Chapter 16 - Missing Person
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Eram exatamente três e trinta e cinco da manhã de segunda-feira quando o primeiro contato com a nave Alice aconteceu.
Ele veio primeiramente por telefone, e depois ela resolveu bater loucamente na porta do meu apartamento, acordar e agitar meu cachorro a ponto de fazê-lo latir feito um retardado, acordar dois vizinhos que reclamaram do barulho ao síndico, que, depois de três ligações não atendidas por mim, veio acompanhar Alice nas batidas da porta ameaçando coisas sem sentido caso eu não resolvesse a situação.
Então, Isabellita aqui levantou da sua caminha com seu maravilhoso pijama de frio com estampa de cerejas e foi atender a porta com metade de uma face inchada marcada pelo travesseiro e um cabelo que mais parecia um ninho de passarinhos depois de um sério e mortal ataque de aves maiores.
Meu fim de sábado foi ruim e meu domingo foi ainda pior. Eu tinha tentado dormir e evitar qualquer pensamento sobre minha vida, mas só consegui isso tomando um remédio que prometeu me apagar legal. Tomei antes do almoço, mas pareceu demorar três horas pra fazer efeito.
Me lembrava de ter deitado na minha cama às duas da tarde de domingo, e, acordar às três da manhã morrendo de vontade de voltar para cama só provava que o remédio era bom.
Quando eu abri a porta, a rajada de gritos veio de quatro pessoas. Da nave Alice, do síndico (preciso dizer que ele estava usando uma toca ridícula que me fez gargalhar na sua cara. Obviamente ele ficou mais calmo ainda por isso) e de mais duas pessoas completamente estranhas pra mim. Fora os latidos de Bruce, que começaria a babar de raiva a qualquer instante.
- Calem a boca. – Gritei, e o silêncio me fez organizar a cabeça. Bruce virou a cabecinha com meu grito. – O que vocês querem às três da manhã? Açúcar? Atenção?
- Seu cachorro não me deixa dormir!
- Exatamente! Em uma hora eu tenho que estar de pé! – Gritou o segundo estranho.
- Eu tive reclamações destes vizinhos, Dona Isabella. Sabe que as medidas que têm de ser tomadas caso seu cachorro faça blablablabla...
O fato de eu ter realmente ouvido "blablabla" da boca do síndico me fez ficar confusa, e tentando decifrar o que ele falava, encarei-o atentamente. Mas a toca me desconcentrou e eu comecei a gargalhar.
- Desculpe. – Eu tapei a boca quando ele tirou a toca. Tinha um ursinho de pijama na toca. Um ursinho pedindo um abraço. E aquela cor azul clara desbotada deixava claro que era um objeto antigo. Quantos anos ele tinha? Foco, Isabella. Eu sei que você está com sono, mas aja como se fosse sã. – Alice bateu na minha porta, o cachorro ficou agitado e acordou esses dois aqui, que eu nunca vi na minha vida. – Apontei para o casal. – Mas é isso, não vai se repetir quando Alice sair daqui, prometo. Agora se me dão licença... Tenham uma boa noite.
Antes que eu pudesse fechar a porta, Alice a segurou e a gritaria dos quatro recomeçou.
- Calem a boca! – Alice gritou, e pareceu mais eficiente quando saiu da boca dela. Todos ficaram quietos, a encarando. Eu, inclusive. – Temos um caso de vida ou morte aqui!
- Do que você está falando?
- Moça, eu quero deixar claro que esse é um condomínio organizado que...
- Ah, cale a boca. – Alice calou o síndico. – Olha sua toca! Aposto que não consegue nem organizar seu quarto sem pedir ajuda pra sua mãe. Agora se vocês me dão licença, Bella vem comigo.
E me puxou para fora do apartamento, fechando e trancando minha porta e largando os três reclamões sozinhos. Pelo menos Bruce já tinha voltado pra sua caminha, com cara de tédio.
- Alice, você tem plena consciência de que eu estou de pijamas, não tem? – Disse. Isso era óbvio. Para ela me arrastar ao elevador assim, a coisa era séria. – O que aconteceu? Alguém morreu? Alguém se feriu?
Uma leve faísca de desespero me deixando menos cansada e lerda de sono.
- Não importa sua roupa. Temos que salvar Edward.
Travei no lugar. Resquícios de sono indo para o brejo e a consciência de que algo de ruim poderia ter acontecido com Edward me atingindo feito um soco no estômago.
- Como assim? Do que você está falando? Alice, não estou te entendendo.
- Eu é que não sei o que está acontecendo! – Parou quando estávamos dentro do elevador e me encarou, séria. – O que aconteceu com vocês no sábado? Eu não estou entendendo nada! Jasper me disse que Edward vai passar uns dias na casa dos pais... Pode me explicar?
- Espera, o que aconteceu com ele? – Eu quase gritei.
- Foi beber com Emmett e simplesmente sumiu.
Franzi as sobrancelhas, confusa. Um Edward desaparecido, é isso?
- Como sumiu? Deve ter voltado pra casa dos pais. Ou foi pra casa de algum outro amigo.
- Edward estava na casa de Emmett, sumiu da casa de Emmett. Celular e carteira ficaram na casa dele. É como se ele estivesse lá.
- E não está?
Alice parou pra me fazer uma careta.
- Por incrível que pareça eu não estou de brincadeira, Bella. Carlisle e Esme estão prontos pra ligar pra polícia. Só pedi pra que esperassem por que você é nossa última chance.
Carlisle e Esme estão nisso também?
- Por que eu teria algo a ver com isso? – Perguntei tentando não vacilar no tom de voz, mas não deu certo.
O barulho do elevador cortou o suspiro de Alice e nós saímos no pouco iluminado estacionamento do condomínio.
- Há quanto tempo ele está sumido?
- Há umas... Doze horas...
- O quê? – Eu praticamente gritei. – Impossível que ele tenha sumido assim! Edward nem mesmo consegue ficar sozinho por muito tempo. Já ligou pra alguns dos amigos médicos que ele tem?
- Emmett já fez isso com os contatos dele, mas ninguém tem notícias dele desde o aeroporto, algo assim. Outros nem sabiam que ele já tinha voltado da viagem. Agora enquanto eu dirijo até a casa de Emmett, você me conta o que aconteceu.
Bufei. Respirei fundo duas vezes e entrei no banco do passageiro do carro de Jasper, tentando pensar por onde começaria.
