Capitulo XXIII
Mary Jane mais uma vez deixou a comida no prato, olhando para tudo sentindo vontade de vomitar.
- Mary Jane, tens de comer alguma coisa! – disse Pansy mostrando-se preocupada com a amiga, pois havia já mais de duas semanas que ela não comia nada como devia ser, saltando imensas refeições
- Não estou com fome... – disse M.J. levantando-se – vou dar uma volta...
Pansy ficou a ver a amiga sair do salão e suspirou. Ela andava estranha. Desaparecia durante a noite, atrasava-se para as aulas, faltava a outras, estava a começar a ficar cada vez mais pálida, indo aos poucos perdendo aquela beleza que ela tinha... mas o olhar era o que mais magoava Pansy, pois era triste e vazio sem o brilho alegre e que parecia esconder segredos de antes M.J. tinha. Além de serem agora poucas as vezes em que ela sorria. Pansy tinha notado que às vezes ela entrava nas aulas com um pequeno sorriso, mas não durava muito. Na realidade parecia que depois da morte do Draco, a Mary Jane ia morrendo aos poucos.
M.J. caminhava sem rumo pelos corredores do castelo, sem dar importância para onde se dirigia ou quem passava por ela, pensando unicamente que não podia continuar mais com aquela dúvida... ela tinha de procurar um médico e quanto mais depressa isso acontecesse melhor, mas ela tinha de falar com Dumbledor para lhe pedir autorização, pois uma coisa era faltar às aulas da manhã ou da tarde, e outra era faltar o dia inteiro e talvez parte da noite, além de que as visitas a Hogsmeade tinham sido canceladas depois da morte de Draco.
Ela sentiu o seu coração pesado e as lágrimas nos olhos mas fechou-os rapidamente. Não iria derramar mais lágrima nenhuma, tinha de continuar em frente, tinha de ser capaz de o fazer por ele...
Ela virou para um corredor e depois de tocar numa estátua passou por uma passagem secreta que ia ter directamente ao gabinete de Dumbledor. Ao chegar lá viu que este se encontrava vazio, a não ser por Flawkes que a olhou e piou cumprimentando-a.
- Olá Flawkes! Preciso de falar com o Professor... – disse M.J.
A fénix levantou voo e M.J. seguiu-a entrando numa sala pequena mas aconchegante, que tinha várias janelas, e uma delas estava aberta dando para uma varanda onde se encontrava Dumbledor.
Este virou-se para ela e sorriu-lhe, sem se mostrar surpreso por ali a encontrar.
- Mary Jane... – cumprimentou Dumbledor
- Professor... – cumprimentou também M.J. avançando para o seu lado e ficando maravilhada com aquela vista – é linda a vista...
- É verdade, mas acho que não vieste falar disso...
- Vinha-lhe pedir autorização para visitar um médico muggle...
- Porquê?
- Não tenho andado a sentir-me bem, e tenho medo que se contactar um medibruxo qualquer notícia sobre o que eu possa ter se espalhe pelas revistas e jornais.
- Compreendo... Terás então a autorização logo à noite que te dispensa das aulas amanhã – disse ele
- Obrigada Professor...
- Mas terás de levar um acompanhante...
- Pode ser um aluno? – perguntou M.J. depois de fazer uma careta
- Sim!
- Zac McKenzie
Dumbledor olhou-a com olhos brilhantes e inteligentes por cima dos óculos de meia-lua durante alguns momentos mas assentiu, e M.J. despediu-se dele e caminhou para fora do gabinete, notando que ia chegar atrasada à aula de DCAT's e por muito que não lhe apetecesse aturar Snape, tinha de ir pois tinha que treinar a irmã, que se recusava a treinar para ter controlo sobre os seus poderes... poderes esses que tinham matado Draco.
- Menina Mary Jane, está atrasada 5 minutos, por isso serão menos 5 pontos para os Slyntherin – disse Snape depois de lhe abrir a porta e permitir que ela entrasse
Todos ficaram espantados ao verem que M.J. não dizia nada, simplesmente assentia e se sentava nas últimas carteiras da aula, em vez de se sentar ao pé do grupo habitual agora sem a presença de Draco Malfoy.
