BOA LEITURA, LINDEZAS!
Verde-Musgo
Poderia dizer que abracei aquele homem ou até mesmo que senti raiva ao ponto de querer gritar. Poderia dizer que sentamos em um café e conversamos sobre o passado. Eu poderia dizer muitas coisas e nada seria verdadeiro. Porque o que realmente aconteceu, foi que ele me deu um cartão com telefone e endereço, disse que não tinha muito tempo antes de pegar o avião para Londres, mas que estaria ao meu dispor.
Isso.
Só isso.
Frustrante, eu sei. Depois de tantos anos, finalmente conheci o homem que ajudou a me fazer. O mesmo homem por quem minha mãe morreu, literalmente, de amores. Mas fazer o quê? Éramos adultos com compromissos.
Eu tinha uma menininha adormecida em meu carro e precisava pegar a estrada para Nova Iorque. Já Edward Masen, aparentava ser um homem tão rico quanto Renée. Provavelmente estava à negócios em Jacksonville e tirou alguns minutos para ir ao cemitério. Bom, não importava.
Já dentro do carro, a caminho de uma nova vida, olhei o cartão mais uma vez antes de guardá-lo. Quem sabe um dia eu ligo?
Aumentei um pouco o volume da música, mas não o suficiente para acordar Summer, enquanto acelerava.
Morar em Nova Iorque era outra rotina completamente diferente de morar em Hanover. A cidade que não dorme, que é agitada, cheia de múltiplas culturas. Eu não podia dizer que era ruim. O fluxo me deixava com uma excitação de estar, enfim, andando para frente. A única coisa que nos faltava era Bella. Essa que eu não deixei de procurar, mas também não priorizei a procura. Summer era minha prioridade e não seria nada fácil se adaptar em uma cidade nova.
Tive a ajuda de Alice para encontrar uma casa que coubesse no meu orçamento e que fosse confortável para minha filha. Alice podia ser mil e uma coisas, porém, ela era uma amiga excepcional que sabia exatamente o que precisávamos.
— Alice, não sei mais o que fazer para te agradecer. Essa casa é fantástica! Summer simplesmente está encantada com tanto espaço.
A baixinha apenas sorriu toda orgulhosa de si, dando um tapinha em meu ombro.
— Tudo pela minha afilhada e pelo meu amigo.
Tudo estava se organizando. Meu novo trabalho era exaustivo, devo admitir, pois eu tinha apenas os fins de semana com minha Summer – o que deixei como regra –, mas havia um leque muito maior de possibilidades na profissão. Já Summer ficava com a babá a maior parte do tempo.
Summer estava se adaptando e eu também. Todavia, nem tudo era lindo.
Renée estava excessivamente querendo me contatar. Ela infernizava a vida de tia Esme atrás de informações minhas, além de ameaças. Aquela mulher realmente queria tirar a guarda da minha filha, o que eu nunca deixaria, nem por baixo do meu cadáver.
Entretanto, eu não era idiota. Ela era a advogada do diabo, nunca tinha visto a derrota como advogada. E, além de tudo, era influente. Como eu teria chances contra aquela mulher?
Então, em um dia que eu não sabia mais o que fazer além de rezar para que Renée não nos encontrasse, eu vi algo chamar a minha atenção. Era o cartão do meu pai jogado em algum canto. Eu andava tão cansado que nem lembrava mais que o tinha conhecido. Mas olhando aquele cartão, uma luz se acendeu aos pouquinhos.
Em um súbito, eu liguei.
Ele atendeu. Escutou-me. Houve silêncio por algum tempo de ambas as partes. Pude escutar o barulho de crianças brincando ao fundo. Seriam meus irmãos? Sobrinhos? Eu não sabia. Tudo o que importava era se ele estaria ali, ao menos uma vez na vida, por mim.
— Não se preocupe – ele disse, depois do que pareceu horas, em vez de alguns segundos. – Te darei a minha proteção... e o meu nome.
Fitei o chão da minha sala, segurando o choro. Não queria acordar Summer que dormia tranquilamente em seu quarto.
— Muito obrigado – mal sussurrei de tamanha emoção. – Ela é tudo para mim.
— Edward... – pausou após um pigarro. – Eu não fui o melhor homem para Lizzie. E com certeza não fui o melhor pai para você. – respirou fundo antes de continuar. – Isso o que me pede, é o mínimo de tudo que posso te dar. Sempre estarei em falta com você. Só... Só não erre como eu errei. É o único conselho de pai que te darei, se é que tenho direito de te dar um.
— Eu não sei o que realmente aconteceu entre você e minha mãe – comecei. – E apesar de ter passado anos odiando o amor que ela tinha por você... Eu juro de todo coração... Que qualquer dívida que você pense que tenha comigo, ao ajudar que eu tenha a minha filha ao meu lado, ela estará quitada eternamente.
