Capítulo 29: "Encerramento"

Foi no dia 14 de fevereiro, doze anos depois do primeiro encontro de Ginny e Draco, que eles pisaram na sua terra natal novamente. Algumas horas antes, tinham recebido a notícia que Voldemort tinha caído e a guerra tinha acabado. Souberam os poucos detalhes através de um jornal bruxo americano que compraram na estação de viagem de Flu de Nova Iorque. Dizia que Harry Potter o enfrentara com ajuda de Hogwarts e eles venceram.

Assim que chegaram na Grã-Bretanha, receberam um patrono da Ordem dizendo que todos que o ponto de encontro após a Guerra era nA'Toca. Quando o casal aparatou para lá era manhã.

Ginny tinha lágrimas nos olhos quando entrou nos jardins da casa onde cresceu. Ela levava Corine nos braços. Draco ia logo atrás dela. Foi a mãe dela a primeira a sair para cumprimentá-los.

Draco manteve distância enquanto ela saudava a mãe e apresentava a neta. Logo saíram mais ruivos de dentro da casa e todos correram até a caçula. Saíram também Lupin, Tonks, Eleonor – que surpreendentemente tinha um bebê no colo – e logo atrás deles, Blaise e Colin, com Elliot, que agora estava com 5 anos. Zabini, sonserino amigo de longa data, abraçou Draco fortemente e ele retribuiu. Depois de Ginny, todos os Weasleys e os outros o cumprimentaram. O clima era de euforia e alívio.

Entraram e a casa era pequena demais para todos. Corine passou de braço em braço, rindo e sorrindo, enquanto Ginny contava sobre o tempo em que passaram exilados. Preferiu ficar quieto enquanto a companheira falava.

Chegando a hora do almoço, todos se dividiram para ajudar. Alguns montaram uma grande tenda no jardim e conjuraram mesas longas para todos, outros ajudaram na cozinha. Deixou Ginny cuidando da filha enquanto ajudava os cunhados a organizar as mesas.

Foi um pouco antes da comida ser servida que chegou o trio. Potter, Ron e Hermione. Todos o saudaram fervorosamente e se abraçaram longamente. Novamente Draco preferiu manter uma distância respeitosa. Ginny parou do seu lado por um momento, em que Draco acariciou sua nuca, antes de levar Corine para conhecê-los.

O almoço foi repleto de brindes, risadas e burburinho intermináveis.

- Então, Ginny – ouviu Eleonor falar para a esposa. – Vocês já pensaram nos planos?

- Planos?

- Oras, planos de casamento – riu Eleonor.

Ginny riu.

- Pois é, somos praticamente casados já na realidade.

- Mas com certeza pretendem fazer uma cerimônia oficial?

- Com certeza – disse Draco, antes a ruiva pudesse responder.

Ginny o encarou com um sorriso no rosto. Ele retribuiu.

Foi durante a tarde que chegou mais outra família, mas essa era completamente inesperada. Quando viu Pansy Parkinson e James Cook aparecerem no jardim dos Weasley com um bebê de colo, Draco correu até eles. Abraçou a amiga fortemente, feliz que ela estivesse segura. Ela estava radiante.

- Como souberam que estávamos aqui? - perguntou.

- Jim tem contatos com a Ordem desde que fugimos – contou Pansy.

Cumprimentou Cook, que levava um garotinho no colo. Ele parecia muito com a mãe.

- E esse é o pequeno Nathan – disse ela.

- Também tenho alguém pra te apresentar – riu Draco, enquanto eles se aproximavam dos outros.

Nathan e Corine tinham um ano de diferença e o filho de Eleonor, August, tinha a mesma idade da menina. Colocaram uma toalha grande no chão da tenda, com vários brinquedos para as crianças. Enquanto as observavam foi que Draco descobriu que August era filho de Snape. Ficou completamente chocado, mas não disse nada. Realmente os cabelos escuros lembravam do professor de Poções, observou.

- Mas o que aconteceu com ele? – entreouviu a conversa de Ginny com a amiga.

- Voldemort quase o pegou – respondeu Eleonor baixinho. – Está no St. Mungus se recuperando. Vou esperar alguns dias antes de ir visitá-lo. Não sei se o elemento surpresa vai ser uma coisa positiva.

As duas riram.

- Eu tenho certeza que vai ser – sorriu Ginny.

Um pouco antes da janta, enquanto Draco e outros iluminavam a tenda com bolas de luz, que houve uma pausa abrupta nas conversas das pessoas que estavam do lado de fora da casa. Todos olharam para a entrada do jardim, ao longe. Um casal estava parado no portão da casa. Sentiu-se compelido a se aproximar. Mesmo no escuro, podia ver que as vestes eram escuras. Há poucos metros, reconheceu seus pais.

Os olhos de sua mãe se encheram de lágrimas logo que ela o avistou. Narcisa correu e abraçou o filho forte. Sentiu seus olhos molharem também, aliviado que eles estavam bem. Lucio ficou apenas observando, com uma expressão serena. Sem soltar o aperto da mãe, levantou seus olhos para o pai. Aquele olhar foi um olhar de perdão. E Lucio aproximou-se para abraçar sua família também.

Foi hesitando que os Malfoys adentraram os terrenos dos Weasley. E os presentes que notaram sua presença também estranharam, apesar de tentar não demonstrar. Quando Ginny apareceu para cumprimentá-los com Corine no colo, Narcisa começou a chorar novamente. Molly os convidou para jantar e insistiu para que ficassem.

- Ao futuro – disse Harry, após um breve discurso.

- Ao futuro! – todos brindaram.

