N/A - Nesse capitulo a historia deixa de ser uma Fic, e passa a retratar uma história real.


Obrigada a todos que acompanharam, e principalmente as que comentaram. *-*

Pra quem não comentou : ainda há tempo.

Bjos (L)


Por trás da Fic – A verdadeira história.

Eu estava em uma fase ruim da minha vida. Já era o meu segundo ano de cursinho, e eu não estava animada quanto a isso. Minhas habilidades sociais eram (e talvez ainda sejam) dignas de Samantha (da fic), então eu não esperava fazer amigos nesse novo ano.

Só arrumei uma colega no cursinho, com quem eu não tinha absolutamente nada em comum, ela era simpática, religiosa e falava bastante. Totalmente o contrario de mim: arrogante, ateia e calada. Eu era agradecida por ela se sentar comigo, e até gostava dela, mas simplesmente não fazia sentido algum aquela parceria. Eu a transformei em Mikey.

Mikey se derreteu por um menino que chegou no meio do ano. Eu não gostei dele desde o início. Ele sentia a minha energia negativa e tinha certo receio de mim. O transformei em menina, sendo assim, nasceu Luisa.

O meu único consolo da época foi Twilight (Crepúsculo). Conheci o livro e me apaixonei completamente por ele, e o levava todos os dias ao cursinho para ler nos intervalos. Até que a minha obsessão por Twilight se tornou tão grande que eu encontrei personagens tão incomuns e deslocados quanto eles naquele lugar.

Na minha sala havia um grupo grande de orientais bem diferentes. Eles não pareciam se encaixar na cena, eles eram completamente alheios ao mundo todo ao redor deles, não pareciam notar qualquer pessoa que não tivesse estilo legal e olhos puxados. E foi assim que eles se tornaram os meus Cullen particulares.

Nesse grupo já tão incomum, um deles se destacava, não só pelo cabelo ou roupas, ou até do estranho acessório longo que pendurava na orelha, mas pelo o seu rosto. Sempre concordei com a frase "Japonês é tudo igual" mas esse garoto fugia completamente a regra! Ele tinha o nariz grande e um sorriso estranho, talvez fosse a posição dos dentes, ou por que eles eram um tanto afiados. Ele ainda era o mais alto do grupo, o que o fazia aparecer mais ainda.

Passei a ficar obcecada por aquele grupo e até nomeei quem cada um deles representava em Twilight.

O integrante do grupo que mais era aparente, depois do garoto de sorriso assustador, era Kevin. Ele era sem dúvida o garoto mais bonito da sala e, na minha opinião, do cursinho inteiro. Ele tinha uma postura reta e andava com elegância, aparentava ser um pouco arrogante e tinha uma pose de "não ligo para o que ninguém pensa de mim". Eu o achei semelhante a Rosalie.

Havia um garoto baixo com um piercing rosa na orelha, com o colar combinando. Ele tinha o cabelo curto e todo arrepiado que me lembrava irresistivelmente de Alice, ele também parecia muito animado e levava broncas de vez em quando por conta disso. Um dia ouvi o chamarem de Dan.

Eu morria de curiosidade para saber o nome deles, mas em cursinhos isso é praticamente impossível porque não existe chamada nem nada do tipo. Até que um dia, a senhora que dava recados chegou em cena, ela anunciou um nome muito estranho que eu não consegui entender. Ela o anunciou três vezes e ninguém se manifestou, até que ela perguntou:

Ele não é dessa sala?

E então o estranho garoto asiático levantou a mão e disse com seu sorriso assustador:

Sou eu!

Então eu segui para a caçada de seu nome no orkut. Procurei por Vier, Tier, Tiréh, e mais algumas variações. Eu não o encontrava... Até ele postar no tópico de nossa sala.

Thiers. Se eu soubesse o nome certo desde o inicio teria sido incrivelmente fácil encontrá-lo. Thiers não é um nome comum.

