! Mas ainda vou lembrar.
_E quando isso acontecer me fala.
_Por quê? – não entendeu pra que ela queria saber daquilo.
_Curiosidade ora!
Sara balançou a cabeça e riu da amiga e ainda completou dizendo:
_Seu sobrenome devia ser Curiosidade e não Willows. – as duas não aguentaram e riram juntas.
...
_Eu não sei vocês, mas pra mim tem alguma coisa que não se encaixa.
Sara comentou enquanto ela Cath e Grissom analisavam as fotos e evidencias do caso.
_O que não se encaixa?
_Prestem atenção, o casal foi morto e a casa só teve algumas poucas coisas levadas, nem se quer pegaram as joias do cofre. Repararam também que os bandidos nem desarrumaram a casa tanto parece que o foi jogado estava tipo montado pra simular um roubo e além disso entraram e saíram sem arrombar a porta como se tivessem a chave daqui. Pra mim quem fez isso tinha passe livre na casa, não acham?
_Estava pensando nisso agora mesmo e acho que tem sentido isso, mas não podemos nos precipitar, pois também não pode ser isso.
_Eu sei... Onde disse que o filho do casal falou que estava na hora do crime?
_Na casa de um amigo da escola e isso foi confirmado pelos pais do amigo. As empregadas da casa já tinham sido dispensadas na hora que ocorreu o crime e ambas deram álibis que batiam.
_Tá complicado... Cath o que você acha?
A loira que olhava os dois falarem sobre o caso de forma amistosa e sem aquela costumeira tensão não estava acreditando que aquilo estivesse acontecendo e o mais incrível é que eles ainda estavam concordando em algo o que era a coisa mais difícil de acontecer.
_O que acho é que o caso está um tanto confuso e vocês estão estranhos.
_Estranhos? – os dois disseram juntos.
_Isso! Que eu me lembre ainda não vi hoje uma discussão, provocação ou insulto sequer de ambas as partes nem no carro nem aqui no lab. E ainda por cima vocês estão concordando em alguma coisa, o que tá havendo com vocês hoje hein?
Vai entender não é? Se eles brigavam ela reclamava e dizia que eles pareciam duas crianças. Agora se não brigavam ela também reclamava do mesmo jeito, o que ela queria?
Grissom e Sara trocaram um rápido olhar e sinceramente nem eles tinham se dado conta de que em nenhum momento as implicâncias que costumava fazer parte quase que constante do convívio deles ainda não tinha dado o ar de sua graça ate aquele instante por incrível que pareça.
_Não vão me responder?
_Cath ninguém está estranho aqui.
_Ah não dona implicância? Então cadê todo aquele clima de picuinha de vocês?
_Olha se eu ainda não provoquei o limão é porque ainda não tive oportunidade esse caso está complicado sabia?
_E eu digo o mesmo que maluca aí. – Sara o olhou nada satisfeita com a maluca dito por ele.
_Engraçado vocês não precisavam de oportunidade pra implicar com o outro agora precisam?
_Cath vamos cuidar do caso que é melhor?
Depois disso nada mais foi dito e eles continuaram seu trabalho. De vez enquanto Cath os olhava desconfiada, pra ela eles estavam estranhos sim e não adiantava negarem. E aquilo de certa forma era uma meia verdade por incrível que pareça ambos nem estavam tão implicantes como era do feitio deles agora por quê? Talvez isso seja uma consequência do passeio que fizeram, lá viram que podem ter um bom entendimento e que não era preciso todo aquele arsenal de palavras tortas que um dizia ao outro toda vez que se encontravam no mesmo local ou no mesmo caso. E que apesar das diferenças eles podiam se entender. Puderam ver que um não era do jeito que o outro pensava que fosse então pra que continuar naquela mesma situação que se encontravam se podiam ao menos tentar melhora-la para um bom convívio que faria bem tanto a eles quanto a equipe? E com isso cada qual em seu entendimento resolveu agir com muita hostilidade com o outro talvez por isso estivessem agindo daquele jeito estranho, mas isso não quer dizer que as provocações cessariam não, mas quem sabe elas não diminuíssem.
...
