Gente, me perdoem mil vezes! Desculpem esse tempo que fiquei sem escrever, mas tenho meus motivos. Não foi só a falta de tempo, mas também dinheiro para Lan House agora que estou sem computador (me mudei há três meses para o Rio, lembram-se?) Então por enquanto a frequência para escrever será menor. Vou tentar postar mais capítulos este mês, mas não garanto. Por isso, lhes envio este capítulo imenso para compensar. OK? Boa leitura!
Itachi não acreditava no que estava acontecendo. Parecia um pesadelo! Passara uma noite incrível com Sakura e agora ela tinha ido embora sem lhe dar nenhuma satisfação e tudo o que deixava era aquela mensagem fria e brutal? Não, isso era inaceitável ! Ela não podia ter feito isso com ele! Sentiu como se tivesse levado um soco no estômago.
Suspirou. Procurou acalmar-se e tentou se colocar no lugar dela para entender a situação. Não podia culpá-la pela atitude que tomara, afinal, para todos os efeitos ele era um homem casado pese sua união há muito não passasse de fachada. Certamente, Sakura estaria pensando que ele apenas queria se divertir com ela de novo sem levar em consideração seus sentimentos. Fora um imprudente! Mais uma vez, deveria ter pensado com a cabeça de cima e esclarecido as coisas com ela à noite quando teve chance. Tudo bem! Ainda havia tempo de conversar com ela. Assim ele esperava.
Tratou imediatamente de se vestir, arrumar suas coisas e procurar os rastros de fuga da garota. No entanto, não achava nenhum vestígio. Ela conseguira ocultar as pistas que denunciariam sua trajetória. Diabos! Não pôde deixar de se lembrar que na época em que a treinava, essa fora uma das primeiras lições que lhe passou: um bom shinobi não deixa rastros de sua passagem ou pelo menos o mínimo para ser apanhado. Ela aprendera bem e parece quese aperfeiçoara a ponto de nem mesmo ele ter o menor indício de qual trilha seguir. Havia diferentes caminhos para se chegar à vila e Sakura poderia ter tomado qualquer um deles. Não sabia nem ao menos há quanto tempo ela deveria ter partido. E era pouco provável que ela fosse parar para descansar se quisesse chegar em Konoha antes dele. Embora fossem dois dias de viagem para se chegar em Konoha, ele sabia que a jovem costumava levar pílulas de soldado para aguentar se preciso fosse uma jornada desgastante. Ele pensou em usar seu jutsu de espaço-tempo para se teletransportar até o lugar em que ela estava. O problema era que não sabia onde exatamente ela se encontrava. E depois essa técnica gastava uma boa quantidade de chakra dependendo da distância a ser percorrida e tinha um certo limite de quilômetros a ser transposto.
Uma coisa que intrigava o Uchiha era o fato da rosada ter conseguido fugir sem que ele percebesse. Itachi não era um dos maiores rastreadores do mundo ninja à toa. Seus sentidos eram muito aguçados. Ele sempre estava atento a tudo, ao menor ruído, não importava se estivesse mergulhado em profundo sono. Lembrava-se de que Sakura sempre reclamava de não conseguir surpreendê-lo quando queria lhe pregar uma peça ou fazer uma surpresa. E ele ria do bico que ela fazia nessas horas. Sorriu com melancolia. É, sua flor realmente crescera. E era mais competente do que imaginava, mais ainda do que muitos shinobis experientes que conhecera ou com quem lutara.
Droga! Sua conversa com Sakura teria que esperar. Ele teria que seguir viagem sozinho. E não podia se preocupar com mais nada, pois a qualquer momento Madara poderia atacar a vila mesmo com o Hokage de aviso, isso se Naruto e Hinata já tivessem lhe informado sobre as descobertas na missão. Mas a Haruno que lhe aguardasse. Sem mais delongas, Itachi acelerou o passo.
Enquanto Itachi começava a regressar para Konoha, Sakura já estava bem distante dele. Não podia e nem queria parar. Tal como suspeitava o Uchiha, ela se serviu de uma boa dose de pílulas de soldado para dispensar o descanso e até a necessidade de se alimentar. É claro, sabia dos efeitos colaterais que ocorreriam depois de passado o efeito. Seu corpo ficaria tão fraco por quase um dia inteiro que não poderia se levantar para nada. Tsunade ia lhe dar uma bronca daquelas e com razão. A pílula só poderia ser tomada numa emergência. E fugir de suas complicações sentimentais não era exatamente uma emergência.
Contudo, Sakura não queria ter que encarar o olhar de Itachi. Um olhar frio. E certamente ele lhe diria que tudo que ocorrera entre eles durante a noite fora apenas uma necessidade carnal passageira. Não! Ela não suportaria que ele lhe dissesse isso ou coisa parecida.
Talvez não dissesse isso, mas pior: talvez quisesse novamente enganá-la e fazer dela sua amante. Ela, a noiva do próprio irmão dele. Não duvidava. Era possível que estivesse entediado com o casamento dele e quisesse uma amante que o divertisse. Uma amante fixa, uma vagabunda que não precisasse pagar para lhe dar prazer. E ela, com certeza, era a mulher perfeita. Sim! Afinal, como ele mesmo disse no dia em que terminaram, ela sabia como excitar e dar prazer a um homem mais do que muitas mulheres que ele conhecera. E agora que ela era uma shinobi conhecida e desejável, isso deveria parecer a ele mais excitante do que nunca. E mais ainda por ser noiva de Sasuke, uma forma de mostrar-se superior ao irmão caçula.
"Canalha!", pensava a rosada e seus olhos umedeceram. Não, ela não choraria. O cretino não merecia mais nenhuma lágrima dela. Como ela pôde se deixar envolver mais uma vez e cair na sedução daquele homem? Depois de tudo o que ele lhe fez. O pior era que havia traído Sasuke. Sasuke. Ele não merecia isso. Não depois de todo o apoio que lhe deu e de todo amor que lhe demonstrou. Ela não sabia como ia conseguir encará-lo sem transparecer sua culpa. Será que lhe contaria a verdade? Não, melhor não. Não queria causar um desentendimento entre ele e Itachi, que resultasse em consequências desastrosas.
Estava muito confusa, não sabia o que fazer. Tudo o que lhe interessava era chegar à vila o mais depressa possível. E então refletiria sobre como lidar com aquela situação. Mas de uma coisa tinha certeza: Uchiha Itachi não brincaria com ela de novo. Não se deixaria enganar por aquele olhar dele quando fizeram amor, um olhar de paixão. E nem por suas belas palavras, sua falsa declaração de amor. Se ele queria divertir-se que procurasse outra. Ela sorriu. Bem, ela que se divertira o deixando ali sozinho e nu com aquele bilhete de despedida, como se ele não significasse nada para ela.