- Edward veio ao meu apartamento no sábado. Eu estava disposta a conversar com ele, então deixei que ele entrasse... Mas foi tudo bem perturbador pra mim. Ele começou a falar sobre Tanya ter feito um plano pra seduzi-lo e tirar fotos e... - Eu bufei. - Não sei se dá pra acreditar nesse tipo de coisa. É muito... Roteiro de cinema pra mim.
- Continue.
- Nós brigamos. Eu cheguei a bater nele algumas vezes, mas ele começou a dizer um monte de coisas fofas. – Eu parei, tentando organizar os fatos na minha cabeça. – Então ele me beijou e... E me perguntou se eu o aceitava de volta, mas...
- Ok, acho que sei sua resposta. – Alice suspirou tristemente. Virou numa rua desconhecida e depois acelerou o carro tanto que eu temi pelo seguro de Jasper.
- Não, Alice, eu não disse que não o queria. Eu disse o contrário. – Eu me adiantei. – Eu disse que eu precisava dele, disse que eu o amava, mas...
- O quê? – Ela ficou ansiosa.
- Ele me perguntou se eu confiava nele e eu não respondi, então ele disse que esperaria o tempo que fosse preciso e... Foi embora. – Dei de ombros finalmente. – Ele nem mesmo me ligou nesse domingo.
Não apareceu, não ligou, nem mesmo mandou uma mensagem. Eu esperei um pouco mais de alguém que dizia arrependido por ter sido tão idiota comigo. Eu esperei um sinal de vida, um investimento qualquer, um aviso simples de que ele ainda esperava que ficasse tudo bem entre nós. Mas nada. E como eu não conseguia parar de pensar nele, no que ele tinha me dito e no que aconteceria depois, eu tomei um remédio que me apagou por mais de dez horas seguidas. Não me chame de covarde, minha mente merecia um descanso do massacre de neurônios contínuo.
- Emmett disse que Edward recebeu um telefonema misterioso antes de sumir.
- Telefonema misterioso?
- Ai, Bella, não sei as coisas com detalhes. – Ela pareceu nervosa.
- Você me tira da cama às três da manhã, joga uma bomba na minha cabeça e diz que não tem detalhes? – Eu quase gritei.
- Não importa, nós já chegamos. Daí você pergunta tudo para ele.
Nunca tinha vindo à casa de Emmett. Sabia que ele era o único que ainda seguia firmemente na carreira de ator, que sua nova série estava sendo filmada em Manhattan e que por sua família ser daqui, tinha comprado uma casa pelos arredores. Mas a casa de Emmett era simplesmente enorme pra quem pretendia morar sozinho numa cidade grande como essa.
A garagem era enorme e tinha dois carros grandes ocupando vagas por lá. O de Jasper ficou na terceira vaga, mas ainda cabia mais um. E algumas motos, eu acho... Sei lá. Nem resolvi entrar, por que ia me sentir mal por estar na casa dele de pijamas de cerejinha.
Quando eu saí do carro, Alice buzinou e começou a gritar que eu tinha chegado.
Rosalie foi a primeira a aparecer, Jasper e Emmett logo em seguida.
- Finalmente. – Jasper disse. – Você é nossa última chance, Bella.
Ele parecia realmente preocupado.
- Ai amiga, você está bem? – Rose perguntou, me abraçando forte. Concordei com a cabeça, acenando para Jasper e Emmett.
- Eu arrumaria meu cabelo se fosse conhecer meus sogros. – Emmett apontou pro meu cabelo. – E usaria outra roupa, mas tudo bem, né. Cada um com seu estilo.
- Eles estão aqui? – Eu sussurrei o mais indignada que pude.
- Sim... – Jasper olhou Alice. – Achei que tinha comentado, Allie.
- Achei que eles não estariam aqui quando nós chegássemos. – Ela fez uma careta.
Tentei arrumar meu cabelo, mas na metade do processo duas vozes vieram da porta da garagem de Emmett e logo o Sr e a Sra Cullen estavam parados na minha frente.
Carlisle era alguns centímetros mais alto que Edward, um pouquinho mais musculoso e se vestia muito bem. Na verdade eles eram bem parecidos, com exceção do cabelo, já que Carlisle tinha um tom de cabelo mais puxado para o loiro e Edward para o cobre. Esme era mais alta que eu, e era bem bonita. Mas tinha algo de muito metido nela que quase me fez correr pra trás do carro e me esconder.
Os dois olharam meu cabelo. Esme fez uma total absorção de cada detalhe da minha pessoa, quase como se estivesse a ponto de dizer que Edward não poderia estar com uma garota como essa.
Ai, meu estômago.
- Você é a Bella? - Carlisle perguntou.
- Você está de pijamas. – Ela disse.
- É... Eu... – Parei a frase e fiz o melhor coque de cabelos bagunçados que pude antes de estender a mão na direção deles. Carlisle não hesitou em apertá-la.. – Sou Isabella Swan... Bella. Alice apareceu em casa agora e... É bem natural que eu esteja... De pijamas às três da manhã.
Carlisle riu e Esme só apertou minha mão, com um olhar de tédio e impaciência. Deu pra perceber que nada em mim agradaria aquela mulher.
- Você pode nos ajudar a encontrar Edward então? – Esme perguntou, escondendo as mãos no casaco e cuspindo as palavras como se duvidasse de mim.
Que bom que eu sei quem eles são, por que se dependesse da vontade deles de se apresentar...
- Posso tentar. – Quase gaguejei. – Quero dizer, eu nem consigo imaginar por onde ele andou todo esse tempo...
- Ah, ótima ajuda então. – Esme murmurou.
- Esme. – Carlisle repreendeu com uma careta antes de me olhar sem sinal de simpatia. – Mas vocês não estão juntos ou qualquer coisa assim? Não consegue imaginar um lugar para onde ele tenha ido, ou qualquer informação relevante?
Nem imagino por que Edward adiou nosso encontro. Seus pais são pura simpatia.
- Não, não estamos juntos ou "qualquer coisa assim". Na verdade Edward e eu estamos separados desde que ele viajou. Ele apareceu ontem pra me ver, mas as coisas não voltaram ao que eram. Por esse motivo eu nem imagino onde ele esteja. Mas já disse, posso tentar ajudar em algo. – Terminei suspirando. – Se vocês quiserem minha ajuda, é claro. Senão, posso voltar para o meu apartamento e...
- Não, tudo bem. – Esme cortou, azeda. Carlisle a olhou de um jeito diferente. – Me... Bem, me desculpe. Eu sou Esme, esse é Carlisle. É um prazer... Você sabe, te conhecer. Agora nos ajude, por favor.
