N/A: Demorou, mas saiu. Dêem "gracias" à Just que me quis assassinar quando eu disse que tinha desistido de escrever a fic. Esse cap era para ser apenas comédia, mas o fim me saiu romântico de toda maneira aushaushauhs xD Ah um aviso Ojiisan é "homem velho" tipo old man, em japonês.

Espero que gostem, me desculpem pelo atraso e continuem seguindo a fic.


HOW TO SAVE A LIFE

Capítulo 29 – Ojiisan


- O QUE? – ela gritou, olhando-o escandalizada.

Ele havia chegado da oficina da Hokage, tomado banho e lhe ajudado a fazer o chá, agora estavam sentados na sala e ele lhe contava o último desastre da missão.

- Problemático, não disse? – ele murmurou, observando o chá sem vontade de tocá-lo.

- Mas Shikamaru, ele não pode ter dito isso! Vamos ver... Por que ele pensaria isso?

- Kure-chan, Kakashi-sensei acha que a Sakura se apaixonou pelas dores dele ou pelo personagem do livro, não por ele mesmo.

Kurenai jogou os cabelos negros para trás, olhando o teto com um pouco de raiva. Como um homem na casa dos trinta podia ser tão cabeça dura? Tão burro? Não era possível!

- Eu estava tentando fazer com que ele se interessasse mais por ir pra cama com ela e ao final só piorei as coisas. Realmente não compreendo o raciocínio de homens mais velhos...

- Aquele ojiisan! – ela resmungou, encarando o namorado – Esperemos o próximo passo dele e depois disso... Kuso! Realmente acho que terei de conversar com ele sério, de mulher para homem.

- Oe!

- Nunca imaginei que Kakashi tivesse tantos problemas, por isso nunca o vi com uma mulher... – resmungava ela sem parar, olhando a sala ao seu redor – Ojiisan! Ojiisan! Preciso ensinar a ele como se trata uma mulher, independente dela ser virgem ou não!

Shikamaru balançou a cabeça rendido, qualquer coisa que tentasse não teria resultados, porque quando Kurenai falava sério, ela realmente falava sério. Sem passos atrás ou desculpas, ela iria até o fim para nocautear Kakashi e fazê-lo voltar ao juízo, e o Nara não estava muito certo de querer pagar para ver aquilo acontecer...

X

- Ohayo – murmurou, vendo que ela abria os olhos devagarzinho.

Havia entrado pela janela, e por mais que tivesse tentado, não tinha encontrado forças para despertá-la, então a observou durante um longo tempo. Esperou que o dia raiasse e que ela por fim acordasse, mas já era quase a hora do almoço e ela seguia adormecida.

- Ah! Kakashi-sensei! – ela exclamou, levantando o rosto para encará-lo com um sorriso tímido.

- Por fim! Achei que não acordaria nunca! – ele riu, fazendo Sakura corar um pouco, percebendo que ele estava deitado ao seu lado.

- Está aqui há muito tempo, sensei?

- Desde as 4h.

- OH! – exclamou, saltando da cama.

Seu cérebro agiu rápido, estava escrevendo até aproximadamente às 2h da manhã e não havia guardado as anotações e o capítulo novo! Ele podia ter visto! Podia! Certeza teria visto! Correu até a escrivaninha e começou a jogar os papéis todos dentro da pasta onde os guardava normalmente, seu coração na boca.

- Está tudo bem, Sakura? Te incomoda que eu tenha vindo sem avisar?

- Não é isso! – exclamou, virando-se para ele.

Kakashi baixou a máscara e sorriu para ela. Havia visto o que eram os papéis, mas não tinha lido nada, afinal ele preferia esperar a obra completa. Precisaria colocar em prática seu plano de conquistar Sakura. Parte da sua mente gritava avisando que já tinha conquistado o coração da menina, mas ainda assim precisava ter certeza de que ela havia se apaixonado por ele e não por suas dores.

- Achei que estaria na minha casa, mas quando cheguei não tinha ninguém... – confessou, observando a camisola meio transparente dela, aquilo lhe fazia sentir o ar mais denso e parecia mais difícil se concentrar no que estava falando.

- Eu... Preferi ficar aqui... – ela murmurou meio tímida, a voz ficando em falsete. Kakashi ia sentindo como de repente ele ia se sentindo um pouco zonzo, Sakura estava tentando lhe seduzir ou ela realmente estava envergonhada?

- Entendo, se achar que estamos indo rápido demais podem-

- Rápido demais? – ela sorriu, parecendo bastante contente – Acho que vamos num bom timming.

Ao dizer isso ela corou, olhando o chão. O que diabos estava dizendo? Que queria dizer com aquilo? Depois da primeira vez que viu seu rosto eles quase tinham ido para a cama e ela tinha a cara de pau de dizer que estavam indo bem?

