Harry descia o caminho para a pousada de Roddy. Tinha caminhando o dia inteiro, primeiro até seu castelo, depois as pastagens novamente. Ele vagava por trilhas que tinha transitado quando jovem, um jovem rapaz. Reviveu escaramuças travadas. Inclusive analisou as velhas rotas de fuga que tinha utilizado no passado depois de ter tomado o gado de clãs vizinhos. Ele tinha certeza que tais andanças facilitariam sua inquietação. Na verdade, esperava sentir-se muito mais descontraído, uma vez que estava em sua terra natal. De alguma forma, isso não aconteceu.
Harry não havia dormido bem desde que tinha ido à biblioteca. Ele tentou manter-se ocupado empacotando os pertences de Ginny e assegurando-se que fossem enviados para a Escócia. Ele tentou distrair-se, visitando o que Ginny chamava de atrações turísticas. Tinha se sentido aflito pela sinfonia, desinteressado pela Broadway e petrificado pela viagem ao topo do Empire State Building.
Mas não tinha dormido nada bem.
Seattle estava chuvoso, o que tinha feito sentir saudades de casa. Conhecera Gui, Percy e suas famílias. Inclusive tinham lhe permitido observar uma cirurgia no hospital. A visão do sangue e vísceras o tinham feito sentir saudades de casa também, mas tinha ficado mais impressionado porque o ferido estava dormindo durante a operação. Ele sentiu cada maldito ponto que Sirius tinha dado em sua pobre carne. Aye, ele podia ter usado um pouco de anestésico em alguns daqueles ferimentos.
Mas nenhuma de suas viagens, nenhuma das deliciosas reuniões familiares com crianças pulando, adultos rindo e conversando, tinham apaziguado sua mente. Nolan Potter ainda estava vivo, e era culpa dele.
Harry entrou na casa de Roddy, e logo fechou a porta atrás dele. Parecia que todos já tinham ido para suas camas. Sabia que tinha perdido o jantar, mas de alguma maneira não o aborreceu. Isso era um sinal de que estava mais estressado do que era bom para ele. "Estressado"era um termo que Rony tinha usado repetidamente em relação a seu trabalho em Nova Iorque. Harry estava começando a entender o significado da palavra, muito bem.
Foi para o solar de Roddy. Talvez alguns minutos junto ao fogo esquentaria o frio de seu coração.
Rony estava ocupando uma das cadeiras. Levantou o olhar quando entrou Harry.
— Hey. — disse com um sorriso. — Como está?
Harry só meneou a cabeça e se sentou na cadeira oposta. Estava indo pior do que podia dizer.
— Harry, o que está acontecendo?
Harry olhou para Rony, o conselheiro legal de seu clã. Harry tinha estado muito feliz quando o irmão mais velho de Ginny decidiu se mudar para a Escócia com eles. Mesmo que Rony dissesse que as sutilizas da lei americana eram diferentes da escocesa, que ele sabia o suficiente para ir adiante no que Harry pudesse precisar. Harry sabia que Rony acabaria por encontrar alguma coisa para se manter ocupado. Por agora, era suficiente ter um irmão novamente. Talvez Rony podia ser persuadido a manter Ginny sob controle enquanto Harry fazia o que devia.
No momento, o irmão de sua esposa estava olhando para ele com tal olhar especulativo que Harry tinha vontade de se contorcer. Talvez o homem devesse se tornar um advogado escocês. Seus olhares penetrantes se desperdiçariam caso contrário.
Harry limpou as mãos na calça, em seguida, lançou um rápido olhar para seu relógio de pulso. Quando isso não lhe deu alívio, começou a observar seu anel de casamento. E Rony ainda esperou. Bem, não existia certamente nenhum homem em quem Harry confiasse mais, e Rony tinha uma mente clara.
Não existia nenhum problema em discutir o assunto com ele. Harry encontrou os olhos azuis do Rony sem vacilar.
— Tenho que matar um homem. — disse, sem preâmbulos.
— Sério? — disse Rony, sua voz totalmente neutra, sem surpresa ou desdém.
— Aye. Meu primo.
— Por que tenho a sensação de que este primo não vive no século XX?
Harry sorriu, apesar de si mesmo.
— Porque você é muito sábio, Rony.
— Me conte a história toda. — Rony pediu. A hesitação de Harry, tornou seu olhar mais sério. — Não vai além de mim, a menos que você queira.
