Gostaria de agradecer a todas pelo carinho e por ainda estarem acompanhando a fic. Infelizmente ela está acabando... Mas até lá, fiquem todas aqui! Aguardem as próximas "emoções" e, até lá, um beijo estalado na bochecha de cada uma!

Liv Stoker: Olha só, Liv! Que coincidência! Eu abri o justamente para atualizar e... Está feito! ;) Que bom que você gostou da fic, mas fique tranquila: As coisas estão mudando para os dois, finalmente. Fico lisonjeada que a história do nosso casal problema venha sendo capaz de despertar reações assim tão intensas.

Anna Clara Snape: Realmente, é muita tristeza. Às vezes eu fico pensando, pensando, pensando... Como sou capaz de incutir tanto sofrimento na vida desses dois? Até me sinto culpada! Mas ânimo! Bons ventos chegaram...

Amanda Laís: Não consegui postar dentro do prazo, mas aqui está o antepenúltimo capítulo da FIC. Espero que tu gostes, nena! Minha leitora mais afobada! AHAHAH! Beijos, flor.

Daniela Snape: Este capítulo também é para você, Daniela! Obrigada pela review e fico feliz que tu estejas gostando da fic.

Bom, meninas... Por hoje é só! Fiquem com o capítulo a seguir. Eu me esforcei muito e, na verdade, não sei como consegui escrevê-lo. Vida real opressora. Snif. Isso sem contar que eu estou MUIIIIIIIIITO triste. A Madame Anita Azevedo me esqueceu. :(

Mas eu não esqueci dela. Tanto que quero compartilhar com vocês o LINDO presente que ela me deu. Ou seria aos nossos queridos e complicados Severo Snape e Helena Mitchel?

O lindo presente feito por uma das minhas escritoras favoritas foi o vídeo da fic, com direito à trilha sonora do casal e tudo (que ainda não existia). Vejam lá:

.com/watch?v=gzfOTXlY_18&feature=

Se não aparecer o link, copiem e colem na barra de endereço do navegador de vocês.

Beijos da Madi!

sSsSsSsSsSs

Fazia uma semana que Severo não retornava à Mansão Prince Snape que, teórica e judicialmente, era sua residência oficial e verdadeira; pois lá estavam suas duas filhas e sua esposa. Ao pensar em Helena como sua esposa, um tremendo vazio lhe tomava conta do ser. Ainda não tinha retornado para casa e tampouco sabia como fazê-lo. Como deveria abordar Helena, afinal? Snape era racional e realista demais nestas ocasiões: Sabia que simplesmente dizer "Recuperei minhas memórias, agora vamos ser felizes" não iria adiantar. Amy havia retornado ao gabinete dele naquele dia pós-ressaca e, se foi difícil encará-la, quem poderia dizer como seriam as coisas com Helena?

Sofia também viera cobrar a presença do pai em casa, mas sua esposa sequer manifestara preocupação, irritação ou interesse. Com efeito, ele só havia dado desculpas para as duas filhas, dizendo que a semana seria muito puxada e que primeiro trataria das pendências de Hogwarts. Somente no fim de semana iria retornar à mansão.

sSsSsSsSsSs

E ali estava Snape, parado diante do grande portão que dava acesso à propriedade. Murmurando um encantamento, avançara pelo caminho de sebe agora bem cuidado com passos vagarosos e trejeito pensativo. Ao chegar diante da porta principal, encostou sua varinha na fechadura para que a mesma reconhecesse o dono da casa. Entrou silenciosamente, pois parecia que todos dormiam, devido ao fato de já ser tarde da noite. Tirou a capa de viagem e a pendurou no cabideiro disposto ali no hall de entrada. Subiu as escadas lentamente em direção do quarto do casal. O estômago latejava de ansiedade, sensação que aumentou ao chegar ao cômodo. Helena dormia de forma aparentemente profunda na cama dela, em sua divisória do quarto. Observou sua mulher por um bom tempo e, silenciosamente, começou a despir as vestes negras e pesadas. Estava apenas com a calça social quando começara a abrir as abotoaduras da camisa branca. Nesta ocasião, Helena acordara e sentira a presença dele ali tão somente pelo perfume que emanava do corpo dele. Mas não se moveu ou se pronunciou até ele despir a camisa e, ao parar de contemplá-la, rumar em direção de seu próprio aposento, situado no lado oposto.