Eu os encarei por dois segundos antes de me virar para Emmett e Rose, segurando uma revirada de olhos.
- Ok, me digam o que aconteceu exatamente. – Falei.
Emmett contou que Edward apareceu por lá umas onze horas da manhã, reclamando sobre um monte de coisas e pedindo uma cerveja. Emmett também disse que Edward elogiou a quantidade de garrafas de cerveja que ele tinha na geladeira. Ele ofereceu um miojo ou qualquer comida pronta para Edward, mas ele recusou e começou a contar o que tinha acontecido no sábado com a gente e contou também um monte de outras coisas que só um Edward bêbado poderia dizer. Foi quando o telefone tocou, Edward ficou agitado e pediu a Emmett uma toalha seca.
- Uma toalha seca? – Perguntei. - Ele por acaso tinha molhado alguma toalha?
- Não. Vai por mim, não dá pra entender. – Rose já adiantou.
- Foi só pra tirar Emmett da cozinha. E esse jumento nem percebeu. – Jasper revirou os olhos.
- Ah, cala a boca. Eu nem estava tão sóbrio assim pra pensar por que o cara ia precisar de uma toalha seca. Nós estávamos bebendo. Meu raciocínio não é bom quando eu bebo.
- Nem quando está sóbrio. – Alice completou.
- Tá, e daí? – Eu cortei o começo de briga, curiosa pelo fim da história.
- E quando eu voltei, ele já tinha saído com o carro dele, que tinha ficado na minha garagem quando ele viajou. – Emmett encerrou. – Celular e carteira ficaram aqui.
- Mas sobre o que eles falaram? – Claro que Emmett teria ouvido alguma coisa.
- Assim que Edward disse alô, a pessoa disse algo que deixou ele interessado. Ele falou "qual o nome?", a pessoa disse algo e depois Edward desligou. E então pediu a toalha.
Todos encaravam Emmett como se ele fosse o maior redentor de informações. Mas a verdade é que ele estava bem idiota/bêbado quando Edward atendeu o telefone. Palavras de um bêbado. Muito útil.
- Ligaram pro número que ligou pra ele? – Perguntei o óbvio.
- Yeap. Ninguém atende. – Jasper disse. – E não é ninguém da lista de contatos dele.
- Quem estava na linha foi bem direto.
- Ligaram para Tanya ou alguém desse tipo? – Perguntei, cruzando os braços no peito.
Nojo. Ódio. Eternos. Se. Ele. Estiver. Com. Essa... Pessoa.
- Hmm, não. – Jasper coçou o queixo. – Você liga pra Jacob?
- Nop. Pode ligar. Não quero falar com ele.
- Quem é Jacob? – Esme perguntou, perdida.
- Ele é um panaca aí. – Emmett adiantou.
- Um carinha aí que pegou Bella. – Alice balançou a mão no ar, enquanto Jasper pegava o celular do bolso.
Carlisle e Esme me olharam. Jasper parou de mexer no celular para me olhar e erguer uma sobrancelha.
- É, por isso ela parou de sair com a gente, ele a agarrou. Louco, pervertido. – Rose cuspiu as palavras com raiva.
- Calem a boca! Jacob é só alguém que conhece a amiga de Edward. Amiga, ou tanto faz. – Tentei dizer a Esme, mas eu senti que ela estava me julgando de alguma forma.
Aff, ela me odeia.
Jasper ligou para Jacob, que disse não falar com Tanya desde a viagem, mas que tinha notícias de que ela tinha ficado pela França. Tentou falar comigo desesperadamente. Jasper gentilmente disse que eu não queria conversar com ele.
Esme continuava me encarando. Qual o problema dela?
- Ok, então ele saiu com o carro sem dizer pra onde ia... Ele estava bêbado? – Perguntei.
- Ligeiramente... Talvez um pouco. – Emmett deu de ombros. – Levemente alterado, eu diria.
- Alterado no estilo 'consigo ficar em pé sozinho'? – Allie perguntou.
- Gente, percebam que Emmett não se lembra de muita coisa sobre depois que eles começaram a beber. – Jasper compartilhou o pensamento igual ao meu. – Não confia não.
Emmett o encarou com cara de ofendido. Rose se apressou em cortar o começo de briga.
- Pelo menos vamos torcer por um pouco de consciência sóbria de Edward, senão... – Rose deixou a frase incompleta.
Cortar o começo de briga com uma bela de uma frase pessimista e macabra.
- Credo, Rose! – Alice e eu dissemos ao mesmo tempo.
- E se aconteceu algum acidente? – Esme colocou a mão no peito, encarando Carlisle. – Ai, nem consigo imaginar isso. – E escondeu o rosto no peito do marido.
Coloquei a mão no queixo. Se algum acidente acontecesse com um carro, não só uma ambulância seria chamada, mas também alguns policiais. Na pior das hipóteses um bombeiro. Balancei a cabeça, evitando o pensamento sobre uma explosão ou qualquer coisa do tipo.
Era perturbador demais. Ai, meu estômago!
- Posso falar com a polícia. – Soltei, e todos me encararam.
- Essa era a ideia inicial antes de você chegar aqui. Acho que não fez nenhuma diferença no final das contas.
Minha primeira ação de ficar em choque com algo que ela diria já tinha passado. Agora eu só a encarei, sentindo uma ondinha de raiva surgindo em mim e ausência total de paciência.
Jasper, Alice e Rose ergueram uma sobrancelha estressada para Esme. Emmett não ligou para a alfinetada. Na verdade eu desconfiava que ele não tivesse ouvido nada do que ela tinha dito. Ele estava encarando o portão com olhar de peixe morto, numa viagem das boas.
- Eu tenho contatos, meu bem. – Soltei, balançando meu indicador direito no ar, quase como se pudesse enfiá-lo na cara dela. – Meu pai é o muito importante e clamado Chefe Swan, com muitos amigos gentis e de altos cargos por todo o país. Eu tenho amigos policiais que podem me ajudar a qualquer momento, e muito mais rápido que uma ligação qualquer de uma mulher procurando o filho desobediente e mal criado às quase quatro da manhã. Além do fato de que uma pessoa só é dada como desaparecida após vinte e quatro horas depois de ser legalmente tida como desaparecida. Então sim, minha presença faz total diferença no final das contas.
Não me chame de hiperbólica. Ela estava pedindo por algo. E era parcialmente verdade.
Alice gargalhou e Rosalie desceu uma bela cotovelada nela.
Se meu pai estivesse aqui, teria me dado uma bronca por exagerar um pouco na coisa. Ou talvez gostasse. Não sei.
