Quando eu cheguei em casa no dia seguinte, eu fiquei chocada ao ver meu pai sentando na sala, escutando Rebeca tocar "New York, New York" no clarinete.

- O que você está fazendo aqui? - Eu abri a porta e Manet correu até mim com o som da minha chave na fechadura e pulou em cima de mim.

Rebecca abaixou seu instrumento e disse

- Com licença. Eu estou tocando ainda.

-Oh, Eu disse, voltando. - Desculpa.

Meu pai, que não lia o jornal, não falava no telefone, ou fazia qualquer coisa, realmente exceto aparentemente escutar a performance da sua filha mais nova, sorriu um pouco pra mim, dolorosamente como se estivesse esperando a canção terminar. Assim que terminou aplaudiu como se realmente tivesse admirado.

- Foi ótimo - ele disse, todo entusiasmo.

-Obrigada - Rebecca virou com cuidado uma página do livro no suporte de partitura dela. - E agora, continuando meu tributo às grandes cidades e nações, eu tocarei a canção 'Gary, Indiana', de The Musica Man.

-Hum, você poderia esperar até que eu pegar mais um pouco de café?

Meu pai pediu, mantendo levantada sua caneca vazia. Então correu para cozinha.

E eu olhei pra Rebecca

- O que está acontecendo aqui? -Eu perguntei pra ela

- Aquelas grandes mudanças sobre as quais papai tava falando depois que você disse sim ao sexo na TV - ela disse encolhendo os ombros. - Então eles decidiram passar mais tempo com a gente. Então eu vou tocar cada canções do meu repertório para ver até onde ele aguenta. Até agora... tem suportado tudo surpreendentemente bem. Eu dou mais duas músicas para ele ceder.

Atordoada, eu carreguei minha mala de mão para a cozinha, e senti cheiro de algo. Eu fiquei chocada por ver minha mãe, e não Molly, debruçada por cima da porta aberta do forno, perguntando:

- Você acha que estão prontos, querido? - Falou para meu pai, que reenchia sua caneca de café. Eram bolinhos com lascas de chocolate. Minha mãe, advogada ambiental, mais ferina da cidade,estava fazendo bolinhos com lascas de chocolate. O celular dela nem estava a vista.

Minha mala de mão caiu do meu ombro para o chão com um baque.

Minha mãe olhou sobre seu ombro pra mim e sorriu.

- Oh, Mione - Disse. - O que você está fazendo em casa? Eu pensei que você ia passar fora o fim de semana.

- Nós tivemos que voltar mais cedo - Eu disse - O pai de Harry quis se reunir com seus assessores para revisar alguns pontos do projeto de retorno à família antes do congresso de segunda-feira. O que você está fazendo?"

- Assando biscoitos, querida. - Disse puxando a bandeja do forno - Cuidado, eles estão quentes! - Falou para o meu pai quando ele tentou alcançar um.

- Porque vocês não estão na casa da Vovó? - Eu perguntei.

- Aquela mulher morreu para mim. - Meu pai disse tentando pegar o cookie de qualquer jeito e queimando seus dedos.

- Richard - Minha mãe disse, estreitando os olhos pra ele. E disse para mim - seu pai e sua avó tiveram um pequeno desentendimento, por isso nós viemos para casa cedo.

- Pequeno? - Meu pai disse, após engolir um pouco de café para engolir o bolinho quente que ele enfiou na boca, pois aparentemente, prefiria queimar a lingua do que os dedos. - Não tinha nada de pequeno naquilo.

- Richard! - Mamãe disse - Richard, eu já avisei, que os biscoitos estavam quentes.

Mesmo assim meu pai ficou olhando para mais dois e, de qualquer maneira, colocou eles em um guardanapo.

- A gente se fala -disse ele, se dirigindo a sala e Manet o seguindo com esperanças que deixasse cair algum pedaço de biscoito no chão - "Gary, Indiana me espera."

- Ok, falando sério - Eu olhei fixamente pra minha mãe. - O que está acontecendo aqui? Eu saio por uma noite, e vocês de repente se transformar em uma família modelo? Onde está Molly?

