FicWriter – Arika Kohaku

Beta Reader – Akimi Tsuki

SoundTrack – Bruno Mars "Turn Around"

29

Laços Paternais

A luz do sol batia-lhe directamente na cabeça, fazendo brilhar as madeixas escuras com cores azuladas e pretas. O jovem homem de vinte e um anos dormia calmamente sobre um largo futon com várias e grandes almofadas onde ele se deixava estar serenamente. As suas mãos estavam apoiadas sobre a sua enorme barriga arredondada, que era coberta por um fino lençol branco. Ele apenas vestia uns calções e uma t-shirt, bastante larga devido à sua condição. Através janela, por onde entrava o sol, via-se a natureza em todo o seu esplendor. Era a estação do reflorescimento – a Primavera. Com as árvores cheias de folhas verdes de vários tons e repletas de flores de varias cores que deitavam para o ar os seus vários aromas geralmente adocicados.

Ele escolhera aquela divisão do pequeno chalé, que habitava fazia àquela altura seis meses, pois tinha entrada para o pequeno quintal e pela porta corrida e aberta deixava entrar uma aragem refrescante. Fora com essa aragem fresca e de aromas que ele adormecera. No seu estado quase tudo o fazia querer dormir. E como não tinha grande coisa para fazer, até porque não conseguia fazer muita coisa, então ele passava grande parte do seu tempo a dormir.

Na divisão também havia uma pequena mesinha onde estava pousado um tabuleiro com restos de comida e ao lado desde, preso por um pisa papéis, encontravam-se algumas cartas que esvoaçam debaixo do peso tentado libertar-se. Eram cartas para o jovem adormecido que diziam:

"Olá meu pequeno,

As novidades não são muito animadoras. A Hina continua a perguntar por ti, quer saber sempre o mesmo. Porque partiste de repente sem falar com ela, porque ai longe não lhe dizes nada (eu questiono as mesmas coisas), e apesar de eu dizer que tu depois voltarás e que falarás com ela, como compreendes, ela não fica satisfeita com as minhas respostas.

Com o teu pai as coisas pioraram. Ele já não pára em casa, passa os dias inteiros a treinar com Shidou Yuuri. Vejo mesmo assim que ele tenta todos os dias conquistar Kaeru, mas o teu irmão continua com aquela ideia de o vosso pai roubou a atenção que eu lhe dava. Será que é isso? Será que eu mudei com o acordar de Sasuke? Será verdade? Por falar nessas coisas, agora estou no seu quarto, tivemos uma das nossas discussões e eu não consegui estar mais ao pé dele, espero que não te importes até porque é uma situação temporária, estou só à espera que me peça desculpa.

Ah, sim a Sakura descobriu um facto muito "engraçado"(não sei se é o adjectivo acertado para usar nesta situação) sobre o teu irmão, e provavelmente sobre ti também, assim como também sobre Oshi, mas não te direi nada, fica para quando voltares. Ela diz que é o próximo passo na evolução humana, eu acho um facto meio estranho, o teu pai nem quis saber, a tua irmã no seu jeito riu-se e tu certamente tirarás as tuas próprias conclusões quando voltares. Ainda voltas não voltas, meu pequeno?

Bom, mas tirando este facto recentemente descoberto, os teus irmãos estão bem. A tua irmã anda nas nuvens porque Shika-ju finalmente aceitou sair com ela. Anda muito empolgada. Não sei se ele gosta mesmo dela, ou se simplesmente se cansou e aceitou. Mas espero que ele não a magoe ou eu desfaço-o. Bem, acho que mais rapidamente o Sasuke o desfaz, ele não gostou mesmo nada quando ela nos disse que finalmente tinha conseguido um encontro.

Quanto ao Kaeru anda super convencido porque se tornou o número um da academia. Estou muito orgulhoso dele. Pelo menos herdou a inteligência do vosso pai. Sasuke também está muito orgulhoso e disse isso ao Kaeru, mas não em resposta o teu irmão disse que não queria saber se ele tinha ou não tinha orgulho nele. Ai Sasuke saiu de casa furiosíssimo. Tentei ir ter com ele acalmá-lo, mas o seu humor anda tão instável que acabamos por discutir.

Bom fora estas coisas chatas, tudo o resto está bem. E tu como estás, por favor vai dando noticias. E alimenta-te bem. Por favor cuida bem de ti mesmo. E não te preocupes com as coisas que eu conto nas cartas que te envio, eu sei que tudo ficará bem. Apesar de tudo, somos uma família e apesar das nossas discussões, eu sei que nos amamos todos muitos.

Beijos, do teu pai, Naruto."

E na outra carta um pouco mais antiga:

"Olá Nasasu, como te encontras?

A Karin disse-me como tens estado, a aprendiz dela que está contigo tem-nos dando notícias actualizadas sobre o teu estado. Já mudaste de ideias em relação a tudo isto, ou aquele casal irá mesmo ficar com o bebé? É isso mesmo que desejas? Desculpa estar a falar novamente no assunto, mas faz-me impressão a maneira como tratas de toda a situação.

Mas não é para te chatear que eu estou a escrever. Eu estou a escrever para te dizer que finalmente consegui identificar o porquê de teres conseguido conceber, mesmo que tenha sido apenas uma vez, como me contaste. E consegui essa resposta ao analisar o teu irmão mais novo, e também ao observar o filho de Rock Lee, desloquei-me a Sunagakure de propósito para confirmar as minhas suspeitas. A resposta é até bastante simples. O jutsu da fertilidade que faz os homens engravidarem provoca uma mutação genética nos cromossomas e faz com que os filhos desses homens, ou mulheres, nasçam com características diferentes das outras crianças que nascem pelo método "natural". Ou seja tu, o teu irmão e o filho de Lee e Gaara nasceram com a capacidade de reproduzir, como se lhes tivessem lançado um justu da fertilidade logo à nascença.

Fiquei curiosa em relação à tua irmã. Uma vez que ela é rapariga, logo já tem a capacidade de se reproduzir, mas nela o que observei é que ela tem a resistência de um rapaz. Talvez não saibas, mas ela é a melhor lutadora no seu esquadrão de chunnins. Enquanto as outras raparigas querem ser médicas, para poderem ser mais úteis às suas equipas, ela prefere especializar-se em ninjutsus.

Tive que revelar estes factos ao resto da comunidade científica. Todos nós concordamos que este será o próximo passo na evolução humana. Em que através da nossa inteligência vamos ser supremos.

Espero saber em breve noticias tuas,

Beijos da Sakura."