Logo avistei a foto de Kevin, e foi como descobri seu nome. Depois procurei por Dan, que eu já conhecia o apelido então foi fácil achá-lo.

Eles não eram os Cullen nem, tão pouco, vampiros. Mas eu já estava mergulhada na minha mais profunda fantasia e ninguém me tiraria da cabeça que eles eram os meus Cullen.

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Depois de ter lido Twilight pela milésima primeira vez, começou a perder a graça e senti necessidade de ler algo novo, sobre vampiros, sobre vampiros como os Cullen. Então eu decidi escrever um livro.

Tinha acabado de fazer 19 anos e estava horrorizada com a perspectiva de que teria 20 no ano seguinte. O meu maior desejo naquele momento era, como o de Bella, tornar-me vampira.

Então quis criar uma historia em que eu fosse vampira. Decidi que seria meio vampira, e que só aos vinte anos realmente seria uma vampira completa. Tentei enganar a mim mesma que ficaria ansiosa para os 20 esperando realmente me tornar vampira. Mas não consegui me enganar, e logo Samantha se tornou uma personagem diferente de mim.

Agora eu precisava que ela encontrasse em seu cursinho alguém que a entendesse, alguém como ela, um vampiro! Comecei a imaginá-lo como Gerard Way, mas não queria transformar essa história em outra fanfic do MCR.

Foi quando eu me lembrei de Thiers. Eu havia encaixado Thiers como o Edward dos meus Cullen orientais, o tamanho da minha deslumbração por ele era digna da de Bella por Edward. Então eu o fiz o vampiro da minha história.

Em pouco tempo decidi acrescentar Kevin e Dan ao grupo, afinal eles formavam um grupo realmente interessante. Senti necessidade de colocar uma menina no grupo, e lembrei de uma menina que sentava com eles de aparência adorável e fofa e a coloquei o nome de uma antiga amiga coreana minha, Hosun.

Eu adorava vê-los todos os dias. Sempre procurava onde eles estavam sentados quando eu chegava. Nas aulas em que eu não entendia nada eu me permitia viajar e olhar para eles o tempo todo. Imaginava cenas da história, tentava capturar a personalidade de cada um, pensava sobre o que eles falavam, o que gostavam de fazer, que tipo de música gostavam, como seria o som de suas vozes ou até se eles faziam se quer idéia de que eu os observava tão atentamente.

Eles nunca se sentavam perto de mim na sala, porém um dia Kevin e uma outra menina se sentaram na mesma fileira que eu, mas a várias carteiras de distancia.

Quando o sinal de retardatários tocou, outros do grupo começaram a chegar, e eles eram tantos que Thiers acabou se sentando ao meu lado. Passei o tempo todo em que ele esteve lá extasiada, vermelha e ansiosa. Os meus Cullen haviam se sentado ao meu lado! O que nunca mais aconteceu.

Quando eu saí pela porta da sala eu trombei com Thiers e Dan. Tecnicamente eu não trombei, eu fiquei a cerca de um metro de distância deles, mas o meu choque ao vê-los ali me encarando foi tão grande que se igualou a uma trombada. Thiers pela primeira vez olhou pra mim, timidamente, acredito eu que foi por achar estranho eu estar com um capacete de motoqueiro na mão que parece a mascara do Darth Vader. Mas ele me olhou, longamente, desde os meus olhos até em baixo, analisando a minha estranha figura inteira. Naquele dia eu estava com uma roupa chamativa, toda de preto com um cinto bem grande de caveira e sobretudo, isso sem contar o capacete, que se eu colocasse me tornaria o Darth Vander completo.

Dan olhou pra mim também, com uma expressão confusa, talvez a confusão fosse pela a minha cara de choque extremo de ver esses desconhecidos. Eles nunca haviam notado a minha existência até esse dia. Fiquei tão abobada no momento que perdi o senso de direção e quase atropelei Dan quando finalmente consegui me mover, se ele não tivesse se desviado eu o teria arrastado escada abaixo.