— Você voltou... — ela disse sem se virar.

Snape, sem reação, parou imediatamente onde estava.

— Sim, eu voltei. — disse, sem mover-se ou olhar para trás.

— Aproveitou muito com a Rosmerta ou com qualquer uma daquelas suas mulheres que você encontra por aí? — a voz dela continha raiva e ciúmes a muito custo comedidos.

— Não, eu não aproveitei nada com Rosmerta ou com qualquer mulher que seja. Eu estive muito ocupado nestes últimos dias.

— Hm. E foi só por isso que não aproveitou para fazer um lanche? — ela ironizou, ainda sem sequer mover-se da posição em que estava.

— Somando-se ao fato de que não senti desejo nenhum em procurar outra mulher, posso lhe informar que realmente estive muito ocupado.

— Com o quê? — desdenhou. — Bebendo, então? — Amy provavelmente contara o que viu à mãe.

— Também. Mas basicamente passei os últimos dias procurando uma forma de voltar para casa e dizer que verdadeiramente eu nunca quis que você tivesse tirado a nossa criança.

Helena ficou estática.

— Então quer dizer que...

— Sim, agora entendo porque Amy é minha filha, embora muitas coisas ainda estejam confusas. — disse ele, virando-se na direção dela, que continuava deitada de costas. — Boa noite, Helena. Amanhã temos muito que conversar.

Snape seguiu em direção aos seus aposentos e não tornou a dirigir mais a palavra à Helena. Ela, por sua vez, não conseguiu mais pregar o olho. Estava inquieta, pois o simples fato de ele estar ali, tão próximo, lhe incomodava de forma terrível. Escutou o barulho de água: O chuveiro havia sido ligado. Levantou-se de supetão. Aquilo tinha de ser resolvido de uma vez por todas. Helena levantou-se, vestiu o robe de seda verde escuro e rumou em direção do banheiro disposto no aposento ao lado, que dava acesso ao dela. Desde o início isto fora uma exigência de Snape, para que as meninas não desconfiassem do casamento de conveniências. Para ambas, a porta que ali havia não passa de um acesso a um escritório ou biblioteca particular que não era do interesse delas vasculhar.

Helena ficou parada no batente da porta, esperando Snape terminar o banho. Escutou o chuveiro sendo desligado e os passos dele se aproximando. Ele vinha secando os cabelos conforme andava e... Totalmente nu.

Ela não esperava por aquilo, por isso, ficou sem graça e tentando desviar o olhar. Snape ficou surpreso, afinal, ele imaginava que ela não fosse arredar o pé da cama, bem como que ela postergaria a conversa fatal entre ambos o máximo que pudesse.

— Eu pensei que você tivesse voltado a dormir... — ele disse brandamente.

— Jamais conseguiria, com tantas coisas para resolver — e ela ainda estava desconfortável.

Helena virara ainda mais o rosto para evitar a visão do marido nu. Era uma situação desconfortável e estranha.

— Ora, Helena. Não é a primeira vez que você me vê assim. Relaxe.

— Vista-se, por favor. Nós precisamos conversar.

Sem pressa, Snape vestiu o sofisticado pijama na cor preta. Nem para dormir abria mão da cor que era a sua marca registrada...

— Vamos para a biblioteca. Preciso de uma bebida. — ele disse, vestindo por cima do pijama, um robe de flanela, de mesma cor.

Foram à biblioteca. Snape acendeu o fogo da lareira à moda trouxa e serviu, para ambos,

doses de whisky de fogo. Sentou-se diante da grande e rústica mesa de trabalho. Helena ficou em pé, andando de um lado para o outro, bebericando a bebida. Snape apenas lhe observava. Ela ainda não percebera que estavam prontos para iniciar a conversa e que Snape estava lhe fitando atentamente.