- Er... Quero dizer... Ah... Sensei, gomenasai! – disse atrapalhada, estava realmente enlouquecendo com as coisas que dizia sem pensar.

Kakashi sorriu, ele tinha vontade de beijá-la e jogá-la de volta para aquela cama, mas não podia, tinha que fazê-la se apaixonar pela parte dele que voltaria a nascer, sem dramas e dores, tentando uma nova vida ao lado daquela menina. Então ele se aproximou e tocou o rosto dela com seus dedos, acariciando a pele suavemente, contendo-se uma e outra vez.

O Hatake curvou o tronco e encostou seus lábios nos dela, levemente.

- Kakashi... – ela murmurou, segurando-o pelo colete chunin que usava, trazendo-o mais para si.

Sakura não sabia se estava bem ou não, apenas não queria esperar mais, ela havia pensado naqueles dois dias o quão bom era sentir-se feliz de novo, como aquilo enchia seu coração de uma maneira bonita que nunca havia sentido antes, como era interessante pensar que estava vivendo a primavera de verdade pela primeira vez na vida.

Aprofundou o beijo, seus braços rodeando a nuca dele, nas pontas dos pés, sentindo o sabor agradável dos lábios dele. O homem respondia ao beijo, mas com dificuldade, ia se sentindo cada momento mais propenso a cair no abismo de sentimentos e sensações que tinha no momento, mas todo o tempo repetia que precisava se certificar que ela gostava dele de verdade, ou senão poderia se arrepender por dormir com ele.

Então, quando ela exclamou baixinho, empurrando o próprio corpo contra o dele, Kakashi se afastou, segurando o rosto dela entre as mãos.

- Troque de roupa, quero te levar a um lugar – disse, sorrindo, vendo que ela estava corada por ele ter quebrado o beijo no momento em que ela se entregara totalmente.

Ela fez que sim, afastando-se e buscando suas roupas no armário, se sentia estranha ser rejeitada daquela maneira, mas talvez não o tivesse feito de propósito, apenas havia pensado que era um bom momento. Isso: era sempre melhor pensar positivo, se Kakashi já não estivesse interessado nela ou não quisesse que fossem rápidos demais ela entenderia, ou pelo menos fingiria entender.

Andaram pelas ruas de mãos dadas, seus dedos se entrelaçando com perfeição. Ninguém estava indiferente àquilo, Hatake Kakashi e sua ex-aluna Haruno Sakura andando juntos e bastante contentes por isso. Ela não sabia o que deveria pensar e ele desejava que tudo desse certo. As pessoas os encaravam na rua, observando aquilo com estranheza, afinal aquela história parecia bastante complexa.

- Nos estão olhando... – ela murmurou, sentindo os dedos dele entrelaçados aos seus, aquilo era tão diferente, até demais para ser possível, ela sentia vergonha de que todos os olhassem daquela maneira, como se fizessem algo errado. Mas Kakashi seguia com a cabeça ereta, seus dedos firmes sustentando os dela e bastante satisfeito com o que fazia.

- Não tem que se importar com eles, é uma reação natural já que não estão acostumados com isso.

- Mas...

- Eu realmente não irei atrás em segurar sua mão e mostrar a eles que estou contigo – disse definitivo, fazendo-a sorrir olhando os pés, corando de leve.

Pararam para comprar dois obentos na venda e foram fortemente observados pela vendedora, enquanto decidiam o que queriam em cada caixinha, rindo dos diferentes formatos dos sushis e onigiris. Kakashi escolheria o dela e ela o dele.

- O que acha desse? – perguntou, colocando um onigiri com forma de coração no obento de Sakura.

- Oh... – mordeu o lábio, enquanto sorria, fazendo que sim com a cabeça. Nunca imaginou que Kakashi podia ser assim, agira daquela maneira despreocupada, sem pensar no que diriam ou pensariam, aquilo era bastante estranho...

Por mais que soubesse que os amigos e as pessoas eram mais importantes para ele que as regras, mas ele tinha um posto alto dentro do rank ninja, e agora estava saindo com uma menina muito mais nova que ele, que havia sido sua aluna, isso podia prejudicar sua reputação... O que diriam os outros jounins de elite?

- Kakashi, você não se importa com o que vão pensar de você?

Perguntou, quando saíram da venda e atravessaram mais uma rua, sob olhares atentos ao seu redor. Ela apertou mais os dedos dele, querendo proteger-se da resposta dele, não queria prejudicá-lo de nenhuma maneira.

- Eu decidi me importar apenas no que você pensa, e isso me basta.

