Resumo: Eu tinha sete anos quando o conheci. E nem eu nem ele sabíamos como nossas vidas iam mudar a partir daquele momento. AU, B/B.

N/a: Sei que tinha gente que estava esperando por isso, então me digam o que acharam. Eu tenho essa cena em mente desde o pequeno beijo dos dois na infância, fico feliz em finalmente conseguir incluí-la.
Nina, obrigada pela super-betagem-múltipla.

Obrigado a cada um de vocês que deixou review. Me faz feliz e me anima a escrever mais. Thayn, resposta à sua pergunta no capítulo. ;)


Brennan's Song

29. Sem medo

Era tarde. Havia pouco mais de dez pessoas restantes. O pai de Angela havia saído mais cedo, dando uma carona para os membros da banda, seus amigos. Hodgins deixaria eu e Angela em casa, e depois Booth.

Quando o último dos convidados se despediu, Angela nos olhou e sorriu.

-Eu estou morta, mas imensamente feliz.

-Devíamos ir agora, não? – disse Hodgins, tentando conter um bocejo – Mais um pouco e o dia vai nascer.

Angela se pôs em pé.

-Jack, me ajude a achar meus sapatos. E preciso pegar meu casaco, e o resto dos presentes, assim podemos levar até o carro.

-Querem ajuda? – se ofereceu Booth.

-De forma alguma, cara. Não é muita coisa não. Vão indo até o carro, já chegamos lá.

Eu e Booth saímos então para a rua escura. Ouvindo o relampejar suave, olhamos para um e outro lado da via. Ao que parecia, uma chuva estava a caminho.

-Booth, tem uma farmácia 24 horas ali. – apontei, na outra esquina. – Não quer ir até lá e comprar alguns analgésicos? Mesmo os que eu tenho comigo estão acabando.

Ele concordou e seguimos, juntos, até lá. A mão dele novamente voou para a minha, e eu comecei a achar que poderia me acostumar com aquilo.

Não demoramos muito na farmácia, mas no momento que chegamos à porta percebemos que havia começado a chover.

Booth olhou para fora, avaliando a força da chuva. Não estava tão forte. Então tirou seu terno, jogando-o sobre os meus ombros.

-Não precisa...

Ele me cortou.

-Não reclame. – então estendeu a mão, pegando a minha novamente e me puxou para fora.

A chuva estava gelada, e as poças por onde pisávamos faziam a água chapiscar em minhas pernas.

-Vamos, Bones, mais rápido! – disse ele, aumentando levemente o passo.

-Booth, não force...

-Não estou forçando, está bem? Sei dos meus limites. É você que está andando feito uma tartaruga.

-Eu mal consigo andar com esse salto, como você quer que eu corra?

-Desse jeito a gente vai se ensopar.

-Eu já estou completamente molhada, Booth. – respondi eu, tentando acompanhar as passadas largas dele – Espero que a Angela realmente não goste muito desse vestido...

Eu parei por um momento, tirando as sandálias de salto alto.

-Você vai machucar os pés.

-É só até o carro.

Segurando as sandálias com uma das mãos corri ao lado de Booth. Um raio cortou o céu, iluminando tudo por alguns segundos. Ele sorria, e eu sorri também. Estávamos molhados, cansados e gelados, mas estávamos rindo. Estávamos nos divertindo como se ainda fôssemos duas crianças.

Eu senti um tremor percorrer meu corpo, resultado da chuva fria. Booth ainda segurava minha mão e, num movimento ágil, sem desenlaçá-las, ele passou a mão por cima da minha cabeça, de forma que seu braço envolvesse meus ombros e minha mão, ainda segurando a dele, ficasse sobre meu ombro esquerdo. Paramos de correr, já que pouca diferença fazia, e apenas andamos a passadas rápidas.

-Que bela ideia tivemos... – reclamou ele, de forma brincalhona.

Eu apenas concordei com a cabeça. Ele estava realmente próximo, podia sentir sua respiração quente contra a pele fria do meu pescoço.

Quando finalmente alcançamos o lugar onde o carro estava, eu não pude acreditar no que vi.

-Onde estão eles?

