Twilight e seus personagens não me pertencem, assim como o Romance aqui citado. Todos os créditos a Stephenie Meyer e Rosemary Roger. Mas, a Bella depressiva e o Edward hiper romântico e compreensivo sim respeite isso.
CAPÍTULO 21 – POR VOCÊ
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Edward Cullen
Havíamos voltado para a casa em que cresci. Bella parecia fazer de tudo para se mostrar recuperada aos meus olhos, mas, eu via o quanto ela estava machucada. O quanto era difícil para ela acreditar que eu nunca iria abandoná-la, e, aquele temor me machucava, porque sabia que era o responsável por ele.
Por mais que ela não comentasse o período de internação, tinha noção de quanto isso a tinha ferido. Eu tentava ao máximo estar presente a todos os momentos, apesar de sentir seu incomodo com minha presença muitas vezes. Podia ver que no fundo, ela acreditava que havia algum senso de obrigação em minhas ações e, tentá-la convencer do contrário me perturbava profundamente.
Não havia obrigação em meus atos, mas, seria hipócrita de minha parte se ocultasse a culpa que me consumia por não ter entendido o que ela realmente precisava. Por ter pensado no que seria mais cômodo para mim... por não ter confiado em nós.
De certa forma, eu a entendia completamente. Compreendia os seus temores e o medo do abandono, pois eu mesmo gerei esses medos e, acima de qualquer coisa, precisava fazer com que ela confiasse em mim novamente.
Eu só não conseguia pensar em uma maneira de fazer isso.
Uma de minhas atividades favoritas continuava ser observar seu sono, pois eram os poucos momentos em que a via mais relaxada; mais próximo da Bella que me conquistou e essa era mais uma das madrugadas em que permanecia acordado, simplesmente admirando seu sono.
Eu não tinha mais medo dela cometer alguma loucura. Tinha plena noção de que ela era forte demais para cometer algum ato insano como a que todos julgavam que ela tinha feito.
Estava tão imerso em meus pensamentos, que não observei o momento em que seus olhos abriram suavemente, num misto de espanto e admiração no meio da madrugada. Assim como eu, ela tinha muitas coisas a dizer, e, naquele momento, não havia mais porque fugir.
Era necessário que todos os nossos fantasmas fossem apagados para que conseguíssemos seguir em frente. Eu iria mostrar a ela que sempre estaria ao seu lado, independente do que acontecesse. Porque não haveria vida para mim sem ela.
"Eu ficarei bem e dormirei... contando que você esteja por perto."
Pretty Baby – Vanessa Carlton
Bella Cullen
As vezes, quando você acha que as coisas não podem piorar, o inimaginável acontece e elas ficam infinitamente mais horríveis.
Os três dias em que passei internada naquela clinica, foram, de longe, os piores dias da minha vida. Por muitas vezes eu acreditei que nada poderia me magoar mais do que minha experiência com Jacob. Estava completamente enganada. Perder Edward era infinitamente pior.
A dor por vê-lo desistir me arrasou completamente, e, a cada minuto em que estive naquela cela acolchoada, eu só podia rezar para que a morte me levasse logo. A ausência dele, olhar para aquelas paredes brancas e olhar para o céu por entre as grades só me mostrava o quão egoísta eu era por desejar prende-lo a mim. Edward merecia muito mais do que uma louca que não conseguia ser uma esposa completa. Merecia alguém que o amasse acima de qualquer coisa, alguém inteligente, esperta e glamorosa. Alguém que pudesse enfrentar os paparazzi sem ter um surto de pânico. Alguém que pudesse ser uma mulher completa na cama e que não se apavorasse com seus toques. Alguém que conseguisse filmar uma cena violenta sem ficar imersa num mundo de fantasmas. E, esse alguém não era eu. E eu não podia culpá-lo por querer uma mulher melhor para si.
Eu não sei exatamente o que houve para ele voltar, mas, sabia que havia muita culpa em seus olhos; era notório isso. Cada ato, cada gesto era como um pedido silencioso de desculpa. Não podia dizer que meu coração não se aliviava completamente ao vê-lo de volta, mas, o restante de minha parte racional sabia muito bem que eu não poderia prendê-lo pela culpa ou pelo remorso. Eu devia deixá-lo ir, mesmo com meu coração sendo rasgado no processo.
Muitas vezes nesses dias, sonhei como seriam as coisas se eu o tivesse conhecido antes. Talvez Edward não tivesse me notado, ou talvez ele poderia ter se apaixonado. Talvez, quem sabe, eu poderia ter sido tudo o que ele precisava. Era uma série de "se"s que tomavam meus sonhos, como os de agora, em que sonhava em como poderia ser se eu fosse uma esposa normal. Como seria ter um filho de Edward.
