29.Desvendado

O ar lhe faltou nos pulmões e inevitavelmente sua náusea a atingiu, lhe revirando o estomago. Rin mal conseguira piscar os olhos, sua atenção estava completamente voltada para o interior da porta escancarada, bem a frente. Seus dedos se contorceram em um aperto firme e quando se deu por si já estava cerrando as mãos em punhos controlando seu tremular. Ela era capaz de sentir toda a intensidade do corpo de Sesshoumaru bem atrás de si lhe passando segurança, fazendo-a lembrar de que não estava sozinha. E assim como ela, ele não se atreveu a dar um passo para o interior do quarto.

Constatando de que o recinto não houvesse nenhuma janela que denunciasse aos vizinhos da região que alguém estava naquela casa, foi que Sesshoumaru tateou a parede em busca de algum interruptor. E quando as luzes se ascenderam, seu choque pareceu aumentar sucessivamente. Sentiu uma fisgada na vista pela repentina claridade, mas ela não cogitou manter os olhos fechados até que eles se acostumassem. Rin os manteve bem abertos como se sua vida dependesse daquilo.

O-O... Que... É... Isso? – perguntou pausadamente, mal sabendo como foi que sua voz saíra de dentro de sua garganta.

Percorreu o olhar por todo o cômodo sentindo-se enojada enquanto em sua cabeça amaldiçoava Suikotsu por ser uma pessoa tão desprezível. A que ponto chegara? Porque se envolvera com um homem como ele? Acima de tudo, Rin sentia nojo de si mesma por não ter se afastado dele o quanto antes.

O rosnado que partiu de Sesshoumaru despertou-a de seu transe fazendo-a tomar a coragem que nunca tivera, para enfim, atravessar a porta arrombada e entrar no cômodo. As provas que tanto procuravam, estavam bem ali diante de seus olhos, penduradas em formas de fotografias espalhadas estrategicamente por todo o quarto. Fotos suas. Fotos que registravam a cada passo que havia dado. A cada lugar que percorreu, a cada nova amizade que fizera. Como se Suikotsu há tempos a observava e registrava tudo o que havia feito enquanto ainda estava em sua cidade.

Infernos, como não se dera conta de que por todo este tempo estava sendo seguida por um maldito stalker?

– E-Eu nunca me dei conta... – sua voz soou abafada por sua mão que voltara a se instalar entre seus lábios, em choque.

– De que ele a perseguia?

– E-Eu sempre achei estranho... – fez uma pausa antes de continuar a falar. – Nós sempre nos encontrávamos em tantos lugares, mas ele sempre agia como se fosse uma terrível coincidência.

Rin fitou a escrivaninha e a cadeira posicionada em frente as suas fotos coladas a parede. Ela se perguntou em quantas vezes Suikotsu não havia se sentado daquela cadeira giratória enquanto passava horas encarando suas fotos e arquitetando em sua cabeça tudo o que poderia ter lhe feito. Sua repulsa por aquele homem só se fez crescer ainda mais.

– E-Eu sabia que Suikotsu era um louco que precisava ser detido, mas isso... – apontou paras as fotos. – Eu não esperava encontrar isso!

Ela mordeu o canto de seus dedos, deixando seu nervosismo esvair-se de dentro de si. Roer suas unhas não estava acalmando-a, infernos. Sem conseguir desviar o olhar de tantas fotos, ela não viu o momento em que Sesshoumaru registrou com a câmera de seu celular o ambiente regado de informações. Ele estava coletando provas, sabia que estava.

Rin o assistiu abrir as gavetas da escrivaninha, vasculhando seu interior até encontrar um amontoado de papeis. Ele os revirou com brutalidade, jogando-os de qualquer jeito sobre a madeira maciça. Rin não se atreveu a aproximar-se, suas pernas não obedeciam aos seus comandos. Vendo Sesshoumaru de costas, ela precisou encarar suas costas largas para não sentir-se pior do que estava se continuasse a olhar suas próprias fotos.

A falta dos movimentos das mãos de Sesshoumaru despertou sua atenção. Ele não mais folheava o amontoado de papeis, agora seu youkai parecia concentrado o suficiente enquanto os analisava atentamente. Havia algo ali. Algo que o fez retesar e trilhar os olhos por cada coisa gravada naqueles malditos papeis. Rin engoliu em seco, mas sua ânsia de desvendar mais um dos mistérios de Suikotsu a fez questionar o que tanto ele observava.

– O que você tem aí?

– Venha ver. – colocou-se de lado para que pudesse girar o pescoço e encará-la por cima dos ombros.

Ela não queria se aproximar, não! Quanto mais se mantivesse onde estava mais longe ficaria de toda aquela situação. Mas por outro lado Rin precisava acabar com aquilo de uma vez por todas, só assim se sentiria livre. Liberta de toda maldade de Suikotsu Shichinintai. Foi então que lutando contra sua racionalidade, ignorando-a em um canto obscuro de sua mente, ela fez com que as pernas se movessem e em poucos passos estava ao lado de seu youkai. Ele estendeu os papeis para que também fosse capaz de ver e seu queixo caiu do instante seguinte.

– I-Isso é loucura! – gemeu involuntariamente. – Porque ele guarda essas coisas?