Havia horas que ela acordara e fugira de perto dele. Despertou pouco depois dele adormecer após o ato sexual. Aproveitou-se de um momento em que ele tirara o braço de cima dela e afastou-se com o mínimo de movimento possível para não acordá-lo. Ficara um tempinho sentada pensando em tudo o que fizeram. Como se sentia uma idiota por ter se entregado àquele homem mais uma vez. Mas isso não ficaria assim. Mostraria para ele que não era mais a fraca e sentimental que ele manipulara no passado. Vestiu-se, arrumou suas coisas e aprontou tudo de uma forma que ele não descobrisse a trilha que ela tomara. Isso sem fazer qualquer barulho imperceptível à sensibilidade do moreno. Por ironia, era algo que aprendera com o próprio Itachi, mas que só conseguira desenvolver por si própria.
E agora estava ali bem longe dele. Por um lado, isso a deixava um pouco mal porque se importava com ele. Por outro lado, ele já estava em perfeitas condições de se defender sozinho. Mesmo assim, sua consciência a repreendia. Arre! Que fosse para o inferno! Fez o que devia. E não era nem a metade do que o Uchiha merecia. Uma pena que não poderia ver a cara que o grande Uchiha Itachi faria.
Muitas milhas foram percorridas e após um dia e meio ao deixar o Uchiha, Sakura chegava no portão principal de Konoha numa tarde. Cumprimentou os guardas que se encontravam na vigilância e dirigiu-se até o gabinete do Hokage. Já sabia o que diria, que Itachi a mandara ir à frente. Não era totalmente mentira posto que esta fora sua ordem inicial quando Naruto e Hinata estavam juntos, mas ela só não diria que o Uchiha não lhe dera esta ordem de novo.
Depois de se apresentar ao Hokage, ou melhor, a Danzou que ainda estava substituindo o Yondaime em sua ausência (fato que também intrigou Sakura), a moça foi embora. No meio do caminho, ouviu chamarem pelo seu nome:
- Sakura-chan!
Eram Naruto e Hinata.
- Olá, Naruto! Oi, Hinata! - respondeu alegremente ao ver seus amigos e cumprimentaram-se
- Oi, amiga! - respondeu Hinata
- Sakura-chan, que bom te ver! Quando você chegou?
- Agora mesmo. Bom, acabo de falar com o Danzou-sama.
- Ah, viu, né? Isso é uma coisa que eu não entendo! Como meu pai pode sair assim e deixar esse... esse cara no lugar dele? Sabendo dos rumores que correm dele se opôr ao modo do papai governar.
- Bem, não é que ele se oponha com a forma do Yondaime governar. Ele só não aceita que seu pai comungue da mesma filosofia que o Terceiro Hokage.
- Bah, dá na mesma.
- Sim. Também achei estranho a situação, mas enfim.
- E o Itachi? Está melhor?
- Bem, acredito que sim. Até então antes de voltar pra cá ele estava totalmente recuperado.
- Como assim? Ele não voltou com você?
- Ele... achou melhor que eu viesse primeiro assim que se recuperou.
- Mas que baka! Humpf, não é a toa que é irmão do Sasuke. Tão teimoso quanto. Ah! Por falar no teme, ele vai ficar muito contente em te ver.
- Ahn... Naruto. Posso te pedir um favor?
- Claro!
- Não comenta com o Sasuke que eu já voltei se você o vir.
- Ué, mas por que?
- É que... eu estou bastante cansada e quero descansar.
- Mas eu não vejo qual o problema. O Sasuke vai lá te ver e vocês só vão ficar conversando. Não vão fazer nada que possam se cansar. Ah, é claro, a não ser que você e ele... bem...
- Naruto! - sibilou Hinata vendo o rosto da rosada corar e sua expressão assumir um ar de quem deseja muito bater em alguém - Não ligue para o que o Naruto diz, Sakura. É claro que a gente não vai comentar com o Sasuke que te viu se você não quer ver ele ainda. Não é mesmo, meu amor?
- Ah, é claro. Se é o que a Sakura-chan deseja - concordou com medo da cara feia que a Haruno mantinha
- Bem, agradeço aos dois. Tchau!
- Tchau! - responderam os dois ao mesmo tempo
Logo a garota chegou em casa e foi recebida por sua mãe. Esta a repreendeu por ter ficado sozinha com Itachi. Que soube pelos comentários de algumas pessoas e confirmou com Hinata. Que ela tinha um passado com o Uchiha que levava as pessoas a comentarem. Que não importava se era médica, tinha uma reputação a zelar. E blá-blá-blá. Sakura desconversou e subiu para seu quarto. Não estava com a menor paciência para ouvir o lengalenga de sua mãe. Já tinha muito no que pensar, como por exemplo, no que diria ao Sasuke quando ele fosse lhe procurar. Não poderia evitá-lo para sempre. Uma hora teria que encará-lo e tentar lidar com o sentimento de culpa por tê-lo traído com o próprio irmão. Itachi. Tinha medo que ele fosse procurá-la assim que chegasse e quisesse enganá-la novamente. Talvez não. Talvez nem levasse em conta o que tinha acontecido com eles. Sua mente esperava que sim, que não fosse procurá-la. Mas seu coração desejava ardentemente que ele assim o fizesse, ainda que ela fosse se despedaçar outra vez.
Contudo, para o azar da garota, mal virara as costas para seus amigos e estes encontraram Sasuke. Este vinha do lado oposto a eles, pois ia cumprir um trabalho de investigação do qual seu pai o encarregara. Hinata fez um sinal discreto para seu namorado a fim de lembrá-lo do pedido da amiga. O loiro entendeu e tentou parecer natural. Porém, discrição não era uma qualidade de Naruto.
- Oi, teme! - gritou ele - Tudo jóia?
- Humpf. Oi - respondeu de má vontade.
Não estava muito satisfeito com Naruto, culpando-o em parte por suas apreensões com relação a Sakura e Itachi. Achava que ele deveria ter se insurgido contra as ordens de seu irmão e não ter deixado sua noiva sozinha com o moreno.
- Que cara é essa, amigo? Parece que viu algo que não queria.
- Humpf. De certa forma sim - foi sarcástico
- Ah, bom, antes isso do que não ver o que se deseja, né?
Sasuke fez expressão desentendida.
- Ah, quer dizer, bem, seria bom se você visse Sakura-chan, né? Hehehe - riu sem graça
Hinata fez expressão de desalento.
- O que tem a Sakura, Naruto?
- A Sakura-chan? Na...nada. Não sei de nada. Você sabe alguma coisa, Hinata?
A garota negou com a cabeça dando um sorriso sem graça. Sasuke olhou de um para o outro.
