Capítulo 28: "No escuro"
Os exames tinham acabado. Draco havia voltado para a normalidade ao abandonar os livros. Notava-se que ele ficava meio tenso quando se mencionava resultados, mas Blaise repetia que ele tinha estudado mais do que nos seis anos anteriores e que não tinha como ele reprovar em matéria alguma. As férias se aproximavam e o calor que aumentava.
A Formatura era o assunto na boca de todos os alunos do sétimo e sexto ano (estes poderiam ir se quisessem). Seria uma cerimônia simples, mas teria festa depois e é claro que isso era o real motivo da agitação. Uma semana antes, Ginny começou a ficar tensa, pois não sabia que vestido usar, como arrumar o cabelo e várias coisas banais que ela permitia se importar depois de ter estudado tanto.
- Vá com aquele preto que te dei de Natal – disse Colin. – Nunca teve a oportunidade de usar.
- Certo – disse ela. – E o que faço no meu cabelo? Ele não está grande demais? Talvez eu devesse cortá-lo...
- De jeito nenhum! – exclamou Colin prontamente. – Não, não deixo, seu cabelo é lindo.
- Então o que eu faço pra deixá-lo diferente?
- A gente descobre um penteado interessante – disse, piscando para ela. – Agora relaxa, ta?
Uma coruja começou a bater na janela ao lado da cama de Ginny. A garota levantou-se e abriu, deixando a ave voar para dentro do quarto e largar uma carta na cama. Logo depois ela retomou vôo para fora. A ruiva agarrou o pequeno bilhete.
"Hoje, depois da janta, na sala de sempre. D.M.".
Sorriu ao reconhecer a caligrafia dele.
- Draco? – perguntou Colin.
- Sim – respondeu ela, guardando a carta no fundo do malão. – Quer me ver hoje.
Então, depois da janta, lá estava Ginny, dando de cara com um Draco sorrindo malicioso, como se tivesse aprontado alguma coisa. Havia pouca luz no local. Ela fechou e trancou a porta. O movimento de estudantes ainda era intenso naquela hora. Ele estava nos fundos da sala, apoiado em uma carteira, braços cruzados. A gravata verde e prata estava afrouxada, a camisa branca pra fora da calça e com as mangas enroladas. Draco passou a mão pelos cabelos.
- Vem – disse ele, olhar enigmático.
Ela retorceu os lábios num sorriso de canto de boca.
Draco a chamou com o dedo indicador, sedutor. Lentamente, Ginny foi dando passo por passo até ele, mãos atrás das costas, enquanto o sorriso dele se alargava cada vez que ela chegava mais perto. Ela parou em sua frente e ergueu as sobrancelhas em sinal de espera. Ficaram apenas se olhando por alguns segundos, até ele segurar forte seu braço e puxá-la para perto.
Não disse nada. Beijou-lhe os lábios fervorosamente, colocando as mãos nos quadris dela. Trocaram de posição, quando Draco a ergueu e colocou sentada em cima da mesa. Ginny sentiu as mãos do garoto, antes em seus joelhos, subirem lentamente pelas suas coxas. Estava vestindo o uniforme de Hogwarts – ou seja, usava saia. Sentiu o corpo estremecer com o toque frio dele. Deixou um suspiro escapar. Enquanto Draco atiçava a garota com a boca, Ginny sentiu polegar do loiro deslizar pela sua virilha. Ela gemeu baixinho e ele começou a beijar seu pescoço.
Ginny colocou as mãos por baixo de sua camisa e começou a roçar as unhas na lombar do garoto. A boca de Draco foi descendo até seu peito, enquanto uma das mãos abria agilmente os primeiros botões de sua camisa, deixando o sutiã à mostra. Ela enterrou os dedos nos cabelos dele e o puxou para um beijo. Viu os olhos do garoto brilharem prateados como brilharam na sala do capitão.
BANG. Um baque forte fez os dois se sobressaltarem e encarar a porta. Ginny ofegava e sentiu-se embriagada de tesão. Respirou fundo e desceu da mesa.
- Espera – disse ele. – Vou ver o que houve.
- Certo – assentiu. Respirou fundo mais uma vez, fechando os botões da camisa. Estava demorando para voltar ao normal, sentia a corpo ardendo e pedindo que Draco continuasse o que tinha parado
Ginny foi para um canto da sala, com o intuito de esconder-se. Observou ele destrancar e abrir. Quando o fez, os dois puderam vislumbrar o que tinha batido na porta com força. Um garoto. Ouviram gritaria alta nos corredores. Vários estudantes juntaram-se ao redor do corpo. Ginny não conseguiu segurar a curiosidade e aproximou-se. Draco saiu para o corredor, olhando para os lados. Ela notou que ele vestia o uniforme da Sonserina e parecia velho o suficiente para estar no sétimo ano. De repente, chegou Snape andando rápido.