- Então você pode pedir pra que alguém procure Edward? – Carlisle perguntou, ignorando a cara de ofendida da mulher.
- Claro. Só preciso de um celular e alguns minutos.
Eu liguei para mamãe, e ela ligou para papai e pediu o telefone de trabalho de Billy, alegando que queria falar com a mulher dele pra pegar uma dieta específica, e que elas tinham combinado que era melhor ligar nesse telefone. Charlie reclamou uma vida pelo horário que Reneé tinha ligado, mas duvido que tenha questionado as loucuras da mamãe.
De todos os amigos do papai que eu me lembrava de conhecer, Billy era o mais próximo. E eu lembro que um dos motivos do papai não ter ficado doido com minha saída de Forks e vinda à Manhattan, foi o fato de que Billy já estava pelas redondezas há uns meses. Agora faz anos que ele é daqui.
Quando eu consegui ligar para Billy, eram aproximadamente quatro horas da manhã.
Quem atendeu foi uma mulher com voz grossa e parecendo estar levemente estressada pelo horário da ligação. Devia estar dormindo.
- Eu... Eu gostaria de falar com Billy. – Falei. – Quem fala é Isabella Swan, filha do Chefe Swan, um grande amigo dele...
- Billy só chega mais tarde. Mas eu sou filha dele... Posso te ajudar em alguma coisa, Isabella?
- Só Bella. Eu estou procurando uma pessoa que desapareceu há umas treze horas, mais ou menos. Ele saiu com um volvo prateado e não conseguimos entrar em contato com ele.
- Só um minuto. – Ela deixou a linha por alguns segundos. Quando voltou, sua voz assumiu um tom diferente. – Quem é seu pai mesmo?
- Chefe Swan. Charlie Swan.
- De Forks? – Ela perguntou, surpresa.
- Sim.
- Ah, acho que já ouvi falar de você. Seu pai é um grande amigo do meu pai...
- É. – Murmurei sem paciência.
- Então, Bella, acho que posso te ajudar. Preciso do nome e descrição física... Sabe me dizer como esse homem está vestido?
A mulher prometeu quinze minutos de espera. Esme continuou tensa enquanto Jasper dava algumas voltas por Manhattan à procura de sinais. Quando eu recebi a ligação de volta, quem falava era um homem.
- Bella?
- Eu mesma. Quem fala? – Perguntei, confusa.
- Sou Harry. Amigo do seu pai.
- Ah, ok. Então... Alguma coisa do volvo prateado?
- Na verdade sim. Encontramos um volvo prateado abandonado próximo a um poste há quarenta minutos daqui.
- Abandonado?
Esme parecia doida pra arrancar o telefone da minha mão.
- Sim, ao que me parece quem bateu o carro foi levado para o hospital. Tem um homem com as características que você nos deu no Pronto Socorro há algumas horas. Você deu um nome, não? Edward Cullen?
- HORAS? – Eu quase gritei. – Pode me passar o endereço, por favor?
- Não, me diga onde você está e a polícia a acompanha até o lugar. Ordens superiores.
Edward's POV
Saí do apartamento de Bella e peguei um taxi até a casa dos meus pais. Estava tão perdido e avulso na minha própria mente que pedi pra uma moça que estava cuidando do jardim dos Cullen acertar o dinheiro com o taxista. Ela não gostou disso, deu pra perceber pela cara de ofendida que ela fez.
Minhas malas estavam no porta-malas de Jasper, mas eu não me importei em pedi-las a ele. Caminhei pelo jardim da casa até a porta, tocando a campainha e me encostando no batente da porta, física e mentalmente cansado.
Esme me abraçou e disse um monte de coisas. Metade eu não ouvi, e a outra metade era só que tinha sentido minha falta, que eu estava magro demais e que eu tinha olheiras horríveis. Ela repetiu isso vinte vezes enquanto alisava meu cabelo, como se quisesse dividi-lo na minha cabeça. Carlisle me cumprimentou e perguntou como tinha sido a viagem. Resumi com um: "cheia de aprendizados", sabendo que Carlisle faria aquilo bastar quando começasse seu discurso sobre as oportunidades que temos na vida. Também não ouvi o que ele disse, por que ele não precisava de ouvintes.
Mamãe não deixou minha falta de atenção no que ele dizia passar, e me encheu a paciência perguntando por que eu não estava bem até eu dizer que tinha ido atrás de Bella. Aquela coisa chata que mães têm de conseguir qualquer resposta, mesmo que não seja a que elas querem ouvir. E é aí que começa a baixaria.
Papai saiu da sala quando mamãe começou a falar sobre garotas. Ele sempre fugia dos assuntos que davam briga. Esme começou a questionar retoricamente minha vida amorosa, reclamando de tudo como se eu estivesse pedindo a opinião dela. Disse que mulheres não fariam bem para minha carreira de médico e que eu não devia correr atrás de ninguém, por que era muito jovem pra me apegar a qualquer pessoa. O que ela quis dizer: largue Bella. Por que eu tinha certeza que ela não ligaria se fosse outra garota, por que não seria como é com Bella.
Ela não reclamava das minhas aventuras quando eu era ator, e isso me deixou irritado. Logo no nosso primeiro encontro depois de muito tempo sem nos vermos e ela já vinha me aporrinhar com essa ladainha.
É foda de aturar aquela briga desnecessária e inevitável quando a porra do dia já foi ruim.
E nós brigamos e eu disse umas belas besteiras quando ela aparentou mais uma vez estar no "Team Anti-Bella". De novo. Mais uma vez. Temos um belo passado de brigas. Sempre sem fim, por que nossa vontade de agredir um ao outro parece ser infinita.
Deixei-a falando sozinha como terapia pra mim.
Daí eu fui pro quarto que antes era meu e que estava a mesma coisa de sempre, deitei na cama e apaguei no colchão macio (que parecia nunca ter estado debaixo das minhas costas antes, de tanta perfeição) até as dez horas de domingo.
Acordei fedendo a baba e suor. Fui para o chuveiro e me virei com umas mudas de roupas antigas que mamãe tinha guardado.
Imaginei se deveria ou não ligar para Bella, ou visitá-la... Sofri mais meia hora de martírio ao lembrar que tinha sido um babaca com ela. E cheguei à conclusão de que ligaria pra ela mais tarde. Sem pressão, só saudade. Desejei poder tomar café no seu apartamento, como quando ele era "nosso" e ela trazia café na cama. Ou eu levava café pra ela. Era bom. Mas agora só tinha cozinha Cullen no menu. Foda trocar Bella+cama+café da manhã+cama pelas chatices a seguir.
