Notas da Autora: Oi! Primeiro agradeço os comentários, os 291 favoritos, os pedidos de atualização e todo o carinho recebido no capítulo anterior. Muito obrigada. Aqui está o novo capítulo, espero que gostem. Bjs :D
S.L.
Capítulo 29
Gringotts
Um longo silêncio surgiu depois da conversa com Eilleen. Todos estavam absorvidos em seus pensamentos. Sentiram um balançar mais violento antes da carruagem parar. Fleamont, sem dizer nenhuma palavra, abriu de imediato a porta e saiu. Severus o imitou e ajudou sua mãe a descer. Um vento frio percorreu seus corpos e Eilleen se encolheu nos braços do filho, à procura de calor.
– Preferem entrar? – Perguntou Fleamont – Ou querem relaxar um pouco.
– É melhor entramos. – Respondeu Severus – Mais cedo a gente tratar desse assunto, menos ansiosos ficamos.
– Muito bem.
– Estou tão nervosa. – Admitiu Eileen, agarrada ao filho. Seu rosto estava tão branco como o de um fantasma e suas mãos tremiam ligeiramente.
– Vai dar tudo certo, mãe. – Sussurrou Severus, tentando passar a ambos uma sensação de confiança. A Srª Snape lhe deu um pequeno sorriso antes de olhar para o edifício à sua frente, e sussurrar:
– Há muitos anos que não vinha a Gringotts. Continua na mesma.
– Não mudou nada? – Perguntou Severus, feliz por estar conversando com sua mãe livremente. Em casa, nunca tinham oportunidade de fazê-lo, com medo de Tobias.
– Nem um bocadinho. – Respondeu Eilleen, olhando para seu filho. Fleamont já estava subindo as escadas e o seguiram.
Como sempre, parado diante das portas de bronze polido, usando um uniforme vermelho e dourado, estava um duende. O duende os cumprimentou com uma reverência quando entraram. Em seguida depararam com um segundo par de portas, desta vez de prata, onde havia gravado o seguinte:
Entrem, estranhos, mas prestem atenção,
Ao que espera o pecado da ambição,
Porque os que tiram o que não ganharam
Terão é que pagar muito caro,
Assim, se procuram sob o nosso chão,
Um tesouro que nunca enterraram,
Ladrão, você foi avisado,
Cuidado, pois vai encontrar mais do que procurou.
Mãe e filho trocaram um olhar ansioso antes de entrarem no banco. Dois duendes se curvaram quando eles passaram pelas portas de prata e desembocaram em um grande saguão de mármore. Eilleen prendeu a respiração, se recordando de sua adolescência. Todos os anos vinha até ao banco, para levantarem dinheiro e comprarem tudo o que necessitava. Tinham sido bons tempos, onde ainda era uma jovem livre de qualquer compromisso.
Havia mais de cem duendes sentados em banquinhos altos atrás de um longo balcão, escrevendo em grandes livros-caixas, pesando moedas em balanças de latão, examinando pedras preciosas com óculos de joalharia. Havia ao redor do saguão portas demais para contar, e outros tantos duendes acompanhavam as pessoas que entravam e saíam por elas. Se aproximaram de Grimm, que os olhava por cima de seus óculos. Estava sentado no centro do balcão, observando uma pasta com documentos.
– Bom dia, Grimm. — Cumprimentou Fleamont – Como vai?
– Bom dia, Sr. Potter. – Respondeu o duende, deixando de lado os documentos e olhando para o Auror – Veio por causa daquele assunto?
– Sim. – Respondeu Fleamont, se afastando pata o lado, para que o duende visse Severus e Eilleen – São Eilleen Prince e Severus Snape, não sei se você se recorda deles.
– Sei quem são. – Respondeu Grimm, pegando na pasta e cumprimentou – Srta. Prince. Sr. Snape. Um gosto em revê-los.
– Bom dia, Grimm. – Saudou Eilleen enquanto Severus acenava com a cabeça. – Obrigada pela disponibilidade. Sei que tem muito trabalho.
– É um prazer. - O duende desceu da cadeira e pediu:
– Sigam-me, por favor. – Eles o acompanharam a uma das portas que havia no saguão. Grimm segurou a porta aberta para eles passarem. Agradeceram, e se viram em uma passagem estreita de pedra, iluminada por archotes chamejantes. Era uma descida íngreme, em que havia pequenos trilhos. Grimm assobiou e um vagonete disparou pelos trilhos em sua direção. O duende embarcou primeiro, sendo seguido por Fleamont, Eilleen e, por ultimo, Severus. Eles se seguraram o melhor que podiam, e partiram.