Após sair de Konoha, tendo despistado por completo Kagure, Nasasu dirigira-se para a sua pátria – Otogakure. Lá contara tudo à sua madrinha, escondendo obviamente a parte da violação, e Karin tinha-lhe arranjado uma assistente para os meses em que precisaria de ajuda. Também se voluntariara para arranjar uma futura família para o bebé que ainda não nascera. Depois disso, Nasasu partira para um pequeno país vizinho de Som, nesse país encontrara uma pequena aldeia na orla de uma floresta que tinha uma pequena casa para arrendar. Então com as suas economias de ninja, acabara por ficar nessa casa, em conjunto com a assistente que a sua madrinha lhe tinha arranjado. Era um local óptimo porque ninguém o conhecia, e como eram pessoas humildes e muito simpáticas, tratavam Nasasu com muito carinho. Com o tempo todos os aldeões ficaram a saber que ele era um ninja, porque a assistente lhes tinha dito isso, e depois ficaram a saber que ele teria um bebé em breve, de um momento para o outro respeitavam-no como um Ancião e tratavam-no ainda com mais carinho. Ele gostava daquela vida, pois era bastante calma.

Naquele instante entrou na divisão, vinda do quintal uma rapariga de cabelos castanhos e olhos amendoados. Chegou com um enorme ramo cheio de flores, arranjou uma jarra na divisão e colocou as flores dentro dele. Foi até ao homem adormecido e ajoelhou-se ao lado dele. Elevou a mão e accionou o seu chakra.

– Está quase na altura. – Verificou. – Mas não lhe vamos dizer nada a sua majestade. Vocês têm que conquistar a sua majestade. – Falou baixinho para a barriga. Talvez falasse com quem quer que estivesse no seu interior. Algo remexeu-se lá dentro. O rapaz de cabelos moreno refilou qualquer coisa. As suas mãos mexeram-se até ao sítio onde era pontapeado, afagando o local, mas continuou adormecido.

oOo

Aquela vida já não lhe fazia sentido. Todos os dias iguais. Sem qualquer propósito para continuar a viver. Ele era apenas um ser humano vazio. Já nem as missões que lhe davam animo. Para que é que precisava de fazer missões e ganhar uns trocos se não tinha qualquer objectivo de vida.

Abriu a porta da grande casa Shidou e sentiu o chakra de alguém mais dentro de casa. Dirigiu-se para o ginásio e encontrou Yuuri e Sasuke a lutarem. Era provavelmente a terceira vez que via o Maou a frequentar a casa Shidou essa semana. Não gostava minimamente, principalmente depois quando tivesse que avisar o Hokage do que se passara. Naruto ficava sempre com uma cara de enorme desagrado. Sentou-se a um canto a observar a luta, que se notava que era apenas um treino. Apesar de tudo, Kagure não podia negar que o pai era um lutador exímio, e que tinha uma mestria incrível em todas as suas técnicas. E Sasuke já estava novamente no seu nível de excelência. Forte e rápido. Kagure tinha a certeza que se aquilo não fosse apenas uma luta de "amigos", que Sasuke derrotaria facilmente Shidou Yuuri. Bastaria aplicar-se com mais força nos seus ataques, e ai, o pai cairia.

– Queres entrar na luta Kagure? – Questionou Yuuri o filho. O jovem homem ficou espantado ao ver aquilo que parecia uma cara de divertimento no pai. Seria possível que Shidou Yuuri estivesse a desfrutar da luta?

– Sim, eu entro. – Aceitou Kagure.

– É cada um por si. – Avisou Sasuke. – Tens mesmo a certeza que queres entrar?

– Não te deixes levar pela sua aparência, Sasuke. – Respondeu-lhe Yuuri. – Apesar da aparência requintada do meu filho ele é um ninja dos mais fortes. – Aquilo fora um elogio que acabara de ouvir da boca do pai? Mas rapidamente a cabeça de Kagure voltou ao lugar. Fazia tudo parte do plano do seu pai. Ele provavelmente iria usar Sasuke para qualquer coisa. E disfarçar aquela cumplicidade entre pai e filho era apenas uma maneira de iludir ainda mais Sasuke. Nesse momento, Kagure desejou muito que Kaguro ainda fosse vivo. Talvez com o seu Kekkei Guenkai, idêntico ao de Yuuri, ele pudesse entrar na cabeça de Sasuke e desbloquear-lhe as memórias.

A luta começou. Kagure pode ver que inicialmente Sasuke o atacava apenas com pouca força, e esse cuidado que estava a ter levou-o ao chão.

– Maou terá que usar toda a sua força se me quiser derrotar. – Kagure deixou sair um sorriso irónico dos seus lábios. Sasuke fazia-o recordar-se de Nasasu. Quando eram amigos, eles sempre tinha lutas, e normalmente Nasasu nunca usava toda a sua força inicial, sempre iludido pela aparência exterior de Kagure, que ele mesmo sabia que era um pouco afeminada.

Da segunda vez Sasuke já levou um pouco mais a sério os ataques que fazia a Kagure, que este defendia com mestria. Kagure era mesmo um Anbu de elite, não admirava que Naruto o enviasse para fazer tantas missões. Ele, sem qualquer dúvida, era dos melhores ninjas que Konoha teria actualmente ao seu dispor. Será que Nasasu era assim tão bom? Tinha saudades do filho, apesar do pouco tempo que tinha passado com ele depois da sua recuperação. Quando ele voltasse teria que lhe pedir para lutar com ele. Tinha a certeza que se iria divertir muito com o filho.

A tarde passou rápida em casa dos Shidou, com as suas lutas sem palavras, apenas de divertimento. Pelo menos Kagure pode tirar um pouco dos seus pensamentos toda a sua triste vida.

– Tenho que me ir embora. Tenho que ir buscar o meu filho mais novo à academia. – Disse Sasuke.

– Volta quando quiseres, Sasuke. – Prontificou-se Yuuri.

– Muito obrigado. Então, até depois. – Despediu-se o moreno saindo depois da casa Shidou.

– Bom, ainda bem que aqui estás. – Começou o pai. – Vamos sentar-nos. – Pai e filho ajoelharam-se, frente a frente sobre o soalho do ginásio. – Eu quero que comeces a pensar em casar-te.

– Para quê?

