Nicky tentou manter a calma a todo custo. A única saída para a situação seria se todos corressem depressa, mas isso obviamente não aconteceria, ambos estavam com a cabeça pesadíssima pela bebedeira da noite passada. Adoraria saber como conseguiram a proeza de entrar no zoo sem que alguém os visse. Todos olhavam para ela, como se fosse a salvadora da merda toda. O funcionário não se afastou, o que foi uma vantagem, claro. Ela poderia negociar? Ou dar-lhe uma gravata no pescoço? Sorriu com a possibilidade, mas precisaria de ajuda, pois o homem era de uma altura exagerada. Guinness book, atenção!
– Olha cara, não queremos problemas, ok? – Ela deu um passo à frente, quase sentando ao chão, e implorando por clemência. Sua roupa estava uma nojeira, e o cheiro insuportável. – Não sei como viemos parar aqui, foi uma grande loucura.
O homem riu, mas não falou absolutamente nada.
– É, pode apostar. – Prosseguiu. – Então você poderia simplesmente fingir que não viu essa merda, e nos liberar?
– Vocês invadiram o zoo, desligaram as câmeras de seguranças, jogaram cervejas para os ursos, e dormiram com a alpaca mais estressada que temos aqui. – Devido ao sol agora mais forte, ele ajeitou o boné na cabeça, olhando Nicky que o encarava. – Então você e sua gangue estão encrencadas! Foda-se, vocês vão pagar por isso.
Alex voltou seus olhos para o céu, implorando por paciência. Parar em uma delegacia era tudo o que não desejara para o momento. Então, ela arriscou e tomou a frente da confusão.
– Olha aqui cara.. – Apontou o dedo na direção dele. – Nós erramos em visitar a porra do zoológico e dormir com aquele bicho.
– Visitar? Vocês invadiram aqui, filha. – debateu.
– Ah, eu desisto.. Chame logo a polícia, ou o presidente, acabe logo com isso.
Luschek pulou a cerca, mas desequilibrou-se e caiu no chão, surtindo um barulho terrível. Sua bunda toda ficou de fora. A cena era engraçadíssima, mas ninguém se dispôs a rir, estavam tensos. Depois de levantar-se, ele reconheceu o funcionário que os abordou.
– Ah seu filho da puta! – falou alto. – Você vai liberar nós agora mesmo.
– Luschek? – o homem franziu o cenho, embaralhado. – Veio se vingar?
– Cale a merda da boca. – Caminhou segurando as calças. – Vamos nessa.
As mulheres então o seguiram, meio receosas. Na metade do caminho, a voz daquele homem pararam seus movimentos.
– Eu disse que vocês iam pagar, podem parar ai agora mesmo!
Alex foi a primeira a parar, estava pronta para se virar e manda-lo a merda, mas Luschek se apressou em resolver de uma vez por toda aquela bagunça.
– Você libera nós, ou contarei ao desgraçado do seu chefe que você trepa com a esposa dele.
O homem plantou no lugar, e não fez mais nenhum outro movimento.
– E os ursos? – perguntou após minutos de silêncio.
– Foda-se aqueles desgraçados!
– É foda-se os ursos. – Nicky deu as costas, e continuou caminhando.
– Você se safou dessa, Luschek.. Da próxima vez leve as suas putas para um motelzinho barato.
– Da próxima vez iremos chamar sua mãe para pagar um boquete na beira da estrada em troca de carona. – Cindy disse, e estirou seu dedo do meio, em um foda-se mudo.
Xxx
Após se despedirem de Luschek, as amigas seguiram até Manhattan, novamente. Todas em silêncio. Olhava pelas janelas da limousine outros carros passarem feito foguetes na direção contrária. Até o barulhinho da respiração incomodava cada uma de suas cabeças. Alex suspirou, e ajeitou a postura.
– Tenho um comunicado.. – falou, e massageou as têmporas.