Por que diabos Suikotsu possuía cópias de noticias de jornais a respeito de casos de assassinatos mal resolvidos? Aquilo não fazia sentindo algum! Leu a descrição do artigo suavemente, sem se aprofundar muito no conteúdo. A imagem ao lado de cada notícia despertou mais sua atenção do que o texto comprido em contraste com a miúda foto. Em cada informação uma foto das vitimas eram divulgadas. E uma coisa havia em comum com todas elas. Eram parecidíssimas, em cada detalhe. E levando em conta do que ocorrera com a neta de Tsubaki, Rin começou a ligar os pontos.

– Mas que inferno, ele também as matou! – despejou as informações sobre a mesa do quarto. – Não tem outra explicação para manter cópias de noticias de assassinatos.

– Presumo que aquele maldito verme gostava de acompanhar como as investigações se seguiam.

– Claro! – Rin zombou, ironicamente. – Ainda mais sendo o atuante no crime! Eu não sei como ninguém não ligou os fatos e não o pegou ainda, como ninguém descobriu nada até agora.

Sesshoumaru espalhou as cópias uma ao lado da outra, registrando com sua câmera as evidencias que encontrara. Já Rin, não conteve o ímpeto de procurar mais alguma informação dentro das gavetas. Todavia, ela estancou no mesmo lugar quando o celular de Sesshoumaru tocou alto, ressoando pelo recinto silencioso. Seja lá quem estivesse ligando naquela altura da noite, possuía algo importante a ser dito. E por um instante Rin pensou que Bankotsu notara algum movimento estranho do lado de fora da casa e os telefonara para sair dali o quanto antes.

Mordeu o lábio inferior com expectativa, esperando que suas suspeitas estivessem erradas. O arquear de sobrancelhas de seu youkai apenas fez com que seu nervosismo alcançasse o seu topo de suas sensações. No entanto, Sesshoumaru a acalmou quando disse que era Inuyasha quem o ligava. Sentiu-se relaxada, mas não conseguiu evitar indagar o motivo para o meio-irmão de Sesshoumaru o estar telefonando naquele exato momento.

– Infernos, este Sesshoumaru está tentando falar com você há tempos! – rosnou ele quando colou o aparelho contra o ouvido. – Porque não entendeu o maldito telefone Inuyasha?

Eu sei disso Sesshy... – provocou-o com o apelido criado por Rin. – Eu vi todas as suas chamadas que ignorei.

Rin prestou atenção em todas as suas reações, voltando a vasculhar a gaveta ao mesmo tempo.

– Porque ignorou minhas chamadas?

– Tive que resolver um problema!

– Que tipo de problema? Isso envolve a empresa?

– Não, o problema se chama Izayoi Taishou! – Inuyasha fez uma breve pausa antes de continuar. – Espero que tenha conseguido fazer tudo o que pretendia nesse lugar irmãozinho, porque eu acho que agora você vai ter que voltar o quanto antes.

Seus dedos se detiveram no momento em que capturou uma pasta transparente repleta de mais fotos. Rin as puxou da gaveta, libertando os elásticos que as prendiam para só assim ousar em abrir.

– O que diabos aconteceu Inuyasha? – exigiu o youkai.

Bem...– seu meio-irmão parecia buscar as palavras certas antes de despejá-las sobre si. – A mãe escutou nossa conversa de mais cedo e não teve jeito, você sabe como ela é!

– Você abriu essa maldita boca Inuyasha? – rugiu entre dentes. – O que combinamos de não dizer nada a ninguém?

Sua mente ficou em branco, a conversa de Sesshoumaru ao celular se tornou cada vez mais distante. Nada desviava a sua atenção da quantidade de fotos que estavam em suas mãos. Passou-a uma de cada vez, comparando-as com as fotos de cada cópia do jornal. E não lhe restava mais duvidas alguma! Ele também as perseguira antes de matá-las!

– Foi mal, mas não tem como esconder algo de Izayoi Taishou! Ela me encheu de perguntas e disse para avisá-los de que os quer de volta o quanto antes!

– Não me surpreendo por ser tão imprestável! – grunhiu entre dentes.

Rin encolheu-se com sua nova constatação. Ela começava a ligar os pontos e aquilo arrancava o nervosismo para fora de si. No dia em que Suikotsu a manteve presa em sua própria casa sua intenção era matá-la! Como fizera com tantas outras. Sua testa de enrugou e suas mãos se fecharam contra as fotos que amparava não ligando pelo fato de estar amassando-as com o processo. Ali, naquele momento, dentro do quarto repleto por fotos, Rin não se sentiu culpada pelo o que aquele homem fizera com aquelas jovens. A raiva era o único sentimento que a dominava.

oOo

Soergueu o olhar para o céu daquela manhã. A noite passada havia sido uma tremenda tormenta para ela. Suas olheiras abaixo de seus castanhos olhos apenas denunciavam sua terrível noite mal dormida. Sesshoumaru jogou suas bagagens dentro do porta-malas de sua Audi. A expressão indecifrável permanecia em seu semblante a todo o momento, no entanto, Rin sabia bem o que se passava por sua cabeça. Com um baque alto ele o fechara, para em seguida dar a volta no carro e ligar o motor para esquentar antes de sua partida. Ela não estava pronta ainda para se despedir mais uma vez de sua família. Kaede e Bankotsu se encontravam prostrados em frente ao portão de sua casa. E quando fitou os olhos brilhantes de sua amável avó, ela quase desistira da ideia insana de partir para poder alcançar a sua tão sonhada liberdade.