Como a Toca já estava cheia de hóspedes, seus pais convidaram os três para ficarem na Mansão Malfoy até que encontrassem um lugar para morar. Depois da sobremesa, despederiam-se de todos e aparataram. Draco não via sua casa fazia muito tempo, mas ela não parecia diferente. Mesmo assim, desde que voltara para a Inglaterra, sentia como se tudo estivesse diferente. Os dois se acomodaram no quarto de Draco e Corine dormiu entre os dois naquela noite.

No dia seguinte, Narcisa começou imediatamente os planos para reformar um dos quartos e torná-lo um berçário para a neta. Ginny foi almoçar na Toca e enquanto ela estava fora, os três Malfoy sentaram à mesa para comer como antigamente.

Mais tarde naquele dia, Draco foi até os fundos da casa e calçou suas botas de montaria. Deu alguns passos e quando viu, estava correndo pelo jardim. Sentindo o coração bater forte, assoviou. Pouco tempo depois, viu um ponto negro ficar cada vez maior e emparelhar ao seu lado. Ainda em movimento, montou em Aro. Não tinha perdido a prática, mesmo depois de 3 anos sem montar.

Cavalgou até perder a noção do tempo, explorando o enorme terreno familiar. Parou para descansar no velho celeiro e enquanto Aro bebia água, sentou-se na grama e observou o verde que estava por todo lado.

Quando voltou para casa, perto do anoitecer, Ginny estava na sala de música com Corine e Narcisa. Seu pai lia despreocupadamente um jornal na sacada. Foi até a esposa e beijou seus lábios brevemente. Sorriu.

- Tenho uma surpresa pra você, amanhã – disse.

Ela sorriu em resposta, ansiosa.

No dia seguinte, deixaram a filha com Narcisa, enquanto pegavam Aro e cavalgavam até perto do velho estábulo.

Draco desmontou e a ajudou a fazer o mesmo.

- Feche os olhos – disse.

- Ok – riu ela. – Acho que sei qual é sua surpresa.

Ele sorriu e pegou a mão dela. Andou alguns passos e parou.

- Pode abrir.

Ginny abriu os olhos e fez uma expressão confusa.

- O que é a surpresa? Um monte de verde? – perguntou, divertida.

- Nossa futura casa – riu ele.

Ela o encarou com olhos bem abertos, sorriso escapando dos lábios.

- Draco...

- Podemos começar a construir o quanto antes – explicou. – Não precisa ser uma mansão, mas grande o suficiente pra ficarmos confortáveis... O que acha?

A ruiva mordeu o lábio inferior e parecia emocionada.

- Eu... eu ia adorar – respondeu.

Os dois se abraçaram apertado por um tempo.

- Bom, então acho que essa é a hora perfeita pra isso – disse Draco, tirando do bolso um anel.

Ginny cobriu a boca com a mão.

Era o anel de noivado de Narcisa, que estava na família Malfoy fazia gerações. Ela tinha dado para Draco no dia em que tinham chego em casa. Era feito de platina e tinha uma esmeralda no meio, rodeada de diamantes.

O loiro se ajoelhou.

- Eu sei que nós já vivemos como marido e mulher – disse. – E eu vejo você como minha esposa. Mas quero me reunir na frente das nossas famílias e amigos e tornar isso oficial.

Os olhos dela se encheram de lágrimas.

- Você quer casar comigo, Kiddo?

Eles sorriram.

- Acho que essa é a hora perfeita pra eu falar algo também – disse Ginny. – Estou grávida de três semanas.

O queixo de Draco caiu.

- E é claro que aceito me casar com você.

Ele se levantou e a beijou longamente.

Pegou a mão direita de Ginny e colocou a aliança no dedo anelar, junto do anel da rosa.

Seis meses depois, quando Corine completava dois anos, a casa já estava pronta. Era branca, com dois andares, varandas dos lados e na parte de trás. Foi também nessa época que os Weasleys, os Malfoys e seus amigos se reuniram nos jardins da Mansão Malfoy para celebrar o casamento de Draco e Ginny.

Era um dia de verão. Embaixo de uma das maiores árvores do terreno, montaram um pequeno altar cheio de flores. Os padrinhos do lado do noivo eram Blaise e Pansy, do lado da noiva, Colin e Eleonor. Os convidados já estavam todos sentados quando os noivos chegaram na garupa de Aro.

Draco ajudou sua noiva com quase sete meses de gravidez a descer do cavalo e eles foram juntos até o altar, de mãos dadas.

Foi sob uma chuva de faíscas douradas e coloridas que os dois se beijaram.


Cinco anos depois.

A vegetação perto da casa estava tornando-se cada dia mais marrom, amarela e laranja, à medida que o outono avançava. Era final da tarde e Draco podia ouvir as crianças brincando na parte de trás da casa. Seus risos e vozes finas enchiam o ambiente e pareciam ser a única coisa que quebrava o silêncio pacífico do lugar. Caminhou até a sala, onde Ginny estava estendida no sofá, lendo um livro. Entregou uma xícara de chá para a esposa e sentou ao seu lado, passando o braço pelos seus ombros.

As portas de vidro que davam para o jardim estavam abertas. Viu Corine soltar bolinhas de sabão enquanto Scorpius tentava alcançá-las. Os cabelos loiro platinados do menino chacoalhavam enquanto ele pulava e corria. Ginny colocou o livro e a xícara de lado para observar as crianças também. Sua mão se entralaçou na dele. Draco acaricou os cabelos ruivos dela e beijou sua têmpora.

O casal se encarou – cinza no castanho – e sorriu.

Ginny apoiou a cabeça no ombro de Draco e ambos continuaram a observar seus filhos brincarem.


N/A: falta só um :)