Ela deitou a cabeça no braço dele, de leve, fazendo-o sorrir embaixo da máscara e rodear o ombro dela com seu braço, puxando-a mais para si, terminando de direcioná-los ao destino final daquele trajeto.

Estavam na beira de um pequeno riacho, não havia muita gente, apenas um ou dois casais misturados na paisagem agradável e tranqüila, conversando e comendo seus respectivos almoços, com um par de crianças a tiracolo.

- Eu vinha aqui com meu time, quando não tínhamos missão – ele contou, sorrindo – Mas costumava não gostar, por que acreditava que estávamos perdendo tempo... Hoje eu sinto falta daqueles dias, então quis te trazer aqui, para voltar a ver esse lugar depois de tanto tempo.

Sakura se sentia feliz. Em partes era estranho descobrir esse Kakashi que ela tão cegamente desconhecia, esse homem sensível, ou pelo menos atencioso, que dividia lugares preciosos e lembranças queridas. Queria desfrutar dessa sensação o máximo possível, ele era tão agradável dessa maneira, fazendo-a se sentir querida, sentir-se parte da vida dele em menos de uma hora juntos.

Escolheram um lugar mais distante que estivesse fora da vista dos demais, para que Kakashi pudesse tirar a máscara e comer tranquilamente o obento que a Haruno elegera.

- Itadakimasu!

Enquanto comiam seus almoços e conversavam tranquilamente sobre a época em que Kakashi estava to time de Yondaime, Sakura não podia deixar de observar aquele rosto bonito e calmo, que falava devagar sobre as coisas e comentava uma ou outra anedota, ficando em silêncio depois durante um largo minuto, como se se lembrasse vividamente daquilo, então sorria para ela e seguia comento.

- Eu te trouxe aqui hoje por uma pergunta em especial – ele disse, enquanto tomavam o chá verde de caixinha e observavam o riacho, ela apoiava a cabeça no seu ombro e pareciam mais um casal de adolescentes apaixonado, mas ele não era um adolescente...

- Diga – contestou, olhando-o profundamente.

- Sakura, você quer namorar comigo?

Sentiu-se estranho, por mais que era isso o que ele queria, e precisava da resposta dela para continuar com aquilo, era molesto demais, vergonhoso demais pronunciar aquelas palavras, e ele não sabia onde se esconder, mas Sakura continuava encarando-o, vendo como as bochechas dele iam corando gradativamente e um sorriso sem graça se formava nos lábios finos dele. Ele era tão... Tão...

- Kawaii! – exclamou, olhando-o – Nunca imaginei que você tivesse esse tipo de reação! – disse sorrindo e apontando pro rosto dele – Meu Deus, você está todo vermelhinho!

Ela desatou a rir, enquanto ele cobria as bochechas com as mãos, tentando disfarçar a situação. Mas ela ainda não tinha respondido.

- Sim, Kakashi, eu quero! – disse sorrindo, ao mesmo tempo em que se aproximava dele, ainda achando graça da reação inesperada do homem, encostando seus narizes e logo seus lábios.

Era um alívio, e aquela sensação ia percorrendo por todo seu corpo, fazendo-o se sentir tão leve e calmo que poderia passar o resto do dia ali, parado, escutando o riacho e sentindo-a perto de si.

- Talvez eu deveria começar a te chamar por Sakura-chan? Sakura-chii? – perguntou-se, fazendo cara de sério enquanto ela o encarava meio assustada.

- Você tem febre?

- Sakurin? – perguntou, fazendo biquinho.

- Oe, Kakashi!

- Já sei! Você tem que me chamar agora de... Hm... – Sakura realmente não estava entendendo nada daquilo – Akachan! – exclamou contente.

- Como? – ela arregalou os olhos, observando-o assustada – Quer que te chame de... De... Neném?

- Haaaaaai! – disse sorrindo, e disso lhe roubou um beijo, tombando-a na grama, tirando o fôlego dela, fazendo com que seus cabelos se misturassem com as folhas no chão – Sakura-chan, você pode me chamar como quiser, afinal... Nós somos namorados, né?

Ela corou e segurou o rosto dele entre as mãos.

- Ok, sensei!

- Sensei? – reclamou, sentando-se emburrado.

- Não acha meio proibido? – ela perguntou piscando e rindo – Sensei-sama!

- Oe! – ele voltou a derrubá-la na grama – Sakuriiiin!

Então riram um do outro e acharam graça dessa parte que desconheciam.

X

Sakura havia tido um dia entretido, passara horas na casa de Naruto, com ele e Hinata, contando sobre o estranho comportamento de Kakashi no dia anterior. Haviam rido, se divertido e imaginado quais outras estranhezas o ex-professor poderia fazer, mas agora estava sozinha no loft que ele lhe dera, escolhera um vestido agradável e esperava ansiosa para que o homem chegasse.