- Eu dei um fim de semana de folga - Minha mãe disse, tentando raspar os biscoitos que ainda estavam grudados na bandeja. Infelizmente, não estavam desgrudando facilmente. - É importante para ela passar um tempo com sua própria família, você sabe. Assim como é importante para nós passarmos um tempo juntos também. Eu e seu pai discutimos e concordamos com o presidente...Não em tudo naturalmente.- Ela se esforçou para para soltar um biscoito particulamente recalcitrante (uma palavra que significa "que resiste obstinadamente"). - Mas agora é tempo de começarmos a passar mais tempo com vocês, meninas. - Ela prosseguiu - Seu pai pensa que a Lucy estudaria mais se nós ficármos de olho nela. E você sabe o que os professores de Rebecca dizem sobre sua necessidade para mais socialização. É por isso que seu pai e eu estaremos passando menos horas no escritório. É verdade que isto significará menos dinheiro. Foi por isso que seu pai brigou com sua avó. - Minha mãe fez uma careta. - Mas...bom, eu não fiquei assim tão entusiasmada de passar o Natal lá de qualquer maneira.

Eu olhei fixamente apenas pra ela, mal conseguia registrar o que ela estava falando. Mamãe e Papai iam passar mais tempo conosco?

Será que isso era uma coisa boa? Ou era uma coisa ruim? Ou uma coisa muito ruim?

- E eu? - Eu perguntei, com voz rouca.

-O que tem você, querida? - Minha mãe perguntou.

-Bem, isso é sobre o meu castigo na escola na semana passada? Ou pelo que eu disse na TV?

-Oh, querida. - Minha mãe sorriu para mim. - Você sabe que nós não nos preocupamos muito sobre você,Mione. Você sempre teve a cabeça no lugar. - Mas então acrescentou apressada - Mas eu imagino se eu passar mais tempo em casa mais, eu talvez possa impendir que você faça mais alguma coisa no seu pobre cabelo.

Ela sorriu para mostrar que estava fazendo uma piada… Só que dava para ver que na verdade ela não estava.

- Hum - Eu disse. - Ótimo.

Como em que em meio a um transe, eu estava subindo as escadas para ir pro meu quarto. Meu pai tinha prometido que iria haver GRANDES mudanças em torno de nossa casa.

Eu nunca imaginei que seriam tão grandes.

Eu estava tão em um choque tão grande, que nem escutei a Lucy me chamar enquanto passava na frente do seu quarto com a porta aberta. E só na segunda vez que ela gritou um "MIONE" estritende, é que eu percebi que estava falando comigo. Coloquei a cabeça no seu quarto para saber o que queria.

- Você voltou cedo! - Lucy gritou, de onde estava deitada na sua cama com uma revista Vogue ou qualquer outra.

- Você também - Eu disse. - O papai e a vovó brigaram muito feio?

- Totalmente - Disse Lucy - Bem você sabe como eles são. Eles vão estar se falando na Segunda-feira. Pelo menos, eu espero que sim, porque eu ia total comprar um biquíni novo para levar para Aruba. Então... Como foi lá?

- Tudo bem - Eu disse consciente do fato de que Lucy tem a memória de longo prazo de um Gato, e é improvável que ela vá lembrar de toda a nossa conversa de semana passada, ou mesmo que foi ela quem me comprou espermicida e camisinhas.

Mas eu acho que a nossa conversa tinha sido mais importante do que eu pensava... ou isso ou as aulas particulares de Harold havia melhorado a sua memória, porque ela disse, em um tom de conspiração:

-Entre aqui, entra aqui,e me conta tudo sobre, você sabe... Aquilo.

Eu me esgueirei para dentro do quarto dela e fechei a porta, então ninguém poderia ouvir a nossa conversa – não que isso seja provável de qualquer jeito, considerando que Rebecca estava tocando muito alto em seu clarinete.

- Então - Começou Lucy batendo de leve no colchão ao lado dela para que eu me sentasse lá -O que aconteceu? Com o Harry, quero dizer? Você dois, você sabe, Fizeram Aquilo?

