"Bom dia," sussurrei enquanto dava um beijo no rosto de Jacob.
Ele sorriu, ainda de olhos fechados. Eu estava deitada pertinho dele na cama, e ele me puxou pra mais perto.
Não tem outro lugar que quero estar agora. Me sinto em casa ao lado do meu Jacob, me sinto feliz. E estou determinada a não deixar a tensão ou a briga com meus pais me distrair do meu tempo com Jacob. Vou lidar com isso depois. Essa semana meu foco vai ser ele.
A barriga dele roncou e eu ri.
"Você 'tá com fome," falei, correndo minha mão pela barriga dele, sentindo a definição dos músculos por cima da camisa. "Vou fazer seu café."
Estava prestes a sair da cama, mas Jacob me segurou, me puxando pra cima dele.
"Fica," murmurou, abrindo os olhos, seu rosto bem pertinho do meu.
Instintivamente desci meus lábios nos dele. Ele deu um beijo suave. Não foi um beijo apressado ou confuso. Foi completamente natural, como se a gente sempre beijasse assim pela manhã.
"Eu te amo, Renesmee," Jacob falou devagar, as mãos abraçando meu rosto.
Sorri, surpresa com a declaração súbita, meu coração batendo sem controle. Estive esperando por esse momento por tanto tempo, e agora aconteceu. Jacob, amigo da família, meu melhor amigo, ele me ama!
"Eu também te amo," falei, colocando minha mão sobre a dele, projetando meu amor, mostrando o quanto eu o amo.
Jacob e eu descemos as escadas pra fazer o café da manhã com um sorriso bobo na cara. A gente não conseguia tirar os olhos ou as mãos um do outro. Enquanto virava as panquecas na frigideira, Jacob veio por trás beijando minha nuca, e eu tremi de desejo.
"Você é tão linda," ele falou baixinho, deslizando os braços pela minha cintura. Senti o corpo dele pressionando contra o meu, tão apertado e tão gostoso. Eu fechei os olhos e respirei fundo.
Eu não tenho experiência nenhuma, mas sou bem informada. Essa sensação subindo pelo meu corpo, eu sei o que é, eu estou...excitada. Um gemido escapou dos meus lábios e me virei, minha boca buscando a de Jacob, e o beijo começou a ficar quente.
Não queria parar de beijar Jacob e sabia que ele também não. Eu queria mais…
O alarme contra incêndio disparou, apitando alto, e nós separamos, percebendo a fumaça na cozinha e as panquecas queimando no fogão. Eu ri e Jacob foi desligar o alarme. A gente limpou a bagunça e acabamos comendo cereal com leite, sentados no balcão da cozinha.
"Você tem que trabalhar hoje?" Perguntei, vendo a hora no relógio da cozinha.
"De jeito nenhum, estou tirando uma semana de folga. Sou todo seu."
"O que você quer fazer hoje?"
Jacob deu um sorriso de lado e arqueou uma sobrancelha, eu logo fiquei vermelha. Ele inclinou e me deu um beijo rápido.
"O que você quiser. A gente pode ir à praia, sair com o pessoal, visitar meu pai…"
Eu queria passar um tempo com a família e os amigos dele, mas estava amando a liberdade de ficar sozinha, sem ninguém de olho, e não ia deixar isso de lado. Ainda não quero dividir o Jacob com ninguém.
"A gente pode só ficar em casa por hoje?" Perguntei.
"Em casa?" Jacob repetiu, num sorriso largo. "É, a gente pode ficar em casa."
Ele veio me dar outro beijo, mas a batida na porta o interrompeu.
"Não é ninguém da minha família, é?" Questionei. "Eles não podem entrar na reserva."
Jacob foi até a porta e abriu. E viu um homem com uma cara não muito boa pra ele.
"Oi, Charlie."
Meu avô humano estava na porta, com as mãos nos quadris.
"Vista-se, Renesmee," Charlie mandou, vendo que estava vestida apenas com a camisa de Jacob e mais nada. "Vamos embora."
"Boa jogada, Edward," Jacob murmurou pra si. "Boa jogada,"
Cruzei meus braços. Nunca vi meu avô tão bravo, nem fazia ideia do que meus pais tinham falado pra ele.
"Vou ficar por aqui com Jacob," falei calmamente.
Charlie olhou feio pra Jacob. "Sabia que ela saiu de casa sem dizer pra ninguém onde estava?" Depois olhou feio pra mim. "Você é nova demais pra passar a noite na casa de um homem... você ainda nem saiu da escola."
"É Jacob," respondi.
"Quero nem saber. Você vem comigo!"
"Charlie, qual é o problema aqui?" Jacob interrompeu. "Ness ligou pra família dela ontem a noite e eles sabem que ela está aqui. A gente só está passando um tempo."
Meu vô Charlie limpou a garganta, então mexeu no casaco deixando sua arma visível na cintura. Ele 'tá de brincadeira comigo?
"Isso é ridículo," murmurei. Preciso ter uma conversa com meu avô, à sós, quando estiver mais calmo, pra esclarecer as coisas. "'Tá bom, me dá um segundo, vou trocar de roupa."
Subi as escadas e vesti a roupa toda suja de lama que usei na noite anterior. Quando estava voltando, Jacob e meu avô cochichavam alguma coisa.
"Charlie, você sabe o que Ness significa pra mim. Ela é meu imprint."
"Não quero saber dessa história. Ela ainda está no ensino médio e não vou deixar ela passar uma semana sozinha na casa do namorado."
Do que eles estão falando? O que é um imprint?
Peguei a mão de Jacob e comuniquei em silêncio, mostrando pra ele que vou ficar na casa de Charlie e Sue, pedindo pra encontrar comigo lá em alguns minutos. Ele arregalou os olhos surpreso, mas concordou. Rapidamente mostrei o que tinha ouvido sobre esse imprint e Jacob, literalmente, ficou vermelho.
Cerrei as sobrancelhas confusa. Que reação estranha.
"Depois a gente conversa sobre isso," murmurou. Meu avô estava olhando de perto nossa interação, mas não disse nada.
Fui pro carro do meu avô e sentei no passageiro. Imediatamente, ele entrou no carro.
"A gente pode conversar aqui na reserva?" Perguntei. Ele e sua esposa, Sue, moravam em Forks, mas mantiveram a casa de Sue na reserva pra vir nos finais de semana.
"Ness, não tem nada pra se conversar até que fale com seus pais. E sabe muito bem que não pode ser aqui na reserva."
"Eu ligo pra eles. Por favor, vô," fiz minha cara mais manhosa, tentei o melhor pra convencer. Charlie fechou a cara, e então respirou fundo.
"Sue está fazendo o café. A gente come, você liga pros seus pais e avisa que vai pra casa."
Deitei minha mão sobre a dele e "mostrei" como estou agradecida. Sei que meu avô não se sente muito confortável com meu dom, mesmo tendo família e amigos "sobrenaturais".
Ficamos em silêncio pelo resto da curta distância, mas minha mente começou a planejar.
Eu posso ir pra casa do meu avô e de Sue, mas definitivamente não vou pra casa.
