DE CRISÁLIDAS Y MARIPOSAS;

Disclaimer: A história não pertence a mim, é da Saranya.x que me permitiu a tradução. Os personagens aqui citados pertencem a Stephenie Meyer.

Sinopse: Bella é solitária e se esconde de todos, tem um amor platônico por Edward, lindo e sensual, mas ele precisa de aulas e recorre a ela, sem suspeitar que seu coração morto pode ser ressuscitado pelo toque de uma borboleta e não sabe como ela é frágil.


Capítulo 29

(Traduzido por VampiresLoves)

Aparecer na frente da porta desse apartamento, tão luxuoso e bem situado na calorosa Phoenix, não foi nada fácil.

Um calafrio a surpreendeu no meio deste clima que, sem dúvidas, era sufocante, já que estava acostumada com o frio quase gélido de Forks. Calafrio? Perguntou-se, preocupada; normalmente, o calor não gerava um calafrio.

Respirou profundamente para se animar porque, apesar de ter percorrido centenas de quilômetros por esse propósito, agora, em frente a porta, sentia-se como uma completa covarde. Um pânico indescritível por enfrentar sua mãe pela primeira vez em muitos anos e por uma causa tão concreta e que a perturbava muito, no entanto, a invadiu, misturando-se com essa estranha combinação entre sufoco e calafrios que fazia seu corpo suar.

Lembrou que sua reação diante da agitação não era muito normal, por isso o primeiro beijo a fez cair na inconsciência; isso que havia desejado tanto tinha se tornado realidade e quase nem seu ser, nem seu cérebro, foram bem sucedidos em assimilar o momento, de tão utópico que considerava.

Era preocupante que agora sentisse todos os sintomas dessa grande agitação, e isso a deixava em dúvida se conseguia permanecer de pé, sabia que o acontecimento, embora importante, não justificava tais sintomas, nada poderia ser mais incrível do que ser beijada por Edward Cullen pela primeira vez, a única experiência que chegaria perto seria sem dúvida, ser beijada pelo mesmo por uma segunda, terceira vez… fazer amor com ele.

Perdeu-se em suas memórias e no remorso de não ter ligado de volta ainda, nesse momento tinha certeza que ele havia escutado sua mensagem, mas ela ardia com o desejo de ouvir sua voz, de ser consolada por seus beijos e abraços, por suas carícias. Mas agora tinha uma tarefa muito importante, devia deixá-lo para depois. Respirou fundo com dificuldade novamente e todo seu ser agitou-se quando uma mulher, mais velha e muito bonita, apareceu na porta com uma evidente expressão de espanto.

O espanto se transformou em preocupação ao contemplar sua filha, bastante descabelada, com calças gigantescas, o cabelo longo despenteado e uma jaqueta na mão junto com uma pequena mala de viagem, mas o que mais a assustou foi que seus olhos lançavam um olhar febril, por mais anos que tivesse deixado de vê-la, ela sempre tinha em sua mente a recordação marcante dos olhos impressionantes de sua filha, que agora pareciam apagados, doentes.

— Bella! — exclamou ao perceber que ela, em sua confusão, não conseguia reconhecê-la facilmente. — Sou Renée. — Inexplicavelmente, não conseguiu se identificar com um "sou sua mãe", um profundo remorso a impediu de fazer isso, e sua filha parecia não ter ouvido. Bella, na verdade, não conseguia reconhecê-la e só conseguiu estabilizar seus passos antes de tropeçar, o calafrio já não permitia que ela ficasse firme.

Renée a pegou pelo braço e o sentiu úmido e com suor. Conseguiu segurar Bella, que finalmente, devido a um ataque de tosse, perdeu o equílibrio, tocou a testa dela e percebeu que sua intuição inicial estava correta, ela estava praticamente ardendo em febre.

Bella não queria entrar, queria falar com sua mãe, com Renée, mas não conseguia reconhecê-la naquela mulher que segurava seu braço, e ao mesmo tempo não queria entrar nessa casa, nesse lugar que não era seu, nesse lugar que havia construído essa mulher ao lado dela, sendo uma mãe para outros filhos e não para ela; o não para ela ressoava em seus ouvidos como uma martelada constante.

— Não, por favor… — sussurrou implorando para a mulher, que a puxava para levá-la até o sofá, comparado somente aos que tinham na Mansão Cullen.

Mas sentia-se fraca e caiu facilmente no sofá macio. Por um instante, permitiu-se fechar os olhos, relaxar do cansaço que a consumiu praticamente sem parar desde aquela maldita festa.