— Qual é, Snape? Vai bancar o diretor de Hogwarts aqui também, sentado aí nesta sua pose enquanto eu interpreto a aluna que se justifica eternamente? — disse com uma leve irritação na voz.

— Garanto que eu tenho bem mais coisas a lhe justificar. — disse ele, com um ar distante, pensativo.

— É, você tem. — disse ela, a voz havia mudado ligeiramente para um tom mais magoado.

Ficaram em silêncio.

— Sente-se — ele convidou. — Ficando de pé, realmente vai parecer que estamos em Hogwarts.

— Estou muito bem em pé.

Dito isto, Snape levantou, circulando a mesa. Encostou-se sob ela, ficando de frente para a esposa, que, de mãos na cintura, olhava desconfortavelmente para os lados.

— Nós temos de resolver nossa vida, Helena. — ele disse calmo e pesaroso.

— E nós temos uma vida juntos? — Helena debochou. — Você nem mora aqui. Depois da conversa que tivemos, você foi para Spinner's End e não retornou, até o dia de hoje.

— Eu falo em relação à Amy. Pode parecer tolo e mesquinho, mas agora que sei de minha verdadeira paternidade em relação à Amy, eu quero, realmente, fazer por vocês duas o que nunca pude fazer...

— O que você nunca fez porque não quis, não é Snape? Ou você pensa que me esqueci da forma que você me recebeu em Hogwarts, quando finalmente decidi te procurar novamente; devido à insistência dos pais de Eleonor? Você me escorraçou e disse que nem sequer sabia da minha existência, quem dera fosse ter um filho comigo.

Snape havia ficado mudo. Ele não havia encontrado este registro em suas memórias... Helena prosseguiu, pois sentia que desde a última conversa, ainda não havia expulsado toda a sua raiva, indignação, dor e sofrimento.

— Eu estava com Amy no colo. Você sequer pousou os olhos sob a menina... E hoje você vem me dizer que quer nos oferecer tudo o que não "pôde"? Só se for o que você NÃO QUIS, porque você poderia ter-nos feito muitas coisas...

Mesmo não entendendo a ausência deste registro, Snape prosseguiu.

— Eu te acompanhei de longe. Seus pais nunca vieram tirar satisfações comigo, pois eram muito orgulhosos para tanto... Mas fiquei sabendo do que os dois fizeram com você. Foi quando senti, de fato, toda a sua determinação em ter o bebê. Por isso decidi ir ao seu encontro e te pedir em casamento. Mas não lhe achava em lugar algum. Tentei feitiços localizadores nos primeiros meses. E nada de te encontrar. Busquei por detetives... Você simplesmente sumiu do mapa. Por um ano eu te procurei dia após dia. Confesso que fui covarde, mas não conseguia mais lidar com a minha consciência me culpando e me julgando todos os dias, tampouco com a dor da tua ausência. Mesmo no preâmbulo da guerra, as coisas estavam ficando cada vez mais difíceis para o nosso lado e eu precisava me focar no trabalho que havia me comprometido a fazer pelo Alvo. — os olhos de Snape ofuscaram-se ainda mais.

Ele prosseguiu.

— Eu precisava te tirar da cabeça. Eu não te encontrava em lugar algum e sentia que iria enlouquecer. Até cheguei a pensar que você havia morrido. — a voz ficara emocionada e embargada, embora ele tentasse manter a pose e a seriedade.

— Então foi mais fácil e conveniente literalmente me "apagar" da sua vida... — ela ironizou.

Pela primeira vez, em seus quase cinquenta anos de vida, Snape ficara sem palavras e sem ter uma resposta na ponta da língua para desbancar os argumentos alheios.

— Eu sei que fui covarde.

— Admitir isto ou tentar fazer algo somente tantos anos depois não irá mudar a natureza dos fatos. Você é mesmo o pai de Amy, eu sofri sozinha e hoje nós ironicamente nos metemos nesta "vida" que levamos. Agora eu estou com esta dor insana no peito e você, com uma memória danificada e cheia de lacunas, porque não teve coragem suficiente em lidar com a situação. Eu esperava que você tivesse medido as consequências do que um feitiço de memória tão poderoso poderia ter lhe causado, Mestre. — ela finalizou, com bastante ironia.