- Naruto, o que foi? O que está me escondendo?
- Eu? Escondendo alguma coisa? Que isso! Não tenho nada a esconder do meu melhor amigo.
- Não me venha com essa, baka! Conheço o senhor muito bem e sei quando você está mentindo pra mim.
- Eeeeeeu!
- É, você! Você começa a ficar com essa cara de idiota, todo sem graça e nem um pouco à vontade. Então trate de me dizer logo o que é! - o Uchiha pegou a gola do amigo - Tem a ver com a Sakura, não é?
- Ai! Ela vai me matar.
- Quem vai te matar vai ser eu se não me disser o que está acontecendo.
- Tá legal! Tá legal! É que ela voltou e a gente encontrou com ela.
- Voltou? Quando?
- Hoje. E sem o Itachi. Ela disse que ele a dispensou pra que fosse na frente que ele já tava recuperado.
- E por que você não me disse isso logo sabendo da minha aflição?
O loiro não respondeu, mas Sasuke entendeu.
- Ela pediu pra você não me contar que tinha chegado. Hum, ótimo. Direi a ela que você se esforçou, mas sou mais esperto.
Largou o amigo e saiu correndo
- Ai, Hinata. Sakura-chan vai me matar.
- Relaxa, amor. Eu vou convencer minha amiga a te poupar, tá?
Ela riu e o abraçou.
Sakura ainda estava em seu quarto refletindo. Sua mãe saíra e a deixara em paz. De súbito, a campainha começou a tocar insistentemente.
- Droga! Quem poderá ser? - perguntou-se e levantou-se para atender.
Não estava com humor para fazer sala para ninguém. E seu corpo começava a apresentar os primeiros sinais de cansaço após passarem os efeitos da pílula de soldado. Ainda estava confusa e pensativa sobre seu relacionamento com Sasuke. E também sobre o que faria para lidar com Itachi sem transparecer seu constrangimento e sentimentos. Deu um suspiro e abriu a porta.
- Sasuke! - não pôde deixar de exprimir o tom surpreso em sua voz.
- Sakura - ele respondeu num tom inexpressivo assim como seu rosto.
Ficaram em pé de frente um para o outro se olhando um bom tempo: ela sem saber o que fazer e ele decepcionado por não ser recebido da maneira que uma garota apaixonada e saudosa de seu noivo normalmente o faria. Por fim, o Uchiha quebrou o silêncio:
- Posso entrar pelo menos?
- Claro... Me desculpe - ela não pôde deixar de perceber o tom irônico na voz dele.
Ele entrou e ela fechou a porta. Ela se virou e ele estava parado diante dela. De forma mecânica, talvez por uma vã tentiva de quebrar o gelo entre eles, a moça abraçou o rapaz. Contudo, foi um abraço frio, sem o calor da paixão ou do carinho que havia da última vez em que se falaram. Ambos sabiam que algo havia mudado ainda que não se comunicassem.
- Não quer se sentar? - ela perguntou com um esforço para tentar desfazer qualquer má impressão
Sasuke fingiu que nada estava acontecendo e aceitou a sugestão. Enquanto ele se acomodou no sofá da sala, ela se esgueirou para uma poltrona a uma considerável distância dele.
O silêncio era absoluto na sala. Parecia dizer mais do qualquer conversa que poderiam trocar. Sakura não conseguia pensar em nada para dizer ao noivo e este, por sua vez, aguardava algum pronunciamento por parte dela. Nenhum deles tinha coragem de tomar a primeira palavra. Por fim, Sasuke não aguentando mais aquela situação, foi direto ao assunto:
- Sakura, o que tá acontecendo?
A moça permaneceu em silêncio.
- Nunca fui de muita conversa, mas você sempre conseguiu falar comigo.
Ela continuou calada.
- Seja o que for o que tem pra me dizer, me diga logo.
- Sasuke, eu preciso de um tempo - ela disse por fim.
- Tempo?
- Sim.
- Quer dizer, você quer romper nosso noivado?
- Não é isso.
- Então é o quê? Se você me pede tempo, significa que não deseja ter mais nada comigo.
- Eu só acho que estamos indo depressa demais. Não estou pronta pra me casar.
- Mas, Sakura, a gente nem marcou uma data.
- Só que um noivado meio que é quase um passo disso.
- Tudo bem, a gente não tem que se casar daqui há um mês ou daqui a um ano. Podemos, por exemplo, esperar uns três anos.
- Mas seu pai espera que a gente se case o mais rápido possível.
- Sakura, não é meu pai quem decide o rumo de nosso relacionamento, é a gente. E eu não estou te pressionado a nada.
- Eu sei.
- Humpf. Então.
- Quando eu disse que precisava de um tempo, quis dizer que... bem... não sei como dizer.
- Fala logo, dizer as coisas na lata nunca foi problema pra você. Você não quer me ver, é isso? Foi por isso que pediu pro Naruto e pra Hinata não me contarem que você tinha chegado da missão?
A rosada ficou calada. E anotou mentalmente que na próxima vez que encontrasse o loiro lhe daria cem cascudos.
- É isso, Sakura? - tornou o Uchiha novamente.
- É, é isso.
Sasuke a fuzilou com o olhar. A jovem abaixou a cabeça profundamente sentida de magoar seu noivo.
- Posso te perguntar uma coisa?
- Claro.
- Aconteceu alguma coisa entre você e Itachi durante essa missão?
- Não sei a que se refere - desconversou a garota
- Você entendeu muito bem o que perguntei.
A rosada resolveu ser franca com o moço, pelo menos em parte. Não queria provocar uma rixa entre ele e o irmão. Por isso, disse:
- De certa forma, sim.
- De que forma?
- Eu descobri que ainda amo o Itachi - disse olhando-o profundamente nos olhos.
- E você tem coragem de dizer isso pra mim? - esbravejou
- Você queria que eu falasse com franqueza, não? Estou te dizendo.
- Entendo. Então foi por isso que você ficou lá sozinha com ele mesmo depois dele ter te mandado embora junto com os outros?
- Não foi só por isso. Eu sou médica e não podia deixar o Itachi lá sozinho sem estar totalmente recuperado.
- Ah, coitado do Itachi! O pobre não pode se defender sozinho. A invencível e generosa Sakura tinha que cuidar dele. A eficiente médica tinha que cumprir com o seu dever.
- Sem cinismo, tá, Sasuke?
- Ah, tá! Então eu agora que sou o cínico. Você me diz na minha cara que ainda ama meu irmão e que por isso ficou com ele sozinha no resto da droga dessa missão e eu que sou o cínico?
