ÀS
SUAS ORDENS
Capítulo 29: O Inimigo Externo
PV: KEITARO
Finalmente a nossa jornada chegou ao provável destino, o castelo encantado do youkai que Kikyo deve derrotar. Pelo que eu entendi, o youkai que ali vivia foi responsável por centena de mortes nos vilarejos da região e ainda aterrorizava a população dos arredores. Ninguém sabia qual era o objetivo do youkai, mas deveria ser algo relacionado com poder ou riquezas.
Para que nós finalmente entrássemos no castelo, ainda a barreira mágica devia ser rompida. Eu ergui a katana, mas Kikyo tocou em meu ombro e afirmou: " Nem gaste teus esforços à-toa, Urashima-san. Um mero mortal não conseguirá anular tamanho poder!".
Aquela frase me despertou um pouco de desconfiança, e eu não resisti; eu tive que perguntar: "Afinal, que criatura é essa que mora aqui? Qual é o objetivo dele?".
Kikyo tocou na redoma e disse: "O nome dele é Naraku. Ele era um mago poderoso que se fundiu a um espírito da natureza e tornou-se um youkai. Você deve pensar que ele busca poder e dinheiro... Não é tão simples assim...".
Eu me aproximei da feiticeira e questionei, ainda mais curioso: "O que não é tão simples assim? Se você não me disser, eu não entenderei de fato o que está ocorrendo!".
Kikyo continuou com a mão sobre a redoma e retrucou: "Urashima-san, você acha que tem alguma chance contra alguém tão poderoso quanto Naraku?".
Aquela sentença me desconcertou. De fato, eu era um humano sem magia. Eu senti que o dono do corpo que eu habitava no momento era um poderoso guerreiro, mas o fato que eu não tinha magia era algo inexorável. Então, eu respondi: "Não, eu não teria a menor chance. Se eu não estou aqui para ajuda-la, o que eu devo fazer?".
Ela se voltou na minha direção e afirmou: "Você deve lutar pelo próprio futuro.".
Eu me alarmei. O que ela sabia sobre mim, além do que eu confessei? Eu não me contive e requeri: "O que você sabe de mim? Você está escondendo algo de mim, não está?".
Ela me encarou serenamente e tocou meu rosto, então ela respondeu: "Não fique paranóico, meu querido. O que está em jogo aqui envolve a tua existência. Se eu ou Seishou morrermos, você não existirá.".
Eu estava muito confuso, e eu consegui apenas dizer: "Mas se eu existo, então você ganhará. Eu não entendo o porquê da minha presença neste tempo!".
Kikyo retirou a mão de meu rosto e disse: "Você fará parte da história por motivos educacionais. Você amou uma mulher que não assumiu tal paixão devido ao medo do abandono, e agora você se comporta da mesma maneira. Talvez kami-sama ache que você precise de uma lição mais vigorosa.".
Do nada, a redoma começou a mudar de cor, passando de violeta para azul-celeste e começando a mudança da base para o topo. Quando a redoma ficou toda azul, houve um clarão fugaz e a redoma sumiu. Kikyo continuava a observar-me, com um leve sorriso. Quando a redoma desapareceu, ela falou: "Urashima-san, está na hora!".
Eu disse: "Tudo bem, mas eu conheço a árvore genealógica da família Urashima, e não há o teu nome, nem o de Seishou.".
Eu senti, após terminar a frase, que eu estava imobilizado, cercado por uma aura azul. O movimento corporal era muito restrito; mais uma magia de Kikyo para me encurralar. Ela se aproximou de mim e tocou-me na fronte; quando o fez, uma série de visões se passou à minha frente. Começava com a visão de mim mesmo dormindo no vôo onde eu estava antes dessa loucura toda acontecer. Como se fosse o retrocesso rápido de um filme, eu comecei a ver meus pais, avôs, bisavôs e assim por diante, até chegar no momento em que eu estava, encarando Kikyo.
Daí eu percebi o meu erro. Eu conhecia bem a árvore familiar do meu pai, mas não a da minha mãe. Ou melhor, daquela mulher que me pôs no mundo. Droga, eu me sentia um lixo. A feiticeira percebeu a problemática e eu não consegui captar as possibilidades do que ela tentava me dizer. Eu estava ajoelhado, literalmente exausto. Eu fui para no passado para defender o futuro. Se eu estava ali, então o casal do passado ganhou a batalha. Eu não tinha a mínima noção da minha presença naquele contexto.
Kikyo uniu as mãos em forma de concha e colocou-as abaixo do meu queixo; daí ela fez com que eu ficasse de pé. Então, ela disse novamente: "Não dispersa o pensamento. Você deve descobrir qual a lição que kami-sama lhe reserva.".
Encorajado com as palavras de Kikyo, eu a acompanhei na invasão do castelo. Diversas entidades mágicas nos atacaram, mas Kikyo não teve dificuldade em derrota-las. Até que momento, eu era um mero espectador dos fatos. Quanto mais nos aproximávamos do salão principal, mais lúgubre era o aspecto ambiental. Um odor fétido de mel rançoso tomava conta do local. Eu acreditei que a intenção de Naraku era realmente intimidar antecipadamente quem circulava no castelo.
A visão do salão central era assombrosa. Diversos potes contendo uma substância viscosa que lembrava mel rançoso estavam posicionadas junta às paredes do salão. A iluminação era escassa, formando um ambiente imerso na penumbra. No fundo do salão, havia um homem coberto com uma pele de um animal que eu não reconheci, sentado em um trono.
Este homem se levantou e removeu a capa. À primeira vista, o que me impressionava eram as unhas das mãos em forma de garras e as orelhas pontudas. Ele se aproximou e, ao alcançar uma determinada distância de onde estávamos, ele parou. Kikyo ergueu uma aura azul em torno de si, e o estranho falou: "Medo, Kikyo? Eu espero que você tenha medo, pois eu não terei piedade de intrusos!".
Kikyo fez surgir diversas criaturas etéreas como barreira, e então falou: "Naraku, você não merece o poder que a natureza te deu. Você é uma ameaça a todos. Não há compaixão nem esperança em teu coração!".
Naraku ergueu uma aura violeta em torno de si e falou, com uma voz retumbante: "Eu sou o que preciso ser para alcançar o poder. Eu sou filho do terror e da escuridão. Eu não preciso de teus sermões, Kikyo! Aliás, se tua linhagem continuar a existir, eu não poderei germinar a minha descendência. Nós somos incompatíveis, Kikyo!".
Eu senti que não era somente a necessidade em manter a ordem social que motivava a idéia de Kikyo em derrotar Naraku; eles eram inimigos mortais, talvez até por uma questão ancestral. Um ódio que não podia mais permitir a tolerância pela existência do outro. Naquele momento, eu pensei: qual seria a minha parte naquela luta, além de garantir minha existência no futuro?
Capítulo escrito entre 26/09/2006 e 28/09/2006. Eu estou com dificuldade para seguir essa parte da saga, mas eu seguirei em frente. Agora que eu iniciei a trama, vou até o fim, seja como for. Agradeço os reviews, até a próxima. Ah, Slicer Lucas: meu estilo de narrativa eu construí antes de ler Dan Brown... Eu fico feliz que você goste desse conto.
Naraku é uma personagem do mangá e anime InuYasha, cuja obra pertence à autora Rumiko Takahashi e à editora Shogakukan.
