Nota da Autora: Esse capítulo trata-se todo sobre terapia e situações sexuais que podem deixar algumas pessoas desconfortáveis (sem estupro ou abuso sexual - apenas Tanya sendo a vadia que ela é). Eu acho que a maioria de vocês descobriu que Tanya tirou vantagem de Edward de alguma forma. E sim, Edward tinha somente 17 anos. Não chamem a polícia para mim, é apenas ficção (e é triste dizer que isso é mais comum na vida real do que nós, pais, queremos saber).

Capítulo 29: Devagar podia ser igualmente satisfatório

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Música sugerida - Doctor's Orders - Beres Hammond

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EPOV

Eu realmente não queria fazer isso.

Por mais que Esme esperasse que isso ajudaria, agora que estou sentado numa pequena sala de espera, prestes a falar sobre minha perversão, eu estava reconsiderando.

Eu estava indo melhor.

Eu ainda pensava em Bella constantemente, em cada posição que um dia já vi num pornô, mas eu reduzi para genuínas oito vezes ao dia.

Isso tinha que ser normal para um cara da minha, certo?

Então, eu não precisava realmente estar aqui.

Inclinei-me para frente, com os braços apoiados fortemente nos meus joelhos, tentando me acalmar. Eu sabia que estava me iludindo. Ontem foi prova suficiente de que eu precisava de ajuda. Após deixar Bella em casa, eu tinha me escondido no meu quarto e não conseguia parar de repetir nosso almoço juntos, encenando cenários diferentes com ela invés da minha rejeição estranha.

Eu estava atrasado para o jantar.

Eu teria que trocar os meus próprios lençóis.

Eu ficaria com a carne-viva por uma semana.

Eu estava doente. Eu precisava de ajuda.

A única graça salvadora era que Carlisle não veio comigo para essa consulta.

Às vezes era legal que ele trabalhasse tanto quanto o fazia.

"Sr. Cullen?"

Meus olhos estalaram para cima, para a enfermeira na porta. Ela sorriu e gesticulou para eu entrar. Eu tinha certeza que ela sabia exatamente porquê eu estava aqui.

"A médica estará aqui em apenas um momento," a enfermeira explicou quando entramos num consultório bem mobiliado. "Você pode sentar-se no sofá se quiser."

Eu a agradeci silenciosamente e respirei fundo quando ela fechou a porta.

O sofá parecia muito confortável.

Eu sentia que precisava de uma cadeira dura de aço para sentar.

Com as mãos nos bolsos, desviei para a parede de fotos e vários diplomas na parede ao lado da mesa. Há várias fotos de um homem e uma mulher, posando na frente de pontos de referência, me contando que eles viajavam um monte. O homem era alto, com um cabelo loiro ondulado e um sorriso arrogante em um número delas. A garota na foto com ele era minúscula comparada à ele, com o cabelo preto intenso e olhos brilhantes. Na maioria das fotos, o homem estava olhando-a, quase possessivamente. Ela o segurava perto, e o sorriso dela estava cheio do que somente podia ser descrito como energia e animação.

Parecia que o bom médico gostava de mulheres pequenos e enérgicas.

*No inglês, não existe a forma feminina de médico. Então, todos lá são "doctors" e o Edward achava que seria o médico e não a médica.

No entanto, ele não parecia como um médico comum. Ele parecia bem pés no chão, frequentemente de jeans e uma camisa de botões, enquanto ela se vestia impecavelmente.

"Nós gostamos de viajar."

Eu giro ao redor pelo som da voz de uma mulher.

Lá na entrada estava a mulher pequena e com cabelo escuro das fotos.

Meu estômago se revirou.

"Você… você é a médica?" Gaguejei.

Eu não conseguia fazer isso!

Não com… ela!

Ela sorriu facilmente e fechou a porta atrás dela, acenando com a cabeça enquanto lentamente fazia o caminho até mim. Na mão dela havia um arquivo grosso que eu conhecia muito bem.

A vergonha era completa.

"Eu sou a Dra. Alice Brandon-Whitlock, Edward," ela disse simplesmente esticando a mão para mim. "Mas você pode me chamar de Alice ou de Whit."

