Capítulo 28 - Hogwarts
- Merlin, Merlin, Merlin! Só eu sei o quanto estive preocupada! – Falou Alice quase chorando quando saiam da aula de poções.
- Agora você já pode se acalmar meu amor... – Falou Frank num tom tranqüilizador fazendo a morena sorrir para ele.
- Eu já começava a acreditar que elas tinham morrido na floresta...
- Deixa de ser idiota Rabicho! – James censurou e completou a bronca dando um tapa na cabeça do pequeno maroto.
Chegaram em frente ao retrato da mulher gorda e Sirius se manifestou pela primeira vez desde que soube da notícia.
- Pontas, é melhor a gente ir contar pro Remus.
Gwenda contraiu a expressão ao ouvir o nome do maroto.
- Quer ir também, Gwen? – Perguntou James.
A garota balançou a cabeça e entrou no salão comunal sem falar nenhuma palavra.
- Não força, James... – Alertou Alice.
- Tudo bem. É melhor irmos então.
- O que vamos falar? – Lucy perguntou em sussurros enquanto esperavam o diretor chegar.
- Eu pensei nisso e acho que o melhor é contar a verdade, toda a verdade, desde a noite em que desaparecemos.
A loirinha olhou de soslaio para McGonagall conferindo se a professora não estava mesmo prestando atenção nelas.
- Nem tivemos tempo de falar com a Lice ou com os marotos. E se eles tiverem contado uma versão diferente?
- Vamos pedir desculpas por eles dizendo que a intenção era nos proteger de alguma penalidade.
- Se Dumbledore não decidir nos mandar direto para um hospício...
A conversa foi interrompida pela chegada do diretor. Ele sorriu o máximo que pôde quando constatou que as duas estudantes estavam bem.
- Tenho a impressão que vocês têm muita coisa pra me contar... – Falou ele sentando em sua cadeira de frente para as alunas.
- Temos sim, professor. – Falou Lily.
- Minerva, pode me deixar a sós com elas?
- É claro, Albus.
- Espero que o senhor possa acreditar na gente... – Comentou Lucy quando McGonagall deixou a sala.
Os olhos do diretor brilharam bondosamente por trás dos óculos meia-lua.
- Falem tudo o que acharem necessário.
Lily assentiu e começou a contar a história de tudo que ela sabia. Que estava com James fora da escola (monitorando), que viram duas pessoas saindo do castelo e decidiram segui-los, que chegando lá Remus já estava transformado e que Sirius tentava conter a fera.
Lucy contou como foi parar lá. 'Eu sei que não tinha permissão pra estar fora da escola e sei também que devo ganhar uma detenção por isso' falou a loirinha compreensiva. Contou sobre o contato que fez com Remus e mais uma vez pediu desculpas, pois Dumbledore já tinha lhe ensinado a não ficar 'vasculhando' a mente das pessoas. 'Mas como era um lobisomem...' ela completou observando um brilho divertido no olhar do diretor.
Lily assumiu a partir de então contando como tudo aconteceu rápido. Falou que não viu o que James e Sirius fizeram para se livrar do lobisomem, pois as duas saíram correndo assim que puderam sem olhar para trás.
Lucy sorriu aliviada por Lily ter protegido o segredo dos marotos.
- Papoula, eu sei que só podíamos voltar depois do almoço, mas precisamos muito ver o Remus. – Falou Sirius.
Madame Pomfrey já se preparava para iniciar seu discurso 'não permito em hipótese alguma visita fora de horário' quando James a interrompeu.
- Lily e Lucy apareceram.
- Ah! Finalmente. – A enfermeira exclamou feliz. – Sim, sim, podem entrar.
Ela os encaminhou até o leito de Remus.
- O que aconteceu? – Remus perguntou preocupado, estranhando os amigos ali pela segunda vez naquela manhã.
- As meninas apareceram. – Falou Sirius.