Snape também estranhou aquele comportamento mas não disse nada e continuou a explicar a matéria, enquanto M.J. passava para um pergaminho tudo o que estava no quadro preto, sem participar na aula. Hayden olhava de vez enquanto para ela mas não fazia nenhuma tentativa para falar com a irmã, era algo que já não valia a pena fazer, depois de esta a ter começado a ignorar, logo a seguir à morte de Draco.
- Agora vão juntar-se em grupos de dois e treinar o feitiço de ataque e de protecção – disse Snape
Os alunos levantaram-se arrumando as suas coisas enquanto as mesas desapareciam. M.J. viu que a irmã ia fazer par com Zac contrariada e então fez um gesto a Pansy para a seguir.
- Zac importas-te antes de fazer par com a Pansy? – perguntou M.J. pondo-lhe uma mão sobre o braço esquerdo
- Como queiras...
- Depois tenho de falar contigo... – disse M.J. recebendo um aceno de cabeça dele e vendo-o partir para a outra ponta da sala com Pansy, depois olhou para Hayden – Está na hora de vermos de que material és realmente feita. Ataca-me como quiseres e com o que quiseres...tenta acertar-me se conseguires!
- Não vou fazer nada disso M.J.! – disse Hayden ficando pálida
- Não percebes-te? Não te estou a pedir, ESTOU A MANDAR!! – disse M.J. chamando a atenção dos alunos mais próximos, e mexendo uma mão fazendo com que Hayden voe contra uma parede – Por ignorares os teus poderes é que aconteceu o que aconteceu, não permitirei que os ignores de novo e aconteça uma catástrofe. ATACA-ME!
Hayden levantou-se e começou a atacar M.J. que se defendia com rapidez, chegando a desviar-se de alguns feitiços, e obrigando a irmã a concentrar-se mais, atacando e protegendo-se ao mesmo tempo.
- Está atenta Hayden! – disse M.J. – Concentra-te no que te rodeia e tira partido disso!
Todos foram parando aos poucos de treinar e observavam antes as irmãs, em que Hayden parecia estar a ter cuidado e M.J. parecia querer mata-la.
Hayden não fez nenhum movimento e pensou num feitiço acabando por quase acertar M.J. que se protegeu.
- Pensei que servisses para mais alguma coisa além de enfeitar o mundo, mas parece que me enganei – disse M.J. friamente – Não mereces o dom que tens!
E então todos os alunos só viram Hayden voar alguns metros e ir contra uns armários acabando por desmaiar, enquanto M.J. pegava nas suas coisas e saía da sala de aula.
- Levem a Hayden para a enfermaria e estão todos dispensados! – disse Snape
Todos os alunos o olharam espantados, mas não esperaram para fazer aquilo que ele dizia uma segunda vez, não fosse ele mudar de ideias.
- Mas o que se passa com a M.J.? – perguntava indignado Harry
- Sabes bem como ela mudou desde que o Draco morreu... – disse Hermione
- Mas isso não é desculpa para tentar matar a Hayden! – disse Ron
- Ela não está a tentar mata-la... – disse Zac – vocês sabem que a Hayden tem certos poderes e se ela não os aprender a controlar e a usar correctamente o resultado foi aquele que vocês viram, e é isso que a M.J. está a tentar que não aconteça, tentando treinar a irmã...
- Não me parece nada um treino... – disse Harry
- A Mary Jane tem andado muito em baixo – disse Pansy por trás deles – além de não se andar a alimentar como deve ser, mas ela seria incapaz de fazer mal à irmã...
Eles calaram-se e continuaram o caminho indo até à enfermaria para verem Hayden, já que a aula de Snape tinha acabado e Transfiguração só fosse dali a meia-hora.
M.J. estava à porta da enfermaria a espreitar lá para dentro. Ela não queria ser tão dura com a irmã mas parecia que só assim ela entendia, então tinha de se habilitar, no entanto ela também estava à espera de Zac, pois sabia que ele ia ver a irmã.
M.J. suspirou e tentou controlar o enjoo. O cheiro da enfermaria estava a dar-lhe cabo da cabeça...e do estômago.
Zac viu M.J. encostada à parede com olhos fechados e pálida, assim como os outros que se aproximaram rapidamente dela.
- Mary Jane! – disse Zac
- Eu disse-te para comeres! – disse Pansy
- Isto não é nada... – sussurrou fracamente M.J.
- Estás demasiado pálida para estares bem! – disse Harry
- Eu estou bem! – disse M.J. abrindo os olhos e endireitando-se a custo – posso falar agora contigo num instante Zac?