Engoli em seco e dei um passo para trás, evitando a mão dela.

"Não posso," inspirei.

Ela acenou com a cabeça e virou na direção da mesa dela, jogando o arquivo na mesa.

"Eu posso entender, Edward. Eu disse ao Carlisle que seria difícil para você me ver. Ele pareceu concordar. Para começar, estou com medo de que é por isso que levou tanto para você vir aqui," ela explicou, ficando de pé ao lado de sua cadeira.

Dei uma olhada para a porta, pensando apenas em ir embora. Eu não podia falar com uma mulher sobre os meus problemas.

Não com Esme.

Não com essa moça.

Bella.

Suspirei e olhei de volta para a mulher. Eu teria que falar com Bella sobre isso.

Se eu não conseguia falar com uma estranha sobre isso tudo, como eu podia contar à Bella?

Ela iria perder suficiente do bom senso como isso era. Sabendo o que eu era.

"Por que não sentamos e apenas conhecemos um ao outro, Edward?" ela disse, me tirando dos meus pensamentos frenéticos.

Ela deslizou em seu assento atrás da mesa e gesticulou na direção do par de cadeiras na frente da mesa, sorrindo educadamente. Ela esperou pacientemente enquanto eu deliberei. Quando ela não me pressionou à ir além, eu lentamente me movi até a cadeira, sentando desajeitadamente na cadeira estofada.

Ela colocou uma mão sobre o arquivo com o qual tinha entrado e me observou enquanto eu fiquei tenso pelo pensamento dela lendo-o.

Ela me surpreendeu quando o jogou na lixeira trituradora.

Bem, para ser claro, ela teve que fazer isso em três ou quatro passadas.

Era bastante grosso.

Quando o motor parou de triturar, ela olhou de volta para mim e sorriu.

"Eu quero que você esteja confortável enquanto está aqui, Edward. Nós não precisamos trazer aquilo à essa sala. Você e eu temos um novo começo," Ela disse, com seus olhos penetrando nos meus de tal forma que eu tinha certeza que ela conseguia ler minha alma, todas as minhas transgressões passadas, e do que eu era capaz.

Eu tentei tirar meu olhar do dela, mas era difícil por quão forte ela parecia, sentada ali atrás de sua mesa.

Eu queria não gostar dela como eu não gostava de Carlisle. Mas ela era nada como ele.

Ela não tinha julgado. Ainda.

Ela tinha olhos compassivos.

"Você o leu?" Perguntei, olhando o arquivo destruído.

"Carlisle insistiu que eu o pegasse, mas posso te garantir que além do que Carlisle mencionou brevemente pelo telefone na semana passada quando marcava a consulta, eu sei nada sobre você," ela respondeu. "Eu não quero o diagnóstico desajeitado de outra pessoa confundindo o meu."

Minha página estava limpa com ela. Ela tinha apagado a humilhação que tive que aguentar durante as sessões com Carlisle. Eu senti um pedacinho de esperança de que essa médica pode de fato me escutar, e me ajudar.

"Então, como fazemos isso?" Perguntei baixinho, minhas mãos impacientes no meu colo.

"Que tal algumas perguntas simples primeiro, assim posso começar a te conhecer?" Ela sugeriu e pegou um caderno novo para escrever.

Franzi o cenho e olhei para os meus joelhos, acenando com a cabeça rigidamente.

"Então, você está no último ano do ensino médio em Forks?" Ela perguntou.

Acenei com a cabeça.

"Eu me mudei para cá apenas há alguns meses também. Demora um pouco para se acostumar com essa cidade, mas as pessoas são legais," ela comentou casualmente.

"Você é próximo de Carlisle?" Perguntei, desconfortável por ela conhecê-lo e possivelmente compartilhar qualquer coisa que ela soubesse com ele.

"Ele e eu trabalhamos aqui no hospital, mas eu não o conheço intimamente," ela respondeu e se inclinou para frente. "Edward, eu quero garantir que você entenda que qualquer coisa que você compartilhar comigo aqui nunca sairá dessa sala. Só porque ele é o seu pai, ele não opina sobre como eu te trato. Você está a salvo aqui."

