A primeira vez que Quinn Fabray escreveu as palavras, "Eu acho que estou apaixonada por você," ela tinha sido espancada pelo pai subsequentemente seguido por um grande acidente de carro, outro espancamento e remoção da custódia dos seus pais e das vidas dele em geral.
Apesar dos eventos desastrosos que ocorreram na vida de Quinn levando à performance do Novas Direções nas Seccionais, dizer as palavras, "Eu amo você," para Rachel Berry não foi tão conflituoso quanto Quinn tinha suspeitado que seria.
Foi fácil.
Foi natural.
E nas semanas que se seguiram, se tornou uma ocorrência comum.
A noite depois das Seccionais
Os pais de Rachel beijaram ambas as garotas nas testas.
"Boa Noite, garoas. Foi um grande dia pras duas, vocês precisam descansar," Marcus disse, segurando a mão do marido firmemente na dele.
Brendon concordou. "É, boa noite, moças. Nós estamos tão orgulhosos das duas hoje à noite."
Rachel riu e deu um abraço apertado em seus pais de uma vez antes de ir pro banheiro dela para se preparar pra dormir.
"Boa Noite, Sr. e Sr. Berry," Quinn disse timidamente.
"Agora, Quinn," Marcus começou. "Você sabe que nós dissemos a você pra nos chamar de Marcus e Brendon." Ele piscou pra ela. Ela enrubesceu e concordou uma antes de murmurar baixinho outro 'boa noite' e ir em direção ao banheiro atrás de Rachel.
Elas escovaram os dentes em um silêncio harmonioso. Rachel terminou primeiro e começou a lavar o rosto. Quando ela terminou, Quinn tomou seu lugar na pia.
Uma vez que ambas estavam frescas, deliciosas e prontas pra cama, elas se dirigiram – de mãos dadas – para o quarto de Rachel, completamente deixando pra lá qualquer aparência de modéstia ou discrição que elas tinham tentado demonstrar até aquele momento. Os pais de Rachel tinham visto o beijo apaixonado delas – a maior parte dos entusiastas de show de coral do Ohio Ocidental tinha visto o beijo delas, pensando bem – e eles não tinham imposto qualquer política de portas abertas ou medida compatível.
As garotas ficaram agradecidas. E completamente preparadas para se aproveitar das circunstâncias.
Quinn gentilmente subiu na cama de Rachel, com cuidado nas suas costelas ainda doloridas. Rachel – menos graciosamente – caiu na cama com um suspiro contente, uma mão segurando levemente a barriga.
"Você ganhou pra nós hoje," Quinn disse baixo, procurando a mão de Rachel com a dela e mexendo a cabeça ligeiramente em direção ao lado de Rachel na cama.
Rachel imediatamente rolou de lado, pegando a mão de Quinn com as suas e fazendo círculos calmantes na palma da garota. "Eu legitimamente não vejo como isso seria possível," ela disse. "De toda forma, você ganhou a competição para nós hoje, docinho."
Agora era a vez de Quinn torna-se cética. "Sério, Rach? Como você vai apoiar essa declaração? Eu literalmente só valsei nos fundos. Eu sou parte da linha do coro."
"Você é mais do que só um apoio. E você faz mais do que só valsar," Rachel disse indignada.
"E você fez mais do que só cantar Don´t Rain on My Parade, Rachel – você completamente tocou a audiência. O resto do clube do coral sequer cantou uma palavra. Nós só andamos pelos corredores. E você deixou a multidão de quatro. Você preparou a audiência para nos ouvir – e não só ouvir, mas escutar. Você fez isso, Rach. Só você."