E sem pensar, sem sequer desejar, fechou os olhos e perdeu toda a noção do que a cercava.

~xXx~

Edward fechou os olhos com a cabeça debaixo de seu travesseiro, tentando esvair-se de seus pensamentos. Saber que estava ali, nessa casa, e que Bella não estava nela, era mais doloroso do que o esperado.

Era incrível como essa menina tinha se fixado em sua mente, em seu coração, em sua alma. Nessa momento em que relembrava-a só podia recordar-se de sua doçura, aquela doçura quase infantil que ele viu maravilhosamente transformando-se em mulher, esta mulher valente que enfrentou seus medos e contra todo o juízo, que havia conquistado-o até a medúla dos ossos.

E agora ela estava longe. Procurando respostas para suas perguntas, respostas das quais ele queria fugir por conta da dor de ver seu próprio pai confrontando todos os seus filhos pelos erros do passado quando voltaram para casa, os olhos lacrimejantes de sua mãe, que nunca se arrependeu de tê-lo perdoado-o, porque foi por sua família, o mais importante para ela.

E Edward sabia que não podia guardar rancor de seu pai por um erro cometido há tantos anos, finalmente, por mais que fosse Carlisle Cullen, por mais que seja um médico de sucesso, por mais que fosse um psiquiatra eminente, ele não era nada mais que um simples ser humano. E se Renée guardava alguma similaridade com sua filha, seria hipócrita da parte dele censurá-la quando nem sequer ele conseguiu se conter perante a Bella, a garota boba, mas maravilhosa pela qual faria qualquer coisa.

Até deixá-la ir.

Esse foi o maior sacrifício que Bella podia lhe pedir, e embora morresse de vontade buscá-la, de sair correndo atrás dela, não se enxergava tirando a oportunidade dela de libertar-se completamente do casulo protetor ao qual ela ficou envolta em toda sua vida.

Primeiro um pai superprotetor, que tal agora um namorado e amante superprotetor? Em que momento ela poderia saborear o gosto do conhecimento livre, de fazer perguntas e obter respostas a sua vontade? Parte do amor que ela lhe inspirava foi isso, embora ele sentia-se possessivo por tê-la tornado-a mulher — o que admitia finalmente que era um eufemismo para não dizer cruamente que haviam feito sexo — , por ser o único garoto que ela tinha amado e ama na vida, pelo amor avassalador que vinculava-o de forma inexorável a ela, ela nunca, verdadeiramente, seria sua, nem ainda se conseguisse segurá-la pelos laços do matrimônio.

Somente ela pertencia a si mesma.

A vontade de possessão era horripilante, avassalava-o por dentro e não deixava-o em paz. Em sua luta, reconhecia que odiava que ela não tivesse recorrido a ele diretamente, não tivesse esperado para realizar essa jornada juntos.

Sentou-se e olhou novamente a tela de seu celular. Nada, silêncio absoluto, faziam dois dias desde a partida de Bella e não havia tido notícias dela, o desespero ia ganhando o jogo.

"Deixe-a livre," ressoava uma voz em seu cérebro, sua própria consciência talvez, aquela que lembrava-lhe que Bella era uma garota incrivelmente inteligente, que não faria bobeiras que a colocasse em risco, que buscaria ajuda se precisasse.

Um som o fez olhar para a porta, a luz fraca de seu quarto lhe permite ver seu irmão entrando; ele parecia descomposto, talvez também tenha deixado a insônia triunfar.

— Não aguento mais, eu devo ir procurá-la — Emmett disse, como se pedisse permissão.

E embora no início a preocupação de seu irmão parecia razoável, no entanto a relação deste com Rosalie andava em vias melhores, ainda que ele mesmo o havia reconhecido como o namorado de Bella de forma irrefutável, o ciúmes acabou com eles.

Malditas lutas internas, dizia, por um lado apreciava o interesse de seu irmão em Bella, tão parecido ao que ele sentia, mas merda, era parecido demais, e Emmett era somente um amigo para ela, não o que ele mesmo já era para Bella.

Ao mesmo tempo ele queria dar-lhe um abraço e um soco na mandíbula.

Respirou fundo para se acalmar, mostrar-se como o louco energuméno que sentia-se não serviria de nada, e muito menos contra Emmett, que podia quebrar seu queixo por apenas desejar isso.

— Eu também não aguento, mas se ela não me ligou, é porque não deseja falar comigo.