Harry olhou ao redor do solar. Ginny certamente tinha ido para a cama horas antes. Carlinhos estava só Deus sabia onde. Joshua sem dúvida estava dormindo do lado de fora da porta de Ginny, como era seu costume quando Harry estava ausente. Aye, havia bastante privacidade para narração da história.
Então ele o fez. Disse tudo a Rony, começando com o desejo inicial de Nolan por Ginny e terminando com o que tinha lido na biblioteca. Uma vez que terminou de contar a história para seu cunhado, ele se reclinou para trás e esperou, querendo ver se Rony chegaria ou não à mesma conclusão que ele.
Rony olhou para o vazio, pensativo por vários minutos. Então olhou para Harry.
— Você tem certeza que ele sabe como a floresta funciona?
— Aye, certeza suficiente para os meus propósitos. Questionei Ginny intensamente sobre suas experiências com isso. Quando ela tentou voltar para seu tempo, na primeira vez, ela estava pensando no quanto desejava ficar comigo. — Harry não se preocupou em esconder o orgulho em sua voz. — E então, esta vez, nós dois estávamos querendo ver a Escócia no futuro. Minha teoria é que uma vez que o lugar adequado da floresta tenha sido alcançado, seus desejos mais íntimos é o que direciona o poder dele.
— Ótimo. Quando nós partimos?
O queixo de Harry caiu. Essa era a última coisa que ele esperava que o irmão de sua mulher fosse dizer.
— Nós? — repetiu. — Rony, eu devo ir sozinho!
— E me deixar para trás para enfrentar Ginny? — ele sorriu. — Esqueça. Vou estar muito mais seguro com você. Além disso, você não pode ir sozinho. Não sou o melhor espadachim que possa recrutar, mas posso guardar suas costas.
— Rony, eu não posso lhe pedir que…
— Não o fez e não teria feito de qualquer maneira. Esse é o fim desta história, Laird Potter. — acrescentou Rony, cortando os protestos de Harry. — Em vez de perder o fôlego tentando mudar minha opinião, gaste sua energia fazendo planos. A primeira vista, eu diria que temos todo o tempo do mundo, mas quanto mais tempo passa, mais séculos Nolan pode estragar. Quanto mais cedo cuidarmos dele, melhor.
Harry não discutiu mais. Ter um irmão com quem contar seria uma coisa realmente boa.
— Aye. — ele concordou. — Nolan deve ser detido antes que crie mais confusões. Mas desejo que este assunto fique entre você e eu. Carlinhos vai ficar para trás, assim como Joshua. Não me surpreenderia que Ginny tentasse nos seguir. Ouso dizer que ela pensa que mal sei utilizar a privadapor minha conta. — disse ele, enfadado.
Rony riu.
— Não acho que seja assim tão ruim, mas não duvido que ela queira vir conosco. — seu sorriso desapareceu. — Ela morreria se o perdesse, Harry. É melhor que você esteja malditamente seguro de como voltar para o lugar correto no tempo certo.
— Estou. — disse Harry.
Rony se levantou.
— É melhor passarmos os próximos dias em treinamento. E você pode me ensinar alguns desses palavrões que nunca entendo. Meu gaélico está ficando muito bom, mas eu ainda acho que xingo como uma mulher.
Harry sorriu fracamente enquanto ficava de pé, então estendeu a mão e puxou seu cunhado em um forte abraço.
— Obrigado, Rony.
Rony deu um tapa nas costas de Harry, de forma amistosa.
— Não há nada que eu não faria por um irmão, Harry.
Harry fechou os olhos e agradeceu por sua nova família adquirida. Ele se afastou, tomou Rony pelos ombros e o sacudiu.
— Eu me sinto da mesma maneira.
— Que bom. Você nunca sabe quando vai ficar perdido na Idade Média e preciso de você para me salvar de tanto álcool e mulheres.
— Cerveja, Rony. É cerveja e mulheres.
Rony apenas sorriu. Eles deixaram o solar para encontrar Carlinhos parado na entrada, tentando parecer inocente.
Rony trocou um olhar com Harry.
— Vou deixar você lidar com este. Boa noite.
Harry observou ele ir embora, então se virou para olhar o irmão de Ginny.
— Nada de bom resulta em espionar. — comentou casualmente.
Carlinhos se via tão culpado como o inferno, apenas confirmando as suspeitas de Harry. Carlinhos enfiou as mãos nos bolsos.
— Às vezes é difícil evitar.