"Como você escolheu essa carreira?" Perguntei, olhando de viés para ela. Ela parecia muito sofisticada para morar em Forks. Ela se vestia bem, num terno de negócios que ocultava sua figura, mas ela ainda conseguia ser bonita.

E, estranhamente, eu não fiquei excitado por ela. Nem mesmo um pouco.

Isso era novo.

Ela sorriu e olhou para as fotos novamente, com seus olhos desfocados por um momento como se ela estivesse sonhando acordada.

"Meu marido e eu precisávamos simplificar nossas vidas. Ter um pouco de distância de coisas que somente podem te machucar. Às vezes, o mundo pode ser muito distrativo, sabe?"

Isso era verdade, Forks tinha sido bem entediante, pelo menos até um par de semanas atrás.

"Você não vai me perguntar sobre o meu vício?" Perguntei cautelosamente.

Ela colocou seu queixo em sua mão e deu de ombros.

"Você quer falar sobre isso agora?"

Quanto mais cedo nós lidarmos com isso, mais cedo eu podia estar com Bella. Acenei com a cabeça novamente e me mexi no meu assento, me preparando para as perguntas inevitáveis.

Quantas vezes por dia, como eu lido com os pensamentos, quais são os meus gostos…

"Então, me conte sobre sua infância," ela disse, ao invés daquilo. "Carlisle me informou que você é adotado."

"O que eu ser adotado tem a ver com querer sexo o tempo todo?" Perguntei, confuso.

Ela se encostou em sua cadeira.

"A maioria das compulsões que temos como adultos vem de algo da nossa infância," ela explicou. "Pode ser que algo do seu passado modelou sua visão do agora. E se conseguirmos identificar isso, nós podemos lidar com quaisquer preocupações que você tenha."

Eu pensei imediatamente em Tanya.

Ela tinha dito algo assim também. Porque eu nunca tive uma mãe de verdade, eu tinha que encontrar algo para preencher o lugar de uma mãe. Isso, é claro, tinha se tornado no relacionamento que eu e ela tínhamos. Ela tinha sido quem estava no controle.

"Minha mãe morreu quando eu tinha quatro anos, meu pai antes de eu conseguir lembrar," murmurei.

"Você teve um lar adotivo estável para ficar depois disso?"

Balancei minha cabeça.

"Eu entrava e saía do cuidado adotivo por um tempo antes de Carlisle e Esme me adotarem."

Ela acenou com a cabeça e continuou a escutar.

"Não era como se eu fosse uma criança ruim," continuei. "Eu era apenas… sensível."

"Você pode explicar isso?" Ela perguntou gentilmente.

Franzi o cenho e olhei para o meu colo novamente.

"Eu precisava sempre ter algum tipo de contato. Minha mãe tinha me mantido próximo quando ela estava viva. E os abraços dela faziam com que eu me sentisse seguro. Eu acho que tinha muitos pesadelos quando criança. A maioria dos pais adotivos não tinham o tempo de cuidar de mim tanto quanto eu queria, então eu ficava chateado. Rasgar as coisas, chorar um monte."

"A afeição tátil é necessária quando criança, Edward. Especialmente quando eventos traumáticos acontecem com uma tão jovem. Então como seus pais adotivos te ajudaram com isso?" Ela perguntou.

"Esme era como minha mãe," respondi suavemente e sorri pela lembrança do meu primeiro encontro com ela. Ela não conseguia parar de me abraçar.

Ela fez com que eu me sentisse seguro novamente.

"Então o que aconteceu uma vez que você foi adotado?"

"Eu não entendo," eu disse.

Ela se inclinou para frente de novo e pensou por um momento antes de falar. "Você conseguiu o carinho que precisava uma vez que foi adotado?"

Eu não tinha pensado muito sobre isso. Eu assumi que tinha conseguido. Certamente de Esme.

Mas agora que ela tinha perguntado, notei que uma vez que tivemos que nos mudar para o Alasca quando eu tinha treze anos, Esme tinha começado a trabalhar de novo, e Carlisle nunca estava em casa. Emmett tinha sido adotado brevemente depois de mim, o que diminuiu meu tempo sozinho com meus pais. Com o trabalho, nós éramos frequentemente deixados com babás.