Sonhei com um menino de olhos verdes escuros e intensos e uma cabeleira completamente despenteada brincando com Edward, chamando-o de pai. Era impossível deixar de sorrir com aquela imagem, pois, eu sabia que ele seria um pai magnífico.
Eu forcei meus olhos a se abrirem sentindo minha cabeça um pouco pesada, mesmo que eu desejasse permanecer deitada e apreciando a ótima sensação que o sonho tinha me dado. No momento em que consegui manter meus olhos abertos encontrei os de Edward, pesados, sobre mim.
Apesar de estar nitidamente me observando, era notório que seus pensamentos estavam longe, e, nesses momentos em que o via vagando, sentia um imenso aperto em meu peito, pois, eu sabia muito bem que ele tentava de todas as formas me convencer que tudo estava bem, que tudo ficaria bem. Apesar de nós dois sabermos bem que não seria tão fácil assim.
Quando seus olhos voltaram ao foco, eu sabia que a conversa que eu tanto temia iria acontecer. Aqui e agora.
– Edward...
– Bella, antes de falar qualquer coisa, eu preciso que você me ouça. Preciso que você saiba e entenda que a internação...
– Shii - Tapei suavemente seus lábios com meus dedos - Eu entendo que você queria uma chance de seguir em frente. Realmente entendo. E, você não precisa se sentir culpado por isso.
– Não! Não é nada disso Bella! - ele segurou minhas mãos com força, como se tentasse passar a verdade por aquele toque - Eu estava preocupado com você. Estava surtando! Deus Bella, eu não conseguia dormir ou comer com medo de acontecer alguma coisa e você precisar de mim. Foi egoísmo de minha parte, eu sei, mas, eu não sabia o que fazer para você voltar. Olhar pra você me matava por dentro, porque, eu via a escuridão em seus olhos e não conseguia fazer nada pra te tirar daquela dor e preferia mil vezes que isso estivesse acontecendo comigo do que com você.
– Edward, entenda que... - fechei meus olhos e por um momento, flashes de tudo o que aconteceu passaram por minha mente - entenda que existem mais fantasmas em mim do que você merece lidar... entenda que eu... eu não mereço você... eu nunca falei tudo o que aconteceu naquele dia...
Sentia como se estivesse voltando no tempo e revendo todos os fantasmas que me atormentavam, mas, desta vez, eles não eram mais capazes de me ferir; não comparado com a dor de viver sem Edward.
– Como você sabe, depois que Jazz foi embora, Jacob me arrastou para umacomemoração da formatura. Eu achei que fosse morrer ali, quando Sam segurou minhas pernas e Embry meu tronco para que eu não atrapalhasse Jacob. Na verdade, eu não achei, eu pedi silenciosamente para morrer naquele momento. – eu já havia contado sobre Jacob a Edward, mas omiti partes. As partes mais humilhantes, partes que eu imaginava que fariam com que Edward me repudiasse.
– Eu estava sem forças para fugir. Meu corpo todo doía pelo esforço que tinha feito tentando me soltar, só que, por mais que me esforçasse, tudo parecia inútil. Jacob simplesmente se levantou e disse "Divirtam-se" me deixando a mercê de Sam e Embry - A essa altura, eu não conseguia mais segurar as lágrimas que teimavam em cair, e sabia que Edward poderia interpretar isso, como uma nova crise pânico. E talvez até fosse, mas o pânico não era relacuinado ao que aconteceu em Forks, mas sim, ao medo desmedido que senti de que provocar repulsa no homem que amo. Ele saberia agora que não havia nada mais limpo em mim. - Eu tentei fugir, mas... mas, eu não tinha forças - o eco da voz de Sam rodeava meus pensamentos "nós vamos nos divertir muito, Bellinha" -Sam me puxou pelos cabelos me arrastando de volta e... - baixei meus olhos sentindo as lágrimas descerem com força pelo meu rosto... acredito que nunca serei capaz de falar sobre isso, sem que um turbilhão de sentmentos me sufoque. - eu não consegui fugir deles.
Talvez essa tenha sido a minha pior lembrança e eu me forcei, ao máximo, para conseguir apagá-la. Era algo que eu gostaria de fingir que nunca aconteceu. Talvez, tenha sido por isso, juntamente com a vergonha que ainda sinto, que escondi isso de Edward e de todos.