Remus inclinou a cabeça pra trás e soltou um suspiro.
- Graças a Merlin! E onde estavam?
- Ainda não tivemos tempo de conversar com elas. Pelo que o professor Slug nos contou, elas foram encontradas por Filch na orla da floresta proibida e McGonagall as levou direto pra sala de Dumbledore. – Respondeu James.
- E elas estão bem?
- Segundo o professor Slug, elas estavam sujas e com as roupas rasgadas, mas não estavam abatidas nem machucadas.
- Fico tão aliviado...
- Agora trate de descansar Aluado. – Falou James - Mais tarde elas vêm te visitar.
- Sei que parece fantástico demais... – Falou Lily mordendo o lábio inferior.
O diretor permaneceu em silêncio observando-as.
- Por favor, apenas prometa que nossa detenção não será muito dolorosa?
- Lucy... – Dumbledore sorriu e depois de uma pequena pausa, continuou. – Lembro-me como se fosse hoje, você sentada aí, nesse mesmo lugar, assustada e ao mesmo tempo extasiada por ter descoberto o seu dom natural de legilimente. E me lembro também de ter lhe pedido para usar esse seu dom em situações que realmente houvesse necessidade.
- Também me lembro disso...
- Eu te pedi isso, principalmente, para lhe proteger. Pode ser muito perigoso ter conhecimento do que se passa na mente de qualquer pessoa, seja ela sua amiga ou não. No caso do Remus, do Remus transformado, admito que sua idéia de fazê-lo lembrar de você ou de uma situação feliz era boa. Mas o risco que você correu não compensava de forma alguma essa chance, por maior que ela fosse.
- Mas eu não consegui pensar em mais nada! Ele quase atacou os meninos...
- E também quase atacou você. – Completou Lily recebendo um olhar de aprovação do diretor.
- Não quero mais que nenhuma de vocês corra esse tipo de risco desnecessário. É por isso que os terrenos de Hogwarts são proibidos para todos os alunos ao anoitecer. Isso inclui até mesmo os monitores-chefes.
- Me desculpe diretor. – Respondeu Lily quase da cor dos próprios cabelos.
Dumbledore aceitou o pedido de desculpas e sorriu para as grifinórias.
- Acredito que quanto a isso já estamos entendidos. Não vou lhes dar uma detenção porque acredito que tanto o susto quanto tudo mais que vocês passaram tenha servido como um aprendizado.
- Mas e...
- Quanto a Nárnia, Lily?
- Sim, Nárnia.
- Acho fabuloso que vocês tenham tido essa experiência tão fascinante ainda no início do ano letivo.
- O senhor quer dizer que acredita em tudo o que contamos sobre Nárnia?
- E porque duvidaria Lucy?
- Bom, por que... É uma história tão fantástica! Pensei que iríamos direto para o St. Mungus depois de lhe contar tudo.
Dumbledore riu abertamente.
- Na magia tudo é possível. E muitas verdades estão ocultas nas maiores loucuras, Lucy.
- Eu lembro disso! – A loirinha quase deu um pulo da cadeira. – O senhor me disse quando cheguei em Hogwarts esse ano.
- Que bom que ainda se lembra, apesar de ter sido há três dias atrás. Espero que tudo o que vocês vivenciaram em Nárnia possa ser útil para a vida de vocês daqui pra frente.
- Aprendemos muito mesmo professor Dumbledore. – Falou Lily. – E tenho certeza que conhecer Nárnia, Aslam e os quatro reis renovou nossas forças para lutar nessa guerra contra Voldemort.
- Com certeza. E temos alguém aqui em Hogwarts, Lily, que vai adorar conversar sobre Nárnia com vocês...
- Foi muito melhor do que eu imaginava! – Lucy comentou quando deixaram a sala de Dumbledore.
- Pelo o que o professor nos falou, hoje é sábado. E apenas os setimanistas têm aulas aos sábados...
Lucy estancou.
- Eu não acredito que você...