— E como você tolera isso? Se eu fosse você, estaria louco; além disso, Edward, você sabe o que senti por ela, não posso te garantir que estou completamente curado, pois morro de vontade de ir procurá-la, mas tenho medo de estar procurando problemas.

Edward encolheu os ombros e tentou esconder ao máximo todo seu desespero; ela desaparecida, seu pai confuso e atormentado depois de ter se confessado diante de sua família, sua mãe devastada por essas recordações que antes considerava distantes, e agora, para completar, Emmett ainda não estava muito seguro de ter se curado de seu amor por Bella.

— Não tolero, simplesmente, absorvo aos poucos. E amar Bella não é uma doença para que seja curada Emmett, simplesmente, desista. Você ama a Rosalie, e ponto final.

Emmett o olhou um tanto surpreso, desde quando Edward pensava que se coloca um ponto final nos sentimentos apenas por desejar isso? Rosalie era importante, muito, com certeza era o amor de sua vida, e não podia sentir-se nesse momento mais amado por ela, mas a doçura de Bella sempre continuaria afetando seu ser.

De repente, um vento como de fadas entrou pela porta, que tinha aberto silenciosamente. Alice entrou quase na ponta dos pés, com certeza para não acordar seus pais, e sentou com seu peso leve, mas com força na cama que Edward, já sentado, estava.

— Nem dormiram, certo?

— Nem dormimos — Edward e Emmett responderam ao mesmo tempo.

— Qual é o plano? — ela perguntou, curiosa, especialmente olhando para Edward.

Ele sentiu-se tímido para revelar a sua irmão o fluir confuso de seus sentimentos, sua sensação de abandono perando ao fato de que Bella, indiscutivelmente e por sua própria vontade, não o queria ao seu lado nesse momentos difíceis.

— Nenhum plano, Alice. Não faremos nada, a menos que Bella nos diga o contrário.

— Você está louco, Edward? Vamos seguir os rastros dela, é fácil averiguar qual vôo pegou, posso revisar a lista de passageiros pela internet.

— Nem pense em fazer isso, Alice, é mais fácil eu me controlar em ir procurá-la se não sei onde ela se encontra. Se ela me ligar de novo, pedir e desejar que eu a busque, é diferente; mas não contra a vontade dela.

— Edward, Bella está muito preocupada nesses tempos e ocupada em quem sabe quais coisas para manifestar sua vontade explicitamente. Além disso, me advertiu um pouco tarde… — o olhar orgulhoso e ao mesmo tempo tímido de Alice dizia tudo, e tanto Edward quanto Emmett a olharam ansiosos — Não disse que não queria saber?

Edward se mexeu, desconfortável. Por Deus, queria que fosse Bella que tomasse a iniciativa, era quem o tinha deixado de lado, quem havia partido, com boas razões mas, afinal, tinha sido uma escolha dela. Como poderia persegui-la? E como evitar isso se sabia até qual lugar tinha pego o vôo?

— Não quero saber, está proibida, Alice.

— Um momento, eu quero saber — Emmett indicou, animado pela primeira vez na noite toda — . Vamos ao teu quarto, Alice, já que esse mequetrefe não quer participar de um plano, não significa que não vamos ter algum.

— Eu proibo vocês fazer algo! — Edward disse a eles, e já estava mais do que exasperado. Mas, enquanto os viu sair indiferentes a sua exigência, se deu conta palpavelmente de que seus instintos primários, se deixasse ser vencido por eles, o arrastariam inexoravelmente em direção à Bella.

Jogou-se na cama e, novamente, escondeu sua cabeça debaixo do travesseiro, com a esperança de que esse gesto fosse bloquear de alguma forma os seus pensamentos.

Mas não, foi inútil.

"Lembre — dizia — , por ela faria o que fosse… até deixá-la ir."

~xXx~

Desmaiada ou adormecida? A alternativa era essa.

Renée observou preocupada como sua filha tinha a respiração entrecortada, e seu peito subia e descia muito rapidamente. Quando deixou-a deitada no sofá, sabia que o mais indicado era chamar um médico, por isso fez isso, e ele tinha confirmado suas suspeitas.

Aparentemente a pneumonia podia ser tratada em casa, e isso implicava envolver sua família na visita de Bella; além disso, sua doença adiou o tempo para saber das razões que a levou até lá quando, antes, negou-se tantas vezes de visitá-la.

E além disso, o mais intrigante, porque tinha chegado naquele estado.

Felizmente, Bella não tinha desmaiado, dormia profundamente e respirava com dificuldade. Tinha levado-a com a ajuda de sua empregada até o quarto de hóspedes e o médico abriu um sistema intravenoso para fornecer soro e antibiótico. Tudo estava sob controle.