- Afastem-se – disse ele autoritário. Abaixou-se. – Estuporado. O que houve?
- Um garoto lançou o feitiço e saiu correndo – disse uma garota da Grifinória, que estava no quarto ano.
- Disse que era culpa do pai dele – completou outro menino.
Snape bufou. Ginny e Draco trocaram olhares significativos. Retaliação.
- De que casa era esse garoto? – perguntou o professor, levantando-se.
- Acho que da Corvinal – respondeu a garota, nervosa.
O garoto desacordado da Sonserina flutuou reto e rígido, com um aceno da varinha de Severo.
- Draco – chamou ele, fazendo o loiro surpreender-se. – Avise o Prof. Flitwick imediatamente sobre o ocorrido. – Ele assentiu. – E vocês voltem para suas casas – ordenou o professor. – Você também, Weasley.
Ela tentava se esgueirar lentamente para dentro da sala novamente. "Droga" pensou. Snape seguiu para a ala hospitalar. Andou lentamente pelos corredores e viu que Draco ia na mesma direção. Quando os alunos menores se dispersaram e eles acabaram sozinhos no mesmo corredor, sentiu o garoto segurar seu pulso e a levar rápido para trás de uma tapeçaria, que escondia um atalho escuro.
Estava contra na parede e sentia a respiração de Draco bater em seu rosto. No breu, não conseguia vê-lo. Sentiu dedos em seu pescoço subir até seus lábios e acarinha-los, enquanto outros subiam pela sua coxa novamente. Ofegou e então mordeu os lábios.
- Eu te chamei aqui porque preciso te dar uma coisa – sussurrou ele ao seu ouvido, agora mãos acariciando sua cintura.
- O quê? – perguntou ela, tentando se recompor.
- Infelizmente Snape estragou tudo, então – sentiu os lábios de Draco perto dos seus. – É melhor nos encontrarmos amanhã na Sala Precisa.
- Certo – murmurou a garota.
O sonserino mordiscou seu lábio inferior levemente.
- Até amanhã – disse ele, afastando-se e saindo para o corredor novamente.
Ginny respirou fundo. Draco Malfoy conseguia deixá-la com os nervos à flor da pele e depois ia embora. A garota ficou ali no escuro, coração batendo forte. Quando conseguiu se acalmar, rumou para a Torre da Grifinória.
- Draco está mostrando do que é capaz, então? – desdenhou Colin malicioso. Estavam sentados em um canto da sala. – Agora você vai entender porque as garotas correm tanto atrás dele.
- Cala a boca, Colin – sussurrou Ginny sentindo o rosto queimar. O amigo caiu na gargalhada.
- E você – ela levantou uma sobrancelha. – Essa sua carinha feliz e bom humor não quer dizer nada?
Colin parou de rir e os dois se encararam.
- Você não faz idéia – disse ele misterioso.
- O quê? – disse Ginny, aproximando-se dele.
- Blaise fez.
- Fez o que?
- Aquilo.
- Aquilo o quê? – perguntou ela, curiosa.
- Como você é ingênua!
- Sou mesmo, me conta!
- Fala baixo! – pediu Colin. – Bom, ele fez aquilo que se faz com a boca.
- Hein? – falou Ginny ainda confusa.
Colin revirou os olhos.
- Pensa!
Ginny ficou refletindo por uns segundos. Então entendeu. Abriu a boca e arregalou os olhos.
- É o que eu estou pensando? – murmurou ela.
- Sim – disse Colin, sombrio. – Primeira vez que fez num garoto!
- Oh, meu Deus! – exclamou Ginny longamente e eles deram risadas gostosas, chamando atenção do trio que estava a poucos metros deles.
- Você é tão ingênua, querida – disse ele.
- Ah, me deixa – disse ela.
- Vai chegar sua vez – Colin piscou.
Ginny sentiu o rosto ferver enquanto o amigo dava risada de sua cara constrangida.
- Você é um completo pervertido... – disse ela.
- Meu bem, eu sou realista – disse ele, rindo mais ainda.
- Certo, certo... – revirou os olhos.
- Ginny – Harry tinha se aproximado.
- Ah, olá – disse, abanando.
- Estão dizendo por ai que um garoto foi estuporado – disse ele. Como as fofocas voavam em Hogwarts. – E que você viu. É sério isso?
- Ah, é - disse.