- Bom -Eu disse, sentando no lugar do colchão onde ela havia indicado - A verdade é que ...

Os olhos de Lucy se arregalaram

- Sim?

- Basicamente... - eu disse respirando fundo - Eu o ataquei!

Lucy começou a gritar e dar pulinhos de onde estava sentada. Foi quando eu percebi que a revista que ela estava lendo com tanta intensidade era o livro preparatório para a prova.

Uau. Ela realmente ama o Harold.

- Então, o que aconteceu EXATAMENTE? - Ela quis saber - Você usou a espuma certo? E a camisinha? Porque você tem que usar os dois. A Heather Birnbaum usou apenas a camisinha e ficou grávida e teve que ir morar com a tinha em Kentucky.

- Nós usamos a espuma - Eu disse - E as camisinhas. Obrigada pelos dois.

- Você ... sabe o quê? - Lucy deixou a voz dela num sussurro.

- Eu acho vamos precisar treinar um pouco - disse eu começando a corar - para que isto aconteça. Mas a gente chega lá.

- SÉRIO? - Lucy pareceu ansiosa - A Tiffany sempre dizia que funcionaria. De treinar com o chuveirinho e tudo o eu nunca acreditei muito nela. É bom saber que ela não estava mentindo completamente.

Eu olhei curiosa para ela.

- Bom - Eu disse - Quero dizer, você não teve a sua experiência pessoal? Quero dizer, entre você e Draco?

- Draco -Lucy riu histericamente como se aquilo fosse engraçado - Oh, meu Deus. Draco!

Eu olhei fixamente para ela.

- Mas... - Alguma coisa não estava batendo - Lucy, você e o Draco, vocês dois Fizeram Aquilo, certo?.

Lucy fez uma careta.

- Eca! Eu? Eu com o Draco? Nunca!

- Espera... - Eu olhei fixamente e o mais espantada que pude - Então... você é... você é VIRGEM?.

- Mas é claro - Ela me olhou confusa - O que você pensou?.

- Mas você e Draco namoraram durante três anos!

- E daí? - Para alguém que me deu anticoncepcionais e dicas sobre sexo com tanto júbilo (uma palavra que significa "alegria extrema, grande contentamento"), Lucy pareceu indignada com a sugestão de não ser tão pura quanto a neve que cai. - Quer dizer, ele queria, mas eu ficava tipo: De jeito nenhum, cara pálida!

- Mas, Lucy - Eu exclamei - A espuma! E as camisinhas! Foi você que as comprou para mim.

- Bom, mas é claro - Disse Lucy se explicando como se fosse a coisa mais obvia do mundo - Eu não queria que você fosse à farmácia e pegasse você mesma e fizesse disso um Incidente Nacional. Bom isso foi antes de você deixar óbvio que você não se importa com QUEM sabe sobre suas coisas, anunciando isso em rede nacional. Mas isso não quer dizer que eu tenha usado isso. A espuma, quero dizer. Eu só ouvi sobre isso, você sabe. Da Tiffany.

- Mas — e essa era a parte que eu estava com mais problema para entender— No outro dia, no refeitório, você chamou a si mesma de galinha.

- E daí? - Lucy jogou um pouco para trás o seu cabelo vermelho-brilhante - A Luna disse também.

Eu olhei fixamente para ela chocada

- Então você fez aquilo por mim? E você e o Draco, todo esse tempo, vocês nunca... Nunca...?

- Fizemos Aquilo? - Lucy agitou a sua cabeça - De jeito nenhum, eu já te disse, ele não era O Homem certo para mim.

- Mas... Mas você achava que ele era. Ficou achando por um longo tempo. Você não pode me dizer que não era. Você me disse que ela era o seu primeiro.

- Meu primeiro AMOR! - Disse Lucy - Não o meu primeiro... Você sabe .

- Mas... - Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo - Por que?

- Eu não sei - Lucy encolheu os ombros - Quero dizer, yeah, eu pensei algumas vezes se ele não era o cara certo. Mas eu nunca tive certeza. Sabe? Como você tem certeza que o Harry é. Ou como eu sei que o Harold é.

- Você acha que o Harold é o... Homem certo? - Eu perguntei.