"Não só eu," Rachel disse, inclinando-se para frente para pressionar os lábios ternamente nos de Quinn. "Como uma ingênua jovem aspirante, eu geralmente procuro por fontes de inspiração. Uma musa, se você preferir. E eu tenho que dizer a você, Quinn, quando você me disse que me amava? Momentos antes da maior performance da minha jovem vida até agora?" Ela parou brevemente e pressionou a testa na de Quinn, encarando diretamente os olhos da outra garota, recusando-se a olhar pra outro lugar sequer por um momento. "Você é minha musa, minha inspiração – a razão pela qual eu me apresentei com mais paixão e fervor do que nunca antes na minha vida. Se nós ganhamos hoje por causa de mim? Então nós ganhamos hoje por causa de você."
"Eu realmente quis dizer isso," Quinn disse baixo. Se Rachel não estivesse diretamente na frente dos lábios dela, as palavras poderiam ter se perdido em algum espaço entre elas. Mas elas não foram perdidas.
"Eu sei," Rachel disse. "Eu amo você, também, Quinn Fabray."
"E eu amo você, Rachel Berry."
Primeira noite de Hanuká
Depois dos quatro membros da Casa Berry trocarem presentes, Brendon e Marcus pediram licença pra ir pra cozinha onde eles começaram a fazer chocolate quente.
Rachel estava avidamente passando as mãos pelo presente que ganhou dos pais – a coleção de partituras Essenciais de Barbra Streisand. Duzentas e cinquentas páginas de nada além de Barbra. Ela estava tonta.
Quinn se aproximou mais de Rachel, se encostando no sofá e repousando a mão na perna da diva. "Eu fico contente que há algumas gerações entre nós e Barbra," ela brincou. "De outro modo, eu ficaria com ciúmes dessa paixão que você parece ter por ela."
Rachel não bufou ou tentou brigar com Quinn. Ao invés disso, ela simplesmente respondeu. "Com gerações ou não, Barbra é digna de atenção se eu conhecê-la na vida real."
A boca de Quinn abriu – mas só um pouco. Sério, ela pensou consigo mesma. Isso é tão surpreendente?
Rachel virou a cabeça ligeiramente e viu a expressão no rosto de Quinn. Ela colocou o livro no chão e virou seu corpo para que ela pudesse encarar Quinn diretamente com seus joelhos embaixo do seu queixo. "Mas você é minha escolha número um," ela disse brincalhona, um sorriso brincando em seus lábios. "Só pra você saber."
O olhar chocado de Quinn lentamente desapareceu, só para ser trocado por um largo sorriso – um sorriso que iluminava o rosto dela e fazia seus olhos brilharem, um sorriso que falava demais no ar agora parado. "Eu estou tão apaixonada por você," Quinn disse, prontamente permitindo que um tom de vermelho colorisse suas bochechas. Mas ela não afastou o olhar da garota sentada à sua frente. Ela não podia. E ela não o faria sequer se pudesse.
Rachel deu um sorrisinho e inclinou-se pra frente ligeiramente, permitindo que seus lábios chegasse ao contato dos de Quinn. "E eu amo você," ela sussurrou no doce espaço da boca de Quinn, colocando uma mecha de cabelo loiro atrás da orelha dela.
Última manhã de Hanuká
Quinn estava enlouquecendo. "Santana!" ela praticamente gritou no telefone. "O que eu devo fazer? Eu sei que Rachel e Brittany foram ao shopping no final de semana passado. E eu tenho cem por cento de certeza que ela comprou algo pra mim."
Ela ouviu Santana suspirar no telefone. "E?" a Latina perguntou.
Quinn mordeu o lábio nervosamente. Esse era um assunto sensível. Ela não estivera vivendo fora da casa dos pais e sua vigilância por muito tempo – mas foi tempo suficiente pra perceber que eles tinham cancelado o cartão de crédito dela e esvaziando tanto a conta corrente quanto a poupança. Pra todos os propósitos, Quinn Fabray estava completamente falida. "Isso é uma droga, S. Eu não sei o que comprar pra ela e –" ela suspirou e caiu pra frente, colocando a cabeça nas mãos. " – eu não poderia sequer comprar pra ela o que eu quero comprar pra ela se eu na verdade soubesse o que eu queria comprar pra ela!"