— Às vezes é melhor esquecer o que se escutou. — contra-atacou Harry.
— Então novamente, — disse Carlinhos, olhando Harry diretamente nos olhos. — às vezes não é.
Harry se endireitou e olhou com irritação para o jovem.
— Não lhe digo isto por nada. — disse ele rapidamente em gaélico. — Você não teria durado nem um minuto, sem saber uma coisa ou duas a mais do que sabe agora. Sua esgrima é ruim, e você é muito impulsivo para esse tipo de negócio. Não preciso de nenhum irresponsável que me ajude nesta causa.
Carlinhos devolveu o olhar de irritação e cruzou a cozinha para enfrentar Harry.
— Minha esgrima, meu senhor,— contra-atacou ele, também em gaélico. — é muito melhor que a de meu irmão, e não sou nenhum irresponsável! — ele ficou tão próximo que seus narizes quase se tocaram. — Posso ser impulsivo, mas amo a minha irmã. Se tudo o que eu tiver que fazer é mantê-lo vivo para ela, então talvez meu entusiasmo não seja tão ruim assim, afinal!
Harry se paralisou por um momento, não mostrando seu espanto. Obviamente Joshua tinha ensinado ao um pouco de gaélico ao jovem Carlinhos durante o inverno. Harry estava muito contente, mas franziu o cenho apesar de tudo. Não havia sentido em incentivar o rapaz.
— Você vai se matar se não aprender a controlar seu temperamento. Perder a cabeça é a maneira mais fácil de perdê-la realmente.
Carlinhos assentiu e fez isso, surpreendentemente, em silêncio.
Harry resmungou.
— Eu não gosto disto.
— Nunca esperei que o fizesse, mas irei quer você goste ou não.
Harry bateu as mãos fortemente sobre os ombros de Carlinhos e o agarrou, aproximando-o.
— Escute-me, pequeno, e me escute bem. Vou levá-lo somente porque eu acredito que você é tolo o suficiente para nos seguir se eu não o faço. Mas, — acrescentou rapidamente ao ver a luz de esperança que brilhou de imediato nos olhos de Carlinhos, — com uma condição.
— Que é…? — perguntou Carlinhos cuidadosamente.
— Que você me obedeça sem questionar. Eu não teria sobrevivido a inúmeras batalhas, porque eu era idiota, nem porque eu não sabia o que era melhor para meus homens. Se você não pode me obedecer de imediato e sem hesitação, verei para que o mandem à Seattle, onde seus pais podem mantê-lo preso até que esta história tenha terminado.
— Claro, Harry.
Essa promessa foi feita com muita facilidade.
— Carlinhos, — disse Harry, de repente, sua voz suave. — isto não é nenhuma aventura divertida. Trata-se de estar se metendo em certa guerra. Muitos homens morrerão por sua mão. O senhor mesmo pode não sair ileso. Você prometeu quando seu sangue estava quente. Pensa no que é que está prometendo. Eu não tenho escolha no assunto, pois é por minha culpa que Nolan esteja vivo, em primeiro lugar. Você não está metido neste embrulho.
— Voce é meu irmão. — disse Carlinhos simplesmente. Ele colocou a mão no ombro de Harry antes de se desviar dele. — Tenha um bom sono, Harry. Você desejará ter dormido bem quando começarmos a praticar esgrima amanhã de manhã no jardim de Roddy.
Harry suspirou profundamente. Bem, não havia razão em tentar convencer Carlinhos do contrário. O rapaz era tão obstinado como sua irmã.
Harry retornou à cozinha de Roddy. Talvez um pequeno lanche lhe caísse bem. Sentou-se à mesa para contemplar o que lhe agradava mais. Antes que pudesse colocar em ordem seus pensamentos, a cadeira frente a ele foi arrastada para fora, e uma forma muito longa se instalou nela, Harry sorriu para seu menestrel.
— Assumo que você também estava escutando às escondidas?
— Aprendi o hábito de você.
Harry sorriu com cansaço.
— Ah, Joshua, que família boa adquirimos aqui.
— Aye, eles são rapazes excelentes, leais, meu senhor.
— Você não precisa me chamar assim.
— Faço isso para agradar você. — disse Joshua, com um meio sorriso. — E para que saiba que farei o que me ordenar.
— Mesmo que isso signifique que vai ficar para trás?
— Confiar em mim é o mais importante para você. Eu tomaria isso como uma honra, não como uma ofensa.