A princípio, apenas viajaram em alta velocidade por um labirinto de passagens cheias de curvas. Severus adorava andar de vagonete, era uma sensação libertadora, e rara para ele. Sentiu seus olhos ardendo pelo frio, mas não os fechou. Queria saber em que cofre eles parariam. Passaram por um fim da passagem e viram uma labareda. Severus sempre se tinha perguntado se haveria ali um dragão. Ele passara horas conversando sobre esse assunto com Lily, mas nunca tinham chegado a um consenso. Sua amiga não acreditava que os duendes pudessem escravizar uma criatura mágica e Severus achava que um dragão era uma excelente proteção para um banco.
Mergulharam ainda mais fundo, passaram por um lago subterrâneo onde se acumulavam no teto e no chão enormes estalactites e estalagmites. Severus olhou para cima, vendo que já tinham descido vários andares. Finalmente, o vagonete afinal parou ao lado de uma portinhola na passagem.
Severus olhou para o cofre à sua frente, o número 972 brilhando timidamente sobre a luz. Saíram do vagonete, vendo a enorme porta de ferro, com seus linhas circulares de vários tamanhos. Ele nunca tinha visto uma porta daquelas e ficou curioso. Tentou observar as portas do lado, mas não tinha luminosidade suficiente para fazê-lo. Grimm, ajeitando os documentos debaixo do braço, se virou para ele e disse, enquanto lhe oferecia uma agulha esterilizada.
– Pique seu dedo e pouse no círculo mais pequeno. – Snape respirou fundo e olhou para sua mãe, que lhe deu um pequeno sorriso encorajador. Fleamont se encontrava ao lado dela, a apoiando.
Pegou na agulha, sentindo sua frieza, e picou o dedo indicador. Viu uma gota de sangue se formando e entregou a agulha ao duende, que pegou nela com um lenço e a embrulhou, voltando a guardá-la no bolso. Apertou o dedo com força, vendo uma gota vermelha se formando, e pousou na porta.
– Deixe ficar uns minutos para o sangue ser absorvido. – Indicou Grimm, observando com toda a atenção a porta de ferro. Snape sentia o tempo passando e a porta não se mexia. Olhou para sua mãe, que tinha uma expressão ansiosa no rosto. Sentia seu braço doendo, ficando a cada minuto cada vez mais pesado.
– Vai demorar muito? – Perguntou ao duende, que não deixava de olhar a porta.
– Não lhe posso responder a isso. – Comentou ele, friamente – Normalmente, não costumamos fazer esse tipo de teste. Na realidade, é a primeira vez que estou a assistir a um.
– É que… - Começou ele, mas foi interrompido quando sentiu seu dedo formigando. Era uma sensação desconfortável, e soltou um silvo.
– Tudo bem? – Perguntou Fleamont, preocupado, vendo os lábios contorcidos do garoto. A seu lado, Eilleen se remexeu, olhando desconfiada para a porta.
– Está doendo. – Balbuciou Severus, sentindo seu sangue sendo sugado pela porta. Mordeu o lábio para não gritar. Os círculos de ferro, aos poucos, foram se enchendo de líquido avermelhado.
Eilleen deixou escapar um gemido, horrorizada, e tentou se aproximar de seu filho, mas o duende ordenou:
– Não faça isso! Seu filho vai quebrar a ligação e não poderá abrir a porta nunca mais!
– Mas o sangue está sendo sugado dele! – Exclamou Eilleen, sentindo Fleamont a segurando – Ele pode morrer!
– Isso não poderá ser possível.
– E pode me dizer o porque? – Perguntou ela ironicamente, tentando se desvencilhar do Auror.
– Embora essa proteção já não seja usada, foi durante muitos séculos e Grigotts não tem documentos que revelem que houve, de fato, mortes.