– Não achei que partiria tão cedo! – as palavras de Kaede a estilhaçaram por dentro.

– Na verdade, foram os dias que se passaram rápidos demais vó Kaede! – Envolveu-a em um abraço apertado, trazendo-a para si. – Eu prometi que voltaria, não prometi?

– Sim, querida. Você prometeu!

Sorriu quando conseguiu arrancar-lhe um sorriso da face envelhecida. Não mentira quando disse que não deixaria de mandar notícias e muito menos da sua promessa de voltar em breve. Rin estava cansada de mentir, portanto a partir de hoje colocaria tudo em prantos limpos. E era este um dos motivos que os fizera arrumar as malas no dia seguinte. Sesshoumaru havia lhe dito que Izayoi descobrira sobre tudo e que assim que voltasse ela não hesitaria em iniciar uma conversa. Apenas o pensamento de que enfrentaria sua sograem breve fez com que os ossos do seu corpo se encolhessem.

– Nos ligue assim que chegar. – Kaede lhe pediu.

– Eu o farei!

Desviou o olhar de sua avó para o irmão parado logo atrás de si. Trocou um olhar cumplice com Bankotsu que já estava a par de tudo o que acontecia e o envolveu em um abraço, agradecida por todo o seu apoio e cumplicidade. Ele beijou-lhe os cabelos sedosos e sussurrou-lhe nos ouvidos para que apenas ela fosse capaz de escutar:

– Não me deixe fora de nada dessa vez, me ligue se precisar de algo.

Acenou firmemente, maravilhada por voltar a conviver normalmente com seu irmão. Sem brigas e tampouco desconfianças por sua parte. Afastou-se de ambos, escancarando a porta do carro com um puxão.

– E você Sesshoumaru, cuide-a entendeu bem? – Bankotsu apontou-lhe em sua direção, tendo sua atenção voltada inteiramente para si. – Se não serei forçado a visitá-lo!

– Pare de importuná-lo Bankotsu, sua chatice tem limites!

Rin não conseguiu segurar sua risada. Jogou a cabeça para trás gargalhando com gosto da expressão que seu irmão fizera por ter sido repreendido por sua avó. Apenas sua avó Kaede com todo o seu jeito simplório conseguia arrancar-lhe uma risada em um momento como aquele.

– Você ouviu a vó Kaede, pare de ser chato!

Colocou-se dentro do carro, tendo a porta empurrada por seu irmão. Sorriu a ele em agradecimento pela ajuda.

– Isto é porque me preocupo com você! – inclinou-se sobre o vidro dela, torcendo a boca fingindo-se estar magoado pelo insulto que lhe faziam.

– Estou com Sesshoumaru agora, não precisa se preocupar Ban. Não mais!

– Sim, eu sei! – retribuiu seu sorriso, aprovando enfim seu relacionamento com o youkai. – Qualquer homem que lute para mantê-la segura é merecedor do seu amor Rin. Eu só quero vê-la feliz!

A saliva desceu em seco. Ela esticou a mão e tocou o rosto de seu irmão com carinho e admiração, sentindo a barba de seu queixo pinicar a ponta de seus dedos finos. Bankotsu lhe ajudara tanto, protegendo-a e cuidando-a de sua maneira, que ela seria eternamente grata por tanto carinho.

– Obrigada. – disse, simplesmente.

Sua emoção cruzou seus olhos e ela se segurou para conter as lágrimas pela partida e pelas palavras do irmão. Sentiu sua mão que descansava sobre o colo ser acariciada por Sesshoumaru e ela soube que o sentimento que nutriam juntos apenas se intensificava pela marca que carregava no pescoço.

A despedida durou rápidos segundos, o carro percorria pelas estradas sinuosas e a cada quilometro percorrido seu coração batia rápido, dolorido dentro do peito. Por mais que estivesse disposta em enfrentar Izayoi Taishou quando a encontrasse, seu vacilar lhe gritava alto. Fazendo-a dar mais ouvidos a razão por não envolver mais ninguém em seus assuntos ao invés da coragem que sempre pensou que não existia. O suave afago em sua nuca foi como um relaxar momentâneo, mas a partir do instante que Sesshoumaru tirasse suas mãos dali para voltar a dirigir, seus medos retornariam.

– Não estou acostumado com esta expressão! – massageou-lhe a nuca em círculos, sentindo o corpo dela relaxar sob seus dedos.

– Apenas estou me preparando psicologicamente para o que vou encontrar quando chegarmos.

– Inuyasha não deveria ter latido tudo o que sabia. – trincou o maxilar, sobressaltando os músculos da face.

Girou o pescoço para vê-lo com os músculos rígidos. Encarou o nó esbranquiçado entre seus dedos que agarravam o volante com brutalidade. Como se descarregasse toda a raiva e frustração enquanto o apertava.

– Não foi culpa dele! – defendeu seu cunhado. – Era questão de tempo para que descobrissem. Eu só não sei como irei olhar na cara da sua mãe depois dela ter descoberto pela boca de Inuyasha, e não pela nossa.

– Ela entenderá suas razões!