Houve um grande silêncio entre ambos.

— Você tem noção do que foi para mim te reencontrar, Severo? — Helena deixara cair algumas lágrimas e agora tentava não desmoronar diante do marido. — Tem noção de como foi torturante fingir que não te conhecia muito além do que todos costumam conhecer...? De como me machucou a sua indiferença? De como quase enlouqueci tendo de fingir, sem entender como você conseguia não se lembrar de mim?

— Não vou te mentir, Helena. Eu não posso sequer imaginar, com exatidão, as dimensões do teu sofrimento. Eu apenas quero poder fazer algo.

— Não sei se agora é possível, Severo. Me sinto ferida. Incapaz de encarar a vida como eu encarava. — Ela pôs as mãos no rosto e desabou a chorar. — Veja em que estado esta maldita vida tratou de me deixar. E eu mesma me causei isto, Snape. Antes mesmo de entrar nesta disputa ridícula pela mansão... Eu errei quando dei ouvidos ao que meu coração dizia na época. Talvez você estivesse certo quando me disse que o que eu sentia por você era admiração. Mas eu queria tanto alguém para amar... Queria tanto te amar... Que eu acabei amando.

Severo trouxe Helena para mais perto de si e a abraçou. Ficaram um bom tempo abraçados, até que Snape rompeu o silêncio.

— Helena... Como o Lúcio chegou a você? — ele perguntou com cuidado.

— Assim como você frequentava a casa de meus pais, Lúcio também. Mas não era para me trazer livros ou contar histórias. — o semblante dela suavizou, por breves instantes, em regozijo às lembranças doces que tinha com Severo naquela época. Todavia, as feições dela logo tornaram a se fechar.

— Foi uns dias depois de eu e você... Você sabe. — inexplicavelmente sentia-se retraída em mencionar o envolvimento precoce dela com o homem diante de si, mesmo depois de tantos anos. — Você me deu a poção do dia seguinte eu tomei. Naquela semana, eu estava voltando de Hogsmeade quando ele me abordou.

Helena ficara desconfortável e se soltou dos braços do marido.

— O Draco era só um menino, mas já mostrava suas habilidades... Creio que ele tenha levado aos ouvidos do pai que você me tratava melhor do que se podia esperar em relação a qualquer aluno de Hogwarts, sonserino ou não. Você era amigo dos meus pais. Gostava de mim... Talvez me atacando ele quisesse provocar alguma reação em você que colocasse em dúvida seu verdadeiro caráter: o de um comensal da morte genuíno ou de um perfeito traidor. E ele sabia que eu jamais teria coragem de contar o que aconteceu para quem quer que fosse... —

Helena virou-se de costas e novamente passou a caminhar pelo cômodo.

— E por que você não me procurou, Helena?

— Por medo e vergonha. Eu era jovem. Tinha medo da cabeça fechada dos meus pais. Do que você iria pensar de mim. Quando finalmente criei coragem de contar, descobri que estava grávida. Eu demorei a tomar a poção... Eu não passava de uma cabeça de vento. Ela perdeu o efeito. Depois de tudo o que aconteceu, eu fiquei com medo de ser de Lúcio. Pensei em fugir, sumir. Também tive medo de lhe contar sobre o bebê, mas sem revelar sua identidade, conversei com Madame Pomfrey e ela me aconselhou a procurar o pai da criança. Eu preferi arriscar em acreditar que era você, Severo... — ela disse com lágrimas nos olhos, parada diante dele. — Mas também me enganei. Você não queria a nossa menina... — disse ela, enquanto tentava enxugar as grossas lágrimas com as costas das mãos.

— Helena, minha Helena... Eu só quis o melhor para você na época. — sentenciou, com emoção perceptível na voz.

— Quando eu resolvi te procurar novamente, você já estava casado com a mãe de Sofia, que estava grávida.

*FLASHBACK*

Ora essa, garota oportunista! Sequer te conheço, como vou ser pai de um filho seu?