- Claro... – disse ele, e os dois afastaram-se um bocado do grupo – o que se passa?
- Amanhã tens de ir comigo ao médico...
- Mas estás perto da enfermaria...
- Eu não sei o que tenho Zac, e começo a ter desconfianças, e se for o mais certo, não quero que ninguém em toda a comunidade bruxa tenha conhecimento, percebes?
- Vais então a hospital muggle?
- Exactamente...Já falei com o Dumbledor e ele dá-nos autorização, daqui a pouco recebes a coruja com todas as informações assim como eu.
- Mas o que tens? – perguntou Zac preocupado e agarrando-lhe um braço – estás mais magra...não te tens alimentado?
- É claro que me tenho alimentado, agora deixa-me ir...
- Não vais ver a tua irmã? – perguntou ele, quando ela já estava um pouco afastada
- Não...isto vai ficar mais sério do que devia Zac, e se eu quero que funcione tenho de agir assim
- Só estás a fazer asneira...
M.J. encolheu os ombros. Ela importava-se com o que fazia à irmã mas havia coisas que tinham de ser sacrificadas e aquela era uma delas.
-
As ruas de Londres estavam apinhadas de gente, mas pela primeira vez em semanas, M.J. sentia-se normal e descontraída assim como Zac, que estava ao seu lado. Ele olhava-a de vez enquanto para se certificar de ela estava realmente bem, pois o tom pálido da pele dela e aquelas olheiras não eram muito normais.
M.J. parou em frente a um edifício totalmente branco com janelas em azul-escuro, e onde estavam algumas placas, ela olhou para elas e depois entrou no edifício, Zac seguiu-a, depois de também olhar as placas e de ter reconhecido o nome do médico.
Tinha sido o mesmo que segundo a Mãe lhe tinha assistido ao parto, mas ele não era bruxo?
Eles entraram num elevador e subiram até ao piso 5, entrando depois numa porta que estava aberta e onde se viam algumas pessoas. M.J. aproximou-se da secretária.
- Bom-dia! Tenho consulta marcada para o Doutor Cullen. – disse M.J.
- Chegou mesmo a tempo! – disse a secretária sorrindo – dentro de 10 minutos será atendida.
- Obrigada! – disse ela assinando depois um papel e virando-se para Zac – podes entrar comigo?
- Posso – disse Zac sorrindo tranquilizador, pois via que ela estava nervosa e agarrou-lhe numa mão, nesse momento o médico chamou-a e os dois dirigiram-se a ele
- Entrem, entrem! – disse o médico que era um homem de 30 e poucos anos, cabelo loiro acastanhado, olhos dourados, vestido com uma camisa azul clara, e umas calças de fato cinzentas, trazendo por cima a bata branca.
- Então diz-me o que se passa M.J. – disse Cullen
- Não me tenho andado a sentir muito bem, e tenho a menstruação atrasada... quero fazer o teste... – disse de uma só tirada M.J., surpreendendo Zac que depois daquilo arregalou os olhos de choque.
- Muito bem... Vais então dar um bocadinho de sangue e depois do almoço apareces ok? – perguntou Cullen
M.J. assentiu e seguiu-o para uma sala onde lhe tiraram o sangue para fazerem o teste, e depois foi-se embora com Zac.
- Achas que podes estar...
- Aqui não, Zac! Mas sim acho... – disse M.J. olhando para algumas montras
- É do Draco?
- Quem me dera...
- Então de qu-...Não...tu...
- Sim... Ele consolou-me sem me pedir nada, eu é que quis... – disse M.J. olhando nos olhos de Zac com algumas lágrimas – por favor não me julgues Zac!
- Seria incapaz de o fazer M.J., mas fiquei surpreso, porque tu dizias...
- Eu sei o que dizia, porque achas que estou como estou?
- Foi planeado?
- Nem pensar! – disse M.J. – Mas se tiver, não estou muito preocupada...ele não será igual ao pai. Prometo-te!
Zac assentiu e os dois continuaram a ver as lojas, comprando algumas coisas, e depois foram almoçar num restaurante muggle. Quantas menos pessoas soubessem que eles não estavam em Hogwarts melhor ainda.
A hora de almoço passou rápida e com facilidade, já que a conversa fluía com naturalidade. Quando saíram do restaurante, M.J. deu a mão a Zac e apertou-a com nervosismo.