Rin não se sentiu totalmente aliviada pela forma como Sesshoumaru tentava tranquiliza-la. Sim, esperava realmente que sua sogra fosse capaz de entendê-la, de demonstrar compreensão como sempre fizera em relação a ela. Todavia, esperava encontrar sua expressão de decepção quando a visse no final do dia. Nada parecia confortar o coração da pequena, nem mesmo as palavras de seu youkai.

Encostou a cabeça na janela fechada, e pelo vidro ela foi capaz de ver sua tão amada cidade se distanciar. Mais uma vez. O sentimento de que estava largando tudo novamente não deixou de cruzar o seu caminho. Sesshoumaru pareceu notar sua mudança de humor.

– Isto não é uma despedida, minha Rin. Este Sesshoumaru ainda lhe trará nesta cidade muitas vezes. – escutou-o dizer.

Remexeu-se em seu acento, encontrando uma posição que não fizesse sua testa latejar devido ao contato do vidro da janela. Fechou os olhos e se permitiu relaxar, mesmo que apenas por curtos instantes.

– Eu sei! – Soltou sua frase ao alto acompanhada de um suspiro.

Manteve os olhos fechados, porque não queria ver e constatar de que estava partindo de sua cidade conforme as casas corriam de si ao lado de fora. E foi pensando dessa forma que Rin não teve coragem o bastante para se manter consciente durante todo o trajeto de volta. Permitiu-se apagar, adormecida no banco do passageiro sem ao menos saber como conseguira dormir com tanta tensão presente em seu sistema. E só despertava quando Sesshoumaru a acordava nas paradas para abastecer o carro e fazê-la se alimentar um pouco. Para então voltar à estrada, o que a obrigava a dormir mais um pouco para que evitasse pensar em problemas. O que não era nenhum sacrifício, pelas noites mal dormidas Rin se sentia cansada e o suave som da música que partia do radio ligado a ajudava a espairecer a mente e relaxar.

Seu youkai não voltou a acordá-la, a viagem seguiu-se sem mais nenhuma parada. O carro estava abastecido e seu estomago cheio. Mais um motivo que a levou de encontro ao sono. Ele apenas a acordara quando desligara o motor da Audi horas depois, dentro dos portões de sua residência, dentro de seus domínios. Afagou-lhe as coxas roliças, apertando sua carne com suavidade ao mesmo tempo em que se inclinou sobre o seu miúdo corpo e roçava o nariz por entre os fios rebeldes de seus cabelos negros.

– Chegamos Rin. – destravou seu cinto de segurança, libertando-a de seu aperto.

Seu hálito quente tocou-lhe a região do ouvido, e ela despertou com um delicioso arrepio que lhe subiu pela espinha. Piscou os olhos amendoados buscando foco, sua vista ainda embaçada pelo sono. Virou o rosto olhando através dos vidros e percebeu que o céu escurecia lentamente. Por quanto tempo ficara apagada? A pergunta se perdeu em sua cabeça no momento em que a porta da entrada da casa se abriu e uma Izayoi saiu por ela. Rin prendeu a respiração quando a avistou ao longe. Atrás dela, Inuyasha e Kagome surgiram, e Inu no Taishou também estava presente.

Seu estomago se agitou e ela não encontrou forças o suficiente para deixar o carro e encarar a decepção presente nos olhos amáveis de Izayoi. Ao longe viu Inuyasha abaixar a cabeça, profundamente sem graça por ser o causador de toda aquela situação. E bem ao seu lado, Sesshoumaru apertava o maxilar com força mantendo os olhos focados em seu meio-irmão. Rin o tocou em seu antebraço, buscando obter de volta toda a atenção de seu youkai.

– Procure não matá-lo! – ela pediu. – Vamos apenas conversar e acabar com tudo isso de uma vez por todas.

– Inuyasha não tinha o direito de abrir aquela maldita boca! – rosnou.

– Ele sabe disso, veja o quanto ele se sente mal por nos ter colocado nessa situação.

Sesshoumaru voltou os olhos para o irmão, encontrando-o completamente desconfortável enquanto trocava o peso do corpo de uma perna para outra e passava a mãos pelos cabelos em sinal de nervosismo.

– Acredite, ele não queria que as coisas chegassem a esse ponto. Mas ir contra Izayoi foi mais forte do que ele, mentir para ela escondendo algo tão sério quanto isso é terrivelmente errado. – Rin se colocou no lugar de seu cunhado e entendia perfeitamente o seu ponto de vista. – Claro que quanto menos pessoas souberem sobre isso, melhor vai ser e por certo ele se sentiu pressionado por suamãe.

Sesshoumaru suavizou o aperto em seu maxilar. Não sabia se seria capaz de fazer o que sua menina lhe pedia. Não matar Inuyasha seria uma tarefa difícil, principalmente quando o seu corpo se enrijecia a cada olhar que dirigia para o mais novo dos Taishou. Ele fingiu concordar em não socar a face bonita do irmão apenas para deixa-la tranquila. No entanto, se as coisas fugissem do controle, Sesshoumaru temia não cumprir com sua palavra e Inuyasha sentiria o peso de seu punho muito em breve.