-Já te falei que não foi só por isso. Poxa, Sasuke, você acha que tá sendo fácil pra mim ter essa conversa com você? Acha que tô fazendo isso de propósito pra te magoar?
- Não sei de mais nada, Sakura. A única coisa que sei é que você não tem vergonha na cara! Gostar de um cara que só pisou em você e te abandonou quando você mais precisava. Ou você já se esqueceu de que por culpa dele perdeu o seu filho?
- Não. Não me esqueci. Mas eu prefiro não me lembrar mais disso e nem que você me lembre.
- Pois eu tô começando a pensar que se eu fizesse a mesma coisa, se eu fosse te maltratar, você ia gostar e muito.
- Não fala assim de mim! Você tá me ofendendo!
- Que se dane! Eu só tô falando a verdade.
- Olha, Sasuke, eu não vou perder meu tempo discutindo com você. Sei que você está magoado comigo e que por isso tá dizendo essas coisas, mas só tô sendo sincera. Eu preciso de uns dias pra refletir sobre nós. Não importa se a gente resolver se casar seja daqui há um mês ou daqui há três anos. Só preciso ter a certeza se estou pronta pra passar o resto da minha vida com você.
A moça se levantou e abriu a porta da sala.
- E agora, por favor, me deixa sozinha. Assim que eu tiver resolvido alguma coisa, eu te procuro.
Aquilo foi demais para Sasuke! Sakura o enxotando da casa dela, ainda que de uma forma delicada, como se ele não representasse nada. Depois de tudo o que ele fez por ela! E tudo por causa de Itachi. Não! Isso ele não iria aceitar! Itachi não a tiraria dele!
O Uchiha não conseguiu pensar em mais nada. O ódio e o desespero tomaram conta dele e travaram seu raciocínio. Como se fosse outra pessoa, ele se viu fechar a porta com violência dando um chute, agarrar Sakura e a prensá-la com violência na parede. Começou a beijá-la à força e apalpar seu corpo enquanto ela se debatia.
- Pára, Sasuke! Pára! Eu não quero! - gritava ela com dificuldade sendo apertada por ele e com seus lábios pressionados pela boca dele.
Contudo, o rapaz estava transtornado e não deu ouvidos aos rogos dela. Começou a forçar sua mão para dentro da calcinha dela por debaixo do short que ela usava. Ela sentiu um nojo tomar conta e implorou para que ele parasse, porém, ele permanecia surdo às súplicas dela. Rasgou parte da blusa dela e abaixou o sutiã abocanhando um dos seios.
De súbito, sentiu um violento tapa na cara e a largou. Olhou-a com espanto e deu-se conta do seu ato. Sakura cobria com as mãos o colo exposto e a blusa rasgada. Nos olhos esmeraldinos, via raiva, mágoa e decepção. Ela tremia deixando transparecer esses sentimentos. Sasuke, sem jeito, tentou se aproximar para se desculpar, mas ela o repeliu.
- Não me toque!
- Sakura, por favor, me desculpa! Eu não queria ter feito isso... É que...eu perdi a cabeça.
A príncipio, a rosada o olhou desconfiada e com bastante receio. Nunca pensara que Sasuke fosse capaz de tentar uma indignidade daquelas contra ela! Porém, acalmou-se um pouco e procurou entender a reação dele. Mesmo assim, ela não queria vê-lo mais. Pelo menos naquele momento, tudo o que ela queria e precisava era se afastar dele.
- Tudo bem...Mas vá embora.
- Sakura...
- Vai, Sasuke! Me dá um tempo! Por favor, sai daqui!
- Tudo bem. Se é o que você quer.
Saiu aborrecido e, ao mesmo tempo envergonhado. Esperava que sua atitude tola e impulsiva não influenciasse na decisão de sua noiva.
Sakura, assim que se viu sozinha, encostou as costas na porta e foi deslizando até sentar-se no chão. E chorou. Chorou por tudo o que aconteceu e estava acontecendo. Chorou por ter sido fraca. Chorou por ter se deitado com Itachi. Chorou por ainda o amar. Chorou por ter traído Sasuke. Chorou por ele quase tê-la violentado. Chorou por não conseguir amá-lo. E chorou por não saber o que fazer de sua vida.
Na manhã do dia seguinte, Uchiha Itachi chegou à Vila da Folha. A primeira coisa que fez foi se apresentar ao gabinete do Hokage e lá tomou conhecimento da ausência deste e sua substituição por Shimura Danzou.
- Eu precisava ouvir do próprio Uchiha Itachi para acreditar - disse Danzou - Então você esteve à beira da morte e se salvou graças aos cuidados da jovem Haruno. Díficil de acreditar. Um ninja de sua categoria.
- Bem, Danzou-sama, não sou um deus intocável como muitos acreditam. E depois enfrentei uma verdadeira lenda que também diziam ser invencível - contestou o Uchiha
- Sim. Seus companheiros já me disseram. O implacável Ootsuka Tetsuo, a quem todos considerávamos morto. Também dificil de acreditar só ouvindo de seus próprios lábios. O que eu não entendo é porque não trouxeram o corpo desse shinobi para Konoha considerando que ele era um nukenin de rango S. Pelo que você me contou das habilidades dele, havia muito que desvendar sobre o corpo dele em termos de jutsu.
- Bom, meus companheiros estavam mais preocupados em cuidar do meu estado do que se lembrar deste detalhe.
- Pois não era um detalhe a ser ignorado! - vociferou Danzou - Mas, claro! O que se poderia esperar de ninjas comandados pelo Yondaime que comunga da tola filosofia do Hokage anterior? Não me surpreende que tenham falhado.
- Com todo o respeito, Danzou-sama, não houve falha alguma no procedimento da minha equipe - Itachi olhou friamente para Danzou - A missão foi cumprida. Fomos designados para descobrir se a Vila do Som estava relacionada a uma organização criminosa de nome Akatuski como o senhor certamente deve estar a par. E o próprio Tetsuo antes de tentar me matar disse que estava a serviço de Uchiha Madara a quem meu clã descobriu ser líder dessa quadrilha.
- Sim. O Yondaime já tinha me deixado ciente de tudo e seus subordinados me relataram todos os fatos.
- Então como pode ver, cumprimos o que o Yondaime nos mandou fazer - o moreno acentuou bem a palavra Yondaime.
Danzou nada respondeu, mas seu rosto demonstrou contrariedade pelo leve tom de desafio que havia na voz do Uchiha. Este continuou:
- Suponho que meus companheiros também lhe contaram sobre a possibilidade do sannin Orochimaru ter alguma coisa a ver com a Akatsuki. Que ele possa ser inclusive o líder da Vila Oculta do Som e, portanto, um traidor de Konoha.