Harry esfregou a fronte com a mão, cansadamente.
— É possível que ela tenha dormindo durante todas essas idas e vindas de hoje à noite, ou tenho mais explicações para dar?
— Eu fui verificar, quando ouvi o jovem Carlinhos começar a gritar. Ela dormia profundamente. Apenas rezo para que os rapazes mantenham silêncio sobre isso. Ginny vai ficar furiosa. Atrevo-me a dizer que mantê-la longe de você será a tarefa mais difícil de todas.
— Pois eu acredito que você está certo. — suspirou. — Vamos beber um copo ou dois, meu amigo. Para a boa sorte.
— E por uma viagem segura, — acrescentou Joshua. — É a coisa que mais deve ser desejada.
Uma hora depois, Harry verificou as fechaduras das portas de Roddy e caminhou para seu quarto. Ginny estava realmente adormecida, mas se mexeu e o procurou assim que ele deslizou para baixo das cobertas, ao lado dela. Ele a manteve bem perto e fechou os olhos, oferecendo uma oração sincera. Havia muitas coisas pelo que orar esta noite, e pedir que sua esposa tivesse o bom senso de ficar em casa não era uma das últimas.
Quinze dias se passaram, antes que ele pudesse juntar coragem para partir. Ele e Ginny tinham ido até o castelo várias vezes para ver o progresso dos trabalhadores na obra. O chão e o telhado estavam prontos. Grandes avanços foram feitos no sentido de restaurar as câmaras. Ginny o tinha provocado dizendo que seu quarto de pensar seria restaurado para seu estado anterior de gloriosa desordem. Harry riu com ela, pensando silenciosamente que esperava estar ali para desfrutar do caos.
Ele sabia que tinha chegado a hora de partir. Simplesmente não podia esperar mais.
Vestiu-se pouco antes do amanhecer, rezando para que Ginny não acordasse e o visse vestido com seu traje medieval. Depois de colocar suas armas do lado de fora do quarto, ele se ajoelhou aos pés da cama e acariciou o cabelo de sua mulher. Não tinha a intenção de tocá-la, mas descobriu que não podia se conter.
Ela abriu os olhos e sorriu sonolenta.
— Oi, meu amor. — ela disse suavemente.
— Oi para você também, minha bela. — ele sussurrou, inclinando-se para pressionar um beijo em sua fronte.
— Volte para a cama, Harry.
— Vou sair um pouco, Ginny. — disse ele suavemente. — Vou estar de volta antes que você sinta a minha falta.
— Vou sentir sua falta até nos meus sonhos. — ela murmurou, fechando as pálpebras implacavelmente.
Ele esperou até ela adormecer novamente, então piscou fortemente para evitar as lágrimas e se foi. Com um pouco de sorte, ele cuidaria de seus assuntos e voltaria para casa antes que ela acordasse. Essa era certamente a beleza de viajar no tempo.
Harry sorriu tristemente enquanto prendia a espada sobre seus quadris, deslizou uma adaga em sua bota esquerda e outra em seu cinto. Se possuísse algum bom senso, ele levaria uma arma ou duas. Isso encurtaria seu trabalho no tocante a Nolan.
Quando alcançou a cozinha de Roddy, sua carranca tinha se tornado perigosa. Não havia tempo para chorar. Como no passado, o que o servia melhor era a fria distância. Ele encontraria Nolan, o mataria e voltaria para casa. Haveria outras oportunidades mais tarde para pensar no que ele tinha arriscado. Seria uma boa distração enquanto ouvia um bem merecido sermão de sua esposa.
Rony, Carlinhos e Joshua estavam esperando por ele à mesa, já comendo. Roddy cozinhava em silêncio. A única explicação que Harry havia oferecido na noite anterior era que eles partiriam para cuidar de algumas coisas e que esperavam estar de volta antes do anoitecer, e será que Roddy se importaria de cozinhar algo saboroso antes deles partirem? Roddy deu uma boa olhada na espada de Harry, então uma de suas sobrancelhas desapareceu ao chegar ao princípio do cabelo e finalmente seu rosto empalideceu. Mas concordou prontamente. Harry tinha a sensação de que Roddy estava mentalmente ensaiando aquela lenda sobre o jovem Laird Harry e sua bela esposa Ginny, que tinham vivido nos dias de Bruce… Só Deus sabia que novas aventuras o dono da pousada acrescentaria ao conto.