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No primeiro dia de aula depois das férias, quando eu fui buscar as apostilas novas na secretaria, eu fiquei petrificada ao ver Thiers e Kevin na fila, sendo que eu teria que ficar atrás deles. Fiquei os encarando abobada, plantada no lugar por longos 5 segundos. Eles retribuíram o olhar com a mesma indignação por eu estar ali, com os olhos arregalados, confusos. Eles deviam estar se perguntando: - Qual o problema dessa menina?

Tive que me colocar atrás de Kevin na fila, acredito que devia estar muito vermelha, eles devem ter notado o meu estardalhaço a presença deles sem entender o motivo. Thiers cochichou algo com Kevin, que eu tive certeza que era sobre mim, mas talvez fosse apenas o meu egocentrismo e a minha mania de perseguição, que também se tornaram característico da Samantha da fic, mas nesse exato momento Kevin virou-se para me encarar, confirmando a minha suspeita. Eu realmente não sabia para onde olhar. Praticamente estava escrito CULPADA na minha testa, Kevin se virou para me olhar várias vezes com expressão de interesse tentando entender o porque disso.

Certo momento Kevin finalmente me livrou do seu olhar e se despediu de Thiers. Fiquei bem mais tranqüila sem ter ele me encarando, apesar de só a presença de Thiers me deixar nervosa. Quando eu estava distraída e olhei para o lado Kevin estava ali, me encarando, indo para a minha frente da fila de novo! Creio que nunca devo ter ficado tão vermelha na vida quanto nesse momento, eu virei a cabeça tão rápido que poderia ter deslocado o meu pescoço, e Kevin com certeza notou isso. Cheguei a sentir medo que eles tivessem o poder de Edward e lessem os meus pensamentos. Mas acredito que eles nunca ficaram sabendo que o motivo da minha perturbação era que eu os havia feito personagens principais da minha historia de vampiros.

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Eu tive vários momentos bobos com Kevin. Uma vez ele estava andando distraído na frente das catracas do cursinho, falando ao celular, e eu tive que passar correndo pela direita, esbarrando nele na minha fuga, que novamente me olhou com a mesma cara confusa. Nesse mesmo dia ele me pegou várias vezes olhando para eles na sala, quando ele se virava pra trás procurando algo ou alguém, sempre dando de cara comigo olhando para eles lá do fundo. Houve outras vezes saindo do cursinho, passando correndo por ele e mais alguém lá fora, encontrando a vaga da minha mãe vazia, pois ela esquecia de me buscar, eu parava estranhamente na entrada de um prédio bem iluminado. Ele passava pela minha frente me olhando com um visível ponto de interrogação no alto da cabeça:

QUAL É O PROBLEMA DESSA MENINA???

Sim, eu tinha medo do Kevin. Ele me deixava nervosa. Não que ele parecesse me odiar, como à Samantha da fic. Mas pela pose dele. Ele andava com tal elegância, tal porte, tal autoridade, arrogância e auto-suficiência que eu entendia porque Thiers não desgrudava dele. Sim, a parte da obsessão de Thiers a Kevin também é verdadeira. Eu cheguei a ficar preocupada em um dia que Kevin chegou mais tarde e não havia uma cadeira ao lado de Thiers. Achei que alguém lhe cederia o lugar, eu certamente cederia se estivesse lá, mas eles se sentaram separados. Porem, em pouco tempo Thiers se mudou de lugar para sentar-se ao lado de seu mestre.

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Dan saiu do cursinho lá pelo meio do ano, confesso que fiquei um tanto triste sem vê-lo. Uma vez eu e um amigo estávamos no shopping e eu vi Dan sentado em uma mesa da praça de alimentação. Eu tive um ataque! Meu amigo até estranhou, pois, igual a Samantha, eu costumo ser uma pessoa extremamente fria em relação a outras pessoas. Mas fazia tanto tempo que eu não o via, ele com suas mexas quase rosa, seu conjunto de piercing e colar rosa, e sua camiseta azul alegrou o meu dia. Eu me despedi mentalmente dele nesse dia, sabendo que eu provavelmente nunca mais o veria.