Pulou para fora do carro segundos depois, e Rin procurava ter forças para seguir seus passos. Mesmo sabendo que suas pernas tremulas não aguentariam por muito tempo. Avançaram sem ao menos se importar em apanhar as bagagens no porta-malas do carro. À medida que se aproximava da família de Sesshoumaru, seu coração falhava uma batida dentro do peito. E a cada passo em direção á eles, ela era capaz de ter um vislumbre mais de perto da expressão que cada um carregava em suas faces. Raiva, surpresa e decepção eram alguns dos sentimentos que os rodeavam. E como receou durante todo o trajeto de volta, sua doce vizinha não possuía mais o sorriso amável sobre os lábios. A alegria pela vitória contra a causa de Naraku foi logo substituída pela revelação da grande bagunça que sua vida se tornou. Ali, olhando todos a encararem de volta, Rin percebeu que a comemoração estava longe de se tornar presente no meio daquela família. Eram como se estivessem de Luto! Seu peito se apertou com aquela constatação. Nunca vira sua vizinha tão amuada quanto naquele momento. Inuyasha abaixou ainda mais sua cabeça, evitando encarar seu meio-irmão e sua cunhada. Kagome estava ao seu lado, acariciando seus braços com delicadeza para mostra-lo que continuava ali, confortando-o.

– Fez boa viagem? – a voz grossa de seu pai sobressaiu sobre o clima carregado de tensão.

– Teria sido se mais problemas não surgissem como uma maldita bomba.

Rin apertou suavemente as mãos de Sesshoumaru, os olhos do youkai permaneciam focados no irmão e sua indireta apenas o fez ficar ainda mais desconfortável. Já a pequena, tentava a todo custo não encarar por muito tempo o rosto de sua doce vizinha, que parecia não ser a mesma de antes.

– Inuyasha apenas fez o que era certo nos contanto tudo o que sabia! – Izayoi o defendeu recebendo em troca um olhar estreito de seu enteado.

– Por favor, vamos conversar lá dentro querida. – Inu no Taishou a puxou pelos ombros, guiando-a para o interior da casa.

Inuyasha sussurrou um: ela me persuadiu a falar, antes de entrar na casa. Rin soltou um suspirou ao alto, preparando pela conversa que se seguiria. Sentiu-se desprezada por não receber de Izayoi o costumeiro abraço e o beijo no rosto assim que a via. Mas o que estaria esperando? Não iria ser recebida com flores, não quando a família de Sesshoumaru havia acabado de descobrir sua historia obscura com Suikotsu. Mas com todo o apoio de seu youkai, ela sentia que podia ir mais além. Que podia enfrentar tudo e qualquer barreira que atravessasse o seu caminho. E foi pensando dessa forma que ela se atreveu a avançar, parando enfim de recuar e fugir.

Ele guiou-a para dentro, e Rin buscou todas as forças naquele homem que nunca deixou de estar ao seu lado.

Os primeiros passos foram decisivos, carregados de coragem e determinação. E bastou estar dentro da sala, rodeados pelos olhares questionadores de todos que ela se pôs a falar:

– E-Eu... – permitiu-se gaguejar de imediato. – Eu não queria que soubessem dessa forma... Principalmente você Izayoi, m-me desculpe...

Izayoi mordeu o lábio inferior, e por um momento Rin pensou em ter visto sua expressão se suavizar. Mas sua vizinha estava magoada o suficiente para deixar-se amolecer por suas palavras. Seu olhar vagava por todos a sua volta, sem deixar de se fixar na figura da matriarca que parecia ser a mais atingida pela nova revelação.

– Meu Deus Rin... – ela balançou a cabeça em sinal de descrença. – Isso é muito sério! Eu me sinto... – Izayoi fez uma pausa gesticulando com as mãos procurando a palavra certa para usar. – Me sinto traída! Sinto-me assim por Inuyasha também que é tão cumplice quanto o Sesshoumaru foi nessa historia toda!

Seu coração rasgou-se por dentro quando aquelas palavras se chocaram contra seus ouvidos. Por certo, um tapa na face não doeria tanto.

– Não... – abaixou a cabeça, não possuindo coragem para encarar-lhe o rosto distorcido. – Não se sinta assim, por favor. – pediu.

– Você não confiou em mim! – as palavras de Izayoi simplesmente saiam, lhe machucando ainda mais por dentro.

– Izayoi... – Inu no Taishou a chamou docemente, procurando fazê-la não dizer palavras tão duras.

Rin ergueu as mãos, pedindo silenciosamente para que ele não a impedisse. Ela precisava colocar tudo em pratos limpos, ela precisava ter coragem para que a conversa seguisse em frente.

– Não era algo que eu pudesse simplesmente jogar sobre as costas de vocês, eu não queria envolver ninguém nisso tudo. – Rin se defendeu.

– Mas confiou em Sesshoumaru! – retrucou ela. – Inuyasha me contou como descobriu ao acaso e eu o fiz contar tudo o que sabia.

A menção do nome do hanyou o obrigou a soerguer o olhar e entre abrir os lábios em busca de sua própria defesa.

– Espere aí, eu apenas lhe contei porque era um assunto delicado e achei que você tinha o direito de saber! – ele se defendeu.

– Pensou errado maldito hanyou.