"Uou," Santana disse. "Acalme-se, Loira. Isso é um problema de escolher um presente? Ou um problema de dinheiro?"
"Ambos," Quinn disse bem triste.
"Ok, bem, eu posso cobrir a questão do dinheiro. E Brittany pode cobrir a escolha real do presente. Ou ajudar você, tanto faz."
"Santana, não. Eu não posso deixar você fazer isso –"
"Quinn," Santana interrompeu. "Você sabe qual é a minha mesada, você sabe desde que somos criancinhas. E o que eu não gasto, coloco na poupança. Minha poupança é ridícula, miga. E eu sequer gastei toda minha mesada de Dezembro. Então nem comece. Eu estou na casa de Brittany agora. Eu vou dar a ela meu cartão de débito e você pode encontrá-la no shopping em –" ela parou pra checar o relógio " – aproximadamente quarenta e cinco minutos. Ok?"
Quinn riu e deixou o som do seu leve sorriso ressoar em sua voz. "Você é uma boa amiga, S."
Santana bufou do outro lado. "Pff. Eu sou uma ótima amiga, Fabray."
Última Tarde de Hanuká
Brittany gritou e puxou Quinn para a primeira joalheria que encontraram. Ela começou rapidamente a se mover de vitrine pra vitrine, como se ela estivesse procurando por algo em particular. Quinn acompanhava a uma pequena distância.
"Aha!" Brittany exclamou.
Quinn olhou, uma sobrancelha arqueada. "Achou algo bom, B?"
"É esse," Brittany respondeu. Esse é perfeito."
Quinn olhou pra escolha de Brittany e sorriu largamente antes de dar um abraço de um braço só em Brittany. Era perfeito.
Última noite de Hanuká
Elas tinham terminado de celebrar com os pais de Rachel e se encaminhado pro andar de cima. Mais cedo naquele dia, elas tinham tomado a decisão de trocar os presentes delas na privacidade no quarto de Rachel. E agora, aqui estavam elas – sentadas de pernas dobradas em posição de índio uma na frente da outra na cama da morena, avidamente antecipando a troca.
"Pronta?" Rachel perguntou.
"Pronta," Quinn respondeu.
Cada uma rasgou o papel de presente dos seus respectivos presentes – os seus, estranhamente, presentes de similar forma.
Em uníssono, elas abriram as caixas da joalheira. Dois 'cliques' suaves preencheram o ar e dois engasgos se seguiram.
Cada uma tirou os presentes dos confins das caixas e levantaram-no no ar. Ali, balançando entre as duas garotas, estavam dois colares idênticos.
"Brittany?" Quinn perguntou.
Rachel concordou. "Brittany."
Elas caíram na gargalhadas, caindo uma na outra quando se tornou difícil de respirar.
"Ai Meu Deus," Quinn disse. "Eu amo você."
Rachel só a beijou. Com força.
Manhã de Natal
Quinn acordou antes de Rachel. Ela cuidadosamente saiu da cama 'delas' e foi em direção ao banheiro, fechando a porta atrás dela tão silenciosamente quanto pôde . Ela usou o banheiro e escovou os dentes antes de jogar um pouco de água no rosto.
Depois dessa simples ação, Quinn olhou no espelho. Ela prestou atenção no seu próprio olhar. Ela piscou algumas vezes.
Esse era o primeiro Natal sem a família dela. Sem a irmã mais velha. Sem a mãe dela. Sem o pai... E isso tudo é minha culpa, ela pensou. Minha família foi dilacerada. A irmã dela se recusava a aceitar suas ligações. Seus pais não tinham sido vistos há semanas. Por causa de quem eu amo.
