Jensen olhou ao redor e mal pôde acreditar em seus olhos. O lugar que via parecia mais um eco distorcido da vila em que nascera do que qualquer outra coisa. As ruas estavam anormalmente vazias, como se o lugar fosse uma vila fantasmas e as casas de mesmo formatos, mas cores diferentes, estavam apagadas, mortas…

Chad o esperava na entrada do Centro Social, o "castelinho" como gostava de chamar. Não trocaram palavras, não precisavam, apenas se olharam nos olhos em silêncio por um breve espaço de tempo antes de seguirem lado a lado rumo à sala de reuniões. Os demais lobos da matilha em condições de lutar os aguardavam.

Jensen não falou nada, apenas olhou nos rostos sofridos de cada um e se sentou na ponta da mesa, no lugar do alfa, seu lugar de direito.

– Entrei em contato com os remanescentes da matilha de Everett. – disse um tom firme. – Eles se juntarão à nossa matilha.

Jason, então abriu um volumosos livro. Aquela não era sua função. Era a função de Mark Pellegrino, mas esse morrera no ataque.

– Pelas nossas leis, para aceitá-los temos que fazer um ritual…

– Esqueça o ritual. – Jensen disse com firmeza. – Agora estamos em guerra. Teremos tempo para rituais quando estivermos em paz.

– Certo. – Jason corou ao guardar o livro.

– Vamos tratar do assunto mais urgente. – Jensen cruzou os braços e recostou-se na enorme cadeira do alfa. – Red Wolf e os malditos lobos cinza estão trabalhando juntos e ainda estão com os humanos. O alfa de Stª. Bárbara descobriu que a empresa Glover Genetic mantêm as mulheres de Everett presas. Como eles não raptaram nenhuma das mulheres dos lobos madeira, presumo que o interesse deles é nas mulheres dos lobos brancos. – Kenzie se remexeu em seu lugar. Todos viam direto da mente de Jensen a conversa que tivera com o filho do beta Jim. – No passado, os humanos roubaram nossa magia e tornaram-se shifters atrapalhando o equilíbrio natural da guarda da noite. Agora a abominação se repete por meio da tecnologia. Não iremos permitir. – Jensen encarou cada lobo. – Não iremos permitir. A história não irá se repetir. Nós não permitiremos. Vamos lutar até o último lobo e resgatar nossas mulheres para que a magia que corre em nossas veias seja preservada.

Todos ficaram de pé e estenderam o punho direito em direção ao centro da mesa.

– Pela Guarda da Noite, mais uma vez! – Jensen disse.

– Pela Guarda da Noite, mais uma vez! – os lobos responderam em coro.

Jared estava na entrada de sua casa ladeado por Jim e Misha. Seu nervosismo era evidente. ainda assim, sua postura demonstrava força e concentração. Quando um SUV preto aproximou-se seguido por um micro ônibus, Jared suspirou pesadamente. Do SUV desceram Mark Sheppard ladeado por um de seus betas, Gene Farber, e outro alfa, Anthony Mack, e seu beta, Sebastian Stan. Do micro ônibus, desceram lobos das duas matilhas.

– Eu disse que traria ajuda, meu caro… – Mark disse se aproximando para cumprimentá-lo.

– Muito obrigado, Mark. – Jared apertou sua mão. – Você nunca me decepciona.

– Mas já você… – Mark disse torcendo o nariz para Misha. – Um beta lobo branco? Não bastava o ômega?

– Acredite, Mark, o Misha foi minha melhor opção. – Jared confessou antes de se adiantar para cumprimentar Anthony Mack. – Obrigado por vir.

– Mark disse que era sério. – Mack disse olhando desconfiado para Misha. – Além do mais, qualquer um que mate crianças inocentes merece o meu ódio.

– Vamos entrar. – Jared disse. – Temos muito o que resolver.

Glover deu um soco na mesa. O ataque a vila dos lobos brancos deveria ter providenciado mais mulheres, mas tudo o que conseguiu foi um bocado de dor de cabeça e homens e lobos mortos.

– Era isso o que queria? – Glover perguntou ao velho sentado do outro lado da mesa. – Era o que queria, não era? Ver meus homens e meus lobos mortos…?

– Seus lobos…? – a voz do velho era baixa, fria e perigosa. – Um mero humano como você pode até manipular alguns lobos, mas nunca será dono deles.

Glover encarou o velho por um tempo, depois, suspirou profundamente e ajeitou-se em sua cadeira.

– Desculpe-me, Ancião. Eu não queria ofender…

– Claro que não. – o lobo ancião deu de ombros. – É por isso que eu disse que precisamos de Jensen Ackles e do colar da mãe dele.

– A genética pode cuidar disso, Ancião. – Glover afirmou.

– Como cuidou até agora? – o Ancião debochou. – Diga-me, quantos novos shifters já foram gerados com sua preciosa genética?

– Ainda é muito cedo para resultados concretos, mas tenho duas mulheres ainda em gestação.

– Duas? Isso tudo? – o ancião balançou a cabeça. – Com Jensen e o colar, podemos repetir o que foi feito há milhares de anos, mas agora do modo certo.