Sesshoumaru rosnou bem atrás de si e com medo de que ele avançasse contra Inuyasha, Rin o tocou no peitoral com ambas as mãos. Mesmo sabendo que seu impedimento jamais o faria recuar, bastava empurrá-la com seu enorme corpo que Sesshoumaru conseguiria ultrapassar sua barreira sem quaisquer dificuldades. Bastava comparar seu pequenino tamanho perto daquela montanha de músculos, não precisava ser esperto o suficiente para saber que ele era tão forte quanto um touro. Izayoi o olhou com olhos severos, não aprovando a maneira bruta com que conversava com o mais novo dos Taishou.

– Sesshoumaru também descobriu sem querer... – revelou procurando amenizar a tensão que se instalou dentro da sala. – E se ele não houvesse descoberto ninguém saberia por que eu continuaria quieta.

– Ele está tão errado quanto você! – Izayoi apontou o dedo em riste na face deu seu filhomais velho. – Ele soube primeiro, deveria ter nos contado.

– E-Eu pedi para que ele não dissesse nada! – Rin o defendeu com unhas e dentes.

Não iria permitir que alguém falasse de Sesshoumaru, mesmo que esta pessoa fosse sua doce vizinha, a qual nutria um sentimento de carinho muito forte por ela.

– Envolvê-los nisso tudo é como um pesadelo! – tirou as mãos de seu youkai apenas para passa-las por suas madeixas, nervosamente. – Escute Izayoi... Quando me mudei para cá, eu fugi exatamente como qualquer covarde faria. Com medo de me envolver com as pessoas e fazê-las se machucar. Mas seu filho Izayoi... – Rin apontou a mão para Sesshoumaru.

– Ele me devolveu a coragem, me devolveu a vontade de viver e seguir em frente.

Sua doce vizinha encolheu os ombros, deixando-os cair pesadamente. Os olhos amendoados de Rin arderam e só assim Izayoi teve sua expressão firme finalmente abalada. Vê-la tão triste e arrependida era como se a cortassem em pedaços e mais pedaços.

– Eu entendo que nos queria longe disso por receio de que algo nos acontecesse, mas você não pode afastar as pessoas porque se sente acuada e com medo querida. – avançou alguns passos em sua direção e deslizou as mãos por seus braços, confortando-a. Acarinhando-a. – Não permita que o medo a impeça de viver.

Ela encolheu-se. Aquelas palavras eram como receber um tapa estalado no rosto. Era verdade! Sua doce vizinha estava coberta de razão. Sua vida era resumida em medos e receios, ocasionados por uma mesma pessoa. Mas agora ela se sentia mais forte, determinada. Não precisava mais temer, não é mesmo?

– Não ter nos contato foi um erro, mas mediante a tudo o que ouvi de Inuyasha... – sua doce vizinha comprimiu os lábios antes de continuar. – Eu não posso acreditar que passou por tudo isso sozinha querida.

– O que isso importa agora Izayoi? – a voz do patriarca soou como um trovão. – Não se sinta traída por Rin não ter contato um segredo apenas dela, sinta-se aliviada que nada de ruim aconteceu.

Sem tirar os olhos de seu rosto, Izayoi balançou a cabeça em sinal de afirmação. Mas é claro! Nada mais importava! Rin e seu filhoestavam bem, o que mais poderia desejar?

– Meu marido tem razão! Ele está coberto de razão! Como eu fui indelicada agindo assim...

A matriarca desculpou-se, puxando-a para os seus braços. Ah, como sentiu falta daquele abraço acolhedor. Envolveu o corpo miúdo de Izayoi a abraçou com força contendo as lágrimas quase que ao mesmo tempo. Mas não foi forte o bastante para segurá-las, elas já banhavam seu rosto bonito contra a sua vontade.

– Eu que preciso me desculpar. – sussurrou com a voz embargada. – Então não me peça desculpas porque você não fez nada Izayoi.

– Não! Eu agi por impulso e motivada pela raiva, portanto sinto muito querida. – afastou-se, deslizando as mãos por seus braços até alcançar suas mãos, segurando-as. – Aquele dia que fomos acompanhar Kagome na loja de vestidos, você não fez aquilo porque simplesmente estava passando mal, certo?

Rin engoliu em seco, a pergunta a pegara de surpresa. Contar ou não contar a ela? Não, ela precisava lhe dizer. Não podia deixar Izayoi no escuro, não quando a mesma já descobrira sobre tudo. Rin meneou a cabeça em negativa, respondendo a sua pergunta e fazendo-a arregalar os olhos com a confirmação.

– Oh céus... – ela declarou. – Então fomos realmente perseguidas?

Teve suas mãos libertas em seguida para que sua doce vizinha fosse capaz de coloca-las sobre seus lábios, surpresa o bastante. Izayoi estava chocada, aparentemente tremula e com medo pelo ultimo episodio que enfrentara.

– C-Certo, chega! Apenas... – ela umedeceu os lábios com a ponta da língua antes de continuar. – Apenas vamos nos esquecer disso tudo, tudo bem? Não quero fazê-la pensar em coisas que não precisam ser lembradas. – Izayoi se recompôs de sua evidente surpresa. – Porque eu com certeza não quero me lembrar daquilo tão cedo! – murmurou a ultima parte para si mesma.

Nem ela, Rin completou em pensamentos. A pequena era a única que estava disposta a fazer de tudo para apagar aquelas lembranças de sua cabeça e esquecer finalmente a razão que a fez se esconder do mundo.