– Tens que começar a pensar no futuro do nosso clã. Está descansado que eu tomei em atenção as tuas atracões por pessoas do teu sexo. – Kagure tentava por tudo não se mostrar chocado com aquilo que o pai lhe dizia, mas era difícil não mostrar sentimentos quando naquele momento as suas emoções estavam ao rubro. – Eu falei com o Nakamura Saguichi. Toda a aldeia sabe que vocês tem um caso, então eu falei com ele e comuniquei-lhe as minhas intenções para contigo. Ele aceitou e vocês agora são noivos.

Kagure fechou os olhos tentando concentrar-se. Mas a sua raiva estava a alastrar-se rapidamente. Os seus sentimentos já de si magoados, começaram a borbulhar no seu interior. Estava completamente farto daquilo. Estava na hora de pôr um fim a tudo. Olhou abertamente para o pai, com os seus olhos verdes, como esmeraldas. Mostravam toda a sua dor. Toda a sua revolta. Então os seus olhos passaram de verdes para prateados.

oOo

Kaeru não tinha a mínima noção daquilo que o coração de Sasuke sofria por não ter o amor do filho. Gostaria de uma dia poder ver o seu filho a correr para si tal como corria para Naruto. Com aqueles olhos ónix a brilhar. Mas isso não acontecia.

– Então como correu o teu dia?

– Nada que te interesse.

– Como é que sabes que não me interessa?

– Porque nada do que eu sou te interessa.

– Isso não é verdade. Interessa-me tudo o que és.

– Não preciso de ouvir essas coisas. – Resmungou Kaeru. – Não as quero ouvir vindas de ti.

– Como tudo na vida, não queremos muitas coisas, mas elas vêem à mesma. – Kaeru olhou para o pai sem compreender. – Por exemplo, tu não querias que eu acordasse, mas eu acordei. Eu digo-te coisas que não queres ouvir, mas ouves à mesma. Existe muitas coisas assim durante a vida toda, habitua-te.

O menino não lhe respondeu, ficou guardado ao seu silêncio. E silenciosos ficaram os dois Uchihas durante todo o seu caminho para casa. Quando chegaram o cheiro da comida acabada de ser feita preenchia a casa. Oshi estava na cozinha a pôr a mesa e cantarolava uma canção de amor. Desde que Shika-ju tinha aceite sair com ela, que ela se virara para as lidas da casa, dizia ela que era para aprender a cuidar do seu futuro marido. Sasuke estava pelos cabelos, tinha que falar muito a sério com esse rapaz. Naruto ainda não tinha chegado a casa.

– O Pai disse para nós irmos comendo. Disse que tinha surgido uma situação de última hora. – Informou Oshi colocando a comida na mesa. Sasuke ia começar a servir os pratos quando a filha o parou. – Eu sirvo. Hoje sou a mulher da casa.

– E não és sempre? – Brincou Sasuke, a filha sorriu-lhe de maneira torta, tal como ele fazia.

O jantar correu tranquilamente. Kaeru mantinha-se calado, mas Oshi falava descontraidamente com pai sobre o seu dia, e sobre a missão que tinha tido. Ela tinha feito o exame para chunnin á dois meses e passara automaticamente e com distinção. Sasuke vira-a lutar, ela era melhor do que muitos rapazes juntos. Mas apesar da sua força ela tinha uma silhueta elegante. Era outra prova viva de que a aparência não dizia aquilo que as pessoas eram por dentro. Ela era tão boa que Neji a queria meter já a fazer o exame para Jounnin, mas ultimamente ela andava mais de volta da casa, a aprender a comportar-se como uma mulher, que se esquecia dos treinos.

Naruto não chegou para jantar. E também não chegou para deitar Kaeru que à espera do pai louro acabara por adormecer na sala enquanto via televisão. Sasuke pegou nele e levou-o para o seu quarto. Pelo menos enquanto dormia, Kaeru, não o repudiava. Depois de deitar Kaeru, Oshi veio despedir-se dele, dizendo que já tinha arrumado a cozinha toda, ela parecia bastante contente com isso, e de seguida foi para o seu quarto, o único no andar superior, que correspondia ao sótão.

Sasuke ainda se aguentou um pouco a ver televisão, mas depois não quis mais aquela passividade e decidiu ir para o quarto. Tomou um banho, vestiu o pijama e estendeu-se sobre a cama. O que estaria Naruto a fazer? Porque é que ainda não estava em casa? Acabou por adormecer, e cerca de duas horas depois despertou, com o remexer de uma porta no guarda-roupa do quarto. Era o seu louro.

– Naruto! O que se passou? – Questionou sentando-se na cama de casal. O quarto era apenas iluminado pelo candeeiro de cabeceira. Mas ele conseguia ver o ar cansado de Naruto. Este estava a tirar o seu pijama.

– A casa do Shidou rebentou. – Contou sucintamente. – Suspeitam de uma fuga de gás.

– E eles estão bem?

– O Yuuri está no hospital com algumas queimaduras, mas está fora de perigo. Kagure também lá está, mas apenas por precaução, pois ele não sofreu nada. Azuka estava fora de casa quando a explosão se deu, e está com eles no hospital, para os acompanhar. – Azuka era a mulher de Shidou e mãe de Kagure. Fora a ela que Kagure fora buscar a sua beleza. Sasuke levantou-se da cama e dirigiu-se ao armário. – Aonde é que tu vais?

– Ao hospital ver como eles estão. – Respondeu Sasuke, agarrando numa roupa do armário que ainda estava aberto, pois Naruto não acabara de tirar o seu pijama.

– Mas eu já te disse como é que eles estão.

– Eu vou dar-lhes o meu apoio.

– E dar-me apoio a mim?

– Mas tu não precisas de apoio. Tu estás bem. – Afirmou Sasuke, olhando nos olhos do marido. Estavam a centímetros um do outro. Havia muito mal-estar entre os dois.

– Como é que sabes que eu estou bem se nem sequer me perguntaste se estou bem? – Sasuke detectava facilmente a dor nos olhos de Naruto. – Porque não me perguntas como foi o meu dia? Porque não te interessas nem um pouco por mim? Porque é que já não me beijas? Porque é que já não pedes para treinar comigo? Porque não me tocas?

– Agora não é o momento para falarmos disso. – Tentou adiar o assunto Sasuke.

– Então quando é que será? Eu estou à uma semana a dormir no quarto do teu filho e tu continuas sem me dizer nada. – Acusou-o Naruto.

– Naruto…

– Se deixaste de querer estar comigo tens apenas que me dizer isso, porque eu estou farto desta incerteza…

– Não é isso…

– Então É O QUÊ? – Os olhos de Naruto estavam repletos de lágrimas. Ele queria muito saber o que se passava com Sasuke. Queria poder saber o que lhe ia na cabeça, antes conseguia fazer isso, porque antes eles estavam em sintonia, mas parecia que com as discussões e o afastamento essa sintonia tinha desaparecido.