Renée sentou ao lado da cama e contemplou-a.

Não pode deixar de se ver nela nesta mesma idade; embora Bella fosse morena, seus traços era muito parecidos aos que ela tinha no passado.

Por um momento teve a consciência angustiante de que por seu egoísmo não tinha visto-a crescer, e Bella era uma garota que floresceu maravilhosamente; da bebezinha que carregou em seu ventre para aquela menina chorona que apenas caminhava e meio que balbuciava e que ela tinha abandonado, agora parecia, ainda no meio a impotência de sua doença e nessa camisola que ela tinha colocado, como uma mulher completa e plena.

Sem dúvidas, Charlie fez um bom trabalho.

Desejava intensamente que ela acordasse para conhecê-la melhor, era incrível; sua filha mais velha era o ser mais desconhecido para ela na face da terra. Desejava poder descobrir em quais outros aspectos, além do físico, se parecia com ela. Desejava explorar esse coração que havia gerado com suas próprias células, mas ao qual foi alheia desde sempre, por sua vontade própria, diante da sua fraqueza de se encontrar novamente com Carlisle Cullen.

Porque para visitá-la, estar ao seu lado, implicaria voltar a vê-lo e porque logo, já com seu novo lar formado, seus novos filhos, seu novo status social, tornou-se fácil ver que podia deixar de lado sua vida do passado, quase como se tivesse sido uma vida anterior que nem sequer lembrava.

O forte, o pesado, era que lembrava-se daquela vida, e essa menina que dormia diante de seus olhos era a prova irrefutável desse passado, de seu casamento frustrado, daquele amor avassalador que sentiu pelo homem que não era seu marido e que havia arrastado-a até fronteiras jamais imaginadas, para em seguida deixá-la devastada.

E ela não considerou-se forte suficiente para se recuperar disso, sabia que bem no fundo de seu ser, que ainda não estava recuperada. Ter amado Carlisle Cullen com essa força implacável que ela sentia, quase como se estivesse predestinada a ele, e praticamente desde que era uma criança, e ter provado com ele a doçura do amor físico, tinha deixado seu coração imunizado. Nunca abriu-se novamente para uma paixão desse tipo, como fazer isso se apenas sobreviveu ao que não simplesmente quebrou, mas minou e explodiu por completo seu coração?

Seu amor por Phil, deste modo, sempre colocou-se como algo sob seu controle, mais racional e razoável, até mesmo planejado. E sabia que ver Carlisle novamente, na verdade, saber dele, era algo que colocaria em perigo a tranquilidade conquistada.

Mas com seu medo, com sua covardia, tinha feito muito dano, muito. Charlie não reconstruiu sua vida; embora não amasse-o, tinha aprendido a apreciar o amor que ele professava e sua ternura amável; e Bella, por Deus, Bella tinha sido sua vítima diretamente.

Acariciou suavemente uma mecha de cabelo bela. Era estranho oferecer carícias a essa filha que ela nunca tinha acariciado antes, mas ela sentia-se calma. Ela não era de oferecer carícias, amava os seus gêmeos, porém manifestava seu afeto de forma diferente, mas Bella inspirava-lhe uma ternura desconhecida, que de qualquer forma era reconhecida e enraizada na pena e remorso.

De repente, Bella se mexeu em reação a carícia, ainda sem acordar.

— Edward… — sussurrou entredentes, mas Renée entendeu claramente — , voltarei, eu prometo.

Com certeza estava sonhando, Renée percebeu. Sorriu ao reconhecer outra semelhança entre elas, ela também falava dormindo. Talvez Bella falava a respeito de algum namorado que tinha. Não era muito nova para ter um namorado? Riu silenciosamente de novo, nessa idade já estava casada, e passou a maior parte de sua vida conscientemente apaixonada por somente um homem.

Algo marcava suas palavras… talvez um afeto profundo, amor, talvez?

— Edward… voltarei para a Mansão Cullen, eu prometo… — Bella disse ao virar no travesseiro e ficar, novamente, em sono profundo.

Aquele sobrenome ressoou na mente de Renée como uma ferida nunca fechada que subitamente foi preenchida por sal.

Edward, na Mansão Cullen, alguém a quem Bella amava o suficiente para se lembrar e falar nos sonhos.

Carlisle tinha um filho com esse nome. Diabos, Edward Cullen! Pelo visto, tinham ainda mais semelhanças do que ela poderia pensar.

Será que Bella, sua própria filha, também amava um Cullen?