– Mas afinal de contas, encontraram o que o buscavam? – a voz de Inu no Taishou aliviou o tormento que se passava com Izayoi, fazendo-a focar em outra coisa que não fosse à perseguição que sofrera dias atrás.

Inu no Taishou não conteve sua curiosidade. Seu olhar se fixou em Sesshoumaru como se sua pergunta fora dirigida diretamente para ele. Ele via no semblante de seu filho, em seus orbes semicerrados a disposição que este possuía ao querer proteger sua mulher. O sangue dos Taishou certamente corria por suas veias, porque se estivesse no lugar de seu primogênito, Inu no Taishou também moveria céus e terras para proteger o que lhe pertencia.

– Apenas algumas valiosas informações, mas ainda estamos no escuro sem saber quem é o maldito cumplice por trás de Suikotsu! – seu youkai rosnou no final da frase, ao se referir ao odioso nome.

Era nítida toda a sua aversão por aquele verme. Seu corpo rígido, o maxilar fortemente contraído e seus músculos tensos denunciavam o tamanho de seu rancor por aquele homem. Izayoi não gostava nenhum um pouco do que via, não apreciava ver tanto ódio presente nos olhos de seu filho. Ódio era um sentimento tão forte que só causava desavenças entre as pessoas. Atordoada pela cena que assistia, Izayoi procurou mudar de assunto rapidamente:

– A-Alguém está com fome? Porque eu estou faminta... – buscou a atenção de todos apenas pra si. – Que tal pedirmos algo para comermos? Devem estar com o estomago nas costas depois de fazerem essa viagem! – Perguntou a todos. – Você me ajuda querido? – Virou-se para o patriarca, encontrando seus olhos em meio aquela confusão.

– Claro! – Inu no Taishou a respondeu de prontidão.

E só depois que Izayoi dissera aquilo, foi que Rin percebeu o quanto estava faminta. Seu estomago começava a dar os primeiros sinais de sua fome. Viu-os se afastar em direção a cozinha com intenções de capturar o numero de algum restaurante conhecido por entre os imãs metálicos presos a geladeira. Olhou de relance para Sesshoumaru e deu um sorriso fraco ao youkai, confirmando que estava tudo bem, de que tudo estava na mais perfeita paz e que a normalidade estava de volta dentro daquela casa. No entanto, ele ainda mantinha os olhos fixos em seu meio-irmão, como se pudesse mata-lo apenas com o olhar. Foi até ele e deslizou as pequeninas mãos por seus ombros largos, até alcançar a nuca.

– Relaxe! Não foi tão ruim assim, foi? – disse mais para si mesma que para Sesshoumaru.

Rin tentou fazer seus músculos relaxar. Sesshoumaru suavizou seus ombros e desviou os olhos para sua Rin, vê-la tranquila como se um enorme peso saísse de suas costas foi o que faltou para que ele parasse de trincar o maxilar com força. Sentiu-se satisfeita quando viu as reações que causava no corpo daquele homem.

– Ainda quer soca-lo para descontar sua raiva? – indagou curiosa.

– Há algo muito melhor que fará este Sesshoumaru relaxar! – provocou-a.

Seus orbes ambares tornaram escuros e sua frase sugestiva apenas a fez sentir um gostoso aperto em seu centro úmido. Dirigiu o olhar para baixo, ciente de sua excitação por entre suas pernas e ela se permitiu corar por deixa-la desta forma diante de outras pessoas. Os mesmos orbes que emanavam luxuria, desviaram de seu rosto para um ponto bem atrás de si. Rin girou o pescoço para desvendar o que despertara a atenção de seu youkai, e Inuyasha e Kagome se aproximavam de maneira cautelosa. Quando voltou a fitar seu youkai, lá estava o olhar matador novamente.

– Não me olhe desse jeito! – Inuyasha ergueu ambas as mãos em sinal de rendição.

– E de que forma quer que este Sesshoumaru o encare, maldito hanyou? – rosnou em resposta.

– Nós dois fomos culpados Sesshoumaru, não deveríamos tratar esse tipo de assunto por telefone. – Inuyasha se defendeu.

– Bastava inventar alguma desculpa esfarrapada e não latir aos quatro ventos como fez irmãozinho. – rosnou.

– Tudo bem! Eu sei que boa parte da culpa foi realmente minha, mas agora tudo voltou ao normal, não voltou?

– Não é o que aparenta! – Sesshoumaru contradisse o irmão.

Inuyasha cruzou os braços frente ao peito e soltou seu costumeiro feh ao alto. Discutir na altura do campeonato era burrice. O leite já havia sido derramado, certo? E não haveria nada que pudesse tirar aquela expressão do rosto de Sesshoumaru.

– Fazer você entender o meu lado é perda de tempo, não sei o que ainda estou fazendo aqui! – Inuyasha balançou a cabeça para os lados procurando afastar sua irritação diante da opinião formada de seu irmão.

Percebendo que conversar não adiantaria de nada, Inuyasha simplesmente se afastou dirigindo-se para as escadas com a intenção de ficar o mais longe possível daquela loucura.

– Não se atreva a virar as costas, ainda não terminamos de conversar. – sua ameaça deixada ao alto fez com que Inuyasha parasse de andar, mas sem se virar para voltar-se a encarar Sesshoumaru uma vez mais.