- Calma, ruiva! Vai dar tudo certo! – disse ele sorrindo
- Assim o espero! – disse M.J. com um sorriso fraco e pensando no que iria fazer quando soubesse se as suas suspeitas tinham ou não fundamento.
Eles entraram no consultório e foram levados até o gabinete do médico que assim que os viu entrar abriu um enorme sorriso.
- O que vão querer? Menino ou Menina?
-
A noite acabava de chegar a Hogwarts quando M.J. e Zac chegaram em silêncio, e mal tinham dado um passo para o Salão Grande, quando apareceu Snape.
- O Dumbledor quer falar com vocês.
Eles seguiram Snape até ao gabinete do professor que assim que os viu entrar encarou logo M.J..
- Professor obrigada por me ter deixado sair da escola, e devo também já pedir-lhe que me deixe sair e dispense da Ordem de Fénix como espiã ou outra coisa qualquer, e me deixe fazer os exames finais quando a altura chegar, pois daqui a dois meses abandonarei a escola. – disse M.J.
- Então o verídico do médico foi? – perguntou Dumbledor
- Gravidez, e o filho não é do Draco... – disse Mary Jane com toda a calma que ainda possuía e também com desafio.
- Suponho que será então do Tom… - disse Dumbledor
Mary Jane assentiu sem deixar de o olhar, até que Zac pigarreou.
- Se a M.J. vai ser dispensada, eu pedia para que acontecesse o mesmo comigo, Professor. – disse Zac
- Lamento Zac, mas não te posso dispensar agora. – disse Dumbledor – ainda queremos saber algumas coisas sobre Basilisk Hall, e tu terás de nos ajudar, no entanto assim que a M.J. sair de Hogwarts, tu sairás da Ordem.
- Obrigado Professor! – disse Zac olhando depois para M.J. sorrindo-lhe levemente
- Mas não deixarás de ter uma missão mais importante que começa a partir de agora… - disse Dumbledor observando os dois adolescentes por cima dos óculos de meia-lua – irás certificar-te que a Mary Jane se alimenta como deve ser e que descansa também…
- Eu não sou de Slytherin para saber isso… - disse Zac – como quer que eu saiba que ela está a dormir?
- Lá terás os teus recursos, McKenzie. – disse Snape olhando-o com neutralidade
- Era só o que me faltava agora… - resmungou Zac cruzando os braços sobre o peito – agora tenho de cuidar de duas Bulstrode, que ainda por cima são irmãs e são dois furacões!
- Estás a queixar-te do quê, Zac? – perguntou M.J. olhando-o de lado
- Nada, nada… - disse ele olhando-a também de lado
- Chamei-vos também aqui ao gabinete, não só para saber o diagnóstico do médico, mas também porque fui informado que a Mary Jane, quase que ia morto a sua irmã… - disse Dumbledor olhando com seriedade para M.J. que simplesmente olhou amuada para Snape
- Eu não estava a tentar mata-la, estava a tentar treina-la, estava a fazer com que ela reagisse a algo sem ajuda da varinha, mas parece que ela está empenhada em fingir que não tem dons. – disse M.J.
- Isso é algo que só a ela diz respeito – disse Dumbledor
- E exactamente por isso é que o Draco Malfoy morreu! – disse Mary Jane levantando-se da sua cadeira abruptamente – Eu posso perdoar a minha irmã devido à morte do Draco, mas não me peça para perdoa-la se outra morte se der, só porque ela não teve controlo sobre si.
- Por favor Mary Jane, senta-te! – pediu ordenando Dumbledor
- Desculpe professor mas estou com fome e cansada. Com licença… - e dizendo aquilo virou costas aos três homens e desapareceu na passagem da estátua de Fénix
- Como ela é teimosa… - disse Dumbledor suspirando, fazendo com que Zac o olhasse com espanto – é a verdade Zac, ela é tal e qual o pai…
- A mãe também tinha a sua dose de teimosia… - disse Snape
- Sim… - concordou Dumbledor
- Ou seja, as Bulstrodes tem a teimosia toda que existe nos Black e nos Potter! – disse Zac sorrindo – se não precisa de mais nada professor eu ia também comer alguma coisa…
- Só te peço que andes de olho na Mary Jane. – disse Dumbledor
Zac assentiu e saiu do escritório pelo mesmo caminho que Mary Jane, dirigindo-se directamente para a cozinha.