~xXx~

Carlisle não conseguia dormir.

Esme tinha lhe pedido muito amavelmente que nesta noite ele deixasse-a sozinha em seu quarto e que fosse para o quarto de hóspedes. Todos os acontecimentos do passado foram removidos de seu ser e não sentia-se apta para dormir ao seu lado.

Carlisle compreendeu-a. Enfrentar seus filhos em sua volta para casa foi uma experiência muito intensa, e foi pior para Esme, ao lembrar que estava grávida, com seus dois filhos à carga e enganada.

Embora nenhum de seus filhos tenham sido especialmente críticos ou carregando-lhe de repreensões, fizeram algo pior, ficaram em silêncio. Um silêncio proposital e surdo que lhe encheu de dor, especialmente porque em sua mente ressoava uma reprovação maior ainda, e era o dano que fez para Bella.

Um dano consciente, premeditado, fruto de sua covardia por não encarar esses fatos por ter agido mal com Charlie, Renée, com todos. Como lamentou não ter seguido o conselho de Esme, ela sabiamente pressentiu que ele devia ter dito antes. E agora Bella estava sozinha, perdida, exposta a quem sabe quais perigos.

Seus filhos abandonaram a sala para ir aos seus respectivos quartos em completo silêncio, enterrando mil adagas em sua alma.

Com certeza já era madrugada. Escutou leves ruídos do lado de fora e desejou que alguém tivesse levantado, ele precisava falar, tirar de sua mente todo o peso que tinha e fazer algo para resolver tudo, poder falar sobre Bella.

Levantou-se e a partir do corredor escuro observou Alice e Emmett na mesa da cozinha, falavam em voz baixa enquanto compartilhavam talvez um chá quente. Certamente eles também não conseguiam dormir.

Não queria nem saber o quando Edward estava sofrendo.

Aproximou-se com cautela, indeciso entre seu desejo por companhia e ser reconhecido como um indesejado diante de seus próprios filhos, quando escutou suas vozes.

— Alice, você é maravilhosa e uma hacker genial, achei que a informação dos passageiros das linhas aéreas era confidencial, por segurança e tudo isso.

— Veja só, maninho, sou uma completa gênia não só utilizando o cartão de crédito pela internet.

— Pois quem iria imaginar, Alice, você parecia muito capaz de adivinhar o futuro e nem sequer pressentiu o de Bella, nem do nosso pai com esta mulher, aparentemente Jasper está te deixando muito distraída.

— Você deveria estar agradecido por ele me ver feliz, assim não cuido dos mistérios de seu coração, ainda dividido em dois…

— Está errada, Alice, estou bem com Rose. Preocupo-me com a Bella, sim, e não de uma forma normal, mas é que esta menina é capaz de procurar problemas. E dispara todos os meus instintos protetores.

— Olha lá, não se engane, Emmett — ela disse de repente, muito séria, o que chocou seu interlocutor.

— Deixa de bobeira e me diga agora para onde Bella viajou.

— E o que você fará com essa informação? Buscá-la? Edward te mataria, já o ouviu, ele está naquela posição de cavaleiro respeitoso diante das decisões errôneas de sua amada, embora isto esteja explodindo o coração e a cabeça dele de preocupação.

— Não sei o que vou fazer Alice, mas preciso dormir nem que sejam algumas horas e ansiedade não deixa.

— Bem, eu direi, embora eu confesso que fiz estas averiguações porque esperava que Edward fosse buscá-la, se você fizer isso já não tem graça.

— Diga-me de uma vez!

Alice suspirou, olhou com curiosidade o corredor escuro que começava a partir da porta da cozinha, e em voz muito alta disse:

— Para Phoenix, o destino final do vôo que ela pegou ia até Phoenix. Como sabe, a mãe dela mora lá. Eu acho que foi procurá-la.

Um passo foi ouvido no corredor, alguém tropeçou, e isso abafou o grito de surpresa do Emmett, que parecia furtivo, mas não viu nada e volta para perto de Alice.

— Merda! Essa mulher abandonou-a e nunca a quis, o que pode querer com ela, quando finalmente já sabemos tudo e não vale a pena seguir revirando isso, mas sim dar um ponto final?

— Emmett, é claro, ela quer respostas. Talvez isso não seja para você e para mim como é para ela, nós tivemos nossos pais juntos apesar de todos os acontecimentos; Bella cresceu sem mãe, e sem dúvidas, somente ela pode lhe dar as respostas que precisa.

— Tomara que essa mulher não trate-a mal, porque juro que senão ela se verá comigo.

