Autores: Kaline Bogard e Felton Blackthorn
Título: Chizuru
Beta: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação:18 anos
Gênero: um pouco de tudo
Observação: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita
Chizuru
Kaline e Felton
Capítulo XXIX
Prelúdio não orquestrado
Não era Neville Longbottom que subia ao palco, revelando-se o anfitrião da noite.
Era Baltazar.
O Ministro da Magia.
Draco perdeu a ação por alguns segundos. Para sua sorte o homem não dera sinais de tê-lo notado sentado mais ao fundo. Pelo contrário, a autoridade máxima do Ministério conversava com outra pessoa que Malfoy conhecia muito bem: Bellatrix Lestrange.
O homem falava e gesticulava, parecendo dar instruções. Sua tia apenas ouvia, sem desviar os olhos da face do Ministro em momento algum.
Draco, por sua vez, alternava as íris grises entre a cena sob o palco, as pessoas que começavam a tomar assento e o guarda-chuva encostado na parede. Já ativara o feitiço e houvera tempo o bastante para que seu marido fizesse a passagem. Aquilo só podia significar uma coisa: feitiços protetores que impediam qualquer pessoa sem o selo das trevas de entrar ali. Sabiam que era uma possibilidade.
Engoliu em seco.
Assim que fosse notado, não apenas por Baltazar; mas por Bella ou um dos convidados estaria encrencado. Não teria como escapar, já que sua passagem se perdera com o desaparecer da peculiar cera negra.
O que faria?
Coragem não era um dos pontos fortes de Malfoy. Justiça fosse feita: ele até pegara alguma das características Gryffindor que tão fortemente caracterizavam Harry... Impulsividade suicida não era uma delas, obrigado.
Mas que opções tinha?
Seria descoberto e estaria em maus lençóis. Se tentasse uma investida inconsequente colocava não apenas a si, mas aos reféns em perigo. Sua intuição apurada dizia que Shiroyama estava por ali, em algum lugar junto com as demais criaturas levadas. E Draco tinha um senso forte de responsabilidade não apenas com o japonês, mas com a criança ainda não nascida e que corria um risco assustador naquela noite.
Engoliu em seco com mais dificuldade.
Os olhos de tom mercúrio voltaram a fixar-se no guarda-chuva, como se com isso pudesse fazer Harry e os demais surgirem no meio da sala para ajudar no resgate.
Nada aconteceu.
Todos os convidados já estavam acomodados. Plaquinhas mágicas surgiram sobre as mesas cobertas com toalhas brancas. Elas seriam usadas para dar os lances milionários. O silencio pairou sobre o salão quando o Ministro da Magia tomou a frente do palco, enquanto Bellatrix se afastava para o fundo, e limpou a garganta chamando atenção das bruxas e bruxos milionários ali presente.
Malfoy sentiu seu coração disparar. Um gosto amargo tomou conta de sua boca. Estava sozinho. Estava maldita e completamente sozinho! O reforço não viria. A magia do leilão era forte demais para permitir a chave de portal ou aparatação.
O que ele faria?
Desespero fez com que se paralisasse na cadeira. O coração parecia bater na garganta. Fazia tempo que não sentia tanto medo!
Em vão tentou se acalmar: era um professor de Hogwarts, por Salazar! E, pelas barbas de Merlin, era uma das autoridades em feitiços modernos! Não estava indefeso. Em menor número? Sem duvida. Mas não era mais um garoto indefeso e desesperado para proteger os pais.
Era um homem.
E algo que aprendera com Harry Potter era a coragem de enfrentar as consequências de seus atos.
Muito estava em jogo. Muito. A vida de Shiroyama Yuu. A vida de uma criança inocente que carregava no ventre. O futuro de Takashima Kouyou e todos os demais integrantes da banda japonesa. O futuro de Draco Malfoy e Harry Potter. A posição de Hermione Weasley que tanto fizera para ajudá-los. A participação traiçoeira de Baltazar em todos aqueles crimes.
Sim.
As peças do destino haviam se encaixado pouco a pouco graças a cada uma de suas ações desde que enviara aquela maldita poção até o Quinto dos Infernos e por cada decisão tomada desde então.
