Capítulo XXIX - Willian pergunta para Sarah II

Houve um momento de suspense na mesa de jogo. Todos se entreolhavam e aquela situação estava causando um mal estar aos presentes.

Sarah, verdade ou conseqüência?

- Verdade. – disse Sarah, pensando que talvez a conseqüência fosse algo ainda pior.

A menina cogitava intimamente o que o loiro poderia querer saber. Fosse o que fosse, certamente teria relação com Paul Rosier. William pigarreou e perguntou, sob os olhares apreensivos dos demais, inclusive da própria Sarah:

- Sarah, você já beijou alguém? Se a resposta for sim, quem? – as pergunta eram frias e objetiva como se estivessem tratando de negócios.

Sarah e Louise se entreolharam, mas mesmo assim se Sarah mentisse a varinha encantada lhe acusaria a mentira.

- Já beijei sim. – respondeu ela, sob o olhar de curiosidade dos amigos. – Já beijei Paul Rosier. – afirmou ela, fazendo com que a varinha dentro da garrafa não se pronunciasse pois era uma resposta totalmente verdadeira.

Alguns Oh! foram ouvidos, mas Sarah não conseguiu saber se William gostara ou não da resposta, pois seu rosto nada externava.

- Sarah, gire a garrafa.

Sarah girou a garrafa e novamente os presentes ficaram apreensivos. Mas desta vez, a pessoa que seria perguntada era Louise Nott.

- Louise! – exclamou Sarah. – Que grande graça perguntar algum segredo da minha melhor amiga... Você prefere verdade ou conseqüência? – a pergunta foi feito num tom por demais irônico e Louise temeu um pouco a pergunta. Embora gostasse de Sarah, sabia do mau-caratismo sonserino da amiga.

- Verdade! – disse ela, com resignação- è melhor responder do que depois Ter que cumprir alguma prenda horrorosa. Pode ser que você peça ao Snape alguns daqueles bichos gosmentos para mim fatiar e destripar. – comentou Louise com cara de nojo.

- Porque faz esse mau juízo de mim, Louise? – quis saber Sarah com ironia. - Vamos a pergunta. Dentre Carl, George e Willian, qual você escolheria para ser seu namorado?

- Sarah! – reclamou Louise.

- Você escolheu pergunta- explicou Sarah. - Agora responda.

Carl e George se entreolharam. Que pergunta estranha era aquela! Fosse qual fosse a resposta alguém sairia prejudicado, e isso em um grupo como aquele, em que ficavam juntos mesmo se odiando, não era algo nada bom.

Louise Nott demorou um pouco a responder, e quando o fez gerou uma grande surpresa.

- Eu não namoraria nenhum deles. – afirmou ela, e mas a garrafa mostrou sua cor vermelha- Mas já que tenho que responder essa pergunta infame, eu namoraria Willian. – respondeu ela, com a naturalidade da mentira. – E a garrafa continuou vermelha.

Ao escutarem a resposta de Louise Sarah, Carl e George olharam para William que parecia ainda mais surpreso que os outros. Louise na verdade, lhe era totalmente indiferente, e as vezes, remotamente, parecia odiá-lo.

- Está mentindo Louise! – afirmou Sarah. – Olhe a garrafa !

- Ainda bem, Louise. – comentou Willian, com superioridade – Pois você, embora bela, não faz nem de longe o meu tipo.

- Se enxerga Malfoy! – disse Carl, bravio – Não vê que ela esta mentindo? Se nem a Sarah quer você, porque Louise haveria de querer?

Todos se entreolharam com surpresa, porque Carl havia dito algo que todos sabiam, mas que nunca ninguém tivera a coragem de comentar, nem mesmo em pequenos grupos. Sarah limitou-se a baixar os olhos, cogitando consigo mesma que não estava gostando nem um pouco do rumo que aquela história estava tomando.

- Ora, Mcnair, ao menos, eu tenho meu charme! – disse William passando a mão pelos cabelos loiros, num gesto de charme– A Granger fica se fazendo de difícil, mas sei que ela está totalmente apaixonada por mim!

Sarah explodiu em gargalhadas. e os outros três a acompanharam em risadas discretas.

- O que foi Sarah? – perguntou Willian, cerrando os punhos- bem sei que você não quer revelar a todos nosso amor. mas admita... estamos somente nós... nosso clã...

Sarah continuou rindo, com vontade. Aquilo tudo era muito engraçado. William teria uma boa resposta.

- Desde quando seu nome é Paul Rosier? – inquiriu ela, com curiosidade, segurando uma gargalhada.

Fez um silêncio sepulcral no esconderijo. William Malfoy após o primeiro instante se surpresa, levantou-se e saiu da sala.