Eu devo ter torcido o nariz quando disse isso, ou algo parecido, porque ela logo veio responder na defensiva

- Sim eu acho, por que? O que há de errado com o Harold?

- Nada -Eu disse - Eu acho que vocês dois vão ser muito felizes juntos. Depois que você, sabe como é, passar nas provas e tudo mais.

Aparentemente amaciada, ela disse:

- Então me fale sobre isso. Dói na primeira vez? Os pais dele suspeitaram? Onde vocês Fizeram Aquilo, no quarto dele ou no seu? E sobre o serviço secreto? Eles não estavam por perto, estavam? E sobre...

As perguntas dela eram infinitas.

E apesar de eu estar tonta demais para responder, eu tentei, mesmo. Afinal eu devo uma para ela, total. Agora, ainda muito mais do que eu tinha pensado.

Isso era o mínimo que eu poderia fazer para devolver o favor.

E, além do mais, para que servem as irmãs?

- Mione! Você voltou! - Dauntra acenou para mim descontroladamente por detrás da caixa registradora quando eu cheguei para o meu turno, mais tarde naquele mesmo dia.

Bem, ela não estava nem um pouco aborrecida comigo. Achei que ela estaria, total. Por eu ter mesmo me feito de fantoche da iniciativa facista do presidente, no final das contas.

Apesar de eu ter me recusado a concordar com ela no último minuto.

- Oi, D. - Disse eu entrando atrás do balcão para cumprimentá-la - Como foi o seu Ação de Graças?

-Uma droga - disse Dauntra - Eu pensei que você fosse passar o fim de semana na casa da sua avó.

- Eu ia - Eu disse - Mas eu acabei indo para o Camp Harry.

Dauntra deu uma risada de desdém.

- Camp Harry? Não é o lugar onde o presidente passa o tempo livre dele?

- Lá mesmo. - respondi.

- Cara - Dauntra balançou a cabeça - E ele LEVOU você? Depois de você tê acabado com ele em TV Nacional?

- Eu não acabei com ele - Disse eu desconfortável - Eu apenas observei que poderia haver uma maneira melhor do que aquela que ele sugeriu.

- Observou, sei. - Dauntra repetiu com um sorriso malicioso. - Cara, você é tão legal.

Eu olhei por detrás do meu ombro para ver com que ela estava falando. Mas a única pessoa além de mim na loja eram alguns nerds, procurando por Kurosawa Shelves...

- Quem? - Disse eu -EU?

- É, você - Disse Dauntra - Nenhum consegue parar de falar em como você colocou o Homem no lugar dele, sem nem mesmo ter que participar de uma manifestação.

- Hum -Eu disse, ser ter muita certeza sobre o que ela estava falando, mas contente assim mesmo. Quero dizer, não tem muitas pessoas que me acham legal, exceto meu namorado é claro, e eu acho que a minha irmã mais velha. - Obrigada.

- Estou falando serio. Kevin queria saber se você queria se juntar a nós algum dia. Sabe como é. Para se divertir.

-Na sua casa? - Meu coração falhou uma batida, eu nunca tinha imaginado que seria convidada para "me divertir" por uma pessoa tão legal quanto Dauntra. Quero dizer nos somos amigas de trabalho, e tudo mais. Mas fora do trabalho? - Claro, eu adoraria. Posso levar o Harry?

- O primeiro filho? - Disse Dauntra disse dando de ombros. - Por que não? Isso seria hilário. Ah, a propósito você me inspirou - Ela colocou a mão dentro da mochila e tirou uma folha de papel de lá e me entregou - Quando Stan vier revistar a minha mala hoje, eu vou entregar isso a ele.

- O que é isso?" Perguntei.

- Um e-mail -disse Dauntra toda orgulhosa - Da minha advogada. Da União das Liberdades Civis Norte-Americanas. Ela pegou o meu caso. Eu achei que daria mais certo do que usar calda de panqueca. Sve como é. Pegar o caminho de Hermione Granger.

Eu pisquei para ela.