– Mas que alívio! – Exclamou Eilleen, deitando um olhar furibundo ao duende, que a ignorou. Olhava o quinto círculo sendo preenchido pelo sangue:
– Está quase… - Sussurrou, e a mulher parou de falar. Observaram, em suspense, o ultimo círculo sendo preenchido, lentamente, pelo sangue. Escutaram um clique e viram espantados, a porta se abrindo. Severus tirou o dedo e cambaleou para trás, sendo aparado por Fleamont. Grimm tirou do bolso do casaco uma poção de reposição de sangue e entregou ao Slytherin, que balbuciou:
– O-Obrigado. – Fleamont o ajudou a desenroscar a tampa e Snape bebia sofregamente sob o olhar atento dos mais velhos. Baixou os braços, sentindo o efeito imediato da poção. Como não tinha perdido muito sangue, a poção atuava mais rapidamente. Entregou o frasco a Grimm, que o guardou novamente. Se sentindo melhor, se afastou do Auror e olhou para o dedo, tocando nele, e vendo que já estava curado.
– Como se sente? – Perguntou Eilleen, acariciando os cabelos do filho, enquanto o observava com a atenção maternal – Você consegue andar?
– Sim. – Respondeu Severus, olhando para sua mãe e a acalmando – Estou bem, não se preocupe.
– A função de uma mãe é de preocupar. – Comentou Fleamont, calmamente, enquanto lançava sobre ele um feitiço diagnóstico. Vendo que ele estava bem, continuou – Se a minha ainda estivesse viva, estaria me paparicando.
Eilleen olhou para o filho e falou:
– Você é meu filho e eu sempre me irei preocupar…
– E aborrecer.
– Fleamont! – Gritou ela, empinando o nariz e lhe deitando um olhar atravessado, tão igual ao seu. Os dois homens a olharam, espantados. De imediato, adotou uma postura submissa e sussurrou:
– Me desculpe. Não deveria ter gritado com você. Foi indelicado de minha parte. Não voltará a acontecer, prometo.
Fleamont, em resposta, soltou uma gargalhada, e exclamou:
– Ai está o temperamento explosivo dos Prince. Estava pensando que você já o tinha perdido, Eilleen. – Se virou para Severus, que olhava espantado, toda a interação, e comentou:
– Há dias que estou tentando fazer com que sua mãe perca a paciência comigo, mas sem sucesso.
Eilleen revirou os olhos, ao mesmo tempo que Snape comentava:
– Nunca tinha visto minha mãe perdendo a paciência.
– Não era bom perder a paciência com seu pai. – Lhe lembrou sua mãe – Você sabe disso.
– É verdade. – Respondeu o Slytherin, olhando para a porta. O duende observava toda a interação com indiferença, querendo eles se despachassem para tratar de toda a papelada. Afinal, como todo o mundo sabia: "tempo é dinheiro". Mas não podia apressá-los. Eram clientes importantes e, se precisasse de ficar mais uma hora esperando para que eles se despachassem, fá-lo-ia.
Severus olhou para a porta entreaberta e respirou fundo. Ergueu a mão e a empurrou com força, escutando um longo guincho, enquanto era aberta. Uma enorme fumaça verde saiu e todos taparam a boca, se afastando. Snape ficou sem respirar, de olhos arregalados. Eilleen deixou escapar um soluço, lágrimas caindo copiosamente pelo rosto magro. Dentro do cofre havia montes de pilhas de moedas: colunas de ouro, prata e bronze. Sobrepostos em mobília do século XVIII, bem estimada, se encontravam guarda joias de cristal repleto de gargantilhas de diamantes, relógios de ouro branco, medalhões de prata, pulseiras e colares de pedras preciosas, tal como brincos e anéis, e broches.
Entraram e Eilleen soltou um suspiro, se dirigindo para uma caixa de veludo repleta de pó. Limpou rapidamente com a mão e a abriu, dando um sorriso triste. Severus se colocou ao lado da mãe, vendo uma bela tiara feita de safira, com um diamante azul em forma de gota, no centro.
– Ela está em nossa família há várias gerações. – Revelou ela, seus dedos passeando pela tiara – Foi usada em todos os casamentos de nossa família. Eu fui a única que não a utilizei. Não é linda?
– Sim, mãe. – Respondeu Severus e, deixando sua mãe imersa em memórias, passeou pelo cofre. Viu o brasão do Prince fixado em uma das paredes do cofre. Havia também estantes com livros de capa dura, armários com capas de seda, sapatos de veludo, bastões de ouro, loiça de prata, candelabros e cálices de ouro. Tapetes orientais enrolados e encostados à parede. Tudo aquilo valia fortunas. Observou os livros vendo que, muitos deles, eram em inglês antigo.