- A Haruno me passou um relatório mais detalhado. Ela me contou sobre o tal selo que o noivo dela adquiriu com o Orochimaru e as semelhanças com a marca que viu nesses ninjas com quem ela lutou bem como seus efeitos. Só que não vejo motivo algum para desconfiarmos de um shinobi do nível do Orochimaru por causa de uma simples coincidência.
- Coincidência? - de repente Itachi abandonou um pouco sua postura impassível - Não acho que seja uma simples coincidência. Um dos ensinamentos ninjas é que no mundo shinobi não existem coincidências.
- Sei muito bem sobre os ensinamentos ninjas, Uchiha. Mas não vou mandar prender um dos legendários sem maiores provas.
- Em nenhum momento insinuei tal coisa, senhor - o moreno escondia bem a irritação que aquele homem lhe causava - Apenas creio que seria oportuno mandar alguém vigiar cuidadosamente o sannin para descobrir de fato sua ligação com Madara e a Akatsuki.
- Talvez. Vou analisar bem essa questão e se eu me convencer da necessidade, designarei alguém para seguir os passos do Orochimaru.
- Senhor, devo insistir que a ameaça de ataque à Vila não é algo improvável de acontecer. Madara não é de brincadeira. Por isso, todo cuidado é pouco.
- Sei muito bem como fazer meu trabalho, Uchiha. Não preciso de ninguém para me lembrar.
- O Hokage em seu lugar já teria...
- Só que o Hokage não se encontra. Eu estou no lugar dele agora. Por isso, tomarei as providências que julgar conveniente. Quando o Yondaime voltar, ele reassumirá o posto dele. E quando você se tornar Hokage, poderá comandar a Vila de acordo com seu próprio julgamento. Até lá você ainda é um shinobi sob as minhas ordens. Entendeu, Uchiha? Espero que eu tenha sido claro o suficiente.
- Sim. Entendo, Danzou-sama.
- Ótimo. E se não tem mais nada para me relatar, peço que me dê licença para analisar outras problemas que requerem minha atenção.
- Não. Já disse tudo o que apuramos. Então, com sua licença, me retiro.
- Concedida.
Itachi fez uma leve reverência e saiu do gabinete. Entretanto, ele não estava nada satisfeito com o que ocorrera ali. Pra começar, a repentina ausência de Minato era algo que não fazia o menor sentido. Nenhum dos Hokages se ausentara da Vila para resolver qualquer assunto que fosse por mais urgente que parecesse. E de qualquer jeito, por que justamente Danzou era asignado para substituir o Yondaime? Não era novidade para nenhum shinobi que aquele homem não concordava com a maneira de dirigir a vila e comandar os ninjas que o Terceiro e o Quarto Hokages fazia.
Alguns ninjas da ANBU, dentre eles Itachi, sabiam da existência da ANBU Raiz que realizava missões secretas e paralelas com as quais certamente o Yondaime não concordaria e que esta facção era liderada pelo Danzou. Sabia que ele acreditava que os ninjas eram apenas ferramentas e pessoas que deveriam se sacrificar pela Vila e não se aterem a nenhum laço sanguíneo ou de amizade. Havia inclusive suspeitas de que o treinamento dos shinobis da Raiz era muito semelhante aos ninjas da Vila Oculta da Névoa que matavam seus próprios companheiros como um teste final de seu treinamento.
Por tudo isso, era muito estranho para o Uchiha que Danzou estivesse como substituto de Minato. E aquela teimosia do homem em não querer investigar Orochimaru também era muito suspeita. Era algo que não combinava com o próprio Danzou, que podia ser o que for, mas era um homem conhecido por sempre estar à frente de seus adversários. Portanto, nenhum incidente por mais insignificante que parecesse deixava de ser alvo das suspeitas daquele indivíduo, na verdade, para nenhum grande shinobi.
Outra coisa que estava incomodando o moreno era uma sensação estranha de algo familiar que ele não conseguia se lembrar no momento o que era, mas estava lhe inquietando. Ele não conseguia processar o que era, deveria esperar para se lembrar mais tarde. Decidiu aguardar o retorno do Hokage, talvez ele agiria de prontidão para um possível ataque à Vila. Ele próprio, Itachi, voltaria a insistir naquele assunto do legendário.
Agora, o que o moreno pretendia fazer antes de voltar ao seu clã e à sua casa era procurar Sakura, conversar com ela e esclarecer as coisas entre eles.
Infelizmente, Itachi não conseguiu falar com Sakura nem em sua casa e nem no hospital onde ela trabalhava. Na casa dela, fora recebido com certa resistência por parte da sra. Haruno que negou a presença da filha. No hospital, disseram-lhe que a rosada estava muito ocupada e cheia de trabalho para realizar. Ele não sabia se era verdade em ambos os lugares ou a jovem que estava lhe evitando. Ah, mas se ela pensava que fugiria dele por muito tempo, ela se enganava! Uma hora teriam que conversar e ele não descansaria até botar os pingos nos is.
Resignado, ele voltou ao clã. Encontrou seus pais na sala de jantar à hora do almoço. Foi cercado de mil atenções pela mãe que lhe cravou de perguntas sobre o estado de saúde dele, mas ele logo a despreocupou ao afirmar que estava bem graças aos cuidados da Haruno. Perguntou sobre Sasuke e fôra informado por seu pai de que o moço se encontrava num trabalho de investigação ao seu comando sem hora certa para acabar. Itachi não quis conversar com seus pais, principalmente com Fugaku que parecia ter algo para lhe dizer. Tudo o que ele queria e precisava era de um bom banho e ralaxar sua mente. Quando Sasuke chegasse iria ter uma conversa séria com ele e lhe jogar na cara o fato dele ter lhe escondido sobre a gravidez e aborto da Sakura.
O moreno entrou em seu quarto de solteiro, guardou suas coisas e separou uma roupa confortável para se vestir. Entrou no banheiro do aposento, ligou o chuveiro e aproveitou bastante a ducha quente para relaxar seus músculos. Ao mesmo tempo, procurava colocar seus pensamentos em ordem. Saiu do banho completamente nu enquanto enxanguava seus cabelos com uma toalha quando se deparou com sua esposa sentada na cama o olhando com expectativa.
Ele nem deu sinais de se incomodar com a presença dela. Como se Leiko não estivesse ali, ele terminou de se enxugar com calma e tratou de se vestir no mesmo ritmo. A moça se indignou com a atitude dele, porém, como não queria começar uma briga, ignorou tal procedimento do marido e chamou-o.
- Itachi.
- Hum.