– Eu estou confuso… - Começou Sasuke.

– Confuso com o quê?

– Com tudo. Contigo, comigo, com a nossa família. Eu quero muito ter as minhas próprias memórias de tudo o que nós passamos. Não quero apenas relatos. Não quero apenas histórias. Eu preciso de sentir a vivência. Perto de ti, eu sinto que não sou eu. Perto de ti, parece que aquilo que sou é anulado. Parece que desapareço.

– Estás a dizer que eu te anulo? Estás a dizer que eu não te completo, que eu simplesmente não te faço sentir nada, que faço com que tu desapareças?

– Estou a dizer que tudo neste momento é uma incerteza.

– Estás a dizer que não acreditas naquilo que te contei sobre o que se passou entre nós? – A cara de Naruto passava de triste para apavorada, e depois para profundo choque.

– Não estou a dizer que não acredito, estou só a dizer que não tenho certezas de nada.

– Como assim não tens certezas de nada? Os nossos filhos são a prova viva daquilo que se passou entre nós.

– Existem muitas teorias que podem explicar o nascimento deles.

– O que é que tu estás a tentar dizer? E as lembranças que tu tens deles?

– Só tenho três lembranças e são bastante vagas. Eu nem sequer me lembro de Nasasu, e foi com ele que eu estive mais tempo. Não achas isso estranho?

I don't know why (why) / Eu nao sei porquê (porquê)

It seems every day you pick a fight/ Parece que todos os dias tu arranjas uma luta

And I know I do the same / E eu sei que faço o mesmo

Because you ached me / Porque tu me magoaste

This is not what love is suppose to do / O amor não é suposto ser assim

– Isso só podem ser ideias que Shidou Yuuri te andou a meter na cabeça. – Disse Naruto afastando-se um pouco de Sasuke.

– E se forem? Ele tem razão. Eu não me lembro de nada. De absolutamente nada, tudo pode ser uma grande invenção… - Sasuke foi calado quando sentiu uma grande dor na sua cara. Naruto não se contivera. Erguera o seu braço e dera uma estalada no moreno.

Ele admitira tudo até ali. O mau humor de Sasuke. O seu afastamento. O seu comportamento infantil. Mas se havia coisa que nunca iria admitir era que Sasuke pusesse em causa a sua paternidade. Sabia que Sasuke estava num estado em que era facilmente influenciável, que estava frágil, que sofria, que agia mais como um adolescente, porque as únicas recordações que tinha era dessa altura da sua vida, mas o louro estava cansado. Não precisava de um adolescente ao seu lado e sim de um adulto.

– Acabou. Arruma as tuas coisas e sai. – Ordenou Naruto. As suas palavras saíram baixas e suaves. Era um sinal de perigo.

You tell me to go / Tu dizes para me ir embora

I start do walking out / Então eu começou a sair

But we both know what were is all about / Mas ambos sabemos sobre o que é tudo isto

We fight and scream but is all because of love / Nós lutamos e gritamos, mas isto é tudo por causa do amor

But to or way we flock a way to never given up / Mas à nossa maneira compilamos um caminho para nunca desistirmos

– Naru…

– Eu sei que esta casa é tua. Mas nós casamos, mesmo que não te lembres, eu sou Uchiha de nome, e tenho tanto direito a estar aqui como tu. Portanto, ou sais tu, ou saiu eu, mais a Oshi e o Kaeru, agora neste momento e a meio da noite. Tu decides.

Sasuke acenou com a cabeça compreendendo. Puxou de uma mochila que havia no armário e sobre o olhar morto de Naruto arrumou algumas das suas roupas. Sentia muita raiva por ter sido posto fora tão facilmente. Agarrou na mochila, colocou-a sobre os ombros e mexeu-se até à porta do quarto, quando abriu a porta deu de caras com Oshi do lado de fora. Ela não chorava, mas a sua expressão mostrava que ela ouvira tudo o que ele dissera. E nem precisava de ter escutado á porta, pois da maneira que Naruto e Sasuke tinham discutido, qualquer um podia ter ouvido.

Oshi moveu-se para o deixar passar. Não o ia parar, não depois do que ouvira vindo da boca do seu papá. O mesmo papá que ela esperara durante dez anos que acordasse. O mesmo papá que agora duvidava que ela fosse filha dele.

Every time I try to live something tells me / Sempre que eu tento partir algo me diz

"Turn around!" (around, around, around)/ "Volta atrás" (atrás, atrás, atrás)

Is how could Iever live the only one that holds me down (down, down, down)? / Como posso eu deixar a unica pessoa que sempre me apoiou (apoiou, apoiou, apoiou)?

'Cause I know we can work it out (work it out)/ Porque eu sei que nós podemos trabalhar nisto (trabalhar nisto)

Talk it out (talk it out), slick it out (slick it out)/ Falar nisto (falar nisto), polir isto (polir isto)

Every time I try to live find a way we can figured it out / Sempre que eu tento partir nós arranjamos maneira de arranjar isto

That's why I always turn around / É por isso que eu sempre volto atrás

Sasuke desapareceu da vista do louro depois de passar o corredor e percorrer o caminho até à saída da casa. Naruto deixou-se cair sobre a cama com as mãos sobre a sua cara. Oshi entrou no quarto e pediu ao pai que a abraçasse. Ela acabara de levar a sua primeira desilusão na vida.

No, wait (wait) / Não, espera (espera)

Before you say (say) / Antes de dizeres (dizeres)

Something you know you take back later on today (today) /Alguma coisa que te arrependas mais tarde ainda hoje (hoje)

Sometimes you drive me crazy but I love you baby / Algumas vezes tu deixas-me doido, mas eu amo-te

All I ask is that you always appreciate me/ Tudo o que peço é que me aprecies sempre

Por uma frecha da sua porta do seu quarto, Kaeru espreitava para a escuridão do corredor e para a porta da entrada que era aberta. Finalmente o seu pai louro tinha visto que Sasuke não era boa pessoa. Finalmente tinha-o mandado embora. Agora Kaeru teria Naruto só para si. Deixou o moreno adulto sair da casa Uchiha e correu para o quarto de Naruto. Lá parou à frente da irmã e de Naruto que estavam abraçados sentados sobre a cama de casal.