A mesa estava com bastante comida pra só uma pessoa. Mais comida que eu cheio de fome suportaria comer. Dois tipos de geleia, uma enorme jarra de suco de laranja, torradas, manteiga, pedaços de pão, algumas fatias de um bolo e uma tigela cheia de frutas.
- Edward, precisamos conversar. – Esme começou quando eu sentei a mesa pra tomar café.
Eles já tinham tomado café, mas papai ainda estava em casa e isso significava que ele ficaria até o horário do almoço e depois iria para o hospital, ou faria algo fora. Ele estava sentado na ponta da enorme mesa de madeira da sala de jantar, segurando um jornal aberto que me impedia de ver seu rosto. Mamãe estava sentada na cadeira ao lado dele, segurando um livro que seria esquecido em segundos.
A porra ia começar agora, eu sabia. Nem ia rolar um falso bom dia pra não dar a impressão errada. Eles já queriam um péssimo dia pra mim. Assim, na lata.
- Sobre? – Perguntei, enchendo minha boca com uma torrada lotada de geleia de morango.
E eu odeio geleia de morango. Mas parecia bem apetitosa, então eu me dispus a comer umas cinco torradas com aquilo. Ou chame de gula nervosa.
- Sobre essa menina... Isabella.
- Ela prefere Bella. – Murmurei, engolindo três quartos de suco de laranja pra descer a torrada.
O suco era muito bom e deixou o gosto ruim da geleia de lado.
- Preciso dizer que estou muito decepcionada por você ter ido atrás dela e não ter passado aqui antes. Nem mesmo me ligou. – Pareceu sincero.
- Foi tudo muito rápido. – Disse, atacando a segunda torrada – Sabe, Jasper me buscou no aeroporto e passou na loja pra falar com Alice, então eu vi Bella e nem deu pra fazer outra coisa além de falar com ela. – Eu bebi mais suco. – Isso é laranja natural? Parece que faz anos que não tomo um suco tão bom.
- Como assim não deu pra fazer outra coisa? – Esme atacou, em choque. – Está dizendo que sou menos importante que ela?
- Eu não falei nada disso.
- Você disse que não pôde fazer outra coisa!
- Se você visse papai depois de três meses longe, ia pensar em ligar para mim primeiro? Seja sincera, Dona Esme...
- É diferente, filho. Nós somos casados há muitos anos. E não me chame de Dona Esme. Sabe que odeio quando faz isso.
- Bella e eu também éramos praticamente casados. Eu até me mudei para o apartamento dela. Nós vivíamos juntos e vivíamos bem.
Eu disse "praticamente casados"? Explica a cara de choque que mamãe fez. Bem... É só pra rebater o argumento. Casamento é desnecessário quando se tem o que Bella e eu temos. Tínhamos... Teremos, sei lá. Quero dizer, são alianças e sobrenomes trocados, que diferença faz no dia-a-dia?
Terceira e quarta torradas, com direito a sanduíche de geleia e manteiga. Não combinou muito. Não tente em casa.
- Você não é o tipo de garoto que pensa em coisas sérias, Edward, eu conheço você. Pare de tentar fingir que mudou por essa menina. Nem brinque sobre casamentos num assunto sério... E que loja é essa?
Vamos ignorar as primeiras sentenças pelo bem da preservação do respeito como direito humano. Ela acabou de me chamar de galinha e infantil. Como se eu estivesse brincando quanto a minha seriedade no relacionamento com Bella. Me casaria com Bella num palácio, vestido de príncipe e em cima de um cavalo branco se pudesse ter paz. Ahm... Ok, isso de casamento não está legal, é um pouco assustador... Minha paz já é um direito humano, eu acho, então esqueça o casamento e a história de cavalos. Estar com Bella é o suficiente, meu amor por ela ser recíproco é o suficiente.
A moral é: minha mãe tem que cuidar da vida dela e não da minha.
- Então você não me conhece em nada, mãe. – Eu ri carregando a gargalhada no sarcasmo. Peguei uma fatia do bolo e mordi três quartos dele enquanto falava. – Ou conhece e finge que não te afeta o fato de eu ser mais feliz e mais correto ao lado de uma mulher que não é você.
- Edward, como ousa...? – Ela me olhou irritada. – Eu exijo respeito! Você fala mais uma vez assim comigo e eu...
- Tira meu vídeo game? Corta minha mesada? – Eu ironizei. – Ah, me poupe.
- Carlisle, olhe o jeito como Edward está falando comigo! – Mamãe chamou, mas papai apenas disse meu nome com um tom diferente, como se estivesse me avisando de algo.
Revirei os olhos e bebi mais suco. Estava quase literalmente me sentindo como se tivesse cinco anos.
- Essa menina está te manipulando outra vez, te conduzindo ao que ela quer. Ela já te tirou da carreira que você tinha escolhido e te enfiou num hospital, e agora colocou essa palhaçada sobre mim na sua cabeça.
- Ela nem te conhece. – Eu me limitei a dizer isso. – Já parou pra pensar que eu tinha feito Medicina antes de conhecê-la? Comecei a atuar por que me pareceu uma boa coisa na época. Mulheres, dinheiro e viagens... Era o que eu queria. Mas eu não quis mais quando vi que podia ser diferente e que eu não queria aquela vida pra sempre. Eu tomo minhas próprias decisões, mãe. Não é como se ela tivesse me enfiado num hospital e colocado um bisturi na minha mão.
- Isso é ridículo. Se ela é uma boa pessoa, por que você não a apresentou para nós?
- Por que vocês são as pessoas mais chatas que eu conheço. – Falei.
Carlisle abaixou o jornal pra me encarar. Não tinha muito que dizer. Eu já tinha dito a ele que ele era chato demais. Depois voltou a olhar o jornal.
- Parem com isso, vocês dois. – Disse simplesmente.
- Pode me dizer que loja é essa a qual você se referiu? – Esme continuou, me olhando séria.
- A das meninas... Rose, Alice e Bella.
- Sua garota trabalha numa loja? – Esme colocou tanto nojo na frase que eu quase desisti de comer.
Mas estava mesmo com fome, então dei uma dentada numa maçã.
- Ela é dona da loja, juntamente com Alice e Rosalie. Mas e se fosse só funcionária, faxineira ou qualquer outra coisa, o que você teria com isso? – Perguntei curioso. – É comigo que ela namora, não com você.
Namora... Namorou... Namorará... Sei lá, tá foda.