Após muitas investigações eles solucionaram o caso, descobriram que o responsável pelo crime tinha sido o sócio do homem morto. John o sócio disse em depoimento que contratou dois caras pra assassinarem Mark pra que ele ficasse com a empresa só pra ele. Contou também que a intenção não era matar a esposa de seu sócio e que ela morreu porque entrou na frente do marido quando os bandidos atiraram.
Com o caso resolvido e faltando poucos minutos para o fim do turno Cath e Sara estavam na sala de descanso conversando sobre suas filhas enquanto os meninos não vinham e Grissom não aparecia pra dispensar a equipe porem Cath comentou algo que lhe perturbava com a amiga.
_Sara agora mudando completamente de assunto, sabe que estou encucada com uma coisa.
_O que?
_Sábado eu liguei para o Grissom - à morena se remexeu na cadeira. _Ele me contou que estava no parque que ele costumava ir com a esposa dele, aí eu brinquei com ele perguntando se ele estava sozinho porque aquele lugar é bom pra ir acompanhado. Sabe que ele desconversou e não me respondeu, para o Gil não querer responder é porque ele devia estar acompanhado não acha?
Sara foi salva de responder isso pela chegada dos meninos que entraram na sala e logo depois veio Grissom pra dispensa-los.
...
Dentro de seu carro ela revirava sua bolsa a procura de seu celular só que acabou não o encontrando, tateou os bolso da calça e do casaco e nada. Resolveu voltar ao lab e ver se não o tinha deixado dentro de seu armário como da ultima vez e não é que o aparelho estava lá mesmo, assim que abriu a porta do armário o encontrou lá dentro.
_Seu aparelho danado quem mandou ficar?
_Falando sozinha agora?
Ela tomou um susto não esperava o encontrar ainda por ali. Grissom passou por ela indo até seu armário pra guardar algumas coisas suas e depois ir pra casa.
_Qualquer dia eu ainda infarto com esses seus aparecimentos do nada ate parece um fantasma. – ele sorriu do susto dela. _E sim estava falando sozinha tenho esse péssimo habito por que algum problema?
_ Nenhum, mas sabia que esse é o primeiro indicio dos loucos? – agora ele exibia um sorriso sórdido ao provoca-la.
_Isso não teve graça. E quer saber, então você também tem indícios de louco porque já te vi falando sozinho varias vezes.
_Como sabe que falo sozinho? Anda me espionando? – resolveu provoca-la
_Não seja ridículo! Claro que não! É que você fala um tanto alto demais.
_Sei... E o que ainda faz aqui, pensei que já tivesse ido igual aos outros?
_Eu estava no meu carro quando dei falta do celular. Lembrei que da ultima vez que isso aconteceu o deixei dentro do armário então voltei pra pega-lo aqui. – fechou o armário. _Mas agora já estou de saída. Ate a noite... estranho!
_Ate a noite estranha! – devolveu o termo usado por ela.
Ele voltou à atenção a seu armário enquanto Sara se encaminhava pra ir embora só que chegando à porta ele parou. Lembrou-se do que Cath disse sobre ele não dizer se estava acompanhado no parque e ficou com certa curiosidade de saber por que ele não quis dizer que estava com ela e Liv, não que aquilo lhe interessasse de forma alguma. É que uma vozinha chata a perturbava pra que perguntasse isso a ele só que não queria fazer isso. Se ele não quis dizer é porque assim como ela ele também não quer que os outros saibam que estavam juntos então assim seria melhor pra todos, pois conhecia o pessoal e com toda certeza eles fariam piadinhas sem graça ao saberem que ela e o chefe tinham estado juntos e de quebra com a filha dela no meio. Enquanto ela estava parada pensando em tudo isso, nem percebeu que Grissom tinha fechado seu armário e a encarava.
_Algum problema? – aproximou-se dela pensando que talvez ela tivesse passando mal já que parou e não se mexeu.
Ao ouvi-lo foi que ela saiu de seus pensamentos e se deu conta que ele estava bem a sua frente a olhando.
_O que disse? – estava confusa e mal tinha o ouvido.
_Perguntei se tem algum problema porque parou aí como se tivesse sido congelada.
_Não tenho nada.
_Tem certeza?
_Absoluta... Ate mais! – saiu logo da sala
_Ate mais! – respondeu mas ela já tinha ido.