Severo, isso não é possível... Você não pode ter me esquecido assim tão rápido! Você está brincando comigo, é isto? Está me desprezando porque eu me afastei? — o tom era de súplica e lágrimas vertiam dos olhos azuis.

A única pessoa que está brincando aqui, senhorita... É você. Trate de sair AGORA de minha sala ou eu tomarei as medidas cabíveis.

Uma mulher de seus trinta anos de idade adentrou o recinto. Tinha longos cabelos negros, sedosos, lustrosos. Ostentava uma barriga de grávida que tinha cerca de 5 meses.

Severo, querido... — ela entrou, sorrindo. Mas o sorriso morreu quando contemplou a cena da jovem diante de seu marido, segurando um bebê que chorava nos braços, com grossas lágrimas molhando a extensão de seu rosto.

Severo, o que está acontecendo aqui? — o semblante se fechou, entendendo a situação.

Não aconteceu nada, Hillary. Esta moça já está de saída. — disse ele, abrindo a porta e fazendo sinal para Helena sair de seu escritório.

A partir de então, Severo passou a viver o inferno encarnado dentro de seu casamento: Hillary tinha convicção de que Snape tinha uma criança "bastarda". Uma criança que não era bastarda, mas que ele NÃO reconhecia; tampouco a mãe. Deveria ser mais uma oportunista...

* FIM DO FLASHBACK *

Snape mirou concentradamente nos olhos de Helena e pôde ter acesso à memória que não havia encontrado em seus guardados.

— Ah, meu Deus... — ele murmurou, interrompendo o contato visual.

Abraçaram-se novamente, mas desta vez a iniciativa veio de Helena. Ela queria ficar para sempre ali, segura na companhia dele. Todavia, isso era impossível, pensou enquanto toda a vida do seu corpo parecia se esvair. Como uma boneca inanimada, deixou que Snape a erguesse nos braços.

Pouco depois, percebia estar deitada na cama dele e não se lembrava de terem atravessado o corredor em direção dos aposentos.

— Você cochilou — Snape disse, baixinho. — Acho que nós dois precisamos descansar e continuar esta conversa outra hora.

.

Helena quis recusar, porém, não teve forças. A exaustão que os últimos acontecimentos haviam lhe causado deixaram-na incapaz até de coordenar o mais simples dos raciocínios. Apenas desejava continuar deitada ali, sem pensar ou fazer nada.

— Helena?

Snape sentou-se à beira da cama. Helena soergueu um pouco o corpo, amparando-se de travesseiros.

— Estou bem, Snape, não se preocupe. — disse ela ao virar o rosto para o lado, a fim de dormir.

Ouviu-o suspirar com tristeza e espantou-se. Por que ele se mostrava perturbado por sua causa? Tudo acontecera havia tanto tempo!

— Foi por causa disso tudo que você se empenhou tanto em comprar a mansão? — perguntou ele baixinho.

— No início foi — Helena admitiu, falando de olhos fechados. — Eleonor e Jamie ficaram horrorizados, pois não queriam que eu assumisse um compromisso pesado instigada por um desejo de... Compensação. — concluiu, por falta de palavra melhor.

Ela achava surpreendente a facilidade com que falava do assunto penoso. Até que enfim encontrava-se liberta da amargura que a atormentara por tantos anos. Jamais se esqueceria do que seu passado guardava, porém, sua lembrança não seria mais acompanhada do ódio que lhe sombreara a vida desde sua tragédia pessoal. Ela acabara de abrir os olhos:

— Pode parecer ridículo — continuou ela, encarando-o duramente —, porém, assim que entrei e percorri a mansão, apaixonei-me perdidamente por ela. Tentava me convencer de que pensava em Amy, a quem, por direito, a casa deveria pertencer. Ou ainda, que, sob o ponto de vista dos negócios, a compra era excelente. Na verdade, desejava a casa para mim mesma, a fim de satisfazer alguma necessidade íntima que não saberia definir.

— Você fala como se esses sentimentos fossem coisas do passado — Snape comentou e observou sua reação.