— Tomara… — Alice expressou duvidosa, enquanto deixou seu olhar perdido no corredor.

— E tomara que o FBI não esteja te rastreando já, Alice, talvez amanhã apareçam na nossa porta.

— Bah, Emmett — Alice indicou com um gesto desajeitado —, nem as corporações secretas poderiam me rastrear, eu te garanto, você me conhece, por que não confiaria em sua irmã?

— É por te conhecer que me preocupo. — Ele bagunçou o cabelo dela sob protestos — Vamos, termine seu chá, vamos dormir e manhã decidiremos o que fazer.

Carlisle soltou um suspiro inaudivel, diante da notícia moveu-se desajeitadamente e tropeçou e Emmett quase o descobriu espionando-os, o que teria sido muito vergonhoso; mas tinha conseguido se esconder atrás de uma grande cortina da janela do hall, local que ainda permitia-lhe escutar o que falavam.

O quão errada estava Bella se procurava por Renée, se procurava respostas nela. O egoísmo de Renée nunca deixou de superar o acontecimento, e a prova disso foi a conversa que tiveram pelo telefone há pouco tempo.

Se podia fazer alguma coisa por Bella, era salvá-la de Renée.

Sem importar-se que Esme acordasse, ele entrou em seu quarto e pegou uma mala, encheu-a com roupas básicas e confortáveis aleatoriamente porque não queria acorda sua esposa com a luz.

No entanto, Esme acendeu o abajur do criado mudo e ela olhou-o intrigada.

— O que aconteceu? — ela perguntou preocupada.

— Vou buscar Bella. Se precisar de mim para algo urgente, levarei meu celular. Vou falar com o hospital, afinal de contas, tenho muitas férias pendentes.

— Então você sabe onde Bella está? Ela está bem?

— Sei onde ela está, mas não posso assegurar que esteja bem.

Pegou seus documentos e celular no criado mudo, deu um beijo suave nos lábios de Esme e desapareceu pela porta dizendo:

— Tchau, e não conte ao Edward, por favor, ele já tem bastante motivos para me odiar e não precisamos dar-lhe outro. Prometo que voltarei com Bella, que a trarei sã e salva.

~xXx~

Charlie desligou o telefone ainda preocupado, mas aliviado por saber ao final de contas onde Bella estava.

Foi uma grande loucura, a viagem de sua filha, ela nunca tinha viajado sozinha e de repente pegou avião e aterrissou numa cidade desconhecida, e além disso, ficou doente precisamente quando enfrentou, pela primeira vez em anos, sua mãe.

A conversa com Renée foi áspera e carregada de repreensões, não queria nem lembrar disso, ela ligou na Estação de Polícia e ao ouvir sua voz ficou assustado, pois geralmente quando ligava era para casa procurando por Bella.

Ela contou-lhe para seu alívio que Bella estava em sua casa, doente mas sob cuidados médicos, e Charlie informou-a brevemente a razão da partida de Bella e por quê certamente a procurava. Mas Renée parecia se importar com outra coisa.

— Como é que Bella acabou se metendo com Edward Cullen? Não é verdade que Carlisle sempre foi seu inimigo? Como permitiu algo assim? — ela reprovou com a voz irritada.

— Se não consegui impedir minha esposa de se misturar com um Cullen e acabar se enrolando na cama dele, como poderia ter impedido minha filha de fazer o mesmo? E onde você estava para impedi-la também? Renée, você abandonou-a renunciando todos seus direitos de proteção sobre ela, eu fiz o que pude, até cometi o erro de tentar protegê-la do passado e a forma como tudo terminou entre nós e agora ela me considera um mentiroso, e ainda assim você me repreende?

— Eu teria tolerado qualquer coisa, menos que ela terminasse com um Cullen, vai arruinar a sua vida, como Carlisle fez com você.

— Não seja descarada, Carlisle não arruinou nada que não foi arruinado por você sozinha, como, por exemplo, nosso casamento, você nunca deveria ter aceitado casar-se comigo se não me amava, e menos ainda, se amava outro homem. Você acha que é agradável relembrar nossa intimidade juntos, quando sei que só pensava nele? Imaginava-o com você nesses momento para conseguir desfrutar. Esqueça-me, Renée, vá para o inferno, mas por favor, antes, mande minha filha de volta sã e salva.

Um suspiro exasperado antecedeu sua resposta.

— Estou errado, ou antes deu a entender que ela já acabou na cama dele? A sua liberdade de pai levou-a até isso? Você fracassou, Charlie, na única coisa responsabilidade importante que tinha na vida.