- É claro que não! – Lily riu. – Não estou com tantas saudades assim das aulas de Hogwarts!
- Ufa!
- Preciso encontrar a Dorcas, mas não sei se ela está em alguma aula.
- Daqui a pouco é hora do almoço, espera pra encontrar ela no salão principal. Eu agora vou correndo para a torre da Grifinória, estou morrendo de saudades das meninas!
- Só das meninas? – Lily sorriu maliciosa.
- Claro que não. Estou também com saudades do James, do Frank, do Sirius e principalmente do Remus. Estou tão preocupada...
- Ele ainda deve estar na enfermaria. Bom, vou seguir o conselho de Dumbledore e procurar o novo professor de DCAT.
- Diggory Kirke... Boa sorte ruiva.
As duas amigas se despediram e Lucy correu para a Torre da Grifinória. Foi recebida com muita festa por Alice, Frank e os marotos, James, Sirius e Peter. Mas sua principal recepção veio dos mais diversos olhares curiosos dos outros grifinórios.
- Você está horrível!
- Oh! Obrigada Sirius.
- Por onde vocês andaram todos esses dias? – Perguntou Alice, a mais aflita de todos os grifinórios.
- Basicamente, na floresta proibida.
- Basicamente?
- Sim. Não adianta James, eu não vou contar nada por enquanto. Preciso tomar um bom banho, trocar de roupa, almoçar e só então...
- O Remus está em cólicas esperando a visita de vocês. – Falou James.
- Nossa... Estou com tantas saudades do lobinho...
- Menos Lucy. – Alertou Sirius.
- É verdade, a Gwen pode se zangar. – A loirinha falou rindo, mas logo parou quando notou as expressões à sua volta.
- O que aconteceu? A Gwen está bem?
- Acontece que a Gwen está sem falar com quase ninguém. Não perdoa nem os marotos, nem você e a Lily por terem escondido dela que o Remus é um lobisomem. E não quer nem ouvir falar no nome dele.
- Eu não acredito nisso. Logo a Gwen?
- Nenhuma abordagem que nós tentamos deu resultado. – Explicou Sirius. – E o Remus fica cada dia mais preocupado com a reação dela.
- Vocês não contaram pra ele essa infantilidade da Gwen, contaram?
- Claro que não. – Falou James. – Eu espero que ela mude de idéia até quinta-feira quando ele volta da enfermaria.
- Vamos almoçar? – Perguntou Peter. – Estou morrendo de fome!
- E quando você não está com fome Rabicho? – Perguntou James e ele e Sirius resolveram descer para o salão principal.
- Eu vou subir... Depois eu vejo no que posso ajudar nesse caso da Gwen.
- Ela está lá em cima. Aja normalmente, como se não soubesse de nada. – Aconselhou Alice.
Lucy respirou fundo e subiu sem pressa para o dormitório feminino. Gwenda estava sentada na penteadeira quando a loirinha entrou.
- Olá Gwen!
- Ah, é você... – A morena respondeu com desdém.
- Sim, sou eu e estava morrendo de saudades! – Lucy mudou de atitude quando viu a expressão séria da amiga. – O que foi está se sentindo mal?
- Mal? Se ser traída por uma de minhas melhores amigas é se sentir mal, sim, estou.
- Do que é que você está falando?
- Do segredo do Remus. Eu nunca mais quero falar com ele e nem com você!
- O quê?
- É isso que você ouviu.
- Não é justo o que você está fazendo Gwen...
- É minha vida! – Gwen falou exaltada. - E eu ficaria feliz se você parasse de se meter!
- Você é minha amiga, e o Remus também.
- É tão minha amiga que nunca me contou sobre o risco que eu estava correndo.
Lucy estava pasma com o pensamento de Gwenda. Arregalou os olhos e falou pausadamente.
- Eu não tinha esse direito. Era o Remus quem devia te contar, eu não podia trair o segredo dele.