Não havia espaço para hesitar ou se arrepender.
Mal pensando no que fazia, ficou em pé.
Baltazar, que acabara de abrir a boca para começar o discurso de boas vindas, arregalou os olhos surpreso com a presença de Draco Malfoy. Ninguém sabia como, mas os convites eram enfeitiçados e automaticamente enviados para as famílias tradicionais sem que precisassem fazer nada. Se esquecera de que os Malfoy eram uma dessas famílias... Evidentemente Draco estaria ali.
Bellatrix também viu o sobrinho. E ela era muito mais rápida na resposta do que Baltazar. A varinha surgiu em suas mãos como se estivesse ali desde sempre. Mas o professor também sacou a sua igualmente veloz.
Eles apontaram as varinhas um contra o outro, causando assombro entre os bruxos que ainda não entendiam o que acontecia.
Surpreendentemente o primeiro feitiço da noite não saiu da ponta da varinha de Malfoy nem de Lestrange. Ou de alguém ali dentro, pois a parede oposta ao pequeno palco explodiu, lançando pedaços de concreto e poeira para todos os lados, enquanto um grande buraco surgia.
Harry Potter foi o primeiro a passar pela improvisada abertura. Seguido pelo casal Weasley, Severus e os remanescentes da Ordem da Fenix.
E então o caos.
Como previsto os convidados do leilão, ao ver o Menino Que Venceu invadir a sala, trataram de tentar salvar o próprio traseiro e escapar do lugar onde seria realizado o leilão das trevas. Com a parede destruída, os feitiços de proteção foram desativados. Eles podiam desaparatar dali para algum lugar seguro.
Alguns bruxos surgiram com as varinhas em mãos. Eram a defesa do Ministro e partiram para o ataque contra os invasores. Draco ficou tão aliviado com a chegada, apesar de não compreender como fora possível, que quase voltou a sentar-se.
Só não o fez por que viu Harry lhe encarar e gritar algo que pareceu com "vai", mas que foi abafado pelos gritos de pânico, cadeiras arrastadas e correria.
Feitiços atravessavam de um lado para o outro. Draco entendeu o que o auror tentava dizer. Reuniu forças para disparar em direção ao palco. Desviou de um estuporante por pouco. Usou um dos modernos para afastar os bruxos que atrapalhavam seu caminho.
Quando alcançou a pequena estrutura, Baltazar e Bellatrix já não estavam mais lá. Não se importou, Harry e os outros cuidariam da dupla. Isso se eles não tivessem fugido já. Afinal, sua tia era uma mestra na arte do escape.
Assim que colocou o pé sobre a estrutura de madeira, Malfoy sentiu a ondulação da magia. Havia um feitiço ali. Um rustico, apenas para encobrir a passagem. Bastou um simples finite encantatum para por fim ao disfarce.
Os olhos grises se arregalaram ao notar o alçapão surgindo no assoalho. De repente foi dificil até engolir, apenas de pensar que a angustia daqueles últimos meses chegaria ao fim. Shiroyama estava ali. Ele tinha que estar ali.
Erguendo a cabeça Draco observou ao redor. Os seguranças estavam em uma luta furiosa contra os invasores. Não sentiu perigo imediato contra si. Por isso segurou na alça redonda e abriu o alçapão.
Lá dentro estava escuro.
– Lumus.
A luz clareou todo o piso inferior, uma espécie de porão ligado ao palco por três pequenos degraus. A primeira coisa que viu foram as grandes estruturas, objetos maiores do que si, em formato retangular e cobertos com panos escuros.
Receoso, Draco aproximou-se do primeiro. Seu coração galopava no peito. A mão tremia, porém agarrava a varinha com força, pronto para disparar um feitiço e se defender, se fosse necessário.
Virou a cabeça de lado e observou a entrada, ninguém viera atrás de si. Ainda era seguro. Voltou a olhar o retângulo oculto mais próximo. Passou a língua pelos lábios ressequidos. Subitamente se tornara muito difícil engolir.
O que quer que fosse aquilo era maior do que os outros. Bem maior.
