Catelyn
Meu casamento se anunciou promissor durante o tempo em que eu e meu marido não dividimos a mesma cama, mas após o final da guerra eu passei a ter bastante certeza que aquilo não seria assim tão brilhante como imaginei que seria.
Eddard parecia me odiar, talvez não mais do que eu a ele. Era humilhante e abusivo. Era Stark ao extremo assumindo suas responsabilidades e obrigações com um bastardo, mas eu era uma Tully e eu sentia ter todo o direito do mundo de sentir-me traída e pisoteada. Durante a travessia até Winterfell, que durou cerca de meia volta de lua, eu precisei ver o senhor meu marido dividir-se entre Robb e o bastardo. Precisei aceitar que ele dormisse ao meu lado sem dignar-se em dizer-me uma única palavra.
Ainda que as conjecturas do meu pai estivessem corretas, sobre aquele bebê ser um Targeryan, fruto da história proibida de Lyanna, eu não via motivos para Eddard precisar mentir pra mim. Se era um segredo, eu seria capaz de mantê-lo. Mas ao tentar conversar com ele sobre aquele ponto, sua reação foi exagerada e eu acreditei que ele seria bastante capaz de me machucar fisicamente naquele momento.
-Nunca mais repita isso! Nunca mais diga isso em voz alta! –ele gritou me sacudindo pelo braço- Você acredita mesmo nas loucuras do seu pai sobre isso? Você realmente acha que se aquele garoto não fosse meu filho eu iria assumir de bom grado o fardo de estar destruindo meu casamento? Magoar você, talvez para sempre, para proteger o fruto dos erros de outra pessoa? Eu sou o pai daquele garoto, Catelyn! Eu já estou pagando bastante caro por isso!
E me deixou sozinha na barraca onde estávamos passando a noite. O resto do caminho até Winterfell foi uma provação a parte. O frio impregnava-se nos meus ossos e a estrada enlameada ficava cada vez mais difícil. Robb passou a viajar junto com o irmão bastardo, cuidado por um grupo de amas. Era difícil trazê-lo comigo no cavalo e o frio era cruel demais para um garotinho daquela idade.
Quando vi a fortaleza de Winterfell pela primeira vez, percebi que não importava o quanto eu tentasse me agarrar às memórias de Lyanna repetindo que o Norte era liberdade, aquelas muralhas simbolizavam uma prisão. Eddard veio por mim quando estávamos a uma milha de distância dos portões.
-Finalmente, minha senhora. –ele murmurou, posicionando seu cavalo ao meu lado- Um banho quente e uma cama ainda mais quente.
Esforcei-me para abrir um sorriso. Estendi minha mão, esperando que ele a segurasse, mas tudo o que toquei foi seu joelho. Ele me olhou surpreso pelo meu gesto e entrelaçou nossos dedos.
-Nós vamos ficar bem? –perguntei, incapaz de me conter.
-Eu farei o possível para que sim. –ele garantiu, beijando as costas da minha mão.
Durante os anos que se seguiram eu jamais pude aceitar Jon Snow. Garanto que fiz bastante esforço para isso, mas algumas coisas na minha personalidade fogem do meu controle. Tentei fazer meu marido feliz, e acredito que tenho conseguido isso.
Cerca de dez meses após minha chegada ao Norte, dei a luz a Sansa, com cores Tully e rosto mais Tully ainda. Ela parecia não ter pai, de tão parecida era a mim. Percebi que os nortenhos esperavam que meus bebês fossem parecidos a Jon Snow, mas eu tinha um sangue forte e me orgulhava disso. Para contrastar com o possível desagrado de pessoas que não importavam, a única pessoa a quem eu devia alguma coisa estava plenamente encantada com sua filha.
Eddard jamais passou uma noite fora da minha cama se pudesse evitar. Mesmo que tentasse, de algum modo, me fazer mais amigável em relação a Jon Snow, ele respeitava minha incapacidade de dividir as coisas. Poucos anos após a chegada de Sansa, veio Arya, rasgando-me de dentro pra fora, difícil como um inverno e com cores Stark. Eu não podia pensar em mais nada quando olhava para ela, apenas em Lyanna. Suas cores a fizeram amada em Winterfell instantaneamente. Mesmo sendo Sansa doce e delicada, extremamente bonita, no Norte as pessoas apreciavam mais a força.
Um ano após o nascimento difícil de Arya, eu engravidei novamente. Eddard ficou preocupado, recordando-se da minha ultima cama de sangue, onde o próprio meistre imaginou que eu não sobreviveria. Durante aqueles nove meses, jamais saiu de Winterfell. Estava comigo, na mesma cama, jamais me abandonando enquanto nosso segundo menino vinha ao mundo. Foi um parto tranquilo e ele era saudável. Por mais que seus cabelos fossem avermelhados e seus olhos fossem azuis, ele tinha os traços do pai. Ned o chamou de Brandon e por mais que eu sentisse uma fisgada no coração sempre que dizia seu nome, achei que a atitude do seu pai era louvável. Prometi a mim mesma que se eu trouxesse outra menina ao mundo, ela se chamaria Lyanna.
Mas quem veio após Bran, foi meu pequeno Rickon. Cinco bebês, cinco lindas crianças, tão diferentes entre si, mas tão unidas e felizes que nós não podíamos estar mais satisfeitos com a vida que construímos.
Era tudo perfeito e pleno. Mesmo a existência de um bastardo não era capaz de desestabilizar o amor crescente que construíamos. Muitas vezes eu cheguei a olhar para Eddard e me emocionar por ver ali, personalizado em uma única pessoa, todo o amor do mundo e suas cinco vibrantes consequências abrilhantando ainda mais minha vida. E eu tinha certeza que ele me amava, talvez mais do que eu o amava. E se não fosse por toda sua honra e senso de justiça, ele ainda teria sua vida e eu talvez ainda tivesse a minha. Mas eu estava conformada. Mortos os dois, seria apenas uma questão de tempo para que eu estivesse em seus braços novamente, e dessa vez ninguém jamais seria capaz de nos afastar.
Meu senhor... Meu Eddard... Meu amor.
( Notas da autora:
-Parece o fim, mas não é.
-Agora começa DEPOIS DE TUDO. -ñ
-Eu não quero narrar a morte do Ned ou tudo o que aconteceu depois disso. Todo mundo sabe, não mudou nada aqui.
-A partir de agora, eu darei o "meu final" aos Stark Pq eu os amo e zás.
-Quero agradecer a todo mundo que está aqui, çeos lindo