Helena sabia estar pisando em terreno perigoso. Se não tivesse cuidado, Snape, com habilidade, a levaria a confessar por que a mansão não lhe despertava mais interesse. E a razão verdadeira resumia-se ao fato de a casa agora também pertencer a ele. Fez um esforço para voltar a sentir ressentimento e ódio por Snape, porém, estes haviam se esgotado.

— Não sei o que sinto no momento — Helena disse finalmente e depois sorriu ao mirá-lo.

Fitaram-se em silêncio e ela teve a impressão de que, pela primeira vez, viam-se realmente. Uma sombra de esperança brotou em seu coração, contudo, Snape a destruiu ao dizer com franqueza:

— Amy precisa saber da verdade.

— Não! — protestou ela, apavorada.

— Precisa, sim, Helena — repetiu ele com firmeza,

— Amy já pensa que você é o pai dela. Poupe-a dos detalhes sórdidos...

— Tem certeza?

A dúvida implícita naquelas palavras reforçou a sua, que não desejava admitir. Há muito vinha notando que o tratamento que Amy dedicava a Snape não era exatamente o de uma filha para com o pai. Ele continuou:

— Creio que ela me considera um substituto conveniente, mas não me aceita como pai verdadeiro.

— No entanto, foi porque Amy acreditava em sua paternidade que nos casamos...

— Foi uma das razões. Desde então, tenho tido a oportunidade de observá-la e tenho minhas dúvidas.

Helena começou a sentir uma apreensão gelada percorrer-lhe a espinha. Seria essa a maneira de Snape insinuar a vontade de pôr fim no casamento deles? O orgulho a impedia de interrogá-lo com franqueza.

— Vai ser preciso contar a ela, Helena, mas não hoje, nem amanhã — ele acrescentou com um sorriso, tentando animá-la.

Snape fitava sua boca e um arrepio de prazer a fez entreabrir os lábios. Os dedos dele a tocaram no pescoço e depois lhe seguraram o queixo. Bem junto ao rosto, Snape murmurou:

— Se não quiser, diga que eu paro.

Atordoada com a exaustão emocional, Helena não tinha forças para lutar contra sua carência amorosa. Foi cheia de expectativa que lhe entregou a boca para ser beijada e o corpo, acariciado. Todas as vezes que tinham feito amor, existira sempre um elemento de selvageria e Helena nunca tinha superado, completamente, a raiva e a confusão. Snape era capaz de fazê-la reagir com tanta intensidade que a paixão apagava, por instantes, esses sentimentos. Agora, as emoções negativas não existiam mais.

Os toques de Snape eram suaves, meigos, quase reverentes... E a dança vagarosa do desejo começou a envolvê-los num ritmo lindo e mágico. Dessa vez, ao beijar e acariciar o corpo do marido, ele lhe pareceu menos severo e intransigente. As palavras de prazer e louvor murmuradas de encontro à pele dela eram doces e belas. Faziam amor devagar como se dispusessem de todo o tempo do mundo para gozar e aproveitar cada afago simples, sem pressa de satisfazer a ânsia mútua. Muito antes de sentir a firmeza quente daquele corpo dentro do seu, Helena já havia abandonado o senso da razão e a realidade em favor da emoção e da fantasia. Encontrava-se nos braços de Snape, onde desejara tanto estar durante longas semanas vazias. Ele a beijava, tocava e lhe fazia amor como se a amasse, um sonho precioso demais para renunciar. Seu corpo abriu-se para acolher o dele, movendo-se no mesmo ritmo, atendendo-lhe as exigências e compartilhando do prazer na espiral do desejo.

Suas mãos, com amor, percorriam-lhe as costas musculosas, as pernas prendiam-se nas dele, os lábios e a língua traçavam uma linha úmida pelos ombros, pescoço até alcançarem a orelha, que explorava em seus meandros. Ela estremecia deliciada e abafava, de encontro a ele, os murmúrios de deleite.

— Não esconda suas emoções de mim. Eu quero ouvir, ver e provar seu gozo — Snape falou baixinho ao tomar-lhe a boca. — Senti tanto a sua falta...

