Capítulo XXVII
Volta para casa
Havia minutos que Jack e Vega cavalgavam em profundo silêncio.
A garota permitia-se abraçar Jack de forma tênue pela cintura, apesar de se sentir cansada e desejar recostar-se nas costas dele, com o objetivo de tirar um cochilo. Respirou fundo contendo um leve bufo de raiva, aparentemente, o rapaz estava querendo andar o mais devagar possível, como se tivesse adivinhando seus pensamentos e sua vontade imensa de chegar logo em casa e deitar-se um pouco.
-Sabe, pequena, eu não mordo. - ele comentou num ar meio malicioso que a fez revirar os olhos. - Então, não vejo problema nenhum em você se recostar em mim para descansar um pouco. Você deve estar exausta.
-Você lê pensamentos por um acaso, Lancaster? - ela rebateu, aborrecida.
-Não, mas seus suspiros aborrecidos e seu abraço que ora afrouxa, ora aperta, são suficientes para me fazer pensar.
-Se você fizesse esse maldito cavalo andar mais rápido, eu já poderia estar em casa e não precisaria abraçá-lo. – Ela respondeu, irritada por ele estar certo.
Mas mesmo assim, e um pouco envergonhada, demorou somente mais alguns minutos até que Vega cedesse à vontade e ao cansaço do corpo, abraçando-o mais forte e finalmente recostando sua cabeça nas costas dele.
Jack sorriu, ele não podia deixar de perceber como era bom o contato do corpo dela com o seu.
-Viu como assim é bem melhor? – ele murmurou, convencido.
-Não enche, Lancaster, só cavalgue mais depressa, por favor, quero chegar em casa e dormir.
-Já poderia estar dormindo se não tivesse ido para o bordel. - ele falou de modo sério. - O que te deu na cabeça para ir até lá?
-Eu já falei que isso não é da sua conta.
-Mesmo que você diga que não, você é muito ingênua, pequena. - ele disse num tom doce. - Você acha que todos os homens são como eu, que não se aproveitam de garotas como você na primeira oportunidade que vêem. Eu já disse, você precisa ter mais maturidade. - ele respirou fundo. - E se eu não tivesse jogando poker? O que seria de você, pequena? - ela notou que ele tremeu de leve, ou será que ele só fizera isso por que notara que ela tremera? Não saberia dizer - Um bordel não é lugar para mulheres do seu tipo, ainda mais bonitas como você. Aqueles homens são como predadores, e eles adoram uma nova presa para saciar a fome deles.
Vega permaneceu em silêncio e apenas limitou-se a abraçar ainda mais Jack. O rapaz suspirou profundamente em resposta.
-Pequena, você sabe o que aquele homem ira fazer com você, por acaso? – insistiu, ao ver que ela permanecia em silêncio.
Ela deu de ombros de leve, como quem não se importa com o fato.
-Eu poderia muito bem estuporar aquele trouxa.
-Não, Vega, não poderia. – ela se surpreendeu ao ouvi-lo tratando-a pelo primeiro nome. – Ele não ia te deixar pegar a varinha, pode ter certeza e, trouxa ou não, ele conseguiria o que queria se eu não tivesse reconhecido a sua voz e... – ele balançou a cabeça de um lado para o outro – Eu não quero nem pensar nisso. - Jack respirou fundo. - E se... E se algo acontecesse com você, pequena, eu não sei o que eu seria capaz de fazer. - ele murmurou depois de um tempo, como se estivesse analisando de deveria dizer isso ou não.
Vega suspirou. - Obrigada, Jack... Eu, eu não sei o que aconteceria se você não estivesse lá. - ela murmurou, surpresa consigo mesmo.
Ainda não tinha parado para pensar que Jack já a salvara duas vezes, e só a lembrança do toque daquele homem no bordel era motivo suficiente para agradecê-lo, mesmo que se sentisse um pouco envergonhada por fazê-lo.
Se Vega estava envergonhada, Jack estava ainda surpreso. Não conseguia entender o súbito desabafo da pequena e, mais ainda, odiava pensar no que aquele homem poderia ter feito com ela.
Um novo silêncio recaiu sobre eles e Jack se permitiu apressar um pouco o passo do cavalo, fazendo Vega soltar um muxoxo contrariado.
-Você só esperou eu dizer isso para acelerar o trote do cavalo, Lancaster? - ela murmurou num falso aborrecimento. Jack riu.
-Não, pequena, é que a noite também me cansou e eu estou sentindo ele me abater agora. - Falou num tom risonho.
-Jack... - ela começou, baixinho, e ele se surpreendeu pela doçura na voz dela. Alargou o sorriso.
- Sim...?
-Se eu te perguntar uma coisa, você me responde? - ele ia abrir a boca para fazer um comentário sobre o que ela acabara de dizer, mas ela prosseguiu, não dando chance dele falar. - Além dessa, é claro.
Jack riu quando ela adivinhou o que ele pretendia dizer.
