That Wasn't Me
Era óbvio que ele iria se apaixonar por outra garota, que não eu. Mesmo que eu não tivesse indiretamente causada o envenenamento do melhor amigo dele, garotas como eu, Romilda Vane, nunca ganhariam.
Ela gostava dele, claro, mas não porque era famoso - como diriam Hermione Granger ou Ginny Weasley, tão acostumadas a ganhar e a ter as coisas que não lembravam mais como era isso - mas porque tinha coragem, porque era integro. E, claro, porque além de tudo isso era jovem e bonito, com um príncipe encantado. Nunca gostei particularmente de histórias com homens perfeitos, e por isso mesmo não tinha idéia do que me atingira quando vi aquele garoto - tão novo, tão bonito - sendo escolhido como campeão do torneio tribruxo. Acho que foi ali, realmente, que tudo começou para mim.
Harry Potter é o tipo de cara que sempre teve fama de que aceitava todo mundo, mas para mim ele só teve bochechas vermelhas, cortes diretos e desprezo velado. Era como olhar alguém que nunca te vê, mesmo quando te encara. É sempre engraçado como a sensação de ser a fim de alguém que não te nota faz você se sentir invisível. Eu me sentia assim, o tempo todo. Até mesmo Nick-quase-sem-cabeça era mais notável que eu. Só uma menina.
Uma menina louca, uma menina cega, uma menina caridosa -- um conforto pro ego que nunca realmente recebe atenção (foi o que eu ouvi as meninas da turma dele dizendo, afinal).
Era óbvio que ele iria lá e se apaixonaria por uma grifinória que não eu.