-Contratar uma advogada da União das Liberdades Civis Norte-Americanas para impedir que seu empregador examine sua bolsa em busca de bens roubados no fim do turno é o caminho de Hermione Granger?

- Totalmente - Dauntra disse - É muito melhor do que fazer uma manifestação. E certamente as suas roupas não ficam tão sujas assim. E, quanto a minha advogada, acabar com a gerência daqui, aposto que a loja vai ser minha.

-Uau - Eu disse devolvendo o e-mail para ela - Estou impressionada.

-Bom, e devia estar mesmo. Fiz tudo isso por sua causa. Hey, você se divertiu?

Eu a olhei curiosa

-Se me diverti?

- No Camp Harry. Afinal, o que vocês fizeram lá? Deve ter sido entediante. Estava chovendo o tempo todo certo?

- Ah - eu disse, brincando com o brochinho Amar é... estar disposto a esperar espetado no peito da boneca de Sally - Nós encontramos o que fazer.

- Oh, meu Deus!

Alguma coisa na voz de Dauntra me fez olhar para ela. Ele olhava para mim com atenção.

- Oh meu Deus, Mione. - Disse ela - Você e o Harry ... Fizeram Aquilo?.

- Humm - Eu senti as minhas bochechas, como já tinha acontecido um milhão de vezes naquele dia, começarem a ficar vermelhas, eu olhei para os lado para ver se Stan ou Chuck estava por perto.

Mas a única pessoa que estava por ali era o Sr. Wade, que estava procurando algum lançamento na seção de arte.

- Humm - Eu disse. Não havia razão para eu ficar na defensiva. Não era Gina Wesley. Era Dauntra, Dauntra nunca seria capaz de chamar alguém de galinha. Exceto Britney Spears, mas isso é natural.

- Sim - Disse eu, mesmo que a minha boca parecesse muito seca - Nós fizemos.

E Dauntra apoiou o cotovelo na caixa registradora e o queixo na mão e perguntou-me alegremente.

- E não foi DIVERTIDO?

Eu pisquei para sem entender nada.

- O que foi ou não divertido?

- Com licença - O Sr Wade estava de frente para o balcão - Eu gostaria de saber se minha encomenda de DVD já chegou. Em nome de Wade, W...

—A—D—E - Dauntra disse cansada - Cara, nós SABEMOS quem é você. Você vem aqui todos os dias,pelo amor de Deus!

O Sr Wade pareceu estupefato.

- Oh - ele disse - Eu não achei que você fosse se lembrar de mim.

- Cara - a Dauntra disse, pegando o DVD que ele tinha encomendado. -Cai na real. Você é inesquecível. - Daí ela olhou para trás e disse para mim - Sexo. Quero dizer, sexo não é divertido?

Eu olhei de relance para o Sr Wade, que estava com os olhos saltavam de baixo da boina, então desviei o olhar para Dauntra comi um sorriso.

-Sim - Eu disse - É, sim. Muito divertido.

-Como foi o Dia de Ação de Graças?

Foi isso o que o Harry me perguntou na próxima vez que nos encontramos, na aula de desenho com modelo vivo da Susan Boone na terça-feira seguinte.

Ele estava com um sorriso sacana no seu rosto, um sinal claro de que ele estava brincando. Mas eu respondi com toda a sinceridade que eu pude:

- Quer saber de uma coisa? - Eu disse - Foi muito bom. E o seu?

- Fantástico - Ele deu uma piscadinha - O melhor Ação de Graças de todos os tempos.

Nós dois ficamos lá sorrindo debilmente, até que Rob veio todo apressado com seu bloco de desenho, esbravejando sobre como havia esquecido o seu lápis de ponta macia. Aí, lembramos que não estávamos tão sozinhos assim, então começamos a arrumar nossos carvões e borrachas em cima do bloco de desenho. Mas eu ainda estava sorrindo. Porque sabe tudo aquilo que estava me enchendo de preocupação, sobre quando um casal transa, só pensa em sexo o tempo todo?

Não é verdade.

Quer dizer, eu penso sobre isso. Muito. Mas não o tempo todo.