Mas eu o vi de novo. Meu amigo e eu costumávamos ir bastante naquele shopping. Eu estava sentada distraída na praça de alimentação, lendo uma história que o meu amigo havia trazido, quando duas pessoas se sentarem à mesa ao lado. Me senti observada, não que isso seja novidade, egocentrismo e mania de perseguição não são uma boa combinação, então me desviei do que estava lendo e vi Dan sorrindo para mim. Ele não estava exatamente sorrindo para mim, acredito que estava rindo de algo que ele e Thiers estavam conversando, olhando distraidamente pra mim, no exato momento em que eu olhei para ele.

Tive um segundo ataque de euforia, eu sentia o meu rosto quente e provavelmente já estava bastante vermelha. Mas fiquei na dúvida se era com Thiers que ele estava. Mudei de opinião várias vezes quanto isso:

É ele!!!

Não... não é....

Ei! É sim!!!

Ou não é???

É ELE!!! É ELE SIM!!

Sim, era ele! Se eu já estava eufórica e vermelha só com a presença de Dan, com a presença de Thiers me surpreendo que minha cabeça não tenha explodido. Era bom ver eles fora do cursinho, e que o meu amigo os visse também. Provava que eu não estava louca, que eu não havia imaginado a existência deles, que eles eram reais, mesmo fora do meu mundo de fantasia.

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Não me lembro qual foi a última vez que eu os vi. Quando a primeira fase do vestibular passou, eu não fui mais ao cursinho, apesar de ter ido bem na prova. O cursinho era apenas insuportável, e a presença deles já não me consolava. Eles já não vinham com muita freqüência.

Eu nunca mais voltei ao cursinho, e nunca mais os encontrei no shopping. Acompanhei um pouco a vida deles pelo orkut, mas não podia saber de muita coisa. Não era a mesma coisa que vê-los todo o dia no cursinho, alheios a todo o resto, no seu mundo particular. No meu mundo particular. Acho que o único que alguma vez notou alguma coisa foi Kevin: as várias vezes que ele me pegou fugindo deles sem nenhum motivo, olhando para eles, ou corando quando eles passavam.

Nunca os conheci de verdade e nem realmente sei como eles são. Mas acho que prefiro assim. Muitas vezes a nossa imaginação é melhor do que a realidade, e foi no que a minha vida se baseou naquele ano – imaginação.

Esses estranhos foram: a minha alegria, a minha esperança, a minha obsessão, o meu consolo, a minha imaginação, a minha ilusão, o meu amor platônico e a melhor coisa que me aconteceu no ano passado...

Eles foram os personagens principais dessa história.

E sempre me surpreendo ao pensar que apesar deles terem sido tão importantes para mim por algum tempo, eles nem sequer sabem...

Hoje eu tenho 20 anos. Não me tornei vampira, é um triste fato.

Mas em certas noites a dama-da-noite do meu quintal, que serviu de inspiração para a história, me inebria com o seu perfume e com doces lembranças de algo que nunca aconteceu.


Atores:

Samantha – Vanessa Carlton

Thiers – U-Know YunHo

Kevin – Hero JaeJoong

Dan – Micky Yoochun

Hosun – Kwon BoA


[We Get On – Kate Nash]

"Simplesmente saber que você existe não é o suficiente pra mim
Mas pedir o seu numero de telefone
Parece altamente inapropriado
Vendo como eu não consigo nem dizer oi quando você
passa...

(...)


eu nunca sonho sobre você e eu
eu nem invento coisas sobre nós 2, isso seria
insanidade
eu nunca passo na frente da sua casa pra ver se você
está lá
eu nem conheço a sua rotina
eu não reconheço mais o seu rosto
mas eu tenho que admitir que ainda existe uma parte de
mim
que acha que nós poderíamos nos dar bem
que nós deveríamos nos dar bem
que iríamos nos dar bem."