Leiko não se perturbou com o tom indiferente dele. Levantou-se e abraçou-o. Queria sentir aquele corpo másculo, o calor que vinha dele. Como sentia falta do toque de seu esposo! Daria tudo para que voltassem a ser um casal como antes mesmo que ele ainda continuasse a amar a tal de Sakura. Contudo, Itachi estava estático e frio, não demonstrava qualquer emoção com o carinho de Leiko. Depois de algum tempo assim parados, ela o cravou de beijos no rosto e começou a passar suas mãos sobre o peito dele, mas ele se libertou dos braços dela, deu-lhe as costas e foi pegar um pente na cômoda para pentear seus cabelos. A moça não desistiu e o abraçou pelas costas.
- Como você está? Fiquei tão preocupada quando soube que você estava ferido.
- Estou bem, como pode ver.
- E como foi sua missão?
- Humpf.
- Itachi, estou tentando ter uma conversa com você. Será que pode me dar mais atenção?
- Isso me surpreende. Você nunca teve interesse no meu trabalho. As conversas que você procurava ter comigo eram sempre em torno de seus próprios interesses.
- Eu sei, meu amor. Mas esse tempo que estivemos separados me fez refletir sobre a gente e decidi que quero ser uma esposa melhor pra você. Quero me interessar mais pelas coisas do meu maridinho.
- Leiko, vou deixar claro pela última vez. A gente não é mais um casal e nunca fomos. Não falo pelo sexo, mas pelo amor, companheirismo, confiança e respeito que faltou na nossa relação.
Itachi se soltou dos braços de Leiko mais uma vez e sentou-se na poltrona que havia no quarto. A moça continuou de pé e exclamou:
- Será que você nunca vai me perdoar pelo que eu fiz, Itachi?
- Não é só você que errou, eu também errei. No final das contas esse casamento foi um erro desde o começo. Me casei com você amando outra pessoa e isso já era motivo suficiente pra nossa relação não dar certo.
- Pelo menos você adimite sua parcela de culpa. Que bom! Acho que agora a gente vai falar a mesma língua.
- Leiko, não estou a fim de estender assunto com você. Então vou logo ao ponto. Quero o divórcio.
- Como? - a Uchiha não acreditava no que tinha acabado de ouvir
- Você escutou muito bem. Quero me separar de você.
- Você não pode tá falando sério, Itachi! Não pode.
- Você me conhece muito pouco, Leiko, mas sabe muito bem que não sou de brincadeiras.
- Então você quer simplesmente se divorciar? E justo agora? Itachi, você vai se tornar Hokage!
- Sinceramente, minha vida pessoal não vai afetar minha nomeação, ainda mais porque falta menos de um mês pra isso. E depois nem sei se desejo este cargo.
- Mas que besteira é essa que você tá dizendo? Você não querer o cargo? Por quê?
- Olha, Leiko, isso é o que menos me importa agora. Tudo o que eu mais quero é me separar de você.
- Nunca! Ouviu bem? Nunca! Se você acha que vou te deixar livre pra ficar com aquela cadela tá muito enganado, Uchiha Itachi. Eu mato aquela piranha antes de deixar que ela me tire de você.
No segundo seguinte, Leiko tinha seu braço direito apertado pelo esposo e encarando o olhar de fúria dele. Ele disse numa voz que controlava a raiva:
- Nunca mais na sua vida se atreva a falar qualquer coisa contra a Sakura.
- Me larga! Você tá me machucando!
- Isso só é o começo se você disser mais alguma coisa contra ela - largou o braço da moça - Eu já te falei pra não meter a Sakura nas nossas conversas.
- Não me venha com essa, Itachi! Ela é a única culpada por você querer me largar! Em todo esse tempo que estivemos casados você não quis falar em separação, mesmo depois... mesmo depois do acontecido comigo. E agora você mal chega dessa missão, missão que aquela fulana também estava e já fala em divórcio. O que você acha que eu vou pensar?
- A mim pouco importa o que você vai pensar, Leiko, já tomei minha decisão. E se você não quiser me dar o divórcio por bem, então vai ser por mal.
- O que você pretende fazer?
- Contar para todos o tipo de mulher que você é.
- Você não se atreveria!
- Não? Se eu fosse você não pagava pra ver. Contei pro meu pai, não? E tenho provas pra mostrar a todos que não é uma mentira. Posso conseguir os registros de seu aborto e de que a criança que você esperava não era minha.
Leiko o olhou com ódio profundo, mas não se atreveu a dizer mais nada. Daí, o moreno abriu a porta do quarto e concluiu:
- E agora saia do meu quarto que desejo ficar sozinho. Amanhã discutiremos os termos da nossa separação.
A jovem saiu ostentando uma postura fria e impassível, mas por dentro fervia de raiva e jurando para si mesma que aquilo não ficaria assim. No dia seguinte, procuraria a única pessoa responsável por aquela situação que ocorria. Haruno Sakura.
- Sakura, tem uma mulher querendo falar com você - Shizune avisou ao entrar numa ala de descanso para os médicos do hospital de Konoha
- Uma mulher? Quem? - indagou a rosada surpresa e levantando-se da maca onde se encontrava. Tinha acabado de realizar uma exaustiva operação.
- Parece ser a esposa do Uchiha Itachi.
A moça permaneceu calada, mas endureceu um pouco a expressão do rosto. Shizune continuou;
- E não está com cara de boa amiga.
- Onde ela está?
- Mandei que ela esperasse na sua sala. Pelo que me pareceu ela desejava lhe falar em particular. Fiz bem?
- Entendo. Tudo bem, Shizune. Vou falar com ela. Acho que até imagino o porquê dela estar aqui.
- Será que veio criar problemas?
- Espero que não, mas duvido. Eu já vou.
- Olha, se ela criar algum problema, não hesite em chamar os seguranças do hospital. Pode me chamar ou à diretora se você não quiser falar com ela.
- Não, eu posso resolver isso. Não quero te incomodar ou a Tsunade-sama com meus problemas. Não acredito que ela vai aprontar um escândalo logo aqui.
- Tem certeza?
- Hai. Obrigada de qualquer jeito.
- Que isso, disponha. Até mais.
- Até, Shizune.
Assim que ficou sozinha, Sakura precisou conter a raiva para não quebrar uma das paredes da sala. Que diabos aquela mulher do Itachi tinha que vir fazer ali no seu local de trabalho mal o dia começava? Não era ingênua, já podia imaginar o motivo da presença dela ali. Com certeza a Uchiha percebera que alguma coisa tinha ocorrido entre Itachi e ela durante a missão. As mulheres têm um sexto sentido bem aguçado pra perceber essas coisas. Ou será que os homens é que são tão estúpidos a ponto de deixar escapar alguma evidência de traição por mais inteligentes que sejam em outros aspectos? Seja como for, não toleraria desaforos daquela tal de Leiko. E foi com esse estado de espírito que Sakura adentrou em sua sala particular onde atendia seus pacientes. Encontrou a morena com ares de dona sentada de pernas cruzadas na cadeira atrás da mesa onde Sakura conversava com os pacientes. A ousadia da outra irritou a rosada, mas esta se conteve e cumprimentou a rival num tom frio e calmo:
- Uchiha Leiko.