E eu sei que não é só sobre isso que o Harry pensa, muito menos. Eu posso dizer, porque essencialmente nossa relação não mudou, a última coisa que ele faz a noite continua sendo me ligar, assim como a primeira coisa que faz de manhã é me ligar.

Como sempre.

E foi por isso que ele foi uma das primeiras pessoas pra quem eu contei que Grandes Mudanças não tinham acontecido só na minha casa. Quando cheguei segunda-feira na escola encontrei mudanças também, enquanto estávamos no feriado de Ação de Graças ... sendo que a maior delas foi que o Caminho Certo se dissipou, todos os seus membros tirando um - Gina Wesley - caíram fora.

Mas isso não é tudo. Sabe que mais aconteceu com Gina Wesley? Ela não é mais a presidente do segundo ano. Porque não é possível desrespeitar o codigo de conduta da escola (como a Gina tinha feito ao me chamar de galinha na frente de tantas testemunhas) e manter a sua posição no governo estudantil, como representante dos alunos, você tem que ser um exemplo para as pessoas.

Então, a Freu Rider, que é a conselheira do segundo ano, teve que indicar alguém a vice-presidente como representante principal da classe, até que as próximas eleições corressem, até que novas eleições ocorressem no início do próximo ano letivo.

Um monte de gente —bem, ok, Luna, Deb Mullins, Lucy e Harold—acham que eu deveria concorrer. Para presidente de classe.

Mas realmente eu tenho coisas suficientes para fazer, muito obrigado, como as minhas aulas de arte, meu emprego, e a coisa de ser embaixadora teen.

Mesmo porque, para ser presidente da classe você tem que se IMPORTAR com a escola. E eu não. Me importo com a escola, quero dizer.

Mas vou admitir, ultimamente, eu estou começado a gostar um pouquinho mais dela.

-Ei, adivinha quem vai para a Califórnia neste fim de semana, para um evento beneficente? - Harry perguntou para mim.

- Deixe-me adivinhar - Eu disse, pegando meu bloco de desenho e virando em uma página limpa. - Seus pais.

-É. E vão ficar fora até domingo à noite. Eu vou ter aquela enorme casa branca só pra mim.

-Bom pra você - Eu disse - Vai poder dançar nela só de cueca e óculos escuros, ouvindo uma música de Bob Seger.

-Eu estava pensando que seria bem mais divertido se você estivesse lá - Harry disse - A gente poderia alugar o novo filme do Mel Gibson. Sabe, aquele que acabou de lançar.

- Eu tenho que ver com meus pais - eu disse Mas... certamente eles vão dizer que sim

- Excelente - Disse ele, fazendo sua melhor atuação do Sr Burns, dos Simpsons.

- Olá, para todos -disse Susan Boone entrou apressada na sala, sendo seguida por Terry, bem mais lento e mais letárgico (uma palavra que significa "que se mostra desanimado") -Estão todos aqui? Todos prontos? Terry se não se importar...

Terry tirou o robe e subiu na plataforma. Não demorou muito para ele cochilar; o peito dele subia e descia som seus roncos fracos.

E dessa vez, quando eu o desenhei que tentei me concentrar no todo, e não em partes. Eu fiz um rascunho do quarto em volta dele, e depois do lugar nele no meio, tentando construir meu desenho da maneira que se constrói uma casa... a partir da estrutura, mantendo em mente que era necessário haver um equilíbrio entre a figura central do desenho e o fundo que lhe dá apoio.

E eu acho que acertei, porque quando chegou a hora da crítica dos trabalhos do dia Susan pareceu satisfeita com o meu resultado.

- Muito bom, Mione. -Ela disse sobre o meu desenho - Você realmente está aprendendo.

- É - Eu disse, um poco surpresa - Eu acho que estou mesmo.


(N/A): E Acabou ! Não acredito que depois de tanto tempo eu finalmente consegui terminar ! Mil desculpas pela demora, mas é que essa adaptadora é lenta mesma, mas aqui está, o ultimo capítulo, muito obrigada a todos que acompanharam e comentaram a fanfic, muito obrigada mesmo, e está oficialmente acabada a "saga": Garota Americana.

Tchau para todas e até a próxima.

Beijos!