You tell me to go/ Tu dizes para me ir embora

I start do walking out / Então eu começou a sair

But we both know what were is all about / Mas ambos sabemos sobre o que é tudo isto

We fight and scream but is all because of love / Nós lutamos e gritamos, mas isto é tudo por causa do amor

But to or way we flock a way to never given up / Mas à nossa maneira compilamos um caminho para nunca desistirmos

Naruto viu o filho mais novo à frente, estava estático. O que lhe poderia dizer? Tentou limpar as lágrimas respirar fundo e mostrar outra cara a Kaeru. Tinha que ser forte. Forte pelos filhos, como sempre fora. Levantou-se na cama e dirigiu-se para Kaeru. Ia agarrá-lo ao colo quando este se esquivou, fugindo dos seus braços. Então viu os olhos ónix do filho repletos de água.

– Pai… - Murmurou o pequeno dando as costas a Naruto e correndo até á porta da rua. Abriu a porta e saiu para fora, mesmo descalço, correu o mais depressa que conseguiu. Não queria aquilo. Não queria que as coisas que aconteciam na vida lhe dessem mais aquela negativa. Sentia agora que sem Sasuke na casa tudo estava errado.

– Kaeru! – Chamou Naruto em pânico a ver o filho sair de casa. Correu atrás dele.

Every time I try to live something tells me / Sempre que eu tento partir algo me diz

"Turn around!" (around, around, around) / "Volta atrás" (atrás, atrás, atrás)

Is how could I ever live the only one that holds me down (down, down, down)? / É que, como posso eu deixar a unica pessoa que sempre me apoiou (apoiou, apoiou, apoiou)?

'Cause I know we can work it out (work it out) / Porque eu sei que nós podemos trabalhar nisto (trabalhar nisto)

Talk it out (talk it out), slick it out (slick it out) / Falar nisto (falar nisto), polir isto (polir isto)

Every time I try to live find a way we can figured it out / Sempre que eu tento partir nós arranjamos maneira de arranjar isto

That's why I always turn around / É por isso que eu sempre volto atrás

Ele percorria a rua que levava à saída do bairro Uchiha. Sentia que a cada passo que dava estava a fazer um caminho errado. O que estava a fazer? Porque se estava a afastar de casa? Estava mais uma vez a ser um idiota egoísta. O seu maldito orgulho Uchiha. Porque é que não o engolia e ia até Naruto pedir-lhe perdão?

– PAI! – Parou. De onde vinha a voz de criança gritada. Seria que aquele chamamento era para si? Mas quem é que o tratava por Pai além de Nasasu? Ninguém. Oshi tratava-o por papá e nesse momento estava magoada com ele e Kaeru tratava-o por "tu" ou "Sasuke", só para mostrar ainda mais desprezo. Continuou o seu caminho. – PAI! PAI! PAI!

No momento em que se voltou, para ver quem afinal gritava daquela maneira em plena madrugada, viu Kaeru correr na sua direcção. Vinha em pijama, correndo descalço pela rua. Fora ele que o chamara de "Pai"? Era para ele que se dirigia? Mal chegou perto, Kaeru saltou para o seu pescoço. Sasuke agarrou-o com força.

And nobody can love me like you love me / E ninguém pode amar-me como me amas

That's why I always turn around for you (you, you,you…) / É por isso que sempre volto atrás para ti (Ti, ti, ti…)

– Pai, não vás embora. Por favor, fica. Eu faço o que tu quiseres, mas por favor, fica. Pai, fica. Eu faço o que quiseres… - Continuava Kaeru a repetir incessantemente com as lágrimas a caírem-lhe dos olhos molhando Sasuke. Nesse momento Sasuke, sentou-se no chão com o filho ao colo.

– Pssiu! Pronto acalma-te. – Falou agarrando o filho contra si entre os seus braços e afagando-lhe os cabelos escuros.

– Pai… pai… - Soluçava Kaeru.

– Eu estou aqui. – Disse Sasuke.

And nobody can love me like you love me / E ninguém pode amar-me como me amas

That's why I always turn around for you (you, you,you…) / É por isso que sempre volto atrás para ti (Ti, ti, ti…)

I'm drooling for you / Eu escravizo-me por ti

Enquanto embalava o filho nos seus braços. A mente de Sasuke era percorrida por imensas imagens. Algo naquele momento começou a desbloquear tudo na sua cabeça. As lágrimas encheram-lhe os olhos à medida que toda a sua vida, tudo aquilo que vivera, lhe passava à frente dos olhos. A conversa com Itachi. A primeira noite com Naruto. A luta com Danzo. O reconstruir do seu pais. A beleza de Otogakure. O seu casamento com Naruto. O nascimento de Nasasu. Os momentos felizes com Naruto no palácio em Oto. A gravidez de Oshi. O momento em que decidiram engravidar de Kaeru. O casamento de Sakura, o ataque de Kabuto, a sua tentativa de salvar Nasasu da mente da Kitsune. O crescimento dos filhos. As suas aprendizagens. A sua família. As suas lembranças, aquilo que era, aquilo que fora, aquilo que sentira, aquilo que ainda sentia. Tudo voltava. Ele sabia novamente quem era. Estava novamente completo.

Every time I try to live something tells me / Sempre que eu tento partir algo me diz

"Turn around!" (around, around, around) / "Volta atrás" (atrás, atrás, atrás)

Is how could I ever live the only one that holds me down (down, down, down)?/ É que, como posso eu deixar a unica pessoa que sempre me apoiou (apoiou, apoiou, apoiou)?

'Cause I know we can work it out (work it out) / Porque eu sei que nós podemos trabalhar nisto (trabalhar nisto)

Talk it out (talk it out), slick it out (slick it out) / Falar nisto (falar nisto), polir isto (polir isto)

Every time I try to live find a way we can figured it out / Sempre que eu tento partir nós arranjamos maneira de arranjar isto

That's why I always turn around / É por isso que eu sempre volto atrás

Quando voltou a abrir os olhos viu Naruto a correr na sua direcção. Provavelmente vinha à procura do filho. Naruto e os seus filhos eram aquilo que fazia de Sasuke aquilo que era. Eles não o anulavam, eles completavam-no. O moreno levantou-se do chão com Kaeru ainda a soluçar contra si.

– Eu não vou a lado nenhum. – Prometeu Sasuke. – Vou estar sempre aqui.

– Pai…

– Kaeru? – Chamou Naruto aproximando-se do filho e do marido, parecia meio receoso e nervoso. Kaeru elevou os olhos e olhou para o pai.

– Por favor, perdoa o pai! – Pediu inocentemente.