– Eu também.. – Taystee olhou-a. – Você fede a alpaca molhada.
Nicky riu, mas calou-se.
– Nós fedemos! – Meiko esclareceu.
– Ninguém quer saber do meu comunicado? – Alex parecia desapontada.
– Conta aí.. – Nicky esticou as pernas, desinteressada. Precisava ligar para Lorna, sentia saudade dela. Nunca ficara tanto tempo longe de sua pequena e valente italianinha.
– Vamos parar em Manhattan, descansar e partiremos para Vegas ao anoitecer.
– O QUE? – As quatro gritaram, ignorando suas respectivas dores de cabeça.
– Sim, queridas. Las Vegas! Era meu presentinho para Nicky.
Nicky apertou a palma da mão na boca, sacudindo a cabeça, perplexa.
– Cara, você é a melhor irmã, porra! – ameaçou abraçar Alex, mas ela saiu de seu campo de visão.
– Você fede. – reprovou-a.
– Ora, você também. – Puxou um cigarro, e acendeu. – Lorna vai nos matar. Preciso de uma desculpa, ou devo contar a verdade e convidá-la?
– Nada disso.. É uma noite especial, para nós. – Alex sorriu, misteriosa. – Lorna retornará quando?
– Amanhã de tarde. – Nicky afirmou, sem muita certeza. Ligaria para confirmar.
– Eu estou fora. – Cindy avisou.
– Qual é, você está dentro sim, porra. – Taystee cobriu os olhos, a luz do dia estava fodendo com sua vista.
– Você vai! – Alex e Nicky disseram ao mesmo tempo, e se olharam rindo. – Certo, amanhã estaremos de volta, bem cedo. Iremos de jatinho. – Alex tossiu, com o cheiro da fumaça.
– Adoro a riqueza alheia. – Brincou Meiko. – Las Vegas é insano demais, Lex!
– Também acho. – ela disse. – Eu sou insana. – riu novamente, sem emitir som. – Festinha no Hyde, no hotel Bellagio. – finalizou com gracejo.
– Deus seja louvado! – Cindy de repente empolgou-se. – Adoro balada de branquelos. – Aí, vocês duas ontem – apontou Nicky e Alex que a olharam – comeram uma striper.
– O.. Que? – Nicky sentiu seu coração acelerando, morreria ali, pensou.
- Penélope? – Alex com medo, inquiriu.
– É essa ai. – Cindy empurrou a cabeça de Taystee que caiu sobre seu ombro. – Nicky contou que vocês comeram ela, ou que comeu uma de vocês, não lembro.
– O que aconteceu em Upper West Side, fica em Upper West Side! – Nicky encerrou o assunto.
Xxx
– Caiu da cama cedo? – Piper esfregou o nariz com as costas da mão, e abraçou Sophia que no momento interrompeu os ''aviãozinho'' que fazia com a colher até a boca de Benjamim.
– Esse garotinho me acordou. – ela respondeu.
Piper torceu o nariz, e virou um pouco de leite em uma xícara. Sentiu falta de Maya presente.
– Maya ainda dormindo?
– Sim!
– Maya me ensinou a escrever meu nome, mamãe. – contou ele, empolgado.
– Oh sim, meu bem.. Notei que você já andou praticando a arte de escrever seu nome nas paredes do corredor.
Benjamin contraiu os lábios, barrando a entrada da colher em sua boca. Sophia riu, percebendo que ele entrou em estado de alerta.
– Tudo bem, Benjamin. Sua mãe aceitou numa boa!
– Não faça isso novamente, querido. – Piper avisou, contrariando Sophia.
– Desculpa.. – disse com a vozinha embagada.
– Termine de comer o cereal. – ordenou.
Ele concordou, balançando a cabeça. Seus cabelos caíram nos olhos.
– Essa criança precisa cortar esses cabelos, Piper. – Sophia ajeitou-os atrás das pequenas orelhas todos os fiozinhos.