O carro estava fechado e vazio.

-Não chegaram ainda. Não acredito que corremos até aqui por nada.
Booth ainda não havia me soltado, e eu delicadamente puxei minha mão de volta.

-O que está fazendo?

Eu havia jogado as sandálias no chão, e sentado no capô do carro, os braços cruzados.

-Nós já estamos ensopados mesmo, pra que voltar e depois ter que correr pra cá de novo? Eles logo devem chegar.

Ele concordou, olhando para baixo, sua camisa branca pesada da água.

-Estou tão a fim de matar um squint e uma desenhista. – disse ele rindo, vindo se postar à minha frente.

-Algo deve ter acontecido para eles se atrasarem. – respondi eu, tremendo involuntariamente de frio, mesmo vestindo o terno dele por cima de meu vestido.

O movimento não passou despercebido para os olhos dele, que se aproximou mais, me encarando. A noite toda eu havia visto aquele olhar vir dele. Um olhar quente e escuro, que eu nunca havia visto antes e não sabia como interpretar. Vi os olhos dele se fixarem em meus lábios, e outro tremor percorreu meu corpo, mas dessa a vez ele não tinha nada a ver com o frio. De repente a tarefa de respirar se tornou difícil.

Havia algo de sexy na forma como ele estava parado, o cabelo pingando água, os olhos nos meus lábios.

Eu percebi que ele estava mais perto. Mas me surpreendi ao me dar conta que era eu quem havia me inclinado. Ele tomou isso como uma permissão silenciosa, e começou a cobrir os poucos centímetros que nos afastavam, meus joelhos encostando-se aos quadris dele.

Devagar, como se certificando de que eu tinha certeza, ele baixou o rosto, me olhando nos olhos.

-Não vai correr, Bones?- Sussurrou, com uma voz rouca. Eu respondi, no mesmo tom.

-Não tenho oito anos, Booth.

Eu o encontrei no meio do caminho, e o primeiro roçar foi suave. Tão suave como nossa experiência quando éramos crianças. De olhos fechados, eu inalei o cheiro dele, o gosto de chuva. Então nossos lábios se encontraram novamente, dessa vez se demorando mais, e eu entreabri os meus, permitindo a ele o acesso à minha boca.

Nosso primeiro beijo foi doce, e reconfortante. Como estar em casa. Foi assim que eu me senti, como se voltasse para casa depois de muito tempo longe. O fraco gosto de chocolate e o cheiro de colônia, o princípio de barba dele roçando contra meu queixo, tudo misturado às gotas de chuva.

Quando não podíamos mais suportar ficar sem ar, nos separamos, mas não nos afastamos. Os olhos chocolate dele estavam lindos, quentes e brilhantes. Eu sorri. Ele encostou a testa contra a minha.

-Hoje eu percebi... – ele começou a dizer, mas foi interrompido por uma voz.

-Santo Deus, vocês estão ensopados!

Nos viramos para ver Hodgins e Angela chegando, os dois embaixo de um guarda-chuva.

-E a culpa é de quem? – disse Booth depois de alguns segundos, mirando Hodgins.

-A culpa é de vocês por não pegarem um guarda-chuva. – respondeu ele, abrindo a porta do carro.

-Eu não acho que eles tenham se importado, Jack – disse Angela, sorrindo – Pareciam bem entretidos quando a gente chegou.

Eu baixei os olhos, sentindo, mesmo na chuva gelada, meu rosto esquentar. Não queria nem pensar quanto Angela havia visto, e a quantidade de perguntas que ela iria me fazer.
Hodgins tirou alguns jornais do porta-malas, jogando no banco de trás.

-Tentem não molhar muito o banco... – murmurou ele, contrafeito.

Eu entrei no carro, Booth logo atrás de mim. Assim que ele sentou, passou o braço pelos meus ombros e eu não impedi.

Os dois ficaram um tempo ajeitando as caixas no porta-malas, e então também entraram no carro e fecharam as portas. Angela se virou para o banco de trás, jogando algo para mim.

-Ia esquecer minhas sandálias, Brennan?