– Kaeru… - Aquilo era o que Naruto mais queria fazer, mas não podia, não conseguia esquecer as palavras frias que Sasuke lhe tinha dito. Espera… Kaeru tinha tratado o Sasuke por Pai?

– Kaeru, as coisas não se fazem assim. – Falou Sasuke, pousando Kaeru no chão. Depois piscou um olho a Kaeru e deu-lhe um sorriso tranquilo. Dirigiu-se para Naruto e inspirou fundo, para depois suspirar. – Perdoamenaruto. – Expressou-se tão rápido que aquilo que disse parecia apenas uma palavra. Naruto ergueu uma sobrancelha. Sasuke inspirou ainda mais fundo. – Perdoa-me Naruto. – Os olhos de Naruto arregalaram-se. Sasuke estava a pedir desculpa? Sasuke estava mesmo a pedir perdão! Naruto deu um passo em frente, ficando a centímetros do moreno. Os olhos ónix ainda tinham lágrimas suspensas nas pestanas. Mas o que se notava diferente era o brilho dos olhos escuros. Mudara. Sasuke estava novamente vivo.

– Sasuke… - Sussurou Naruto elevando uma mão e pousando-a sobre a cara de pele pálida. Acarinhou a bochecha do marido. Voltava a sentir a sintonia. Sasuke voltara.

– Eu amo-te Naruto. – Declarou Sasuke, retirando a mochila que trazia com as suas roupas para o chão, e puxando Naruto de encontro ao seu corpo.

– Eu também te amo Sasuke. – Retribuiu Naruto, deixando-se ser agarrado pelo marido. Sasuke tomou-lhe os lábios. Era ali, ao lado de Naruto, que ele sempre iria ficar.

oOo

Entretanto, ao mesmo tempo, noutro local…

– Ele já podia ter nascido? – Resmungou Nasasu arfante, acabara de ter mais uma contracção. O seu cabelo escorria água e pegava-se à sua testa. Estava bastante suado. De tempos a tempos era assolado por fortes dores que o deixavam sem fala. E para não gritar ele mordia uma pequena mordaça que a sua assistente, de nome Arika lhe dava. A sua madrinha também lá estava, mas não havia grande coisa que elas pudessem fazer. As contracções ainda não eram constantes, por isso, tinham que esperar até ao momento certo, para poderem abrir Nasasu e fazer nascer o bebé. Enquanto isso, o grávido só conseguia refilar, estava a deixar as duas médicas completamente insanas.

– Já te explicamos que só faremos o parto…

– Eu sei, eu sei. Vocês avisaram o casal Yamamura que ele está para nascer, não avisarão? Mal posso esperar para voltar à… - Calou-se com uma nova onda de dor. A noite já ia alta. Não sabia há quantas horas estava naquilo. Pelo menos, dormira durante a tarde. Ele estava deitado sobre uma cama que as médicas tinham montado para aquele momento. Agarrou-se fortemente às grades. As médicas mexeram-se para observar o número de contracções. Olharam uma para a outra. E decidiram que estava na altura. Obrigaram-no a deitar-se e colocaram-lhe uma máscara sobre o nariz e a boca, e apenas com uma inspiração, respirando um gás tranquilizante, Nasasu adormeceu.

Kagure estava no meio de chakra vermelho. Lentamente esse chakra ia queimando-o. E ele como se nada fosse deixava-se queimar. Parecia que queria morrer. Depois elevou o seu olhar e encarou Nasasu, com os seus olhos verdes, únicos e bonitos como mais ninguém tinha, cheios de lágrimas. Depois a boca moveu-se e ele gritou: "NASASU ACORDA!"

Quando abriu os olhos sentiu-se bambo. Tinha tido um pesadelo. E novamente com Kagure, mas desta vez tinha sido diferente. Ao mexer-se sentiu a dor no seu baixo-ventre por ter sido mexido. Pelo menos já não estava grande e redondo. Já não tinha o peso da criatura que crescera dentro de si nos últimos meses. Com um pouco de sorte ela até já se tinha ido embora com o casal Yamamura. E assim ele não tinha que encarar aquilo que gerara. Levantou-se. Sentia-se fraco de físico e vazio de espírito e não soube dizer porquê. Porque é que se sentia tristeza quando olhava para a sua barriga e a via lisa.

O Sol nascia lá fora. Ele foi até à janela. Deixou cair uma lágrima. Aquele era um dia para recomeçar a sua vida. Mas era difícil recomeçar. A sua mão direita estava pousada sobre a sua barriga. Não sentia nada, pois já lá não estava nada. E a casa estava silenciosa. O bebé já tinha ido. As duas médicas tinham planeado as coisas assim. Tinham-lhe dado sedativo suficiente para que ele não tivesse que ver o bebé nascer, nem a ser entregue ao outro casal. O seu coração ficou apertado. O peito doía tanto que quase o impedia de chorar. O que estava a fazer? Estava assustado. Será que fizera a coisa certa?

Um choro estridente irrompeu pela casa. A sua cara virou-se para a direcção do som. O choro de bebé vinha do lado de fora. Correu. Ouvia agora o som de vozes no exterior. Ouvia a vozes a falarem sobre a beleza do bebé. Eram vozes emotivas. Ouvia agradecimentos. As sua lágrimas estavam soltas. Caíam no chão à medida que ele avançava pela cabana.

– PAREM! – Gritou Nasasu abrindo com um estrondo a porta da cabana. Do lado de fora, Karin pareceu suspirar ao vê-lo à porta, como se já esperasse que ele aparecesse, finalmente o seu afilhado tinha caído em si. Embora muito tarde, mas não tarde de mais. Então deixou um sorriso sair-lhe dos lábios. Finalmente aquele idiota ia assumir os seus descendentes.

Nasasu reparou numa enorme carruagem ricamente decorada e trabalhada, com dois enormes cavalos, muito bem tratados, que estava parada à frente da cabana. Uma senhora e um senhor com roupas coloridas e caras, provavelmente um casal de senhores feudais, o tal casal Yamamura, que ele nunca vira na vida, que apenas ouvira falar através da madrinha e pela Arika. A senhora segurava um pequeno embrulho azul, que ela abanava tentando acalmar o bebé. O Uchiha mexeu-se e foi até á senhora, que ainda se achava chocada pelo berro que Nasasu dera anteriormente. Ai puxou o pequeno embrulho do colo da senhora, nem lhe dando hipótese de pensar, e trouxe-o para os seus braços e olhou a cara do filho. Era uma cara de bebé bolachudo e estava muito vermelho, continuava a berrar e a chorar. Na cabeça tinha um tufo de cabelo azulado. As lágrimas continuavam a cair dos olhos de Nasasu. Baixou a cabeça e abraçou o seu bebé, inalando o cheiro do bebé. Era o seu filho, ou filha, mas fosse como fosse era seu. Ninguém o levaria para longe de si.