Mesmo olhando pra si mesma no rosto, ela não conseguia marcar o ponto em que as lágrimas começaram a cair. Mas elas caíram. E seus ombros balançaram. E suas costelas doíam do esforço de conter seus soluços.
E quando a porta do banheiro abriu lentamente e Rachel deu uma olhada pra dentro, seu rosto foi recebido com a visão de Quinn no espelho, esta parou de tentar fazer o papel de rogada. Ela deixou tudo sair, e, Rachel a pegou enquanto ela deslizava lentamente pro chão do banheiro.
"Eu amo você," ela murmurou no peito de Rachel enquanto a garota menor lhe ninava nos braços. "Não importa o que ele pensa."
Véspera de Ano Novo
Os doze membros do clube do coral foram pra casa de Mercedes para a festa de Ano Novo.
Normalmente, os garotos 'impopulares' estariam em casa celebrando com seus familiares ou quase, igualmente impopulares amigos.
Normalmente, os garotos 'populares' estariam na casa de algum outro garoto popular – normalmente Puck – embriagando-se e jogando brincadeiras bregas a fim de beijar uns aos outros antes da meia noite.
Mas esse ano, os populares e os impopulares se juntaram para uma festa que era algo 'híbrido', uma anomalia do ensino médio, uma cena socialmente desbalanceada... Apesar de ser decididamente estranha, era inequivocamente alegre.
Cinco minutos antes da meia noite, Rachel pegou a mão de Quinn na dela e se levantou pra fazer um anúncio. "Com licença!" ela proclamou. Levou apenas meio minuto para que todos finalmente se calassem. "Eu só quero deixar vocês saberem – para que quando venha a meia noite, ninguém fique chocado – que Quinn e eu somos um casal."
"Como se nós já não soubéssemos," Mercedes disse alto, rindo e retornando a sua conversa previamente interrompida com Kurt.
"Isso é sexy," Puck disse.
Finn socou levemente Puck no ombro. "Ei," ele disse. "É da minha ex-namorada que você está falando."
Mike e Matt trocaram sorrisos maliciosos e toques de mão. Lésbicas são sexys.
Santana rolou os olhos antes de sentar no sofá mais próximo, puxando Brittany pra se acomodar em seu colo.
"Você sabe que é bem sexy, San," Brittany sussurrou no ouvido da outra garota.
Santana beijou Brittany levemente nos lábios e disse, "Você é sexy, Brit. Isso é tudo o que eu sei."
Tina só sorriu brilhantemente pra Rachel e Quinn em retorno, apertando o ombro de Rachel e dizendo, "Eu realmente estou feliz por vocês," antes de se sentar no colo de Artie – ele então os rolou para um lado desocupado da sala em preparação para a queda da bola.
Ambas as sobrancelhas de Rachel ficaram perigosamente arqueadas altas quando ela se virou de volta pra Quinn. "Huh," ela bufou. "Isso foi... bem?"
Quinn riu e bateu no espaço vazio ao lado dela na poltrona. Rachel delicadamente se sentou ao lado da namorada e entrelaçou os dedos delas.
Enquanto a contagem regressiva começava na televisão, os garotos do coral começaram a contar junto.
Dez.
Nove.
Oito.
Sete.
Seis.
Cinco.
Quatro.
Três.
Dois.
Um.
'FELIZ ANO NOVO!' Todos exclamaram juntos.
Quinn se inclinou pra frente, seus olhos atenciosamente conectados aos lábios suculentos de Rachel. Quando elas se encontraram, a língua dela se inclinou pra frente, pedindo – não, implorando – para entrar. O que foi prontamente permitido.
Estava bem dentro do próximo ano antes delas se separarem atrás de ar.
"Você beija excelentemente bem, Quinn."
"Você também, amorzinho. Eu amo você."
Presente
É, Quinn pensou enquanto se acomodava para assistir algum musical aleatório com Rachel na cama delas. É bem fácil dizer a essa garota o quão loucamente apaixonada por ela eu estou.