-
Os dois meses tinham passado a correr, e todos os professores já estavam avisados da condição de Mary Jane, por isso sabiam que na próxima visita a Hogsmeade ela não iria regressar.
Mary Jane estava a arrumar uma pequena mala, com alguns dos seus pertences, enquanto uma outra já estava encolhida e dentro da mala também, quando Pansy entrou vestida normalmente.
- Pronta para irmos até Hogsmeade e nos divertirmos?
- Mais preparada era impossível, deixa-me só acabar de arrumar aqui isto… - disse ela metendo na mala um lenço e fechando-a depois, para olhar à volta
Não ia levar os uniformes da escola. Não iria adiantar leva-los para onde ela ia, portanto agora sim tinha tudo pronto. Dirigiu-se à secretária que estava num canto e tirou de lá, uma carta.
- Podes ir andando Pansy? Queria ir num instante ao escritório do Dumbledor. – perguntou Mary Jane
- Ok… estou à tua espera lá em baixo!
Pansy saiu do quarto achando a atitude de M.J. estranha. Ela parecia estar a fazer as malas ou algo do género, e o olhar dela, parecia que se estava a despedir. Ela franziu o sobrolho. Será que ela ia abandonar a escola, agora que Draco estava morto?
Mary Jane esperou uns momentos, para depois pegar no seu casaco e na sua mala e sair do quarto e da torre olhando aquilo tudo, pelo que iria ser a última vez.
Ela dirigiu-se para um corredor, tocando numa pedra e abrindo uma passagem, que ia dar à torre de Grynffidor. Entrou lá discretamente e viu que não estava ninguém na sala, então começou a subir as escadas atenta às vozes. Ela sabia que pelas horas a irmã já estava em Hogsmeade, portanto ia ser fácil.
Ela aproximou-se do quarto e pôs-se à escuta, parecia que estava vazio, abriu a porta e comprovou que assim era. Aproximou-se da cama da irmã e poisou lá uma carta. Sentiu as lágrimas virem-lhe aos olhos mas respirou fundo e nada disso aconteceu. Virou-se e saiu do quarto tão atenta e silenciosamente como tinha entrado.
Dirigiu-se para a entrada, e viu que Pansy, Blaise, Luna e Zac estavam lá a conversar.
- Então vamos? – perguntou ela sorrindo-lhes e olhando mais insistentemente para Zac dando-lhe a entender que depois queria falar com ele
- Já não era sem tempo, ruiva! – disse Blaise sorrindo
- Desculpe, sua alteza pela demora – disse Mary Jane sorrindo com ironia para Blaise, arrancando-lhe uma gargalhada
- Estás desculpada!
- Ok…se já se deixaram de criancices podemos ir andando? – perguntou Pansy sorrindo-lhes
Eles assentiram e encaminharam-se para a única carruagem que ali estava, chegando pouco depois a Hogsmeade a falarem alegremente.
Blaise, Luna e Pansy foram os primeiros a sair, sendo seguidos de Zac que ajudou Mary Jane a sair da carruagem, e que se apoiou depois no braço dele.
- Aonde é que vamos? – perguntou ela
- Loja de Doces e depois Três vassouras! – disse Blaise
- Eu dispenso a loja de doces, fico cá fora à vossa espera – disse Mary Jane com uma careta
- UAU! – disse Luna olhando séria para M.J. – Tu nunca recusas-te um doce!
- Ainda ontem comi uns quantos e fiquei um pouco agoniada… - disse M.J. sorrindo
Luna pareceu acreditar, assim como Blaise e Pansy, se bem que estes últimos a olhassem mais atentamente. Quando eles começaram a andar, M.J. fez com que Zac ficasse um pouco mais para trás.
- Vou-me embora hoje… - disse ela baixinho
- Hoje? Já passou assim tanto tempo?
- Já não notas a minha barriga? – perguntou ela evidenciando-a um pouco com vaidade. Nunca imaginaria que iria gostar tanto de sentir um filho de Tom dentro de si, mas a verdade é que depois do choque de saber que estava grávida, ela tinha começado a amar aquele bebé - além disso está na hora de o Tom saber o que se passa.
- Ele tem andado feito louco à espera de noticias tuas, e tem me também enlouquecido a mim! – resmungou Zac
- Desculpa Zac! – disse ela sorrindo – deixei uma carta à Hayden, mas não lhe contei porque me fui embora, e espero que também não o faças. Estou a contar também que concordes com tudo o que lá está. Ela irá com certeza mostrar-te a carta.