- Edward! Não fale assim com sua mãe. – Carlisle disse, tirando o jornal da cara e me olhando bravo. – Já deu! Já podem parar com essa discussão sem sentido.
Toda a força do meu ser foi usada na tentativa de não revirar os olhos. Por esse motivo, as outras possíveis ações intuitivas não foram controladas.
- Sem sentido? Nem sei como você pode estar prestando atenção no que estamos falando. Você sempre sai como se não tivesse interesse no assunto. Não venha com essa pra cima de mim, nem deve saber do que estamos falando, então se meta com seu jornal.
Adeus paciência. Adeus fome. Bem... Adeus paciência de Carlisle também.
- O que é isso? Que desrespeito é esse, Edward Cullen? – Carlisle aumentou o tom da voz, colocando o jornal sobre a mesa.
É, adeus paciência de Carlisle mesmo.
- É a réplica do desrespeito que eu recebo de vocês. – Eu retruquei sério, largando a maçã e me levantando da cadeira. – Depois vocês reclamam que eu vivo longe de vocês. Já pararam pra pensar que vocês podem ser o problema, e não eu? Que tal se vocês cuidassem das próprias vidas em vez de tentar deixar a minha no perfil Cullen? Que inferno.
E eu saí da cozinha, batendo a porta da sala e andando pra longe da casa. Achei um táxi vazio no caminho e pedi que ele me levasse até a casa de Emmett, torcendo pra que ele estivesse sozinho por lá. Jasper com certeza estava com Alice.
Mas Emmett estava sozinho. Por sorte, eu diria.
- Edward! – Emmett gritou, batendo a mão com força nas minhas costas quando me abraçou. – Que bom que veio aqui, cara. Nem sabia que já tinha voltado.
- É, nem eu sabia quando ia voltar. – Apontei para o carro que tinha acabado de deixar. – Paga meu taxi?
O sorriso de Emmett desapareceu e ele me olhou com cara de bunda.
- Tá sem dinheiro?
- Aham.
- Por que não passou no banco antes de vir pra cá?
- Por que senão eu teria que pagar o táxi, mané. – Eu revirei os olhos.
Emmett pagou o taxista mantendo a cara de bunda.
Fui até o volvo prateado na terceira vaga da garagem e alisei o capô polido. Saudades do meu filhote, das saídas com Bella, dos amassos com Bella no banco de trás. E da frente.
Depressão, angústia, viadagem.
- Chaves? – Perguntei.
- No contato.
- Ele está tão limpinho... Você não rodou com meu filhote, né filho da puta?
- Não, queridinho. – Emm revirou os olhos e me mostrou o dedo do meio. – Então, como foi a viagem?
Suspirei. Pensei nas respostas que tinha dado antes e optei pela sinceridade da minha confusão mental atual.
- Sei lá, cara. Minha vida era melhor antes dela, sinceramente. – Disse. Depois balanceei as brigas com Esme e retifiquei. – Ou em partes era melhor antes dela.
- Como assim?
- As coisas com Bella já não são as mesmas. E minha mãe conseguiu ficar ainda mais insuportável. – Bufei. – Cara, minha vida ficou uma confusão fodida.
- Ok, acho que isso merece uma cerveja.
Se você é um bom apreciador de cervejas, ficaria louco com a quantidade e variedade das que Emmett mantêm na geladeira.
- Não sei se dá pra voltar a ser o que era antes com Bella. Eu consegui magoá-la demais. – Comecei, deixando a cerveja gelada levar o gosto das torradas para longe.
- Por que, o que você fez? – Ele perguntou. Ergui uma sobrancelha. Demorou algum tempo até que ele se lembrasse, balançando a cabeça positivamente. Ele pareceu bravo de repente. Nervoso. Eu ia apanhar, deu pra perceber. Memória de bosta e bipolaridade. – Você a trocou por Tanya antes de viagem e durante a viagem né? Você é muito canalha, cara. Se não fosse meu amigo, te enchia de porrada, na boa. Nem te oferecido minhas cervejas. Na verdade, se eu tivesse lembrado disso antes, não teria te convidado pra entrar em casa e teria quebrado seu carro todo. Muito filho da puta você. Destruiu Bella por uma foda com aquela loira lá. Que vacilo, velho. Bella estava numas que achei que ia pras drogas sabia? Tipo, além do cigarro e da bebida em baladas.
Eu o encarei por um minuto, em silêncio. Caralho, alguém ia acreditar em mim um dia?
- Você é tão bom amigo quanto Jasper. Só faz a porra toda ficar ainda pior na minha cabeça. Dá pra me dar o direito de dar minha visão da história? Velho, não teve foda nenhuma com Tanya. E eu não troquei Bella por ninguém.
- Não teve? - Emmett parou de beber a cerveja e me encarou, erguendo as sobrancelhas.
Contei a ele o que disse a Jasper e Bella, e o que tinha acontecido entre nós no seu apartamento. Lembrei do nosso beijo e me amaldiçoei por ter viajado e toda a porra da história que me impedia de beijá-la de novo agora, na hora que eu quisesse, de poder abraçá-la e vê-la sorrir quando me via. Agora só havia aquela tristeza e decepção... Socorro, estou virando um personagem do Sparks.
Ele terminou a garrafa de cerveja e pegou outras para nós, mesmo que a minha ainda estivesse na metade da primeira.
- Se eu fosse mulher, não acreditava em você. – Ele disse, sincero. E bem mais calmo. Ainda bem. – Não me olha assim. Tô falando sério, cara. Mas olha... – Emmett abriu a segunda garrafa dele, apontando o indicador pra mim. – Eu acredito em você. E também entendo que Bella não consiga acreditar na história. Acho que foi uma cagada do destino que vocês vão ter que superar. Vocês se amam no final das contas, não é?
Que Emmett compreensivo era esse agora? Seria efeito da bebida? Tentei evitar olhá-lo como se ele fosse a pessoa mais bipolar que eu conhecia.
- Ela não confia em mim. – Voltei a minha cerveja. – E é o que eu mais quero dela, por que sei que ela me ama. E eu a amo também. Caralho. Você sabe que eu não ficaria assim por uma mulher. Bella mexe comigo de um jeito diferente.
- Sei que Bella te ama. É por isso que ela está sofrendo. E sofreu pra caralho. Não sabe quantas coisas ouvi de Rose sobre as investidas dela e de Alice pra fazê-la parar de fumar, ou tentar sair com ela pra algum lugar. – Ele bebeu, olhando pro nada. – Quando conseguiram, Jacob fez a cagada e fodeu tudo de novo. Mas até que ela melhorou depois de um tempo.