– Perdoa-me. – Pediu baixinho. Por pouco, por muito pouco, teria dado o seu bebé a uns desconhecidos. Por pouco não tinha cometido o maior erro da sua vida.

– Sua Majestade. – Chamou Arika, que sempre o tratava daquela maneira, por muito que ele pedisse que ela apenas o tratasse por Nasasu. – São dois meninos. – Ela vinha de dentro de casa com outro embrulho nos braços.

– Dois? – Embasbacou-se Nasasu.

– Nasasu, vai para dentro com a Arika e com os bebés, enquanto eu falo com os senhores Yamamura. – Sugeriu Karin, empurrando o afilhado de encontro à cabana.

– Dois bebés… - Mastigava Nasasu avançando para dentro de casa. – Gémeos…

Em casa pode deitar os dois bebés lado a lado, sobre um largo futon e pode observá-los. Eram idênticos. Na realidade eram cópias, não fosse um ter um cabelo azulado e outro o cabelo preto. Um sorriso alargou-se ao ver os seus bebés. A sua dor desaparecera. Naquele momento ele era um ser feliz. Nunca imaginara que ser pai pudesse trazer tanta luz para a sua vida.

Enquanto isso, Karin, desfazia-se em desculpas e mandava embora o casal Yamamura, mas no fundo estava contente por Nasasu ter aberto os olhos a tempo. Teria sido uma pena ter mandado as duas coisas lindas embora.

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Ao mesmo tempo, em Konoha…

Kagure olhava para as chaves que tinha na sua mão. E depois para a porta que tinha à sua frente. Ele recebera aquela chaves à quase seis anos atrás quando Tsunade morrera. Isso porque ele herdara tudo o que era dela. Incluindo aquele pequeno apartamento vazio que antes fora da velha Hokage. Não sabia se tinha coragem para entrar, mas não tinha outro local para onde ir. Aquela seria a sua nova casa.

Colocou a chave na fechadura e abriu a porta. Um cheiro a bafio chegou-lhe ao nariz. A casa estava fechada à muitos anos. Procurou o interruptor da luz e acendeu a luz. Os seus olhos viram uma sala com os moveis cobertos de panos e plásticos, estes cobertos de pó. Havia teias de aranhas em todos os cantos possíveis e imagináveis. Á sua memória vieram as varias vezes que tinha vindo ao apartamento de Tsunade. Divertira-se muito com a velha Hokage. Ela ensinara-lhe muitas coisas, entre elas a jogar poker. Não era tão mau assim estar ali. Pelo menos estava num sítio onde tivera momentos felizes.

Fez alguns clones de si mesmo e meteu mãos à obra. Tinha que fazer uma limpeza profunda no apartamento. Este era composto por uma sala, que tinha a cozinha agregada, dois quartos e uma casa de banho, e aquilo que ele mais apreciava era uma extensa varanda. Em algumas horas a sua nova casa estava completamente limpa. Provavelmente não viveria muito tempo ali, pois o seu pai iria mandá-lo matar, mas ele só esperava calmamente por esse momento, afinal nessa tarde tinha provocado uma grande explosão, e nessa explosão a casa Shidou desfizera-se. Ele tentara matar o próprio pai. Porquê? Porque estava farto de ser controlado. Tinha remorsos? Não. O seu pai fizera-lhe sempre a vida difícil, além disso, era um assassino profissional, à muito que tinha as mãos manchadas de sangue de outras pessoas. Teria sido apenas mais uma morte no seu currículo.

Deitou-se na cama que antes pertencera a Tsunade e suspirou alto. A esperança de que a sua vida estava a terminar, nem que era um mau pensamento. Era demasiado cobarde para acabar com a própria vida e estava demasiado vazio para pensar num objectivo para a sua vida, então estava num impasse. Não sabia o que faria a seguir. Quando viesse Anbus do esquadrão da Raiz ele deixá-los-ia matá-lo ou lutaria pela sua vida? Acabou por adormecer com esses pensamentos.

A meio da noite acordou com um aperto no peito. Uma tristeza profunda inundava-lhe os sentidos. Agarrou-se aos próprios cabelos. Sentia que alguém precisava de si. Mas como um buraco negro se estivesse a abrir debaixo dele e ele não conseguisse fugir acabou por cair numa ansiedade horrível, que fazia o seu coração bater depressa e o seu corpo suar frio. Levantou-se completamente desorientado. Como se nem sequer soubesse quem era e onde estava. Correu para o lado fora do apartamento para a varanda, levou com o vento frio daquele dia primaveril. A sua alma chorava por alguém. A sua vida pedia esse alguém. Ele precisava daquela pessoa e essa pessoa precisava dele. Fechou os olhos e pensou em Nasasu.

Quando os voltou a abrir estava na sua cama, era de manhã e ele não sabia se tinha sonhado ou se tinha sido realidade.

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No hospital de Konoha…

– Ele tentou matar-me. – Falou Shidou Yuuri. Sentado na sua cama de hospital, com a mulher Azuka ao seu lado, calada como quase sempre. Perto de Yuuri, Azuka era apenas uma sombra, ela permanecia calada, mas estava à escuta apesar de fingir que não estava. Cortava a casca a uma peça de fruta para depois dar ao marido.

– Tem a certeza disso, senhor? – Perguntou Saguichi, fora chamado ali ao hospital de Konoha por um Anbu da raiz, para ele ir à presença de Yuuri.

– Tenho.

– E chamou-me aqui para me dizer isso?

– Não. – Shidou olhou directamente nos olhos castanhos de Saguichi. – Tu amas realmente o meu filho, não amas?

– Porque é que o senhor quer saber isso?

– Responde!

– Sim, eu amo o seu filho. – Confirmou Saguichi, sem saber muito bem até onde é que aquela conversa ia.

– E achas que ele te ama da mesma forma?

– Porque é que quer saber…

– Responde!

– Sim, eu acho que ele me ama.

– Então lança-lhe o jutsu da fertilidade!

– O senhor endoideceu? – Perguntou Saguichi enojado.

– Não! Eu só estou a pensar no futuro do meu filho.

– Pensa que ao engravidar o seu filho está a pensar no futuro dele? – Estava enervado.