– Eu acho tão lindo ele cabeludo assim. – Piper sorriu para o menino, ganhando um sorriso cumplice em troca.
Sophia fez uma careta, desgostosa.
– Onde será que Nicky e companhia se meteram? Elas não ligaram ainda.
– Eu aposto que elas estão aprontando alguma, Sophia. Você quer ir embora? Não precisa se preocupar, as crianças não dão um pingo de trabalho. – Piper arrastou uma cadeira com a perna, e sentou-se.
– De jeito nenhum, não pense que as mencionei preocupada em ir embora, pelo contrário, se elas estiverem vivas, é um milagre.
– Por quê? – Disfarçou o tom preocupado, pegando Benjamin, e o sentando em sua perna.
– O que acontece quando se junta Nicky, Alex, Taystee e Cindy? – Piper abriu a boca para responder, mas foi cortada. – Não responda!
– Se Nicky e Alex fossem uma música, seriam TNT de AC/DC.
Sorriram.
– Eu te deixei preocupada, não foi? – Sophia perguntou, comendo uma colherada de cereal.
– De modo algum. – forçou um sorriso.
– Você e Alex estão bem?
Essa pergunta foi a grande causadora de sua noite mal dormida. Alex a confundia horrorosamente. Primeiro a beija, depois some, sem mais nem menos. Ela havia deixado claro que estava bem consigo mesmo. Então porque a beijou? Pensando por outro lado, por que Alex iria querer algo sério com uma mulher grávida? Ela era livre, solteira, desimpedida, rica.. Poderia ter a vida que sonhasse em um estalar de dedos. Seus devaneios foram interrompidos com o toque do celular de Sophia, que atendeu sem desviar os olhos de seu rosto, escondido atrás da cabeça de Benjamin.
– Que bom que estão vivas.. – Piper neste momento respirou tranquilamente. E Sophia continuou. – Piper? Sim, ela está bem.. Amanhã? Ok.. Já entendi Nicky! Juízo. – Desligou.
– Elas estão vivas, é um bom sinal.. E o que ela queria, afinal? – perguntou, apenas para ter o que falar.
– Nicky avisou que estão em Los Angeles, algo atrasou, e amanhã estarão de volta. – Sophia sabia da verdade, mas, optou por manter a boca fechada, ou Nicky a mataria atropelada com um Cadillac. Palavras da mesma.
Xxx
As sete e cinquenta e seis, o jatinho pousava no aeroporto de Las Vegas. Enquanto Nicky ajudava as demais com as malas, Alex foi assinar os documentos do carro alugado, em torno de cinco minutos retornou, já as apanhando. Na entrada do Hotel, um homem de dreads as aguardava. Nicky no mesmo instante simpatizou com ele, e descobriu que seu apelido era Rasta. Ele carregava umas malas enormes, com as fantasias para a festa. Alex trocou mais algumas palavrinhas com ele, e correu para o hotel. Precisavam se arrumar, pois a festa começaria em poucas horas. Alugaram um quarto apenas, sem luxo, pois não passariam muito tempo ali. As fantasias eram variadas. Do pirata ao extraterrestre. Nicky se fantasiou de Anjo, e Alex a imitou. As cores das asas eram diferentes, a da morena eram vermelhas e de sua irmã douradas. Meiko optou por um quimono moderno, e absolutamente vulgar. Taystee e Cindy finalizaram com a roupa de coelhinhas da Playboy, que fizeram jus as curvas generosas de seus corpos.
– Vir a Vegas e não querer parar em New York é inaceitável. – Alex arrumava seus cabelos no lugar. Sua maquiagem era provocativa, suas esmeraldas ganharam um brilho fenomenal.
– Mal chegamos, e você já que voltar? – Taystee parou atrás dela, tentando ver sua imagem refletida no espelho.