E elas eram novas demais para entender porquê eu precisava de carinho.

"Não estou culpando Esme," eu disse após ter explicado meus pensamentos.

"Não é culpa de ninguém, Edward," ela disse de forma confortadora.

"Tanya tentou culpá-la," eu disse, minha respiração saindo com um pouco mais de dificuldade enquanto lembrava das conversas com Tanya. "Tanya sabia o que eu precisava."

"Quando você começou seu relacionamento com Tanya?"

"Foi no ano passado, antes do Natal. Minha namorada da escola tinha terminado comigo, então eu estava chateado. E Tanya estava lá para mim," respirei, com memórias claras como cristal me inundando.

Esme estava trabalhando até tarde. Carlisle não estava em casa. Emmett estava no treino. Eu estava sozinho.

E Tanya tinha vindo em casa para pedir algo emprestado. Eu nem mesmo lembro o que era. Ela tinha vindo em casa, e eu estava chateado. Ela sabia o que eu precisava.

"Eu só precisava de um abraço, sabe?" Eu disse. "E ela me deu isso. Eu fui aquele que tentou levar isso mais além."

Ela era bonita, e era mais madura do que as garotas da escola. Ela entendia o amor. E ela estava disposta a me ensinar. Eu nunca tinha sido bom em me explicar para garotas da minha idade. Tanya entendia.

"Tanya te ofereceu algo que mais ninguém podia."

Acenei com a cabeça, envergonhado. Ela tinha sido a primeira mulher a me ver como um homem, e a primeira a me tocar daquele jeito.

"Quando a necessidade ao toque se tornou sexual?"

Corei e fiz movimentos inquietos na minha cadeira.

"Antes disso," eu disse e olhei de relance para ela. "Eu fantasiava muito. O tempo todo. Na escola, em casa, em qualquer lugar na verdade. Eu gostava de me tocar quando não conseguia ganhar o carinho dos outros."

"Quando isso começou?"

Engoli em seco e me contraí. "Eu comecei isso antes de ser adotado."

Ela acenou com a cabeça.

"Isso é muito comum, Edward. Especialmente para alguém que necessita de carinho físico. Quando isso foi além da fantasia?"

Pensei sobre a primeira vez que Tanya se aproximou de mim.

Foi um mês após o nosso primeiro encontro, numa festa para Carlisle, celebrando a promoção dele. Ela tinha se aproximado de mim bem do lado de fora da casa, protegida pela noite. Um beijo, e então minhas mãos desajeitadas nela. Ela tinha me contado naquela noite que ela iria me mostrar como fazer isso certo.

Os meses que seguiram abriram meus olhos para coisas que eu nunca tinha pensado antes.

"Você está confortável discutindo essas coisas hoje?"

Soltei uma longa respiração e acenei com a cabeça. Essa médica tinha um jeito de tirar informações de mim que não chegou nem perto de ser tão vergonhoso quanto tinha sido com Carlisle.

"Ela gostava das coisas de um jeito específico. Muito controlado," murmurei, envergonhado. "Haviam regras que eu tinha que seguir. E castigos."

Dra. Whitlock sentou um pouco mais ereta em sua cadeira.

"Ela te controlou? Você foi o Sub dela?"

"O que é isso?" Perguntei.

Ela se ajeitou em seu assento e sorriu gentilmente para mim.

"Um Sub é um submisso de um dominador. O Dom é o que faz as regras, dita o que você é permitido a fazer, e exige com frequência que o prazer do Sub seja controlado pelo Dom. O Submisso deve fazer qualquer coisa que o Dom peça para satisfazê-lo."

"Hum, então eu acho que sim," eu disse, relaxando um pouco com sua explicação fácil.

Ela parecia muito mais instruída do que Carlisle. Eu não tinha ideia que havia um nome para o que eu era.

"Por quanto tempo você foi o Sub dela?"

"Até o Carlisle descobrir, por cerca de três meses," respondi, fechando meus olhos tentando e desejando que a lembrança fosse embora.