– Severus! – Chamou sua mãe e ele se dirigiu para ela. Eilleen pegou em sua mão esquerda, colocando o anel de família em seu dedo anelar. Snape o observou, tocando com cuidado no emblema. Conhecia bem aquele gênero de anéis. Todos seus colegas puro sangue, ou que viessem de boas famílias, tinham um. – É seu.
Fleamont, que estava observando uma das caixas de cristal, se dirigiu para eles e comentou:
– O anel dos Prince. Há muitos anos que não o via. Seu avô andava sempre com ele, nunca o largava.
– Conheceu meu avô, Sr. Potter? – Perguntou Severus, curioso – Como ele era?
– Um homem rígido demais. – Respondeu Fleamont – Frio. Calculista. Um verdadeiro Slytherin. Era extremamente perfecionista, queria tudo em ordem…
– Autoritário. – Continuou Eilleen – Era uma pessoa que não podia ser contrariada, em nenhuma circunstância.
– E minha avó?
– Uma mulher encantadora. – Comentou o Chefe dos Aurors – Carinhosa com todos e odiava guerras. Seu avô nunca a amou e ela se ressentiu. Faleceu pouco depois de Eilleen ter fugido de casa, de tristeza.
Snape viu sua mãe baixando o rosto e olhou em volta. Tinha certeza que seu avô o odiaria por ser mestiço.
– E quanto à Mansão? Há uma mansão, certo?
– Sim, há. – Respondeu sua mãe – Ainda está intata, mas precisa de ser remodelada.
– Estamos pensando em comprar tudo novo. – Disse o Auror – Muita mobília está partida ou rachada.
– Acessos de fúria de papai. – Suspirou Eileen, abanando a cabeça – Sempre teve um temperamento difícil.
– Dentro de poucos meses tudo estará como novo. – Fleamont continuou – E vocês já poderão lá morar.
O coração de Severus deu um salto com essas palavras. Finalmente, ele e sua mãe teriam um lugar só deles.
– Muito bem. – Disse, olhando para o duende, que estava à entrada da porta – Irei receber alguma chave?
– Não, senhor. – Respondeu Grimm – Chaves só são usadas em cofres de segurança mínima. Como esse cofre é de segurança máxima, só poderá ser aberto por um duende.
Severus tocava nas moedas distraidamente, mas não derrubando os montinhos- Sua mãe tirou de dentro do bolso da túnica um saquinho de couro e estendeu ao filho, perguntando:
– Quer levar dinheiro com você? Para comprar roupa nova?
Severus olhou para o saco, antes de pegá-lo e enchê-lo com sicles, nuques e, principalmente, de galeões. Com o saco abarrotando e pesado, o guardou no bolso de suas calças. Eilleen também pegou em umas moedas para suas despesas e perguntou:
– Vamos?
– Sim, mãe. – Respondeu e Slytherin. Saíram do cofre, observando como era selado e entraram no vagão.
– Sr. Snape, terá de assinar uns documentos e depois poderá ir embora. – Informou o duende e Severus respondeu:
– Sim, senhor. – Puxou a alavanca, fazendo o caminho inverso. Severus se segurou com força, vendo como subiam rapidamente. Ao chegarem ao topo, saíram a passos bamboleantes. Se dirigiram para o balcão, onde Grimm lhe passou um frasco com uma pena e a pasta com os documentos. Lhe explicou rapidamente onde teria de assinar e ele obedeceu. Sua mão tremia, emocionado, embora seu rosto estivesse impassível. Nunca mais precisaria de usar aquelas roupas gastas, nunca mais precisaria de escutar Tobias os insultando, nunca mais precisaria de ouvir seus colegas rindo dele por usar materiais de segunda mão. Enquanto assinava seu nome, Severus soube que, nunca mais, teria medo de tentar ser feliz.
Continua…
Nota da Autora: Oi! Espero que tenham gostado do capítulo!Ficaram contentes por Severus ter conseguido abrir o cofre? Agora nosso Slytherin não precisará de se preocupar com dinheiro, nem com a segurança de sua mãe. Não tenho certeza de quando poderei postar o próximo, mas espero que seja em breve. Espero ansiosamente vossos comentários! Bjs :D