– New York de Vegas, Baby. – Cedeu um espaço antes de prolongar o assunto. – Lá tem uma montanha russa maravilhosa.
– Podemos ir depois de chapadas, terá mais graça. – Nicky rebolou a bunda na direção de Cindy, que não tardou em estapeá-la.
– Vamos foder com tudo hoje. – Meiko apanhou duas taças, e despejou whisky dentro, depois repetiu o gesto mais três vezes. – Vamos fazer um brinde!
Cada uma se aproximou, fechando uma rodinha, e erguendo a taça no ar.
– À nossa noite! – arriscou Alex.
– Viva Las Vegas! Vamos com tudo! – Nicky afastou-se e virou a bebida na boca.
Antes mesmo de seguir até a Hyde dentro do hotel, pararam para assistir ao show da fonte dançante de Bellagio. A música era Billie Jean do Michael Jackson. Os jatos de água pareciam se movimentar no ritmo da música, como leves folhas de palmeiras, só que amarelas, era essa a cor das luzes da fonte. Muitos turistas tiravam fotos, ou arriscavam o famoso moonwalker do eterno rei do pop. Alex e Taystee até arriscaram, mas desistiram. Os jatos subiam tão forte que pareciam ultrapassar a Torre Eiffel do outro lado. Incrível. Vegas era fodidamente surpreendente. Quando o show maravilhoso terminou, caminharam pelo grande hotel, por ondem passavam paravam para tirar fotos, ou arriscar a sorte em um dos muitos cassinos. Cindy foi a única a ganhar nove dólares e alguns quebrados. Alex e Nicky chamavam a atenção pelas roupas, alguns dos homens as chamavam de anjo e demônio, claro que elas adoraram, não tinham sequer notado a coincidência. Já dentro do Hyde, ambas andavam uma atrás da outra em uma espécie de trenzinho improvisado, Alex por ser a maior, ia guiando-as na frente. Em algumas partes, havia algumas stripers em um espaço com um mastro, onde escorregavam de pernas abertas exibindo suas boas formas. O lugar estava cheio, parecia um mundo de fantasias, e por falar, Nicky tirou sarro de um cara que estava totalmente pintado de verde. Sua tentativa de se passar por um sapo, falhou. Sentadas agora em um sofá em forma de L, elas gozavam de outras pessoas que se enturmaram. Tiesto tocaria naquela noite, para a alegria de todos.
Na altura da noite, todos dançavam entre grupinhos pulando e gritando coisas desconexas. Nicky agitava uma garrafa de espumante sentada nos ombros de Cindy, em frente ao palco. Todas estavam altinhas devido à quantidade de bebidas que ingeriram. A batida do remix eletrônico faziam as moverem cada músculo de seus corpos. Meiko dançava entre dois caras, assim como Alex. Os projetores soltavam fumaças, que se tornavam coloridas aos olhos de Taystee, graças ao efeito das luzes coloridas que piscavam no alto. Nicky estourou a garrafa de champanhe no alto, dando um banho em todos. Ninguém se importou, muitos a copiou. Tiesto agora tocava celebration da Madonna, agitando ainda mais aqueles malucos que gritavam. As máquinas de repente jogaram muitos confetes para o cima, e na sequencia começou a soltar espuma. Alex se distanciou um pouco, seguida por Taystee.
– Porra! Isso é demais, quero morar em Vegas. – contou, entre muitos gritos.
– Podemos morar aqui, e virar stripers, a única que tem a perder aqui é Nicky. – Alex disse, e virou a cabeça, encontrando a fonte do hotel majestosa em mais uma de suas apresentações.
– Vamos pensar nisso amanhã. – Taystee saiu de fininho, vira alguém que lhe chamou atenção.
– Olá diabinha. – A voz grossa, mas afeminada pegou Alex de surpresa, tirando sua concentração em olhar o show da fonte.
– Olá..? – Ela reparou na cara da mulher vestida de animadora de torcida. A outra era tão mais alta do que ela.