- Eu andava por aí de mãos dadas com um lobisomem. Eu... Eu... Eu beijei aquilo. – Falou Gwenda deixando a loirinha vermelha de raiva.
- Não fale assim dele! – Lucy elevou a voz.
- Eu falo como eu quiser! – Gwenda respondeu no mesmo tom.
- Não na minha frente. Eu nunca pensei que você pudesse ser tão preconceituosa!
- Ele poderia ter me matado.
- Mas não matou. Dumbledore providencia pra que ele seja afastado da escola no período de lua cheia.
- Aquela noite...
- Aquela noite você seguiu o Sirius porque quis. – Falou Lucy, a cada minuto mais nervosa e indignada com os rumos daquela conversa. - Ninguém teria culpa se tivesse acontecido alguma coisa com você!
- O Remus teria.
- Deixa de ser idiota! O Remus perde toda a consciência quando se transforma, não seria ele quem estaria te atacando.
- Pra mim dá no mesmo.
- Não faz isso com ele, Gwen. – Lucy abaixou o tom de voz - Espera ele se restabelecer, conversem... Ele gosta demais de você.
- Mas eu não gosto dele. – Gwenda respondeu pausadamente.
- Ninguém deixa de gostar assim... Da noite pro dia!
- Eu deixei!
Lucy passou as mãos no rosto, cansada, e Gwenda continuou:
- Não tenho coragem de fazer como você faz, ficar com alguém por pena.
- Eu gosto do Edgar! – Lucy respondeu brava e Gwenda arqueou uma sobrancelha.
- Gosta mesmo?
A loirinha deu um suspiro resignado e sentou na cama.
- Você tem razão eu não devia me meter nisso. Desculpa.
- Eu não posso continuar com ele. – Gwenda falou mais calma.
- Tudo o que eu queria era que você não o ignorasse... O Remus já tem um sentimento de rejeição muito grande por causa desse problema.
- Não me peça isso. Não agora.
- Ele já vai sofrer tanto...
- Não queira me responsabilizar por isso.
Naquele momento a porta do dormitório abriu dando passagem para Lily e Alice.
- O que está acontecendo aqui? – Perguntou a ruiva.
- A escola inteira estava escutando os gritos de vocês. – Alice completou.
- Se é assim que você quer, tudo bem Gwenda. – Falou Lucy ignorando o comentário das duas amigas – Só vou te lembrar de uma coisa: Foram pessoas preconceituosas como você que assassinaram seus pais. Não desça ao mesmo nível daqueles malditos Comensais.
- O quê?
- Você me entendeu. – Lucy respondeu séria e saiu batendo com força a porta do quarto.
O dormitório grifinório ficou num silêncio constrangedor após a saída da loirinha.
- Podemos saber o que aconteceu aqui? – Alice perguntou cautelosa.
- Nós discutimos. A Lucy é só mais uma que decidiu vir 'conversar' comigo sobre a doença do Remus. É engraçado como agora todo mundo resolveu falar sobre o problema. Enquanto eu era feita de palhaça...
Lily girou os olhos e interrompeu a amiga.
- Acho que vou tomar o mesmo rumo que a Lucy porque se eu ficar mais um minuto aqui você vai ser obrigada a ouvir mais algumas verdades sobre esse assunto.
- Vai me dizer também que eu estou errada?
- Não. Não penso que eu tenha o direito de te julgar. Mas acho que você deveria pensar sobre tudo o que a Lucy te falou.
- Era o que me faltava! – Gwen falou indignada enquanto via Lily sair do quarto, tão nervosa quanto Lucy. – Eu, a vítima, é que estou errada!
Alice achou que era melhor não falar que concordava com as duas outras amigas.
Lily saiu do dormitório direto para a enfermaria. Gostava tanto de Gwenda e jamais poderia imaginar uma atitude dessas da amiga. No caminho passou por vários estudantes que a olhavam curiosos, provavelmente considerando se algumas das histórias que ouviram eram verdadeiras.