– Como você sabe que agora vai dar certo? – Glover levantou-se e começou a andar pela sala de um lado para o outro.

– Não cometeremos o mesmo erro que foi cometido no passado.

– E como você sabe que erro foi esse para não cometê-lo?

– Como? – o ancião riu. – Eu estava lá quando o erro foi cometido. Na verdade, quem cometeu o erro fui eu…

Jared entrou em seu quarto e parou diante da cama. Ela estava vazia desde aquela manhã quando Jensen havia ido embora. Não fora fácil tomar aquela decisão, mas Jared sabia que perderia o amor de Jensen se o impedisse de ir. todavia as regras entre os shifters eram simples: se abrisse mão de Jensen como ômega uma vez, não poderia tê-lo de novo. Estaria abrindo mão de Jensen para sempre.

Ainda assim, Jared não conseguiu dizer não a Jensen. não conseguiu negar aquilo ao grande amor de sua vida. Ainda lembrava-se da discussão…

Jensen havia o seguido até ali e insistido numa resposta, mesmo que Jared tivesse pedido um tempo para pensar.

Não há tempo para isso. – Jensen disse. – Meu pai e minha irmã estão correndo perigo. Eu já perdi meu irmãozinho, não posso perder mais ninguém…

E eu? Você não liga de me perder? – Jared perguntou magoado.

Sua vida não corre perigo imediato. – Jensen disse friamente.

Minha vida não, mas o nosso amor, sim. – Jared disse meio desesperado. – Se você for, não poderei mais tê-lo aqui como ômega. Não poderemos mais ficar juntos.

Não poderemos mais ficar juntos como ômega e alfa, mas eu sempre serei seu. Vamos ficar juntos… – Jensen havia se aproximado e tentava abraçá-lo, mas Jared se afastou.

Ficar juntos como? Já tenho que resolver as coisas com a mãe do meu filho. Minha matilha espera que eu a reivindique como companheira. – Jared balançou a cabeça. – Se você for, nenhum dos meus lobos vai quere-lo aqui de volta.

Não vamos nos preocupar com isso agora. – Jensen finalmente conseguiu prendê-lo em seus braços. – Quando essa guerra terminar, vamos dar um jeito de ficar juntos. – Jensen o olhou nos olhos. – Eu o amo e não vou abrir mão de você.

Mas…

Sem "mas"... – Jensen o beijou. – Sem "mas"...

Talvez Jared nunca entendesse o porquê dos lábios de Jensen terem tanto poder sobre ele. Talvez não fosse preciso entender.

Quando beijaram-se novamente, não havia "mas", não havia dúvidas. Os dois se abraçaram com força, os ossos estalando, o ar quase faltando. E ficaram assim. Ficaram bem assim, até que Jensen o empurrou para longe dele.

É só para te dar algo para pensar enquanto fico fora. – Jensen disse suavemente enquanto se despia.

Jared sentou-se na beirada da cama e começou a se livrar das próprias roupas enquanto observava Jensen se despir. Quase havia esquecido como amava observá-lo, admirá-lo… Jensen terminou de se despir e ajoelhou-se diante de Jared.

Eu amo você! – Disse num tom de voz carregado de sentimentos contrastantes: alegria e pesar, desejo e repulsa. Como se ao amá-lo, Jensen abrisse mão de tudo o que deveria ser.

Ele começou beijando suavemente os pés de Jared em total desejo e submissão. Seus lábios percorreram das pontas de seus dedos até seus joelhos. Seus olhos estavam fechados em suave êxtase. Quando seus lábios finalmente alcançaram a virilha do lobo madeira, Jared teve que apoiar os braços no colchão para se firmar. Mas Jensen ainda o provocou um pouco mais, deslizando a língua por toda a parte interna de suas coxas antes de dar atenção ao seu membro pulsante. Jensen o tomou nas mãos enquanto seus lábios fechados o alisavam. Jared suspirou profundamente. Se Jensen iria provocá-lo daquele jeito, já não tinha tanta certeza de conseguir deixá-lo ir. O lobo branco depositou um beijo suave como um pluma na ponta de seu membro, depois abriu a boca para recebê-lo, só um pouquinho, entre os lábios. Jared abafou um gemido mais alto que tentava irromper de sua garganta.

A língua de Jensen dançou sobre sua glande, enquanto suas mãos massageavam toda a extensão de seu membro. Quando Jared achou que não aguentaria mais aquela doce tortura, Jensen o tomou inteiro na boca, sua cabeça indo e vindo e suas mãos indo massagear gentilmente suas bolas. Jared não aguentou e levou as mãos a cabeça de Jensen, forçando-o a ir mais rápido, mais fundo. Mas Jensen não reclamou. Ele apenas continuou sugando-o com força, com pressa, com fome. Jared achou que gozaria em sua boca, mas Jensen tinha outros planos.