- Haruno Sakura - respondeu a outra.
- Vejo que já está bem acomodada na minha cadeira.
- Não tão bem acomodada como eu gostaria. Já me sentei em lugares melhores.
- Bem, sinto muito em tê-la desapontado. Mas creio que não veio aqui pra falar sobre cadeiras.
- É óbvio que não.
- Aliás, muito me surpreende que veio até aqui pra falar comigo depois da nossa última conversa nada agradável. Muita coragem de sua parte, mas eu acho meio perigoso e prejudicial pra você. Pode se machucar feio como da última vez.
- Não creio. Dessa vez estamos num hospital público e não na sua casa. Não acho que correrei o risco de me machucar, ou melhor de que me machuquem - a moça riu com cinismo - Se isso acontecer, quem será prejudicada será você, Haruno. O que será de sua carreira médica se me virem sair da sua sala toda machucada sendo que você deveria tratar bem as pessoas?
- O que você quer? - indagou a rosada com visível irritação - Fala logo que eu tenho mais o que fazer. Tenho um monte de pacientes pra atender.
- Sou eu quem deveria perguntar o que você quer.
- Não sei do que está falando.
- Não se faça de tonta pra cima de mim, Haruno! Sabe bem a que me refiro.
- Não me diga que está falando mais uma vez de seu maridinho - a rosada deu um sorriso cínico
- Ah, digo sim. Só podia ser ele mesmo. Porque do contrário eu não teria nada em comum pra falar com alguém tão insignifante como você.
- Escute, Leiko. Eu disse e repito: a sua relação com o Itachi não me diz respeito. Então vê se me deixa em paz.
- É você que não deixa meu marido em paz! Afinal, o que você quer? Roubar o Itachi de mim?
- Olha, não me interessa nem um pouco o seu marido. E eu não costumo me apropriar de coisas alheias e tampouco dos maridos das outras.
- Deixa de ser cínica! Como você me explica então que o Itachi queira se separar de mim?
- Como? - exclamou a rosada com espanto
- E não faça essa cara de desentendida! Se o Itachi quer se separar de mim com certeza aconteceu alguma coisa entre vocês nessa missão. Vocês transaram por acaso?
Sakura se recompôs do espanto e contestou:
- Não me culpe pelo fracasso do seu casamento. Se o Itachi quer se divorciar certamente é porque você não teve capacidade de prendê-lo a você.
- Como você se atreve? - a morena levantou-se indignada
- Me atrevo a falar da maneira que você merece. Me espanta que o Itachi queira se separar de você logo agora que vai se tornar Hokage e ainda mais porque deve assumir a liderança do clã. Mas talvez ele pense que você não seja a esposa adequada e digna de um líder. E sinceramente, eu acho que não posso culpá-lo por pensar dessa maneira.
- Sua piranha, responde de uma vez: você transou com meu marido?
- Quer saber de uma coisa? Transei sim e foi muito bom. Itachi ainda continua um ótimo amante - replicou Sakura em tom desafiador
Leiko não se segurou e esbofeteou Sakura. Esta, por sua vez, devolveu o tapa (teve que se controlar pra não usar sua real força ou era capaz de arrancar a cabeça de Leiko com um só golpe). A Uchiha ia devolver o golpe mais uma vez, mas a rosada lhe segurou a mão.
- Não se atreva - disse num tom frio
- Me largue agora! - a Uchiha se soltou - Essa agressão não ficará assim! Vou te denunciar pra sua diretora
- Isso se te deixarem entrar aqui novamente.
A Haruno apertou uma espécie de campainha presa a um canto da parede e logo entraram dois seguranças do hospital. A rosada se voltou para eles:
- Senhores, como podem ver tem uma marca de dedos no meu rosto. Essa mulher me deu uma bofetada quando lhe pedi que saísse da minha mesa. Ela está completamente louca. Tirem-na daqui antes que faça um escândalo no hospital e perturbe os pacientes.
- Tirem as mãos de mim, seus brutamontes. Essa vagabunda também me agrediu! Como vocês se atrevem? Sou Uchiha Leiko, a esposa de Uchiha Itachi e futuro Hokage! Posso acabar com a carreira de vocês!
Contudo, os homens a levaram para a saída e impediram-na de entrar novamente. Leiko saiu mais uma vez derrotada e jurando vingança contra Sakura. Enquanto isso, a jovem shinobi se encontrava em sua sala pensativa sobre a revelação do pedido de separação de Itachi. Será que era por causa dela? A moça balançou a cabeça para afastar tal ilusão. Certamente não era por sua causa. Era provável que o Uchiha se cansara daquela mulher desagradável e pedante e queria uma esposa mais adequada para ele do próprio clã Uchiha. Talvez nem quisesse uma esposa, mas como precisava de um herdeiro para se tornar líder qualquer Uchiha servia. Só era estranho que ele tivesse decidido isso faltando pouco para se tornar Hokage. Bem, ela não se preocuparia em tentar adivinhar o que se passava na cabeça daquele homem, ele era uma caixinha de surpresas e mistérios, a maioria nada agradável.
Sakura deu um suspiro, ergueu-se e voltou para suas atividades.
Itachi estava meditando em seu quarto quando de repente lhe veio um estalo na mente: Shimura Danzou estava de alguma forma ligado a Madara, a Orchimaru, à Akatusuki e até com a missão que lhe fora confiada.
A sensação que teve de algo familiar em seu gabinete fôra que reconhecera o chakra de Danzou com o mesmo chakra forte do dia em que o Yondaime lhe asignara o trabalho junto com Naruto, Sakura e Hinata. Não tivera essa percepção imediata devido à intensidade que sentira do chakra naquele dia da convocação, mas sem dúvida era o mesmo. Danzou os estava espionando e manipulando seu chakra de forma que ele pôde ser sentido pelo Uchiha. Mas em que e pra que exatamente Danzou estava manipulando seu chakra ele não imaginava, só que alguma coisa lhe dizia que tinha a ver com o Quarto. E algo lhe dizia que aquele homem tinha muito a ver com a repentina saída do Yondaime da vila. E pior, estava a par das intenções malignas de Madara e era seu cúmplice junto com Orochimaru. Isso explicaria sua resistência em mandar seguir ou vigiar o sannin.
No entanto, o moreno precisava investigar para ter certeza. Tinha que descobrir o paradeiro de Minato e verificar se este se encontrava bem. Não podia perder mais tempo. Avisaria ao seu pai e partiria logo à noite para ser menos percebido.