Aproximou-se cautelosamente da área em que Remus repousava, temendo acordá-lo caso estivesse dormindo.
- Vim te fazer um pouco de companhia. – Falou ela sorridente se aproximando da cama onde Remus repousava.
Remus também sorriu ao avistar a amiga.
- Pensei que você e a Lucy tinham desistido de me visitar. Será que finalmente eu vou ter oportunidade de conhecer a verdadeira história sobre esse desaparecimento de dois dias?
- Ainda não... – Lily respondeu mantendo o sorriso. – Mas vai ter a oportunidade de conhecer a verdadeira história sobre a última revolução dos centauros.
- Revolução dos centauros?
- Sim. Estive conversando com o professor novo de Defesa Contra a Arte das Trevas e ele me contou uma história bastante interessante sobre um centauro apaixonado por uma humana... E como a jovem aprisionou o coração dele num vidro de formol.
- O que isso tem a ver com DCAT? – Perguntou ele surpreso.
A ruiva riu do interesse que conseguira despertar nele.
- Tudo! Posso te manter ocupado durante o resto do dia contando a história completa... Que tal?
Naquele momento os dois ouviram um rangido alto e demorado e desviaram os olhos para a porta da enfermaria que abria lentamente. Lucy tinha acabado de entrar, trazia uma pequena caixa vermelha e um ramalhete.
- Como você está Remus?
- Como você imagina que eu esteja?
- Péssimo?
Ele não respondeu, apenas abaixou os olhos.
- Aproveitando que a Lucy chegou eu vou até a sala dos monitores, preciso encontrar o Potter. - Falou Lily levantando da cama ao lado da de Remus e com um piscar de olhos para a amiga, deixou a enfermaria.
- Trouxe chocolates. Sempre me ajuda quando estou triste.
- Obrigado. – Falou Remus aceitando a caixa que Lucy lhe oferecia.
- Está sentindo alguma dor?
- Não, apenas culpa.
- Culpa pelo que?
- Eu poderia ter matado a Gwen.
- Todos nós que estávamos lá sabíamos muito bem nos defender.
- Eu quase te matei.
- Foi uma opção minha. Eu não precisava ter feito o que eu fiz.
- Você quis me impedir de atacar alguém.
- Quem te contou sobre aquela noite deve ter exagerado a meu respeito...
Remus sorriu.
- James e Sirius ainda estão pasmos pela sua coragem.
- Na verdade não foi coragem. Foi impulso. Quando vi você se aproximar dos outros a única coisa que pensei foi em chamar sua atenção.
- Quando eu me aproximei, você devia ter me azarado.
Lucy passou a mão de leve nos ferimentos dele.
- Está vendo isso? – Ela apontou para a ferida mais feia – Agora olha o meu braço. Olha o outro, minhas pernas, meu rosto. Está vendo alguma coisa parecida com os seus machucados?
- Não.
- Coloca uma coisa na sua cabeça, Remus. Você era o único indefeso naquela noite. Por mais apavorados pelo choque da descoberta que Gwenda, Alice, Frank ou Edgar pudessem estar, eles tinham uma varinha e uns aos outros. Mas não tinha ninguém por você lá, ninguém pra te defender.
- Mas eu podia ter matado qualquer um deles.
- Mas não matou, droga! – Gritou Lucy – Pára com essa mania de 'eu podia ter machucado', 'eu podia ter matado'...
- Senhorita Eyelesbarrow, se não parar de gritar vou ser obrigada a pedir que saia.
- Desculpe, Papoula. – Lucy sorriu amarelo e esperou a enfermeira sair. – Eu podia ter te matado várias vezes no ano passado em nossas aulas de DCAT, bastava a pronúncia errada de um feitiço e você virava pó.
- Seria um acidente.
- E você machucar alguém quando está transformado seria o quê? Um assassinato brutal, frio e metodicamente calculado?