Eu segurei o par de sandálias em minhas mãos. Havia realmente as esquecido, mas Angela não parecia zangada. Estava sorrindo, parecia divertida.

Hodgins ligou o carro, e eu me acomodei melhor no banco, a mão de Booth ainda abraçando meus ombros. Estranhamente, todos estavam em silêncio. Hodgins reclamou um pouco sobre os vidros embaçados, Angela bocejou, dizendo que estava com sono, mas nenhum de nós realmente começou uma conversa.

A certa altura em que não pude conter um arrepio de frio, senti Booth me puxar mais contra o corpo dele, também molhado. Eu adoraria tomar um banho e colocar algumas roupas secas. Mas isso queria dizer que eu também teria que me afastar do calor do corpo dele. Pensando apenas em aproveitar o momento, me deitei contra o peito dele, confortável.

Cedo demais, Hodgins parou o carro. Ele embicou na garagem e Angela abriu o portão eletrônico, assim não teríamos que descer na chuva.

-Senhoritas, entregues sãs e salvas. – disse ele, com um sorriso para nós.

Eu não me mexi.

Hodgins beijou Angela nos lábios, falando que mais tarde ligaria para ela. Eu finalmente me ergui, sabendo que não poderia ficar ali para sempre.

-Bones... – disse Booth baixinho, liberando meus ombros, mas segurando minha mão. – Obrigado. Por tudo.

Eu sorri, apertando a mão dele, que segurava a minha tão delicadamente.

Angela já havia descido do carro, e me esperava pacientemente.

-Tomem o tempo que quiserem. Sério.

Olhamos de um para outro dos dois, e vi que Booth ficou tão embaraçado como eu fiquei.

-Então, hoje à noite você vai estar em casa? Eu te ligo, no horário de sempre.

Eu concordei com um meneio e abri a porta do carro. Hodgins ligou o motor novamente, e Angela se virou para abrir a porta da casa.

E Booth aproveitou o momento para me puxar, deixando um último beijo em meus lábios.

-Durma bem, Bones.

Eu desci do carro, um sorriso bobo no rosto.

O que havia acabado de acontecer?

Angela nem havia encostado a porta ainda, o interrogatório começou.

-Brennan, o que aconteceu? Quero saber tudo! Como é beijar ele? Meu Deus, o que ele falou?

Eu ri, as perguntas quicando em minha mente.

-Angela, por favor, me deixe colocar umas roupas secas...

Ela encostou a porta e me seguiu pela casa, continuando a torrente de perguntas.

-Sério, Bren, não acredito que você realmente cumpriu o combinado! Quero dizer, você demorou eras pra cair na real, mas eu achei... e que hora você escolheu pra falar com ele, não? Logo quando comecei meu discurso para você?

Havíamos alcançado o quarto dela e, enquanto falava ela pegou uma toalha no armário. Eu sorri.

-Tentei falar antes, mas o Douglas nos deu um pouco de trabalho...

-Ah, não creio! O Douglas estava caidinho por você, mas eu não me toquei. Não até ele vir até mim reclamando por eu não tê-lo avisado que você estava saindo com o 'cara do basquete'.

-Ele falou isso?

-Falou. E tenho que dizer que, nessa hora eu realmente fiquei orgulhosa de você!

Eu baixei os olhos, ouvindo o ruído de água pingando. Angela seguiu meu olhar, até a poça de água no tapete.

-Onde estou com a cabeça hoje, Bren? Vá tomar um banho, você está inteirinha molhada!

-Me desculpe pelo vestido. E pelas sandálias.

-Está tudo bem. Quero dizer, valeu a pena, não valeu?

Eu não respondi, mas senti um sorriso se formar em meu rosto enquanto caminhava até o banheiro.

-É claro que valeu... – ouvi Angela falar ainda, antes de fechar a porta.

And I don't know why but whith you I'd dance
(E eu não sei por que mas com você eu dançaria)
In a storm on my best dress
(Em uma tempestade em meu melhor vestido)
Fearless
(Sem medo)

It's a first kiss, it's flawless
(É um primeiro beijo, é perfeito)
It's really somehing
(É realmente algo)
It's fearless
(É destemido)