– Sarah! – apresentou-se.
– Alex. – Segurou em sua mão, e sacudiu sem soltar.
Sem dizer mais nada, Sarah foi contra a boca dela, beijando-a. Alex não achou ruim, Sarah tinha um beijo gostoso, com pegada. Prosseguiu beijando-a, sem se importar com a rodinha de marmanjos que se formou ao seu redor e de Sarah. Eles berravam excitados com a cena. Alex sentiu algo se encostando à meia fina de sua fantasia. De repente, aquilo se aproximou de sua coxa exposta, e foi subindo, até que sua ficha caísse. Afastou-se brutalmente de Sarah, olhando a excitação visível dela através da saia, a loira tentou disfarçar.
– Ohhh! – Alex quase deu um grito. – Você.. é. – Parou estreitando os olhos.
– Sim. – ela confirmou como se fosse óbvio.
– Merda! Nada contra, mas eu não.. – não soube como dar um fora em um travesti? Nem ela soube definir a pessoa parada ao seu lado, agora.
– Ok. – Sarah jogou os braços pra cima, em defesa. – Foi bom, você beija bem. – ela sorriu, e sumiu no meio da multidão.
XXX
Piper lia um livro deitada em sua cama, concentrada na leitura. Maya empurrou a porta, e entrou correndo de encontro à cama.
– Ei, ei, ei.. Por que você está acordada? – Piper bronqueou, colocando um marca página no meio do livro.
– A mulher de Silent Hill quer me pegar! – ela respondeu querendo chorar.
– Amor, que história é essa? – Piper teria de ser firme, e obriga-la a voltar imediatamente para sua cama, mas primeiro teria a tarefa difícil de acalmá-la.
– Rose e eu assistimos Silent Hill escondidas, e eu estou com medo. Mamãe, por favor, eu não quero dormir sozinha.
– Benjamin está dormindo lá também.
– Ele é neném! – choramingou.
– Você está de castigo. E não irá dormir novamente na casa de Rose.
– Por quê?
Piper quase a abraçou, ela parecia muito angustiada.
– Você desobedeceu, Maya. – com um esforço, levantou puxando a pequena mãozinha da menina. – vamos.
Maya puxou o braço com força.
– Não!
– Maya, você quer fazer o favor de ir dormir em sua cama?
– Eu já disse que não! – gritou.
Piper bufou, e bateu o pé descalço no chão. Sentiu os bebês se mexendo, chutando-a violentamente. – Ora essa, eu mereço!
Maya correu para o banheiro de seu quarto, e trancou a porta.
– Porra! – Piper nunca precisou bater em sua filha, mas agora estava pensando seriamente em por em prática uma surra. – Maya, venha já aqui! – ela bateu a mão na porta do banheiro.
– Nãaaaaao! – a voz saiu abafada.
– Ok, a tal mulher vai te puxar para dentro do vaso sanitário.
No mesmo instante a porta se abriu, e Maya agarrou suas pernas, dando pequenos pulinhos. Como se pisasse em algo pegajoso.
– Vamos para o seu quarto. – Finalizou antes que a criança berrasse, ou esperneasse.
Piper a cobriu, com cuidado para não acordar Benjamin que dava leves roquinhos.
– Você está de castigo por gritar, e por ser desobediente. – Beijou-a na testa. – Agora durma bem.
Maya fechou os olhos, irritada, mas não desafiaria sua mãe. Antes de voltar para o quarto, Piper foi até a cozinha e tomou um remédio para dormir.
XXX
– Jesus amadoooo! – Nicky fez uma dança estranha ao caminharem pelo hall do hotel. – Vamos até o quarto eu preciso mijar.
– Não mais que eu. – Alex abraçava Meiko pela cintura. – Eu beijei a porra de um travesti, vocês não acreditam.
– Cala a boca você está bêbada. – Cindy esperou Taystee entrar para apertar o botão do elevador.
