Foram dois dias de desespero misturado à ansiedade.
A decisão de transformar Bella para salvá-la foi puramente egoísta. Eu JAMAIS aceitaria perder minha mulher, mesmo que isso custasse alguns de seus sonhos, como a maternidade completa. Bella não poderia amamentar nosso filho e sabe-se lá quantas coisas mais a deixariam longe do nosso bebê.
Minha principal preocupação era se ela conseguiria se aproximar do nosso filho. Não importava quanto tempo Bella demoraria estar perto dele sem perigo para ambos, nós esperaríamos pacientemente. Eu não colocaria aquele serzinho perfeito, quente, humano, em risco.
Nas angustiantes 48 horas seguintes ao parto eu não deixei nosso pequeno fora de vista por nem um segundo. Primeiro porque ainda havia Jacob Black com quem eu acertaria as contas em algum momento desta vida (soube que ele não era visto há dois dias). Segundo porque eu queria que ele fosse a primeira coisa que minha mulher visse ao abrir os olhos.
Meus pais, Rosalie e Alice me ajudaram bastante com os cuidados iniciais, com os banhos e amamentação. Tudo era feito no quarto onde minha mulher estava desacordada.
Meu filho, ainda sem nome, era perfeito. Todos disseram que era minha cópia perfeita. Eu encontrei muitas das características de Bella em sua fisionomia, mas no geral, tive que admitir, ele era muito parecido comigo: cabelos em um tom avermelhado, lábios vermelhos, pele clara, dedos longos e, o que me fez querer chorar, mesmo sendo impossível, lindos olhos verdes. Carlisle explicou que os olhos poderiam mudar de cor nos próximos meses, mas eu tinha certeza que não.
Sentei com ele nos braços em uma poltrona estrategicamente colocada ao lado da cama onde Bella estava e ali cantarolei para minha família. Não sei de onde surgiu aquela melodia tranquila, mas senti que representava a minha linda esposa e meu perfeito filho.
De repente, o coração de Bella pulsou pela última vez. Silêncio. Levantei de uma vez e o silêncio foi quebrado pelo choro do nosso filho.
Esme, Carlisle, Alice, Jasper, Rosalie e Emmett entraram no cômodo à espera do que se seguiria. Era estranho. Nenhum deles tinha sede do sangue do meu bebê. Esse era um dos meus medos, que percebi ser desnecessário.
Em um instante Bella estava deitada em nossa cama, imóvel. No instante seguinte ela estava encostada na parede, assustada, e olhando em todas as direções. Assimilando o novo mundo que se apresentava diante de seus olhos. Esses olhos que agora eram de cor vermelho-sangue e que tão logo conseguiu me identificar no meio de tantas descobertas, desceu até nosso anjo, que não parava de chorar.
Eu não conseguia reagir, nem meus familiares. Bella não reagia. E o pranto tornou-se mais forte, mais alto, mais triste.
E sem aviso, Bella disparou em minha direção e tomou o bebê dos meus braços, abraçando-o com firmeza. Ameacei tomá-lo de volta. Ela jamais me perdoaria ou se perdoaria se machucasse o fruto do nosso amor. Rapidamente, passei o olhar ao redor do quarto e percebi que absolutamente todos estavam à postos para proteger meu filho. Nosso filho.
Mas não foi preciso. Bella fechou os olhos e aspirou o perfume natural do nosso pequeno. Confesso que, depois do cheiro de minha mulher, era o melhor cheiro do mundo.
A mão de Bella cobriu seu o rostinho e aquele homenzinho foi se acalmando até parar de chorar e apenas suspirar. Ele a reconhecia. Ele sabia que ela era sua mãe, aquela que o desejou tanto e que lutou por sua vida.
E ela sabia que ali era seu filho, que não poderia e não faria nenhum mal à ele.
- Meu Thomas – sussurrou, mas era óbvio que todos nós ouvimos.
- Thomas – repeti. – Thomas Swan Cullen. Nosso Thomas, meu amor.
Bella sorriu em minha direção e rapidamente voltou seu olhar ao nosso Thomas que agora dormia tranquilamente nos braços da mãe.
Discretamente, cada membro de minha família nos deu o espaço que merecíamos e me aproximei de Bella abraçando-a junto a Thomas. – Me perdoe – pedi.
- Por quê? – perguntou sem tirar os olhos do bebê.
- Eu sei que você desejava um parto natural, desejava amamentar-
- Mas acima de tudo eu desejava estar com nosso filho e você me permitiu isso – me interrompeu. – Edward, não se martirize. Por favor. Eu estou bem. Você percebeu que eu sequer vacilei? Por um segundo tive medo de não ser forte...
- Talvez sejam instintos maternos. Não sei. Eu também me preocupei quando você o tirou de mim, mas foi lindo ver vocês dois juntos depois do tremendo susto que foi o parto.
Bella tocou seus lábios com os meus levemente. – Me desculpe. Eu não queria que tivesse sido assim.
- Eu sei, mas eu achei que ia perdê-la.
- Agora você terá a mim para sempre ao seu lado. Querendo ou não...
Bella sorriu.
- Eu garanto que não será nenhum sofrimento. Eu amo você, Bella. E amo nosso Thomas também.
- Meus dois homens, meus dois amores.
O bebê resmungou um pouco. – Acho que ele precisa descansar... Estas últimas horas foram uma loucura para todos. E você, senhora Cullen, precisa se alimentar. A senhora não sente sede?
De repente, a fisionomia de Bella mudou da serena mãe para a assustada recém-nascida sedenta por sangue.
- Por que você tinha que me lembrar disso, Edward?!
Sorri, pegando nosso pequeno. – Por que depois que a mamãe estiver bem alimentada será a vez do papai matar as saudades da mamãe decentemente – falei para ela, mas olhando para meu filho.
Bella bufou, sorrindo em seguida. – Isso vai ser interessante.
FIM
Foi uma longa jornada, cheia de pedras pelo caminho, mas, enfim, colocamos um ponto final nesta que é uma das minhas fics preferidas.
Peço desculpas pela demora entre um capítulo e outro, mas eu sempre tive a intenção de chegar ao fim. Como não houve um prólogo, não haverá um epílogo.
Se algum ponto não ficou esclarecido, afinal, depois de tanto tempo, alguma coisa pode ter passado sem que eu percebesse, basta me perguntar/avisar nos reviews que posso pensar em providenciar um ou dois Outtakes, ok?
Obrigada pela paciência!
Rosa