- Isso significa problemas para mim?
- Não…acho eu! – disse ela pensativa e olhando para a frente, vendo adolescentes passarem por eles alegremente conversando – quando vocês entrarem na loja eu vou dirigir-me à cabeça de javali e vou para Basilisk Hall, se as coisas lá não correrem bem, partirei para a Itália.
- Vais por via Flu?
- Infelizmente! Mas só vou por esse meio para BH e depois para sair de lá, caso as coisas se compliquem… – disse ela resmungando e olhando-o depois com sinceridade nos olhos – obrigada Zac…vais ver-me depois?
- Podes apostar nisso! – disse ele sorrindo – Adeus Mary Jane! Até daqui a pouco.
Ele deu-lhe um beijo na testa e afastou-se dela falando com as outras três pessoas animadamente distraindo-as. Viu-os a entrarem na loja, e acenou-lhes sorrindo. Quando os viu distraídos dirigiu-se com cuidado para o Cabeça de Javali, tendo o cuidado de não ser vista.
Ela entrou e dirigiu-se ao balcão.
-
Mary Jane utilizou o pó Flu, uma vez que aparatar estava fora de questão e aterrou exactamente no escritório de Tom, onde ele tinha estado até ao momento de volta de uns papéis.
Ele tinha levantado o olhar sobressaltado pegando na sua varinha, pronto a defender-se, quando viu que era unicamente Mary Jane. Mas o que estava ela ali a fazer?
- Reparo – disse ele apontando a sua varinha às roupas dela, que não passava de umas calças de ganga um pouco largas com uns ténis, uma camisa de magas largas com decote em barco, e uma capa de meia estação. Tudo aquilo era de cor preta. O cabelo estava solto.
- O que fazes aqui? – perguntou ele curioso, obrigando-se a permanecer no mesmo sitio apesar de estar ansioso por a abraçar
- Tenho de falar contigo sobre algo que é urgente… - disse ela caminhando até a mesa dele nervosa e contornando-a depois para se sentar no colo dele, fazendo com que ele a olhasse incrédula
- Estás bem? Estás doente? O que se passa? – perguntou ele aflito, mas ficando depois sério e utilizando uma voz fria – espero bem que isto não seja uma armação!
- Não é Tom garanto-te, mas tenho de te perguntar algo…
Tom olhou-a curioso, mas passou os braços pela cintura dela e depois deixou-se relaxar na cadeira arrastando-a com ele e esperando.
- Se por um acaso tu soubesses que tens um filho algures, como reagirias?
Tom ficou logo rígido sobre a cadeira, e fez com que ela se levantasse para ele se levantar e começar a andar de um lado para o outro preocupado.
- A que propósito vem agora essa pergunta? – perguntou ele olhando-a sem saber como reagir, e vendo que ela estava pálida, e magra devido a não comer encondições porque…a comida a enjoava? Ela vomitava de manhã aquilo que não tinha no estômago? Ele olhou-a com mais atenção e fez contas – Mary…tu…tu estás…gr-grávida?
Mary Jane levantou-se da cadeira e deu dois passos na direcção dele.
- Estou, e não é do Draco, Tom… é teu! – disse ela sorrindo levemente
- Não pode ser meu! – disse Tom de repente – nós tomámos cuidado!
- Parece que não foi o suficiente… o que se passa Tom?
- Eu não quero esse bebé… vais ter de o tirar! – disse ele decidido
- Não posso Tom! O tempo de interromper a gravidez já passou, e mesmo que isso não tivesse acontecido, eu ia querer este filho! – disse ela com lágrimas nos olhos mas recusando-se a derrama-las – mas já percebi que não passei de um corpo para ti! Pois muito bem, não precisas de te preocupar, eu e o MEU filho vamos desaparecer para sempre da tua vida!
Ela virou costas saindo rapidamente do escritório, deixando um Tom sem reacção para trás.
A Mary Jane estava grávida? Dele? E não se importava? Se ela não se importava então porque ele iria fazer o mesmo?
Ele sorriu e saiu atrás de Mary Jane vendo que ela entrava no quarto dela. Quando abriu a porta suavemente ouviu-a a resmungar.