— Eu pelo menos tentei cuidar de Bella e ajudá-la a tornar-se uma mulher de bem, mas você nem sequer assumiu este papel. E Bella é uma garota maravilhosa, se ocupasse-se em conhecê-la e não fazer reclamações sem justificativas, talvez poderia se dar conta disso. Veja se aproveita essa estadia oportuna dela em sua casa para aproximá-la de você, não terá essa oportunidade duas vezes, eu juro.

Renée ficou em silêncio por alguns instantes, não podia deixar de reconhecer que pelo menos, no último caso, Charlie tinha razão. Desligou lentamente sem dar uma resposta.

Charlie ficou em silêncio diante do aparelho, sem sentir-se surpreso. Pelo menos Renée teve a decência de avisá-lo que Bella estava doente, mas bem e se recuperando; embora o médico tenha dito que era uma pneumonia, pelo menos ela não estava inconsciente, mas dormindo.

Ele queria voltar ao trabalho quando uma figura conhecida apareceu diante da porta de seu escritório; o menino quase sempre bonito, nesse momento estava com olheiras como se não tivesse dormido e inspirava algo próximo a desolação.

Mas não podia deixar-se levar pela compaixão, aquele miserável tinha roubado a virgindade de sua filha, abusando da confiança depositada em sua família, e com todo seu histórico sexual facilmente divulgada em Forks desde que tinha 15 anos, só podia esperar dele o pior.

— Chefe Swan, bom dia.

Charlie suspirou e indicou a cadeira na frente se sua mesa em silêncio.

— Não o incomodarei muito, só quero que veja isso — e entregou-lhe um envelope pequeno alguns papéis dentro, que Charlie começou a olhar com curiosidade. A etiqueta dos documentos dizia:

"Hospital de Forks - Laboratório - Edward Cullen - 18 anos."

— O que é isso? — ele não pode deixar de perguntar.

— São os resultados dos meus últimos exames médicos, são do mês passado, e se souber interpretá-los verá que encontre-me em perfeito estado de saúde, e portanto não transmiti nenhuma doença para sua filha, como você temia.

Charlie deixou de lado o envelope sem sequer abri-lo, já que sabia que não era capaz de interpretá-los como Edward insinuou.

— E se tivesse engravidado-a, hein? Você poderia lidar com um bebê agora, na sua idade, sem sequer começar a faculdade, e obrigaria Bella a isso?

Edward fixou o olhar na janela, o vidro transparente revelava um lado do bosque que cincundava toda a linha da estrada principal da cidade. Enquanto ansiava Bella, queria ter deixado dentro dela pelo menos um vestígio de sua presença, de sua passagem pela vida dela. Se pelo menos um espermatozóide, uma única célula feliz reprodutiva tivesse florescido dentro dela! Mas não foi assim, agora ela poderia optar a tomar outros rumos e seria como se ele nunca tivesse existido

— Também não deve se preocupar com isso, Bella me indicou que não estava em dias de risco.

Charlie viu a dor em seu rosto e não atreve-se em repreendê-lo novamente, parecia estar sofrendo o suficiente como se fosse seu castigo, era como se… como se… não conseguia chegar ao conceito certo.

Sua mente saltou quando conseguiu defini-lo. Por Deus, sim! Ele tinha descoberto, era se… ele a amasse?

Maravilhado por sua descoberta não foi capaz de retomar a conversa, nem sequer de dizer a Edward que já sabia onde Bella estava e que poderia parar de se preocupar com ela, que estava um pouco doente, sim, mas Renée garantiu que a vida dela não corria risco.

Nem uma palavra saiu de sua boca de tão surpreso que estava. Edward pegou o envelope na mesa e saiu sem despedir-se, com passadas firmes.

Charlie olhou-o perdendo no final do corredor, pensando em como sua própria filha, sua menina valente que antes se escondia entre montanhas de roupas para não deixar que os outros notarem o quão pequena e vulnerável ela sentia-se, essa menina, por Deus, sua própria filha, operou um milagre.

Nem sequer Renée, usando todos seus poderes de sedução tinha conseguido o amor de um Cullen. Bella sim. Definitivamente, os filhos tendiam a superar seus pais.

~xXx~

O sono foi muito longo, mas reparador.

Bella acordou porque um raio de sol muito caloroso fluía através das cortinas de seda macias, na sua cara, muito estranho, muito.

O sol sobre Forks era amplamente luminoso, mas seus raios eram tão frios quanto tocar no mármore negro ao ar livre, e estes raios eram calorosos e ardentes.