Ele soltou um gemido e beijou-a com a violência até então represada e estilhaçou sua languidez morna de desejo, transformando-a em chamas vorazes. Helena arqueou o corpo contra o dele numa súplica ardente e retribuiu-lhe o beijo com igual paixão. Sentiu o sangue cantar nas veias e a respiração ecoar ofegante. Gritou o nome dele alheia a tudo, exceto à intensidade da sensação em seu âmago. Um calor imenso lhe abrasava a pele ligada à de Snape e sentiu-o mover-se enérgico dentro de si, exigente, mas estimulado e atendido. Ela disparava para além dos limites do universo, sem controle algum, tendo apenas Snape em quem se amparar. Segurava-se nele com desespero quando o corpo convulso foi tomado pelos primeiros espasmos primitivos de prazer.

— Helena!

Seu nome ressoou pelas paredes do quarto enquanto uma torrente avassaladora irrompia em seus corpos, que estremeceram ao atingirem, ambos, o êxtase final. Lágrimas lhe inundaram as faces, porém, não eram de tristeza ou mágoa, apenas de alegria e alívio. Jamais haveria outra coisa em sua vida que pudesse se igualar a este prazer de dar-se por completo ao homem a quem amava. Todavia, ele não lhe retribuía o afeto. Snape não a amava, repetiu já quase adormecendo, exausta.

Helena acordou de madrugada. Sentiu logo que Snape também não dormia, pois ele roçou-lhe o pescoço com os lábios e acariciou-lhe os seios. Suspirou com a sensação de bem-estar e aninhou-se nos braços fortes.

— Helena — murmurou ele em seu ouvido —, será que pode me contar uma coisa?

— O quê?

— Você ainda pensa naquele antiquário mequetrefe...?

Helena fez uma careta no escuro. Seria possível que Snape tivesse mesmo acreditado naquilo? Ele devia saber que a história não passava de expediente para sua defesa e proteção contra o desejo desenfreado que lhe despertava. Contudo, lembrou-se de outras vezes em que ele fizera a mesma pergunta, na hora do amor. A sombra de esperança tornou a surgir. Poderia estar ele com ciúme e, portanto, verdadeiramente amá-la? Não, era impossível, devia ser apenas uma questão de orgulho masculino ferido...

Gostaria de revelar a verdade, porém, isso a deixaria numa posição insegura. O melhor seria deixá-lo na dúvida. Lembrou-se da insistência dele sobre a necessidade de contar a história deles a Amy, prova suficiente de que ele não queria a continuidade do casamento. Naquela noite, Snape havia apenas atendido à manifestação do desejo físico de homem, nada mais. Pensou um pouco e respondeu em tom despreocupado, bem como aliviada por ele não poder ver sua expressão de tristeza no escuro.

— Isso tem importância? Muitas mulheres alimentam fantasias com homens que não são seus maridos.

Helena quis gritar o seu protesto quando Snape separou-se dela e virou de costas antes de responder com sarcasmo:

— Não, acho que não, ainda mais quando provoca um efeito muitíssimo erótico em você.

Ela só lhe percebeu a extensão da raiva ao ouvi-lo acrescentar:

— Talvez na próxima vez em que fizermos amor você queira imaginar aquele trouxa no meu lugar, não só na mente como no físico também. Seria bem interessante verificar o resultado disso em você se o fato de imaginar, simplesmente, que eu sou ele pode...

— Pare! Pare! - gritou Helena. Snape riu feroz e ainda disse:

— Parece mesmo que existe uma grande semelhança entre ele e mim. Contudo, não posso considerar sua reação lisonjeira, quando sei que está fazendo amor com outro homem, nem que seja em pensamento!

Helena sentiu como se o corpo e a mente houvessem sido chicoteados. Snape a magoara outras vezes, mas não com a profundidade de agora. Bem devagar, deixou a cama dele e foi para seu quarto. Não poderiam continuar vivendo dessa forma, brigando feito cão e gato. Talvez Snape estivesse tentando transformar sua vida num inferno para forçá-la a ir embora e deixar-lhe a mansão.

Curiosamente, a perspectiva de perder a casa não a afetava mais, afinal, já tinha perdido tantas coisas...