— A sua filha estará sempre ao seu lado, eu te prometo.
Agradeci mais uma vez antes de ouvi-lo dizer que estaria vindo para Nova Iorque o mais rápido que conseguisse, para resolver o que ele intitulava como "fazer papel de pai".
Nunca pensei que um cara aleatório – não tão aleatório assim, já que era meu pai – que iria me ajudar em um momento e procedimento tão delicado. Eu já estava acostumado a ruínas. Parecia que quando melhorava, vinha uma onda e jogava tudo para longe de novo. Porém, finalmente senti alívio em questão a Summer não ser tirada de mim. Não seria bom para ela. Não seria bom para Bella, onde quer que ela estivesse. Elas eram mãe e filha. Mereciam ser tratadas como tal. Não seria Renée que mudaria isso e eu estava grato por Edward Masen proteger meu bem mais precioso.
Foi assim que estreitei meus laços com meu pai, que acrescentei um sobrenome tanto no meu nome quanto no de Summer. Foi assim que consegui sentir o gostinho da vitória quando recebi uma ligação de Renée dizendo que não entraria com nenhum processo de guarda, contanto que não expusessem que Bella era mãe.
Foi assim que me tornei alguém mais confiante.
Para minha filha.
E, para minha Bella.
Nunca desisti de procurá-la e nem desistiria. Minhas buscas sempre terminavam em uma Isabella Swan qualquer que não era a minha. Se é que eu poderia chamá-la de minha ainda. Provavelmente ela ainda não se lembrava de mim ou da nossa filha.
Um certo alívio me tomava quando eu pensava que ela esqueceu toda e qualquer dor que tenha sentido antes do acidente, mas ao mesmo tempo, sei que é mais egoísmo meu, por não querer um dia ver o olhar, que sei que ela daria, acusador contra mim. De qualquer forma, eu não era a parte importante da equação, mas sim uma menininha que toda noite pedia para que eu lesse um livro, pois sentia que a mamãe estava ouvindo também.
Mais de um ano se passou.
E em um dia qualquer de trabalho, onde eu estava tranquilo até, só esperando que o fim do dia chegasse para que eu pudesse levar minha princesinha para jantar seu macarrão com queijo preferido, que meu coração parou mais uma vez.
— Eu quero meu papai. Chama meu papai, moço. Tá doendo. – choramingou uma voz que era inconfundível.
Summer.
Meu coração voltou tão rápido quanto parou, que quando eu vi, eu já estava ao lado da minha pequena, segurando a mãozinha dela enquanto ouvia que havia ocorrido um incêndio na escola.
Por dentro, eu estava um caos, querendo saber quanto mais eu teria que pagar pelos meus pecados. Eu aceitaria de braços abertos qualquer labareda que aparecesse, contanto que minha filha continuasse intacta. Mas deveriam ter me dito que o mundo não é justo.
Por fora, eu era a calma em pessoa. Tudo fingimento.
— Eu cuido dela de agora em diante. Obrigado – acenei agradecido enquanto avaliava cada mínimo detalhe de minha filha.
— Qualquer coisa é só chamar, Dr. Masen. – disse um dos enfermeiros antes de sair.
Assenti meio distraído.
Cuidei de Summer, fiz exames e a deixei quietinha na cama somente quando eu tive certeza que ela estava ao menos sem dores fortes, para poder pegar gelatina para ela.
— Hey, cara. Vai ficar tudo bem, ela é uma menina forte.
— Emmett, eu pensei que teria um infarto – comentei podendo respirar aliviado.
Ele apertou meu ombro de leve.
— Imagino! Ainda bem que a professora dela voltou lá para salvá-la. Falando nisso, pensa numa gata! Deixei que ela fosse visitar sua filha, ela estava muito preocupada.
— Fez certo. Devo a vida de Summer a ela. – falei e então ergui o potinho de gelatina de uva. – Preciso levar isso para minha fominha.
— Vai lá, cara. Estou dando uma ronda por essa cantina, sabe? – então olhou de esguelha para a Dra. Carmen.
Ri, balançando a cabeça. Emmett não tinha jeito e, por incrível que pareça, ele me lembrava do meu "eu" adolescente. Esse grandão era algo entre uma criança na alma e um adolescente nas atitudes.
Deixei ele com a paixonite da vez para ir encontrar meu bebê.
— Summy, papai conseguiu a gelatina de uva que você pediu – eu disse enquanto abria a porta do quarto em que ela estava.
Então ergui meus olhos e vi o paraíso.
NOTA DA AUTORA:
Meninas, me perdoem pela demora. Viajei no feriado e fiquei sem notebook. Mas e ae? Todas as dúvidas sanadas sobre o passado? Porque de agora em diante... temos apenas o presente hahahaha