Tinham combinado que ele passaria para vê-la de noite, depois de fazer algumas obrigações como jounin. Estava nervosa, havia arrumado a casa, preparado uma janta não muito sofisticada e se perguntava como agiria Kakashi, mas nada lhe preparou para o que veio a seguir.

Quando abriu a porta, pode ver apenas um vulto rosa. Eram flores, um buquê de flores.

- Kakashi? – perguntou estranhando, enquanto ele a olhava tranquilamente por detrás das flores, com a máscara abaixada e um sorriso maroto preso nos lábios – O que significa isso?

Ela riu, aceitando o ramalhete e pedindo que entrasse. Teve vontade de bater nele, o que diabo era aquilo, era muito constrangedor, tinha certeza que estava corada e que ele havia percebido.

- Estou tratando de te conquistar... – ele murmurou, seguindo-a até a parte da cozinha e observando-a colocar as flores num vaso com água.

- Mas... – ela começou, sem virar para trás ou ter qualquer contato com ele, estava vermelha até na alma – Achei que... Bem... Você já tinha me conquistado...

Então sentiu as mãos dele segurarem sua cintura e a abraçou por trás, apoiando o queixo no topo da cabeça dela.

- Pensei que, talvez, eu pudesse aumentar a conquista – e dizendo isso deixou um beijo suave nos cabelos cor de rosa dela.

Sakura riu baixinho, nervosa. Kakashi não costumava deixá-la envergonhada, mas hoje ele realmente estava trabalhando bem. Começou a esquentar a comida, sem querer olhá-lo muito, afinal aquilo lhe intimidava tanto que preferia que não fizesse aquele tipo de coisa ou comentário romântico, porque era muito incômodo.

- Sensei, eu não sou muito boa cozinheira – avisou, colocando os pratos na mesa, com as travessas e os copos.

O homem riu, tirando-a de perto da mesa e empurrando-a até a parede. Eles se encararam. Sakura começou a corar fortemente e ele sorriu de novo, era exatamente disso que estava falando, precisava dessas pequenas coisas ou senão não seria um romance! Esse tipo de sensação inovadora que nos faz ter vergonha e prender a respiração, a relação que estavam começando a ter era séria demais para ser assim desde o começo.

- Você ainda não me deu um beijo hoje – ele murmurou, descendo o tronco, fazendo o rosto estar ao nível do dela.

Nunca na vida havia imaginado que aquele homem pudesse dizer isso dessa maneira tão simples e despreocupada.

- Sensei, não diga esse tipo de coisa... – pediu, olhando para o lado.

Então ele a soltou e se afastou, apoiando-se à mesa.

- Te incomoda, não? – perguntou o homem olhando-a – Esse tipo de comportamento te molesta, verdade?

- Er... – Sakura corou ainda mais – Não sei muito bem...

- Eu estava tentando agir como se costuma fazer, pra ver você corar mais vezes, pra te fazer sentir em um relacionamento... Mas devo assumir que não é muito o meu estilo tampouco...

Ela riu, olhando os pés e se sentindo menos envergonhada, parecia que ele também não se sentia cem por cento tranqüilo com aquelas coisas. Então o homem se aproximou e levantou seu rosto, segurando-lhe pelo queixo.

- Sakura, não quero que se apaixone por mim apenas por minhas dores e desesperações, quero que saiba que também posso agir como um homem normal, que não tenho que conversar sobre coisas tristes todo o tempo... Quero poder te fazer sorrir quando está comigo, e te fazer feliz. Quero salvar a tua vida como você salvou a minha, por isso tentei agir como um adolescente apaixonado, mas não me dá muito bem o papel...

- Kakashi – murmurou, surpreendida – Não diga isso.

- Não sou apenas dores, assim como você tampouco é, assim que... Deveríamos fazer coisas divertidas que os casais normais fazem... Para distrairmos e não pensar apenas no passado e nas coisas ruins que nos aconteceram. Quero ser feliz com você!

- Eu... – ela sorriu – Sensei, eu te amo!

O homem prendeu a respiração, escutar aquilo era como ouvir os sinos badalando numa catedral, ensurdecedor e agradável. Sorriu, sentindo o rosto esquentar e o peito inflar rapidamente, como se houvesse uma bola de fogo dentro, esparzindo calor por todos os ossos e músculos.

Ele encostou seus lábios nos dela, os olhos abertos encarando os de Sakura que estavam observando-o com certa felicidade e expectativa. E quando se afastou devagar, olhando um pouco para baixo, fugindo do olhar dela apenas conseguiu murmurar:

- Eu também.


N/A: Reviews maybe? *-* Kakashi lindo da tia Tai.

Beijos meninas, obrigada pelos reviews do cap anterior! o/