- Grayback matou meu pai e eu não o perdôo.
- É completamente diferente. Era dia quando ele chegou à vila, Grayback estava transformado porque quis. Ele atacou você e seu pai por pura maldade.
- Se um dia que eu matar alguém, ou machucar algum amigo, não vou me perdoar nunca.
- Combinado então. – Lucy abriu um sorriso triunfante. – O dia que isso acontecer, você pode afundar em autocomiseração que eu não vou interferir. Mas enquanto esse dia não chegar você vai parar de ficar se culpando pelo o que 'poderia' ter acontecido.
Remus balançou a cabeça sorrindo.
- Você não existe.
- Eu sou sua amiga. É pra isso que eu sirvo.
- Prometa-me que vai se manter longe quando eu estiver transformado. Eu preciso da sua amizade por mais algumas décadas.
- Vou fazer o possível. – Ela respondeu risonha. – Essas flores são pra te alegrar um pouco. São encantadas, se você cuidar bem delas, vão durar enquanto formos amigos.
- Pra sempre?
- Eternamente.
- Ora, ora... Finalmente vou ter cinco minutos a sós com o senhor James Potter!
James levantou os olhos, surpreso.
Estava na sala da monitoria e, dessa vez, não era para cumprir detenção.
- Lily? – Ele abriu o maior sorriso que conseguia. – Eu sempre soubeque você sonhava em ficar sozinha comigo!
- Não seja bobo... – Falou a ruiva sentando de frente pra ele e arriscando um olhar curioso para os papéis que ele organizava. - O que você está fazendo?
- Cuidando da monitoria. Por nós dois, diga-se de passagem, já que você resolveu 'se ausentar' por dois dias inteiros.
Lily deu um meio sorriso. Não iria satisfazer a curiosidade dele contando onde esteve durante esse tempo.
- Espero que esteja fazendo direito.
- E estou. Ainda melhor do que você faria. – Ele a encarou com um sorriso divertido, esperando que ela explodisse e lhe dissesse uma porção de desaforos.
O que não aconteceu. Ela continuou encarando-o com um ar sério.
- O que você pretende fazer com o nosso segredo? É isso que você quer comigo, não é?
Ela sinalizou que sim.
- A Lucy me convenceu a pensar um pouco mais no assunto antes de entrega-los a Dumbledore.
- Nos entregar? – James deu um pulo da cadeira. - O que você ganha com isso? Nossa expulsão?
- Vocês é que deveriam ter pensado nisso quando se tornaram animagos ilegais.
- Você nem ao menos sabe o porquê de termos nos tornado animagos.
- Não sei? Será mesmo, Potter? – Perguntou a ruiva levantando da cadeira também, mas mantendo o tom calmo de falar. - Acho que não preciso forçar muito minha imaginação pra descobrir. Tanto você quanto o Black se acham os melhores em tudo o que fazem, aposto que fizeram isso só pra provar que nem mesmo as leis ministeriais intimidam vocês. O que eu acho um absurdo é o Remus encobrir isso. Logo ele que sempre foi tão sensato...
James estava boquiaberto.
- Li-droga, Evans, me escuta!
- Eu não tenho tempo pra sua conversinha fiada, Potter. Só queria te avisar pra tomar cuidado.
- Eu não acredito nisso. – O maroto passou as mãos pelo rosto, cansado. – Tudo bem Evans, faça como quiser, escreva hoje mesmo à Ministra da Magia, conte tudo a Dumbledore. Se for isso que vai te fazer se sentir melhor, faça! Só não queira bancar a arrependida quando formos expulsos e você descobrir a verdade.
Dizendo isso James virou as costas para Lily e saiu da sala dos monitores, deixando a ruiva completamente confusa.
Os dias seguintes passaram sem maiores acontecimentos apesar do clima tenso na Torre dos Leões.
James, ainda chateado, tinha decidido ignorar Lily completamente.