– Você não terminou. – corrigiu-o. – Eu sim! – e dizendo isso, se afastou, voltando a seguir seu caminho.

Os olhos do youkai reluziam fúria. Como Inuyasha lhe dava as costas em meia a uma conversa como aquela? Seu maxilar se contraiu e as juntas de seus dedos se estralaram em ameaça. Sesshoumaru moveu-se atrás dele, seguindo-o, insinuando que aquela conversa não havia terminado.

Rin sentiu-se tensa e Kagome notou seu desconforto. A pequena se perguntou se assim como ela, Kagome não se sentia incomodada pela forma como os dois se enfrentavam ali, bem diante de seus olhos. Ela deveria estar acostumada com aquele tipo de cena, imaginou.

– Deixe-os resolver suas desavenças, em breve tudo voltará ao normal! – Kagome comentou encarando o caminho por onde Inuyasha e Sesshoumaru desapareceram.

Rin concordou com ela.

– Só espero que eles não troquem socos no andar de cima, será difícil separá-los se isso acontecer.

Que Sesshoumaru cumprisse com sua palavra e não matasse Inuyasha antes do tempo, era tudo o que pedia aos céus. Tentando amenizar o clima que se instalou, ela perguntou o que há tempos queria saber:

– Você tem notícias do Jaky? Como ele está Kagome?

Kagome abaixou a cabeça visivelmente abalada por entrar no assunto.

– Ele está bem! Não totalmente recuperado, mas bem. – deixou com que um suspiro escapasse de sua boca. – Ele está arrumando o salão aos poucos, não dá para reerguer aquilo da noite para o dia.

– Eu sei! – sua voz soou ainda mais frágil quando pensou em seu amigo. – Você não contou a ele, ou contou? – desesperou-se por imaginar que Jakotsu pudesse estar a par de toda a situação.

Pediu aos céus para que mais ninguém soubesse sobre Suikotsu. Jakotsu a culparia para o resto da vida por ser a causadora da destruição de seu salão. Ele com toda a certeza a culparia por isso.

– Eu não disse nada, não se preocupe. – Kagome tranquilizou-a. – Porque eu acho que quem deve contar isso a ele, é você Rin.

E ela tinha razão! Jakotsu tinha o direito de saber, principalmente quando seu salão fora totalmente destruído. Ele estava tão envolvido quanto os outros nisso tudo! Por mais que ele fosse culpa-la mais tarde, ele precisava saber! Tinha este direito!

– E quanto às investigações?

– Kouga está fazendo um bom trabalho, se é isso o que saber. Mas não sei se ele encontrou provas que incriminem ainda mais Suikotsu, quem deve estar por dentro do assunto das investigações é a Ayame!

Sentiu a repulsa partir de Kagome quando ela se referiu ao seu ex-namorado. Mas é claro que ela o repudiaria! Quem não o detestaria depois de desvendarseus podres?

– Eu não sei de nada, os preparativos do casamento estão me tomando todo o tempo. Faz alguns dias que não tenho noticias de como as coisas estão indo! – continuou ela.

– Isso me fez lembrar de que ainda não fiz a ultima prova do vestido que aluguei, preciso busca-lo. Mas pela maneira que você fala eu consigo ver como está feliz Kagome! Presumo o quanto deva estar ansiosa pela festa. – Rin sorriu ao ver os olhos da amiga brilhar quando tocou no assunto de seu casamento.

– Eu não vejo a hora disso tudo acabar, ainda acho que vou acabar ficando louca com tanto detalhe para se programar. – Kagome soltou um riso forçado.

– No final todo sacrifício vale a pena, não se esqueça disso!

– É o que eu espero! – fingiu limpar com uma das mãos uma gota imaginaria que se instalara em sua testa. – Acredita que enquanto esteve fora Jakotsu fez questão de me fazer um chá de lingerie? – contou-lhe ela.

– Não acredito... – fez uma pausa, seus orbes se arregalaram consideravelmente.

– Não, é sério! – Kagome confirmou com veemência.

– Não acredito! Não acredito que fizeram um chá de lingerie sem mim! – Rin completou sua frase tornando a situação menos pesada. – Que tipo de amigos vocês são?

– Não brigue comigo, tire satisfações com ele que organizou tudo sozinho. – sua amiga riu. – Você não imagina na quantidade de coisas obscenas que ganhei dele.

– Ah, eu imagino! – Rin gargalhou alto.

Jakotsu nem ao menos se encontrava presente, mas continuava arrancando-lhe risadas em momentos como aqueles. Apenas ele conseguia arrancar-lhe um sorriso, divertindo-a, e fazendo-a se esquecer de tanta tormentaquando estava tão quebrada. Não sabia quando contaria para ele, só esperava que sua amizade continuasse a mesma. Agora mais do que nunca, ela precisava ser forte para só assim alcançar sua liberdade, colocando um fim nas armadilhas de Suikotsu de uma vez por todas.

oOo

Como prometido, mais uma capítulo de LO atualizado s2 Espero ter compensado minha demora meus amados. Não sei se semana que vêm voltarei com outra atualização, então já quero desejar a todos um Feliz Natal e um próspero ano novo s2 EU OS AMO, lembrem-se sempre disso s2