Os dedos longos da mão esquerda se fecharam sobre o tecido negro. Draco hesitou por um instante... um milésimo de segundo antes de puxar o pano e descobrir-se frente a frente com uma jaula feita de barras de ferro protegidas com magia. E dentro, deitada no fundo da improvisada cela, estava um animal maltratado, no entanto ainda fabuloso. Tão lindo que fez os olhos de Malfoy marejarem só de pensar no que a belíssima criatura passara. A emoção foi mais forte. Draco não se abalava ou demonstrava emoções facilmente, mas a magia e poder do animal calaram fundo em seu coração.
Era um Unicórnio. Um prateado. E fêmea.
Compreendeu que sua dedução era correta: os crimes estavam realmente interligados. O animal raro fora roubado do Departamento de Mistérios. Agora sabiam que com ajuda do próprio Ministro.
Deviam ter desconfiado desde que o animal místico fora levado. Apenas um serviço interno conseguiria entrar e sair do lugar sem chamar atenção. E não um do escalão de Neville Longbottom.
E sim alguém do calibre de Baltazar.
Balançando a cabeça para espantar os pensamentos, Draco foi para a próxima jaula. Dessa vez não perdeu tempo com hesitação.
Ao puxar a cobertura encontrou a rainha dos sereianos. Também caída ao fundo, em um estado tão deplorável que somente aquela visão seria o bastante para desencadear uma guerra entre as espécies.
Sabia dedo de quem passara por ali. Bellatrix tinha um prazer doentio em torturar suas vitimas.
Só encontrou Shiroyama Yuu ao revelar a terceira jaula. A visão o fez perder as forças e cair de joelhos no chão. O rapaz estava judiado. Muito. Estava tão magro e desidratado que Draco temeu que sequer estivesse vivo.
Apenas um brilho doentio nos olhos entreabertos provava o contrário. Yuu ainda vivia.
Por baixo daquela magreza esquelética, da pele ressecada e quebradiça, das roupas sujas e rasgadas, a alma de Yuu permanecia forte. Seu espírito lutava pela vida. Shiroyama Yuu e o bebê.
UxA – HxD
Uruha estava uma pilha de nervos. Andava de um lado para o outro da sala. Já roera todas as unhas do dedo, a ponto de sangrarem.
Kai sequer tentara acalmá-lo. O próprio baterista sentia-se um reflexo do amigo: medo, angustia, ansiedade... Isso apenas aos que tinha coragem de nomear.
Pois lá no fundinho. Lá no fundo... Sentia aquele friozinho acompanhado de uma voz que dizia ser tarde demais.
Por que os ingleses demoravam tanto para dar noticias? O resgate fora mais difícil do que esperado? Teriam encontrado resistência? Aoi estaria mesmo no lugar em que desconfiavam que ele estava?
Yutaka observou o guitarrista.
Uruha parara em frente à janela e observava a noite linda, findando e se despedindo de suas estrelas. Notou, sofrido, como o companheiro de banda estava abatido, magro. Os ombros curvados como se Takashima carregasse toda a culpa do mundo sobre si.
A visão era tocante e dolorosa.
Uke sofria com o rapto de Aoi, todavia o que sentia era tão somente um pálido vislumbre se comparado ao tormento no qual Uruha vivera as últimas semanas. Um mar de angustia e expectativa indizíveis.
Apenas a forte esperança do reencontro e o infinito amor que sentia pelo gêmeo de instrumento mantinham o rapaz em pé.
– Kai chan... Eles vão trazer Yuu chan de volta, não vão?
A súbita pergunta quebrou o silencio e sobressaltou Yutaka. A voz rouca do loiro arrepiou o lider da banda. Se a dor mais profunda pudesse se manifestar de alguma forma através dos sentidos, então a voz de Uruha seria sua representação mais fiel.
– Kou chan...
O moreninho fez menção de ficar em pé e aproximar-se do amigo, para tomá-lo nos braços e dar um mínimo de conforto no momento.
Antes que realizasse sua intenção um "puf" suave se fez ouvir. Uma figura se materializou no centro da sala de Uruha.
Harry Potter.
Continua...