Opa. Como esse cachorro molhado parou na conversa?
- Jacob fez o quê?
- Você sabe, ele a beijou do nada, no sofá dela. Foi num dia que ela voltou meio bêbada pra casa. – Emmett riu. E eu controlei o jato de vômito que subiu pela minha garganta, num bolo de ódio e torradas bem pesado. – Eu pagava pra vê-la vomitando.
Ele falou em vomito? Não o meu, certamente.
- Como assim? – Perguntei confuso.
- Ué, eu ouvi dizer que assim que ele a soltou, ela vomitou. Imagina a cara dele. – Emmett gargalhou alto, perdendo o fôlego. – Ai... Velho... Hilário demais.
Um sorriso involuntário calou meu estômago e cessou meu ódio. Aquele papo de gostar do beijo era mentira? Bem, menos mal. Agora eu só precisava terminar o assunto de vez quebrando o nariz dele. E tomando outras medidas de prevenção de memórias.
- Mas ela ficou triste por que eles brigaram. Jacob disse umas merdas pra ela por que você era um babaca e ela continuava presa a você. Coisa assim. Rose que me disse. Eles eram amigos mesmo, mas agora... – Ele deixou a frase sem fim, balançando a cabeça negativamente.
Três metros de homem e uma língua mais afiada que as fofoqueiras de programas ruins da TV.
- Mas vocês vão se resolver. Eu até ajudo, se puder.
- Onde você ficou tão fofo, amigável e sensível? – Ergui uma sobrancelha, rindo.
- Culpe Rose. – Emm alisou os poucos cabelos da cabeça. – Essa mulher tá me coisando de um jeito...
Segurei o riso e me perguntei se fiquei tão exposto assim quando estava com Bella.
Nostalgia saudosista. Vou morrer, preciso dessa mulher.
- Do que você está falando? – Dispensei os meus pensamentos.
- Estou a ponto de fazer algo que... – Ele balançou a cabeça, fazendo o sinal da cruz. – Depois eu conto. Vou rezar antes pra ver se não é doença... Mas vai, aproveita que estou amaciado e descarregue mais ladainha em mim. Me conte da sua mãe.
Terminei mais duas garrafas de cerveja contando a ele sobre todas as nossas brigas. Ele só disse alguns palavrões e continuou bebendo.
Em algum momento o rumo da conversa mudou e começamos a falar de outras coisas. Esportes e carros. Emmett me contou sobre sua série de TV e me contou outras coisas, hm, interessantes. Acabamos voltando ao assunto Rose/Bella e eu fiquei depressivo.
Era o fato impossível de ser ignorado: eu precisava de Bella. Demais.
- Sei como é. Rose faz isso também. Mulheres.
Não, mulheres não. Bella. Aquele corpo, o jeitinho... Eu adorava quando ela ficava corada. E mordia o lábio. E os dois ao mesmo tempo. E quando ela me olhava por baixo dos cílios. Como quando nos beijamos ontem e ela era pura perfeição nos meus braços, mas tinha os olhos tristes e... Alerta de socorro novamente. Eu sou um personagem do Sparks.
Puta que pariu, tem algo no meu olho. Nos dois olhos, merda. Funguei e bebi o resto da garrafa.
Bella, volta pra mim.
Que humilhante.
- Quer um miojo? –Emmett perguntou, olhando para o teto. – Cara, acho que tô precisando de óculos. Minha visão tá toda... – Ele mexeu as mãos para o teto, como se aquela fosse a explicação de como sua vista estava. –... Sabe?
- Você está bêbado, Emm.
- É, talvez eu esteja. – Ele concordou, balançando a cabeça como se eu tivesse dito algo profundo e filosófico.
Comecei a rir. Mas fiquei com vontade de chorar e parei. Isso não estava legal.
- Você está bêbado também. Não sai dessa casa enquanto não estiver melhor. Sabe, descarregado de energias negativas e pensamentos ruins.
Quando eu estava pensando em ir embora, ele me vem com essa frase. Suspirei, resolvendo ficar mais um pouco. Meu celular tocou, e eu fiquei parado no lugar, olhando o número desconhecido. Podia ser Esme me ligando pra encher o saco, não podia? Parecia telefone fixo...
- Alô? – Atendi, caprichando na voz de tédio.
- Doutor Edward? – Perguntou uma voz masculina conhecida.
- Quem é?
- Eric, doutor.
Não disse nada. Estava a ponto de desligar o telefone, quando ele começou a falar de novo.
- Doutor... – Ele fez uma pausa antes de diminuir o tom. – Eu conheci alguém que tem um vídeo daquele dia. Você sabe, do dia com Tanya... Ele disse que pode provar que foi armado. Mas olha, ele cobrou bem caro por ele... Eu estou aqui no hospital no caso do senhor estar inter...
- Qual o nome? – Perguntei.
Eric deu o nome de um hospital não muito longe e eu desliguei, pensando em como iria embora sem Emmett pegar no meu pé.
- Emmett? – Chamei. Ele estava quase caindo no sono ali mesmo na cadeira. Falei a primeira coisa que veio na minha cabeça – Me arranja uma toalha? Seca, de preferência.
Emmett me encarou, tentando manter os olhos abertos antes de se levantar e ir para a sala, sussurrando "toalha seca" repetidamente.
A bebida me deixou um pouco lento, mas eu consegui me levantar e sair antes que Emmett parecesse estar voltando.
E foi assim que eu peguei o volvo e fui embora.
Bella's POV
Era estranho ser escoltada no carro da polícia com Alice ao meu lado. Quem olhava de fora, achava que nós éramos bandidas, provavelmente. Batedoras de carteiras, ladras de banco, assassinas, sei lá...
Harry era levemente familiar e com ele havia mais um policial. Armados e com cara de mau.
Quando chegamos ao hospital, o carro da policia, o de Jasper e o de Esme, pararam no outro lado da rua e todos desceram correndo para ir à recepção.
A mulher nem exigiu que fôssemos próximos dele. Acho que foi por causa dos policiais.
Havia um corredor que levava a uma ala cheia de cortinas verdes, onde os pacientes do pronto socorro ficavam para ser atendidos, ou esperavam para se recuperar. Ela nos apontou uma fechada largada num canto bem isolado. Parecia ser um espaço que estava completamente vazio, mas pelo som que vinha de lá, isso obviamente não era verdade.
Esme puxou a cortina e nós encaramos de onde os roncos vinham.
Primeiramente Edward tampou o rosto com os braços.
- Meu Deus, de onde vem essa luz? – Murmurou meio bêbado, ou talvez sonolento.