– Não estou. – Alex soltou Meiko, e equilibrou-se em uma perna só. – Vejam. – demonstrou, cambaleando para os lados. – Viram?
– Vai se foder, Vause. – Nicky puxou as asas de suas costas, mordendo um pedaço dela.
– Nicky, você está com fome? – Taystee perguntou.
– De buceta. Da Lorninha. Eu quero minha esposa, suas vagabundas arrombadas. – cuspiu as pluminhas no chão. As portas se abriram, e elas saíram.
– Vamos ao New York na montanha russa? – Alex convidou, tirando o salto e substituindo por pantufas.
– Eu vou mijar e trocar de roupa. – Nicky arrastou a mala de fantasias para o banheiro, e trancou a porta.
– Meu Deus, que noite boa. – Cindy deitou na cama, e apoiou a mão na cabeça. – Nunca me diverti tanto.
– Quem disse que acabou? – Alex a olhou.
– Vamos cair fora daqui, porque se eu cochilar não acordo mais.
Ela concordou, e foi chamar Nicky. A porta estava trancada.
– Nicky, vamos!
– Já vou! – respondeu.
Alex deu de ombros, e cambaleou até as outras mulheres. Conversaram sobre a festa, os principais acontecimentos, até que a porta do banheiro se abriu. Nicky trocou a fantasia de anjo por um vestido de Marilyn Monroe, todas riram, mas o que mais lhe chamaram a atenção foi a cor de seus cabelos, estavam verdes.
– Que merda é essa? – Alex riu, esfregando as pernas, na típica dança de quem está apertado.
– Meu cabelo ficou maduro vadias. – Nicky olhou-se no espelho, aprovando o resultado. – vamos?
– Porra está muito louco, guarda um pouco dessa merda que passarei no meu amanhã. – Taystee analisava de perto o cabelo da outra.
Em Las vegas strip os pedestres podiam ver um pedaço de todo o mundo. Torre Eiffel, gôndolas de Veneza, esfinge do Egito. Alex perdeu uma de suas pantufas e acabou ganhando um par de sapatos de uns malucos que também comemoravam a despedida de solteiro. Ela andava de pantufa em um pé, e um sapato social no outro. Por onde passavam ganhavam muitos convites de cassinos, clube de stripers, e eram senhorinhas quem entregavam todos aqueles papeis. Dentro do hotel New York-New York, elas pararam em uma área de restaurantes e barzinhos que imitavam exatamente a cidade de New York. Nicky ouviu uma gritaria, e seguiu o som. Eram um bar onde havia umas trinta pessoas cantando no caraoquê.
– Vamos cantar. – ela entrou no local desajeitadamente.
Todos ali se divertiam com as cinco cantando Genius Of Love, abraçadas, jogando as pernas para ambos os lados. Alguns batiam palmas, outros dançavam imitando-as. A nota foi a mais baixa possível, mas quem disse que isso importava? A diversão era insubstituível comparada a pontuações. Beberam uma dose de tequila pura, e seguiram para a montanha russa. Alex não queria tirar suas asas para entrar no brinquedo. O monitor a ajudou entrar em segurança com asas e tudo mais. A gritaria das cinco preenchia o lugar todo. Ninguém ao certo saberia se os gritos eram de pavor, alegria, ou por estarem morrendo lá em cima.
– Meu Deus, a terra está girando. – Nicky encostou a cabeça na parede. Sua cabeleira estava bagunçada.
– Caralho! Depois dessa deveríamos ir para Disney. – Meiko era a única que parava em pé dentre elas.
– Nossa próxima viagem. – Alex deitou a cabeça nas costas de Cindy. – Me senti voando lá em xima.
– Xima.. – Taystee riu sem parar.
– La em cima! – Alex ria também.
– Quer me soltar? – Cindy empurrou-a com o traseiro.
– Foi mal, você é fofa.