Harry devorou uma refeição em silêncio. Quando se levantou, seus parentes se levantaram com ele e o seguiram para fora até os estábulos de Roddy. As montarias foram seladas em silêncio. Harry enviou seus cunhados na frente e permaneceu para trocar algumas palavras com Joshua.
— Ela vai ficar furiosa quando acordar, — advertiu Harry. — mas, espero estar de volta antes do anoitecer.
— Melhor furiosa do que com medo. — disse Joshua, sombriamente. — Ouso dizer que ela vai ficar ambas as coisas, mas vou mantê-la aqui, nem que tenha que amarrá-la. — ele colocou a mão sobre o ombro de Harry. — Boa sorte, meu senhor. Teremos o jantar pronto para o seu retorno.
Harry montou e se apressou a sair dos estábulos. Alcançou Rony e Carlinhos na estrada que Ginny e ele tinham atravessado na primeira noite já no tempo dela. Rony parecia resignado; Carlinhos parecia um rapaz tentando fingir que não era um tolo assustado.
— Carlinhos… — começou Harry.
— Estou preparado. — disse Carlinhos drasticamente. — Eu não volto atrás com minha palavra.
Muito bem. Sem outra palavra, Harry assumiu a liderança na floresta. Não havia necessidade de falar, já que tinham repassado seus planos uma e outra vez ao longo dos últimos dias. Harry deu uma última olhada crítica em seus companheiros antes de entrarem na floresta. A roupa era adequada, os irmãos também, e andavam com arrogância. Bem, Rony era a própria arrogância, Harry não se preocupava com ele. Carlinhos estava nervoso, e isso era evidente, mas havia pouco a ser feito sobre isso. Ou ele perderia ou manteria sua cabeça; Harry só podia protegê-lo até que estivesse sozinho. Ele disse uma rápida oração para que Carlinhos fizesse uma boa atuação.
Enquanto cavalgava, ele deixou seu pensamento se fixar apenas em Nolan. Imaginou seu primo em sua mente, com uma acuidade mental que nunca soube que possuía. Quase podia ver o sol brilhando na barba de seu parente. Funcionaria. Tinha que funcionar.
Harry deu uma parada no meio do dia. Eles ficaram em círculo e comeram alguns pedaços de pão. Falaram apenas em gaélico e só assuntos irrelevantes.
Quando o sol estava se pondo, Harry avistou a luz tênue de um fogo à distância. Ele assoviou uma advertência a seus irmãos, porque irmãos fingiriam ser até que a ação tivesse terminado, então continuou, rezando por alcançar o fogo antes de ser atacado.
Ele e os rapazes foram liberados, então se encontraram rodeados por um bom número de rudes homens de um clã. Clã medieval. Harry identificou o líder, então desmontou lentamente, mantendo as mãos a vista. O líder, um rapaz de não mais que vinte e cinco anos, adiantou-se e olhou Harry dos pés a cabeça.
— Seu nome? — Perguntou ele.
— Meu nome é meu para dar ou manter, como eu deseje. — disse Harry com calma.
A adaga do homem estava fora e pressionando a ponta do queixo de Harry em um piscar de olhos. Harry poderia ter se desviado facilmente, mas optou por não fazê-lo. Deixaria o rapaz falar por alguns instantes.
— Você parece um maldito Potter, — o homem mais jovem rosnou, — e vi mais Potter do que gostaria de lembrar vagando por minhas terras.
— Daniel ou Dougan? — Harry perguntou educadamente.
Os olhos do rapaz se estreitaram.
— Poderia sê-lo ou não…
— Dougan. — adivinhou Harry, e corretamente, se o estreitar dos olhos do rapaz fosse algum indício. Então, ele tinha alcançado a época de Dougan com sucesso. Sirius o Jovem, conhecido por ser mulherengo, liderava o clã Potter. Seria bem fácil fazer-se passar por um dos bastardos do seu descendente. — Temos um inimigo em comum.
— Isso está por ser visto. Seu nome... — perguntou novamente.
— Harry Potter, bastardo…
— Patife. — Dougan McAfee terminou por ele. — Aye, estou certo disso.
Antes de Harry perceber o que seu punho fazia, quebrou o rosto do jovem McAfee. Era uma briga desesperada, mas Harry repartiu vários golpes entre os homens de Dougan para que se lembrassem dele antes de sucumbir à escuridão implacável em que caiu.
Tinha chegado ao inferno, e certamente parecia que seus habitantes contavam com sua permanência.