Sarah olhou para os amigos que a observavam num misto de admiração e incredulidade, levantando-se com rapidez e seguindo o garoto. Pensava que William iria achar que era o que verdadeiramente ela quisera dar a entender: meramente uma brincadeira.

- Willian... Willian... – ela chamava enquanto corria pelo corredor, conseguindo alcançá-lo de fronte a entrada do Salão Comunal da Sonserina.

- O que quer, Sarah? – perguntou ele, ainda de costas para a menina, com a mão posta na maçaneta da porta de acesso.

- Eu estava brincando, Willian. – dissera ela, num tom de quem pede desculpas. – Me desculpe! Achei que você ia entender como sendo uma brincadeira. Era esse meu objetivo.

Ele virou-se para ela, e olhou-a com tristeza.

- Você não me deve explicações sobre sua vida, Sarah!

- Mas eu quis apenas fazer uma brincadeira – respondeu ela, enquanto William Malfoy lhe mirava com incredulidade. – Volte, vamos terminar o jogo. Foi você quem insistiu para que o fizéssemos. – ela acrescentou, pegando a magna da capa dele, e tentando puxá-lo no sentido de voltarem ao esconderijo. Os olhos de William apenas seguiram a mão da menina, que retirou-a sob a pressão do olhar dele.

- Volte você. – disse ele, num tom de voz de quem ordena- Eu já ouvi coisas desagradáveis demais por hoje. Boa Noite, Sarah Granger!

E dizendo isso, ele entrou rapidamente no Salão Comunal deixando Sarah sozinha no corredor de pedra.


- Um jogo da verdade, Rony? – estranhou Hermione, que estudava praticamente deitada sobre o "Moderno Tratado de Feitiços Indo-Europeus- 7º ano" fazendo algumas anotações para a aula de Flittwich. – Porque isso agora?

- Uma brincadeira, Mione! – dissera Harry achando a idéia muito boa. – Só para descontrair.

- Eu não tenho tempo para descontrair, Harry. – dissera a garota numa voz fria- os NIEM's estão chegando, e quero ir bem. Minha vida não se resume ao Quadribol.- respondeu ela, rudemente.

- Também não precisa ser grossa, Mione. – disse Rony. – Se não quer participar, diga logo.

- E mesmo qual é a graça de fazer um jogo da verdade com você dois! – disse ela, com voz de menosprezo.

- Porque isso agora, Mione? – disse Rony, com frieza- Aposto que você acredita saber todos os nossos segredos...

- Eu e toda Hogwarts! –ela falou com ironia, ainda lendo o livro. – Qual seria a graça?

- Bem, já que no seu ponto de vista, não temos segredos..- dissera Harry, olhando Rony em busca de aprovação- .. quem sabe você nos conta sobre os seus.

Rony assentiu com a cabeça, aprovando a atitude do outro

- E quem disse quem tenho segredos? – perguntou ela, com indiferença, enquanto fazia uma anotação qualquer no pergaminho ao seu lado. Não estava gostando nem um pouco do rumo da conversa. Agora o negócio era desconversar para que a dupla não ficasse ainda mais desconfiada.

- Ora, Mione, garotas sempre tem segredos. – disse Rony com um sorriso complacente.

- Não eu! – retrucara ela, dando de ombros.- Não tempo para isso.

- Mas então aonde você está quando some algumas horas em certos dias da semana? Sempre os mesmo dias? – inquiriu Harry.

- Possivelmente vocês tenham preguiça de me procurar na biblioteca. – disse ela, com pouco caso, mas seus cinco sentidos estavam alertas. Eles estavam esmiuçando em busca de algo de errado... Mas ninguém nunca reparava muito no que ela fazia.

- Nunca lhe encontramos na biblioteca, quando a procuramos durante esses períodos. – comentara Harry.

- Tem certeza que foram até lá? – perguntou ela, rindo-se. – Vocês não costumam entrar na Biblioteca, dizem que tem cheiro de traças e que o local é infestado de ácaros.

Hermione parecia tão segura das repostas que dava, que Harry e Rony quase estavam convencidos de que talvez tivessem imaginado coisas quando pensaram que talvez ela estivesse se encontrando escondida com alguém. Mas vindo de Hermione, tanto poderia ser um romance, quanto seu amaldiçoado FALE ou um contrabando secreto de livros, numa legião ao estilo trouxa.

- Mas e quando você não esta na Biblioteca, onde costuma estar Mione?

A pergunta por si só, era arriscada e ela percebeu isso.

- Em geral dando rondas pelo castelo, como naquele dia em que peguei vocês espionando as escondidas o treino dos sonserinos, lembram?

Os três riram, e Hermione prudentemente recolheu suas coisas, e quando se preparava para subir a escada ainda comentou:

- Que falta me faz o giratempo.