Bêbado? Ah é, ele vinha da casa de Emmett. Parecendo ter o mesmo pensamento, Esme, Carlisle e eu o encaramos. Emmett deu de ombros e eu voltei a olhar para Edward.
Certo, ele não parecia mal. Ou pelo menos não estava enfaixado como eu achei que estaria. Sangrando, fraturado ou qualquer algo assim. Na verdade ele só tinha um curativo no lado esquerdo da testa e um risco vermelho debaixo do nariz, de onde eu acho que tinha saído sangue. Um alívio estranho acalmou meu coração descompassado.
Edward tirou os braços do rosto devagar e começou a nos encarar. Primeiramente aos policiais. Ele franziu as sobrancelhas e continuou vagando os olhos por Alice, Jasper, Emmett, Rose, eu e seus pais. Ele ficou sério, depois voltou a franzir as sobrancelhas em confusão, alternando o olhar entre mim e seus pais. Depois simplesmente fechou os olhos e balançou a cabeça.
- Puta merda. Tô tendo alucinações. Foi pior que eu imaginei. – Ele tocou o curativo na testa. – ENFERMEIRA!
- Enfermeira, seu desgraçado! – Eu desci a mão no seu braço. – Já tá pensando em mulher, seu puto!
- Quê isso? – Esme me encarou como se eu fosse um urso batendo num pobre gatinho indefeso. Atrocidade, violência gratuita a um menor. Agarrou Edward e alisou seu cabelo repetidamente. – Filhinho, você está bem? O que aconteceu hein?
- Edward, será que você pode nos dizer onde esteve o tempo todo? – Carlisle soou nervoso. Edward nem ligou.
- Bem... Acho que nosso serviço acaba aqui. – Os policiais disseram. – Bella, se precisar de qualquer coisa... Qualquer coisa... – Eles olharam Edward – De qualquer natureza, avise-nos.
- Certo, muito obrigada. – Eu os cumprimentei rapidamente. – Muito obrigada mesmo.
- Eu acompanho vocês. – Jasper gentilmente os conduziu para fora do hospital.
- Aquele policial me olhou com uma cara... – Edward comentou, se afastando da mãe gentilmente. – Ele é amigo do seu pai?
- Como... Como sabe? – Estreitei os olhos.
- Vai por mim, havia uma mensagem no olhar dele. Tenho quase certeza de que seu pai vem atrás de mim. – Edward se sentou na cama, segurando a cabeça. – Eu estou bem, mãe. Já pode parar de tentar dividir meu cabelo com as mãos.
- É, esse penteado não combina com ele. – Alice murmurou.
Esme não ouviu. Ainda bem. Ela era barraqueira.
- Sabe que horas são? – Eu comecei. – São cinco e vinte da manhã, Edward!
Ele pareceu confuso.
- E o que vocês estão fazendo aqui?
- Salvando sua vida! – Alice dramatizou.
- Nós estamos procurando você desde as três e meia da tarde de ontem, cara. – Emmett começou. – Você picou a mula da minha casa do nada.
- Foi? – Ele forçou a memória.
- Pobrezinho, não lembra de nada. – Esme deixou a mão em seu rosto.
- Nós estávamos bebendo, você recebeu uma ligação, pegou o carro e sumiu! Puff. – Emmett disse. – Nós tivemos que chamar a polícia por que ninguém conseguia te achar.
- Eu... Estacionei o carro em alguma vaga e saí pra achar Eric... Daí veio essa bicicleta maldita que surgiu do inferno e me atropelou. Pra desviar e evitar o estrago eu me joguei pro lado, mas não vi o poste enorme que estava ali e... Consegui um corte na testa e um nariz sangrando. Bati a testa também. – Ele a tocou, como se tivesse percebido a dor só agora.
- Devia estar em observação, não largado, dormindo. – Carlisle pareceu bravo.
- Ok, então o que Eric... Eric você disse, não? O que ele queria. – Rose perguntou.
- Ah! – Ele gritou. Desceu da cama num pulo e se ajoelhou aos meus pés. – Eu precisava falar com você! Você tem que me ouvir, Bella. Por favor, me dê uma chance.
De repente todos estavam me olhando. E o olhar de Esme parecia ter vinte quilos a mais. Meu estômago fez um looping com direito a volta de ré.
- Edward, por que você não ficar sentadinho na cama, hã? – Eu tentei erguê-lo, mas ele ficou parado e puxou minhas mãos, as segurando.
Minhas bochechas começaram a queimar. E bastante. Alice engasgou uma risada e Rose a puxou pra fora com Emmett, que reclamou algo sobre querer ver o que ia acontecer.
- Eu recebi uma ligação! Foi Eric, ele... Ele me chamou por que tinha uma boa notícia pra mim. – Edward tirou algo do cós da calça e colocou nas minhas mãos. Um case de CD. Legal. Músicas para um momento como esse. – É um vídeo. Pra você acreditar em mim.
- Ok... Mas que tal nos contar isso sentado? – Ele continuou ajoelhado e eu sussurrei o mais baixo que pude – Mais um segundo ajoelhado e sua mãe começa a me bater.
Ele encarou seus pais por alguns segundos antes de se levantar. Dividiu um olhar com eles que era completamente alheio a mim. Corei mais ainda. Eu era obviamente algo que trazia tensão ao três.
Quis enterrar o rosto na terra, sair correndo, ou pedir desculpas por algo que fiz ou falei, sei lá. Mas Edward disse algo a tempo.
- Bella, esses são meus pais. Esme e Carlisle Cullen. – Ele disse carregando a voz numa teimosia tediosa de um garoto de nove anos. – Mãe, pai, essa é Be...
- Já fomos apresentadas. - Esme cuspiu, cortando o que ele dizia.
Um silêncio se instalou. Um assunto incompleto, não concluído e de opiniões diferentes. Eu estava sobrando na briga.
- Bem... – Comecei, sem conseguir a atenção de ninguém. – Eu já fiz a minha parte, então... Estarei lá fora, ok? Ahm... Tchau.
E fugi antes que Edward tentasse me impedir. Fui atrás de Jasper e o resto da gangue, sentindo CD que Edward me dera pesar nos dedos.
Boa noite! Como vão vocês?
Eu estou bem. E por isso trouxe um capítulo novinho para recompensar o tempo sem postagens. Sem desculpas hoje, juro.
Vocês ainda estão aqui? Podem me dizer o que acharam do capítulo? hahaha
Tenham em mente: eu demoro, mas apareço.
Obrigada pelo apoio de sempre.
XxX,