Ele passou pela sala da casa transtornado e ia sair para o distrito policial. Sua mãe que se encontrava na sala percebeu o estado do filho e o interpelou:
- Itachi, tudo bem?
- Sim. Bom, espero que sim.
- Não, não está. O que aconteceu?
- Não posso dizer nada agora, mãe. Mas tenho que falar com urgência com papai. Algo está para acontecer.
- Mas o que exat...
Mikoto não pôde terminar a pergunta, pois uma Leiko muito zangada abriu a porta da casa com estrondo e, assim que viu Itachi, começou a lançar todos os objetos que encontrava na sala em cima dele enquanto o xingava:
- Seu filho da mãe! Canalha! Cachorro!
Itachi e Mikoto se desviaram dos objetos sem entender e logo o Uchiha se pôs atrás da esposa e segurou-a pelos dois braços.
- Pare com isso agora, Leiko - disse numa voz baixa e fria
- Me solta, seu miserável! - esbravejou a moça
- Você ficou maluca, Leiko? O que deu em você? - perguntou Mikoto sem nada entender
- Pergunte ao seu filhinho querido, sogra! Pergunte o que houve entre ele e a Haruno.
- O que quer dizer?
- O que ouviu! - ela se soltou - Eu fui no hospital falar com a Sakura.
- Você foi aborrecer a Sakura? - indagou o moreno aumentando o tom de voz
- Fui mesmo e daí? E sabe o que ela me disse?
Itachi permaneceu calado bem como Mikoto.
- Ela me confessou que transou com você durante essa maldita missão e que foi muito bom! Como você teve coragem?
Leiko se descontrolou e avançou transtornada no moreno começando a lhe esmurrar. Itachi a empurrou, mas ela fez menção de avançar outra vez quando foi segurada pela sogra.
- Já chega, Leiko! Acalme-se!
- Eu não me acalmo! Eu fui ultrajada na minha posição de esposa.
- Já disse que você não é mais a minha esposa! Pedi o divórcio - disse Itachi por fim - Não lhe devo mais nenhum tipo de satisfação.
- E eu já disse que não vou te dar o divórcio!
- Pior pra você. Ouse me recusar a separação e irei expôr para todos o tipo de mulher que você realmente é.
Leiko caiu no choro e cobriu o rosto com as mãos. Porém, nem Itachi e muito menos Mikoto fizeram qualquer tentativa de consolá-la. Então a moça se voltou para a sogra.
- Tá vendo, Mikoto-sama? Tá vendo o que o seu filho me faz? Por favor, não deixe que ele se separe de mim.
- Olhe, Leiko, eu não posso fazer nada. Isso é problema de vocês. Se Itachi deseja isso, paciência.
- Claro! A senhora nunca gostou de mim. Sempre preferiu aquela vagabunda da Sakura.
- Leiko, não admito que você fale assim comigo e nem fale mal da Sakura. Ela é noiva do meu filho Sasuke e vai se tornar minha nora.
- Ela não passa de uma cadela hipócrita! E me admira a senhora querer alguém como ela como nora. É noiva de um filho seu e se deita com o outro. Mas claro! A senhora deve ser da mesma laia que ela.
No segundo seguinte, Leiko sentiu uma mão forte num lado de sua face. Olhou surpresa e furiosa para Mikoto enquanto punha a mão na face.
- Saia já da minha casa! - disse Mikoto tremendo de raiva - Agora!
- Quero ver você me tirar daqui.
- Pode deixar, mãe, eu cuido disso - um Itachi bastante zangado agarrou Leiko pelo braço com brutalidade - Como você disse, isso é um problema meu e já resolvo esse problema.
Itachi levou Leiko para o quarto em que ela dormia sem dar ouvidos aos gritos e choros histéricos dela. Logo, jogou-a ao chão obrigando-a se calar, tirou todas as roupas dela da cômoda, arrumou-as na mala, levantou a moça com violência, abriu a porta da casa e jogou a mala para fora. Fez a morena encará-lo pela última vez:
- Volte pra casa do seu pai, o resto de suas coisas mando alguém levar depois. Não se atreva a botar os pés nesta casa, não fale mais comigo até o dia de assinarmos os papéis da separação e nunca mais chegue perto da Sakura pra ofendê-la. Entendeu?
Leiko estava tão humilhada e, ao mesmo tempo, com medo da expressão ameaçadora do marido que não ousou protestar. Ficou estática e só deu por si depois que ele bateu a porta da casa em sua cara. Pegou em sua mala e foi caminhando cabisbaixa até a casa do pai. Não deu bola para as pessoas que encontrava pelas ruas do clã que lhe dirigiam olhares curiosos. Seu velho com certeza lhe daria colo e compreensão como ela precisava e merecia.
Sakura estava cozinhando uma sopa de legumes para o jantar. Seus pais haviam saído e ela preferiu ficar sozinha para descansar. O dia fora duro, ainda mais com aquela tal de Leiko. Praguejou quando a campainha tocou e foi atender a porta:
- Itachi - ela não pôde deixar de exprimir surpresa em sua voz
- Boa noite, Sakura - cumprimentou o moreno - Finalmente consegui te encontrar. Podemos conversar?
Realmente não era o dia de sorte de Leiko. Primeiro, fora humilhada mais uma vez pela sua rival; depois fora expulsa da casa de seu marido por ele e pela sogra e agora seu próprio pai não queria recebê-la de volta quando ela mais precisava. Ele teve a coragem de ficar do lado do genro dizendo que certamente havia um bom motivo para ele pedir a separação e não quis dar ouvidos aos rogos da filha. Mandou que ela se acertasse de qualquer jeito com o esposo que seria uma vergonha ter uma filha divorciada em casa.
Leiko estava revoltada! Todos estavam a apunhalando pelas costas: a vaca rosada, seu marido, seus sogros e agora seu pai. Queria feri-los da mesma forma que eles a estavam ferindo. Ela se encontrava sentada no alto da colina em que se destacava o símbolo do clã em tamanho giganteso. Já eram as primeiras horas da noite e ela não sabia o que fazer e nem pra onde ir. Só praguejava:
- Malditos Uchihas! Eu vou me vingar de todos! Odeio a todos! Mas como vou fazer isso?
- Talvez eu possa ajudar - uma voz sinistra e grave soou às costas da jovem fazendo-a se virar espantada. Seus olhos se arregalaram mais ainda quando viu quem era.
- Uchiha Madara!
Gente, emoções intensas no próximo capítulo. Uma grande tragédia está por vir que determinará o rumo do amor do nosso casal. E faltam só mais sete capítulos para o fim da trama! Me mandem reviews, viu? Até lá.