- Sou todo ouvidos.
Vega respirou fundo e o abraçou um pouco mais forte, mesmo que inconscientemente.
- Você iria realmente dormir com rameiras hoje?
Jack respirou fundo, pensando numa resposta adequada. Uma que não o deixasse na mão de Vega, ele queria dizer.
-Jack? - Vega o chamou, pedindo uma resposta.
-Por que você gosta de perguntar coisas que já sabe a resposta, pequena?
-Você não dormiria? - ela insistiu, sendo levada pela curiosidade. - Por quê?
Jack sorriu e demorou um pouco para responder.
-Você sabe coisas demais sobre mim, pequena, e creio que deve ser inteligente suficiente para ligar os fatos e chegar a uma conclusão. - ele falou num tom sério.
Vega pensou em insistir no assunto, mas, por fim, resolveu não insistir; limitou-se, então, a apenas aproximar-se um pouco mais dele, meio manhosa e suspirar.
O silêncio se fez presente entre eles pela terceira vez aquela noite e assim permaneceu até que eles chegassem à casa dos Black.
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-Bordel! Um Bordel!!!!! Por Merlin o que vocês duas pensavam em fazer quando foram atrás dos rapazes??? Suas loucas!
Sirius Black andava de um lado para outro no seu escritório, lançado olhares fatais paras as duas mulheres a sua frente, enquanto o filho observava tudo com o olhar carrancudo.
-Seu filho também estava lá, Sirius. – disse Persephone – E eu não estou vendo gritar com ele...
-Porque ele é um HOMEM! Persephone! E aquilo é lugar para homens, e não para mulheres!
-Engraçado... – Vega levou o dedo ao queixo fazendo um olhar pensativo – Mas havia muitas mulheres lá também, pai.
O velho pai estreitou os olhos para ela, a fazendo engolir seco.
-Isso não é brincadeira, Vega... Você por acaso tem alguma noção do que poderia acontecer se Lancaster não tivesse te visto? – ela lançou um olhar fuzilante para o irmão que, provavelmente havia contado com detalhes o que ocorrera – Tem?
Ela abaixou a cabeça resignada, e fez que não, lembrando-se do que Lancaster havia lhe dito durante a volta, enquanto cavalgavam.
"Pequena, você sabe o que aquele homem a fazer com você, por acaso?", "Ele não ia te deixar pegar a varinha, pode ter certeza e, trouxa ou não, ele conseguiria o que queria se eu não tivesse reconhecido a sua voz e... Eu não quero nem pensar nisso."
Quando eles adentraram os terrenos do castelo, logo foram alcançados por Cygnus e Persephone.
O irmão fizera questão de acompanhar ela e a tia até seus quartos para só então ela pode dormir.
Ou tentar dormir, por que mal o sol raiara, fora acordada por um elfo, dizendo que sua presença era requisitada no escritório do pai e desde então, ali estava ela.
-Pai eu...
-Você nada, Vega! Eu cansei! Entendeu! Cansei da sua infantilidade. Cansei da sua inconseqüência! Chega! Primeiro você resolve fugir com o Malfoy e agora isso! – ele apontou o dedo ameaçadoramente para ela –Se você aprontar mais uma coisa que seja, menina, eu sou capaz de te mandar para um convento!
Persephone engoliu seco ao que Vega tentou segurar o choro.
-Enquanto a você, Perse... – disse, num tom mais calmo – Graças a Merlin que decidiu casar e que sua irmã já mandou a coruja firmando seu compromisso, por que se não eu não sabia o que fazer com você.
Cygnus arregalou os olhos. Tinha esquecido completamente do maldito compromisso de casamento que Persephone havia inventado.
-Sirius... – ela tentou abrir a boca, mas com um aceno do cunhado se calou.
-Eu não quero mais conversar sobre isso. – ele disse, virando as costas para as duas – Podem se retirar, por favor... E tratem de se comportar.
O homem permaneceu voltado para a janela enquanto as duas saiam do aposento. Persephone lançou um olhar suplicante a Cygnus que fez sinal, como quem tentaria resolver o problema.
Ele aguardou que a porta se fechasse para se dirigir ao pai.
-Não acha que foi severo demais?
-Severo, Cygnus? Por Merlin, elas foram para um bordel! – ele virou-se para o filho indignado – Um bordel!
-É, pai, eu sei... Mas também não é pra ameaçar a Vega com um convento, caramba... Afinal, o Lancaster não deixou nada demais acontecer.
-É... De novo o Lancaster.
Nesse minuto eles ouviram batidas na porta.
-Entre. – disse Sirius.
Alexander Potter apareceu e adentrou o recinto.
-Pelo visto não consegue mais viver sem mim, cunhado... – disse sorrindo – O que aconteceu para me mandar um berrador daqueles a essa hora da manhã?
-Sente-se, Alexander. É uma história um pouco longa.
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Persephone e Vega deixaram o escritório de Sirius em silêncio e somente quando já haviam virado o corredor e, portanto, não poderiam ser escutadas foi que a mais velha falou.