A ruiva estava agradecendo à Merlin, mas lamentava que uma coisa dessas não tivesse acontecido, pelo menos, uns três anos antes. Teria se livrado de muita chateação se o detestável Potter sempre mantivesse distância.
Lucy e Gwenda não se dirigiam a palavra e nem ficavam mais no mesmo ambiente. A morena ainda tentou puxar conversa uma ou duas vezes, mas Lucy se manteve firme em seu propósito de ser o mais desagradável possível com a companheira de dormitório. Mesmo com Lily buzinando em seu ouvido o quanto era importante manter a união nesse tempo de guerra.
- Vocês deveriam conversar e se entender. – Falou a ruiva enquanto se dirigia com Lucy para a primeira aula da quinta-feira. – Do jeito que essa guerra está tomando proporções homéricas, do dia pra noite a gente pode estar chorando a morte de uma de nós e se lamentando por termos sido tão duras em algumas situações.
Lucy girou os olhos e enrolou uma ponta do cabelo com o indicador.
- Tudo o que eu absorvi do seu discurso foi: - Seria ótimo que um Comensal da Morte ou o próprio Voldie encontrasse a Gwen por aí e mostrasse pra ela o quanto é bom tratar as pessoas com preconceito. Quem sabe ela não voltasse torradinha?
- Lucy!
- Estou falou falando sério. Hoje o Remus sai da enfermaria, você já pensou no quanto ela pode magoá-lo se fizer qualquer coisa precipitada?
- Já, já pensei. – Lily respirou fundo tentando imaginar a cena que teria que presenciar mais tarde no salão comunal. – E já pensei em mil maneiras de não deixar que eles fiquem cara a cara, mas...
- É meio impossível, não?
- É. O Remus vai querer chamar a Gwen pra conversar e aí... - Lily nem precisou completar seu raciocínio.
A ruiva entrou na sala de transfigurações com Lucy logo atrás de si.
- Eu preciso sentar com o Pettigrew, Lu. Ele está tendo dificuldades em transfiguração e a McGonagall me pediu pra ajudá-lo.
- Mas... – Lily nem esperou argumentação da amiga e foi se sentar com o pequeno maroto. Com um suspiro Lucy analisou suas possibilidades de duplas para aquela aula. – Snape, Emily Brent e... Gwenda.
A loirinha quase se arrastou até Gwenda. Será que essa era a melhor coisa que Lily conseguia pensar pra fazê-la voltar a falar com Gwen?
- Posso sentar aqui? – Lucy quase jogou seus materiais em cima da mesa.
Gwenda deu de ombros e não encarou a amiga.
- Se estiver tão sem opção assim...
- É, estou mesmo.
- Então senta.
Lucy sentou e organizou seus materiais enquanto esperava a chegada de McGonagall. Começou novamente a enrolar a ponta do cabelo com uma mão enquanto a outra ficava livre pra rabiscar um pergaminho em branco.
- Vamos ficar assim até quando? – Lucy perguntou de repente.
- Até você se conformar que eu não quero mais nada com o Remus.
- Na verdade o Remus é quem não deveria querer alguém como você. Minha única preocupação é você fazer alguma grosseria por causa de um problema que não é culpa dele.
Gwenda ficou um tempo em silêncio.
- Se é só isso, pode ficar despreocupada... – Ela falou lentamente. – Eu pensei no que você me falou e acho até que tem razão, em partes.
- Não vai falar pra ele aqueles absurdos que eu fui obrigada a escutar? – Lucy perguntou num misto de alívio e êxtase.
- É óbvio que não. Só vou precisar de um pouco de tempo pra ter certeza do que eu quero. Todo mundo pensa: 'coitado do Remus e o seu problema', ou 'como a Gwenda é insensível', mas será que ninguém pensa que eu estou assustada? Que eu tive medo? Que ninguém espera que seu namorado se transforme num lobisomem uma vez por mês?