Virou-se no lençol de seda macio sentindo-o em sua pele, e por isso notou assustada que usava uma camisola fina que nunca viu antes, de cor creme. O pânico foi ao ápice quando virou-se e contemplou o ambiente de bom gosto do quarto, banhado por uma luz esplendorosa que entrava pela janela.

Como era de costume dedicar a ele seu primeiro pensamento do dia, lembrou de Edward, mas isso não diminuiu seu pânico.

A cabeça estava pesada como se tivesse passado debaixo de vários tratores, e seu corpo estava mole, era a sensação potenciada em cem que sentia quando tomava algum analgésico. Virou-se para ver todo o quarto e o puxão na mão doeu, olhou-se e viu-se ligada com uma agulha a uma fonte de fluidos intravenosos. Inevitavelmente olhou novamente a agulha e a necessidade de tirá-la de sua pele atordou-a, mas ao mesmo tempo, um medo profundo de se machucar a deteve; e, além disso, onde diabos estava?

O estômago se retorceu num espasmo de fome, como se há dias não comesse nada. Dias? Não sabia, tinha perdido completamente a noção de tempo e espaço, em todo caso sabia que ficou conectada a um soro intravenoso não morreria de fome.

Levantou-se com cuidado, movendo sua mão lentamente para não se machucar e olhou pela janela, não estava em Forks, sem dúvidas. Obrigou-se a refletir, pensar o que tinha levado-a até ali antes de deixar o pânico supera-la.

Respirou fundo e tentou vasculhar em suas memórias, até que um súbito ataque de luz lhe fez relembrar tudo. Merda, estava na casa de sua mãe, e nem sequer tinha conseguido ter a conversa que queria com ela.

Tentando não olhar para não se impressionar, lentamente tirou a agulha que estava presa em seu pulso, fluiu um pouco do sangue de sua veia e conteve a respiração para não ficar tonta. Entrou no banheiro para tirar o sangue da ferida com a água, mas o chuveiro luxuoso atraiu-a e desejava um banho refrescante, lavou-se lentamente e logo encontrou uma escova de dentes novas que usou instantaneamente. Secou-se confortavelmente e quando saiu, abriu o guarda-roupa para ver se encontrava suas roupas. Lá estavam suas roupas íntimas, mas não suas calças folgadas e suéteres, apenas vestidos leves. Pegou o mais discreto e vestiu.

Saiu do quarto descalça, não tinha escolha a não ser enfrentar sua mãe agora, finalmente, por isso que tinha procurado ela.

O corredor longo acabava numa sala espaçosa e bem iluminada, mas vazia. Aproximou-se de uma porta onde tinha livros, talvez fosse um estúdio, ali escutou vozes altas, parecia uma discussão.

E, de repente, silêncio.

Aproximou-se e não conseguia acreditar no que via, sua mãe agarrava-se a um homem e beijava-o. O homem oferecia resistência, mas finalmente sucumbiu e entregou-se ao beijo.

Certamente era o marido dela, o proprietário daquele time de beisebol tão famoso, era maravilhoso o quanto ela o amava tanto que praticamente devorava-o com um beijo, apesar de seus anos de casados.

O homem finalmente e de maneira brusca separou-se dela, e dirigiu um olhar de pânico para porta, até ela.

A surpresa quase lhe fez perder o equilíbrio, abriu os olhos para comprovar se estava alucinando, talvez fosse um produto do mal estar que ainda tinha, vestígios de alguma doença, vírus ou algo assim.

Abriu e fechou os olhos rapidamente, não, não estava alucinando.

O homem era Carlisle Cullen.


Nota da Tradutora: Olá meninas, como estão? Primeiramente quero dizer que ando meio sumida por conta dos compromissos na minha vida pessoal, mas em momento algum esqueci de vocês, só não estava com tempo ou com cabeça para traduzir nesse últimos tempos! Espero que entendam.

E sobre este capítulo: o que será que a Bella vai fazer? Vocês acham que o Edward está fazendo o certo em não querer buscá-la e nem saber onde ela está? E o que será que a Bella vai fazer em relação à esse beijo da Renée e do Carlisle? Deixem seus reviews, porque a gente gosta de saber o que passa na cabeça de vocês!

Beijos, Gui.


Eita que capítulo, e estamos acabando (graças à Deus), com a ajuda da Gui a gente chega lá! Só mais dois capítulos e a fic finalmente chega ao fim

Obrigada pelos comentários e pela paciência.

Beijos

xx