-Eu não devia tê-la levado até lá, Vega. A culpa foi toda minha, eu queria me vingar de Cygnus e no final...
Vega deu os ombros.
-Tudo bem, foi até divertido.
-Não me venha com essa, Vega, se não fosse o Lancaster, quem sabe o que seria de você agora?
De novo Lancaster, Vega pensou, as pessoas não se cansavam em lembrar-lhe de como ela lhe devia a vida. Ela resolveu mudar de assunto.
-Você e Cygnus pelo menos já se acertaram?
Um sorriso povoou os lábios de Persephone e Vega se sentiu satisfeita ao notar que conseguira seu intuito.
-Sim, nós conversamos na volta e posso dizer que fizemos as pazes.
-E o seu casamento, tia? – questionou, intrigada. – Vocês vão ter que fazer algo acerca disso, não é?
-É... – ela respirou fundo. – mas eu não quero pensar sobre isso; não por enquanto.
Se Vega iria perdurar a conversa ou silenciar, Perse não saberia dizer, pois no segundo seguinte Lynx, Stella e Betel vinham ao encontro das duas. A primeira deu um forte abraço na irmã, fazendo Vega caretear um pouco.
-Céus, Vega, quando o Cygnus me contou, eu quase não acreditei! – ela exclamou, atônita. – Aconteceu alguma coisa? Aquele cafajeste fez algo com você.?
-Está mais fácil você ter feito algo com ela agora, Lynx. – gracejou Sté, rindo da careta que Vega tentava ocultar devido aos ataques de mãe que a irmã mais velha costumava ter. – Tamanha a força com a qual você a está abraçando.
Aquela frase pareceu surtir algum efeito, pois, no segundo seguinte, a garota se afastou da irmã e suspirou de forma aliviada.
-Se...
-Certo, certo. – ela interrompeu, aborrecida. – Eu sei, eu sei que você vai dizer que se o Lancaster não estivesse lá, você não sabia o que poderia ter acontecido comigo. – ela bufou de raiva. – Será que ninguém vai me fazer esquecer isso?
-Mas é a verdade, Vega. – Lynce falou num tom meio ofendido. – Assim como é verdade que eu devo a minha ao Richards. – ela voltou o olhar para a tia e sorriu. – E você, tia Perse, como está?
-Muito bem. – ela sorriu de modo alegre.
-Só quem estava eram mesmo o Cygnus e Jack? – Sté perguntou, curiosa.
-Eu te falei que sim, Stella, pelo menos quem você está interessada em saber. – Betel falou, entediada, não permitindo que a tia dissesse qualquer coisa; Stella tentou não ficar constrangida com o que a irmã. – Eu vi o príncipe ir dormir, só não vi o Richards. – Lynx corou com o comentário.
-Ele não estava lá. – Persephone falou de modo sério, lançando um olhar significativo e intrigado para a face ruborizada da sobrinha mais velha. – Se não ele teria voltado conosco ontem.
-É; você tem toda razão. – comentou Betel, num ar distante. – E qual foi a reação do meu irmão ao vê-la ali, tia?
Persephone riu, se lembrando da noite anterior.
-A mais engraçada possível, posso dizer. – ela comentou e, num sorriso, lançou um olhar para as sobrinhas. – Vamos para o meu quarto, assim podemos conversar melhor. – ela lançou um olhar significativo para Lynx. – Creio que eu não seja a única a contar coisas por aqui. – ela alargou o sorriso e, com isso, as garotas se dirigiram ao quarto da tia calmamente.
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Oi gente...
Taí um dos meus capítulos prediletos... eu simplesmente amo o JV desse capítulo... é muito fofo, não?
Mas PREPAREM-SE!!! A coisa só tende a piorar... ou melhorar, dependendo do seu ponto de vista!!!!
E eu prometo não demorar pra postar o próximo cap, certo.
Mas vamos aos comentários:
Gagau – quanto tempo mesmo, tb estávamos com saudade. Bom, como vc pediu, aqui está a volta para casa do Jack e da Vega... fofooooooo neeee????
Murilo Zandona – Muito bem Murilo, gostamos muito de saber que vc cumpri suas promessas viu!... Sua dica para animagos está anotada, se bem que o do Cygnus já foi definido... O próximo Cap virá mais rápido, juro. Ah, respondendo as suas perguntas, não temos prazos definidos para postar novos capítulos... Temos material para irmos até, mais ou menos, o capítulo 40, mas ainda falta tempo para beta-los. A fic ainda não está pronta e estamos, a algum tempo, tendo dificuldade para continuá-la, mas a força pra fazer é grande ta.
Bom gente, espero mais rewis dessa vez... Ahhhhh A fic ta concorrendo ao V Fics Award do site Aliança 3 Vassouras! Sábado (dia 2/12) saem os resultados, vamos ver se levamos algo.
Bjs a todos
AMB