– Isso eu sou.
– Vamos nessa! – Nicky conseguiu em fim andar em linha reta.
Após jogarem em muitos cassinos, beberem, dançarem no meio da rua, fumarem cigarros, charutos, desgraçarem com a cidade toda, finalmente as cinco dormiam tranquilamente em uma única cama.
Xxx
Piper levantou cedo, teria yoga pela manhã. Polly viria busca-la dentro de duas horas. Ela mexia a massa das panquecas pensando em coisas aleatórias, quando o celular de Sophia tocou.
Alex despertou com um peso em cima de sua cabeça, era a perna de Nicky. Empurrou-a para longe com estupidez.
– Eh, merda!
Alguém gritou, mas Alex não soube quem. Estava tudo tão confuso, em desordem total. Nicky dormia em cima de Meiko, que estava com os braços apoiados nas costas de Taystee, essa fazia as coxas de Cindy de travesseiros. Alex esfregou os olhos, e olhou as mãos, sujas pela maquiagem, provavelmente estaria parecendo um monstro. Ao girar os olhos e ver uma figura de cabelos verde deitada na cama, soltou um gritinho pavoroso.
– Nicky seu cabelo!
Nicky sentou por cima de Meiko, e puxou uma mecha de seus cabelos.
– Ahhhhhhhhhhh! Alex, desgraçada!
– Não fui eu. – Alex defendeu-se. Não estava aguentando nem rir, sua cabeça não deixava. – Você está parecendo o incrível Huck.
– E você um panda, sua puta. – levantou, e foi até o banheiro em disparada. – Alex, eu não posso voltar assim. Lorna me matará. Ligue para Sophia!
– Ok.. – Alex exclamou, e apanhou o celular. Chamou duas vezes.
– Alô?
Aquela voz doce que só Piper tinha, preencheu seus ouvidos. E pelo timbre, ela estava sonolenta. Alex sorriu ao escutá-la bocejar.
– Piper? É Alex. – disse.
Piper afastou o celular do ouvido, e piscou algumas vezes. Alex. Fodida. Vause. Ok, era só atende-la. Respirou fundo e tentou de novo.
– Pode dizer. – Apertou o mármore da pia, para aliviar a tensão que tomava conta de sua alma.
Alex sentiu-se insegura.
– Sophia está?
– Dormindo! – soltou brutamente. O que Alex queria com Sophia? Elas eram tão íntimas assim para trocarem telefonemas?
– Uow! – Alex deixou sua risada sair, sua dor de cabeça de repente desapareceu. A voz de Piper era seu remédio perfeito. – Precisamos da ajuda dela, é urgente.
A respiração de Piper respondeu por si.
– Baby, não precisa ter ciúmes, Sophia não me interessa. Nicky só precisa da ajuda dela. – Alex disse tão sincera, que acabou derretendo o coração de gelo da loira.
– Ela está dormindo, passarei o recado a ela. Agora preciso desligar, tenho yoga.
– Tudo bem, obrigada.. – Alex hesitou. – Você está bem? E os bebês? As crianças? – Perguntou de uma vez, antes que voltasse atrás.
Piper sorriu baixinho.
– Estamos bem. Vocês eu sei que não.
– Hm.. Não. – grunhiu. – Estaremos em Queens após o almoço.
– Ok.. Ok! Até breve, Alex.
Alex não queria desligar.
– Se cuida! E .. Estou com saudades.
– Eu sou sua nostalgia. – Brincou, relaxando o clima ruim que causara. – Te vejo mais tarde. – Desligou sem esperar a resposta.
– Nicky, vamos nos arrumar. Sophia dará um jeito no seu Green-Hair, babe. – Alex disse, alegremente.
Xxx
Meninas do BR, a fic está sendo postada no socialspirit, lá a mesma tem se destacado com voracidade. Não deixarei de postar aqui, é só um aviso. Beijocas!