– Sim, é isso mesmo. Se ele engravidar pode sair da Raiz sem que absolutamente ninguém vá atrás dele para o matar. – Ripostou Yuuri. Os seus olhos espalhavam sinceridade. – Eu ensino-te o jutsu, mas tu tens que me prometer que ao teu lado ele será feliz! Ele é puro de mais, o seu lugar não é num sítio como a Raiz.

Os dois homens encararam-se fixamente por momentos.

– Eu prometo que ao meu lado ele será feliz.

Nesse momento Azuka soltou um silvo de dor. Cortara-se na faca.

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A água quente caia directamente sobre os dois corpos despidos, de lindos músculos perfeitamente esculpidos. Os dois homens estavam tão próximos um do outro que pareciam uma massa disforme. O louro agarrava no moreno pela cintura enquanto as mãos de Sasuke desciam e subiam pelas costas morenaças de Naruto. Com um movimento, Sasuke puxou as mãos que Naruto tinha na sua cintura e fê-lo vira-se de costas para si.

Naruto apoio as suas mãos nas lajes da parede do chuveiro, enquanto sentia as mãos de Sasuke massajar-lhe o peito, enquanto que com a língua lhe lambia o lóbulo da orelha, usando também a ponta dos dedos para agarrar a carne da orelha, enlouquecendo aos poucos Naruto. Sasuke encostou-se por completo ao corpo de Naruto e este sentiu perto da nádega do seu rabo o membro já bastante duro do marido.

O Uchiha moreno agarrou com os dedos no queixou de Naruto e puxou-o para um beijo molhado, enquanto com a outra mão entrava com dois dedos na entrada do louro. Este último gemeu dentro da boca de Sasuke com a intrusão. Sasuke rodou os dedos dentro dele, fazendo um movimento de vai e vêm. O marido estremecia com o toque. Com a outra mão, que antes agarrara o queixou de Naruto, levou-a ao membro do louro. Já estava bastante desperto, bombeou-o.

Ganhando ousadia, Naruto, levou uma das suas mãos que estava apoiada na parede molhada do chuveiro até ao membro de Sasuke. Preparando-o, deixando-o ainda mais duro.

– Vem para dentro de mim. – Pediu Naruto cortando o beijo. Se continuasse apenas com carícias ele sabia que gozaria, antes de poder sentir Sasuke no seu interior.

O esposo obedeceu ao seu pedido e posicionou-se atrás de Naruto. O louro empinou um pouco o rabo e Sasuke introduziu-se com cuidado dentro de Naruto. Quando estava completamente unido a Naruto, e podia colocar as suas mãos sobre as mãos de Naruto e entrelaçar os seus dedos com os dele, Sasuke pediu mais um beijo. Ambos ofegavam. Eles sabiam o que era fazer amor de corpo e alma.

Com um impulso das ancas de Naruto, Sasuke começou a mover-se. Os gemidos de ambos encheram a casa de banho, embora um pouco contidos, pois eles não se esqueciam que havia mais gente dentro de casa. O moreno levou uma mão à perna de Naruto e elevou-a para que o louro se abrisse mais e ele pudesse estucar mais fundo.

Sentiam o prazer percorrer-lhes os corpos, como pequenas descargas eléctricas que se propagavam rapidamente pelos fios eléctricos. Sasuke ia aumentado o ritmo, e eles iam perdendo os pensamentos à medida que se perdiam nas suas emoções corporais.

– Sasuke… eu estou… - Avisou Naruto desvairado com ritmo com que Sasuke entrava e saia do seu interior.

– No limite… - Completou dando uma ultima estocada funda em Naruto. Os dois estremeceram com a chegada ao clímax. E sem forças escorregaram, com Sasuke por debaixo e Naruto sobre si, para o chão do chuveiro. As suas respirações estavam aceleradas e os seus pensamentos entorpecidos. O moreno beijou o louro numa carícia profunda, enquanto os seus braços o envolviam. Os olhos de Naruto abriram-se, ao sentir o membro de Sasuke a despertar ainda dentro de si.

– Hei! – Refilou Naruto.

– O que foi? Eu não tenho culpa que sejas bom de mais. – Riu-se Sasuke. – Só mais uma rodada? - Naruto arqueou uma sobrancelha. Tinham passado a noite quase toda em rodadas. – Tudo bem, tudo bem. Então levanta esse cu gordo de cima de mim.

– Quem é que tem gordo?

– Pronto, gordo, mas gostoso… au! – Naruto acabara de mordiscar os lábios de Sasuke, mas não lhe provocara ferida.

– Não sejas pervertido. – Avisou-o Naruto com um sorriso mandrião nos lábios. Levantou-se do chuveiro, saiu para fora e procurou o seu roupão. Sasuke imitou-o. Era bom estar de volta. Foram os dois entre sorrisos infantis, abraços e beijos até ao quarto. Por sorte, era sábado de manhã e talvez pudessem tirar umas horas para dormirem.

Naruto sentou-se sobre a cama, suspirando tranquilamente, tudo estava novamente bem. Ficou a ver Sasuke ir até ao armário buscar um pijama lavado, mas depois viu lembrar-se que tinha arrumado a sua roupa à pressa dentro da mochila e de a ter pousado de qualquer maneira no quarto. Sasuke baixou-se para chegar á mochila que estava no chão e a curva do rabo ficou bastante saliente, debaixo do roupão. O louro suspirou com a visão, que o estava a deixar quente. Mas o pior veio depois quando Sasuke se desfez do roupão de banho e ficou completamente nu.

– E quem é agora o pervertido, usuratonkachi? – Perguntou Sasuke dirigindo-se até à cama para se sentar perto de Naruto. – Ele nem se esconde. – Disse apontando para o volume que estava debaixo do roupão de Naruto. – Fechaste a porta?

– Sim… como sempre… ahh… - Sasuke perfurara o roupão e agora massajava o membro meio desperto de Naruto. Deitaram-se na cama e o louro puxou o marido para cima de si. Sasuke abriu o roupão deixando Naruto completamente livre de roupas. Sentou-se sobre o membro desperto, envolvendo o pénis de Naruto com o seu interior. – Sasuke o que pensas que está fazer? Sem preparação…

Sasuke deu um sorriso torto para o marido.

– Não te preocupes, não dói assim tanto. – Beijou Naruto e noutro movimento ficou com Naruto completamente dentro de si. – Ama-me Naruto.

– Eu amo-te sempre, para sempre. – Prometeu Naruto sendo beijado mais uma vez por Sasuke, que começava a soltar gemidos. Aquela era a verdadeira definição de beleza e perfeição.

Continua…