"Ela te tratava bem?"

"Hum, eu realmente sentia falta de ser tocado. Ela não deixaria eu me tocar e ela não me tocaria à menos que eu a satisfizesse primeiro. Minha liberação era minha recompensa. E a maior parte do tempo era gasto com ela, e depois eu tinha que ir para casa," expliquei, franzindo o cenho por quanto ela desfrutava disso e eu era deixado na vontade.

Eu não tinha pensado assim até agora, quando essa médica tornou tudo mais claro.

"E então Carlisle descobriu," ela instigou.

"Ele nos flagrou," murmurei.

A única vez que ela tinha permitido que eu assumisse o controle, amarrando-a e esperando muito que dessa vez eu podia fodê-la. Ela nunca tinha deixado antes. Contando-me que eu precisava ganhar isso e que eu ainda era muito inexperiente. Que eu precisava fazê-la implorar por isso.

Eu tinha, finalmente, conseguido-a nesse ponto.

Com a camisinha, meus nervos em agitação pela ideia da minha primeira vez e eu estava me movendo sobre seu corpo acorrentado quando a porta abriu.

E a vida tinha mudado para sempre.

"Carlisle tinha um direito de ficar chateado, mas não com você, Edward. Ela não devia ter te apresentado à essa área do sexo com seu estado emocional. Dominadores devem cuidar de seus Submissos. Não explorá-los."

"Como você sabe todas essas coisas?" Perguntei, curioso pelo seu conhecimento disso. Carlisle não tinha entendido. E ela parecia tão blasé com isso.

Como se fosse uma conversa normal.

Ela riu e balançou a cabeça.

"Eu tenho que saber essas coisas a fim de te diagnosticar," ela respondeu, sorrindo.

Ela diferente demais de Carlisle.

"Portanto, isso não foi perversão então? O que nós fizemos?" Perguntei, nervosamente.

Ela levantou suas sobrancelhas perfeitas e soltou uma respiração audível.

"Isso não é anormal num relacionamento sexual sadio, mas você tem alguns problemas que ela devia ter levado em consideração. E você era jovem demais. Quantas relações sexuais você teve antes dela?"

"Hum," resmunguei. "Ela teria sido a minha primeira. Eu não namorava muito. Garotas da minha idade me deixavam nervoso. Elas não me entendem."

Ela ficou em silêncio por um longo minuto.

"Então, todo seu alívio sexual aconteceu com você sozinho?" Ela perguntou gentilmente. Eu estava envergonhado demais para dizer qualquer coisa, então apenas acenei com a cabeça.

"Tanya já fez isso para você?"

"Às vezes," respondi, franzindo o cenho. "Na primeira vez que eu estava com ela, mas então ela impôs as regras dela depois disso. Ela preferia assistir eu me masturbando ou só simplesmente me enviava para casa para eu fazer isso lá."

"E agora que você está longe dela, você achou fantasias mais salientes para te satisfazer?"

Ajustei-me de novo na minha cadeira. Estávamos finalmente chegando na pior parte da discussão.

"Eu costumava pensar em Tanya, mas não penso mais," respondi, desconfortável.

"Você vê outras pessoas em suas fantasias? Parece que você não tende a generalizar mulheres como objetos sexuais. Você não namorou desde que esteve aqui?"

Balancei minha cabeça e limpei a garganta. Eu somente pensava em uma mulher agora.

"Mas você pensa em sexo ao ponto de se distrair?"

Acenei com a cabeça.

"E isso te incomoda suficiente para ter a coragem de vir aqui."

Suspirei e assenti com a cabeça, esperando pelo prognóstico nefasto.

"Você quer parar, mas ainda se satisfaz mais do que algumas vezes por dia," ela simplesmente afirmou.

Suspirei e esperei pelo olhar acusador, o sermão.

Nenhum dos dois vieram.

"Edward, quero que você entenda que enquanto eu tenho preocupações sobre sua frequência na masturbação, estou menos inclinada a pensar que você precisa de algo tão drástico como uma medicação ou terapia intensiva, como Carlisle sugeriu de início," ela disse, me observando com uma aparência preocupada.