- Hermione disse que ele teve traumatismo craniano porque bateu numa porta.
- Sério? – perguntou Colin.
- Sim, bateu – disse Ginny. – Eu estava passando e vi ele no chão – mentiu –, não vi quem atacou ele.
Os três continuaram conversando e estipulando se os boatos sobre o pai do sonserino abatido ser ou não um Comensal da Morte e se esse era o motivo da confusão.
- Já volto – disse Colin, levantando-se.
- OK – disseram Ginny e Harry.
Ficaram em silêncio por uns momentos.
- Se descobrirem quem fez isso provavelmente será expulso – disse o moreno.
- É – concordou Ginny. – Se descobrirem.
Harry colocou o cabelo dela atrás da orelha. O toque a incomodou. Ele a encarava intensamente com os olhos verdes.
- Está de colar? – perguntou ele, fazendo ela prender a respiração.
- Sim – respondeu ela, sem graça, tentando esconder o cordão prateado que ficara à mostra no seu pescoço – Colin me deu.
O garoto fez menção de pegá-lo, indo com a mão até o pescoço dela. Ginny ficou tensa. Ele não podia ver o anel, senão faria perguntas e seria muito suspeito. Graças a Deus, Colin chegou a tempo.
- Rony está te procurando – disse.
- Ah certo – Harry se levantou. – Até mais, Ginny.
Sorriu. Ela retribuiu sem graça. Quando ele se afastou dela, tratou de esconder o colar direito embaixo da blusa.
- O que houve? – perguntou o amigo, notanto que ela estava perturbada.
- Harry – disse ela, nervosa. – Ele fica me tocando, me olhando estranho e sei lá, é muito insinuante.
- Claro, ele acha que você é solteira, Ginny.
Ela o encarou, nervosa.
- Tenho que falar com Draco sobre isso – sussurrou. – Não vou conseguir esconder de Harry, daqui a pouco é capaz dele me colocar na parede como já fez antes.
- Verdade.
- E eu não quero ter que passar por isso de novo – suspirou ela, cansada. – Ah, meu Deus...
- O que houve?
- Acho que vou ter que contar para todos mais cedo do que eu esperava – confessou. – Isso não me causa sensações boas. O problema não é Harry, nem Hermione.
Os dois se encaram, sérios.
- Fico pensando no papai. Em Fred e Jorge. Rony. Gui e Carlinhos não tanto, afinal eles nem freqüentaram a escola juntos. E também não sei se mamãe entenderia...
Respirando fundo, a garota apoiou o rosto na mão.
- Você não pensou no pior.
- Pior? O que pode ser pior?
Quando você tiver que ir à Mansão Malfoy conhecer seus sogros.
Ginny empalideceu instantaneamente.
Draco esperava pela namorada na Sala Precisa. Ela estava atrasada. Mas ele era paciente. Talvez ela tivesse sido atrasada por algum colega idiota ou, provavelmente, pelo Potter. Bufou. Detestável Potter. Podia sentir o cheiro dos hormônios dele vibrando quando estava perto de Ginny. Sabia que ele estava de olho nela fazia um bom tempo. E pensar que eles dividiam a mesma sala comunal o deixava irritadíssimo.
Ginny entrando rápido pela porta o arrancou de seus pensamentos. Ela parecia perturbada. Ela não disse nada e avançou até o garoto, abraçando ele pela cintura, rosto apertado em seu peito. Ele retribuiu, não entendendo.
- O que houve? - perguntou ao seu ouvido.
Ela se afastou e ele a segurou pela nuca. Encaram-se.
- Tudo.
- Tudo o quê?
- Não sei – disse ela, abaixando o rosto.
Draco passou a mão pelas mechas ruivas dela.
- Harry está me tirando do sério – confessou ela..
O loiro sentiu o peito inflar de raiva. Respirou fundo.
- Acho que a gente devia falar o mais cedo possível – disse ela.
- No início das férias - disse Draco, apoiando a idéia.
Eles se miraram. Os olhos dela, castanhos, brilhando confusos.
- Sério?
- Sim.
Ela sorriu.
- Obrigada.
Draco a beijou, segurando seu rosto. As mãos dela percorreram suas costas. Minutos depois, estavam contra a parede mais próxima, ofegantes. Abria a blusa da garota rapidamente, enquanto ela abria o fecho de suas calças. O corpo dela estava quente. Quantas vezes já estivera naquela situação com uma garota? Milhares. Mas com Ginny era diferente. Ele não entendia o que, simplesmente era.