- Se ele não queria o bebé bastava ter dito, não obrigada, mas agora matar o bebé? Ele é realmente um monstro… - e dizendo aquilo começou a chorar
Tom não aguentou vê-la assim e entrou no quarto dirigindo-se a ela suavemente e abraçando-a por trás fortemente contra o seu corpo.
- Desculpa Mary! Apanhaste-me distraído, era algo que não esperava, mas estou orgulhoso e contente com a noticia – disse junto do pescoço dela
Ela virou-se para ele olhando-o nos olhos.
- Estás mesmo? – perguntou ela, recendo um aceno positivo de cabeça – Tive medo de te contar Tom, quando agiste daquela maneira fiquei destroçada…
- Eu fiquei sem saber como agir, não era algo que eu esperasse… eu não quero que o meu filho se decepcione comigo ou siga as minhas pegadas…
- Eu vou fazer de tudo para que isso não aconteça Tom. Vou fazer com que ele se orgulhe de ti, e siga um caminho que te recusas-te a seguir! – disse M.J. com decisão
- Obrigado! – disse ele escondendo a cara no pescoço dela durante alguns minutos até que se afastou preocupado – já foste ao médico? Está tudo bem? Tens te alimentado, descansado como deve ser?
- Estou óptima Tom! – disse M.J. sorrindo-lhe e depois pegando nas mãos dele meteu-as sobre a sua barriga – aqui dentro está aquilo que sentimos um pelo outro. E garanto-te que da minha parte são tudo coisas boas!
- Das minhas também!
Eles sorriram um para o outro, olhando-se nos olhos. Não precisavam de palavras. Tom amava-a e isso chegava-lhe. Mary Jane sentia carinho por ele e isso chegava-lhe. Podiam não amar-se como devia ser esperado de um casal que está à espera de um filho, mas ao menos compreendiam-se e tinham amizade um pelo outro.
-
Hayden entrou na sala comunal dos Gryffindor acompanhada de Harry e Ginny, mas foi logo bombardeada pelo Ron e a Hermione.
- Hayden ainda bem que chegas-te! – disse Hermione séria
- O que se passa? – perguntou ela preocupada
- A Hermione foi buscar os trabalhos de casa e encontrou sobre a tua cama, um envelope dirigido a ti… - disse Ron
- Um envelope? – perguntou incrédula Hayden
- E pela letra é da Mary Jane… - disse Hermione
Hayden não esperou duas vezes, afastou-os da sua frente e subiu as escadas, entrando no dormitório. Atrás dela vinham Ginny e Hermione, enquanto os rapazes ficavam na sala ansiosos por saberem o que se passava.
Hayden viu um envelope vermelho escuro sobre a cama com rapidez e tirou o pergaminho de lá de dentro.
"Querida Hayden:
Da janela do quarto do Draco, consigo ver a noite escura, mas estrelada, parecendo um belo manto mágico e único…
Lembras-te quando saiamos de casa às escondidas e corríamos pelos campos de noite e subíamos montes até encontrarmos um que fosse perfeito para podermos ver a noite estrelada e a lua cheia a iluminar a natureza com suavidade?
Tenho saudades desse tempo… porque tivemos de seguir a minha ideia e sairmos de lá? Talvez agora isto não nos tivesse acontecido e continuávamos com as nossas zangas… mas acho que mesmo que soubesse o que vinha no futuro, teria repetido tudo de novo.
Hayden, és uma das pessoas mais importantes para mim e lamento imenso o que esta carta te vai fazer…
Quando a leres muito provavelmente estarei longe de Hogwarts e longe de ti, não porque seja o que eu quero mas sim por necessidades do destino.
A morte do Draco, fez com que o meu coração se tornasse frágil, e eu experimentasse um ódio muito grande por alguém que amo verdadeiramente e por quem seria capaz de dar a vida, por isso me afastei de ti. Mas afasto-me agora porque é o melhor para todos…
Dá um enorme beijo a todos, e diz-lhes que mesmo estando longe vou estar de olho em todos, e sim também vou estar de olho em ti…
Perdoa o Zac, Hayden, porque eu já te perdoei a ti…
Amo-te muito…
Com carinho:
Mary Jane Potter Bulstrode"
Hayden sentiu as lágrimas escorrerem-lhe pela cara e caírem na carta. Ginny e Hermione aproximaram-se dela e abraçaram-na, lendo também a carta de M.J. e ficando chocadas com o seu conteúdo.