Ele tirou o membro de Jared de sua boca, e afastou suas mãos ao se levantar. Jared apenas o observava, a respiração irregular, o peito subindo e descendo, pura excitação. Jensen, então, sentou-se sobre suas pernas e guiou os lábios de Jared para seus mamilos túrgidos. Jared os lambeu, depois chupou-os com força. suas mãos grandes apertavam as nádegas de Jensen, marcando-as. Quando não aguentou mais, Jared segurou Jensen pela cintura erguendo-o um pouco para encaixar seu pênis em sua entrada. Iria daquele jeito mesmo, a seco. Jensen não reclamou. O recebeu por inteiro com gemidinhos e reboladinhas para facilitar a penetração. Quando Jared já havia entrado todo, Jensen começou a cavalgá-lo, as mãos apoiadas em seu peito, a cabeça jogada para trás, os olhos fechados em delírio. Jared apertava sua cintura e gemia alto cada vez que as nádegas de Jensen batiam com força em suas coxas, empalando-se em seu membro. Os olhos de Jensen continuavam fechados, como se ele estivesse perdido em algum lugar de sonhos. Quando o clímax se aproximou, Jensen tomou seu rosto nas mãos e o beijou. Um beijo quente e selvagem como só uma pessoa sabia dar.

Quando seus lábios se separaram, Jensen abriu os olhos e eles estavam escuros. Jared gozou assim que se viu refletido no escuro daqueles olhos.

Jared suspirou. Agora tudo aquilo era uma lembrança. Mesmo que seu plano e de Jensen dessem certo e o inimigo fosse derrotado, nada garantia que ficariam juntos. Mas não valia a pena perder a cabeça por isso agora. No momento, vencer a guerra era o mais importante.

Misha estava no quarto que dividia com Jim admirando seus retratos de família sobre a cômoda enquanto o companheiro alojava os lobos madeira que vieram ajudar Stª. Bárbara. Mesmo que fosse o companheiro de um lobo madeira e o beta de Stª. Bárbara, os visitantes ainda o olhavam com desconfiança. Jared havia decidido que o melhor seria Misha não passar muito tempo com eles. Não que Misha realmente quisesse ficar perto deles, não era do tipo preconceituoso, mas também não era fã de lobos madeira. todavia a atitude de Jared fazia com que o lobo branco sentisse como se fosse um brinquedo sujo que o alfa de Stª. Bárbara desejava esconder. Se não amasse Jim acima de tudo, teria voltado com Jensen para a Vila do Sul.

Mas do que isso adiantaria? Não sobrara nada lá para Misha. Seus filhos haviam sido mortos. Seus lindos e doces filhos... Agora Misha sabia o que Keven sentia. Nunca mais veria seu garotinho e sua garotinha.

Desejou poder colocar um retrato dos filhos ao lado de sua cama. O que Jim diria sobre isso? O que Jim diria? Não contara a ele sobre West e Maison.

Estava entretido nesses pensamentos quando a lembrança veio. Foi de repente. Veio do nada.

Quando o lobo, finalmente, for subjugado, você deve dizer ao Jensen… – o Ancião dizia. – Diga que a lenda é real e que um mago humano roubou a magia dos lobos brancos. Mas isso só aconteceu porque um lobo branco, Sirhan, apaixonou-se por uma humana, Ahadi. A fim de ficar com ela, ele abriu mão da Guarda da Noite. Sendo assim, ele podia ficar como um humano, mas toda noite de lua cheia ele se transformava. Seu poder enquanto transformado era imbatível, mas enquanto humanos ele era mais forte que os outros, mas não era tão forte assim. Um dia um mago humano,Taú, decidiu usar a magia que corria em suas veias. Para isso, ele raptou Ahadi e atraiu Sirhan para uma armadilha. Taú drenou todo o sangue de Sirhan tirando-lhe a vida. Taú usou sua magia e o sangue do lobo em si mesmo e em seus aliados, criando, desse modo, os shifters lobos. Depois disso, ele passou a se chamar Zaci, pois era o pai de todos os lobos. Como não precisava mais de Ahadi, Zaci a deixou ir. Esse foi seu erro, pois ela carregava em seu ventre os frutos do amor de Sirhan. Logo ela deu a luz á Xoloni e Amara, e eles deram origem aos orgulhosos shifters lobos brancos. Ahadi havia enterrado Sirhan e de seu túmulo, surgiu uma árvore que parecia se comunicar com os seus filhos lobos brancos. Dessa árvore, Ahadi fez um amuleto. quando morreu, Amara tomou o amuleto para si e ele foi passado de geração a geração. Assim como as sementes da árvore do túmulo de Sirhan. A floresta em torno da Vila do Sul foi criada a partir das sementes trazidas pelos lobos brancos que vieram das terras de além mar. E o amuleto de Jensen é o amuleto de Ahadi. Jensen é o descendente direto das duas linhagens de lobos brancos, Xoloni, por parte de pai, e Amara, por parte de mãe. Além disso, ele parece ter herdado o espírito de Sirhan através do amuleto. Por isso ele é tão forte e tão precioso. Através dele, uma nova raça de Shifters lobos poderia ser criada.

Então a lenda é real? – Misha, ainda uma criança, havia perguntado. – Mas não me lembro da história com tantos detalhes… Como sabe tanto assim…?

Eu sei porque eu sou Zaci, o pai dos lobos…