Começou a beijar seu pescoço, descendo para o peito. Escutou ela suspirar. Ginny começou a puxar a camiseta dele pra cima. Pararam de se beijar por segundos, enquanto Draco passava a gola pela cabeça, mas depois já estavam de lábios colados novamente. Suas mãos trêmulas puxavam o quadril da garota contra o seu, e ela brincava com os dedos em seus ombros. Abriu o fecho da sua saia, que escorregou sozinha até o chão.
Ginny agarrou seus cabelos e ele a ergueu, que entrelaçou as pernas ao redor da cintura dele. Draco abriu o sutiã dela, enquanto caminhava para perto das almofadas da sala. Ela mesma tirou o resto, jogando-o num canto. Deitaram-se nas várias almofadas do chão. Puxou a garota para cima dele, que foi sem hesitar. Pararam de se beijar, respiração trêmula e corações batendo forte. Narizes colados. Ele segurou sua nuca com uma mão, enquanto a outra deslizava pelas costas macias da garota. Beijaram-se novamente.
Draco deitou-se sobre ela e com os lábios foi traçando um caminho até sua barriga. Beijou sua coxa enquanto tirava a roupa de baixo dela, deixando a garota usando apenas o colar com o anel de prata. Voltou para perto da garota, que tinha os olhos fechados. Sorriu instintivamente e beijou seu pescoço. Ela suspirou. Notou que dessa vez ela estava bem mais calma. Ginny abriu os olhos e eles se encararam. O castanho dela brilhava intensamente, olhar desejoso, mas sereno. Cabelos ruivos espalhados pelos travesseiros.
"Droga, como ela é linda" pensou Draco.
Ela fechou os olhos novamente. Seu corpo quente sobre o dela. Draco começou a se mover lentamente, roçando os lábios no pescoço dela. Logo depois, ouviu ela ofegar. Beijou sua boca, mordendo seu lábio inferior.
Ginny estava deitada de bruços, observando Draco dormir ao seu lado serenamente. Ele tinha um braço passado pela cintura dela. Tinha conjurado uma manta para cobri-los. Ela brincava com o cabelo dele, tentando não acordá-lo. Ficava lindo dormindo. Mas ele acordou.
- Estou dormindo há muito tempo? – perguntou, num sussurro.
- Não – respondeu ela, sorrindo sem mostrar os dentes. – No máximo uma meia hora.
- Desculpa – disse ele, coçando os olhos. – Fico exausto depois.
- Não tem problema – disse Ginny. – Eu entendo.
Ele sorriu para ela, aproximando-se. Beijou sua testa.
- Você é a primeira garota com quem consigo adormecer ao lado – murmurou ele.
- Como assim? – perguntou ela apreensiva, encarando o loiro.
- Nunca dormi ao lado de ninguém – confessou. – Nunca consegui.
Ela piscou duas vezes, surpresa. Ele passou a mão pelos seus cabelos
- Até deitar ao seu lado.
Ginny abriu um sorriso envergonhado, sentindo o rosto arder.
- Você fica linda vermelha – sorriu Draco.
Ele segurou sua nuca e a beijou longamente.
- Tenho algo pra você – disse ele.
Depois de um Accio, uma caixa quadrada de cor bege foi parar nas mãos do garoto, que tinha se sentado. Era fina, mas comprida. Ela sentou-se, segurando a manta na altura do seio.
- O que é? – perguntou.
- Só vai saber se abrir – disse ele, fazendo suspense.
Ginny respirou fundo. Se fosse o que ela estava pensando... Não podia. Abriu. Deu de cara com cetim vermelho. Um vestido. Ficou boquiaberta. Ergueu-o até os olhos.
- Não.
- Sim.
- Você não pode...
- Claro que posso, sou seu namorado – disse ele.
Ela ficou boquiaberta, analisando o vestido.
- É para a formatura – ele disse.
- Mas deve ter custado uma fortuna... – comentou ela, virando-se para ele.
Draco revirou os olhos.
- Se não gostou, peço para trocar.
- Não é isso, o vestido é lindo! Lindo demais até...
- Não lindo o suficiente para você.
- Ah, cala a boca, Malfoy – riu Ginny.
Ele passou os braços em volta da cintura dela.
- Nunca conheci alguém que me surpreendesse tanto quanto você – disse ela, colocando o vestido na caixa.
- Espero que as surpresas sejam boas – sorriu ele.
- Na maioria das vezes – riu ela.
Os dois se encararam, próximos.
- Pode ter certeza que você também me surpreendeu.
Ginny abaixou o rosto, sentindo um sorriso bobo brotar em seus lábios.
- Vai ser a garota mais linda da noite, Kiddo.