Ela acenou aos dois e desapareceu escada acima, enquanto os garotos trocavam olhares misteriosos. Já dentro de sua cama, ela escreveu um bilhete e deu a Bichento para o entregasse ao destinatário.

" Todo o cuidado é pouco. Hoje eles andaram tentando arrancar algo de mim. obviamente que não conseguiram. Pode, que me acham tão destituída de inteligência a ponto de participar de um jogo da verdade?

Boa Noite, querido.

Durma bem

H."


Na noite seguinte era noite de irem até a Masmorra do Snape. Sarah para auxiliar no cozimento das algumas ervas e trabalhar um pouco na modificação de outras tantas fórmulas que ficaram meio desfasadas em matéria de efeitos. Os outros quatro foram cumprir suas obrigações de respostas as cartas. As malditas cartas, que eram na verdade, um ato de orgulho, pareciam se multiplicar a cada vez que eram respondidas. Algumas eram mais arrojadas especialmente as das leitoras, e Sarah divertia-se muito com isso. Havia uma leitora em especial que Sarah fazia questão de responder as cartas a próprio punho: Mirelle Ayala. Estas erma muito melosas e Sarah costumava comentar com os amigos que chegava a escorrer mel do pergaminho na hora de embrulhá-lo.

Obviamente, ela escrevia essa cartas a revelia de Severo Snape. O que era uma imprudência de parte dele, pois conhecia a garota muito bem. desde o momento em que descobrira que o professor era "viúvo" ela, decidira que haveria de casá-lo novamente. Como, para sua moral infelicidade nem ele, nem sua mãe parecia interessados em casar-se, ela decidira encontrara entre as cartas de fãs, alguma pretendente. Gostara do teor das cartas de Mirelle e achara que poderia investir ali. O único grande problema é que neste ultimo pergaminho ela enviara uma foto ( bela mulher por sinal. Sarah assentiu aprovando sua perspicácia na seleção das cartas) e um convite para um café da tarde, no próximo Sábado em Hogsmeade.

Como contar ao professor Snape sobre o suposto encontro que ele teria com a mulher? Sarah refletia sobre isso, quando , alguém lhe arrancou a colher mexedora da mão, ralhando.

- Assim você deixa queimar essas ervas rarrisimas, Sarah! – era a voz de Snape, reclamando brandamente. – E sua mãe me mata depois!

Ele arregalou os olhos, mas para sua sorte, Sarah parecia não Ter escutado. Isso de certa forma o preocupou. Algo estranho deveria estar acontecendo, e fosse o que o fosse, vindo de Sarah poderia ser qualquer coisa., mas qualquer coisa mesmo.

- Sarah, o que está acontecendo? – ele quis saber, colocando a menina sentada numa cadeira. – é ainda alguma coisa sobre o malfadado Jogo da verdade?

Naturalmente Sarah havia relatado a ele todos os detalhes do mal sucedido Jogo.

A menina apenas limitou-se a olhar para ele.

- Já estou entendo que é algo relacionado a mim. – constatou ele, arqueando as sobrancelhas – O que você aprontou desta vez?

- O senhor promete não ficar bravo comigo?- perguntou ela, tirando um maço de cartas do bolso da capa.

- Ai, ai, ai.... – disse ele, com desgosto. – Fale Sarah! Mas comece do começo porque suas historias nem sempre são fáceis de serem entendidas.

- Desde que o senhor me deixou, eu e os meus amigos respondermos essas suas cartas. –ela indicou a caixa com a cabeça- eu tenho me correspondido, como se fosse o senhor com uma mulher.

- Até aqui nenhuma novidade, Sarah! – disse ele, com désdem, dando de ombros. – A maior parte dos meu leitores é mulher.

- Pois é.. – disse Sarah, olhando as cartas -.. mas com essa eu tenho me correspondido, me fazendo passar pelo senhor em outros termos...

- Outros termos como? – ele quis saber.

- Bem... – Sarah não encontrou exatamente uma resposta para dar e então alcançou a ele, o maço de cartas. – O senhor entenderá assim que começar a ler.

O mestre de Poções então dedicou-se a ler as epistolas, e seu rosto foi se tornando levemente avermelhado, vermelho, rubro, roxo, até que possuído de uma força maligna ele gritou:

- SARAH!!!!!!!

Os outros quatro estavam sentado ao redor de uma mesa, e se admiraram com o grito de ódio. E foi ali que Snape os viu e disse gelidamente.

- Fora!

Eles rapidamente se levantaram e saíram, pois sabiam que quando Snape gritava com Sarah era porque poderia sair dali a terceira guerra mundial dos trouxas.

- Como pôde fazer isso, Sarah? – perguntou ele, amassando as cartas com as mãos e observando a menina com uma raiva contida.