– Eles me usaram de todas as formas possíveis e das mais cruéis que poderiam pensar, primeiro, um, depois o outro, até que... até que se cansaram de esperar. Decidiram que deveriam ser os dois... ao mesmo tempo - parei um pouco, tentando reunir os resquícios de sanidade que ainda haviam em mim - Quando eles me invadiram, meu corpo não agüentou mais e eu simplesmente desmaiei. Acordei sabe Deus quanto tempo depois e me arrastei de volta pra casa. Eu nunca... nunca me senti tão suja quanto naquele momento. Eu... eu sinto muito por ter escondido isso de você. Mas, eu tinha... tinha medo de como você reagiria... – Edward apertou minhas mãos com um pouco mais de força e se preparou para me interromper, mas eu continuei antes que ele não me deixasse terminar o que eu precisava dizer. - Eu... nunca cheguei a contar tudo o que aconteceu... nem mesmo a Charlie ou a Alice. Não havia porque mostrar o quão obsceno e degradante tudo havia sido, até porque, o que mais me feria era saber que Sam estava certo. Charlie não fez e não faria nada para me proteger. Ele fecharia os olhos para todas as vezes que Jacob e seus amigos resolvessem se divertir.
Ainda era difícil para mim admitir e por isso eu tentei me enganar, me iludindo com a esperança de que um dia, Charlie cairia em si, e que ele... que ele demonstrasse, de alguma forma, o seu amor por mim e por Jasper, mas, a verdade é que nós não significamos nada para ele. - Eu... eu não podia mais ficar ali. Se aquilo acontecesse de novo comigo eu... eu não sei o que seria capaz de fazer. Juntei algumas roupas e peguei todo o dinheiro que havia na carteira de Charlie. Bem, graças a Deus foi o suficiente para o vôo até Los Angeles. Eu tinha chegado de manhã ainda na cidade, mas, não conseguia encontrar ninguém. Primeiro Rose e Alice tinham se mudado e eu não encontrava o apartamento de Jazz. Eu já não sabia o que fazer quando você apareceu - fechei meus olhos e sorri com a lembrança - meu príncipe num Volvo prata! – continuei a sorrir, mesmo em meio as lágrimas, me lembrando do quão atencioso e gentil Edward foi naquela noite. - Edward, você mudou minha vida naquele dia, muito mais do que pode imaginar...
– Bella, você mudou a minha vida, também. Eu era vazio e você trouxe luz e cor para mim... se eu sou o seu príncipe, - Edward levou sua mão até o meu rosto e delicadamente começou a secar as minhas insistentes lágrimas. - tenha certeza de que você é a minha princesa. E, por Deus, não há ninguém que eu ame mais, em todo o mundo, que você. Entenda, meu amor, mesmo que você queira me deixar, eu jamais vou permitir. Isabella Cullen nós estaremos juntos até o fim dos nossos dias.
Meu coração parecia a ponto de sair pela boca e uma parte de meu cérebro racional demais gritava que eu estava entendendo as palavras de Edward de forma errada. Era tão reconfortante e irreal que Edward pudesse não se importar com o que tinha acontecido, que ele não estivesse se afastando de mim, enojado pelo o que houve em Forks. Eu não conseguia acreditar que Edward estivesse me falando aquilo. Mas, havia tanta sinceridade e tanto amor em seus olhos que eu só poderia acreditar que esse era mais um dos meus sonhos bons.
Eu senti seu toque suave em meu rosto e uma avalanche de emoções boas passou por mim
– Eu amo você Bella e absolutamente nada vai mudar isso.
Sem que eu conseguisse me conter aproximei meu rosto marcado pela lágrimas do rosto perfeito de Edward e fechei meus olhos com força, pedindo a Deus que não fosse apenas mais um sonho. Nosso beijo, o primeiro depois de todo esse tempo transmitia uma gama muito grande de sentimentos. Havia amor, confiança, carinho e amizade sendo compartilhadas naquele ato tão profundo, e, no meio de tudo, o desejo, avassalador e intenso percorria nossos corpos como fogo. O calor que percorria meu corpo de forma tão intensa teria sido capaz de me despertar, caso eu estivesse mesmo sonhando. Sorri, verdadeiramente, ainda com meus lábios colados nos de Edward, ao constatar que ele estava mais uma vez me mostrando o quão grandioso e intenso é o seu amor por mim.
Os toques de Edward eram extremamente delicados e, mais uma vez, ele exorcizava meus demônios com seu amor e compreensão. Nunca foi tão intenso ou tão perfeito e nunca me senti tão amada e tão segura quanto em seus braços. Ali era meu lar e era ali que eu deveria ficar. Para sempre.