Pisquei pelas suas palavras.

"Portanto, eu sou normal então?" Perguntei, a esperança florescendo.

Ela fechou o caderno que ela praticamente ignorou enquanto conversávamos. Ela bateu nele algumas vezes antes de falar.

"Edward, você é um homem jovem de dezoito anos que fez algumas coisas com as quais muitos homens crescidos nunca nem sonharam. E isso te deu um apetite razoavelmente considerável, se me permite. Mas você também gasta tempo demais pensando em sexo, mesmo para a sua idade. Com sua necessidade por toque físico para aliviar seu estresse, você suplementou isso com o auto-toque e fantasias sexuais. Sem uma parceira para compartilhar quaisquer experiências afetuosas, isso te causa mais estresse na sua psique. O que então precipita sua necessidade de se tocar. É um ciclo vicioso."

"Então, se houvesse alguém," eu disse, pausando com medo de que ela diria que eu não podia me envolver com qualquer pessoa.

"Bastante francamente, estou mais preocupada por você não ter uma namorada do que em relação à frequência de suas atividades," ela respondeu. "Tenho uma sensação que as coisas seriam mais maleáveis se você estivesse num relacionamento amoroso, estável e monogâmico."

A resposta dela me surpreendeu. Isso significava que ela pensava que eu podia ter um relacionamento com Bella?

"Há essa garota," comecei, sentindo meus lábios se curvarem para cima num sorriso pela ideia de que eu podia, talvez, ser mais para Bella.

Ela sorriu novamente, batendo em seu caderno de novo.

"Muito bom! Por que você não a chama para sair e então podemos conversar sobre isso no sábado? Eu ainda acho que te faria bem voltar e falar comigo um pouco mais, e trabalhar um pouco da sua história para que você possa olhar à frente dessa parte da sua vida ao invés de ficar envergonhado por isso."

"Você acha que consigo apenas me encontrando com você uma vez por semana?" Perguntei.

Ela riu e acenou com a cabeça.

"Eu acho que você apenas precisa de uma orientação imparcial e talvez alguns objetivos que você precisa definir, Edward," ela disse, sorrindo. "Eu posso te ajudar com isso se você for me permitir."

"Então está tudo bem ter uma namorada?" Perguntei novamente, querendo ter certeza.

Por que Carlisle tinha me negado isso se me ajudaria?

"Eu acho que é seguro, Edward. No entanto, talvez eu tentasse manter isso na primeira base no primeiro encontro, certo?"

Levantei lentamente com ela, meu sorriso escapando de mim.

"Tentarei."

Ela deu a volta na mesa e apertou minha mão, olhando para mim com aquele sorriso agradável.

"Isso é tudo que você pode fazer, Edward. E saiba que talvez essa garota possa, talvez, te oferecer o carinho que você precisa, independentemente de quão longe vocês forem," ela disse. "Um abraço às vezes é mais satisfatório do que sexo. Experimente abraços primeiro, certo?"

Eu não conseguia obrigatoriamente concordar com a lógica dela de abraços versus sexo.

Um fazia com que eu me sentisse seguro.

O outro?

Eu não tinha ideia, mas tinha um sentimento que seria incrível compartilhado com Bella.

Talvez isso não estivesse tão distante como eu achava que estaria.

Eu não podia esperar para vê-la.

E tocá-la sem culpa dessa vez.

Eu saí do consultório me sentindo melhor do que me sentia há um longo tempo.

E sorrindo enquanto dirigia em direção à casa de Bella.

Agora o único obstáculo era tentar contar para ela porque eu sentia que precisávamos desacelerar, quando repentinamente tudo que eu queria fazer agora era acelerar.

Eu tentaria ir devagar.

Sorri enquanto estacionava na casa dela.

Devagar podia ser igualmente satisfatório.


N/T: Olá! Esperam que tenham gostado e entendido um pouco da história de Edward... O que vocês acharam dessa história da Tanya e com o Edward?

Agora vamos esperar que a Bella consiga entender, não é mesmo?

Deixem seus comentários, isso me incentiva a traduzir!

Beijos, Gui.