Lucy sorriu constrangida.
- Olha, eu pelo menos nunca pensei por esse lado...
- Eu estou arrependida por aquela nossa discussão. Não vou mentir pra você, eu realmente quis falar tudo aquilo porque era absolutamente o que eu estava sentindo. Só que me arrependi porque percebi o quanto te magoei, o quanto magoei a Lily. E então fiquei imaginando que para o Remus seria ainda muito pior saber o que eu estava pensando...
A conversa das meninas foi interrompida por McGonagall que entrou na sala cumprimentando os alunos. A professora movimentou a varinha e o quadro-negro se encheu de gráficos e teorias.
- Hoje nós vamos continuar as revisões gerais, abordando as principais matérias do primeiro até o terceiro ano.
Enquanto a diretora da Grifinória escolhia alguns alunos para exemplificarem as transfigurações, Lucy jogou um pedaço de pergaminho na mesa de Gwenda.
' - Me desculpa por ter sido tão abusada?'
' - Sim. Estamos quites. '
Lucy sorriu e apontou a varinha para o pergaminho transfigurando-o num pássaro de papel.
N/a:
Eu consegui!!! \o/\o/\o/\o/
Foi difícil, mas... Estou aqui como prometido!
A Lucy estava um pouco estressada nesse capítulo, não? Mas é que ela não gosta de injustiça e é intrometida por natureza... Mas não fiquem com raiva da Gwen (confesso que durante a discussão delas até eu fiquei com vontade de matar a minha P.O., mas já passou... rsrs), ela só está um pouco confusa! E se ela desistir do Remus o caminho fica livre pra Lucy ficar com o lobinho porque eu desconfio que essa paixonite da loirinha pelo Sirius é só fachada pra ficar com o amigo dele... huahauhauhauha
Bom, eu já vou... Hoje tem formatura da minha maninha (minha caçulinha) e essa casa tá uma correria só...
Quero deixar um beijo mais do que especial pra todos que leram o capítulo e aos que comentaram principalmente, foi muito gratificante saber que vocês também não me abandonaram!! BaBi Bouvier (que bom que gostou, eu também fiquei com muita dó do Grande Rei, mas... A Lily é do James, né? rsrs Beijinhos!!), -Laura- (Lindinha, você ainda lê ABA! Você sabe que adoro quando você vem comentar! Pelo menos o Dumbby já acreditou, não? hehe Beijos!!), Miss Moony (Oi flor! Que bom que você entendeu minha demora, é realmente difícil às vezes... Bom o James já apareceu hoje, mas já brigou com a Lis... Só que não vai demorar tanto pra eles se acertarem, ok? hehehe Eu que adoro suas reviews, lindinha! Um beijo enorme!), Cin (Oh! Obrigada, tinha escrito com 'm' por engano... Beijos), Tahh Halliwell (Estou viva!!! huehueheu Nossa, se você já estava brava com a Gwen, imagina depois desse capítulo? hahaha Obrigada por entender minha demora, não pretendo repetí-la nunca mais rsrs. Nhaim, me derreto com seus elogios... hehe Beijo enorme lindinha!!), Miss Huyu (Oh, obrigada! Que bom que gostou, vejo que a demora não foi em vão! huahuaha. Sim, eu li e adorei. Você já leu? É porque não quero estragar a surpresa de ninguém, mas DH me emocionou muito! Vou te add no msn sim! Um beijão!), .-.-Snake´s Princess-.-. (Nossa! Muito obrigada! Fico felicíssima em saber que gostou, de verdade. E também de saber que estou perdoada! heheh Um beijão!!), Mrs.Na Potter (Oi florzinha! Que bom que você apareceu! Estava com tantas saudades, comigo está tudo ótimo e com você? Vou esperar seu comentário sim! hehe Um beijo enorme linda!).
É isso. Agora eu vou mesmo!
Vou fazer de tudo pra voltar em uma semana! Beijos enormes!
